domingo, 10 de fevereiro de 2019

Mecenato urbanístico

Jornal Econômico 07-02-2019, por Rodolfo Alexandre Reis 

MK Premium vai investir 15 milhões de euros em ativos imobiliários em Portugal




““O mercado imobiliário português adapta-se perfeitamente ao nosso modelo de negócio. Edifícios históricos, localizados em áreas centrais e que são uma grande oportunidade de negócio, com o objetivo de dar resposta à crescente procura, especialmente nas duas cidades mais importantes do país. Portugal tornou-se um destino muito procurado, o número de turistas aumentou e, para empresas como a Casasnossa, cujo objetivo passa pela recuperação arquitetónica de prédios, é uma importante oportunidade de negócio. Estamos muito satisfeitos com os resultados obtidos no nosso primeiro ano em Portugal e em 2019 os nossos objetivos serão muito mais ambiciosos”, refere Daniel Leiva, sócio fundador da MK Premium."

O financiamento da conservação do patrimônio arquitetônico, um dos maiores quebra-cabeças do urbanismo contemporâneo, parece ter sido resolvido de uma só tacada, em Portugal, pela especulação imobiliária globalizada.

Ao custo, porém, da sua exclusão do mercado habitacional: o parque de bens imóveis será usado e apreciado por turistas, ocasionais e sazonais.

Muito se tem falado, e não é de hoje, dos efeitos sociais devastadores da alta dos preços imobiliários internacionalizados nas duas grandes cidades portuguesas. Segundo o JN*, até a Comissão Europeia - insuspeita, eu imagino, de "marxismo cultural" -, reconhece em seu mais recente relatório sobre Portugal que "o aumento nos preços das casas está em grande medida concentrado nas principais cidades de Lisboa e Porto, onde as atividades do turismo se estão a expandir para as áreas residenciais, com um impacto negativo na habitação a preços acessíveis para os grupos socialmente vulneráveis".

Retornando ao patrimônio arquitetônico, ali onde a especulação imobiliária globalizada não chega a sua proteção seguirá dependendo, como na maior parte do mundo, de capitais locais combalidos e Estados - federais, estaduais e municipais - cronicamente quebrados.

2018-02-10