segunda-feira, 18 de março de 2019

Bens públicos, negócios privados

Correio Brasiliense 16-03-2019, por Hamilton Ferrari

Venda de 12 aeroportos em leilão atinge ágio médio de 1.000%
Montagem: À beira do urbanismo
Imagens originais: Internet
Em leilão “surpreendente”, segundo analistas, o governo federal conseguiu arrecadar R$ 2,38 bilhões com a concessão de 12 aeroportos da Infraero. Chamou a atenção dos especialistas o ágio médio — a diferença entre os valores mínimos exigidos para os lances e as quantias ofertadas pelas empresas — que foi de 986%. Regras mais atrativas e maior confiança na economia do país foram pontos fundamentais para atrair os investimentos. 

(..) O bloco Nordeste obteve o maior lance, de R$ 1,9 bilhão, sendo que o valor mínimo estabelecido era de R$ 171 milhões. O ágio registrou mais de 1.101% e a empresa espanhola Aena Desarrolo Internacional comandará os terminais de Recife, Maceió, João Pessoa, Aracaju, Juazeiro do Norte (CE) e Campina Grande (PB).

O principal destaque, porém, foi o ágio de 4.739% do bloco Centro-Oeste, conquistado pelo consórcio Aeroeste, que é formado pela Socicam, conhecida por administrar o terminal rodoviário do Tietê, em São Paulo, e Sinart Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário e Turístico. O lance mínimo era de R$ 800 mil, mas o grupo investiu R$ 40 milhões. A oferta envolvia os aeroportos de Cuiabá, Sinop, Rondonópolis e Alta Floresta, todos em Mato Grosso.

Para completar o domínio das empresas estrangeiras, a Zurich Airport, da Suíça, arrematou os terminais de Vitória e Macaé (RJ) por R$ 437 milhões. O lance mínimo era de R$ 46,9 milhões e o ágio atingiu 830%. O presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), Venilton Tadini, classificou o leilão como um sucesso. (..) 

2019-03-18