
O projeto foi desenvolvido pelos arquitetos e urbanistas Luiz Fernando Cruvinel Teixeira e Walfredo Antunes de Oliveira Filho. A Avenida Teotônio Segurado tornou-se o grande eixo Norte-Sul, enquanto a Avenida JK estruturou a ligação Leste-Oeste. No encontro dos dois eixos foi organizado o coração institucional da nova capital. (..)
O problema apareceu quando a cidade real começou a avançar mais rapidamente que a ocupação planejada.
Em vez de preencher progressivamente o núcleo projetado, Palmas desenvolveu áreas distantes enquanto ainda mantinha grandes vazios dentro da malha central. Regiões ao sul ganharam importância, e documentos municipais posteriores reconheceram problemas como fragmentação urbana, grandes deslocamentos e necessidade de aproveitar melhor a infraestrutura já instalada.
Assim, Palmas se tornou um raro laboratório urbano brasileiro: uma capital desenhada praticamente junto com o nascimento de seu estado, mas que demonstra como nenhum traçado consegue controlar completamente as forças sociais e econômicas que constroem uma cidade.
O plano continua perfeitamente visível do espaço. A história de Palmas está justamente nas partes em que a cidade real escapou dele. [destaque PJ]
Muito interessante e instrutivo, diria mesmo objeto de estudo obrigatório para as novas gerações de planejadores, mas não penso que Palmas seja um “raro laboratório urbano brasileiro”. Na verdade, nem o autor pensa, pois ele mesmo afirma que “nenhum traçado consegue controlar completamente as forças sociais e econômicas que constroem uma cidade.”
De fato, o mesmo aconteceu em Erechim, Maringá, Goiânia, Belo Horizonte, Brasília e, se quisermos flexibilizar o conceito de “plano”, em Salvador, Aracaju e Teresina. Na América hispânica isto pode ser dito de todas as capitais formadas ao redor do damero colonial, de várias vilas rurais criadas no Pampa bonaerense em meados do século XIX, e, é claro, da capital provincial La Plata, construída na década de 1880. Nos EUA, cito os casos ilustres de Washington DC e Filadélfia.
Como já sugeri em outro lugar, “(..) o amadurecimento das relações de produção capitalistas foi um furacão civilizacional que tudo subordinou à sua dinâmica e suas necessidades. Dadas as circunstâncias adequadas à acumulação do capital, onde já havia cidades ele as revolucionou; onde não havia, ele as criou.”
E em outro: “(..) Tampouco o planejamento urbano, avatar tecnocrático do urbanismo alçado ao primeiro plano da governança pública na segunda metade do XX, aventurou-se a construir uma urbanologia que lhe desse suporte, balizas e - muito importante - consciência de seus limites. (..)”

