Mortes em Paraisópolis: o que se sabe e o que falta esclarecer
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Foto:
Tuca Vieira 2004
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Não é concebível, nos dias de hoje, a remoção de um bairro popular de 100 mil habitantes e 8 mil estabelecimentos
comerciais numa área de 10 quilômetros quadrados, dito a 2a. maior favela de São Paulo e 5a maior do Brasil, ainda que precariamente urbanizado e majoritariamente constituído de contruções informais.
Mas não custa lembrar que Paraisópolis, mundialmente conhecido pela foto histórica de Tuca Vieira (2004) como símbolo da desigualdade urbana no Brasil, ocupa o coração da região urbana para onde se expande o mercado paulistano de imóveis de alto padrão, menina dos olhos do espasmo econômico que se quer fazer passar, à toda custa, por indício da 'retomada do crescimento' e justificativa para a extinção de todos os direitos que não o de propriedade.
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"Não cabia mais ninguém no auditório da Fiesp. Numa noite fria de junho, o presidente cantou o Hino Nacional, posou para fotos e ganhou uma medalha dos capitães da indústria. Depois caminhou até a tribuna e passou a elogiar o ministro do Meio Ambiente. “O Ricardo Salles é um homem que está no lugar certo”, exaltou. “Os produtores rurais, cada vez mais, têm menos medo do Ibama. Eu paguei uma missão para ele: ‘Mete a foice em todo mundo’. Não quero xiita ocupando esses cargos”, prosseguiu. A plateia interrompeu o discurso com aplausos. (..)""O atestado do desastre", por
Bernardo Melo Franco / O Globo 19-11-2019
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"E ouvir o silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina"
("Haiti", Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1993)
2019-12-08
