Mostrando postagens com marcador habitação precária. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador habitação precária. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de março de 2025

O "novo marco legal do saneamento"*

G1 Globo 19-03-2025
https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/03/19/falta-de-saneamento-basico-causa-internacao-de-mais-de-300-mil-cidadaos-em-2024-diz-estudo.ghtml

"Um estudo divulgado nesta quarta-feira (19) comprovou o tamanho de um dos maiores desafios para o Brasil: a falta de saneamento básico causou a internação de mais de 300 mil cidadãos em 2024.
O caminho da água que abastece alguns moradores de Heliópolis é tortuoso. Começa em um gato e segue com emendas cruzando córregos, ziguezagueando por muros, subindo paredes. Já o que leva os dejetos para fora das casas é bem mais direto: do cano na parede do banheiro para dentro do córrego a cada descarga. Essa arquitetura do improviso ou da necessidade resolve um problema imediato dos moradores, mas vai espalhando pelo bairro um problema ainda maior: de saúde.

O levantamento do Instituto Trata Brasil mostra que diarreias, verminoses, doenças de pele e as causadas pela proliferação de mosquitos, como dengue e chikungunya, internaram 344 mil brasileiros só em 2024. A melhora do saneamento no Brasil se arrasta. Em 16 anos, no período de 2006 a 2022, o abastecimento de água tratada cresceu apenas 4,6 pontos percentuais. A coleta de esgoto avançou 1 ponto percentual por ano. O tratamento de esgoto nem isso: 14 pontos percentuais em 16 anos. E o Brasil chegou a 2025 com quase metade da população sem coleta ou tratamento de esgoto. (..)"

2025-03-26

* Ver neste blog:

"Agora Vai", 25-06-2020
https://abeiradourbanismo.blogspot.com/2020/06/agora-vai.html

"Tempo técnico", 14-07-2020
https://abeiradourbanismo.blogspot.com/2020/07/tempo-tecnico.html

"Privatizem-se as responsabilidades", 29-07-2020
https://abeiradourbanismo.blogspot.com/2020/07/privatizem-se-as-responsabilidades.html

quarta-feira, 1 de junho de 2022

A gente quer inteiro, não pela metade

O Globo 30-05-2022 
https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2022/05/chuvas-em-pernambuco-para-especialistas-falhas-no-planejamento-urbano-e-na-resposta-a-crise-explicam-tragedia.ghtml
My News 29-05-2022
https://canalmynews.com.br/mais/sobe-para-56-o-numero-de-mortes-registradas-em-pernambuco-vigilancia-em-saude-do-estado-aponta-70-obitos-urbanista-explica-culpa-nao-e-das-chuvas/


Toda vez que ocorre uma tragédia socioambiental urbana no Brasil, os jornalões vêm com a mesma lenga-lenga: “falta planejamento”!

Não conheço os “especialistas” consultados pel’O Globo, mas acho que não faz a menor diferença: é muito possível que o editor tenha selecionado, em seus depoimentos, aspectos técnicos secundários e frases que eludem questões constrangedoras, ou mesmo que as perguntas críticas sequer lhes tenham sido feitas.

Não me espantaria, considerando que a foto que ilustra a matéria mostra um automóvel de boa qualidade trafegando por uma avenida alagada, e não, como seria de esperar, os efeitos da enxurrada em uma área de risco densamente ocupada por habitações.

Por isso justapus à imagem d’O Globo uma foto publicada no MyNews, seguida do trecho de um depoimento digno de ser lido.

É preciso insistir: não falta planejamento. Todas as grandes cidades brasileiras dispõem de instituições de planejamento de grande tradição e pessoal técnico altamente capacitado. Faltam, sim, condições materiais e políticas para que o planejamento urbano possa produzir efeitos relevantes e não apenas “migalhas para os pobres”, como recém denunciou a urbanista e professora Nadia Somekh*.

Falta gasto público em infraestrutura urbana e moradia social; faltam impostos sobre a renda fundiária, incluído o capital investido em rendas fundiárias, para financiá-las; falta intervenção estatal no mercado de terras e benfeitorias para permitir o acesso dos trabalhadores às localizações centrais e pericentrais já urbanizadas. E faltam, sobretudo, rendimentos que permitam às famílias trabalhadoras ter acesso à moradia de qualidade como quaisquer outros cidadãos. 

Nada disso é simples de fazer no plano técnico e menos ainda no político. Mas eu diria que a primeira providência é deixarmos, os planejadores e os trabalhadores,  de nos contentar com migalhas.

2022-06-01

_____
NOTA

[*]“'O que o Plano Diretor deu aos pobres foi migalha', diz urbanista”. Folha de S Paulo 25-05-2022
https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2022/05/o-que-o-plano-diretor-deu-aos-pobres-foi-migalha-diz-urbanista.shtml

sábado, 11 de julho de 2020

Legado viral

Guardian  03-07-2020, por Amelia Hill 
https://www.theguardian.com/world/2020/jul/03/covid-19-exposes-stark-generational-uk-housing-divide-report-says

Covid-19 exposes stark generational housing divide, UK report says
 
The coronavirus pandemic has exposed a generational divide in living conditions across Britain, with young people more likely to be locked down in smaller, overcrowded homes with no access to garden than older age groups, a report has found. (..)

https://www.independent.co.uk/independentpremium/
coronavirus-schools-close-benefits-sick-pay-nhs-a9409936.html
Caroline Abrahams, the charity director at Age UK, said: “Poor housing is a problem affecting people of all ages. Two million older households, including 530,000 long-term sick and disabled older individuals, live in homes classed as ‘non-decent’.”

Polly Neate, the chief executive of Shelter, added: “A toxic combination of expensive private rents, successive cuts to housing benefit, and a dire shortage of social housing have left us in a total mess. (..) 

2020-07-11

terça-feira, 16 de abril de 2019

New Brazil Realty

UOL Notícias 15-04-2019, por Marcio Dolzan /Estadão Conteúdo

Apartamentos irregulares na Muzema custam entre R$ 60 mil e R$ 200 mil

Foto: Marcos Serra Lima/G1 
Prédios erguidos em tempo recorde junto a encostas, imóveis ocupados ainda em obras e precária infraestrutura são a regra no condomínio Figueiras do Itanhangá, na Muzema, zona oeste do Rio, onde na sexta-feira dois edifícios ruíram, matando pelo menos 11 pessoas. O baixo custo dos imóveis em comparação à média no mercado imobiliário e a falsa segurança prometida por milicianos que dominam a região acabam levando pessoas de baixa renda a adquirirem apartamentos no condomínio, que não tem autorização da Prefeitura do Rio.

Os moradores mais antigos dizem que, há menos de 20 anos, apenas casas com até dois andares eram permitidas no local. Hoje, elas são poucas em meio a dezenas de prédios erguidos em poucos meses, a maioria com o mesmo padrão - entre seis e sete andares, com quatro apartamentos por andar. Os apartamentos de dois quartos, com cerca de 50 metros quadrados, são vendidos em média por R$ 60 mil. As condições de compra são convidativas: entrada de R$ 15 mil e o restante financiado em parcelas mensais de R$ 1.000, sem juros.


Foto: Renee Rocha / Agência O Globo
Os imóveis maiores, na cobertura dos edifícios, chegam a custar R$ 200 mil - e, também podem ser financiados sem juros. Os prédios são construídos em questão de meses, a maioria sem nenhum tipo de laudo técnico. O novo morador recebe o imóvel pronto apenas do lado de fora. "Cada um é responsável por fazer a parte elétrica e hidráulica dentro de casa", contou à reportagem um comprador, que pediu para não ser identificado. (..)

2019-04-16

sábado, 23 de março de 2019

SOS Holiday (2)

G1 Pernambuco 21-03-2019, por Pedro Alves

Da inovação à degradação: Holiday representa marco arquitetônico e social para o Recife

Construído em 1956, o Edifício Holiday (..) foi um marco arquitetônico e social para a formação e ocupação da Zona Sul do Recife. Localizado no bairro de Boa Viagem, o prédio contribuiu para a mudança da paisagem da cidade, de formas que vão muito além de sua estética, então, inovadora. (..) foi projetado por Joaquim Rodrigues e segue uma tradição artística ligada ao modernismo. Com 17 andares e 476 apartamentos, o prédio, junto com o Edifício Califórnia, seu contemporâneo também localizado em Boa Viagem, é um dos primeiros arranha-céus do Recife (..).

A importância do Holiday e de sua arquitetura, nos anos 1950 e 1960, se mistura com a própria história de Boa Viagem, bairro que, atualmente, tem um dos metros quadrados mais caros da capital pernambucana.

Segundo o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU-PE), Rafael Amaral Tenório, a ocupação do bairro, tendo em vista sua distância em relação ao Centro da cidade num tempo em que vias asfaltadas ainda eram raras, tem relação direta com a instalação de seus primeiros arranha-céus. O nome de Boa Viagem se deve, inclusive, ao fato de que o bairro era utilizado principalmente para veraneio.

(..) De acordo com o arquiteto e professor do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Fernando Diniz, os edifícios Holiday e Califórnia trouxeram ao Recife uma proposta de habitação à classe média: edificações verticais, apartamentos pequenos e, principalmente, a mistura entre comércio e habitação no mesmo local. Os dois edifícios foram pensados para servir como segunda residência, pela proximidade da praia.

(..) Nos últimos anos, os 476 apartamentos do Holiday serviram de casa para mais de 3 mil pessoas, segundo o condomínio. Na quarta (20), último dia do prazo judicial, restavam 45 famílias que resistiam em deixar suas casas. (..) Os problemas apontados para a interdição vão desde a inundação do subsolo até a falta de componentes básicos de prevenção ao fogo, além de falhas e da sobrecarga das instalações elétricas. Outro problema é a quantidade de botijões no prédio, que tinha quase oito mil quilos de gás na edificação, sendo usados para vários fins, como comércio e produção de alimentos.

(..) De acordo com o presidente do CAU-PE, falhas na gestão do edifício fizeram com que ele chegasse à situação atual, que, segundo a Defesa Civil do Recife, apresenta um grau de risco nível 3, numa escala de 1 a 4. Rafael defende que a interdição é importante para preservar as vidas dos moradores. (..) uma alternativa aos moradores do Holiday seria utilizar o Serviço de Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social, um direito garantido por lei, para promover orientação de arquitetos e urbanistas em obras de forma gratuita. O entrave de ser um prédio privado impede a realização dessa ajuda. 

"O problema é que o Holiday precisa ser qualificado como Habitação de Interesse Social para receber auxílio público. É possível encarar o Holiday como um Minha Casa Minha Vida. Temos a oportunidade de requalificar e dar condições dignas de moradia a mais de 2 mil pessoas. É preciso encontrar um meio-termo entre deixá-los lá, em risco, e tirá-los sem pensar no impacto social", diz.

Ainda segundo Rafael, a restauração do edifício Copan, em São Paulo, é um exemplo a ser seguido pelo Holiday. (..)

2019-03-23

terça-feira, 19 de março de 2019

SOS Holiday

G1 Pernambuco 14-03-2019, por Marina Meireles

Moradores resistem a deixar Edifício Holiday após ordem judicial de desocupação

Inquilinos e proprietários não querem deixar os imóveis e alguns não consideram opção de abrigo provisório oferecida pela Prefeitura do Recife nesta quinta-feira.
Marco da arquitetura moderna em Recife,
construído em 1957
(Arq. Joaquim Rodrigues).


(..) A aposentada Evanize Fernandes, que mora há 30 anos no Holiday, foi até o ônibus e conversou com os profissionais da prefeitura. Depois de conhecer a proposta apresentada, ela afirmou que está decidida a ficar em casa. Proprietária do apartamento 222, ela critica a falta de alternativas para quem vive no edifício.

"Eu tenho a escritura do meu apartamento, paguei meu IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano], paguei as contas de luz. Estão nos tratando como cachorros. Fiz esse cadastro, mas não me ofereceram casa para morar, só esse abrigo provisório. E por aí, os apartamentos de quarto e sala têm o aluguel caro. Isso aqui é meu. Eu só saio se for presa", afirma.

(..) O desempregado Rogério Inácio buscou informações com os profissionais do município e declarou que a situação é muito complicada. Considerando a saída inevitável, ele tem dúvidas sobre onde vai ficar com os pais quando a família deixar os dois imóveis. "A gente mora aqui há 41 anos. Eu não tenho dinheiro pra alugar um apartamento porque estou vivendo de bicos", declara.
Foto: Admilson Santos 24-07-2013
https://www.flickr.com/photos/sadmilson/9387108199
(..) 

A decisão de interditar o Holiday foi proferida pelo juiz Luiz Gomes da Rocha Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública da Capital, em caráter liminar, na terça (12), após uma tutela de emergência requerida pela prefeitura do Recife. A desocupação, segundo o documento, deve ser feita em até cinco dias úteis, contados a partir da data de intimação ao edifício.

(..) Caso o prédio não seja desocupado nesse período, a remoção à força dos moradores do loc al pode ser feita a partir do dia 21 de março, com apoio dos agentes de segurança estaduais e municipais, conforme solicitado pelo magistrado.

2019-03-19

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

No déficit, com teto

Arch Daily 01-02-2018, por Romullo Baratto
https://www.archdaily.com.br/br/887962/sao-paulo-destinara-edificios-desocupados-do-centro-para-moradores-de-rua
São Paulo destinará edifícios desocupados do centro para moradores de rua
Edifício Prestes Maia
A prefeitura de São Paulo pretende dar início a um programa de locação social para abrigar moradores de rua em edifícios desocupados do centro da cidade, em troca de benefícios aos proprietários dos imóveis, que poderão ter suas dívidas de IPTU abatidas e deixarão de pagar o IPTU Progressivo para imóveis vazios.


O sistema de locação social existe, na realidade, desde 2004, e atende atualmente 903 famílias em seis edifícios, que pagam valores até 15% de suas rendas em troca de moradia permanente, sem, contudo, obterem a propriedade dos imóveis - que permanece com a prefeitura. O novo programa já tem em vista 370 imóveis elegíveis e pretende disponibilizar mil novas unidades.

Uma das principais questões com esse tipo de programa é a manutenção e administração dos conjuntos. A iniciativa da prefeitura testará diferentes modelos de administração predial: em um dos edifícios haverá gestão direta da própria Cohab, outro será gerido por uma Organização Social, outro ficará sob responsabilidade de uma empresa privada e uma outra unidade será autogerida pelos próprios moradores.

Para fazer parte do programa, os edifícios deverão passar por reformas e adequações custeadas pelos proprietários, valor que poderá posteriormente ser abatido das dívidas de IPTU.

Embora seja um iniciativa necessária e muito bem-vinda na cidade, não basta, já que a demanda é muito superior às metas da prefeitura, alcançando, segundo estimativas, vinte mil pessoas que atualmente vivem nas ruas da capital paulista.

2018-02-02

sexta-feira, 3 de março de 2017

A favela também é desigual

CARVALHO Camila L S, “Escalas da Desigualdade Urbana: a Cidade do Rio de Janeiro e as Favelas”. Cadernos do Desenvolvimento Fluminense No. 11 (2016)
https://www.e-publicacoes.uerj.br/.../view/35870/25569

clique na imagem para ampliar
RESUMO DA AUTORA

No Brasil, o senso comum aponta as favelas como o lugar urbano da pobreza, da violência e marginalidade, por excelência. O objetivo deste trabalho é mostrar que essa descrição das favelas como bolsões de pobreza só é pertinente numa determinada estratégia de agregação espacial dos dados censitários – ou seja, uma certa escala geográfica. Quando a análise é feita considerando os limites de uma favela individual, o que emerge é um mosaico de faixas de renda, a exemplo do observado na escala da cidade. A hipótese deste trabalho é de que as favelas possuem uma estrutura socioespacial análoga à da cidade, caracterizando-as como uma espécie de “cidades dentro da cidade”. Utilizando dados do Censo, agregados ao nível do setor censitário, calculamos o Índice de Moran para a variável renda e, uma vez identificados os clusters de alta e baixa renda, analisamos os dados socioeconômicos e de infraestrutura, relativos a 2010. Estudamos os três maiores agrupamentos de favelas no Rio de Janeiro: Rocinha, Complexo do Alemão e Fazenda Coqueiro. Os resultados indicaram que as favelas têm reproduzido a desigualdade observada na escala da cidade. Articuladas à estrutura urbana mais ampla, as favelas se comportam como fractais, na medida em que também reproduzem esta estrutura.

2027-03-03

domingo, 10 de abril de 2016

Benza Deus

Faceboook 31-03-2016, por Valter Caldeira
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1003687746386574&set=a.349403978481624&type=3

Desafiando a matemática, a física, a geometria, o tempo, o espaço, a carreira de arquitetura, a NASA, Einstein, e o Espírito Santo

2016-04-10

sábado, 26 de janeiro de 2013

Precariedade gentrificada

The Guardian 23-01-2013, por Jonathan Watts
The Rio favela transformed into prime real estate

Wealthy buyers are snapping up plots of land in Vidigal after authorities pushed out drug gangs

Imagem: Internet
Until recently, this hillside shanty town was dominated by drug gangs and widely considered off-limits among both the local and foreign middle class.

But the favela is undergoing a transformation. The police have taken control of the streets and with the gangs no longer deciding who enters their territory, rental prices have surged more than threefold in three years. Wealthy buyers are snapping up the prime plots, real estate firms are opening offices and more outsiders are moving in.

The most high-profile conflict here now is not been between rival gangs, but between two European investors who are tussling over a prime plot. Andreas Wielend, an Austrian engineer, bought a dilapidated home in 2009 and turned it into a hostel and nightclub. It is now famed for breathtaking views and holding dub and electronic music nights that attract several hundred customers to party until dawn. The change is dramatic, but not entirely for the better, says Wielend. (..)

2013-01-26