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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

DW Economia 18-07-2026, por Matheus Gouvea de Andrade
https://www.dw.com/pt-br/por-que-estrangeiros-est%C3%A3o-comprando-tantos-im%C3%B3veis-no-brasil/a-78004517

Por que estrangeiros estão comprando imóveis no Brasil

Em 2025, o Brasil registrou um recorde de 9,2 milhões de visitantes estrangeiros. E os cinco primeiros meses de 2026 já somaram 4,9 milhões.

Paralelamente, há um aumento de interesse por estadias no país especialmente após a pandemia.

Em cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis, o período foi marcado por uma maior busca de imóveis por profissionais trabalhando em home office e os chamados nômades digitais. No caso carioca, a prefeitura local chegou a lançar em 2021 um programa visando atrair esse tipo de profissional.

"Os avanços nas vendas são identificados principalmente nos imóveis compactos recém-lançados. Em Ipanema e no Leblon, pesquisas mostram que 30% dessas unidades foram comercializadas para estrangeiros", afirma o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), Claudio Hermolin.

O diretor regional de relações internacionais do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Santa Catarina (Creci-SC), Marco Aurélio Lievore, apontou que, num levantamento de uma imobiliária em Florianópolis, 83% das vendas foram para clientes argentinos buscando apartamentos na planta.

"Os empreendimentos buscados em sua grande maioria são estúdios. Há muitos estrangeiros que passam férias aqui e depois vêm procurar um lugar para morar ou investir", conta.

Entre as nacionalidades, americanos e argentinos se destacam entre os investimentos. Europeus de uma série de países, como França e Suíça, aparecem também entre os principais compradores, enquanto há registro ainda de um interesse crescente de cidadãos dos Emirados Árabes Unidos.
Atrativos no mercado global

Plataformas também tornaram mais atrativa a ideia de comprar um imóvel em outro país e obter renda à distância. Além disso, empresas vêm focando na oferta de serviços para o público externo, como na gestão destas propriedades.

A Lobie, empresa especializada na área, aponta que a participação de estrangeiros em sua carteira passou de cerca de 2% para 18% em três anos. Hoje, a companhia administra aproximadamente 1.620 estúdios de investidores de fora do Brasil.

"A vantagem desse tipo de imóvel para o comprador estrangeiro é a atratividade da cidade: ele pode utilizá-lo em períodos de férias e grandes eventos e, quando não for utilizado pelo próprio comprador, é um imóvel de grande procura", aponta Hermolin. "A receita obtida certamente paga a manutenção e deixa algum lucro", afirma.

Entre as vantagens apontadas por Lievore estão ainda fatores cambiais.

Em países como a Argentina, imóveis são normalmente negociados em dólar, o que torna transações em reais no Brasil mais atrativas. Além disso, o diretor aponta grande potencial de valorização do mercado brasileiro, especialmente quando em comparação com regiões litorâneas mais saturadas no mundo, como Miami, nos Estados Unidos, e o Algarve, em Portugal.

Há ainda a facilidade nos trâmites na comparação com outros países. "O Brasil é um país fácil de conseguir residência, é algo que ajuda muito", aponta Lievore. No caso catarinense, ele aponta um fluxo recente de russos, que se intensificou após a guerra na Ucrânia, e que visam especialmente obter um passaporte brasileiro.

Uma resolução do Conselho Nacional de Imigração (CNIg) permite aos estrangeiros que comprarem imóveis no Brasil solicitar autorização de residência. Pessoas físicas devem comprar um imóvel no valor mínimo de R$ 1 milhão e com recursos próprios de origem externa.v (..)

2026-07-22

quarta-feira, 1 de abril de 2026

E o Minha Casa Minha Vida?

BBC Brasil 26-03–2026, por João Fellet
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4gjvwv0ryqo


A pressão sobre o Airbnb para tirar do ar todos os anúncios de moradia social em São Paulo

O Airbnb, maior empresa de locação temporária de residências do mundo, disse que removerá de sua plataforma todos os anúncios de imóveis considerados moradias populares na cidade de São Paulo. 

A companhia afirmou que fará a remoção dos anúncios assim que a Prefeitura de São Paulo lhe enviar uma lista com os endereços destes imóveis, classificados como Habitações de Interesse Social (HIS) e Habitações de Mercado Popular (HMP). (..)

2026-04-01

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

MCMV subsidiando o Airbnb!!

BBC News Brasil 23-02-2026, por João Fellet
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cyv55gjpq44o

Em postagem do último dia 2 de novembro, a propósito dos desvios de finalidade dos subsídios do governo paulistano à Habitação de Interesse Social - em benefício dos investidores / incorporadores imobiliários e do Airbnb e congêneres -, eu me perguntei se o mesmo não estaria acontecendo com os imóveis do programa federal Minha Casa Minha Vida na região portuária do Rio de Janeiro. 
E concluía:

Dado que a pesada aposta do governo federal no financiamento habitacional tem, obviamente, como um de seus mais importantes objetivos, os efeitos multiplicadores desse mercado na economia como um todo, não me espantaria que a CEF fizesse vista grossa para essa mesma distorção verificada em São Paulo, que já vem dando o que falar há algum tempo. Espero estar equivocado. Se estiver, terei prazer em admiti-lo.

Pois estou sendo obrigado, pela matéria da BBC News Brasil de 23 de fevereiro, a trocar o prazer politicamente correto de admitir que estava errado pela constatação egoisticamente prazerosa de saber que estava certo: 

“(..) A BBC perguntou ao Ministério das Cidades, responsável pela formulação do Minha Casa, Minha Vida, se é permitido que imóveis financiados pelo programa sejam colocados para alugar para curta temporada.

Em resposta, o órgão afirmou que somente os beneficiários na faixa 1 do programa têm a obrigação legal de morar nas casas financiadas, conforme a Lei 14.620, que regulamenta esta vertente do Minha Casa, Minha Vida. Nesses casos, diz o órgão, são "vedados o empréstimo, a locação, a venda ou qualquer outra negociação que descaracterize o objeto social da concessão", sob pena de multa ou perda do imóvel. No entanto, segundo o Ministério das Cidades, essas restrições não se aplicam às demais faixas do programa, que hoje contemplam famílias com renda mensal de até R$ 12 mil (faixa 4).

A BBC News Brasil questionou, então, se nessas faixas os beneficiários são livres para colocar apartamentos financiados pelo Minha Casa, Minha Vida em plataformas de aluguel de curta temporada, não precisando morar neles nem por um dia sequer. O ministério não respondeu diretamente à pergunta, reiterando apenas que as restrições à venda, locação ou empréstimo das residências não se aplicam às linhas do programa acima da faixa 1. (..)”

Partindo da premissa de que não tem bobo nessa história, chega-se à conclusão de que a apropriação do subsídio federal ao juro para aquisição da moradia social, como renda do solo, pelas Big Techs estrangeiras do aluguel rotativo - além dos incorporadores e investidores nacionais, é claro - seria, do ponto de vista do governo, o preço a pagar por um programa econômico vital para a preservação do precário equilíbrio sobre o qual se assenta, nos dias de hoje, a nossa estabilidade econômica, social e política. 

2026-02-25

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Copan rotativo

BBC Brasil 09-02-2026, por Vítor Tavares
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cre2pxrw1l9o


'Vivendo em um hotel': a disputa pela transformação do 'maior edifício residencial do Brasil' em Airbnb

(..) Dos 1.160 apartamentos do Copan, mais de 200 hoje já são destinados ao aluguel de curta temporada, especialmente pela plataforma Airbnb, a mais popular do gênero, segundo a administração do condomínio. (..) O número de apartamentos disponibilizados para aluguel de temporada faz com que o prédio tenha hoje um número de unidades de hospedagem semelhantes a de hotéis de médio porte, como a movimentada unidade da rede Ibis que fica na Avenida Paulista, [com] 236 quartos. (..)

Hoje, o Copan tem 1.112 moradores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no último Censo. Mas a estimativa mais recente da administração do condomínio é bem superior: seriam 3.500 residentes, número que pode incluir pessoas cadastradas como moradoras sem morar ali de fato (..) um número bem menor do que os 5 mil divulgados antigamente pela própria administração do condomínio e replicados em muitas reportagens sobre a magnitude do Copan. O cálculo mais modesto do IBGE — que corresponde a menos de uma pessoa por apartamento em média — já sinaliza um esvaziamento do edifício para moradia fixa. Com a valorização dos imóveis, está mais caro viver de aluguel ali. (..)

Enquanto algumas das cidades mais visitadas mundo, como Barcelona, têm aprovado leis restritivas em relação ao Airbnb, São Paulo tem visto se espalhar pelo Centro e bairros mais cobiçados novos edifícios que atraem compradores justamente com a proposta de fazer dinheiro com o imóvel por meio do aluguel por temporada.

Mas as discussões entre urbanistas, moradores e governos têm caminhos diferentes. A crise de moradia em cidades da Europa é causada por uma combinação de turismo, aluguel de curta duração, limites à verticalização e preservação histórica. Já em São Paulo, a última atualização do Plano Diretor, de 2023, busca atrair novos moradores para adensar regiões como o Centro, incentivando construção de novas moradias, serviços e empregos perto dos eixos de transporte público. Para incentivar essas novas moradias, há prédios financiados pelo programa Minha Casa Minha Vida e com incentivos fiscais da Prefeitura. Há denúncias, porém, de que alguns prédios não estão servindo como residência, e sim como hospedagem temporária. "Com esses aluguéis por temporada, a gente tem uma diminuição cada vez maior do número de pessoas vivendo nesses eixos de transporte, nessas zonas onde as construções novas foram cada vez mais sendo permitidas", avalia Maíra Rosin [moradora do Copan, historiadora e doutora em Arquitetura e Urbanismo com pesquisas sobre o Centro de São Paulo]. (..)

Hoje, está em andamento no Congresso um projeto de lei (PL 4/2025), do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que trata da reforma do Código Civil, em que são contemplados especificamente os aluguéis por temporada. (..) O Airbnb informa que acompanha atentamente as discussões legais e defende ser "importante diferenciar a locação por curta temporada dos meios de hospedagem, que seguem regras próprias. Locar um imóvel residencial por curtos períodos não configura atividade comercial, nem sujeita o proprietário às obrigações de estabelecimentos hoteleiros", diz a empresa. (..)


2026-02-11

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Aluguel rotativo, por bem ou por mal

O Globo 14-09-2025, por Mariana Rosetti e Paola Churchill
https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/09/14/de-temporario-a-permanente-crise-habitacional-forca-brasileiros-a-viverem-indefinidamente-em-albergues-na-europa.ghtml

De temporário a permanente: crise habitacional força brasileiros a viverem indefinidamente em albergues na Europa
Foto (detalhe): O Globo

Quando os proprietários ainda exigem agências imobiliárias, as taxas equivalem a um mês de aluguel, além da caução que pode variar de um a seis meses

(..) Em 2024, os preços da habitação em Portugal subiram 9,1%, quase três vezes mais que a média europeia de 3,3%, segundo dados do Eurostat. Na União Europeia (UE), 10,6% das famílias que vivem em cidades gastam mais de 40% da renda com moradia. O resultado: 896 mil pessoas dormem nas ruas. Em Portugal, das quase 11 mil pessoas em situação de rua, 10% são estrangeiros. (..)

O advogado Kevin de Sousa, especialista em Direito Imobiliário e membro do Instituto Brasileiro de Direito Imobiliário (Ibradim), ressalta que, do ponto de vista jurídico, as acomodações não foram criadas para esse fim. Por isso, são enquadradas como hospedagem turística, sujeitas a regras de higiene e segurança, mas sem oferecer as garantias próprias de um contrato de aluguel residencial.

“Na prática, isso cria um limbo jurídico: a pessoa mora em um albergue, paga mensalmente, mas não tem nenhum dos direitos que teria em uma locação formal. É um arranjo que atende à necessidade imediata, mas que coloca o imigrante em situação de alta vulnerabilidade”, explica. (..)

2025-09-17  

sexta-feira, 25 de julho de 2025

O MCMV e o subsídio público à renda - de incorporação e de aluguel

O Estado de S Paulo 25-07-2025
https://www.estadao.com.br/economia/localizacao-tamanho-do-imovel-interessa-ao-mais-jovem-nprei/

Montagem: Àbeiradourbnanismo
Mesmo sabendo que o Minha Casa Minha Vida está longe de resolver o problema do imenso contingente de trabalhadores cujos rendimentos só lhes dá acesso à moradia informal, julgo que o programa é um sucesso no que tange à ampliação da demanda solvável de incorporações imobiliárias, portanto do acesso de trabalhadores qualificados à casa própria, pelo qual já foi dito, por gente da própria incorporação, a “salvação do setor imobiliário brasileiro”.

Há que considerar, porém, dois aspectos.

Primeiro, o inevitável - a conversão, por intermédio do adquirente, do subsídio ao juro fornecido pela CEF em renda imobiliária nos cofres das incorporadoras - objeto do negócio da incorporação sem o qual não haveria a sua participação no MCMV. Isso torna a cobrança da Outorga Onerosa do Direito de Construir nas faixas superiores da demanda habitacional, para além da elementar ‘obrigação de urbanizar’, uma incontornável política compensatória do subsídio federal (CEF) à renda de incorporação, ainda que em favor dos municípios.

Segundo, o inaceitável - o uso de uma parte substancial do subsídio da CEF aos juros imobiliários para a produção de unidades destinadas ao aluguel rotativo nas regiões centrais das grandes metrópoles, sob a confortável cobertura do adensamento planejado dos corredores de transporte a da “preferência dos jovens por apartamentos compactos em lugares onde as coisas acontecem” - o que significa a conversão (aparentemente descontrolada) do subsídio ao juro destinado às famílias adquirentes em renda apropriada por investidores em moradia de aluguel.

2025-07- 25

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Alquiler rotatorio es el nombre del negocio

BBC News Brasil 20-05-2025
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c89ppp1zlgqo

A Espanha solicitou a remoção de quase 66 mil imóveis da plataforma Airbnb por descumprirem as normas para hospedagem turística. A medida ocorre em meio ao aumento dos protestos contra o turismo em excesso, às vésperas da alta temporada. No domingo (18/5), manifestações nas Ilhas Canárias reuniram milhares de pessoas. O ministro dos Direitos Sociais, Defesa do Consumidor e Agenda 2030, Pablo Bustinduy, afirmou que os imóveis em questão "violaram diversas normas relacionadas à habitação de uso turístico". 


O anúncio veio após uma decisão judicial em Madri que determinou a retirada imediata de 4.984 imóveis do Airbnb citados pelo ministério. As propriedades estão localizadas em seis regiões: Madri, Andaluzia, Catalunha, Comunidade Valenciana, País Basco e Ilhas Baleares.(..)

2025-05-28

domingo, 25 de maio de 2025

Aluguel rotativo é o nome do negócio

Diário do Rio 19-05-2025
https://diariodorio.com/studios-e-unidades-de-ate-50-m%C2%B2-puxam-alta-no-mercado-imobiliario-do-rio/

A preferência dos cariocas por imóveis menores vem deixando de ser uma tendência para se consolidar como realidade no mercado imobiliário. Segundo o Secovi Rio, o Estado registrou o lançamento de 1.667 studios no último período. E o movimento não é pontual. Nos anos anteriores, houve um crescimento de 35% nos lançamentos de apartamentos compactos, enquanto os imóveis com quatro quartos despencaram quase 40%. (..) 
De acordo com a Ademi-RJ, cerca de 80% das unidades com até 50 metros quadrados são vendidas ainda na planta — muitas vezes, como opção de investimento para locação. (..)

2025-05-25

domingo, 18 de maio de 2025

Péssima notícia, como de costume

Diário do Rio 15-05-25
https://diariodorio.com/construtora-mineira-e-responsavel-pelo-projeto-que-pode-destruir-area-verde-do-centro-do-rio-com-espigao-de-22-andares/

O Centro do Rio segue à beira de perder um dos poucos e mais importantes espaços verdes da região e ganhar um ‘paredão’ que vai ser visto desde o Morro de Santo Antônio. A possível e polêmica construção de um espigão de 22 andares e 720 apartamentos no Buraco do Lume — área localizada na Praça Mário Lago que representa quase 50% de seu tamanho total — tem sido acompanhada de perto pelo DIÁRIO DO RIO. (..) O projeto, orquestrado pela construtora mineira Patrimar, anda gerando uma onda de opiniões contrárias de urbanistas, arquitetos e também do empresariado do Centro. Obtivemos acesso exclusivo à documentação do processo de licenciamento do futuro espigão perante a Prefeitura, revelando falhas e ocultações consideradas suspeitas que envolveriam o projeto. (..)

2025-05-18