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quinta-feira, 23 de setembro de 2021

A incorporação é o ópio do povo

Valor / Finanças 16-09-2021, por Olívia Bulla

Montagem: Àbeiradourbanismo
Imagem: Internet
Evergrande: fantasma do Lehman Brothers assusta mercado após sinais de colapso em gigante chinesa

Os fantasmas da crise de hipotecas subprime voltaram a assustar o mercado financeiro. Treze anos após a quebra do Lehman Brothers, em 14 de setembro de 2008, a gigante imobiliária chinesa Evergrande deu a indicação mais clara de que está à beira de um colapso, podendo derrubar toda uma cadeia, desde credores a compradores. Mas, segundo analistas, qualquer semelhança com o que aconteceu nos Estados Unidos é mera coincidência, pois não existe algo “grande demais para falir” (too big to fail) na China. (..)

2021-09-23


quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Redenção

O Estado de S Paulo 17-12-2020, Editorial 

Montagem: À beira do urbanismo
Venda de imóveis impulsiona a economia

O papel que o mercado imobiliário vem desempenhando em boa parte do mundo para a superação da atual crise é completamente diferente do que teve em 2008, quando provocou um desastre de proporções até então desconhecidas no sistema financeiro. 

Há pouco mais de uma década, a rápida valorização estimulou negócios com imóveis e sua utilização como garantia para empréstimos bancários, o que acelerava a alta dos preços. Até que o aumento da inadimplência fez a bolha estourar, levando à garra grandes instituições financeiras e gerando instabilidade na economia mundial. Hoje, ao contrário, é o setor que puxa a recuperação da atividade econômica em muitos países (..) [sobre] bases mais sólidas do que a valorização observada nos anos que antecederam a crise de 2008. (..)

2020-12-30

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Big deal!

Diário do Rio 31-05-2019
https://diariodorio.com/porto-maravilha-ja-tem-52-dos-seus-imoveis-ocupados
Porto Maravilha já tem 52% dos seus imóveis ocupados
Foto: Edifício Vista Guanabara, Diário do Rio / divulgação 

Metade de quase nada é próximo de nada mesmo, um rotundo fracasso se considerarmos que estamos falando de meia dúzia de edifícios comerciais dispersos numa área de projeto de 500 hectares.

A causa primeira desse fracasso, penso, foi a oportunidade. Ao contrário de congêneres ilustres como Puerto Madero (Buenos Aires) e Canary Wharf (Londres), cujos processos de gestação, desenvolvimento, crise e maturação seguiram a cadência do boom financeiro global da virada do século, o Porto Maravilha foi lançado, ao som de fanfarras olímpicas, já em pleno declínio dos mercados de imóveis em geral, e de enclaves turístico-empresariais em particular, que se seguiu à implosão da pirâmide creditícia norte-americana em 2008. 

Mas há o agravante de duas notáveis ausências: um plano urbanístico digno desse nome, com zonas residenciais nutridas pela mescla de usos e grupos sociais e ao menos uma estação de metrô; e uma estratégia de implantação por etapas que assegurasse a sustentabilidade urbanística e econômica da Operação, a começar pela valorização dos próprios CEPACs. 

Ainda que se possa alegar, com justa razão, que a CEF de Bolsonaro e a CEDURP de Crivella são a cruz a a caldeirinha do futuro do Porto, eu defendo que, em qualquer caso, os CEPACs sejam devolvidos ao município e a Operação Urbana recomece do zero, sob condições de total transparência e o comando de uma comissão de urbanistas de notório saber e comprovada experiência na matéria.

2019-06-06

quarta-feira, 27 de março de 2019

É uma bolha portuguesa, com certeza

Idealista News  18-03-2019, por Tânia Ferreira
https://www.idealista.pt/news/financas/investimentos/2019/03/14/39052-ainda-ha-edificios-em-lisboa-e-porto-com-boas-rentabilidades

Imagem: Internet
"Ainda há edifícios em Lisboa e Porto com boas rentabilidades"
 

Que tipo de ativos considera a MK Premium que são mais atrativos para investir no mercado imobiliário luso?
Em Portugal onde há mais oportunidades de negócio, e onde se podem conseguir maiores rentabilidades, é ao comprar residencial para destinar a uso turístico, porque podem estar em causa rentabilidades anuais entre 20% ou 30%. E isso é muito, muito interessante. (..)

Há risco de bolha?
No Porto não, mas em Lisboa sim que pode haver um pouco de risco de bolha. Não me parecem normais os valores que se praticam, de oito mil euros o m2 num país em que o salário mínimo está em pouco mais de 500 euros por mês. É que um apartamento de 50 m2 custa mais de 300 mil euros no Bairro Alto e vende-se. E o que compramos, ainda que já seja caro, reformamos e vendemos pelo dobro. No Porto não se vê este auge tão significativo. (..)

2019-03-27

terça-feira, 12 de junho de 2018

La economía del siglo XXI: rentadicción

DN Opinião 11-06-2018, por Anselmo Crespo

A bolha

(..) O dinheiro, na altura, chegava para tudo. Para comprar casa, mobilá-la e ainda para umas férias no Algarve. "O banco empresta e isto são só mais 50 euros por mês, não custa nada." Claro que correu mal. Muito mal. Com a crise veio o desemprego, com o desemprego começaram a chegar aos bancos molhos de chaves de casas que as pessoas já não conseguiam pagar e para as quais os bancos não tinham destino. São os tais NPL (non performing loans), ou créditos incobráveis, para os quais o Banco de Portugal vem, ainda agora, alertar: "O stock de NPL ainda é significativo e a elevada exposição à dívida pública e ao imobiliário tornam o setor particularmente sensível a evoluções desfavoráveis nos preços destes ativos". Ou seja, os bancos ainda não se curaram da loucura anterior e já estão a meter-se noutra.
Senão vejamos: contava-me um amigo no outro dia que lhe ligaram do banco. "Para me dizerem que eu tinha um crédito pré-aprovado de 300 mil euros para comprar casa e se não queria aproveitar." O espanto na cara do meu amigo, que ainda está a pagar um empréstimo, foi equivalente ao meu quando li no Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal que "os bancos portugueses não são os principais dinamizadores do mercado imobiliário". Se isto não é dinamizar o mercado, não sei o que seja.
Ainda assim, o Banco de Portugal avisa que podemos estar à beira de uma bolha imobiliária. Carlos Costa não tem bem a certeza, mas suspeita que isso possa vir a acontecer. Talvez porque ainda não lhe pediram dez mil euros por metro quadrado, ou 150 mil euros por um apartamento do tamanho de um quarto. Talvez nunca ninguém tenha pedido a Carlos Costa 1200 euros por um T1 nas Laranjeiras, ou 600 euros por um quarto de estudante. Mas, se o governador do Banco de Portugal lesse as notícias, ficava a saber que não estamos apenas à beira de uma bolha. Já estamos dentro dela. (..) 

2018-06-12

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Visão total

Jornal de Negócios 06-12-2017, por Diogo Cavaleiro

Montagem à beira do urbanismo
Imagens originais: Internet
Banco de Portugal não vê bolha no imobiliário

"A probabilidade de que os preços da habitação continuem a aumentar no futuro é bastante elevada", sublinha o regulador.

Não há sobrevalorização das habitações no país, para já. Mas não é claro se não estará a acontecer em centros urbanos.

O mercado imobiliário tem vindo a crescer e o caminho deverá continuar a ser ascendente. Mas, para já, o Banco de Portugal não vê nenhuma bolha, segundo conclui no seu relatório de estabilidade financeira.


2017-12-07

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Mapeando os danos

Deu no La Vanguardia/Vida online
16-10-2016, por Juan Manuel García

Dónde están las viviendas vacías de Catalunya
Barcelona y su área metropolitana concentran la mayor parte de ejecuciones hipotecarias, pero el problema más grave se localiza en ciudades como Salt y Amposta
Imagem: La Vanguardia

Una de las consecuencias más graves de la larga crisis económica, directamente relacionada con el problema del paro en España, es la dificultad de los ciudadanos para encontrar una vivienda adaptada a sus necesidades o mantener la que adquirieron en propiedad durante la época de la burbuja inmobiliaria (1997-2007).
(..)  La problemática se repite en prácticamente todos los municipios españoles y catalanes: muchas familias se han visto obligadas a dejar de pagar las cuotas hipotecarias, han sido desahuciadas o están en vías de serlo y su vivienda ha pasado a manos de los bancos o de la Sareb (la Sociedad de Gestión de Activos procedentes de la Reestructuración Bancaria, también conocida como el “banco malo”), el organismo encargado de gestionar los activos transferidos por las entidades bancarias nacionalizadas por el Estado o en proceso de reestructuración.
La principal reivindicación de organizaciones como la PAH es que estos pisos que han quedado vacíos después de una ejecución hipotecaria sean destinados al alquiler social, a un precio asumible para aquellos que tienen dificultades para acceder a un vivienda. (Continua)


Acesse a matéria completa pelo link


2016-10-22


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Miles de viviendas en "el quinto carajo" II

Fonte: Sociedad de Tasación/Wikipedia
Segundo o historiador Tony Judt, 500 mil é o número estimado de moradias destruídas na França somente em 1944-45, durante a Segunda Guerra Mundial. 

A associação é inevitável: a bolha imobiliária malbaratou, na santa paz espanhola da primeira década do século XXI, uma quantidade de capital equivalente ao que foi empregado para reconstruir o parque residencial francês na década de 1950. 

E não só: devido às políticas europeias de resgates bancários, boa parte dessa esbórnia imobiliária privada foi convertida em dívida pública. 

Ou seja, os trabalhadores espanhóis perderam seus empregos, milhares de idosos perderam suas casas e a juventude desempregada do país terá de pagar, quando arranjar serviço, por um fabuloso estoque de residências onde nunca ninguém poderá morar. 

2015-02-12

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Miles de viviendas "en el quinto carajo"

Deu no El País online
Por Sandra López Letón 07-02-2015

Más de 500.000 casas buscan dueño
Cerca del 41% del excedente de viviendas que existe en España está alejado de núcleos urbanos y carece de infraestructuras y servicios
Ocho años después del estallido de la burbuja, España sigue de resaca con cientos de miles de viviendas que permanecen vacías. Ahora son el recuerdo de una época de excesos. "Hay en torno a 700.000 casas nuevas sin vender, pero entre 150.000 y 175.000 son necesarias para un funcionamiento normal del mercado, sin tensiones en los precios", señala Julio Gil, presidente de la Fundación de Estudios Inmobiliarios (FEI). Así, la sobreoferta se mueve entre las 525.000 y 550.000 viviendas. 
(..) De ese medio millón, "cerca del 41% (207.865 viviendas) se concentra en áreas deslocalizadas de la gran demanda", concreta Rodríguez de Acuña. "Muchas están en poblaciones de menos de 20.000 habitantes con un exceso de oferta para más de 20 años", calcula Bernardos. En ese afán por "construir hasta el infinito y más allá, se edificaron promociones en la periferia lejana de las grandes ciudades y a 40 o 50 kilómetros de la costa. Lo último que se levantó está en el quinto carajo", prosigue. 

Leia a matéria completa clicando em

domingo, 16 de novembro de 2014

Mais do mesmo?

Al Jazeera Fault Lines 12-11-2014
http://www.aljazeera.com/programmes/faultlines/2014/11/wall-street-landlords-20141111151849893632.html

Wall Street landlords
Private equity firms and hedge funds are buying up tens of thousands of foreclosed homes and converting them into rental properties. And they are creating one of the fastest growing financial investments by securitising their tenants' rent checks.

It has been six years since the foreclosure crisis devastated millions of American families. And now, many former homeowners are renting from Wall Street. It is a landlord's market, and rents are rising across the country.

So is the next housing crisis going to be about rent checks as opposed to mortgage payments?
Fault Lines travels to California and Georgia to investigate if Wall Street's rental gamble could jumpstart the economy or lay the foundation for a new crisis.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Diário da Bolha: O urbanismo no Pinel

El País 06-11-2014, por Ruben Esquitino 
http://ccaa.elpais.com/ccaa/2014/11/06/valencia/1415301396_380126.html

La promotora del rascacielos más alto de Europa, a concurso de acreedores
Internet
La Sociedad de Gestión de Activos Prodecentes de la Reestructuración Bancaria (Sareb, popularmente conocido como el banco malo) ha denunciado ante un juzgado de lo Mercantil en Alicante a la promotora Olga Urbana, sociedad afincada en la Marina Baixa. La entidad, que se quedó con el stock sobrante de vivienda de las entidades bancarias tras la explosión de la burbuja inmobiliaria, pide el concurso de acreedores de Olga Urbana debido a la situación de insolvencia de la compañía y su incapacidad de finalizar un edificio que estaba llamado a ser la torre residencial más alta de la Unión Europea.

Coronando el cielo de Benidorm (Alicante), los 200 metros de altura del Intempo son un símbolo de la exuberancia de una época que estalló con la burbuja inmobiliaria. Este coloso inacabado comenzó a construirse en el 2006 y arrastra una historia plagada de irregularidades. La Sareb se hizo con él en 2012 tras la reestructuración bancaria con el objetivo de darle salida. Pero nadie ha venido a comprarlo, ni empresas chinas, ni jeques árabes, como en más de una ocasión publicitó Olga Urbana, incapaz de acabar un monstruo de hormigón al que solo le faltaba un 7% de su obra cuando entró la Sareb. (..) 

*
"Un deseo al principio. Hace años. Un Anhelo. Sólo un proyecto. Un sueño. Ya no. Hoy es una realidad imparable. Incuestionable estandarte de futuro en la Playa de Poniente de Benidorm.

Un edificio compuesto por dos torres en forma de número 1 enfrentados entre sí y unidas en las plantas superiores por un módulo en forma de cono invertido, todo ello de bellísima plasticidad.

Una idea, casi una fijación, inspira el nacimiento de Intempo: LA EXCLUSIVIDAD. Un solo edificio dividirá en dos partes la historia del urbanismo en Benidorm: Antes y después de la construcción de Intempo. Su imponente presencia no ha de pasar desapercibida. Su majestuosidad levantará admiración. Su singular diseño marcará una época y se convertirá probablemente en el símbolo de una filosofía arquitectónica. Una atalaya formidable, altanera y visible, que sólo podría ser eclipsada por la majestuosa vista que ofrece desde su techo. No podía ser menos. 200 metros de altura.

Los pájaros ven así Benidorm… y mucho más."
(http://www.intempobenidorm.com/
Internet
2014-11-10

quarta-feira, 12 de março de 2014

O Porto e a Bolha


Montagem: abeiradourbanismo
Imagens originais Internet
Por mais focados que estejamos nas especificidades do nosso mister, não há de escapar aos arquitetos e urbanistas que o condão “regenerativo” da maior parte das Grandes Operações, ou Grandes Projetos, urbanos de nossa época é mera externalidade - positiva para o nosso páthos profissional - do poder que tem a combinação dos fatores localização centralterra públicaturismo internacionalcentros empresariais e, eventualmente, habitação gentrificada de alentar economias urbanas cronicamente deprimidas com espirais ascendentes de preços imobiliários. 

A flagrante similaridade dos programas, recursos e métodos de gestão - sem falar de arquitetura e aparato simbólico - dos Grandes Projetos de revitalização de áreas centrais obsolescentes é testemunha de sua subordinação à dinâmica e às necessidades do mercado financeiro global.

As ondas de choque do estouro da bolha imobiliária em 2007 podem fazer do Porto Maravilha o último Grande Projeto Urbano do seu gênero. A pergunta, a esta altura, é se, como e quando ele poderá se completar. 

2014-03-12

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Bubble vs. Blob

Todos os dias a imprensa publica artigos de especialistas dissertando sobre a questão do momento: existe uma bolha imobiliária no Brasil?

Uns acham que sim, outros que não.

Foto Al Jazeera
Eu, por exemplo, que não sou especialista, acho que não. Não é uma bolha o que experimentamos. É uma ameba assassina - como a do cinema -, a mesma gosma viva que parasita todas as grandes cidades do planeta - e o que é pior, tida e saudada por muitos como um maná caído dos céus, a suprema invenção da mão invisível, máxima realização da economia de mercado.

Vale dar uma conferida nessa matéria, da TV Al Jazeera, sobre a ameba imobiliária transnacional.

Priced out of the city
Counting the Cost explores rising housing prices to find out who is inflating the market and who is being left behind.
16 Nov 2013
From London to Sao Paulo, Shanghai to Sydney, we are witnessing another property bubble, just after the worst financial crisis the world has seen since the 1930s. (...) house prices are in many cases rising faster than the economy. In the US, the average home value is now within just 7 percent of the pre-crisis peak, which was $230,400 in July 2006. In Sydney, Australia average house prices surged 13 percent to $718,122 in the first three quarters of 2013. China is concerned about a property bubble and social unrest, with house prices up 9.1 percent until September 2013. In India, house prices in Mumbai have increased 70 percent in the past four years while house prices in Sao Paulo, Brazil went up 181 percent since January 2008. And in Dubai despite the crash prices went up by one-third in the last six months, but they are still off their 2008 peak. So is it a new housing bubble? Who is inflating the market and who is being left behind? (...)

Leia a íntegra do texto e veja a matéria da TV em
http://www.aljazeera.com/programmes/countingthecost/2013/11/priced-out-city-2013119142958346774.html

2014-01-06

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Case 2010: a bolha imobiliária e o colapso financeiro

Estes apontamentos são parte de um processo de estudo compartilhado. À beira do urbanismo está à disposição dos autores cujo trabalho aqui se comenta para suas considerações.

CASE K E, “Housing, Land, and the Economic Crisis”. Land Lines, Lincoln Institute of Land Policy, Jan 2010.
https://www.lincolninst.edu/publications/articles/housing-land-economic-crisis/

O mercado imobiliário esteve no centro da crise financeira e econômica que recém sacudiu, e a ainda assombra, os Estados Unidos e a Europa, devastando as vidas de milhões de assalariados e pequenos empresários que ficaram sem seus empregos, seus negócios e - last but not least - suas casas. 

Em O Mundo em Queda Livre[i], o ex-economista-chefe do Banco Mundial Joseph Stiglitz descreve a crise de 2008-2009 como o colapso de um surto de consumo - vital para a sustentação das economias norte-americana e mundial em um cenário de estagnação do rendimento dos estadunidenses – financiado por uma vasta pirâmide de operações financeiras, de alcance mundial, com “pacotes” de hipotecas lastreadas pela expectativa do aumento acelerado e indefinido dos preços imobiliários. Para Stiglitz, a indústria do financiamento hipotecário se converteu em um maná consumista, uma forma de os estadunidenses "tomarem emprestado e consumir como se os seus rendimentos estivessem crescendo". 


EUA: Execuções hipotecárias iniciadas e concluídas abr2005-jun2013.
Fonte: http://www.realtytrac.com/content/foreclosure-market-report/july-2013-us-foreclosure-market-report-7833
Pouco se tem escrito, no entanto, sobre o papel particular do mercado imobiliário e da renda da terra na economia dita “financeirizada”, que, na concepção do economista espanhol Nacho Alvarez Peralta,[ii] investigador do Instituto Complutense de Estudios Internacionales – ICEI, “restabeleceu a rentabilidade econômica [em franco declínio] na década de 1970 à custa de uma enorme acumulação de ativos fictícios que constituem, no entanto, direitos efetivos sobre valores a serem futuramente produzidos na economia real - um divórcio entre o âmbito financeiro e o produtivo [que] não pode jamais se consumar nem é sustentável a longo prazo.”[iii] 

Não é esta uma descrição perfeita, apenas invertida no espelho do espaço-tempo, do processo por meio do qual as instituições bancárias e financeiras norte-americanas, em parceria com o seu Banco Central "independente",  induziram os trabalhadores do país a "torrar" em carros, mobília e viagens o valor de expectativa de suas residências?
 
***

Uma interessante contribuição ao estudo da relação entre o mercado imobiliário, a renda da terra e a crise financeira de 2009 – ainda que não destinado a uma abordagem sistêmica da questão – é o artigo “Housing, Land, and the Economic Crisis”, de Karl E. Case, publicado na edição de Land Lines - revista do Lincoln Institute of Land Policy - de janeiro de 2010[iv]., o auge da crise, quando ainda era imensa a incerteza quanto às tendências dos preços imobiliários, do nível de emprego e dos próprios desenvolvimentos políticos nos Estados Unidos: ocupar Wall Street surgia, então, como uma inquietante palavra de ordem.

Case, professor de Economia do Wellesley College, de Massachusetts, classifica a crise de fins de 2009 como um desastre econômico de vastas proporções cujas raízes remontam à resposta dada pelo FED ao rápido declínio das indústrias de alta tecnologia e à crise do mercado de capitais de 2000/2001: redução da taxa básica de juros de 6,5% em janeiro de 2001 para 1,75% em fins de 2002.

O barateamento do crédito aparece como o principal responsável pelo aumento abrupto do número de unidades residenciais lançadas anualmente – de 1,52 milhões em outubro de 2001 para mais de 2 milhões no fim de 2003 – e por uma incrível aceleração da rotatividade do estoque – de 5,2 milhões de unidades anuais vendidas no começo de 2001 para 7 milhões em 2005. 

Fonte: Case, Karl E., “Housing, Land, and the Economic Crisis”, em Land Lines, Janeiro de 2010

Case afirma que “durante a expansão do crédito, a indústria das hipotecas” – turbinada, como sabemos, por uma intrincadíssima rede de transações financeiras globais envolvendo recebíveis securitizados, com centro em Wall Street – “tornou-se altamente lucrativa, recolhendo mais de 100 bilhões de dólares em taxas em 2003 e (segundo Greenspan e Kennedy) 200 bilhões em 2004”.

Sua apreciação do papel do boom imobiliário na economia estadunidense não parece diferir em essência, da de Stiglitz: "Sem dúvida, o mercado de imóveis residenciais manteve a economia fora da recessão durante os anos turbulentos dessa década".

Com base no Índice de Preços de Imóveis S&P Case-Schiller - cuja fundamentação e metodologia têm, no artigo, uma relevante explicação -, Case estima que, entre 2000 e 2005, o valor total dos imóveis residenciais nos Estados Unidos aumentou cerca de 10 trilhões de dólares (de 14 trilhões para 24 trilhões), mais ou menos igualmente repartido entre construções e [renda do] solo.[v] Ou seja, o valor da terra urbana (de uso residencial, somente) nos Estados Unidos teria sido acrescido, naquele período, em cerca de 1 trilhão de dólares anuais (equivalente, grosso modo, à totalidade do PIB mexicano da época).

Um trilhão de dólares anuais em acréscimo de renda do solo residencial urbano é, por definição, o paraíso terrenal de todo adepto da recuperação de mais valias imobiliárias para fins de financiamento da infraestrutura e serviços públicos. Metade desse montante seria suficiente para financiar, por exemplo, um vasto programa governamental de renovação da infraestrutura e desenvolvimento de tecnologia limpa nos EUA – reivindicação recorrente nos escritos do economista Paul Krugman.


É impossível não pensar, como por reflexo, que um imposto "georgiano"[vi] sobre essa fabulosa valorização fundiária teria tido a dupla função de financiar a renovação da infraestrutura e da tecnologia no país e poupar a massa dos cidadãos estadunidenses das patranhas especulativas dos bancos e instituições de financiamento imobiliário – com consequências positivas, econômicas e políticas, para o mundo inteiro.

A propósito, a posição de Case sobre as responsabilidades pelo colapso é, cumpre dizer, no mínimo ambígua: “Não se pode estabelecer uma clara divisão de responsabilidades entre o setor privado e as GSEs (‘Entidades Ligadas ao Governo’, i.e., Fannie Mae, Freddie Mac, Ginny Mae e Federal Housing Administration) pela expansão da bolha imobiliária.”[vii] Mais ainda, nessa questão Case flerta explicitamente com a ladainha privatista de que os bancos e financeiras foram vítimas do governo, ao dizer, por exemplo, que “um fator adicional teve um claro papel em tudo isso: o empenho do governo federal em propiciar a ricos e pobres, indistintamente, o acesso à casa própria”.[viii]   

Nessa questão o blogueiro prefere os argumentos apresentados por Stiglitz no livro citado e bem resumidos na frase: “Muitos banqueiros acusam o governo – cuspindo no prato em que comem – de não ter impedido a sua própria ação”. Em alguma – mais de uma, com certeza – ocasião de que não me recordo exatamente, Paul Krugman assimilou a atitude dos bancos e instituições financeiras norte-americanas em face da crise por eles mesmos criada à do indivíduo que mata os próprios pais e pede absolvição invocando a condição de órfão. 

A síntese final de Case sobre as causas da crise é: “No fim das contas, o que levou ao desastre foi uma combinação de concorrência desenfreada no setor privado, entusiasmo irracional e o que acabou se revelando como má supervisão regulatória”. Embora tímida, não deixa de ser uma admissão da necessidade de regulação pública do mercado financeiro em geral, e do imobiliário em particular – sem a qual, aliás, a própria ideia da recuperação da valorização do solo, diretriz fundamental de Land Lines, deixaria de ter sentido.

Enfim, o artigo, de apenas seis páginas e fartamente ilustrado com gráficos e tabelas, pela importância do tema justifica amplamente os dez minutos que o leitor gastará para lê-lo. 

O link para acessar o artigo é 

2013-11-19

______
NOTAS

[i] STIGLITZ Joseph, O Mundo em Queda Livre – Os Estados Unidos, o mercado livre e o naufrágio da economia mundial. Trad. José Viegas Filho. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. Cap. 1: A formação da crise
 
[ii] ÁLVAREZ PERALTA Ignacio, “La financiarización de la economía española - endeudamiento, crisis y recortes sociales”. Viento Sur
https://vientosur.info/wp-content/uploads/spip/pdf/La_financiarizacion_de_la_economia_espanola-1.pdf

[iii] Ib., p. 6.

[iv] CASE, Karl E, “Housing, Land, and the Economic Crisis”, em Land Lines, Janeiro de 2010. Cambridge: Lincoln Institute of Land Policy.
https://www.lincolninst.edu/publications/articles/housing-land-economic-crisis/

[v]“Between 2000 and 2005, the value of residential land and buildings increased from about $14 trillion to $24 trillion. About half of this increase reflected new construction, and half was due to rising land values, primarily on the coasts (Case 2007)”

[vi] Escritor, economista e político estadunidense (1839 –1897), autor de Progresso e Pobreza (1879), defensor da supressão dos impostos sobre as atividades produtivas em favor da taxação integral da renda da terra, um bem natural irreprodutível cuja propriedade exclusiva, além de um privilégio imerecido e economicamente injustificável, seria um obstáculo ao pleno desenvolvimento da indústria e a causa fundamental da pobreza.

[vii] Ib., p. 12.

[viii] Ib., p. 12.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

México: a bola da vez?

El País 18-06-2013, por Veronica Calderón

Las inmobiliarias mexicanas se enfrentan a su tormenta perfecta

Las agencias de calificación Standard and Poor’s y Fitch alertan del hundimiento de un sector que había avanzado con velocidad en los últimos 10 años(..)

Imagem: Internet
Los recortes presupuestarios a los subsidios (este año se gastará un 20% menos que el anterior en este rubro), sumados a la baja de créditos derivada de la crisis financiera mundial, aceleró la caída del sector y multiplicó la deuda de las empresas. El informe subraya que las tres principales inmobiliarias de México pasaron de deber 1,5 veces más que sus activos en 2007 –antes del estallido de la crisis– a 4,7 en 2012. La caída del sector se precipitó en 2009, cuando la demanda anual –que en el año anterior había sido de 400.000 casas– cayó a 200.000. Y por si fuera poco, en los últimos cuatro años, más de 100.000 viviendas han sido abandonadas. No hay quien se encargue de pagarlas y, por tanto, la morosidad aumenta.
El abandono de viviendas responde a la falta de planeación. El boom inmobiliario en México comenzó en el Gobierno de Vicente Fox (presidente entre 2000 y 2006), que impulsó programas para la compra de vivienda, una política que continuó en el mandato de Felipe Calderón (2006-2012). El 80% de los préstamos hipotecarios en México son subsidiados. En esos 12 años, el Gobierno promovió la construcción de miles de viviendas en zonas cercanas a las ciudades, dando por sentado que la mancha metropolitana acabaría alcanzándolas. Varias ciudades del país experimentaron lo que un estudio de BBVA difundido en enero de 2013 calificó como una “sobreoferta”.

Desde 2000, se construyeron al menos dos millones de viviendas con un coste de entre 15.000 y 30.000 dólares, según recoge The Wall Street Journal. Muchas de estas casas fueron construidas bajo la premisa de que el déficit de hogares en México obligaría a su ocupación. No fue así. Los largos trayectos hacia los centros de empleo (algunos incluso de más de dos horas de duración y haciendo trasbordo en múltiples transportes), los malos servicios públicos y, en algunos casos, la mala calidad llevaron a muchos residentes a abandonar sus casas. (..) (Destaques do blogueiro)

2013-06-19

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Remédio milagroso

Económico (PT) 29-04-13
http://economico.sapo.pt/noticias/mercado-imobiliario-anima-wall-street_168066.html


Mercado imobiliário anima Wall Street

Os mercados norte-americanos abriram hoje em alta com os investidores optimistas em relação ao dados do mercado imobiliário nos EUA, que vão ser divulgados hoje, e com a possibilidade de o Banco Central Europeu anunciar uma descida da taxa de juro directora. (..)

Os investidores acreditam que o número de contratos de promessa de compra e venda de casas aumentou quase 1% em Março, mais um sinal de que o sector da construção está a recuperar nos EUA. (..)


2013-04-29

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O Que É: Bolha Imobiliária

Deu em Uma estranha e gigantesca ave sobre Barcelona
http://www.avebarna.com/ 
Glossário de Política Contemporânea
Bolha imobiliária: Eufemismo que faz passar por secundário o papel da indústria do financiamento imobiliário e seus derivativos na economia de mercado contemporânea e por conjunturais os seus espasmos cada vez mais frequentes e devastadores. Sabe-se, no entanto, que o prestígio cada vez maior da mencionada indústria junto aos banqueiros e investidores - vale dizer, os proprietários privados de terabytes de capital sedento de valorização - provém da miraculosa capacidade que tem o solo urbanizado e bem localizado, ao contrário de quase todas as demais mercadorias (que inundam esse mundo de Deus sem ter, muitas vezes, quem as queira comprar), de tornar-se a cada dia mais essencial, mais escasso e, por conseguinte, mais valorizado e lucrativo – e o que é melhor: sem demandar um único centavo de investimento privado! O problema é que, por mais que os agiotas, digo, os banqueiros e investidores, se aproveitem da contínua valorização da terra urbana para fabricar dinheiro refinanciando os imóveis e vendendo os papagaios a outros agiotas, no fim das contas - no início da fila, para ser exato -, é indispensável que os pobres dos mutuários honrem seus compromissos. E é aí que a porca torce o rabo.
Para mais verbetes clique em
2012-06-20

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Embriaguez de mercado

Exame 17-11-2011, por Giuliana Napolitano

A maior alta de imóveis do mundo

Uma pesquisa exclusiva mostra que os preços dos imóveis no país subiram 25% em 12 meses, um recorde global. Em dois anos, o aumento passou de 50%. Ficou caro?

Imagem: Internet
Em junho de 2010, quando EXAME publicou sua primeira pesquisa anual sobre o mercado imobiliário brasileiro, muitos tiveram a impressão de que aquela euforia havia atingido um teto impossível de superar: de acordo com os números, levantados pelo instituto Ibope Inteligência, o Brasil tinha o terceiro mercado mais aquecido do planeta, somente atrás de Hong Kong e Singapura.
Um ano depois, eis aqui a constatação: sim, era possível. O mercado imobiliário brasileiro viveu, em 2010, um período de euforia sem paralelo em sua história. Mais de 1 milhão de casas e apartamentos foram financiados no ano, duas vezes mais do que em 2008. As vendas nunca foram tão velozes. 

Em média, um novo prédio leva quatro meses para ser completamente vendido nas principais capitais do país, três vezes mais rápido do que cinco anos atrás — e há dezenas de casos de condomínios que são comercializados num único fim de semana, alguns em poucas horas. 

O segundo levantamento EXAME/­Ibope traduz em números esse aquecimento: os preços dos imóveis novos subiram 26% nos últimos 12 meses em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Os usados aumentaram 24% no mesmo período. 

A alta média, de 25%, foi a maior do mundo, segundo dados de 37 países levantados pela consultoria especializada Global Property Guide. Em dois anos, os imóveis brasileiros valorizaram 52% — apenas o riquíssimo mercado de Hong Kong teve desempenho melhor.

A incrível escalada de preços de imóveis no Brasil é explicada por um inédito descompasso entre oferta e demanda. (..)

2011-11-21

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Fodidos e mal pagos

El País 02-01-2011, por José García Montalvo
Devolver el piso y saldar la hipoteca

https://www.dailymail.co.uk/news/article-2897562/When-poverty-meant-poverty-Impoverished-Victorians-revealed-photographs-workhouse-residents-eating-dinner-coffin-beds-inside-shelter.html  

Desde hace bastantes meses, el endeudamiento de algunas economías europeas, incluyendo la española, está bajo la atenta mirada de los mercados. Los casos de países pequeños como Irlanda o Islandia son bien conocidos. En el caso español, el endeudamiento total sobre el PIB, en torno al 350%, está en el medallero del mundial de grandes economías, detrás de Japón (470%) y Reino Unido (490%).
Sin embargo, hay diferencias importantes en la composición de dicho endeudamiento: mientras en Japón es la deuda pública la que pesa como una losa, en el Reino Unido la mayor contribución corresponde a las instituciones financieras. En el caso español, el endeudamiento de empresas no financieras ocupa la primera plaza de las grandes economías. Solo países con mucho menor peso económico, como Irlanda o Portugal, están por encima. Del endeudamiento de las sociedades no financieras, una parte corresponde a la financiación de grandes multinacionales españolas. Sin embargo, otra parte está enterrada en el sector inmobiliario español. Esta es la parte preocupante. (..)

La cuarta fórmula para hacer frente al sobreendeudamiento hipotecario es la dación en pago: devolver la vivienda y saldar la deuda. Asociaciones de consumidores, movimientos sociales, etcétera, proponen esta medida. Incluso Convergència i Unió (CiU) llevó hace unos días esta propuesta al Pleno del Congreso de los Diputados, encontrando la oposición frontal del grupo socialista. En la actualidad, los productos hipotecarios en España son generalmente préstamos personales con garantía hipotecaria. Esto quiere decir que si el cliente no puede pagar y devuelve una vivienda cuyo valor de mercado es inferior a la deuda (según Standard & Poor's, esto ya sucede en un 8% de las hipotecas españolas), aún debe la diferencia. No parece conveniente cambiar las reglas del juego a estas alturas para las hipotecas ya concedidas. Si los contratos incluyen cláusulas abusivas, hay que denunciarlas, pero la condición básica del contrato es clara y conocida. (Continua)

2011-01-04