Carta Capital 30-01-2014, por Ribeiro A P, Boulos
G e Szermeta N
Como não fazer política urbana
Após anos do Minha Casa Minha Vida, déficit habitacional
aumentou em quase 1,5 milhão de moradias
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| Imagem: Internet |
Sem alarde, no apagar das luzes de 2013 foi
lançado pela Fundação João Pinheiro o novo estudo do déficit
habitacional brasileiro, que é o indicador oficial utilizado pelo Ministério
das Cidades. Os dados, apesar de serem os mais recentes disponíveis, referem-se
a 2010. Mas, mesmo defasados, são reveladores: o déficit habitacional do país
aumentou após o Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).
Em 2008, o número de famílias sem moradia no país era de 5.546.000 de acordo com o Ministério das Cidades. Em fevereiro de 2009, foi lançado o Programa MCMV com a promessa de redução drástica destes números. Ao final de 2010, o MCMV havia atingido a meta de 1 milhão de casas construídas ou contratadas. Resultado: o número de famílias sem moradia no final de 2010 era de 6.940.000. Após 1 milhão financiadas pelo governo, a carência de moradias no Brasil aumentou praticamente 1,5 milhão. Como pode?
A realidade
desafiou a matemática. Mas não a lógica. A lógica da política urbana
brasileira transforma qualquer programa habitacional em pano de enxugar gelo. O
MCMV, mesmo com sua dimensão significativa, não fugiu à regra. (..)