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quarta-feira, 19 de abril de 2023

Lambança olímpíca

O Globo 18-04-2023
https://oglobo.globo.com/blogs/ancelmo-gois/post/2023/04/stf-julga-a-destruicao-de-uma-obra-de-r-1-bilhao-e-decide-o-destino-do-vlt.ghtml

STF julga a destruição de uma obra de R$ 1 bilhão e decide o destino do VLT

O Supremo Tribunal Federal começou, sexta passada, o julgamento virtual de um recurso da Advocacia Geral da União que pode definir o destino da construção do VLT (veículo leve sobre trilho) ou BRT (bus rapid transit) entre Cuiabá e Várzea Grande, no Mato Grosso, uma obra orçada R$ 1 bilhão.

A AGU pediu que o STF derrube liminar do ministro Dias Toffoli, que autorizou o governo estadual a abandonar as obras do VLT e construir o BRT. Pelo cronogrogama oficial, falta apenas 30% do trabalho para a conclusão do VLT. Mas, mesmo assim, o governador Mauro Mendes decidiu desmontar os trilhos e construir, no mesmo trecho, o BRT.

A Procuradoria-Geral da República e o Tribunal de Contas da União se posicionaram contra a substituição de um modelo, quase pronto, para outro. As obras, que deveriam ter sido concluídas antes da Copa de 2014, já consumiram R$ 1 bilhão.

2023-04-19



quinta-feira, 29 de julho de 2021

Pedra cantada

G1 Rio de Janeiro 18-07-2021, por C Loureiro, H Coelho e M Rodrigues
https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/07/18/cinco-anos-depois-legado-da-rio-2016-especial.ghtml



Ficou como era de esperar: os privados com os lucros do negócio, o público com os restos a pagar.


2021-07-29

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Xepa olímpica

O Globo RIO 03-10-2019, por Maíra Rubim

Parque dos Atletas é cedido à iniciativa privada
Montagem: À beira do urbabnismo
Imagem original.: Internet
2019-10-04

terça-feira, 19 de junho de 2018

Legado olímpico

O Dia online 19-06-2018, por Cassio Bruno

Estádio Célio de Barros vira parque de diversões
Nada contra os parques de diversões, que hão de ter o seu lugar em nossa aldeia urbana; só não posso deixar de registrar, uma vez mais, a convicção de que o legado olímpico alardeado pelas autoridades federais, estaduais e municipais organizadoras do evento e prazerosamente repercutido pelos potentados empresariais beneficiários era de fato, no fim das contas, pura e simples empulhação da cidadania.

2018-06-19

Leia também, neste blog:

Atenas, Pretoria, Pequim e Rio de Janeiro: “Legado olímpico” é a alegre empulhação das sociedades emergentes (10-04-2012)

Legado olímpico se aprende na escola (22-02-2013)

Julio Delamare e Célio de Barros: NÃO à destruição dos bens do patrimônio desportivo e educacional brasileiro (01-04-2013)

sábado, 25 de março de 2017

Lixo olímpico

El Confidencial 20-03-2017, por Valeria Saccone, Rio de Janeiro

La absurda ciudad fantasma que hoy son las instalaciones olímpicas de Río: "¡Vergüenza!"

(..) Tan solo seis meses después del cierre de los Juegos Paralímpicos más concurridos de la historia, el Parque Olímpico está sumido en el olvido y la decadencia. La fachada del Estadio Acuático, que debe ser desmontado a lo largo de este año, se cae a pedazos.


(..) En muchos puntos del Parque Olímpico reina el caos. Hay basura y material de construcción acumulados en el suelo. Algunas calles ya presentan agujeros e incluso se han registrado robos de cables eléctricos y de ordenadores. Es la crónica de un desastre anunciado, y eso a pesar de que el exalcalde de Río de Janeiro, Eduardo Paes, uno de los máximos impulsores del proyecto olímpico , aseguró en varias entrevistas antes de la celebración de los Juegos que el ayuntamiento lucharía para evitar esta situación. “No tiene sentido que instalaciones tan grandes, que costaron mucho dinero, que hemos pagado de nuestro bolsillo, se pudran mientras los deportistas no tienen dónde entrenar. Es absurdo”, afirma Marta, profesora de Educación Física.

Desde el pasado mes de diciembre, el Gobierno federal de Brasil es responsable del futuro de este parque deportivo. La transferencia de competencias fue realizada después de que el Ayuntamiento de Río de Janeiro fracasase en la búsqueda de un inversor privado que pudiese ocuparse de administrar ese espacio. El coste anual de mantenimiento ronda los 17 millones de reales (unos 5 millones de euros). (..) 

2017-03-25

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Legado olímpico é o Complexo Desportivo-Educacional do Maracanã


Complexo desportivo-educacional do Maracanã
Para qualquer administrador público atento, a contiguidade do complexo esportivo do Maracanã (Estádio do Maracanã, Ginásio do Maracanãzinho, Parque Aquático Júlio Delamare e Estádio de Atletismo Célio de Barros) com os campi da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Escola Técnica Federal Celso Suckow da Fonseca (CEFET), constitui uma circunstância singularmente interessante e promissora.


Do outro lado da via férrea, eleva-se o maior parque do Rio de Janeiro, a histórica Quinta da Boa Vista, onde ainda dominam o Museu Nacional (URFJ) e o Zoológico da cidade.    

Para um projeto olímpico identificado com o progresso da educação esportiva e cidadã, esse conjunto de circunstâncias, combinado ao fato de estarmos no coração da metrópole, com abundante oferta de todas as modalidades de transporte público, seria – como diria o ex-presidente Lula – uma “oportunidade extraordinária”.

Parque Aquático Júlio Delamare 
Estádio de Atletismo Célio de Barros
Ora, se a estratégia urbanística do projeto olímpico de 2004 era “urbanizar” a Cidade Universitária (UFRJ), na Ilha do Fundão, a do projeto olímpico de 2016, sobretudo depois dos vultosos gastos feitos em todo o complexo do Maracanã para os Jogos Panamericanos de 2007, bem poderia ter sido potencializar esse investimento mediante a criação de um grande complexo desportivo-educacional UERJ-Maracanã-CEFET integrado a uma “nova centralidade" urbana na região da Praça da Bandeira, abrangendo a Quinta da Boa Vista e o Museu Nacional (UFRJ) e multiplicando as oportunidades de inserção econômica e social da comunidade da Mangueira. 

A elaboração de um projeto urbano que materializasse tal estratégia seria uma justa homenagem a várias gerações de urbanistas cariocas, que, há décadas, percebem na lenta e caótica justaposição das infraestruturas do corredor rodo-ferro-metroviário da Avenida Radial Oeste a formação de um território profundamente fragmentário, inóspito e desumano – numa palavra, anti-urbano – a exigir um projeto de renovação e integração.
Demolições promovidas pelo projeto olímpico 
Algum pesquisador  da história do urbanismo do Rio de Janeiro poderia, quem sabe, reunir um tesouro de preciosidades caso se dedicasse a desencavar, nos arquivos da municipalidade e nas gavetas de escritórios de arquitetura, ideias para a reurbanização desse segmento da cidade.

O último desses projetos, é preciso dizer, foi o de uma consultoria francesa contratada pelo ex-prefeito César Maia, que apresentou publicamente suas propostas para um ambicioso programa de desenvolvimento urbanístico e imobiliário da área no exato dia do ano de 2008 em que – ironia do destino! – começava a desmoronar, nos Estados Unidos, a pirâmide financeira mundial construída sobre a securitização das hipotecas imobiliárias. 

Consumada, porém, a eleição de Eduardo Paes, atira-se na lata do lixo o projeto francês – que, entre outras coisas, cometia a heresia de propor uma indispensável cota de habitação social no Porto Maravilha – e inicia-se um novo ciclo de “urbanismo olímpico” focado na convergência de todos os equipamentos, infraestruturas e oportunidades imobiliárias na Barra da Tijuca e no Porto Maravilha e na delegação de todos os planos e projetos da cidade aos escritórios das grandes empreiteiras. No complexo esportivo do Maracanã, tudo o que constitui obstáculo à privatização escandalosamente facilitada e dirigida da nova arena de 1,5 bilhão de reais é condenado à demolição – a começar pelo Museu do Índio e Aldeia Maracanã e terminar pelo Parque Aquático Julio Delamare e pelo Estádio de Atletismo Célio de Barros. 
Para vislumbrar o imenso potencial social, educacional e urbanístico do complexo esportivo do Maracanã seria necessário que os governantes de todas as esferas fossem movidos pela tradicionalíssima ideia de que o esporte, antes que um lucrativo ramo de negócios, é uma dimensão da cultura cidadã baseada na escola.

E seria necessário também que as administrações Lula e Dilma, governos comprovadamente interessados na  melhoria das condições de vida da maioria dos brasileiros, tivessem tido, como fiadores e financiadores de primeira e última instância dos projetos Copa do Mundo FIFA 2014 e Rio Olímpico 2016, uma postura radicalmente diferente em relação às exigências da FIFA e do COI - entidades controladoras dos direitos econômicos dessa marcas (como podem não ser Patrimônio da Humanidade?) e seus respectivos eventos.

UERJ, EA Célio de Barros, Maracanã e Maracanãzinho 
Há vinte anos, quando as grandes metrópoles brasileiras eram o palco principal da devastação econômica imposta pelas medidas de austeridade do FMI, curvar-se ante as tirânicas exigências dessas entidades parecia ser o preço a pagar pela chance de poder disputar uma fração das receitas da indústria do turismo e dos grandes eventos  internacionais.

Mas, e hoje, quando o nosso governo alardeia pelo mundo as suas façanhas econômicas e bate no peito a ditar cátedra desenvolvimentista aos antigos credores, prostrados pelas perdas sofridas na roleta imobiliário-financeira mundial?  


Como pode a FIFA nos obrigar à construção de uma penca de estádios de futebol sabidamente inviáveis, elefantes brancos fadados, a exemplo do já ocorrido na Grécia, Portugal, China, África do Sul e Ucrânia, a sangrar indefinidamente as finanças locais a ponto de ter cogitada a sua inglória demolição?         


Como pode o projeto olímpico de um país cuja renda per capita equivale a ¼ da dos países ricos, e onde são dolorosamente escassos a infraestrutura em geral e os equipamentos desportivo-educacionais em particular, exigir a demolição de unidades desportivas completas, recém reformadas e plenamente operacionais como o Parque Aquático Júlio Delamare e Estádio de Atletismo Célio de Barros, situadas quase dentro dos compactos campi urbanos da UERJ e do CEFET?

CEFET, PA Júlio Delamare, Maracanã e Maracanãzinho 

Como pode o projeto olímpico Rio 2016 exigir o descarte como inúteis, quando não o abandono e a destruição, de instalações construídas e reformadas com dinheiro público para os Jogos Panamericanos de 2007, como no o caso do velódromo da Barra da Tijuca e do Parque Aquático Maria Lenk?

Como pode o projeto olímpico Rio 2016 descartar a recuperação do CD Caio Martins, em Niterói, para apoio aos Jogos Olímpicos e posterior uso de seus cidadãos em geral e sua juventude estudantil em particular?

Como esquecer o vergonhoso silêncio de todas as esferas de governo ante a cínica bazófia dos promotores e patrocinadores da Copa do Mundo FIFA 2014 e dos Jogos Olímpicos 2016 a dizer que “tudo ser[ia] feito com recursos privados”?

Como entender e aceitar o aval dos governos reformadores de Lula e Dilma à transformação da Copa do Mundo FIFA 2014 e Jogos Olímpicos Rio 2016 numa orgia de destruição de bens públicos para a construção de outros tantos bens e equipamentos economicamente inviáveis com recursos públicos (isenções fiscais incluídas) invariavelmente a salvo de qualquer controle social a pretexto de "urgência de prazos" e garantidos pelos contratos draconianos firmados com os promotores?

“Empreiteiras, locupletai-vos” - parece até que foi esta a palavra de ordem transmitida de boca em boca em meio à ruidosa celebração dos anúncios "O país sede da Copa do Mundo FIFA 2014 é... o Brasil"; "A cidade-sede dos Jogos Olímpicos 2016 é... o Rio de Janeiro!”

UERJ
A iminente demolição do Parque Aquático Júlio Delamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros é um crime contra a educação e o esporte brasileiros, em nome das necessidades comerciais da FIFA e do COI. 

Ela traz à tona, de um modo particularmente doloroso para os amantes do futebol e dos esportes olímpicos, a verdadeira natureza da Copa do Mundo da FIFA e dos Jogos Olímpicos na era da finança globalizada: uma transação incontrolável entre capitais transnacionais sedentos de valorização com baixo investimento e governos nacionais enfeitiçados pelo potencial de publicidade e prestígio das marcas esportivas mais populares do planeta.

É preciso dizer NÃO à destruição dos bens do patrimônio desportivo e educacional brasileiro em benefício do negócio olímpico! Não à demolição do Estádio de Atletismo Célio de Barros e do Parque Aquático Julio Delamare! Legado olímpico é a melhoria e integração, sobre novas bases, daquilo que já temos - e não é pouco. Fora COI e COB!
   
2013-04-01

sábado, 2 de junho de 2012

Salve, Tocha!

O Globo 11-05-2012
http://oglobo.globo.com/olimpiadas2012/tocha-olimpica-acesa-na-grecia-comeca-peregrinacao-ate-londres-4860066

Tocha olímpica é acesa na Grécia e começa peregrinação até Londres
Montagem: àbeiradourbanismo

Acho que essa manchete saiu com erro de edição. O certo deve ser:


Grécia leva tocha olímpica acesa e sai em peregrinação até Bruxelas

Falando nisso, e Caio Martins, o escoteiro-padrão do Brasil: será, afinal, colocado a serviço do esporte ou só vai mesmo levar a tocha olímpica?


2012-06-02

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Se a memória não me falha e se a vista não me pisca, era tudo pra ser feito com dinheiro do Batista!

Custo inicial com estádios triplica e vai a R$ 6,9 bilhões
Se bem me lembro, primeiro vieram as indefectíveis declarações dos interessados diretos de que seria tudo feito com dinheiro privado, ante o silêncio conivente das autoridades federais, estaduais e municipais, todas perfeitamente conscientes de que tal promessa não passava de uma conveniente mentira - como no Pan2007.

Todavia, um aspecto incontornável da política de gastos públicos (se não é política é o que?) com a Copa do Mundo e as Olimpíadas é deixarem-se de lado, ou postergarem-se, projetos alternativos. A propósito, vale refletir sobre  a notícia, publicada n'O Globo há algum tempo, de que o Arco Rodoviário do Rio de Janeiro está quatro anos atrasado e terá o dobro do preço - de 536 milhões para mais de 1 bilhão! [*]

O trade off governamental entre  infraestruturas críticas e estádios de retorno duvidoso é um  interessante tema para um futuro desdobramento do artigo “Copa e Olimpíada: política anti-crise, de desenvolvimento ou de prestígio?”
postado em Uma estranha e gigantesca ave sobre Barcelona em 09-10-2011. 

O leitor pode acessá-lo pelo link
2012-05-25

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Legado olímpico é a reestruturação do Caio Martins

(Notas para um projeto de reestruturação física e gerencial do Complexo Desportivo Caio Martins)

O destino do Complexo Esportivo Caio Martins é a oportunidade de o COB e os responsáveis federais e estaduais pela organização dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro demonstrarem a seriedade e honestidade de seus propósitos desportivos. 

E também de governantes e parlamentares mostrarem que o interesse público lhes fala mais alto do que as centenas de milhões que, como todos sabem e alguns esperam avidamente, poderiam brotar, como lava incandescente, do solo que ele ocupa.

A cidade de Niterói tem todo o direito de considerar que a completa reestruturação física e gerencial do Caio Martins é a única opção legítima para administradores federais, estaduais e municipais que se digam honestamente empenhados em fazer com que os Jogos Olímpicos de 2016  deixem um legado desportivo e urbanístico. 

Na verdade, dadas as vantagens geográficas da cidade de Niterói – de que falaremos adiante – e a localização do complexo, é bastante plausível que, transformado em Fundação municipal e movido por um projeto gerencial competente, o Caio Martins possa ser não apenas uma entidade economicamente autossuficiente, como uma referência nacional em educação e eventos desportivos. 

O complexo caio Martins tem cerca de 4 hectares e é composto basicamente de um ginásio, uma piscina olímpica e um estádio de futebol.

O fato de o atual ginásio e piscina olímpica não se prestarem e não serem adaptáveis ao padrão imposto pelo COI para a realização de competições olímpicas não significa que eles não possam servir plenamente ao desenvolvimento desportivo municipal, metropolitano e estadual mediante um modesto esforço de investimento que os responsáveis estaduais e federais, a julgar pela fábula que vem sendo gasta a fundo perdido na organização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos de 2016, para não falar do Panamericano de 2007, não têm condições morais de recusar.

Vale lembrar que a necessidade de instalações desportivas para as Olimpíadas não se resume aos locais de competição, mas incluem necessariamente quadras, campos, piscinas e instalações de apoio e treinamento.

Por outro lado, a operação do estádio de futebol não é mais compatível com a localização do complexo e muito menos se justifica, do ponto de vista da relação custo-benefício, o seu uso como campo de treinamento. Tanto melhor: a reestruturação física do Complexo permitiria  a transformação de toda a área do estádio de futebol em um conjunto de quadras e espaços desportivos integrados, por um lado, ao ginásio e piscina olímpica e, por outro, a uma grande área pública de lazer de uso geral. 

A reestruturação física e, tão importante quanto, gerencial, do Complexo Desportivo Caio Martins deverá permitir que ele seja utilizado no máximo de sua capacidade:

·  servindo de suporte permanente à pratica educacional desportiva de milhares de alunos da rede de ensino público e privado de Niterói, mediante convênios específicos;

·        servindo de suporte permanente a programas de formação acadêmica e equipes competitivas da Universidade Federal Fluminense mediante convênio específico;

·        servindo de suporte à prática desportiva dos funcionários de todas as empresas da região que quiserem utilizá-lo mediante contratos de uso específico;

·        servindo de local de treinamento e mando de jogos de equipes profissionais de esportes de quadra que a Fundação Caio Martins, em parceria com entidades estatais e privadas, consiga fomentar ou atrair para a disputa dos diversos campeonatos estaduais e nacionais.


A propósito deste último ponto, é preciso considerar que Niterói é uma cidade
  • com pequena extensão geográfica; o Caio Martins não está a mais de 20 minutos por ônibus de qualquer bairro a cidade
  • com elevado nível de renda média para os padrões brasileiros
  • com abundante oferta de serviços;
  • com uma universidade federal de alta qualidade e em franca expansão;
  • com ligação imediata com o Rio de Janeiro;
  • localizada, em condições de trafego normal, a 30 minutos de viagem por automóvel, em via expressa, dos dois aeroportos metropolitanos. 


Uma cidade totalmente adequada, portanto, a sediar equipes e jogos profissionais de esportes de quadra, objetivo alcançável mediante um modesto esforço de gestão por parte de uma futura Fundação Caio Martins junto a confederações, clubes, patrocinadores, clubes e atletas.

A concretização da municipalização do Complexo permitiria a convocação 
  •  de um concurso público de projetos arquitetônicos e urbanísticos para a reestruturação física do CDCM;
  • de um concurso público de projetos de gestão do CDCM;
Em resumo, o CDCM pode ser transformar numa instituição de referência da cidade de Niterói como equipamento público e como patrimônio arquitetônico e urbanístico – o equivalente desportivo do MAC.

2011-11-30

sábado, 19 de janeiro de 2008

Olimpíadas 2016: "Nós lucramos, vocês pagam a conta"


Montagem: À beirado urbanismo
Uma vez mais, os responsáveis pela candidatura olímpica do Rio de Janeiro para 2016 vêm a público anunciar as inexcedíveis vantagens dessa empresa para todos os cidadãos cariocas.

Matéria paga da Fetranspor n’O Globo de 18 de janeiro destaca a declaração do Sr. Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, segundo quem “estes investimentos deixarão um legado extraordinário e duradouro para o Rio de Janeiro, integrando a cidade e melhorando a qualidade de vida de seus moradores”. A matéria, no caso, diz respeito à implantação do ônibus articulado tipo “Transmilênio” na ligação Penha-Barra da Tijuca, hoje publicamente conhecida como “Corredor T5 [Transversal 5]”.

Ironicamente, nessa mesma edição, o prefeito César Maia declara, em face da crise de insatisfação dos cariocas com a aumento do IPTU e o abandono da cidade, que, se houver boicote, terá de cortar investimentos como o Túnel da Grota Funda (que encurta a distância entre a Barra da Tijuca e as novas áreas de expansão imobiliária a Oeste) e a implantação do T5, tão caros aos dedicados esforços cidadãos do Sr. Nuzman.

A desfaçatez desses senhores não tem limite. Se a democracia em nosso país estivesse florescendo, em vez de dormitar na modorra auto-complacente do “governo mais extraordinário da nossa historia”, eles estariam respondendo judicialmente pela propaganda enganosa de igual teor massivamente difundida por ocasião da candidatura do Rio de Janeiro a sede dos Jogos Pan-Americanos de 2007.

De todas as maravilhas anunciadas como legado do Pan, restou um parque desportivo de viabilidade econômica duvidosa – exceto na hipótese de vingar a nova candidatura olímpica – pela mera razão de que o esporte brasileiro, deserdado em todos os níveis da estrutura educacional e dependente de um mercado de eventos vertical e ditatorialmente comandado pela televisão e seus anunciantes, não tem capacidade de amortizá-los.

A conquista do Panamericano colocou a população carioca e brasileira (porque o grosso do dinheiro saiu, no final das contas, do governo federal), num beco sem saída que se amplifica em espiral. Primeiro, se os Jogos viessem a custar mais do que o inicialmente orçado pela prefeitura (diz-se que custou dez vezes mais), o governo federal teria de bancar a diferença “para não desmoralizar o país “; agora, se não conquistarmos o direito de organizar uma Olimpíada, digamos, nos próximos 20 anos, e com ela a obrigação de empatar mais uma montanha de dinheiro público, teremos de assistir ao apodrecimento do capital que já investimos nessa magnífica coleção de equipamentos esportivos já em virtual desuso.

Como quase todo brasileiro, amo os esportes, as competições de qualidade e as Olimpíadas. Mas penso que os cadernos de encargos desses mega-eventos da indústria do entretenimento escarnecem das populações de todo o mundo – e dos países pobres (como a República Dominicana) e ditos emergentes (como o Brasil e a África do Sul) em particular. Não consta, por exemplo, desses cadernos de encargos, nada que premie o uso parcimonioso dos recursos públicos na produção dos Jogos ou que o condicione a mecanismos comprovados de ressarcimento. Instituições financeiras como o Banco Mundial, tão ciosas do equilíbrio das contas públicas dos países endividados, não parecem nem um pouco preocupadas quando se trata da injeção de rios de dinheiro público de retorno altamente duvidoso nos negócios da indústria global do entretenimento.

Os sucessos esportivos servem para fazer esquecer contas nebulosas, como a de quem pagou o quê e quem ganhou o quê na construção e destinação da Vila Panamericana – onde a prefeitura, entre outras coisas, multiplicou em muitas vezes a edificabilidade do terreno (privado) e implantou infra-estrutura sem recuperar um tostão da valorização acrescida. Tudo em nome dos benefícios do Panamericano para a cidade e o país.

Seria muito interessante que alguma ONG se dispusesse a reconstruir publicamente a contabilidade dos Jogos Panamericanos como empreendimento ‘público-privado’, apurando detalhadamente receitas e despesas - quem investiu, e quanto, desde o comecinho da candidatura, e quem lucrou e quanto. E deixaríamos para a sobremesa a discussão das fabulosas externalidades e intangíveis apregoados aos quatro ventos pelos mercadores do negócio olímpico.

Essa iniciativa deveria, aliás, ser dos próprios governos - federal, estadual e municipal – se tivessem um compromisso sério com a transparência. Publicar a contabilidade detalhada do empreendimento olímpico – na vitória ou na derrota – seria um interessante exercício de democracia e responsabilidade para com as finanças públicas na era das PPP, muito diferente da nuvem de poeira que a grande imprensa andou jogando nos olhos do público ao publicar fragmentos de polêmica entre prefeitura e o governo federal sobre o verdadeiro custo dos Jogos Panamericanos. Por que não publicam ambos os seus números, e permitem ao público conhecer e intervir na maneira como estão fazendo as contas?

O grande legado da doutrina do planejamento municipal dito estratégico de meados da década de 1990 – baseado na mobilização de agentes “com capacidade de formar opinião e investir” – foi na verdade, aplainar o terreno para um aumento sem precedente do nível de secretividade na gestão dos assuntos públicos. Nas Olimpíadas, como no Carnaval (ver artigo de Teresa Bergher na mesma edição d’O Globo de 18-01-2008), e nos transportes públicos (onde “política de integração”, por exemplo, são os acordos operacionais e tarifários que interessam às concessionárias) hoje na administração pública o mais importante é o segredo comercial. Às vezes a cidadania se impõe, ajudada pelo esforço e pelo espírito público de agentes responsáveis, como exemplificado nos casos do Museu Guggenheim e da Marina da Glória. Mas creio que ainda estamos em ampla desvantagem no placar.

2008-01-19