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Em
artigo publicado há mais de ano e meio neste canal, intitulado “O
planejamento olímpico e a revolução dos transportes”, o blogueiro
dizia não ter “nenhuma dúvida de que o planejamento urbano e de
transportes públicos saído da cozinha das empreiteiras e concessionárias
virá, fatalmente, cobrar o seu preço”.[1]
Não
posso deixar de lembrar os juízos e vaticínios emitidos naquela
oportunidade ao me deparar com a decisão do governo estadual de licitar o
projeto para a implantação da chamada Linha 5 do Metrô, que ligará a
Gávea ao Largo da Carioca via Humaitá e Laranjeiras. [2]
À
primeira vista, a Linha 5 proposta não tem nada demais. Qualquer cidadão minimamente
instruído e viajado sabe que o Metrô é o meio de transporte ideal para
zonas urbanas de alta densidade de população residente e flutuante como é
o caso da totalidade da Zona Sul do Rio de Janeiro.
Causa
espécie, no entanto, que a resposta dos atuais executivos municipal e
estadual a décadas de relativo consenso técnico, acadêmico
e até mesmo público quanto à prioridade da qualificação urbana do Centro da cidade - não
por acaso um dos suportes ideológicos do projeto Porto Maravilha -
continue sendo investir a virtual totalidade dos recursos públicos
disponíveis na rubrica “mobilidade urbana”... em transportes públicos de
e para a Barra da Tijuca - uma estratégia que não está estabelecida em
nenhum plano, inclusive o Diretor.
Deixando essa questão crucial para um próximo comentário, quero apenas colocar no ar duas sugestões.
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A primeira, a de que a decisão de licitar e construir a Linha 5 é do tipo
“curso forçado”, uma imposição da opção anteriormente adotada - estender a linha 1 de Copacabana à Barra da Tijuca - no intuito de evitar
que esta naufrague sob o peso do excesso de demanda.
A
segunda, a de que a proposta de ligar a Gávea à Carioca indica que a política de requalificação urbana do Centro e
suas expansões continua sendo a última das preocupações dos governantes -
importa-lhes exclusivamente, ao que parece, trazer os residentes da Barra ao centro de
negócios, assim como, inversamente, no "plano" dos BRTs importava acima de tudo levar a mão de obra dos subúrbios até a Barra!
Só assim se explica que não se utilize a nova linha para
ampliar substancialmente a rede de transporte de alta capacidade no Centro Expandido, incluindo a Portuária (Porto Maravilha), ou seja, para favorecer uma política de adensamento residencial na região central com elevada mobilidade e baixas taxas de posse e uso de automóvel.
Seguindo, porém, a máxima do Planejamento Estratégico que propõe transformar "ameaças em oportunidades", eu sugiro (ver a figura que abre a postagem) que a Linha 5 seja modificada de
modo a servir às principais regiões residenciais do Centro, a saber, Santa Teresa, Fátima,
Cruz Vermelha, República, Morro da Conceição e Saúde.
O conjunto Linha 5 - Ligação Estácio-Praça XV (ao longo da qual se aninha há vários anos, o essencial do desenvolvimento imobiliário
destinado aos serviços públicos e privados no Centro do Rio, capitaneado pela expansão da
Petrobrás e culminando no novo complexo do Hospital do Câncer) seria, eu
creio, um poderoso fator de dinamização econômica de toda a área circundante
à Praça Cruz Vermelha, estendendo-se às Praças da República e Tiradentes, sem prejuízo da benfazeja diversidade de usos e grupos sociais propiciada pela APAC
(Área de Preservação do Ambiente Cultural).
Como benefício adicional, ficaria consolidada a atratividade turística do Rio Antigo. Turismo de massa - ensina a Europa - se faz com Metrô!
Breve: "Porto do Rio: uma oportunidade perdida?"
Abaixo: traçado da linha 4 (Ipanema-Jardim Oceânico)
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A Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro (Barra da Tijuca — Ipanema) vai
transportar, a partir de 2016, mais de 300 mil pessoas por dia e retirar das
ruas cerca de 2 mil veículos por hora/pico. Com a nova linha, o passageiro
poderá utilizar todo o sistema metroviário da cidade com uma única tarifa. Serão
seis estações (Jardim Oceânico, São Conrado, Gávea, Antero de Quental, Jardim
de Alah e Nossa Senhora da Paz) e aproximadamente 16 quilômetros de extensão. A
Linha 4 do Metrô entrará em operação no primeiro semestre de 2016, após passar
por uma fase de testes. Será possível ir da Barra a Ipanema em 15 minutos e, da
Barra ao Centro, em 34 minutos. O projeto é um dos compromissos do Governo do Estado do Rio de Janeiro com o Comitê Olímpico Internacional (COI) por ocasião
dos Jogos Olímpicos. Fonte: Concessionária Rio Barra SA
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2014-12-02
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[2] O Globo online 18-11