quarta-feira, 29 de maio de 2024

A propósito da enchente em Porto Alegre


Poder 360 19-05-2024
https://www.poder360.com.br/infraestrutura/especialistas-listam-medidas-para-evitar-enchentes-em-porto-alegre/


Especialistas listam medidas para evitar enchentes em Porto Alegre 
Manifesto diz que atual sistema é eficiente e robusto, mas falhou porque não teve “a necessária manutenção permanente, especialmente em relação às comportas”

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Com certo constrangimento, devo confessar minha total ignorância da relação da cidade de Porto Alegre, e de toda a região do Guaíba-Lagoa dos Patos, com o nível de seus corpos d'água. E acho que não estou só: de repente o Brasil inteiro se dá conta de que um pedaço do país, habitado por milhões, é uma espécie de Holanda: se os diques e comportas não funcionarem, ele submerge.

A responsabilidade dos atuais governantes, muito especialmente o prefeito, mas também o governador, pela catástrofe atual é evidente. O que não necessariamente exime anteriores ocupantes do cargo, dado que o sistema de proteção data dos anos 1970 e o Brasil nunca ouviu falar da necessidade de sua rigorosa manutenção e atualização tecnológica permanente para que a cidade de Porto Alegre, palco de eventos de importância planetária como o Fórum Social Mundial possa, simplesmente, continuar existindo.

Não quero insistir, neste momento, no tema Crise Climática.

Esta postagem é para convidar o leitor à leitura do manifesto dos especialistas locais em Recursos Hídricos e ciências afins, oportunamente publicado no jornal Poder 360 (link no início da página), com sua visão sobre as causas do problema e o que fazer para remediá-lo.

Faço questão, porém, de lembrar aos meus leitores que é por essas e outras que advogo, há algum tempo, a drástica ampliação do escopo da formação em Urbanismo, se necessário - e me parece que é - constituindo uma carreira universitária e acadêmica distinta da Arquitetura. A crescente complexidade dos problemas relativos à construção - e futura desconstrução, quem sabe - da cidade, e sua gestão, envolvendo problemas de desenho urbano, com certeza, mas também de moradia, meio ambiente, recursos hídricos, saneamento, gestão de resíduos, economia urbana, mercado imobiliário, circulação, transportes de carga e passageiros, direito urbanístico, ambiental e administrativo, administração pública e outros mais assim o exige. 

Talvez tenha sido esta a principal lição que extraí de quase dez anos de trabalho na Secretaria de Urbanismo da Cidade do Rio de Janeiro.
2024-05-29         

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Mumford 1961: A urbanização medieval (2)


Capítulo X, seções 4 e 5, extraídas de MUMFORD L (1961), La Ciudad en la Historia, Logroño (Esp): Pepitas de calabaza Ed., 2012, pp. 503-24
https://docs.google.com/document/d/1QmZp8z1vQXf9NtCfRx-mSH2MmsUhUBIf65UobgkgUv8/edit?usp=sharing

(..) Los elementos determinantes del plan medieval son válidos por igual para una vieja ciudad de base romana, como Colonia, o para una ciudad nueva como Salisbury. La muralla, las puertas y el núcleo cívico determinan las principales líneas de circulación.

Fonte: https://early-medieval-worlds.hist.sites.carleton.edu/wiki/koln-landscape-and-urban-environment/ 


En cuanto a la muralla, con su foso, canal o río exterior, convirtió a la ciudad en una isla. Como símbolo, la muralla era tan apreciada como las agujas de las iglesias; no se trataba, pues, tan solo de su utilidad militar. (..) Al espíritu medieval le daba sosiego un universo de definiciones cortantes, murallas sólidas y vistas limitadas; hasta el cielo y el infierno tenían sus límites circulares. (..)

No es posible dejar de considerar la muralla sin señalar la función especial de la puerta de la ciudad; que, mucho más que una mera abertura, era un «lugar de encuentro de dos mundos» el urbano y el rural, el conocido y el extraño. La puerta principal ofrecía el primer saludo al mercader, al peregrino o al caminante común; era a la vez aduana, oficina de pasaportes y punto de control de la inmigración, así como arco del triunfo, cuyos torreones y torres rivalizaban a menudo, por ejemplo en Lubeca, con los de la catedral o el ayuntamiento. (..) era por lo común cerca de las puertas donde se edificaban los almacenes y donde se congregaban las posadas y las tabernas, mientras que los artesanos y mercaderes instalaban sus tiendas en las calles contiguas. Así, la puerta produjo, sin normas especiales de distribución en zonas, los barrios económicos de la ciudad; y como no había solamente una puerta, la naturaleza misma del tráfico procedente de diferentes regiones tendió a descentralizar y diferenciar las zonas comerciales. Como consecuencia de esta disposición orgánica de las funciones, la zona interior de la ciudad no estaba recargada por tráfico alguno, pues solo circulaba el generado por sus propias necesidades. (..)

En general, la gran iglesia es el elemento central de la ciudad, en todo sentido, excepto el geométrico; y como congregaba las mayores muchedumbres, requería un atrio con suficiente capacidad para la entrada y salida de los fieles. (..) Cuando se descubre que la plaza del mercado se extiende frente a la catedral, o que se abre una cuña o un cuadrado en las cercanías, no se les debe asignar a estos datos el mismo valor que tienen hoy: el mercado era ocasional, en tanto que los servicios de la iglesia eran constantes y regulares. Al igual que en el caso del crecimiento inicial de la ciudad, el mercado se asienta cerca de la iglesia porque es allí donde los habitantes se reúnen más a menudo. (..).

2024-05-15

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Anais da crise climática: Rio Grande do Sul


Outras Palavras 06-05-2024, por Daniel Lemos Jeziorny
https://outraspalavras.net/crise-brasileira/tragedia-gaucha-e-a-arte-de-cegar/

Quanto mais se publica sobre este novo desastre, mais se esconde o essencial: o colapso do clima pode ser evitado; basta nos livrarmos do sistema que o produz. Para que isso permaneça ofuscado, os noticiários nos inundam de banalidades

2024-05-15

domingo, 12 de maio de 2024

Metrô privatizado é prejuízo para a sociedade!


TAB Uol 09-05-2024
https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2024/05/09/metro-e-cptm-perderam-86-de-repasses-do-bilhete-unico-apos-privatizacoes.htm

Após privatizações, repasse do Bilhete Único para Metrô e CPTM caiu 86%. As concessionárias têm prioridade na hora de sacar os R$ 7 bilhões arrecadados com o Bilhete Único. Metrô e CPTM vêm por último e ficam, literalmente, com as sobras. Em 2022, conforme o uol revelou, ViaQuatro e ViaMobilidade, empresas do grupo CCR receberam juntas R$ 2 bilhões para transportar cerca de 500 milhões de passageiros. Metrô e CPTM carregaram mais que o dobro (1,23 bilhão de passageiros), mas ficaram só com R$ 460 milhões no período. (Resumo Blog do Noblat)
2024-05-12

Leia, neste blog: "Transmilenio, quem vai pagar a conta?"
https://abeiradourbanismo.blogspot.com/2022/01/transmilenio-quem-vai-pagar-conta.html


quarta-feira, 8 de maio de 2024

Mumford 1961: A urbanização medieval (1)


Capítulo X, seções 4 e 5, extraídas de MUMFORD L (1961), La Ciudad en la Historia, Logroño (Esp): Pepitas de calabaza Ed., 2012, pp. 503-24
https://docs.google.com/document/d/1QmZp8z1vQXf9NtCfRx-mSH2MmsUhUBIf65UobgkgUv8/edit?usp=sharing

Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Carcassonne 


(..) En general, las ciudades medievales pueden clasificarse en tres grandes tipos que corresponden a sus orígenes históricos, sus peculiaridades geográficas y su modo de desarrollo. (..)

Las ciudades que perduraron desde el tiempo de los romanos conservaron, por lo general, su sistema rectangular de diseño de manzanas, en el centro inicial, modificado por la construcción de una ciudadela o de un monasterio, el cual podría alterar la división uniforme en parcelas.
Las ciudades que crecieron lentamente a partir de una aldea o de un grupo de aldeas, al pie de un monasterio o un castillo, se ajustaban más estrictamente a la topografía, cambiando lentamente de generación en generación y conservando a menudo ciertos rasgos de su trazado que eran productos de los accidentes históricos y no de la elección consciente. Con frecuencia se considera que este segundo tipo de ciudad es el único auténticamente medieval: (..).
Por último, muchas ciudades medievales se proyectaron por adelantado para la colonización; frecuentemente, pero no siempre, estas serían trazadas con un estricto plano en damero, con una plaza central que se dejaba abierta para el mercado y la reunión pública.

Los tres tipos son igualmente medievales. Separándose o combinándose produjeron una variedad infinita de formas. (..)

2024-05-08

domingo, 5 de maio de 2024

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Harvey 1982: A teoria da renda


"A Teoria da Renda" (extraído de HARVEY D (1982), Os Limites do Capital. São Paulo: Boitempo, 2013).
https://docs.google.com/document/d/1l7E4r2KnREkd-RlrAmeOe4l5VsaI6_t_lnx9X0cRCVY/edit?usp=sharing

A teoria da renda, é justo dizer, perturbou profundamente Marx. Ele procurou realizar “uma análise científica da renda fundiária e da forma econômica específica da propriedade da terra tendo por base o modo de produção capitalista” em sua “forma pura, isenta de todas as irrelevâncias distorcidas e confusas”[1]. Mas seus escritos sobre o assunto, todos publicados postumamente, são em sua maioria pensamentos incipientes escritos no processo da descoberta. Como tais, eles frequentemente parecem contraditórios. As formulações nas Teorias do mais-valor diferem substancialmente das poucas passagens aprimoradas n’O capital, ao passo que sua análise nesta última obra, embora extensiva e com frequência penetrante, é prejudicada por algumas dificuldades que não cedem facilmente à mágica do seu toque. O resultado é uma boa quantidade de confusão e uma controvérsia imensa e continuada entre aquelas poucas almas audazes que tentaram abrir caminho pelo campo minado de seus escritos sobre o assunto[2].

A renda, na análise final, é simplesmente um pagamento feito aos proprietários pelo direito de usar a terra e seus pertences (os recursos nela incorporados, os prédios nela construídos etc.). A terra, concebida nesse sentido muito amplo, evidentemente tem tanto valor de uso quanto valor de troca. Então, será que ela tem também um valor? Se tem, como a existência desse valor pode ser conciliado com as teorias do valor que se baseiam no tempo de trabalho incorporado (como a de Ricardo) ou, no caso de Marx, no tempo de trabalho socialmente necessário?

As melhoras incorporadas na terra são, certamente, resultado do trabalho humano. Casas, lojas, fábricas, estradas e assim por diante podem ser produzidas como mercadorias e, por isso, tratadas como valores no curso da circulação mediante o ambiente construído (ver capítulo 8). Um componente da renda pode então ser tratado como um caso especial de juros sobre o capital fixo ou sobre o fundo de consumo. A parte da renda que gera o problema é o simples pagamento da terra bruta, independente das melhorias a ela incorporadas. Marx se refere a esse componente como renda fundiária. A seguir, a menos que de outro modo especificado, trataremos a renda fundiária como renda e assumiremos que o juro sobre as melhorias é explicado de outra forma.

Evidentemente, Marx insiste que os pagamentos de aluguel não são feitos à terra e que as rendas não crescem do solo. Pagamentos desse tipo são feitos aos proprietários e seriam impossíveis sem a troca geral de mercadorias, a plena monetização da economia e todas as armadilhas legais e jurídicas da propriedade privada na terra. Mas ele também está consciente de que essa base legal nada decide e que toda a explicação da renda tem de tornar compatível um pagamento feito ostensivamente à terra com uma teoria do valor que se concentra no trabalho. (..)


Acesse a íntegra deste capítulo pelo link
https://docs.google.com/document/d/1l7E4r2KnREkd-RlrAmeOe4l5VsaI6_t_lnx9X0cRCVY/edit?usp=sharing

2024-05-01