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sábado, 5 de fevereiro de 2022

"A pretty shitty job"

Jacobin 2019-03-12, por Samuel Stein 
https://www.jacobinmag.com/2019/03/gentrification-is-a-feature-not-a-bug-of-capitalist-urban-planning

Gentrification Is a Feature, Not a Bug, of Capitalist Urban Planning

(..) urban planners’ main job is to contain these two contradictions; neither can be resolved, but both can be managed. It’s a complicated bind. They are supposed to make certain land use interventions, but are prevented from making more sweeping changes. Their process must be open to the public, while simultaneously guaranteeing that ultimate power resides in the hands of propertied elites. It can be a pretty shitty job. (..)"
A view of the Hudson Yards development zone is seen from the street 
on August 31, 2018 in New York City.
Stephanie Keith / Getty / Jacobin

2022-02-05

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

A guerra pelos lugares centrais

El País Economía 06-12-2021, por José Luis Aranda
https://elpais.com/economia/2021-12-06/los-ricos-desalojan-a-los-pobres.html

Los alquileres destierran a los más débiles del centro de las ciudades

Puente de Vallecas, Madrid 
Imagem: Google Earth. Texto: El País. 
Este artigo nos obriga a refletir sobre o alcance da propalada 'migração em massa' de trabalhadores qualificados aderidos ao home-office para o 'interior', urbano ou rural, de seus respectivos países, na maioria dos casos cidades satélites e condomínios fechados na franja urbano-rural das próprias metrópoles.

A proliferação de microapartamentos e do coliving nas regiões pericêntricas das grandes cidades - do Brasil, Europa, Ásia e até dos EUA, onde a classe média ocupa e seguirá ocupando vastas extensões suburbanas - é um claro indício de que, no pós-pandemia, as cidades globais continuarão sendo as usinas propulsoras do crescimento econômico planetário, fonte da imensa maior parte dos empregos e cenários permanentes da guerra pelos lugares centrais, cujo resultado é empurrar os trabalhadores de menor qualificação e as famílias de mais baixos rendimentos para bairros progressivamente mais periféricos, onde, de maneira geral, a localização é menos conveniente e a urbanização menos satisfatória.  

2021-12-23

domingo, 14 de novembro de 2021

A disputa pelas localizações

ArchDaily 09-11-2021, por Andreea Cutieru (Tradução: Vinicius Libardoni)
https://www.archdaily.com.br/br/971292/desenvolvimento-urbano-gera-gentrificacao


Desenvolvimento urbano gera gentrificação?

Nesta edição do Editor's Talk, nossos editores da Argentina, Líbano, Brasil, Chile e Tanzânia compartilham suas opiniões sobre o papel do desenvolvimento urbano no agravamento dos processos de gentrificação das cidades."

Raquel Rolnik deu o título “Guerra dos Lugares” ao seu excelente livro de 2017 sobre a financeirização da moradia à escala mundial. Mas eu me pergunto se este título não seria mais adequado a um volume que ela mesma escrevesse - conhecimento e talento não lhe faltam - sobre o tema da gentrificação urbana. 

Do meu ponto de vista, gentrificação é um processo social inerente ao modo como o mercado imobiliário 'aloca' a terra-localização urbana: ocupam-na aqueles que, diretamente ou por intermédio de uma incorporadora, estão aptos e dispostos a fazer por ela as maiores ofertas de renda. Pode acontecer com a ajuda da força armada do Estado, como no caso de remoções de favelas em zonas altamente valorizadas, mas o mais das vezes basta a força bruta do dinheiro, como no caso da redescoberta do centro urbano pelos bisnetos daqueles que o deixaram em busca do que então era subúrbio: só depende de que os incorporadores convençam os proprietários dos imóveis antigos, geralmente bastante deteriorados, de que certa cota de apartamentos novos, ou o seu equivalente em dinheiro, será mais rendosa do que a soma dos aluguéis que lhes podem pagar seus empobrecidos inquilinos.

A maneira típica de deter a gentrificação é reduzir drasticamente, por meio da legislação urbanística, a edificabilidade do solo, consequentemente a rentabilidade dos empreendimentos imobiliários nas áreas sujeitas a renovação. 

No entanto, processos de gentrificação podem ainda acontecer pela via da reforma e adaptação dos imóveis antigos aos gostos e hábitos culturais dos novos ocupantes. 

Alternativamente, para minimizar os seus efeitos, a municipalidade pode buscar uma renovação urbana limitada e supervisionada, combinando algum aumento de edificabilidade com mudanças de uso das edificações existentes que gerem oportunidades de negócios e empregos aos residentes. Não é simples, nem barato - bairros gentrificados dão mais prestígio ao governante e receita fiscal ao município -, mas vale a pena tentar.

2021-11-14

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Apontamentos: IAU 2019 - gentrificação e pauperização na região de Paris

IAU île-de-France, “Gentrification et paupérisation au cœur de l’Île-de-France Evolutions 2001-2015 Mai 2019”. Institut d’Amenagement et d’Urbanisme, Mai 2019
https://www.institutparisregion.fr/fileadmin/NewEtudes/Etude_1807/Gentrification_et_pauperisation_complet.pdf

Região Parisiense (Île-de-France)
Tipologia das comunidades segundo
a renda das famílias 2015

Clique na imagem para ampliar
Sou deliberadamente cauteloso, para dizer o mínimo, com a redução da estrutura sócio-espacial das grandes metrópoles contemporâneas ao contraste centro / periferia, ricos / pobres, alta renda / baixa renda, regularmente destacado em um grande número de estudos urbanos contemporâneos. 

Contudo, é inegável que a implosão, em 2008, da retaguarda econômica do Estado do bem-estar vai recriando em todo o mundo, ainda que em ritmos muito distintos, condições urbanas análogas às da primeira metade do século XIX - como disse há poucos dias, com todas as letras, o economista francês Thomas Piketty a propósito da desigualdade no Brasil. 

O estudo acima, produzido e publicado pelo Institut d’Amenagement et d’Urbanisme da região de île-de-France, é a prova inequívoca de que nenhum país está a salvo:

(..) A análise dos dados do período 2001-2015 atesta, em primeiro lugar, num contexto de crescente desigualdade entre municípios e distritos, o reforço dos contrastes entre setores extremos, com uma polarização cada vez mais acentuada entre setores ricos e setores pobres no coração da aglomeração. As disparidades de renda continuam a aumentar no coração da cidade. Estamos testemunhando, por um lado, a consolidação de áreas ricas pelo enriquecimento e disseminação de riqueza para áreas vizinhas um pouco menos ricas e, por outro lado, a pauperização absoluta de setores urbanos inteiros. Em 44 dos municípios mais pobres da região, onde vivem 15% dos residentes da Île-de-France, a renda média em euros constantes caiu entre 2001 e 2015. Ainda faltam poucos executivos para se estabelecer lá. Eles continuam a canalizar o crescimento de famílias imigrantes em Ile-de-France. A concentração de trabalhadores pouco qualificados, muitos deles imigrantes, mais expostos ao aumento do desemprego e a empregos precários, e o aumento de famílias monoparentais (em conexão com o tamanho do estoque social) contribuem para a estigmatização e deterioração da situação financeira dos residentes. (..) 

2020-08-12

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

De benefício geral a malefício local

El País / Ciencia 09-11-2019, por Nuño Domínguez

“Las nuevas zonas verdes de nuestras ciudades acaban beneficiando solo a los más ricos”

Isabelle Anguelovski, estudiosa de la gentrificación  
Novo Parque de  las Glories, Barcelona
inaugurado em 06-04-2019

Foto (detalhe) Barcelona al día

(..) Su equipo, de 20 investigadores, ha estudiado el impacto que ha tenido la construcción de zonas verdes en 40 ciudades de EE UU, Canadá y Europa con una población de entre 500.000 y 1,5 millones de habitantes. En España se han analizado Barcelona y Valencia. Aunque los resultados completos del trabajo aún tardarán unos meses en estar listos, la principal conclusión ya está clara: existe una “gentrificación verde” en la mayoría de estas urbes de forma que las mejoras ambientales y urbanísticas acaban echando de sus barrios a los vecinos más pobres, que son reemplazados por gente con mayores ingresos y que, a la postre, son los que se benefician de la operación. 

En el caso de Barcelona, este fenómeno ya está teniendo impactos incluso en la salud de las clases más pobres, asegura Anguelovski (París, 1978), profesora de investigación ICREA que trabaja en el Instituto de Ciencia y Tecnología Ambientales (UAB). Su proyecto se llama Green Lulus, siglas en inglés de “uso local del suelo verde no deseado”, pues en algunas de las poblaciones estudiadas, los nuevos parques o incluso las nuevas paradas de metro en el caso de EE UU han sido recibidas con una fuerte oposición y movilización vecinal porque hacen subir el precio de la vivienda y les acaban echando de su barrio. (..) 

2019-11-18


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Lisboa: "O que vai acontecer aqui?"

Público 23-10-2019, por Mariana Durães
https://www.publico.pt/2019/10/23/p3/noticia/o-bullying-da-especulacao-imobiliaria-ocupou-lisboa-mas-ha-quem-o-queira-despejar-1890933

O “bullying imobiliário” ocupou Lisboa, mas há quem o queira despejar 

https://player.vimeo.com/video/357310878
Clique no link para assistir ao documentário
Pelo direito a habitar Lisboa e contra os despejos, o colectivo Left Hand Rotation realizou um documentário que quer chamar os lisboetas para a luta. O que vai acontecer aqui? mostra como o “bullying da especulação imobiliária” está por toda a cidade. Mas este é o “momento-chave” para o despejar. E já há quem o esteja a fazer.

Eduardo Nicola recebeu uma carta a dizer “que o prédio Santos Lima ia ser vendido a duas imobiliárias”. Pouco tempo depois, encontrou um anúncio que dizia que esse mesmo prédio — onde morava — estava à venda por sete milhões de euros. Desde então, as 17 famílias que vivem neste edifício de Marvila dizem estar a ser “pressionadas” para sair: as portas dos apartamentos desocupados foram arrombadas, as paredes e o chão esburacados. “O prolongamento da Expo 98 está a chegar aqui e o metro quadrado tem muito valor”, explica o residente.

Esta é uma das realidades que o documentário O que vai acontecer aqui?, feito pelo colectivo espanhol Left Hand Rotation, em conjunto com as associações portuguesas Habita e Stop Despejos, mostra. (..)
 
2019-10-28

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Muito mais do mesmo

Folha de S Paulo 03-09-2019, por Artur Rodrigues

Pelos lados e para o alto, S Paulo cresce 60% em área construída em 25 anos

Levantamento feito a partir de IPTU indica gentrificação no centro e 'cidades' sem estrutura na periferia

Conjunto Habitacional Barro Branco
Cidade Tiradentes - S Paulo

Imagem: Internet
Do alto, Cidade Tiradentes é composta de grandes fileiras de conjuntos habitacionais que lembram peças de dominó. Ao redor dos prédios, pequenas casas se espalham, avançando sobre montanhas ainda verdes.

Casas e prédios não param de ser construídos no bairro no extremo leste da cidade de São Paulo, onde, proporcionalmente, deu-se a maior expansão de área construída dos últimos 25 anos: 1.617%.

Levantamento realizado pela Folha a partir de bases de dados da Secretaria Municipal de Urbanismo e do cadastro do IPTU municipal mostra que São Paulo avança pelas bordas e para cima, de forma desenfreada e desigual.

No último quarto de século, a área construída regularizada (e frise-se o regularizada) na capital paulista aumentou 60%, de 330 milhões de metros quadrados para 531 milhões. É o dobro do avanço registrado pela população da cidade, de 30% no período.
Município de S Paulo
Localização dos bairros citados:
Cid Tiradentes, Barra Funda (azul)
e Centro (vermelho)
Os dados indicam que o boom imobiliário na cidade empurrou pessoas de baixa renda para os extremos antes de o transporte e serviços chegarem, enquanto bairros nobres se verticalizaram radicalmente e ficaram ainda mais caros.
 
(..) Em bairros centrais, com ampla infraestrutura, residências horizontais consideradas de baixo padrão foram demolidas para dar lugar a prédios de classes média e alta — o fenômeno conhecido como gentrificação.
 
Com duas estações de metrô, equipamentos culturais e unidades médicas, a Barra Funda, por exemplo, reduziu em 46% o número de lotes residenciais horizontais simples, enquanto apartamentos de alto padrão cresceram acima de 1.000%, e os de baixo, 25%.

Esses apartamentos menores e mais baratos foram empurrados para dez distritos da periferia, onde a área que ocupam chegou a aumentar mais de 1.000% na esteira do programa Minha Casa Minha Vida. (..)

2019-09-04


quinta-feira, 20 de junho de 2019

Logement, climat, même combat

Le Monde / Logement 07-06-2018, por Isabelle Rey-Lefebvre
https://www.lemonde.fr/societe/article/2019/06/07/quand-la-finance-fait-main-basse-sur-le-logement-social_5473003_3224.html 
Quand la finance fait main basse sur le logement social

Foto: Laurent Paillier / Le Pictorium /Francinter
La plupart des métropoles occidentales, de Paris à Berlin, de New York à Stockholm en passant par Londres, sont confrontées à la flambée des prix des logements, qui chasse les classes moyennes vers les périphéries. Pire, dans la plupart des grandes villes européennes, le nombre de sans-abri explose et sature les centres d’hébergement. « Il y a une crise du logement à l’échelle mondiale. C’est la crise sociale la plus importante du moment, aussi urgente que la crise climatique », a alerté Leilani Farha, rapporteuse de l’ONU pour le logement abordable, dès l’ouverture du Festival international du logement social que Lyon accueille, du 4 au 8 juin. (..) 

2019-06-20

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Paris é pra quem pode

Le Monde / Cities 11-06-2019, por Soazig Le Nevé

A Paris, des classes moyennes en voie de disparition

Gustave Eiffel by Edward L Sambourne 1889
Fonte: Internet
(..) Avec ses 105 km², Paris intra-muros attire des populations aux profils de plus en plus contrastés, les très riches s’établissant dans « l’ancien » et les très pauvres dans des logements sociaux. L’Institut d’aménagement et d’urbanisme (IAU) de la région Ile-de-France note un accroissement significatif des ménages les plus aisés dans les 7e et 8e arrondissements.

L’enrichissement touche également des quartiers proches, «par un effet de diffusion et de consolidation des territoires de la richesse», observe-t-il dans une étude [*] parue début juin consacrée à la gentrification et à la paupérisation en Ile-de-France.

(..) «Paris est en train de devenir un repaire pour super-riches, corrobore Emmanuel Trouillard, géographe chargé d’études sur le logement à l’IAU. Des familles s’en vont, des écoles ferment dans les arrondissements du centre de la capitale… Le problème de Paris, c’est de maintenir l’accès des classes moyennes au logement intermédiaire et au logement social.»

(..) Une nouvelle catégorie de population tire son épingle de ce jeu immobilier : les touristes. A la faveur du succès des plates-formes comme Airbnb ou Abritel, un marché parallèle s’est créé, venant assécher un peu plus l’offre locative privée. « Airbnb tue beaucoup de quartiers. En quatre ans, le marché locatif traditionnel a perdu 20 000 logements », dénonce Ian Brossat, adjoint à la maire de Paris chargé du logement. 
(..)

2019-06-13
______
[*] O estudo Gentrification et paupérisation au cœur de l’Île-de-France - évolutions 2001-2015 (pdf 84 pp) pode ser acessado pelo link

sábado, 20 de abril de 2019

Não computáveis à moda ianque

NY Times 20-04-2019, por Matthew Haag

How Luxury Developers Use a Loophole to Build Soaring Towers for the Ultrarich in N.Y. 

Foto (Detalhe): Karsten Moran / The New York Times

(..) The building and nearby towers are able to push high into the sky because of a loophole in the city’s labyrinthine zoning laws. Floors reserved for structural and mechanical equipment, no matter how much, do not count against a building’s maximum size under the laws, so developers explicitly use them to make buildings far higher than would otherwise be permitted.

The towers benefiting the most from the zoning quirk have all sprouted during the past half-decade: enormous glass and steel buildings with lavish condominiums that sell for millions of dollars. Many line the blocks around Central Park, some of the most expensive and coveted real estate in the city, and have become second homes for Chinese billionaires, European tycoons and out-of-state hedge fund investors.

(..) Many of these towers stay vacant most of the year, so their owners are not subject to local and state income taxes because they are not city residents. As a result, the state and city have already begun a separate crackdown on them.

State lawmakers proposed a pied-à-terre tax, an annual recurring tax on second homes valued at more than $5 million, but it was derailed under intense lobbying from real estate groups(..)

2019-04-20

quinta-feira, 21 de março de 2019

Money City

Isto É Dinheiro 17-03-2019

Nasce em Nova York o maior empreendimento imobiliário da história, por US$ 25 bilhões

São 113.300m² de terreno abrigando escritórios, lojas icônicas e de luxo, múltiplos endereços de comida badalada, uma praça ao ar livre, escola, hotel e um edifício multiarte coexistindo com prédios residenciais


Nova York ganhou nesta sexta-feira um bairro. Em Manhattan. E por ser Nova York, e por ser Manhattan, o Hudson Yards já se tornou o maior empreendimento imobiliário privado da história americana. E consequentemente o maior da história da humanidade. São 113.300m² de terreno abrigando escritórios, lojas icônicas e de luxo, múltiplos endereços de comida badalada, uma praça ao ar livre, escola, hotel e um edifício multiarte coexistindo com prédios residenciais (cheque preços aqui). Related Companies e Oxford Properties Group, as corporações por trás da operação, construíram uma área de US$ 25 bilhões de dólares a partir do zero. Para o The New York Times, “são magnitudes de cair o queixo e você não vai entender até que esteja lá”. (..)  

Leia também neste blog: "Circulo virtuoso II"
https://abeiradourbanismo.blogspot.com/2017/12/circulo-virtuoso-ii.html

2019-03-21

sábado, 15 de julho de 2017

Moradia do dinheiro

Mother Jones maio-junho 2017, por Paul Roberts 

Is Your City Being Sold Off to Global Elites?

Visas for sale, skyrocketing housing prices, miles of condos 

Fonte: https://www.vancouverrealestatepodcast.com
/podcast/speculation-is-good-for-vancouver/
It’s midmorning on a Saturday in Richmond, a suburb of Vancouver, British Columbia, and this is maybe the 20th example we’ve seen of what locals call the “empty-house syndrome"—homes purchased by foreign nationals, many of them wealthy Chinese, and left to sit vacant. Some will eventually have occupants; Vancouver is a top destination for well-heeled emigrants. But often, the new owners treat the houses as little more than vehicles for spiriting capital out of China. By one recent estimate, 67,000 homes, condos, and apartments in the Vancouver metro area, or about 6.5 percent of the total, are either empty or “underused”—an appalling statistic, given a housing market so tight that rental vacancy rates are below 1 percent. Hence the shoes: To shield absentee owners from public opprobrium, niche firms specializing in “vacant-property maintenance” will arrange elaborate camouflages—everything from timed light switches and “garden staging” to artful props, like pumpkins at Halloween and wreaths at Christmas.

(..) For wealthy Chinese, Vancouver has emerged as the perfect “hedge city”—scenic, cosmopolitan, with good schools, a long-standing Chinese community, and an undervalued (by global standards) real estate market where capital can be sheltered against mounting economic and political uncertainties back home. In 2015 alone, according to estimates by Canada’s National Bank Financial, Chinese purchases of real estate in the Vancouver metropolitan area amounted to nearly $ 10 billion, or a third of the total dollar amount spent on city real estate. (Figures are in US dollars unless otherwise noted.) So popular is Vancouver among hedgers that local real estate firms send Mandarin-speaking recruiters to Chinese cities to entice buyers to take bus tours of Vancouver’s upscale neighborhoods.

But for many longtime residents, Vancouver’s evolving role as a giant safety deposit box for China’s elite has been profoundly destabilizing. Thanks in part to foreign capital, home prices here have more than doubled since 2006. In one 12-month period (mid-2015 to mid-2016), the median price for a single-family house jumped nearly 40 percent, to $ 1.17 million, making Vancouver almost as expensive as San Francisco, but with a job market that is far less varied and robust. (..) 

2017-07-15

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Esticando a corda

DN (Portugal) 11-12-2016, por Filipe Paiva Cardoso

FMI alerta: imóveis estão a voltar a preços pré-crise
(..) O estudo põe Portugal na segunda categoria, a que chamam bust and boom, já que depois de uma queda acentuada os preços voltaram a ter subidas significativas a partir de 2013. Segundo os dados avançados, os imóveis em Portugal valorizaram 6,4% no último ano, o 15.º registo mais elevado dos países analisados (ao lado).

Esta evolução surge apesar da contração do crédito em Portugal e do quase congelamento dos ganhos médios no país, salientam.

Mas a falta de crédito em países como Portugal é outra razão para os responsáveis do FMI recomendarem "vigilância". "Muitos dos booms no imobiliário foram alimentados pelo excesso de crescimento do crédito." Desta vez, o detonador é outro, a falta de oferta. "As licenças para novas habitações cresceram só modestamente (...) e o impacto das limitações da oferta é evidente em várias cidades", dizem. Isto não é melhor, nem pior, é diferente: "Mesmo que os preços subam só devido à oferta, o impacto no endividamento das famílias pode ser adverso para a estabilidade financeira." 

É que a subida de preços não encontra correspondente nos rendimentos das famílias, que, com a entrada de investidores estrangeiros a puxar preços, acabam por ser obrigadas a um maior esforço (risco) para comprar ou arrendar uma habitação - vários investidores estão a refugiar-se no imobiliário numa fase de rentabilidade reduzida em vários ativos. (..) (Destaques do blog) 

2016-12-13

sábado, 28 de maio de 2016

Expulsão branca

NY Times 27-05-2016, por Michael Henry Adams
The End of Black Harlem

Harlem, N York
Still Harlem endures as a community with high hopes, and in 2013, we felt sure we had found a champion. Bill de Blasio ran as the mayor for everyone, which we figured had to include Harlem. Black voters were crucial to his victory, and we thought we were covered and cared for. He even has a likable son, as liable to get stopped by the police as ours might.

We were wrong. The man we saw as “our mayor” may talk about housing affordability, but his vision is far from the rent control and public housing that President Franklin D. Roosevelt and Mayor Fiorello H. LaGuardia once supported, and that made New York affordable for generations. Instead, he has pushed for private development and identified unprotected, landmark-quality buildings as targets. He and the City Council have effectively swept aside contextual zoning limits, which curb development that might change the very essence of a neighborhood, in Harlem and Inwood, farther north. At best, his plan seems to be to develop at all speed and costs, optimistic that the tax revenues and good graces of the real estate barons allow for a few affordable apartments to be stuffed in later. (..)

2016-05-28

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Sassen on Jacobs

The Guardian / cities 04-05-2016, por Saskia Sassen

How Jane Jacobs changed the way we look at cities

Jane Jacobs
(..) So perhaps now, on the 100th anniversary of her birth, we should all be asking: what is it that Jane Jacobs made us want to see in the city? Thinking about this question leads me to focus on the conditions that make a metropolis – the enormous diversity of workers, their living and work spaces, the multiple sub-economies involved. Many of these are now seen as irrelevant to the global city, or belonging to another era. But a close look, as encouraged by Jacobs, shows us this is wrong. 

She would ask us to look at the consequences of these sub-economies for the city – for its people, its neighbourhoods, and the visual orders involved. She would ask us to consider all the other economies and spaces impacted by the massive gentrifications of the modern city – not least, the resultant displacements of modest households and profit-making, neighbourhood firms. (..) 

Acesse o artigo completo pelo link

2016-05-05

terça-feira, 3 de maio de 2016

Se meu container falasse...

O Sul 01-05-2016, por Folhapress
http://www.osul.com.br/ricos-e-pobres-disputam-cubiculos-em-nova-york/

Ricos e pobres disputam cubículos em Nova York

A uma plateia que pagou mil dólares por cabeça para um baile republicano, Donald Trump falava sobre o prédio que abriga o evento, o primeiro que reformou em Manhattan, na cidade de Nova York (EUA), no ano de 1980: o hotel Grand Hyatt. Do lado de fora, a aposentada Elizabeth Cooper, 68 anos, aplaudiu um protesto contra o pré-candidato à Casa Branca, no qual o rosto de Trump aparece em cartazes em formato de fezes com a frase: “Está tudo uma merda mesmo”. Ela conta que sua filha de 34 anos não sai de casa porque “os aluguéis estão ridiculamente caros”.

As duas racham 3,8 mil dólares (mais de 13 mil reais) por um estúdio a seis quadras da Trump Tower, onde o empresário mora em uma cobertura tríplex decorada em ouro e mármore. Uma canga divide o espaço entre mãe e filha, garantindo “alguma privacidade”. O drama não é só de Elizabeth. No último trimestre de 2015, o setor imobiliário em Manhattan estourou a champanhe. O preço médio de um apartamento na ilha beirou 2 milhões de dólares (7 milhões reais). E o drama não é só de Manhattan. “Boa parte do Brooklyn ficou ainda mais cara na última década. Bairros como Brooklyn Heights sofrem ‘hipergentrificação’, com bilionários expulsando os milionários”, diz Kennedy Gould, diretor do Programa de Sustentabilidade Urbana. (..)

2016-05-03

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Sassen: é isto cidade?

The Guardian / cities 24-11-2015, por Saskia Sassen

Who owns our cities – and why this urban takeover should concern us all 

Atlantic Yards Housing Project,© SHoP Architects

(..) The corporatising of access and control over urban land has extended not only to high-end urban sites, but also to the land beneath the homes of modest households and government offices. We are witnessing an unusually large scale of corporate buying of whole pieces of cities in the last few years. The mechanisms for these extractions are often far more complex than the outcomes, which can be quite elementary in their brutality.

One key transformation is a shift from mostly small private to large corporate modes of ownership, and from public to private. This is a process that takes place in bits and pieces, some big and some small, and to some extent these practices have long been part of the urban land market and urban development. But today’s scale-up takes it all to a whole new dimension, one that alters the historic meaning of the city. (..) 

Acesse a matéria completa pelo link

2015-11-26

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Incorporação globalizada

The Guardian 17-09-2014, por Oliver Wainwright
The truth about property developers: how they are exploiting planning authorities and ruining our cities
Battersea Power Station
Across the country – and especially in superheated London, where stratospheric land values beget accordingly bloated developments – authorities are allowing planning policies to be continually flouted, affordable housing quotas to be waived, height limits breached, the interests of residents endlessly trampled. Places are becoming ever meaner and more divided, as public assets are relentlessly sold off, entire council estates flattened to make room for silos of luxument units, to be sold overseas and never inhabited, substituting community for vacancy. The more we build, the more our citry safe-deposit boxes in the sky. We are replacing homes with investies are emptied, producing dead swathes of zombie town where the lights might never even be switched on.

(..) Councils just don’t have the expertise to challenge viability reports,” says one senior planning officer. “We can’t argue back.” Instead, they can commission viability assessments, produced by the same consultants that work for developers, to determine whether the report is accurate – but not to propose an alternative. The figures may well stack up, but it doesn’t mean the scheme could not be designed in a different way, which would still guarantee the developer’s 20% profit margin. (..)

2014-09-26

terça-feira, 10 de junho de 2014

Grandes Projetos Urbanos: Puerto Madero, segundo Casas 2014

Proyecto Riachuelo 30-05-2014, por Jimena Ramírez Casas*

Puerto Madero: la fachada menemista de Argentina
(..) Algunas posturas sobre la intervención en Puerto Madero sostienen que es evidente el beneficio al conjunto de la sociedad, considerando que aportó a la comunidad mejoras en la calidad del espacio público, del patrimonio construido o del paisaje. Se destaca: en la ejecución del Plan Maestro: la protección de la imagen de los espejos de agua, la preservación de la volumetría de los galpones, la puesta en valor -e inclusión paisajística- de las grúas y los antiguos silos. “La idea de legado, que aparece en esta formulación propone como criterio de evaluación de los beneficios sociales de un proyecto de es te tipo, el valor de preservar, de poner en valor o incluso resignificar un espacio” (Garay, 2011).
En este orden de ideas, Garay sostiene que uno de los más relevantes efectos de la rehabilitación portuaria radica en la exitosa reinserción del territorio en el mercado y el aumento de valor, reflejados en el incremento de los precios inmobiliarios. “En este punto, se puede considerar que el hecho de proteger el carácter de bien público de las áreas patrimoniales puede producir beneficios externos, de los que se favorecen los propietarios, sobre todo aquellos que viven en el sector, los que compran y remodelan las propiedades circundantes, [...]” (Garay, 2011) [énfasis mío]

Asimismo considera que la no utilización de terrenos urbanos centrales abandonados, implica un pasivo equivalente a la renta mensual. “Demostrada la existencia de una renta potencial que se desperdicia, el eje de la discusión se traslada, y el problema pasa a ser el diseño del instrumento más adecuado para capturarla”(Garay, 2011) [Énfasis mío].

Precisamente pensar la gestión urbana en Puerto Madero como una estrategia de city marketing, o marquetización término con el que Tomás se refiere al “uso de las ciudades como productos de marketing y publicidad, en un mundo dominado por la imagen” (Tomás, 2003) nos puede revelar alguna pista para responder al interrogante que nos plantea la paradoja de considerar a Buenos Aires como un ejemplo de ciudad exitosa aún en medio de la crisis económica generada por las políticas neoliberales.

[No sobra recordar que mientras se ejecutaba exitosamente el GPU Puerto Madero a finales del año 2000 y durante los siguientes tres años la Argentina atravesó una de sus peores crisis económicas, al romperse el modelo de la convertibilidad monetaria, entrar en default con los organismos económicos internacionales y llegar al borde de la quiebra estatal.]

Sin embargo, no podemos obviar las tensiones que se hacen evidentes, a medida que se ponen en prácticas las intervenciones urbanísticas. En junio de 2007, el especialista en cascos históricos Goycoolea Prado, expuso algunas de sus reflexiones sobre la intervención urbana en Puerto Madero que compartimos plenamente, la desvinculación de Puerto Madero con el resto de la ciudad, “a Puerto Madero no se llega, hay que ir” y, la ruptura con el paisaje tradicional de la ciudad, el horizonte y el río, que supone la aparición de las torres frente a la Reserva Ecológica: “[...] lo que me parece un disparate, es la aparición de las torres frente a la Reserva Ecológica, que rompen el paisaje tradicional de la ciudad, el horizonte y el río. Han roto la imagen histórica. En definitiva, es una privatización del paisaje, que es un bien público (Videla, 2007) [Énfasis mío]. (..) 

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* Antropóloga. Doctoranda Facultad de Ciencias Sociales Universidad de Buenos Aires. Secretaria Académica “Cátedra Libre de Espacio Público y Sociedad”, Universidad Nacional de La Plata

Acesse o artigo completo (El Canelazo de la Ciudad) pelo link

2014-06-10

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Chique no último

O Globo 18-05-2013, por Ines Garçoni
Vidigal atrai moradores ilustres e ganha status de favela chique

Foto (detalhe): Fabio Seixo / O Globo 
(..) No passado, o Arvrão foi quartel-general dos traficantes, e hoje é o principal exemplo do que pode se tornar o Vidigal num futuro muito próximo. As transformações impulsionadas pela instalação da UPP, que neste domingo completa 16 meses, ganharam ritmo acelerado nos últimos tempos.

Este ano, compraram casas no morro o artista plástico Vik Muniz, a produtora de cinema Jackie De Botton, o casal Cello Macedo e Zazá Piereck, do Zazá Bistrô e Devassa, e o empresário e consultor Rene Abi Jaoudi. Já estão em obras o hostel Favela Nova, com seis quartos, restaurante e clube de jazz, do casal Laetitia Lafayette e Lucas Tavares (ela francesa, e ele, carioca), e o hotel Mirante do Arvrão, da sociedade entre o arquiteto Hélio Pellegrino e o empresário Antônio Rodrigues, dono do Belmonte. Com cinco suítes, cinco quartos de camas múltiplas e um bar, trata-se do maior investimento privado na favela e deve ser inaugurado em julho. Além dos empreendedores, tem crescido o número de moradores egressos de outras paragens, atraídos por aluguéis mais baratos que os da “cidade grande” e pelo clima de interior, como o músico pernambucano Otto, o arquiteto paraibano Pedro Henrique de Cristo, o produtor cultural paulista James Cesari e a atriz carioca Nêga, entre outros. (..) 

2013-05-20