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domingo, 15 de março de 2026

Minha Favela Minha Vida

Agência Brasil 04-03-2026, por Fabíola Sinimbú
https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2026-03/area-ocupada-por-favelas-quase-triplicou-em-40-anos-no-brasil

Área ocupada por favelas quase triplicou em 40 anos no Brasil

Tânia Rêgo/Agência Brasil
As favelas brasileiras cresceram e ocuparam uma área de 92,3 mil hectares nos últimos 40 anos, aponta o Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil, do Mapbiomas, divulgado nesta quarta-feira (4). De acordo com o estudo, as favelas quase triplicaram de tamanho em quatro décadas, e se tornaram 2,75 vezes maiores, enquanto as cidades, de forma geral, cresceram 2,5 vezes. O aumento foi observado entre os anos de 1985 e 2024, quando a área urbana de favelas saltou de 53,7 mil hectares para 146 mil hectares.

O estudo revelou ainda que a dinâmica de crescimento das favelas foi mais intensa nas regiões metropolitanas do país, que em 2024, abrigavam 82% das áreas urbanizadas em favelas. O geógrafo e coordenador do Mapiomas, Júlio Pedrassoli, considera que o crescimento mais acelerado das áreas de favelas em comparação com a média nacional e sua forte concentração em regiões metropolitanas sugerem uma tendência conhecida e preocupante. "As metrópoles concentram muita riqueza, mas também intensificam problemas estruturais. (..)

Apesar da surpreendente dificuldade de se obterem, na Internet, dados atualizados e consistentes da evolução da distribuição de rendimentos familiares no Brasil, alguma pesquisa que acabo de fazer indica que as chamadas classes D e E - grosso modo as faixas 1 e '1,5' do programa Minha Casa Minha Vida - constituem há 10 anos uma proporção aproximada de 50% das famílias brasileiras, vale dizer, um número crescente a despeito da substancial redução recente da pobreza extrema e da pobreza.
[1]

No que se refere à moradia, a imensa maioria dessas famílias só tem, portanto, duas opções: conseguir uma vaga na faixa 1 do MCMV, que regra geral quer dizer uma residência de qualidade duvidosa em algum conjunto habitacional distante de quaisquer facilidades urbanas, ou alugar moradia numa favela dos morros e periferias metropolitanas. À parte a (in)capacidade do MCMV de ofertar apartamentos em quantidade suficiente nessa faixa, quero crer que, nas favelas, a despeito da moradia e da urbanização precárias, as famílias se beneficiam não apenas das redes sociais de apoio comunitário, mas também de uma economia às vezes fervilhante
[2] [3] - o “circuito inferior” de Milton Santos: comércio, indústria e prestação de serviços, ainda que amplamente informais, precários e, às vezes, como também acontece em muitos bairros 'nobres' da cidade, ilegais. 

Ao contrário da maioria dos conjuntos habitacionais da Faixa 1 do MCMV, a favela também é, à sua maneira
, cidade [4], locus de produção e circulação de riqueza na economia de mercado - com suas virtudes e aleijões - razão pela qual os recentes sucessos no combate à pobreza não são, em minha opinião, suficientes para o fim, ou mesmo a redução substancial, da informalidade. 

Isto que nós, urbanistas, chamamos de “o direito à cidade”, vale dizer à cidade formal adequadamente urbanizada e regida pelas instituições do Estado de direito, tem um preço em dinheiro: a capacidade que tenha a família de ofertar renda por um imóvel numa boa localização e de arcar com as demais despesas dessa opção. Embora totalmente favorável a programas de urbanização e regularização fundiária nas favelas, sou de opinião que a solução da moradia informal não está na ‘redução da desigualdade’: está na elevação radical e sustentada - isto é, não sujeita aos retrocessos das crises econômicas recorrentes - do padrão de vida da imensa maioria trabalhadora da nação, com tudo que isso possa implicar no plano da organização econômica da sociedade. Um problema, claro está, que transcende em muito o âmbito do urbanismo, ainda que necessariamente o inclua.

2026-03-15
______
NOTAS

[1] “Brasil chega aos menores níveis de pobreza e extrema pobreza da série histórica do IBGE”, G1 GLOBO 03/12/2025, por Micaela Santos
https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/12/03/brasil-extrema-pobreza-da-serie-historica-do-ibge.ghtml 


[2] Segundo o Instituto Data Favela, a renda das favelas brasileiras somou cerca de R$300 bilhões em 2025, maior que a de 22 estados da federação e que o PIB do Uruguai e do Peru. Ver "Pesquisa revela que favelas têm renda de R$ 300 bilhões ao ano". EBC Radioagência 27-07-2025, por Madson Euler.
[4] CARVALHO Camila L S, “Escalas da Desigualdade Urbana: a Cidade do Rio de Janeiro e as Favelas”. Cadernos do Desenvolvimento Fluminense No. 11 (2016)
https://www.e-publicacoes.uerj.br/.../view/35870/25569

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Conta que não fecha é metrópole capitalista sem periferia

Estadão 18-01-2026, por J C Rodrigues Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção – CBIC

A conta que não fecha nos centros urbanos


Rejeitar o adensamento significa optar pela expansão periférica, uma escolha ambientalmente predatória e socialmente injusta.

O debate sobe as cidades brasileiras precisa urgentemente de lucidez. A maior parte dos problemas urbanos atuais é consequência direta de decisões mal planejadas – ou da completa ausência de políticas públicas - ao longo de décadas. (..)


Confundindo astuciosamente verticalização com adensamento, adeptos do imobiliário desregulado deitam e rolam na tese, hoje em voga em alguns círculos acadêmicos progressistas, de que são as leis do urbanismo, não as do mercado, a causa da segregação espacial e da periferização da pobreza nas grandes metrópoles brasileiras.

2026-01-28

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Sopa no mel

Caos Planejado 09-01-2026, Curso "Do Planejamento ao Caos"
https://www.tiktok.com/@caosplanejado/video/7593314996088622348


É comum ouvir que a solução para as favelas seria “acabar com elas” e realocar as pessoas. Mas essa ideia ignora como e por que esses territórios surgiram.

As favelas não são um erro isolado. Elas são uma resposta direta à ausência do Estado e ao fracasso das políticas habitacionais no Brasil. Ao longo da nossa história urbana, milhões de pessoas foram empurradas para a informalidade porque o acesso ao solo bem localizado se tornou caro, restrito e excludente.

Enquanto isso, políticas públicas e legislações limitaram o potencial construtivo de áreas com boa infraestrutura e incentivaram conjuntos habitacionais distantes, reforçando a segregação e o isolamento.


Hoje, favelas são bairros consolidados. São territórios com laços sociais, trabalho, comércio e história. Tratar esses espaços como algo provisório é ignorar que ali também é cidade.

É preciso reconhecer essa realidade e garantir a presença do Estado com infraestrutura, saneamento, transporte, segurança e serviços públicos de qualidade. Urbanizar esses territórios é uma urgência do planejamento urbano brasileiro. (..)
[Destaque: À beira do urbanismo]

*

Um texto da Caos Planejado tão 'urbanisticamente correto' só pode ter alguma pegadinha. E tem, camuflada numa ordem causal invertida e atenuada por um “enquanto isso”.

Na ordem devida e despojada da etiqueta, a passagem acima destacada nos sugere que milhões de pessoas foram empurradas para a informalidade e segregadas em conjuntos habitacionais distantes... porque o planejamento urbano e suas legislações limitadoras do potencial construtivo tornaram caro, restrito e excludente o acesso ao solo bem localizado.

Ou seja, o livre mercado imobiliário promove a formalidade urbanística, o barateamento do solo e a diversidade social e o planejamento governamental a informalidade, a terra cara e a segregação!

Pergunto: inexistindo as “políticas públicas e legislações [que] limitaram o potencial construtivo de áreas com boa infraestrutura”, teriam “milhões de pessoas" deixado de ser “empurradas para a informalidade”? Teria o planejamento logrado, em comum acordo com a indústria da incorporação, destinar “áreas [centrais e pericentrais] com boa infraestrutura” em quantidade suficiente e preços ao alcance das “milhões de pessoas [que] foram empurradas (..) para conjuntos habitacionais distantes”?

Não me surpreende que a tese, hoje em voga em alguns círculos progressistas, de que a segregação urbana é produto das leis urbanísticas, não das leis do mercado, venha conquistando os liberais adeptos da verticalização travestida de adensamento urbano - vale dizer os paladinos da liberação do potencial construtivo nos nichos locacionais de interesse da incorporação, onde os preços relativos, e com eles a rentabilidade dos empreendimentos, só aumentam!

Na página do curso se lê:

Esse caos que você vê na sua cidade não é um acidente.
Ele foi planejado assim.
Com regras que segregam.
Com leis que afastam moradia, trabalho e serviços.

2026-01-15

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Precariápolis nigeriana

Fonte: https://www.facebook.com/groups/2142240399343434 em 30-12-2025

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Ou as coisas mudaram radicalmente nos últimos cinco anos ou a ONU HABITAT está greenwashing a dura realidade, e a crise de perspectivas, de Lagos, Nigéria, por conta de dois ou três programas ambientais. Considerem este artigo da Money Times / Bloomberg de dezembro de 2019:


Money Times / Bloomberg 22-12-2019
https://www.moneytimes.com.br/nigeria-com-ate-26-milhoes-de-pessoas-lagos-vive-crise-habitacional/

Nigéria: com até 26 milhões de pessoas, Lagos vive crise habitacional

(..) Com menos de 1,5 milhão de habitantes em 1970, Lagos cresce tão rápido que até as estimativas da população variam em mais de 10 milhões.

O centro local de estatísticas afirma que são 26 milhões, o governo federal diz que são 21 milhões e instituições internacionais projetam de 15 a 16 milhões. (..)

Hoje, com um déficit de 2,5 milhões de moradias, mais de dois terços das pessoas em Lagos vivem em favelas que estão entre as piores do mundo, segundo Leilani Farha, relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU).

“As pessoas estão vivendo em algumas das piores, senão as piores, condições que já vi no mundo e eu já estive em todas as grandes favelas na Índia, Quênia e África do Sul , disse Farha durante visita ao país em setembro. Os governantes concordam que a escassez de moradias populares constitui uma crise, mas não sabem como reagir.

“O objetivo de disponibilizar prontamente moradias acessíveis às pessoas de baixa ou média renda que representam a maioria dos nossos cidadãos sempre foi desafiado pelo crescimento cada vez maior da população do estado”, disse Moruf Akinderu-Fatai, comissário estadual de Lagos para habitação, em discurso em 8 de dezembro. (..)

Com vastas riquezas minerais e petróleo, a Nigéria tem a 29ª maior economia do mundo, logo atrás da Noruega. O país também tem o maior número de pessoas na extrema pobreza, que vivem com até US$1,90 e representam 87 milhões dos 200 milhões de habitantes, de acordo com a Brookings Institution. (..)


2026-01-07


domingo, 17 de março de 2024

Ouro, bitcoins e… residências!

SAPO Human Resources 10-03-2024
https://hrportugal.sapo.pt/numero-de-ultramilionarios-aumentou-quase-5-a-nivel-mundial-imagina-quantos-ha-em-portugal/
“(..) Os dados são retirados do The Wealth Report, um estudo anualmente concebido pela Knight Frank que reúne as mais importantes tendências e perspectivas globais do mercado imobiliário – desde 2021 que a imobiliária com sede em Londres está associada à portuguesa Quintela e Penalva. (..) 

Para os investidores, a rentabilidade do mercado residencial foi crucial para estes resultados, com a rentabilidade no investimento do mercado residencial a crescer 3,1%. Houve ainda outros sectores a apresentar resultados positivos a nível global, como o ouro, que subiu 15%, e as Bitcoin, que subiram 155%, invertendo grande parte das perdas sofridas em 2022. (..)”

2024-03-17


quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Entre o martelo e a bigorna

Valor Econômico 22-11-2022
https://valor.globo.com/mundo/noticia/2022/11/22/ocde-descarta-recesso-global-mas-aponta-riscos-significativos.ghtml

A Ásia será o principal motor do crescimento em 2023 e 2024, enquanto a Europa, a América do Norte e a América do Sul ‘verão um crescimento muito baixo’
Devemos lamentar a perspectiva de piora das condições de vida das multidões urbanas ou comemorar a diminuição do ritmo da degradação ambiental planetária?

2022-11-23

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Outorga onerosa, para que te quero

O Globo 24-01-2022, por Rennan Setti
https://blogs.oglobo.globo.com/capital/post/o-que-incomoda-construtoras-do-rio-no-plano-diretor-proposto-por-paes.html


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Imagem e texto: O Globo
Observação #1. "(..) outorga onerosa, que prevê o pagamento de contrapartidas ao poder público para quem construir em um terreno acima de um limite estabelecido na lei" é uma definição equivocada. A Outorga Onerosa permite construir acima dos coeficientes básicos de aproveitamento dos terrenos, mediante pagamento de contrapartida, até os coeficientes máximos estabelecidos pela lei.

Observação #2. A ADEMI Rio é o suprassumo da cupidez empresarial no Brasil. Transição de 10 anos a essa altura do campeonato é o mesmo que Dia de São Nunca.

Observação #3. A outorga onerosa "vai desacelerar lançamentos na cidade" é a ameaça-padrão. Dentro de certos limites e proporcional ao preço de venda do m2 privativo, a outorga onerosa de potencial construtivo apenas recupera, para fins de financiamento urbano, parte da renda de localização de que o incorporador se apropria como sobrelucro do empreendimento.

Observação #4. A outorga onerosa de potencial construtivo deve ser vista como modalidade da obrigação de urbanizar. Da mesma forma como o loteador (negociante de lotes) tem a obrigação de custear a urbanização da gleba e ceder terrenos para equipamentos públicos, o incorporador (negociante de frações ideais) tem a obrigação de custear serviços públicos e equipamentos compatíveis com o adensamento urbano (circulação e transportes, por exemplo) ou compensatórios da distribuição desigual dos benefícios da urbanização.

2022-01-28

sábado, 24 de abril de 2021

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Apontamentos: IAU 2019 - gentrificação e pauperização na região de Paris

IAU île-de-France, “Gentrification et paupérisation au cœur de l’Île-de-France Evolutions 2001-2015 Mai 2019”. Institut d’Amenagement et d’Urbanisme, Mai 2019
https://www.institutparisregion.fr/fileadmin/NewEtudes/Etude_1807/Gentrification_et_pauperisation_complet.pdf

Região Parisiense (Île-de-France)
Tipologia das comunidades segundo
a renda das famílias 2015

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Sou deliberadamente cauteloso, para dizer o mínimo, com a redução da estrutura sócio-espacial das grandes metrópoles contemporâneas ao contraste centro / periferia, ricos / pobres, alta renda / baixa renda, regularmente destacado em um grande número de estudos urbanos contemporâneos. 

Contudo, é inegável que a implosão, em 2008, da retaguarda econômica do Estado do bem-estar vai recriando em todo o mundo, ainda que em ritmos muito distintos, condições urbanas análogas às da primeira metade do século XIX - como disse há poucos dias, com todas as letras, o economista francês Thomas Piketty a propósito da desigualdade no Brasil. 

O estudo acima, produzido e publicado pelo Institut d’Amenagement et d’Urbanisme da região de île-de-France, é a prova inequívoca de que nenhum país está a salvo:

(..) A análise dos dados do período 2001-2015 atesta, em primeiro lugar, num contexto de crescente desigualdade entre municípios e distritos, o reforço dos contrastes entre setores extremos, com uma polarização cada vez mais acentuada entre setores ricos e setores pobres no coração da aglomeração. As disparidades de renda continuam a aumentar no coração da cidade. Estamos testemunhando, por um lado, a consolidação de áreas ricas pelo enriquecimento e disseminação de riqueza para áreas vizinhas um pouco menos ricas e, por outro lado, a pauperização absoluta de setores urbanos inteiros. Em 44 dos municípios mais pobres da região, onde vivem 15% dos residentes da Île-de-France, a renda média em euros constantes caiu entre 2001 e 2015. Ainda faltam poucos executivos para se estabelecer lá. Eles continuam a canalizar o crescimento de famílias imigrantes em Ile-de-France. A concentração de trabalhadores pouco qualificados, muitos deles imigrantes, mais expostos ao aumento do desemprego e a empregos precários, e o aumento de famílias monoparentais (em conexão com o tamanho do estoque social) contribuem para a estigmatização e deterioração da situação financeira dos residentes. (..) 

2020-08-12

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Famílias de baixo padrão

DL News 22-01-2020, por Fernanda Lacerda /FolhaPress

Capacidade de financiar imóvel dos mais pobres caiu 25%
Montagem: À beira do urbanismo
imagens originais: Internet


A capacidade de conseguir um financiamento imobiliário piorou para a metade mais pobre da população entre 2017 e 2018 e, mantida as tendências atuais do aumento da desigualdade, a situação deve seguir se deteriorando.

A análise é dos economistas do Observatório Brasileiro de Crédito Habitacional Henrique Bottura Paiva (pesquisador da UNB e da Fipe) e José Pereira Gonçalves, também  ex-superintendente da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip). (..)

2020-02-08

sábado, 26 de outubro de 2019

Linha da vida

The Economist 10-10-2019 

A ride along Chicago’s red line

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Life expectancy varies by 30 years from one end to the other

Several passengers in one carriage of an “L” train, rattling south on the underground line to Chicago metro station, are unmistakably bourgeois. A grey-haired woman squints at a book of 501 French verbs. Opposite, a bespectacled man reads a study of Arctic peoples. Some seats on, an artist doodles on his pad.

Many well-heeled occupants get off the Red line—a rail service running north-south for 23 miles—at Streeterville, a district where signs of prosperity abound. As an advertising gimmick, a luxury car adorns the L-station roof. At a farmers’ market, installed beside a contemporary art museum, shoppers browse for micro-greens, organic beef and gluten-free tamales. A violinist there explains she busks to save for college. Dollar bills fill her case.

Streeterville has another distinction. Public-health researchers suggest that a baby born here can expect to live for an average of 90 years, the highest life expectancy in Chicago. That is 30 years longer than an infant born in the most blighted parts of Englewood, farther south along the Red line. No city in America has a bigger gap.

Return to the train and much changes the farther south you ride. Passengers are younger, less ostentatiously set on self-improvement. A guard in a stab-vest, his hand on a canister of pepper spray, steps in. He confides that he is tracking a suspect. Reports of crime on the L system doubled from 2015 to last year; violent cases rose by 89%, to 447. This year is worse, he says, and “you can’t ask why any more.” (..) 

2019-10-26

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Não tem urbanismo que dê jeito

Jornal do Brasil / FolhaPress 16-10-2019, por Fernando Canzian 

Diferença de rendimentos entre pobres e ricos é recorde, aponta IBGE

Paraisópolis, São Paulo
Foto: Tuca Vieira 
O rendimento médio mensal do 1% mais rico da população brasileira atingiu, em 2018, o equivalente a 33,8 vezes o ganho obtido pelos 50% mais pobres. No topo, o rendimento médio foi de R$ 27.744; na metade mais pobre, de R$ 820.

A diferença entre os rendimentos obtidos pelo 1% mais rico e dos 50% mais pobres no ano passado é recorde na série histórica da PNADC (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua) do IBGE, iniciada em 2012.

(..) os 10% da população com os maiores ganhos detinham, no ano passado, 43,1% da massa de rendimentos (R$ 119,6 bilhões). Na outra ponta, os 10% mais pobres ficavam com apenas 0,8% da massa (R$ 2,2 bilhões).

(..) Apesar da extrema concentração de renda mostrada na pesquisa, ela não revela outros aspectos da questão. Como se trata de uma pesquisa domiciliar, a partir de um questionário, as pessoas mais ricas e com outras fontes de renda -sobretudo de aplicações financeiras e aluguéis- tendem a não mencionar esses ganhos quando abordadas.

Já o Relatório da Desigualdade Global, da Escola de Economia de Paris e que agrega pesquisas domiciliares, contas nacionais (onde constam subsídios e incetivos a grupos) e declarações de imposto de renda, sustenta que a concentração de renda no Brasil é ainda maior: o 1% mais rico se apropria de 28,3% dos rendimentos brutos totais. Na outra ponta, os 50% mais pobres ficam com apenas 13,9% do conjunto de todos os rendimentos. (..) 

2019-10-24


quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Muito mais do mesmo

Folha de S Paulo 03-09-2019, por Artur Rodrigues

Pelos lados e para o alto, S Paulo cresce 60% em área construída em 25 anos

Levantamento feito a partir de IPTU indica gentrificação no centro e 'cidades' sem estrutura na periferia

Conjunto Habitacional Barro Branco
Cidade Tiradentes - S Paulo

Imagem: Internet
Do alto, Cidade Tiradentes é composta de grandes fileiras de conjuntos habitacionais que lembram peças de dominó. Ao redor dos prédios, pequenas casas se espalham, avançando sobre montanhas ainda verdes.

Casas e prédios não param de ser construídos no bairro no extremo leste da cidade de São Paulo, onde, proporcionalmente, deu-se a maior expansão de área construída dos últimos 25 anos: 1.617%.

Levantamento realizado pela Folha a partir de bases de dados da Secretaria Municipal de Urbanismo e do cadastro do IPTU municipal mostra que São Paulo avança pelas bordas e para cima, de forma desenfreada e desigual.

No último quarto de século, a área construída regularizada (e frise-se o regularizada) na capital paulista aumentou 60%, de 330 milhões de metros quadrados para 531 milhões. É o dobro do avanço registrado pela população da cidade, de 30% no período.
Município de S Paulo
Localização dos bairros citados:
Cid Tiradentes, Barra Funda (azul)
e Centro (vermelho)
Os dados indicam que o boom imobiliário na cidade empurrou pessoas de baixa renda para os extremos antes de o transporte e serviços chegarem, enquanto bairros nobres se verticalizaram radicalmente e ficaram ainda mais caros.
 
(..) Em bairros centrais, com ampla infraestrutura, residências horizontais consideradas de baixo padrão foram demolidas para dar lugar a prédios de classes média e alta — o fenômeno conhecido como gentrificação.
 
Com duas estações de metrô, equipamentos culturais e unidades médicas, a Barra Funda, por exemplo, reduziu em 46% o número de lotes residenciais horizontais simples, enquanto apartamentos de alto padrão cresceram acima de 1.000%, e os de baixo, 25%.

Esses apartamentos menores e mais baratos foram empurrados para dez distritos da periferia, onde a área que ocupam chegou a aumentar mais de 1.000% na esteira do programa Minha Casa Minha Vida. (..)

2019-09-04


sábado, 3 de agosto de 2019

Cem anos de segregação

New York Times 03-08-2019, por Adam Green (prof. de História da Univ. de Chicago)
https://www.nytimes.com/2019/08/03/opinion/how-a-brutal-race-riot-shaped-modern-chicago.html 

How a Brutal Race Riot Shaped Modern Chicago 

Chicago Tribune historical photo
http://galleries.apps.chicagotribune.com/chi-vintage-1919-race-riot-photos-20140819/
(..) If the 1920s saw an upsurge in black culture and awareness, it also saw a sustained, violent backlash by whites, from the rebirth of the Klan to an epidemic of lynching to housing segregation.

That backlash was on stark display in Chicago. The city’s white real estate agents helped pioneer new tactics in segregation. By 1927 the Chicago Real Estate Board had drafted its own version of a restrictive covenant, a binding contract enjoining white homeowners from selling property to nonwhites. Within a decade, such contracts governed three-fourths of Chicago’s residential property. Upheld routinely by municipal judges, restrictive covenants carried the force of law until overturned by the Supreme Court in 1948.

Other measures, including redlining, contract selling, mortgage discrimination and steering, maintained racial exclusion across much of Chicago long after the passage of national civil rights laws in the 1960s. Together with continued discrimination against black renters, and an expansive public housing system dedicated to shifting poorer African-Americans out of the general housing market, these policies deepened racial separation in the city with each passing decade. By 1970, census data certified Chicago as a hyper-segregated municipality, a designation it would retain until the start of the new millennium. The collateral effects of this separation consigned blacks to grossly unequal resources and outcomes related to employment, education, housing, health and safety that inform the stark social problems of the city today. (..)

Ver também
BYRNES, Mark. “40 Years of Chicago's Rising Inequality, in One GIF”, CityLAb 02-04-2014

Chicago 1970-2012 - Renda familiar média como % da média metropolitana 
Por Daniel Hertz, masters student at the 
Harris School of Public Policy at the University of Chicago

2019-08-03

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Paris é pra quem pode

Le Monde / Cities 11-06-2019, por Soazig Le Nevé

A Paris, des classes moyennes en voie de disparition

Gustave Eiffel by Edward L Sambourne 1889
Fonte: Internet
(..) Avec ses 105 km², Paris intra-muros attire des populations aux profils de plus en plus contrastés, les très riches s’établissant dans « l’ancien » et les très pauvres dans des logements sociaux. L’Institut d’aménagement et d’urbanisme (IAU) de la région Ile-de-France note un accroissement significatif des ménages les plus aisés dans les 7e et 8e arrondissements.

L’enrichissement touche également des quartiers proches, «par un effet de diffusion et de consolidation des territoires de la richesse», observe-t-il dans une étude [*] parue début juin consacrée à la gentrification et à la paupérisation en Ile-de-France.

(..) «Paris est en train de devenir un repaire pour super-riches, corrobore Emmanuel Trouillard, géographe chargé d’études sur le logement à l’IAU. Des familles s’en vont, des écoles ferment dans les arrondissements du centre de la capitale… Le problème de Paris, c’est de maintenir l’accès des classes moyennes au logement intermédiaire et au logement social.»

(..) Une nouvelle catégorie de population tire son épingle de ce jeu immobilier : les touristes. A la faveur du succès des plates-formes comme Airbnb ou Abritel, un marché parallèle s’est créé, venant assécher un peu plus l’offre locative privée. « Airbnb tue beaucoup de quartiers. En quatre ans, le marché locatif traditionnel a perdu 20 000 logements », dénonce Ian Brossat, adjoint à la maire de Paris chargé du logement. 
(..)

2019-06-13
______
[*] O estudo Gentrification et paupérisation au cœur de l’Île-de-France - évolutions 2001-2015 (pdf 84 pp) pode ser acessado pelo link

terça-feira, 4 de junho de 2019

A desigualdade espacial na Região Parisiense

Le Monde / Logement 03-06-2019, por Denis Cosnard
 https://www.lemonde.fr/societe/article/2019/06/03/ghettos-de-riches-ghettos-de-pauvres-les-inegalites-se-creusent-en-region-parisienne_5470646_3224.html

Região Parisiense (Île-de-France)
Tipologia das comunidades segundo
a renda das famílias 2015
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Ghettos de riches, ghettos de pauvres : les inégalités se creusent en Ile-de-France

Tandis que les quartiers bourgeois s’enrichissent encore, une « paupérisation absolue » frappe des « secteurs urbains entiers », selon une étude.

(..) C’est ce que montre une édifiante étude publiée lundi 3 juin par l’Institut d’aménagement et d’urbanisme (IAU), un organisme qui dépend de la région Ile-de-France. En partant de statistiques sur les revenus, les logements, les types de ménages, etc., elle souligne combien les inégalités se sont creusées depuis une quinzaine d’années dans la région parisienne. 

Inégalités entre individus, mais aussi entre départements, communes et quartiers : malgré tous les efforts, toutes les « politiques de la ville », la mixité sociale recule. Avec des « ghettos de riches » de plus en plus clos sur eux-mêmes, et des « ghettos de pauvres » qui s’enfoncent dans les difficultés. D’un côté, les beaux quartiers de l’Ouest parisien comme le 8e arrondissement, Neuilly-sur-Seine (Hauts-de-Seine) ou Le Vésinet (Yvelines). De l’autre, les cités des Misérables.
L’Ile-de-France est de longue date « la région où les inégalités sont les plus marquées, du fait de la concentration de populations très aisées », rappelle l’étude. (..)
2019-06-04

segunda-feira, 25 de março de 2019

Social, climat, même combat!

Agência Brasil 18-03-2019, por Heloisa Cristaldo
http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-03/falta-saneamento-basico-para-2-bilhoes-de-pessoas-no-mundo-diz-onu

Falta saneamento básico para 2 bilhões de pessoas no mundo, diz ONU

Mais de 2 bilhões de pessoas carecem de serviços básicos de saneamento básico no mundo, diz relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o desenvolvimento mundial da água,. A publicação Não Deixar Ninguém Para Trás será lançada nesta terça-feira (19) durante a 40ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.

De acordo com o relatório, apesar do progresso nos últimos 15 anos, o direito à água potável segura e limpa e ao saneamento é inacessível para grande parte da população mundial. Em 2015, três em cada 10 pessoas (2,1 bilhões) não tinham acesso a água potável e 4,5 bilhões de pessoas, ou seis em 10, não tinham instalações de saneamento com segurança.

“Se a degradação do meio ambiente e a pressão insustentável sobre os recursos hídricos globais continuarem no ritmo atual, 45% do Produto Interno Bruto global e 40% da produção global de grãos estarão em risco até 2050. Populações pobres e marginalizadas serão afetadas de forma desproporcional, agravando ainda mais as desigualdades”, ressalta o presidente da ONU-Água e presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Gilbert F. Houngbo.

Segundo Houngbo, o documento aponta a necessidade de adaptar abordagens, tanto na política quanto na prática, para abordar as causas da exclusão e da desigualdade. (..) 

2019-03-25

sexta-feira, 3 de março de 2017

A favela também é desigual

CARVALHO Camila L S, “Escalas da Desigualdade Urbana: a Cidade do Rio de Janeiro e as Favelas”. Cadernos do Desenvolvimento Fluminense No. 11 (2016)
https://www.e-publicacoes.uerj.br/.../view/35870/25569

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RESUMO DA AUTORA

No Brasil, o senso comum aponta as favelas como o lugar urbano da pobreza, da violência e marginalidade, por excelência. O objetivo deste trabalho é mostrar que essa descrição das favelas como bolsões de pobreza só é pertinente numa determinada estratégia de agregação espacial dos dados censitários – ou seja, uma certa escala geográfica. Quando a análise é feita considerando os limites de uma favela individual, o que emerge é um mosaico de faixas de renda, a exemplo do observado na escala da cidade. A hipótese deste trabalho é de que as favelas possuem uma estrutura socioespacial análoga à da cidade, caracterizando-as como uma espécie de “cidades dentro da cidade”. Utilizando dados do Censo, agregados ao nível do setor censitário, calculamos o Índice de Moran para a variável renda e, uma vez identificados os clusters de alta e baixa renda, analisamos os dados socioeconômicos e de infraestrutura, relativos a 2010. Estudamos os três maiores agrupamentos de favelas no Rio de Janeiro: Rocinha, Complexo do Alemão e Fazenda Coqueiro. Os resultados indicaram que as favelas têm reproduzido a desigualdade observada na escala da cidade. Articuladas à estrutura urbana mais ampla, as favelas se comportam como fractais, na medida em que também reproduzem esta estrutura.

2027-03-03

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Rio Metrópole

G1 Rio de Janeiro 23-08-2015, por G1 Rio

Niterói e Baixada contrastam em mapa da desigualdade no Rio

Ex-capital da Guanabara possui 92,8% do esgoto tratado e maior renda.

Baixada tem "índice assustador de homicídios", diz coordenador.

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Niterói é líder nas estatísticas referentes à renda individual per capita e esgotamento sanitário, com quase R$ 2,8 mil de renda e 92,8% do esgoto tratado. No último lugar nas estatísticas, está o município de Maricá, com apenas 12,8% do esgoto tratado. Já Nova Iguaçu e Belford Roxo, na Baixada Fluminense, são as cidades com maior índice de homicídios e menor renda individual per capita. A capital, Rio de Janeiro, apresenta 80,9% das casas com rede de esgoto, índices de homicídio na faixa dos 19 por 100 mil habitantes e pouco mais de R$ 2 mil de renda individual.

Os dados de 21 cidades da região Metropolitana, aos quais o G1 teve acesso, formam o Mapa da Desigualdade, organizado pela Casa Fluminense. O Mapa foi apresentado neste sábado (22), na 5ª edição do Fórum Rio, em São Gonçalo, na Região Metropolitana. O mapa mostra a região com base em 21 indicadores, divididos por sete temas: Mobilidade Urbana, Mercado de Trabalho, Pobreza e Renda, Saúde, Educação, Segurança Pública e Saneamento. (..)

Acesse o Mapa da Desigualdade / Casa Fluminense pelo link
http://casafluminense.org.br/mapa-da-desigualdade/

2015-08-24