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quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

A roda da fortuna

O Estado de S Paulo 23-12-2023
https://www.estadao.com.br/economia/reboucas-renasce-escritorios-faria-lima/

Quem sabe o “mercado”, sem se dar conta, continua subindo a Rebouças até a Paulista, engrena pela Consolação e segue pela Xavier de Toledo até o Viaduto do Chá?

Estaria resolvido o angustioso problema da revitalização do Centro Histórico de São Paulo!!

2023-01-03

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Vitalidade dos grandes centros: o dilema

Financial Times 10-10-2023
https://www.ft.com/content/698f41af-0d88-424b-80b0-241be01dac35


O relativo esvaziamento dos escritórios centrais das grandes metrópoles segue sendo tema recorrente na imprensa de negócios 
do mundo norte-atlântico.

Embora a Covid e o trabalho remoto sejam os culpados preferenciais, a situação não seria tão aflitiva se a economia global estivesse numa trajetória de crescimento sustentado, ainda que “por baixo”, e minimamente distribuído.

Transparece mais ou menos claramente nessas matérias já não digo a apreensão dos proprietários de imóveis comerciais com a desvalorização de suas torres, mas, principalmente, o temor de que essa desvalorização provoque efeitos em cadeia na economia, com consequências imprevisíveis.

Nós, urbanistas, costumamos lamentar a “perda de vitalidade” dos Centros de nossas grandes cidades. Mas eu me permito observar que, numa economia cada vez mais tendente à concentração da riqueza e ao trabalho precário, a manutenção disso chamamos de “vitalidade dos centros urbanos” supõe taxas de crescimento econômico que expandirão ainda mais as grandes metrópoles e suas fabulosas deseconomias, aí incluídos os impactos sócio-ambientais que hoje constituem o problema crítico da civilização capitalista.


Pergunto-me todos os dias como sair desse impasse.

2023-10-18

domingo, 3 de março de 2019

Muvuca em Floripa

ND Florianópolis 02-03-2019, por Redação 

Plano Diretor do Centro Histórico de Florianópolis prevê moradias e diversidade cultural
Imagem: ND Florianópolis


Presença de bares reativou ocupação urbana da região, mas reclamações de barulho transformam local em palco de intervenções policiais violentas

Segundo o arquiteto e urbanista Michel Mittmann, que está à frente dos estudos do projeto no IPUF, a proposta prevê a multiplicidade de uso daquela região da cidade, que por anos foi alvo de críticas por conta do abandono por parte do poder público. “O lado leste do Centro só será rico se tiver diversidade de usos, de públicos e classes sociais”, aponta.

Em longo prazo, a ideia é revitalizar as fachadas dos casarões históricos, integrar o local com a rede de BRTs e integrar a área nobre com as regiões mais carentes que rodeiam o centro. Para os próximos meses, a proposta é a criação de corredores exclusivos para pedestres, a redução de carros nas vias da região e a ordenação de mesas e cadeiras na via pública.
“Urbanismo é um processo. Por isso, antes de apresentarmos os projetos para a região, nós vamos criar um plano, que vai tratar da questão de mobilidade, economia, preservação do patrimônio, entre outros”, explicou.

A proposta, que vai alterar zoneamento e uso do solo, está inserida dentro de um triângulo imaginário que vai desde o Instituto Estadual de Educação até o IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), sendo os dois pontos ligados a Praça 15 de Novembro. 

A repaginação do lado leste vai integrar o Centro Histórico aos inúmeros conjuntos e bens tombados que circundam a região, como o Mercado Público, o Monumento a Fernando Machado, o Memorial Meyer Filho, a Praça XV de Novembro, o Palácio Cruz e Sousa, o Largo da Alfândega, a Catedral Metropolitana, o Museu da Escola Catarinense e o Teatro Álvaro de Carvalho. (..)

2019-03-03

sábado, 14 de dezembro de 2013

"Novos Rumos para o Centro do Rio de Janeiro: os significados da prosperidade do petróleo"

BELEM, Alice Amorim (Dissertação de Pós-Graduação em Engenharia Urbana)

Figura 23. Incêndio no Edifício Andorinhas
e seu retrofit (Edifício Torre Almirante)
À beira do urbanismo traz aos seus leitores o trabalho da arquiteta e urbanista Alice Amorim Belem - elaborado sob orientação do Prof. Jorge Luis Alves Natal, D.Sc. - de conclusão do Curso de Pós-Graduação em Engenharia Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2013. 


Sem subestimar a importância do binômio Grandes Eventos-Operação Urbana Porto Maravilha no processo de renovação urbanística, edilícia e simbólica da região central do Rio de Janeiro, Alice aponta para a importância de um vetor talvez muito mais profundo e duradouro: a economia do petróleo.

Apoiando-se em significativa iconografia e farta base documental, a autora descreve a curva do desenvolvimento urbano recente do Centro do Rio segundo três fases distintas: "A Crise", de fins do século passado, período de decadência econômica e degradação do patrimônio num cenário de emergência de novas centralidades; "A Virada" da virada do milênio, período de reafirmação do Centro como "lugar" urbano de complexidade singular - de trocas, de transações e trabalho, de aprendizado, de transformações, de preservação, conservação e história, de uso público e de moradia; "A Prosperidade do Petróleo" atual, "tempo de revalorização imobiliária e locacional", em que "antigos vazios urbanos dão lugar a novos empreendimentos" e em que o Centro "se reinventa sobre si mesmo" reafirmando-se "não só como lugar de negócios como também um ambiente rico em opções de lazer e cultura" e dando "sinais de que possui demanda econômica robusta o bastante para expandir seus limites [para além do] núcleo configurado pela Área Central de Negócios (ACN), em especial a Portuária e a Cidade Nova". 
Mapa 19. Empresas do setor de Petróleo e Gás no Centro


Convido os leitores à leitura da dissertação tendo em mente a seguinte proposição de sua autora: "A prosperidade do petróleo no Brasil possui um significado especial para o Centro do Rio de Janeiro e vincula-se ao processo de revitalização desta área".


Novos Rumos para o Centro do Rio de Janeiro: os significados da prosperidade do petróleo
INTRODUÇÃO
Este trabalho tem como objetivo analisar o papel da indústria do petróleo e gás na dinâmica econômica do Rio de Janeiro, com foco na sua área central e em especial no bairro Centro.

A ideia é contribuir para o conhecimento do significado e importância do Centro para o município (e para o estado), através do levantamento de uma série de informações que o caracterizam, e investigar de que forma a indústria do petróleo e gás contribui no processo de renovação da área e na sua reafirmação como coração dos negócios e serviços da cidade.

O Centro do Rio de Janeiro foi a capital da república até 1960. Dessa forma lá se instalaram sedes de órgãos do governo, grandes instituições e importantes equipamentos urbanos.

Com a mudança da capital para Brasília, a saída da Bolsa de Valores para São Paulo, a expansão da cidade para outras áreas, e a redução dos investimentos, o Centro do Rio de Janeiro passou por um longo período marcado pela decadência e pelo esvaziamento econômico, populacional e financeiro.

No entanto, mais recentemente observa-se uma inflexão no processo de desenvolvimento expresso através de novas dinâmicas como o aquecimento do mercado imobiliário; o incentivo ao turismo; a criação de polos culturais; a proliferação de instituições de ensino técnico, superior e de pós-graduação; a chegada (ou permanência) de empresas de diversos setores; e os investimentos estrangeiros na cidade, sobretudo com a expectativa dos megaeventos nos próximos anos.

O Rio de Janeiro será sede da Copa do Mundo, em 2014, e dos Jogos Olímpicos, em 2016, o que tem provocado diversas mudanças na configuração da cidade com desapropriações para execução de obras viárias, instalação de grandes equipamentos esportivos, investimento em políticas sociais e de segurança, dentre outras.

Nesse contexto é possível observar os vultosos investimentos que a indústria do petróleo tem trazido para o estado através dos royalties, gerando alterações na dinâmica fluminense com obras de viárias, de infraestrutura, e novos empreendimentos residenciais e comerciais. Ressaltam-se as transformações na dinâmica econômica do estado devido à forte atração de empresas de consultoria, prestadoras de serviços, de venda de tecnologia e equipamento. Da mesma forma observa-se a chegada de mão-de-obra qualificada ou em busca de qualificação na região.

A metodologia utilizada para desenvolvimento deste trabalho incluiu muitas pesquisas. Através de periódicos, como os jornais O Globo e Jornal do Brasil, foi possível estudar os acontecimentos recentes; empresas e organizações (Geofísica Brasil, Ademi, Petrobras) possibilitaram o entendimento sobre a dinâmica imobiliária do Centro e a dinâmica do setor de petróleo e gás no Rio de Janeiro e no Brasil; e ainda através de órgãos públicos das instâncias federal, estadual e municipal (Casa Civil, ANP, Governo Estadual, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro), deu-se o acesso à regulamentação do setor e à legislação urbanística da cidade.

A revisão bibliográfica aprofundou o conceito de centralidade através de CORREA (1995); os trabalhos acadêmicos forneceram outras abordagens sobre o Centro e o conceito de centralidade; os textos BUENO e CASARIN (2011) e MOTA, PONTES, TAVARES, CARVALHO e TOTTI (2007) permitiram aprofundar os conhecimentos sobre a área de óleo e gás e as dinâmicas do setor; e os livros de NATAL (2007 e 2009) deram um panorama sobre a economia fluminense recente. 
O trabalho foi dividido em quatro capítulos. O primeiro capítulo oferece um panorama sobre o Centro do Rio de Janeiro, identificando as características mais marcantes do seu território. O segundo capítulo aborda o processo de esvaziamento e decadência do Centro, enquanto o terceiro trata do período seguinte, da revitalização. O quarto e último capítulo apresenta um panorama da atividade de petróleo e gás no Brasil, no estado, no município, e no Centro, e reúne ainda uma série de evidências sobre a relação da reconfiguração do território com as novas dinâmicas em curso. (Continua)
Acesse a íntegra da dissertação pelo link 

2013-12-14

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Império das Empreiteiras: Niterói cai no samba

O Globo 10-06-2013, por Luiz Gustavo Schmitt
http://oglobo.globo.com/bairros/prefeitura-de-niteroi-espera-1-bi-para-revitalizar-centro-8626388

Prefeitura de Niterói espera R$ 1 bi para revitalizar o Centro

Fonte: ppt que circula pela Internet, aqui sem os nomes e logotipos das empreiteiras, é claro

Um acinte à cidade, à democracia e aos milhões de trabalhadores urbanos brasileiros, sob os auspícios - é de se lamentar - do PT, do PV e do CEPAC!
A sequencia desta postagem foi retirada pelo blogueiro por considerá-la de mau gosto e, também, por ferir uma decisão editorial anteriormente tomada de não tratar, em À beira do urbanismo, de temas de política partidária. Ele poderá, se quiser, fazê-lo em outro blog ou no facebook, por exemplo.
Cabe, talvez, num futuro próximo, desenvolver o tema de por que é cada vez mais difícil escrever sobre política urbana sem abordar a política em geral e a partidária em particular. Quem, afinal, governa as nossas cidades?
Nova York, Pequim, Atenas, Cidade do Cabo, Cairo, Istambul, São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói: as culturas são distintas, mas os problemas muito parecidos. Não por acaso. Em todas as grandes cidades do mundo paira, acima dos governos, uma compacta e intrincada rede mundial de concessionárias, empreiteiras, imobiliárias e proprietários de grandes eventos, além, é claro, de financeiras e bancos privados.
Como deixa claro a crise turca, é cada vez mais frágil e precária a barreira que hoje separa as reivindicações elementares das populações urbanas dos grandes cataclismos políticos. A culpa não é, decerto, do blogueiro furibundo. Mais provavelmente, é do papel crítico que tem, na economia contemporânea, a exploração privada cada vez mais predatória dos bens públicos, dos serviços essenciais e não essenciais e da renda da terra urbana; e, consequentemente, da influência que costumam adquirir seus principais beneficiários diretos e indiretos no governo das grandes cidades.
É por isso que, em se tratando das grandes operações urbanas contemporâneas, cada caso está longe de ser um caso. Ao contrário, cada caso é, em princípio, o mesmo caso. E cabe ao réu provar que é inocente.
2013-06-10