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domingo, 15 de março de 2026

Minha Favela Minha Vida

Agência Brasil 04-03-2026, por Fabíola Sinimbú
https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2026-03/area-ocupada-por-favelas-quase-triplicou-em-40-anos-no-brasil

Área ocupada por favelas quase triplicou em 40 anos no Brasil

Tânia Rêgo/Agência Brasil
As favelas brasileiras cresceram e ocuparam uma área de 92,3 mil hectares nos últimos 40 anos, aponta o Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil, do Mapbiomas, divulgado nesta quarta-feira (4). De acordo com o estudo, as favelas quase triplicaram de tamanho em quatro décadas, e se tornaram 2,75 vezes maiores, enquanto as cidades, de forma geral, cresceram 2,5 vezes. O aumento foi observado entre os anos de 1985 e 2024, quando a área urbana de favelas saltou de 53,7 mil hectares para 146 mil hectares.

O estudo revelou ainda que a dinâmica de crescimento das favelas foi mais intensa nas regiões metropolitanas do país, que em 2024, abrigavam 82% das áreas urbanizadas em favelas. O geógrafo e coordenador do Mapiomas, Júlio Pedrassoli, considera que o crescimento mais acelerado das áreas de favelas em comparação com a média nacional e sua forte concentração em regiões metropolitanas sugerem uma tendência conhecida e preocupante. "As metrópoles concentram muita riqueza, mas também intensificam problemas estruturais. (..)

Apesar da surpreendente dificuldade de se obterem, na Internet, dados atualizados e consistentes da evolução da distribuição de rendimentos familiares no Brasil, alguma pesquisa que acabo de fazer indica que as chamadas classes D e E - grosso modo as faixas 1 e '1,5' do programa Minha Casa Minha Vida - constituem há 10 anos uma proporção aproximada de 50% das famílias brasileiras, vale dizer, um número crescente a despeito da substancial redução recente da pobreza extrema e da pobreza.
[1]

No que se refere à moradia, a imensa maioria dessas famílias só tem, portanto, duas opções: conseguir uma vaga na faixa 1 do MCMV, que regra geral quer dizer uma residência de qualidade duvidosa em algum conjunto habitacional distante de quaisquer facilidades urbanas, ou alugar moradia numa favela dos morros e periferias metropolitanas. À parte a (in)capacidade do MCMV de ofertar apartamentos em quantidade suficiente nessa faixa, quero crer que, nas favelas, a despeito da moradia e da urbanização precárias, as famílias se beneficiam não apenas das redes sociais de apoio comunitário, mas também de uma economia às vezes fervilhante
[2] [3] - o “circuito inferior” de Milton Santos: comércio, indústria e prestação de serviços, ainda que amplamente informais, precários e, às vezes, como também acontece em muitos bairros 'nobres' da cidade, ilegais. 

Ao contrário da maioria dos conjuntos habitacionais da Faixa 1 do MCMV, a favela também é, à sua maneira
, cidade [4], locus de produção e circulação de riqueza na economia de mercado - com suas virtudes e aleijões - razão pela qual os recentes sucessos no combate à pobreza não são, em minha opinião, suficientes para o fim, ou mesmo a redução substancial, da informalidade. 

Isto que nós, urbanistas, chamamos de “o direito à cidade”, vale dizer à cidade formal adequadamente urbanizada e regida pelas instituições do Estado de direito, tem um preço em dinheiro: a capacidade que tenha a família de ofertar renda por um imóvel numa boa localização e de arcar com as demais despesas dessa opção. Embora totalmente favorável a programas de urbanização e regularização fundiária nas favelas, sou de opinião que a solução da moradia informal não está na ‘redução da desigualdade’: está na elevação radical e sustentada - isto é, não sujeita aos retrocessos das crises econômicas recorrentes - do padrão de vida da imensa maioria trabalhadora da nação, com tudo que isso possa implicar no plano da organização econômica da sociedade. Um problema, claro está, que transcende em muito o âmbito do urbanismo, ainda que necessariamente o inclua.

2026-03-15
______
NOTAS

[1] “Brasil chega aos menores níveis de pobreza e extrema pobreza da série histórica do IBGE”, G1 GLOBO 03/12/2025, por Micaela Santos
https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/12/03/brasil-extrema-pobreza-da-serie-historica-do-ibge.ghtml 


[2] Segundo o Instituto Data Favela, a renda das favelas brasileiras somou cerca de R$300 bilhões em 2025, maior que a de 22 estados da federação e que o PIB do Uruguai e do Peru. Ver "Pesquisa revela que favelas têm renda de R$ 300 bilhões ao ano". EBC Radioagência 27-07-2025, por Madson Euler.
[4] CARVALHO Camila L S, “Escalas da Desigualdade Urbana: a Cidade do Rio de Janeiro e as Favelas”. Cadernos do Desenvolvimento Fluminense No. 11 (2016)
https://www.e-publicacoes.uerj.br/.../view/35870/25569

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Precariápolis nigeriana

Fonte: https://www.facebook.com/groups/2142240399343434 em 30-12-2025

Clique na imagem para ampliar


Ou as coisas mudaram radicalmente nos últimos cinco anos ou a ONU HABITAT está greenwashing a dura realidade, e a crise de perspectivas, de Lagos, Nigéria, por conta de dois ou três programas ambientais. Considerem este artigo da Money Times / Bloomberg de dezembro de 2019:


Money Times / Bloomberg 22-12-2019
https://www.moneytimes.com.br/nigeria-com-ate-26-milhoes-de-pessoas-lagos-vive-crise-habitacional/

Nigéria: com até 26 milhões de pessoas, Lagos vive crise habitacional

(..) Com menos de 1,5 milhão de habitantes em 1970, Lagos cresce tão rápido que até as estimativas da população variam em mais de 10 milhões.

O centro local de estatísticas afirma que são 26 milhões, o governo federal diz que são 21 milhões e instituições internacionais projetam de 15 a 16 milhões. (..)

Hoje, com um déficit de 2,5 milhões de moradias, mais de dois terços das pessoas em Lagos vivem em favelas que estão entre as piores do mundo, segundo Leilani Farha, relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU).

“As pessoas estão vivendo em algumas das piores, senão as piores, condições que já vi no mundo e eu já estive em todas as grandes favelas na Índia, Quênia e África do Sul , disse Farha durante visita ao país em setembro. Os governantes concordam que a escassez de moradias populares constitui uma crise, mas não sabem como reagir.

“O objetivo de disponibilizar prontamente moradias acessíveis às pessoas de baixa ou média renda que representam a maioria dos nossos cidadãos sempre foi desafiado pelo crescimento cada vez maior da população do estado”, disse Moruf Akinderu-Fatai, comissário estadual de Lagos para habitação, em discurso em 8 de dezembro. (..)

Com vastas riquezas minerais e petróleo, a Nigéria tem a 29ª maior economia do mundo, logo atrás da Noruega. O país também tem o maior número de pessoas na extrema pobreza, que vivem com até US$1,90 e representam 87 milhões dos 200 milhões de habitantes, de acordo com a Brookings Institution. (..)


2026-01-07


quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Entre o martelo e a bigorna

Valor Econômico 22-11-2022
https://valor.globo.com/mundo/noticia/2022/11/22/ocde-descarta-recesso-global-mas-aponta-riscos-significativos.ghtml

A Ásia será o principal motor do crescimento em 2023 e 2024, enquanto a Europa, a América do Norte e a América do Sul ‘verão um crescimento muito baixo’
Devemos lamentar a perspectiva de piora das condições de vida das multidões urbanas ou comemorar a diminuição do ritmo da degradação ambiental planetária?

2022-11-23

quarta-feira, 1 de junho de 2022

A gente quer inteiro, não pela metade

O Globo 30-05-2022 
https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2022/05/chuvas-em-pernambuco-para-especialistas-falhas-no-planejamento-urbano-e-na-resposta-a-crise-explicam-tragedia.ghtml
My News 29-05-2022
https://canalmynews.com.br/mais/sobe-para-56-o-numero-de-mortes-registradas-em-pernambuco-vigilancia-em-saude-do-estado-aponta-70-obitos-urbanista-explica-culpa-nao-e-das-chuvas/


Toda vez que ocorre uma tragédia socioambiental urbana no Brasil, os jornalões vêm com a mesma lenga-lenga: “falta planejamento”!

Não conheço os “especialistas” consultados pel’O Globo, mas acho que não faz a menor diferença: é muito possível que o editor tenha selecionado, em seus depoimentos, aspectos técnicos secundários e frases que eludem questões constrangedoras, ou mesmo que as perguntas críticas sequer lhes tenham sido feitas.

Não me espantaria, considerando que a foto que ilustra a matéria mostra um automóvel de boa qualidade trafegando por uma avenida alagada, e não, como seria de esperar, os efeitos da enxurrada em uma área de risco densamente ocupada por habitações.

Por isso justapus à imagem d’O Globo uma foto publicada no MyNews, seguida do trecho de um depoimento digno de ser lido.

É preciso insistir: não falta planejamento. Todas as grandes cidades brasileiras dispõem de instituições de planejamento de grande tradição e pessoal técnico altamente capacitado. Faltam, sim, condições materiais e políticas para que o planejamento urbano possa produzir efeitos relevantes e não apenas “migalhas para os pobres”, como recém denunciou a urbanista e professora Nadia Somekh*.

Falta gasto público em infraestrutura urbana e moradia social; faltam impostos sobre a renda fundiária, incluído o capital investido em rendas fundiárias, para financiá-las; falta intervenção estatal no mercado de terras e benfeitorias para permitir o acesso dos trabalhadores às localizações centrais e pericentrais já urbanizadas. E faltam, sobretudo, rendimentos que permitam às famílias trabalhadoras ter acesso à moradia de qualidade como quaisquer outros cidadãos. 

Nada disso é simples de fazer no plano técnico e menos ainda no político. Mas eu diria que a primeira providência é deixarmos, os planejadores e os trabalhadores,  de nos contentar com migalhas.

2022-06-01

_____
NOTA

[*]“'O que o Plano Diretor deu aos pobres foi migalha', diz urbanista”. Folha de S Paulo 25-05-2022
https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2022/05/o-que-o-plano-diretor-deu-aos-pobres-foi-migalha-diz-urbanista.shtml

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Precariápolis: liberalismo da necessidade

Dinheiro Rural 02-04-2022, por O Estado de S Paulo “Ao Estadão, um dos menores que vive no local disse que o pai mora na zona leste e a mãe, em Minas Gerais com a avó. Ele saía todo dia da zona leste para vender bala na Avenida Paulista e voltava à noite para casa. Foi quando conheceu outros meninos que também vendiam doces no local e decidiu não voltar mais para casa para viver no vão livre do Masp. "Minha mãe mora muito longe e o meu pai briga muito comigo", disse.

"Eles dizem que não querem sair porque 'a Paulista dá dinheiro' e não vão voltar para a área de onde vieram", relatou um conselheiro tutelar.”

2022-04-06


terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Fodidos de verde e amarelo

O Globo 20-12-2020, por Cássia Almeida 
Casa Verde e Amarela: país fica sem política habitacional para pelo menos 42% das famílias sem moradia

Novo programa, que substitui o Minha Casa Minha Vida, exclui faixa que garantia subsídio a pessoas de mais baixa renda

Montagem: Àbeiradourbanismo
Imagens originais: Insternet

2020-12- 22

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Um passo à frente, dois atrás

G1 Economia 25-08-2020
https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/08/25/piora-economica-deve-empurrar-38-milhoes-de-domicilios-para-as-classes-d-e-e-neste-ano.ghtml
Montagem: Àbeiradourbanismo
Na terminologia do urbanismo colombiano, 3,8 milhões de domicílios brasileiros passarão este ano do "estrato socioeconómico medio" para os "estratos medio-bajo y bajo". Parte desse contingente expandirá as periferias sub-urbanizadas, parte intensificará a deterioração física do estoque imobiliário das regiões centrais.

Uma pergunta crítica é: como evitar que as políticas urbanas redistributivas, elas próprias compensatórias da concentração persistente da renda, sejam, como se fosse pouco, ciclicamente revertidas pela crises recessivas?

2020-09-01

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Apontamentos: IAU 2019 - gentrificação e pauperização na região de Paris

IAU île-de-France, “Gentrification et paupérisation au cœur de l’Île-de-France Evolutions 2001-2015 Mai 2019”. Institut d’Amenagement et d’Urbanisme, Mai 2019
https://www.institutparisregion.fr/fileadmin/NewEtudes/Etude_1807/Gentrification_et_pauperisation_complet.pdf

Região Parisiense (Île-de-France)
Tipologia das comunidades segundo
a renda das famílias 2015

Clique na imagem para ampliar
Sou deliberadamente cauteloso, para dizer o mínimo, com a redução da estrutura sócio-espacial das grandes metrópoles contemporâneas ao contraste centro / periferia, ricos / pobres, alta renda / baixa renda, regularmente destacado em um grande número de estudos urbanos contemporâneos. 

Contudo, é inegável que a implosão, em 2008, da retaguarda econômica do Estado do bem-estar vai recriando em todo o mundo, ainda que em ritmos muito distintos, condições urbanas análogas às da primeira metade do século XIX - como disse há poucos dias, com todas as letras, o economista francês Thomas Piketty a propósito da desigualdade no Brasil. 

O estudo acima, produzido e publicado pelo Institut d’Amenagement et d’Urbanisme da região de île-de-France, é a prova inequívoca de que nenhum país está a salvo:

(..) A análise dos dados do período 2001-2015 atesta, em primeiro lugar, num contexto de crescente desigualdade entre municípios e distritos, o reforço dos contrastes entre setores extremos, com uma polarização cada vez mais acentuada entre setores ricos e setores pobres no coração da aglomeração. As disparidades de renda continuam a aumentar no coração da cidade. Estamos testemunhando, por um lado, a consolidação de áreas ricas pelo enriquecimento e disseminação de riqueza para áreas vizinhas um pouco menos ricas e, por outro lado, a pauperização absoluta de setores urbanos inteiros. Em 44 dos municípios mais pobres da região, onde vivem 15% dos residentes da Île-de-France, a renda média em euros constantes caiu entre 2001 e 2015. Ainda faltam poucos executivos para se estabelecer lá. Eles continuam a canalizar o crescimento de famílias imigrantes em Ile-de-France. A concentração de trabalhadores pouco qualificados, muitos deles imigrantes, mais expostos ao aumento do desemprego e a empregos precários, e o aumento de famílias monoparentais (em conexão com o tamanho do estoque social) contribuem para a estigmatização e deterioração da situação financeira dos residentes. (..) 

2020-08-12

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Covid nas favelas

O Tempo 30-07-2020, por Jessica Almeida
https://www.otempo.com.br/podcasts/tempo-habil/filme-mostra-como-a-pandemia-piorou-uma-situacao-que-ja-era-grave-nas-periferias-1.2365995

Filme mostra como a pandemia piorou uma situação que já era grave nas periferias

“Muito tem sido dito sobre como os impactos da pandemia se tornam mais graves entre as populações mais pobres, mas nem sempre essas pessoas têm espaço para falar. No documentário ‘Pandemia do Sistema: O retrato da desigualdade na capital mais rica do Brasil’, que estreia na semana que vem, moradores da periferia de São Paulo falam sobre como uma situação que já era difícil antes se tornou insustentável com a chegada do novo coronavírus.


Segundo média-metragem da Zalika Produções, o trabalho foi realizado com recursos próprios e a colaboração de profissionais voluntários. Neste episódio, a produtora audiovisual e fotógrafa Naná Prudêncio, diretora do filme, fala das motivações, expectativas e do processo de realização do trabalho. A estreia de ‘Pandemia do Sistema’ acontece na próxima terça (4), com exibição online às 19h na página de Facebook da agência de notícias Alma Preta.

Após a exibição, haverá um debate com participação da diretora, de Douglas Belchior, da Uneafro Brasil, de Luana Vieira, gestora executiva do projeto sociocultural Comunidade Pagode na Disciplina Jardim Miriam, e de Raimunda Boaventura, entrevistada no filme.”

2020-08-03

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Correndo para não chegar

The Guardian 07-07-2020, por Peter Beumont
'We squandered a decade': world losing fight against poverty, says UN academic
Goal to eradicate poverty by 2030 ‘completely off track’, says outgoing special rapporteur, with Covid-19 likely to impoverish millions more
A child in Kabul, Afghanistan, which is among the poorest countries in the world.
Foto e texto: Altaf Qadri / AP / The Guardian

Sou incondicionalmente favorável a iniciativas e programas governamentais compensatórios e redistributivos, em todos os campos a começar do meu - a gestão urbana -, incluindo aqueles cujos resultados são modestos, como a Outorga Onerosa do Direito de Construir e seus congêneres, aos quais dediquei bastante reflexão e certa quantidade de artigos neste blog.  

Muito especialmente, defendo a renda mínima, a educação e a saúde universais.

Como, porém, as políticas redistributivas, compensatórias elas próprias da concentração persistente dos rendimentos das famílias, são ciclicamente revertidas pela crises recessivas (como deixa claro a América Latina dos anos 2000 e 2010), resulta que esses pacotes, praticados ad infinitum, acabam por normalizar a pobreza e a desigualdade numa época em que a ciência e a técnica, muito especialmente o cálculo e o planejamento econômico, permitem prover a humanidade de tudo o que é necessário e muito mais - sem sacrifício do meio ambiente planetário.    

Há muito que a pobreza e a desigualdade não provêm da escassez, mas da inércia reprodutiva de um regime social incapaz de absorver, que dirá distribuir, a abundância por ele mesmo criada; um regime para o qual é um imperativo econômico - não uma opção ideológica, como quer Piketty - a destruição preventiva ou catastrófica de toda riqueza socialmente produzida que não conduza à valorização dos capitais privados concorrentes.

Esperar que o capital erradique a pobreza e a desigualdade e reverta a degradação do meio ambiente planetário é um exercício de auto-engano, tendente, eu temo, ao negacionismo científico. Muito mais provável é ele acabar com o que entendemos como civilização

Este deve ser o quadragésimo fracasso em 40 anos das metas da ONU para a erradicação da pobreza. Precisamos passar à próxima fase. Resta saber como


2020-07-15

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Agora vai!

Senado Notícias 24-06-2020, por Augusto Castro 
https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2020/06/24/para-a-maioria-dos-senadores-o-novo-marco-legal-vai-melhorar-o-saneamento-basico-no-pais

Para a maioria dos senadores, o novo marco legal vai melhorar o saneamento básico no país

Em sessão remota nesta quarta-feira (24), o Senado aprovou o novo marco legal do saneamento básico (PL 4.162/2019). O projeto é de iniciativa do governo, foi aprovado em dezembro do ano passado na Câmara dos Deputados e agora segue para a sanção presidencial.  
(..) O relator do projeto, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), afirmou que a modernização do sistema de saneamento básico brasileiro “é absolutamente necessária e urgente”. Ele ressaltou que, atualmente, cerca de 35 milhões de cidadãos não têm acesso a água tratada e mais de 100 milhões não são atendidos por coleta de esgoto.

— Metade da população brasileira! Essa precariedade de saneamento básico prejudica, fundamentalmente, os índices de desenvolvimento humano e resulta em imensos prejuízos, sociais — principalmente sociais – e econômicos. A Organização Mundial da Saúde estima que 15 mil pessoas morrem e 350 mil são internadas no Brasil todos os anos devido a doenças ligadas à precariedade do saneamento básico, situação agravada pela pandemia da covid-19 — disse Tasso.
 (..) 


Entusiasmado com o sucesso da gestão da pandemia de Covid pelo governo Bolsonaro, o senador Jereissati (esq.), que desde criancinha pensa que a crise crônica do saneamento básico no Brasil se deve à ausência de capitalistas como ele próprio e o ministro Guedes (dir.) no setor, está seguro de que, com o novo marco regulatório proposto pelo governo, os monopólios privados vão poder garantir água e esgoto para todos, de forma análoga a como a recente Reforma da Previdência, baseada em princípio similar, o da financeirização, resolveu o problema do desemprego e da falta de oportunidades em nosso país.

Hoje qualquer indivíduo minimamente instruído pode se tornar um próspero motorista de aplicativo ou entregador de comida; amanhã todas as crianças terão direito a um banho diário com água da bica comunitária à temperatura ambiente, sem geosmina.
2020-06-25

quinta-feira, 5 de março de 2020

O capital no século XXI: precariápolis

BBC News 05-03-2020

Nigeria housing: 'I live in a floating slum' in Lagos
Imagem: BBC
Imagem: BBC
From above, the Oko-Agbon neighbourhood, in the infamous Makoko floating slum, looks almost picturesque. Little wooden shacks on stilts sit on top of dark water. Residents move from one to another on canoes, calling out to neighbours and friends. Some outsiders have fancifully described it as the Venice of Africa. However, get closer and it is a different picture. The water is full of household rubbish, including needles and human faeces. There is a suffocating smell of rotten fish hanging in the air. Hundreds of people live here in very close quarters and there is little privacy.Yet despite these conditions, this has been a refuge for some. (..) 

2020-03-05

sábado, 2 de novembro de 2019

Efeito bumerangue

La Vanguardia 01-11-2019, por Eusebio Val

Miseria a las puertas de Paris

Foto (detalhe): Miguel Medina AFP


Lo de ayer parecía un desembarco, el rescate humanitario de un Estado fallido. El jefe del Gobierno francés, Édouard Philippe, y cinco de sus ministros no tuvieron que viajar muy lejos para su misión, apenas una decena de kilómetros desde sus despachos. En la periferia noreste de París, lindante con la capital, se halla el departamento de Sena-Saint-Denis, el más pobre de la Francia metropolitana: 1,6 millones de personas con problemas sociales endémicos muy graves.

Quienes aterrizan en el aeropuerto Roissy-Charles de Gaulle y se dirigen al centro de París en los trenes de cercanías pueden hacerse ya una idea del entorno arquitectónico y humano de los barrios populares que atraviesa. Tiene muy poco que ver con el mítico glamur asociado a París, y peor todavía en una jornada gris y lluviosa de otoño. La pobreza se ve y hasta se huele en los vetustos vagones de la línea RER-B y en las estaciones. (..) 

2019-11-02


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Pobreza americana

The Economist / Special Report Poverty in America 26-09-2019 

American poverty is moving from the cities to the suburbs

Fonte: The Economist 26-09-2019
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(..) To see the changing geography of American poverty, go instead to Harvey, a small suburban town of 26,000 just 20 miles (32 km) south of Chicago. Despite its proximity to a large city, median household income is an abysmal $24,343. After mismanagement and missed bond payments, the city’s finances are in freefall. One in four flats now sits vacant. Nearly 36% of its residents are classified as poor, higher than in many of the poorest counties in eastern Kentucky and the rest of Appalachia. Though Harvey was never rich, that is a drastic increase from the 22% poverty rate in 2000. And as politicians, journalists and sociologists continue to focus attention on the well-known urban ghettos on the city’s south and west sides, few are taking note of the worsening plight of places like Harvey or nearby Dolton, where concentrated poverty is now just as bad.

After the demographic changes over the past decade, there are now more poor people in Chicago’s southern suburbs than in the city itself. The same is true for the rest of America: a poor person is now much likelier to be found in the suburbs than in the big cities. According to the census taken in 2000, 10.5m, or 31%, of all poor people lived in the suburbs of America’s largest cities. The most recent estimates from the Census Bureau show that the number of poor people living in those suburbs has exploded to 16.3m, an increase of 56%. Unlike urban poverty, which has long been associated with destitute blacks, suburban poverty is more pronounced among poor whites and Hispanics. (..)

2019-09-30

segunda-feira, 25 de março de 2019

Social, climat, même combat!

Agência Brasil 18-03-2019, por Heloisa Cristaldo
http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-03/falta-saneamento-basico-para-2-bilhoes-de-pessoas-no-mundo-diz-onu

Falta saneamento básico para 2 bilhões de pessoas no mundo, diz ONU

Mais de 2 bilhões de pessoas carecem de serviços básicos de saneamento básico no mundo, diz relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o desenvolvimento mundial da água,. A publicação Não Deixar Ninguém Para Trás será lançada nesta terça-feira (19) durante a 40ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.

De acordo com o relatório, apesar do progresso nos últimos 15 anos, o direito à água potável segura e limpa e ao saneamento é inacessível para grande parte da população mundial. Em 2015, três em cada 10 pessoas (2,1 bilhões) não tinham acesso a água potável e 4,5 bilhões de pessoas, ou seis em 10, não tinham instalações de saneamento com segurança.

“Se a degradação do meio ambiente e a pressão insustentável sobre os recursos hídricos globais continuarem no ritmo atual, 45% do Produto Interno Bruto global e 40% da produção global de grãos estarão em risco até 2050. Populações pobres e marginalizadas serão afetadas de forma desproporcional, agravando ainda mais as desigualdades”, ressalta o presidente da ONU-Água e presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Gilbert F. Houngbo.

Segundo Houngbo, o documento aponta a necessidade de adaptar abordagens, tanto na política quanto na prática, para abordar as causas da exclusão e da desigualdade. (..) 

2019-03-25

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Arquitetura anti-sem-teto

El País online 17-09-2018, por J M A Liñán, D Alameda e J Galán

Una guía de la arquitectura contra los pobres en España

Las calles están salpicadas de obstáculos que impiden el descanso de las personas sin hogar que casi siempre pasan desapercibidos para el resto de ciudadanos. Este es un recorrido por la llamada 'arquitectura hostil' en una treintena de ciudades españolas.
Imagem: D.A. / El País
(..) Y, en el espacio público, ¿cómo distinguir una intención genuina, por higiene o seguridad, de una medida de marginación enmascarada? Es difícil saberlo, según el arquitecto Luis Alonso, que investiga en el Medialab del MIT (EE UU) las ciudades a partir del análisis de grandes volúmenes de datos. "En las normativas municipales jamás se pondrá algo así por escrito". Antes de trasladarse a la prestigiosa universidad norteamericana, Alonso trabajó en proyectos con municipios durante 10 años. "Algunos ayuntamientos te decían off the record: '¿Podemos encontrar alguna solución para, por ejemplo, un diseño de banco en el que no se puedan sentar?' Te lo vendían como algo antivandálico o se direccionaba la cuestión hacia la seguridad. En algún caso eran algo más explícitos: planteaban poner una barra en un banco para que la gente no se pueda tumbar".

(..) Eliminar los obstáculos de la arquitectura hostil, aunque sea necesario, no aporta una solución de fondo, como apunta Ramon Noron, responsable de incidencias de Fundació Arrels (Barcelona), dedicada específicamente a la atención de los sin hogar. “El mayor problema arquitectónico es que no hay vivienda”, sentencia el experto. “Los cajeros de los bancos o los aparcamientos no son para dormir. La gente no ‘molestaría’ en esos sitios si hubiera vivienda y alojamiento accesibles para todos, porque dormir en la calle no es normal”.

2018-09-17

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O ocaso do Estado do bem-estar?

El País Brasil 27-11-2017, por Marc Bassets

Favelas em Paris, uma cicatriz na cidade-luz 

A França tem mais de 500 ‘bidonvilles’ três décadas depois de tê-las erradicado

Favela de Ney, arredores de Paris 
Foto (detalhe): Eric Hadj / El País

Na superfície, a capital próspera e vibrante, a chamada cidade-luz. Embaixo, um submundo insalubre, precário e provisório.

É preciso descer por uma escada de madeira improvisada para entrar no terreno do Boulevard Ney, em Paris, uma bidonville (literalmente, “cidade de lixo”) instalada em uma linha de trem abandonada, perto do Boulevard Périférique, o anel viário que marca o limite da capital francesa. A França acreditava erradicadas as favelas, associadas às paisagens suburbanas dos anos cinquenta e sessenta em plena explosão demográfica. Mas há uma década, aproximadamente, os barracos voltaram a aparecer dentro das cidades, em regiões periféricas e junto às estradas.

O Boulevard Ney é uma cicatriz em plena Paris. (..) 
 
2017-11-28