domingo, 23 de junho de 2019

Google Realty

Deu na Exame
21-06-2019, por Gerrit De Vynck e Noah Buhayar / Bloomberg
https://exame.abril.com.br/negocios/google-promete-us1-bi-para-construcao-de-casas-em-sao-francisco

Google promete US$1 bi para construção de casas em São Francisco


O Google vai ajudar a aliviar a crise de moradias na baía de São Francisco.

Como? Investindo no setor. Nos próximos 10 anos, 750 milhões de dólares de seus próprios terrenos serão redirecionados para a construção de pelo menos 15 mil moradias a valor de mercado. 

Explica a matéria:
O sucesso do Google e de outras empresas de tecnologia do Vale do Silício contribuiu para a disparada dos preços de moradias na Baía de São Francisco. O setor emprega dezenas de milhares de pessoas de alta renda que compraram ou alugaram imóveis (...) Ao mesmo tempo, a oferta de novas casas e apartamentos não acompanhou a demanda.
O mundo mudou muito, mas nem tanto. Há 150 anos, as novas empresas de transporte urbano multiplicavam seus capitais vendendo terras a que seus trens, bondes e ônibus davam acesso. No Rio de Janeiro, o Barão de Drummond, gênio dos negócios que inventou o Jogo do Bicho para custear o antigo Jardim Zoológico, de sua propriedade, tornou-se concessionário da Companhia de Ferro-Carril de Vila Isabel em 1872 e criou o bairro do mesmo nome loteando o remanescente de suas terras.

Ah, sim. O Google anuncia que destinará outros $ 250 milhões de dólares a "incentivos para que incorporadoras construam pelo menos 5 mil casas de preço acessível". Um pontinho para o inclusionary housing.

2019-06-23


terça-feira, 18 de junho de 2019

Espiral de ouro

Deu no Ara.cat
17-06-2019, por Laia Forès

El Banc d'Espanya avisa que una baixada del preu de l'habitatge afectaria la solvència dels bancs



Ou seja, a estabilidade do sistema financeiro do século XXI está atada à elevação contínua do preço da moradia, que, nas condições de estagnação crônica da economia global, depende da concentração incessante dos rendimentos e da riqueza nos níveis mais elevados da pirâmide social e da invenção cada vez mais frenética de novas modalidades de extração desse excedente como renda da terra - de forma extensiva, pela via da hiperconcentração da propriedade imobiliária urbana e da indústria de meios de hospedagem, ou intensiva, como são as novas mecas do investimento imobiliário.

2019-06-18


quinta-feira, 6 de junho de 2019

Big deal!

Deu no Diário do Rio
31-05-2019, por Redação
Porto Maravilha já tem 52% dos seus imóveis ocupados
Foto: Edifício Vista Guanabara, Diário do Rio / divulgação 

Metade de quase nada é próximo de nada mesmo, um rotundo fracasso se considerarmos que estamos falando de meia dúzia de edifícios comerciais dispersos numa área de projeto de 500 hectares.

A causa primeira desse fracasso, penso, foi a oportunidade. Ao contrário de congêneres ilustres como Puerto Madero (Buenos Aires) e Canary Wharf (Londres), cujos processos de gestação, desenvolvimento, crise e maturação seguiram a cadência do boom financeiro global de fins do século XX, o Porto Maravilha foi lançado, ao som de fanfarras olímpicas, já em pleno declínio dos mercados de imóveis em geral, e de enclaves turístico-empresariais em particular, que se seguiu à implosão, em 2008, da pirâmide creditícia norte-americana. 

Mas há o agravante de duas notáveis ausências: um plano urbanístico digno desse nome, com zonas residenciais nutridas pela mescla de usos e grupos sociais e ao menos uma estação de metrô; e uma estratégia de implantação por etapas que assegure a sustentabilidade urbanística e econômica da Operação, a começar pela valorização dos CEPACs destinados a empreendimentos de mercado. 

Ainda que se possa alegar, com justa razão, que a CEF de Bolsonaro e a CEDURP de Crivella são a cruz a a caldeirinha do futuro do Porto, eu defendo que, em qualquer caso, os CEPACs sejam devolvidos ao município e a Operação Urbana recomece do zero, sob condições de total transparência e o comando de uma comissão de urbanistas de notório saber e comprovada experiência na matéria.

2019-06-06