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domingo, 30 de novembro de 2025

Financeirização ou capitalismo de rendas?

Público 18-09-2025, por Bruna Santos
https://www.publico.pt/2025/09/18/p3/cronica/bolha-imobiliario-nao-vai-rebentar-2145996

A bolha do imobiliário não vai rebentar

O anúncio de Luís Montenegro sobre 1300 milhões de euros para habitação acessível parece responder à lógica elementar da crise habitacional: mais procura que oferta exige mais construção. Esta abordagem aparentemente óbvia ignora uma transformação fundamental: a habitação deixou de ser um bem de primeira necessidade para se tornar um activo financeiro no sentido estrito. (..)

Os dados portugueses são absolutamente devastadores: nos últimos dez anos, o preço médio das casas mais do que duplicou, enquanto os salários cresceram marginalmente, frequentemente abaixo da inflação real. Esta disparidade não é acidental nem temporária — é o resultado directo da financeirização do mercado de habitação. (..)

A habitação tornou-se uma reserva de valor global, equiparável a acções, obrigações ou ouro. As nossas cidades competem agora directamente com outras capitais europeias pelos fluxos de investimento internacionais. Um apartamento vale o que vale não porque os portugueses conseguem pagar esse preço, mas porque investidores internacionais consideram esse preço competitivo face às alternativas de investimento globais. (..)

*

"Financeirização" vem se tornando um mantra, uma palavra-ônibus que explicaria por si só o drama das famílias que não encontram moradia minimamente próxima às fontes de emprego ao alcance do seu nível de rendimentos. 

Para a autora do artigo acima, o aumento de mais de 100% do preço da moradia em Portugal nos últimos dez anos, em face de "um crescimento apenas marginal dos salários", se explicaria por ter a moradia deixado de ser um "bem de primeira necessidade" para se tornar "um ativo financeiro em sentido estrito". Segundo ela,

"um apartamento vale o que vale não porque os portugueses conseguem pagar esse preço, mas porque investidores internacionais consideram esse preço competitivo face às alternativas de investimento globais".

Eu pergunto: quando foi que a habitação "deixou de ser um bem de primeira necessidade"? Não me consta que o acesso à moradia em Portugal tenha sido, algum dia, garantido pelo Estado a todos os cidadãos que não pudessem, ou não quisessem, obtê-lo pela via do mercado.
 
E quem são os "investidores internacionais" que consideram competitivos preços da moradia que a maioria dos portugueses não consegue pagar? Obviamente, os grandes proprietários, ou controladores, estrangeiros de imóveis residenciais em Portugal.

E por quê esses preços seriam "competitivos"? Porque outros demandantes de moradias portuguesas que não os trabalhadores portugueses estão econômica e juridicamente aptos e dispostos a pagá-los; são eles, com suas ofertas, não os "investidores ", que determinam esse preços.

E quem são esses demandantes? Segundo uma enxurrada de artigos da própria imprensa portuguesa e até mesmo um relatório da União Europeia, um considerável contingente de estrangeiros endinheirados - do Brasil e norte da Europa, principalmente - interessados em comprá-las para seu uso, ou para alugar e vender a outros estrangeiros endinheirados para os quais Portugal é uma magnífica opção de aposentadoria longe dos rigores do inverno norte-europeu, de férias de verão, turismo em geral, estadia de curta duração e nomadismo digital.

Artigo publicado na Veja em junho de 2024 [1] nos diz que as políticas de atração de imigrantes dos anos precedentes geraram um contingente de 800 mil estrangeiros residentes no país, “desencadeando uma espiral de alta de preços como nunca se viu”: aluguel médio de 2.500 euros em Lisboa, o mais alto da Europa naquele momento segundo a multinacional Housing Anywhere. E mesmo com as limitações impostas pelo governo (extinção dos incentivos fiscais para estrangeiros e do Golden Visa, que concedia cidadania a quem investisse no país; regulação e taxação do aluguel rotativo), os preços continuaram nas alturas, com seus típicos efeitos: deslocamento das famílias de baixos rendimentos para as periferias, multiplicação da população de rua e aumento expressivo da ‘geração canguru’ - adultos que moram com os pais. 

E onde, afinal, entra a "financeirização"? 

Em postagem anterior deste blog, escrevi:

A moradia – assim entendo - é financeirizada desde que passou a ser produzida para o mercado, pela simples razão que são poucos os que podem comprá-la sem financiamento ao menos parcial de seu preço. Tradicionalmente, os contratos de hipoteca preveem que o próprio imóvel é a garantia do empréstimo para a sua aquisição. (..)

A financeirização da moradia deu um salto de qualidade quando, com a desregulamentação de fins do século passado, generalizou-se nos EUA e Inglaterra a prática dos empréstimos bancários garantidos pelo imóvel residencial para a compra de bens de consumo, viagens, universidade etc. Famílias com rendimentos estagnados, e até decrescentes, passaram a consumir… o valor futuro de suas casas!

E uma vez re-hipotecados os imóveis em troca de liquidez a curto prazo, os título de dívida passaram a ser vendidos pelos bancos a credores de que os devedores nunca tinham ouvido falar, nos mais diversos países – a pirâmide financeira que desmoronou em 2007, levando milhões de pequenos investidores, boa parte deles trabalhadores cooptados para a mítica 'república dos pequenos proprietários’, à perda de seu capital, isto é, de suas próprias moradias que, afinal, eram o lastro de tudo! [2]

Acrescentaria agora que, depois da II Guerra Mundial - bem antes, portanto, do 'salto' acima mencionado - o emprego dos imóveis residenciais também como ativos financeiros tornou-se uma prática social generalizada nos países ricos, e mais tarde até nos intermediários, como o Brasil, respondendo pela ascensão dos trabalhadores qualificados ao status de 'classe média'. A valorização da casa própria a longo prazo e seu legado aos descendentes como bem de capital estão na base do Sonho Americano, do Estado do Bem-Estar europeu - ainda que em menor medida [3] - e, já no século XXI, de uma parte cada vez mais significativa do programa brasileiro Minha Casa Minha Vida.

O que se está chamando, porém, de "financeirização" na história recente de Portugal é o fato de que, depois da crise de 2008 e da consequente queda abrupta dos juros, a oferta de moradia para estrangeiros endinheirados e portugueses enriquecidos tornou-se um negócio lucrativo o suficiente para atrair o interesse tanto de grandes imobiliárias sediadas no EUA, Europa e Ásia quanto de capitais de investimento - o capital 'em estado puro' - que circulam pelo mundo à espera de oportunidades de valorização. [4] 

Até a explosão da crise habitacional, Portugal vinha desfrutando, mesmo sob governos social-democratas, de uma lufada tão bem recebida quanto temerária de enriquecimento à base de rendas estrangeiras - aliás registrada com alguma constância neste blog. 

Ainda que favoreça a especulação de preços pela via da retenção da oferta, e que deva por isso ser combatida pelos sindicatos e movimentos de moradia no âmbito da União Europeia, não é a concentração da propriedade imobiliária em mãos de um pequeno número de capitalistas a causa dos fabulosos aumentos de preços de que estamos falando. Foi o incentivo português à captura de rendas pagas por estrangeiros, sob a forma, por exemplo, dos Vistos Gold, e de uma legislação correspondentemente permissiva, que tornou as moradias dos país um alvo preferencial das grandes imobiliárias e dos capitais de risco.    

Não se trata de que a moradia em geral é tratada, em Portugal como em todos os países do mundo, como "ativo financeiro", deixando de ser - como já li em algum lugar - "valor de uso"; pois se a moradia deixa de ser "valor de uso", não pode se tornar "ativo financeiro": qual imobiliária ou especulador compraria um apartamento que seus potenciais clientes não possam usar? 

Apartamentos bem conservados e bem localizados - relativamente às expectativas da demanda - se tornaram ativos privilegiados na economia contemporânea porque, ao passo que a rentabilidade do investimento em produtos industriais não portadores de qualidades ‘exclusivas’, reais ou imaginárias, tende mais ou menos rapidamente, por força da concorrência, à taxa média de lucro do segmento, o solo que ancora os bens imobiliários os 'condena' a aumentos automáticos de preços, de compra-venda e de aluguel, resultantes de externalidades socialmente criadas como o crescimento do PIB e dos rendimentos familiares, a expansão continuada que torna urbanas as terras suburbanas e periféricas, o aumento da escassez relativa das melhores localizações e, vale lembrar, a própria concentração da riqueza nacional e planetária a puxar para cima, o tempo todo, as ofertas de preço de compra e aluguel de parte substancial do estoque.

Imóveis não encarecem na escala hoje registrada em Portugal por terem se tornado ativos financeiros da classe média ou propriedade de capitalistas do ramo imobiliário. Capitalistas do mundo inteiro passaram a adquiri-los em grande quantidade por duas razões. A primeira, de ordem geral: imóveis são bens duráveis que, a depender da localização, mesmo  depois de totalmente amortizados  continuam a gerar lucro excedente (renda) ao investimento / gasto em conservação, administração e impostos - e tanto mais renda quanto mais valorizada e escassa a terra-localização. O que nos leva à segunda razão: a notável discrepância, no âmbito da União Europeia, de características climáticas e níveis de rendimento familiar entre países setentrionais e mediterrâneos, notadamente Portugal.    

Quanto à crítica, com a qual compartilho, de que a moradia não vem sendo tratada como "bem de primeira necessidade", considero que os últimos governos portugueses não cuidaram, como deveriam, de - no mínimo - dirigir a proporção que fosse necessária do arrecadado com as rendas estrangeiras para a construção, em terrenos centrais e pericentrais das grandes cidades legalmente reservados para tal fim, de moradias ao alcance dos rendimentos do trabalhadorado português. Afinal, que outra coisa poderia significar, em se tratando do direito à habitação, o termo "social-democracia"?

*

Em suma, a restrição de acesso à moradia urbana pela via do mercado compreende dois tipos: absoluta e relativa. A absoluta - fenômeno típico dos países pobres e intermediários - consiste na incapacidade das famílias de poucos rendimentos de ofertar o preço abaixo do qual não interessa a nenhum proprietário urbano alugar seu imóvel - que dirá aos incorporadores produzi-los -, restando-lhes a moradia 100% social a cargo do Estado ou a informalidade. A relativa consiste na sujeição compulsória das famílias de rendimentos suficientes à “filtragem” da competição pelos imóveis / localizações urbanas disponíveis, restando às menos afortunadas as moradias suburbanas com algum espaço ou os apartamentos de dimensões mínimas e/ou estado precário nas áreas centrais ‘degradadas’.

Não é a 'financeirização', vale dizer o seu emprego como ativo financeiro, que encarece a moradia. Parte substancial do estoque de moradias formais das grandes metrópoles já desempenha, há muitas décadas, o duplo papel de residência da família proprietária e seu principal ativo financeiro de longo prazo. É a inexorável valorização relativa desse estoque, derivada tanto da concentração dos rendimentos das famílias abonadas quanto da disputa - local, regional, nacional e internacional - dos demandantes de residências rotativas e estacionais pela terra-localização urbana, que converte as moradias em ativos, digamos, para-financeiros de importância crucial na economia global contemporânea.
 
A 'financeirização da moradia' é o sintoma, não a doença.

*

PS: A edição deste domingo do jornal La Vanguardia publica matéria intitulada “Catalunya inicia los trabajos sobre la prohibición de la compra de vivienda para invertir”. [5]

'Aquisição de residências para fins de investimento' me soa como um bem-sucedido esforço de interpretação do jargão urbanístico 'financeirização da moradia'. No entanto, ainda que a extinção da compra-venda de residências para fins de investimento capitalista faça sentido como horizonte de política urbana - medidas socializantes são urgentes, creio, em todos os âmbitos da vida econômica global -, há que considerar: 

(1) que além de fonte de rendimentos regulares para milhões de pequenos proprietários, a moradia, na condição de 'casa própria', se torn0u a forma mais difundida de capitalização, vale dizer de 'investimento', da classe média como um todo, aí incluído um enorme contingente de trabalhadores qualificados, no futuro de suas famílias; 

(2) que a proposta implica uma intervenção na economia de mercado muito mais profunda que o mero controle dos alugueis, com repercussões sobre toda a cadeia produtiva da construção civil e seus derivados, além do financiamento bancário. 

Medidas dessa natureza teriam de ser implantadas num âmbito geopolítico muito maior, com amplo apoio político e conhecimento de causa da sociedade organizada, de maneira progressiva para fins de controle de impactos e, o mais importante, de cima para baixo economicamente falando. Seria um erro crasso empurrar para o mesmo balaio os grandes capitalistas imobiliários nacionais e estrangeiros e a pequena-burguesia em geral - no caso, os pequenos proprietários catalães. 

Não há que ter ilusões: nenhuma medida econômica que afete significativamente o funcionamento de qualquer segmento do mercado mundial, vale dizer dos oligopólios que o controlam - e o imobiliário é hoje, indiscutivelmente, um dos mais importantes - poderá estabilizar-se a curto e médio prazos. A 'desfinanceirização da moradia' supõe a 'desmercantilização do solo urbano', somente concebível como uma de um conjunto de medidas transitórias à socialização da economia planetária, algo que está acima das forças de cada cidade, e mesmo cada país, isoladamente - e que transcende, como tema, o escopo deste blog. 

Cuidemos, por ora, de entender os efeitos das políticas de controle dos alugueis já aplicadas em muitas cidades para, quem sabe, expandi-las com mais conhecimento de causa e apoio político; de aplicar limites nacionais à concentração da propriedade imobiliária residencial; de taxar as rendas fundiárias excedentes aos ganhos de capital 'normais', ou 'médios', da propriedade imobiliária; e, tão importante quanto tudo isso, de criar, em caráter de urgência, a Associação Internacional da Moradia Social!

*
Para ilustrar os pontos de vista desta postagem, reproduzo abaixo trechos de matérias recentemente publicadas sobre o tema na imprensa portuguesa de negócios.

Portugal é o país da União Europeia (UE) onde os preços das casas estão mais sobrevalorizados e onde o turismo mais contribuiu para essa sobrevalorização. A conclusão é de um relatório da Comissão Europeia que estima que os preços da habitação em Portugal estão sobrevalorizados em 35%. (..) O relatório aponta vários motivos para o aumento dos preços das casas na UE, desde logo o êxodo urbano e o abrandamento da construção de novas habitações. (..) Em contrapartida, há um indicador que tem contribuído para a subida dos preços das casas em Portugal - o turismo. Segundo o relatório, “a nível nacional há indícios de que Portugal é o país onde o turismo teve o maior impacto nos preços das habitações”, designadamente com o crescimento de plataformas de partilha de casas, que tem pressionado os preços de arrendamento e de compra de imóveis “em algumas localizações privilegiadas, como os centros históricos”. [“Portugal é o país com as casas mais sobrevalorizadas da UE - e dar benefícios fiscais 'alimenta o aumento dos preços'". CNN Portugal 16-10-2025, por BCE] https://cnnportugal.iol.pt/habitacao/habitacao-em-portugal/portugal-e-o-pais-com-as-casas-mais-sobrevalorizadas-da-ue-e-dar-beneficios-fiscais-alimenta-o-aumento-dos-precos/20251016/68f0e59ed34ee0c2fed15173
 

 “Notícias recentes têm referido estudos em que o preço das casas sobe mais em zonas de maior aumento de construção. (..) A explicação, longe de ser um mistério, reside numa força económica muito simples e poderosa: a procura. E, neste momento, a procura é uma maré que levanta todos os barcos, até os que ainda estão no estaleiro. (..) Ainda que menos vigorosa do que há uns anos, também assistimos à pressão do turismo e Alojamento Local (AL). O sucesso do turismo transformou milhares de habitações em unidades de curta-duração, retirando-as do mercado de arrendamento (..) especialmente nos centros urbanos. (..) Os programas de Regime de Residentes Não-Habituais e Vistos Gold, embora revistos, atraíram um fluxo significativo de investidores e reformados com alto poder de compra, segmentando uma parte do mercado para um nível de preços superior. (..) o mercado não pode servir apenas o segmento de luxo. (..) Uma abordagem interessante poderia ser o modelo 1/3+1/3+1/3 em novos empreendimentos de média/grande  dimensão, com incentivos para que 1/3 da área seja destinada a habitação acessível (com preços controlados), 1/3 a preços de mercado intermédios, e 1/3 ao segmento superior. Isto evitaria a segregação social e garantiria que o crescimento beneficia todos. ["Mais cimento, mais confusão? A procura é que manda no Mercado Imobiliário". Observador 14-11-2025, por Rute Xavier] https://observador.pt/opiniao/mais-cimento-mais-confusao-a-procura-e-que-manda-no-mercado-imobiliario/

Foi fundada há quase 120 anos nos EUA e tem mais de 3.000 agências espalhadas por mais de 45 países. Falamos da rede imobiliária Coldwell Banker (CB), que aterrou em Portugal em 2017 e tem atualmente uma operação de 12 agências e cerca de 250 colaboradores. Em entrevista ao idealista/news, Frederico Abecassis, CEO da CB Portugal, revela que o seu “portefólio diversificado no segmento residencial de luxo” tem valorizado. (..) “Entre os principais mercados emissores no segmento prime e ultra-luxo destacam-se os EUA (…), o Brasil, países do Norte da Europa como Países Baixos, Suécia e Dinamarca, bem como o Reino Unido (…). [“Segmento de luxo em Portugal continua a demonstrar grande dinamismo”. Idealista 19-11-2025, por Frederico Gonçalves] https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2025/11/19/72227-segmento-de-luxo-em-portugal-continua-a-demonstrar-grande-dinamismo

2025-11-30
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NOTAS

[1] “Por que explodiu a procura por imóveis em Portugal, elevando as cifras”, Veja 04-06-2024, por Paula Freitas

[2] "Financeirização da moradia ou concentração da propriedade?" À beira do urbanismo 16-08-2023, por Pedro Jorgensen
https://abeiradourbanismo.blogspot.com/2023/08/financeirizacao-da-moradia-ou.html

[3] “Habitação na Europa: é maior o número de proprietários ou de arrendatários?”. Euronews 13-05-2024
https://pt.euronews.com/business/2024/05/13/habitacao-na-europa-e-maior-o-numero-de-proprietarios-ou-de-arrendatarios

[4] “Residential demand shifts mainly with demography and is less buffeted by the business cycle. People will still need somewhere to sleep: you can’t digitalise a bed. And in an era of low interest rates, steady rental income becomes more attractive.” [“Big British companies are entering the rental market”. The Economist 28-08-2021]
https://www.economist.com/britain/2021/08/28/big-british-companies-are-entering-the-rental-market

[5] “Catalunya inicia los trabajos sobre la prohibición de la compra de vivienda para invertir”. La
 Vanguadia 30-11-2025, por Maite Gutierrez
https://www.lavanguardia.com/economia/20251125/11300809/catalunya-inicia-trabajos-sobre-prohibicion-compra-vivienda-invertir.html

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Portugal: capitalismo de rendas vs. moradia

The Guardian 25-06-2025
https://www.theguardian.com/commentisfree/2025/jun/25/lisbon-europe-portugal-golden-visa-capital-investors-short-term-rentals

“Over the past decade, Lisbon has undergone a dramatic transformation – from one of the most affordable capitals in Europe to the most unaffordable.

Between 2014 and 2024, house prices in the city rose by 176%, and by more than 200% in its central historic districts. The home price to income ratio, a key indicator of housing affordability, reflects this shift with stark clarity: today, Lisbon tops Europe’s housing unaffordability rankings. This trend extends to the national level. In 2015, Portugal ranked 22nd out of 27 EU countries for housing unaffordability. Today, it ranks first. In a country where 60% of taxpayers earn less than €1,000 a month, finding a rental below that price in the Portuguese capital is only possible if you’re willing to live in 20 sq metres – or less.

To understand how Lisbon reached this point, we need to look back to the years following the 2008 global financial crisis. As part of its shock plan to revive the economy, Portugal embraced a strategy of aggressive liberalisation, aiming to put Lisbon – and the country – on the global map for real estate investment and tourism. (..)”

2025-06-25

domingo, 2 de março de 2025

Economia portuguesa com certeza

Eco Sapo 25-02-2025
ttps://eco.sapo.pt/2025/02/28/setor-imobiliario-de-gama-alta-tem-um-peso-substancial-na-economia-portuguesa

Esta é uma das conclusões do relatónio “Portugal Realty Premium Market”, um estudo pioneiro desenvolvido em parceria entre a Porta da Frente Christie’s e a NOVA School of Business & Economics.
Geograficamente, os distritos de Faro, Lisboa e Porto lideram a oferta deste segmento, ocupando 95% do mercado (com a Madeira a começar a ter alguma expressão), sendo Cascais e Estoril, Quarteira, Santo António e Avenidas Novas as localizações com maior número de imóveis disponíveis. Contudo, enquanto Faro recuperou os níveis de oferta de 2021, Lisboa e Porto ainda estão abaixo desses valores.

Em termos de nacionalidades, a Porta da Frente trabalha maioritariamente com o segmento internacional, destacando-se as nacionalidades americana e brasileira entre as que atualmente mais procuram Portugal para residir. (..)

O estudo evidencia que o setor imobiliário de gama alta tem um peso substancial na economia portuguesa. Em 2022, foi o ano de maior atividade económica do segmento, com a construção e a venda de imóveis contribuindo para um volume de produção de 8,1 [b]ilhões de euros [1,73% da produção nacional] e gerando mais de 106 mil empregos em termos de equivalentes a tempo completo. (..)


2025-03-02

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Mercado mundial, associação internacional

Wall Street Journal 21-08-2024
https://www.wsj.com/real-estate/luxury-homes/lisbon-golden-visa-fedca2a3

A principal característica do mercado imobiliário é a sua natureza não-competitiva, que se manifesta como preempção dos imóveis mais bem localizados, segundo o uso e a tipologia requerida, pelas maiores ofertas de renda para venda ou aluguel.

Uma vez aberto o mercado português aos demandantes de toda a Europa e, logo, do mundo inteiro, a primazia cabe aos endinheirados estrangeiros, sejam ou não moradores permanentes, e nacionais, incluídos os proprietários locais (em proporção cada vez menor) que podem tê-los como clientes. 

O peso do mercado imobiliário globalizado na formação, circulação e concentração da riqueza planetária torna a função social da propriedade, tão cara a nós, urbanistas, uma perspectiva cada vez mais problemática, notadamente nas grandes metrópoles. 

Urge por isso a criação, por iniciativa dos movimentos diretamente envolvidos, que são muitos e bastante combativos em seus âmbitos locais, de uma Associação Internacional da Moradia Social.

2024-09-25

domingo, 15 de outubro de 2023

O mercado de rotas de fuga da Sagrada Família brasileira

Veja Abril 09-10-2023

"A legislação que abre a possibilidade de concessão de um visto de residência aos estrangeiros que investirem uma determinada quantia no país virou nos últimos tempos um dos caminhos mais curtos para a imigração de brasileiros à Europa. (..)

Bastante agressivo na aplicação dessa política, Portugal virou o destino óbvio de muitos brasileiros, pela proximidade cultural e o mesmo idioma (ou quase, vá lá…). Ocorre que o governo local deu um passo atrás nessa direção, descontinuando o chamado Golden Visa. Quase que imediatamente, muita gente disposta a pegar o primeiro avião para fugir do Brasil passou a avaliar outros destinos. (..) Do ponto de vista do aporte necessário para obter um Golden Visa, a Espanha está numa faixa intermediária, nem tão barata quanto a Grécia, nem tão cara quanto Malta. 

(..) Para se beneficiar do Golden Visa espanhol, que foi lançado em 2013 e se estende também aos familiares, é preciso fazer pelo menos 500 000 euros em investimentos imobiliários. Quem não quiser fazer esse aporte em tijolo ou terreno, tem a opção de transferir capital: 1 milhão de euros para Espanha ou investir esse mesmo valor em uma empresa local. (..)"

2023-10-15


domingo, 1 de outubro de 2023

Encruzilhada portuguesa com certeza

El País 30-09-2023
https://elpais.com/economia/2023-09-30/los-portugueses-se-movilizan-por-todo-el-pais-contra-la-crisis-de-la-vivienda.html

"(..) El mismo día que Portugal se coronaba como mejor destino turístico de Europa, miles de portugueses salían a la calle para protestar contra los efectos perversos de ese éxito. La crisis de la vivienda en el país, que viene de lejos, se ha agudizado con las políticas públicas que han impulsado la expansión de pisos turísticos y la concesión de visados de oro a extranjeros por inversiones inmobiliarias. “Hola, ¿están disfrutando? Esto va con ustedes”, le decían en la tarde del sábado algunos manifestantes a los turistas que se asomaban a los balcones de Lisboa para ver la marcha.

La protesta ha sido multitudinaria en Lisboa, pero también ha tenido réplicas en una veintena de ciudades, incluidas Oporto y Faro, donde la dificultad para acceder a viviendas dignas a un precio asequible es casi tan grave como en la capital. El impacto más extremo de la crisis podía verse en una de las avenidas por las que discurrió la marcha, con varias tiendas de campaña instaladas bajo soportales ocupadas por gente que no tiene techo. (..)"

2023-10-01

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Socialismo de rendas: contas a pagar

Público 01-04-2023
https://www.publico.pt/2023/04/01/fotogaleria/manif-porto-410021


Milhares de pessoas por todo o país saíram à rua este sábado contra a crise nacional na habitação, com preços cada vez mais altos a obrigar muitos a abandonarem os centros urbanos. As cidades de Lisboa, Porto, Viseu, Aveiro, Coimbra e Braga encheram-se de cartazes a pedir o direito a viver, com dignidade, nas cidades. "Queremos casas para viver", "Ter casa é um direito, não um privilégio", e "Tanta gente sem casa, tantas casas sem gente" foram alguns dos slogans exibidos durante a tarde. O PÚBLICO preparou uma fotogaleria dos protestos no Porto e em Lisboa.
 

2023-04-05

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Riqueza portugueza com certeza

DinheiroVivo 03-11-2022
https://www.dinheirovivo.pt/economia/final-anunciado-dos-vistos-gold-preocupa-promotores-e-investidores-imobiliarios-15313594.html

Montagem: Àbeiradourbanismo
“A declaração que o primeiro-ministro fez na quarta-feira sobre o possível fim dos vistos gold deixou promotores e investidores imobiliários preocupados. Em entrevista ao jornal Eco, o presidente da APII (Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários) critica a possível decisão do Governo, declarando que "é "descabido estar nesta altura a reequacionar o programa de vistos gold, quando todos os países estão a concorrer pela captação de todo o investimento internacional que puderem". Hugo Santos Ferreira diz que as palavras de António Costa são "ruído que vem dar uma grande instabilidade ao mercado imobiliário" e que prejudicam "seriamente a captação de investimento estrangeiro e, portanto, a entrada de riqueza em Portugal", recordando que o programa dos vistos gold já totalizou mais de seis mil milhões de euros de investimento. (..)

2022-11-09


quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Socialismo de rendas

Nit / Portugal 04-09-2022
https://www.nit.pt/fora-de-casa/na-cidade/estudo-confirma-lisboa-e-das-cidades-mais-inabitaveis-do-mundo

Os custos de habitação, os salários baixos e o mercado imobiliário sufocado pelo turismo são os principais fatores apontados.

De acordo com um estudo publicado em junho, pela iVisa, Lisboa é considerada a cidade mais feliz do mundo. No entanto, segundo a revista norte-americana “Jacobin”, é também um dos locais menos viáveis para habitar. Parece paradoxal, mas os custos de habitação e os salários baixos levaram à classificação da capital portuguesa como a terceira mais inabitável do mundo, segundo o ranking elaborado em março pela seguradora imobiliária britânica CIA Landlord Insurance citado pela publicação.

“Os custos de habitação em Lisboa são tão elevados que é ainda mais inviável para os inquilinos do que Nova Iorque”, começa por mencionar a publicação internacional. A esta informação, o geógrafo Agustín Cocola-Gant acrescenta que os residentes “têm que dedicar entre 50 a 60 por cento do seu salário à renda, se tiverem um emprego bem remunerado”, um cenário que exclui da equação quem recebe o salário mínimo.

Nos últimos anos, assistiu-se à crescente redução da população residente na cidade. Muitos jovens optam por viver em localidades mais acessíveis da área metropolitana, a população idosa é forçada a sair dos bairros onde passaram toda a sua vida — graças à gentrificação — e Lisboa tornou-se refém de políticas de turismo que agravam os problemas habitacionais. (..)

2022-09-14

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Ora pois!

Risco / Portugal 17-11-2021, por Fábio C Silva

Covid-19: BCE alerta para sobrevalorização do mercado imobiliário em países como Portugal

Montagem: Àbeiradourbanismo
Imagem original: Internet
O aumento da inflação no mercados imobiliário está a preocupar o Banco Central Europeu (BCE). A instituição financeira alerta assim para o risco de empréstimos com montantes elevados e a assunção de riscos por entidades não bancárias. (..)

Para a instituição liderada por Christine Lagarde, o mercado está “ sujeito a uma correção”, ao mesmo tempo em que alerta que os fundos de investimento, seguradoras e fundos de pensões podem enfrentar “perdas de crédito substanciais” se a sua exposição a dívidas empresariais com baixa classificação diminuir. (..)

Desde 2013, e até ao segundo trimestre deste ano, a habitação “está cerca de 38% mais cara no conjunto da União Europeia. Significa isto que, por ano, houve um aumento médio de 4% neste período”, escreve o Jornal de Negócios. (..)

2021-11-18

domingo, 30 de agosto de 2020

Fica esperto, Avôzinho!

Le Monde 29-08-2020, por Laurence Girard e Nicole Vulser

Avec la pandémie, les recettes touristiques de Paris et sa région plongent de plus de 60 %

É de se supor que a queda catastrófica do turismo global afete os países na proporção direta de sua participação no PIB. Se somarmos a isso o impacto sobre as grandes cidades, a situação mais periclitante no cenário europeu talvez seja a de Portugal. Mais do que em qualquer outro país, a indústria do turismo promoveu nas últimas décadas um intenso processo de valorização imobiliária urbana que empurrou, em efeito cascata, milhares de famílias para a periferia das suas metrópoles – Lisboa e Porto. Com a queda dos preços, já se fala até no retorno de significativos contingentes de “expatriados” urbanos.

Em matéria publicada no CasaSapo em 09-01-2020*, Tiago Domingues, co-autor do artigo "Can a small leak sink a great ship? - uma análise global da poupança das famílias em Portugal", explicava que, mesmo poupando menos, as famílias portuguesas viram crescer seu patrimônio devido ao expressivo aumento de valor de seus imóveis. 

Profeticamente, ele alertava: "Não é tanto uma acumulação de poupanças [em dinheiro] mas, sim, o facto de que aquilo que eu poupei ao longo da vida [e que [me] permitiu ter uma casa], de repente, vale mais - como daqui a dois anos pode valer metade ou menos, pois estamos a falar numa lógica de mercado imobiliário".

Em chão escorregadio todo cuidado é pouco, Avôzinho!

2020-08-30

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[1] https://casa.sapo.pt/noticias/portugueses-nunca-foram-tao-ricos-e-a-culpa-e-do-preco-das-casas/?id=27009

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Unreal estate

Sapo / Portugal 09-01-2020, por TSF

Portugueses nunca foram tão ricos e a culpa... é do preço das casas 
Imagem:
(..) Os números recolhidos junto do Banco de Portugal revelam que, globalmente, o património imobiliário das famílias aumentou 27,6% entre 2013 e 2018, de 303 mil milhões de euros para 387 mil milhões.

"Não é tanto uma acumulação de poupanças [em dinheiro] mas, sim, o facto de que aquilo que eu poupei ao longo da vida [e que permitiu ter uma casa], de repente, vale mais --como daqui a dois anos pode valer metade ou menos, pois estamos a falar numa lógica de mercado imobiliário", explica o economista, alertando para a possibilidade, sempre presente, de uma crise nesses mesmos preços que fazem dos portugueses, neste momento, no total, pessoas mais ricas (recorde-se que Portugal é, também, um dos países mais desiguais da União Europeia). (..)

Tiago Domingues sublinha, finalmente, outro problema: as pessoas têm de viver em algum lado e, mesmo se venderem a casa onde habitam, têm, depois, de comprar ou alugar outra que também será, em princípio, mais cara que no passado...

2020-01-30

domingo, 12 de janeiro de 2020

Dilemas do social-rentismo (2)

Eco.sapo / Portugal  20-12-2019, por Rita Neto 

Imobiliárias criticam Orçamento do Estado. Governo está a “sugar” o setor 

Imagem: Internet
O Orçamento do Estado para 2020 (OE2020) chegou, com especial enfoque na habitação, mas as medidas propostas apanharam de surpresa as maiores imobiliárias do país… e não pelos melhores motivos. Há mais IMI e IMT, mais impostos para o Alojamento Local (AL) e possíveis mudanças no regime dos vistos gold.

[Apesar de terem vários âmbitos de aplicação, os vistos gold são aplicados essencialmente na compra de imóveis por mais de 500 mil euros.]  https://eco.sapo.pt/2019/12/16/governo-propoe-rever-regime-dos-vistos-gold/

(..) O que os investidores internacionais querem é “investir nos centros das cidades” em “produtos com pouco risco”, complementa Pedro Lancastre, da JLL, referindo-se ao imobiliário. “As pessoas gostam de ter é um ativo real, e esse é intuitivo: é o imobiliário. Porque é o que dá conforto”, sublinha Paulo Silva, acrescentando, contudo, que o imobiliário não pode depender para sempre deste regime dos golden visa. (..)

2020-01-12

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Dilemas do social-rentismo

Público.pt 07-12-2019, por David Pontes / Editorial
https://www.publico.pt/2019/12/07/opiniao/editorial/habitacao-novo-desemprego-1896513

A habitação é o novo desemprego
Imagem: Internet
O turismo devolveu-lhes o emprego que faltou durante os tempos mais difíceis da troika, vitalizou a economia, mas acabou por lhes tirar a casa.

(..) O mais grave é que nesta ironia está encerrado o destino de muitos milhares de portugueses, com matizes nem sempre tão dramáticas como os que foram auxiliados pela Igreja do Mirante, mas com histórias igualmente complicadas de vidas gravemente perturbadas pela falta de habitação acessível. Nos últimos anos, a habitação tornou-se um problema central, com influência directa em questões determinantes do nosso futuro como a demografia, o ensino ou o ambiente. (..)


2019-12-16

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Civilização brasileira

Yahoo Notícias 30-11-2019, por Gian Amato / O Globo

Imóveis ganham suítes e chuveirinho no banheiro em Portugal para atrair ricos brasileiros 
Brasileiro recém-chegado a Portugal
ensina aos patrícios o uso da
ducha higiênica

Imagem: https://www.mdig.com.br/index.php?itemid=45690
O fluxo crescente de endinheirados entre Brasil e Portugal atrai bancos internacionais para Lisboa e provocam mudanças no mercado imobiliário do país para atender às preferências dos brasileiros. 

Nos primeiros nove meses deste ano, 176 investidores do Brasil transferiram € 132,6 milhões, o equivalente a R$ 617 milhões para Portugal, 46,5% mais que no mesmo período de 2018, como forma de obter os chamados vistos gold, que dão direito à residência em contrapartida à compra de imóveis de alto padrão, a partir de € 500 mil (R$ 2,3 milhões). 

A chegada dos brasileiros ricos obrigou as construtoras e imobiliárias de luxo a adaptarem os imóveis para atender aos pedidos bem característicos desses clientes, como dependências de empregados domésticos, suítes em todos os quartos, com instalação de duchas higiênicas, e áreas de serviço com tanques. (..) 

2019-12-02

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

E os patrícios vão morar... nas caravelas (4)

O Jornal Económico 08-11-2019, por Laura León 
 
Os números do airbnb já não são desprezáveis, destaca CEO da KW Portugal

O CEO da KW Portugal, Eduardo Garcia Costa, destacou que os números do airbnb “já não são desprezáveis”, acrescentando que constam dos dados do turismo que em 2018 o airbnb alojou 3,4 milhões de turistas, dos cerca 21 milhões que passaram por Portugal.

O CEO da KW Portugal frisou que é importante perceber que fenómenos é que estão a acontecer no turismo, dado que estes também estão intrinsecamente relacionados com as novas dinâmicas no mercado imobiliário, nomeadamente o crescimento do turismo residencial, que têm como consequência o aumento de preços no mercado imobiliário. (..) 
Clique na imagem para ampliar
2019-11-20

domingo, 10 de novembro de 2019

Falando francamente

Radio Alto Minho 31-10-2019 

Proprietários de Lisboa podem comemorar com o aumento dos preços dos imóveis: 24% desde 2012
Montagem,: à beira do urbanismo 

O mercado imobiliário português recuperou bastante após a recessão de 2008, com os proprietários em Lisboa entre os maiores beneficiários. O mercado tem tido um fluxo de capitais proveniente de vários ângulos, à medida que os portugueses retornam ao seu país e uma onda de investimentos estrangeiros ajuda a manter o gradiente numa ótica ascendente. Esta combinação de proprietários locais e estrangeiros fez reviver em grande parte o mercado, que se encontrava no seu ponto mais baixo desde há apenas 11 anos.

Com a implementação de múltiplos esquemas pelo governo português para incentivar o investimento estrangeiro, a residência e a propriedade registaram enormes retornos económicos. Em particular, o sistema Golden Visa (Vistos Dourados), que foi um enorme sucesso para indivíduos de elevado património provenientes da Rússia, China e de toda a África, pois oferecia a oportunidade de prolongar permanentemente sua estadia em Portugal, uma vez que possibilitavam a solicitação de um visto permanente após 5 anos de residência no país (com a condição de ter realizado a compra de um imóvel por mais de € 500.000). 

Paralelamente ao esquema dos vistos dourados, está o esquema dos residentes não habituais em Portugal, promovendo o fascínio de compradores estrangeiros para que se estabeleçam no país. A iniciativa do governo, voltada para os reformados e pessoas com elevado património, oferece taxas de imposto tentadoramente baixas para a renda local e isenção de valores provenientes do exterior. Inspirando-se nos programas governamentais de Londres, Portugal procurou reforçar o crescimento constante e a segurança do seu mercado imobiliário por meio de investimentos estrangeiros, o que parece estar a levar, de fato, a um sucesso retumbante. (..) 

2019-11-10

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Percalços do rentismo socialista (2)

Público 21-10-2019, por Luísa Pinto

Rendas levam metade do rendimento das famílias na Grande Lisboa

A explosão de preços nas grandes cidades significa que o rendimento das famílias é inundado pelo esforço com o custo da habitação, que chega a taxas de 58% para comprar e de 67% para arrendar, na cidade de Lisboa. Ou de 46% na Área Metropolitana. Uma tendência que agrava os riscos de segregação habitacional.


O patamar dos 35% que é recomendado internacionalmente como limite máximo da taxa de esforço a que devem ser submetidas as famílias para pagarem a sua habitação é largamente ultrapassado, no caso do mercado de arrendamento, em 11 dos 18 concelhos que compõem a Área Metropolitana de Lisboa (AML). (..) 

2019-10-30


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Lisboa: "O que vai acontecer aqui?"

Público 23-10-2019, por Mariana Durães
https://www.publico.pt/2019/10/23/p3/noticia/o-bullying-da-especulacao-imobiliaria-ocupou-lisboa-mas-ha-quem-o-queira-despejar-1890933

O “bullying imobiliário” ocupou Lisboa, mas há quem o queira despejar 

https://player.vimeo.com/video/357310878
Clique no link para assistir ao documentário
Pelo direito a habitar Lisboa e contra os despejos, o colectivo Left Hand Rotation realizou um documentário que quer chamar os lisboetas para a luta. O que vai acontecer aqui? mostra como o “bullying da especulação imobiliária” está por toda a cidade. Mas este é o “momento-chave” para o despejar. E já há quem o esteja a fazer.

Eduardo Nicola recebeu uma carta a dizer “que o prédio Santos Lima ia ser vendido a duas imobiliárias”. Pouco tempo depois, encontrou um anúncio que dizia que esse mesmo prédio — onde morava — estava à venda por sete milhões de euros. Desde então, as 17 famílias que vivem neste edifício de Marvila dizem estar a ser “pressionadas” para sair: as portas dos apartamentos desocupados foram arrombadas, as paredes e o chão esburacados. “O prolongamento da Expo 98 está a chegar aqui e o metro quadrado tem muito valor”, explica o residente.

Esta é uma das realidades que o documentário O que vai acontecer aqui?, feito pelo colectivo espanhol Left Hand Rotation, em conjunto com as associações portuguesas Habita e Stop Despejos, mostra. (..)
 
2019-10-28

domingo, 22 de setembro de 2019

Percalços do rentismo socialista

UOL Economia / Bloomberg 19-09-2019, por Henrique Almeida
 
Mercado imobiliário português está "muito aquecido" para alguns

Imagem: Internet 
Portugal é o mercado imobiliário mais dinâmico da Europa Ocidental, graças a incentivos fiscais para estrangeiros e ao chamado programa Golden Visa, que oferece permissão de residência em troca de um investimento mínimo de 500 mil euros (US$ 550 mil). 

O outro lado da história para pessoas como Guerreiro: os imóveis mais caros se tornaram um efeito colateral sem perspectiva de que os preços caiam tão cedo. Investidores estrangeiros injetaram 4,3 bilhões de euros em imóveis em Portugal por meio do programa de residência desde o início dos incentivos em 2012.

O primeiro-ministro António Costa, favorito para um segundo mandato nas eleições do próximo mês, sinalizou que o país precisa de incentivos para continuar a trazer recursos. O ministro das Relações Exteriores, Augusto Santos Silva, chegou a classificar os programas de "direito soberano".

Lisboa tornou-se um ímã para turistas na Europa, pois muitos investidores renovam propriedades e as transformam em aluguéis de curta temporada através de sites como o Airbnb. Os aluguéis de curta temporada são responsabilizados pelo aumento dos preços, porque procuram atrair turistas que podem pagar mais do que os residentes. (..)

2019-09-22