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quarta-feira, 15 de maio de 2024

Anais da crise climática: Rio Grande do Sul

Outras Palavras 06-05-2024, por Daniel Lemos Jeziorny
https://outraspalavras.net/crise-brasileira/tragedia-gaucha-e-a-arte-de-cegar/

Quanto mais se publica sobre este novo desastre, mais se esconde o essencial: o colapso do clima pode ser evitado; basta nos livrarmos do sistema que o produz. Para que isso permaneça ofuscado, os noticiários nos inundam de banalidades

2024-05-15

domingo, 5 de maio de 2024

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Primórdios da urbanização de mercado no Brasil: Porto Alegre

Scripta Nova - Revista Electrónica de Geografía Y Ciencias Sociales / Universidade de Barcelona, Vol. IX, núm. 194 (13), 1 de agosto de 2005, por STROHAECKER Tania M., Professora no Departamento de Geografia - UFRGS, Brasil.
http://www.ub.edu/geocrit/sn/sn-194-13.htm

Atuação do Público e do Privado na Estruturação do Mercado de Terras de Porto Alegre (1890-1950)

Resumo 

Porto Alegre 1888
A estruturação atual das cidades brasileiras é produto de um longo processo de idealização, construção, destruição e reprodução dos espaços frente à atuação de diferentes agentes sociais. Entre os agentes modeladores do espaço urbano destacam-se os proprietários dos meios de produção, os proprietários fundiários, os promotores imobiliários e o Estado. O trabalho procura analisar o processo de estruturação urbana de Porto Alegre (RS/Brasil), no período de 
1890 a 1950, enfocando as estratégias do Estado, na esfera municipal, e dos promotores fundiários frente à nova ordem mundial que preconizava a modernização da cidade como fator preponderante para a sua inserção na economia capitalista.

* 

A pesquisa baseou-se principalmente em fontes primárias como: os relatórios anuais das companhias publicados na imprensa durante os anos de 1895 a 1950; os relatórios anuais da Intendência Municipal de 1895 a 1950; os documentos originais disponibilizados pelas companhias Predial e Agrícola e Condor Emprendimentos Imobiliários; os documentos originais arquivados na Junta Comercial de Porto Alegre; em entrevistas com funcionários e dirigentes das companhias extintas; em planta cadastral com o nome dos proprietários dos imóveis dos loteamentos implantados pela extinta Companhia Territorial Porto Alegrense. Para complementar o trabalho analisou-se fontes secundárias sobre a história urbana e regional, a biografia dos principais acionistas das companhias de loteamento, a legislação urbanística, códigos de posturas, mapas e plantas antigas da cidade. 

O texto está estruturado em três partes: na primeira, analisa-se a formação do capital imobiliário e o surgimento das companhias de loteamento, destacando-se a atuação da Companhia Territorial Porto Alegrense na última década do século XIX. Após, destaca-se o ideário da modernização encabeçado pelo Estado frente às pressões do capital emergente e a atuação da Companhia Predial e Agrícola, a principal detentora de terras da cidade nas primeiras décadas do século XX. Na terceira parte, analisa-se a reforma urbana empreendida por três governos sucessivos, concomitantemente à atuação da Schilling & Kuss Cia. Ltda., principal empresa loteadora em Porto Alegre nas décadas de 1930 a 1950. 
Portanto, o trabalho analisa conjuntamente as estratégias de dois agentes urbanos (Estado e promotor fundiário), pois entende-se que suas ações espacializadas, respectivamente, na área central e na periferia urbana, foram responsáveis, entre outros fatores, pelas contradições sócio-espaciais da cidade atual. 

A formação do capital imobiliário e as companhias de loteamento

A partir de 1860, Porto Alegre começa a sair da letargia de quarenta anos com a decadência do ciclo do charque no sul da Província devido à concorrência platina e à gradativa organização comercial das colônias alemãs. A capital se impõe como pólo comercial passando a ser alvo de maciços investimentos. (..)


Acesse o artigo completo pelo link
http://www.ub.edu/geocrit/sn/sn-194-13.htm


2021-06-03 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Porto Alegre: Financiando obras viárias com renda do solo privado

Lincoln Institute of Land Policy 2013, por Néia Corrêa Uzon* 

* Arquiteta, Diretora do Escritório de Aquisições Especiais da Secretaria Municipal da Fazenda de Porto Alegre 1997-2003  

Transferência do Direito de Construir: A Experiência de Porto Alegre, Brasil 

A experiência aqui relatada, de aquisições de imóveis para a execução da 3ª Avenida Perimetral de Porto Alegre, utilizando em larga escala o instrumento da Transferência do Direito de Construir, comprovou, na prática, a excelência do instrumento. A operação consiste em pagar a desapropriação de um lote, ou parte dele, apenas com a “permissão de levar seu potencial construtivo para outro local”, baseado na premissa de que o valor do bem é dado principalmente pela sua capacidade de receber edificação, aliado à sua localização na cidade.
Desenho esquemático das vias perimetrais
de Porto Alegre. (*) A 4a Perimetral não
tem previsão de implantação.
A operação, embora sugerida pelo corpo técnico da Prefeitura, inseriu-se perfeitamente nos planos do governo municipal, pois veio ao encontro das políticas já adotadas pela administração da cidade. Desde 1989, a administração vinha adotando uma política de controle do uso do solo, recuperação de mais valias urbanas, inversão das prioridades históricas no atendimento dos serviços municipais, utilização dos instrumentos de regulação em poder do governo municipal para promover a redução da concentração dos benefícios financeiros e de valorização imobiliária, historicamente nas mãos dos mais abastados. 

(..) A base legal da operação foi dada por lei municipal pioneira no Brasil, embora a estrutura legal que sustenta a organização do País como uma República Federativa já autorizasse os municípios a legislar  sobre a matéria: afinal, a Constituição da República, em seu artigo 18, estabelece a autonomia político-administrativa dos entes da federação.

Com essa operação, a Municipalidade diminuiu sensivelmente o desembolso financeiro. O total de aquisições, sem desembolso em moeda corrente, alcançou a cifra de R$ 25.893.288,993 - equivalentes na época a US$ 10,8 milhões, aproximadamente. Este desempenho viabilizou a contrapartida junto ao organismo financiador da obra – Banco Interamericano de Desenvolvimento – o que permitiu, através de negociações posteriores, a ampliação do objeto contratado inicialmente, com a inclusão da execução de outras obras importantes para o desenvolvimento da cidade. Por sua vez, os proprietários afetados receberam um recurso que, nesse caso específico, atingiu valores superiores aos de seus terrenos no mercado imobiliário.

A execução da 3ª Perimetral envolveu a tentativa de convencimento para adesão à proposta de Transferência do Direito de Construir de aproximadamente 6 mil proprietários.

Para reduzir o impacto da intervenção, foi criada uma estrutura administrativa própria que foi capaz de reduzir os tempos de efetivação dos contratos de compra e venda e proporcionar atendimento diferenciado ao público-alvo, baseado em técnicas de negociação. Foi uma experiência única, onde não se detectou prejudicados. Iniciou-se, a partir dela, um mercado de compra e venda de direito de construir que pode vir a auxiliar o desenvolvimento de outros instrumentos de recuperação de mais valia, como o Solo Criado – atualmente chamado pela legislação federal de Outorga Onerosa de Direito de Construir. A formulação acabou por atrair o interesse do próprio Banco Interamericano de Desenvolvimento (o banco, inicialmente, duvidara de sua aplicabilidade ao projeto), que passou a recomendar a outras cidades brasileiras e latinoamericanas que conhecessem a experiência de Porto Alegre. (..) 
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(*) https://portoimagem.wordpress.com/2015/01/18/comeca-construcao-do-duo-concept-na-1a-perimetral/