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quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Krugman: sobre a crise de moradia nos EUA

Substack 03-09-2025, por Paul Krugman 
https://paulkrugman.substack.com/p/yes-america-has-a-housing-emergency (pago)
 
Yes, America Has a Housing Emergency
But Trump will make it worse

(..) We do, in fact, have a housing emergency. Over the past decade home prices have risen much faster than the overall cost of living, so the popular perception that housing has become unaffordable is grounded in reality:

Why has this been happening? The home price surge since 2015 looks very different from the housing bubble of the 2000s. That bubble was largely driven by speculation, with house prices rising much faster than rents. The price surge also bypassed sunbelt cities like Atlanta, Houston and Dallas, where housing supply expanded to meet rising demand.

This time, however, we’re looking at a truly national phenomenon. As Edward Glaeser and Joseph Gyourko document in a recent paper, housing prices have risen rapidly, without eliciting a large increase in homebuilding, even in cities that avoided the 2000s bubble.

Back in July, looking at the case of Atlanta, I suggested that we might be looking at the limits of sprawl. In the 2000s cities like Atlanta could add housing by spreading ever further out, adding single-family homes at their edges. At this point, however, they’ve sprawled so far that this doesn’t work anymore. Another recent academic paper, by Orlando and Redfearn, argues that sprawl has been

pushing single-family home builders farther away from the amenities that make these urban areas attractive. Eventually, this progression reaches a limit in which commuting back to these amenities is too costly. At this point, the greenfield land is effectively “built out.”

The obvious answer is to turn inwards — to build more housing by increasing population density, in particular by building multifamily housing. As I noted in my Atlanta piece, sunbelt cities still have extremely low population densities compared with blue-state cities:

So they could add a lot more housing and bring prices down — if local politics would allow it. Unfortunately, it generally won’t. Glaeser and Gyourko conclude their paper on a despairing note, suggesting that all our major cities, in red states as well as blue, have become places where existing homeowners have become effective at stopping new construction.

Which brings me back to Bessent saying that we have a housing emergency. What will he do about it?

Another man, in another administration, might go YIMBY — “yes in my backyard” — and try to tackle the political obstacles to housing construction. But take a look at Mandate for Leadership, the manifesto issued by the Heritage Foundation’s Project 2025. It’s all for deregulation when it comes to things like pollution controls. But when it comes to housing, it goes full NIMBY:

Congress should prioritize any and all legislative support for the single-family home … American homeowners and citizens know best what is in the interest of their neighborhoods and communities. Localities rather than the federal government must have the final say in zoning laws and regulations, and a conservative Administration should oppose any efforts to weaken single-family zoning.

So no, the Trump administration won’t do anything to expand housing supply, which is the only way to make housing more affordable. (..)

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Socialismo de rendas: contas a pagar

Público 01-04-2023
https://www.publico.pt/2023/04/01/fotogaleria/manif-porto-410021


Milhares de pessoas por todo o país saíram à rua este sábado contra a crise nacional na habitação, com preços cada vez mais altos a obrigar muitos a abandonarem os centros urbanos. As cidades de Lisboa, Porto, Viseu, Aveiro, Coimbra e Braga encheram-se de cartazes a pedir o direito a viver, com dignidade, nas cidades. "Queremos casas para viver", "Ter casa é um direito, não um privilégio", e "Tanta gente sem casa, tantas casas sem gente" foram alguns dos slogans exibidos durante a tarde. O PÚBLICO preparou uma fotogaleria dos protestos no Porto e em Lisboa.
 

2023-04-05

domingo, 18 de outubro de 2020

Escassez catastrófica

NY Times 12-10-2020, por Christopher Flavelle 
Florida Sees Signals of a Climate-Driven Housing Crisis

Home sales in areas most vulnerable to sea-level rise began falling around 2013, researchers found. Now, prices are following a similar downward path.



2020-10-18

domingo, 9 de agosto de 2020

Nada de novo no front (2)

UOL / Cotidiano O3-08-2020, por Agência Brasil

Quantidade de remoções e despejos dobra em SP na pandemia
Levantamento do Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (Labcidade), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP), mostra que o número de reintegrações de posse e remoções, na Região Metropolitana de São Paulo, dobrou durante a pandemia de covid-19. A pesquisa compara os meses de abril, maio e junho, após o início da pandemia, com o trimestre anterior: janeiro, fevereiro e março.

De acordo com o levantamento, nos meses de abril, maio e junho foram realizadas seis remoções na Região Metropolitana, afetando 1,3 mil famílias. O número de casos, no período, é o dobro do registrado no trimestre anterior, janeiro, fevereiro e março, em que ocorreram três.

Segundo o Labcidade, a maior parte dessas remoções foi feita sob ordens do Poder Judiciário. Em uma delas, em meados de junho, na Vila Roseira 2, no distrito de Guaianases, zona leste de São Paulo, a decisão da Justiça foi dada em caráter de urgência, em um plantão judicial, autorizada com o uso da força policial.

"Cerca de 900 famílias perderam suas casas. Mesmo neste atual cenário de pandemia imposto pela covid-19, as famílias receberam apenas um comunicado para desocuparem o local, sem nenhuma proposta de atendimento habitacional", dizem os pesquisadores da FAU na pesquisa. "Fica nítido que a ação de remoção forçada ocorrida deixou as famílias ainda mais vulneráveis ao novo coronavírus, expondo-as a condições precárias de saneamento e prejudicando o distanciamento social, sendo estas recomendações básicas de prevenção à covid-19”. (..) 

2020-08-09

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Dilemas do social-rentismo

Público.pt 07-12-2019, por David Pontes / Editorial
https://www.publico.pt/2019/12/07/opiniao/editorial/habitacao-novo-desemprego-1896513

A habitação é o novo desemprego
Imagem: Internet
O turismo devolveu-lhes o emprego que faltou durante os tempos mais difíceis da troika, vitalizou a economia, mas acabou por lhes tirar a casa.

(..) O mais grave é que nesta ironia está encerrado o destino de muitos milhares de portugueses, com matizes nem sempre tão dramáticas como os que foram auxiliados pela Igreja do Mirante, mas com histórias igualmente complicadas de vidas gravemente perturbadas pela falta de habitação acessível. Nos últimos anos, a habitação tornou-se um problema central, com influência directa em questões determinantes do nosso futuro como a demografia, o ensino ou o ambiente. (..)


2019-12-16

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Percalços do rentismo socialista (2)

Público 21-10-2019, por Luísa Pinto

Rendas levam metade do rendimento das famílias na Grande Lisboa

A explosão de preços nas grandes cidades significa que o rendimento das famílias é inundado pelo esforço com o custo da habitação, que chega a taxas de 58% para comprar e de 67% para arrendar, na cidade de Lisboa. Ou de 46% na Área Metropolitana. Uma tendência que agrava os riscos de segregação habitacional.


O patamar dos 35% que é recomendado internacionalmente como limite máximo da taxa de esforço a que devem ser submetidas as famílias para pagarem a sua habitação é largamente ultrapassado, no caso do mercado de arrendamento, em 11 dos 18 concelhos que compõem a Área Metropolitana de Lisboa (AML). (..) 

2019-10-30


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Financeirização da moradia, lado B

Deu na BBC News
23-09-2019, por BBC News
Housing crisis affects estimated 8.4 million in England – research
An estimated 8.4 million people in England are living in an unaffordable, insecure or unsuitable home, according to the National Housing Federation.
Foto: Frantzesco Kangaris / The Guardian
The federation said analysis suggests the housing crisis was impacting all ages across every part of the country.
It includes people facing issues such as overcrowded housing or being unable to afford their rent or mortgage.
(..)The research estimated:
  • 3.6 million people are living in an overcrowded home
  • 2.5 million are unable to afford their rent or mortgage
  • 2.5 million are in "hidden households" they cannot afford to move out of, including house shares, adults living with their parents, or people living with an ex-partner
  • 1.7 million are in unsuitable housing such as older people stuck in homes they cannot get around and families in properties which have no outside space
  • 1.4 million are in poor quality homes
  • 400,000 are homeless or at risk of homelessness - including people sleeping rough, living in homeless shelters, temporary accommodation or sofa-surfing
Some people may have more than one of these housing problems, the federation said. (Continua) 
2019-09-26


quinta-feira, 20 de junho de 2019

Logement, climat, même combat

Deu no Le Monde / Logement 
07-06-2018, por Isabelle Rey-Lefebvre
https://www.lemonde.fr/societe/article/2019/06/07/quand-la-finance-fait-main-basse-sur-le-logement-social_5473003_3224.html 
Quand la finance fait main basse sur le logement social
Foto: Laurent Paillier / Le Pictorium /Francinter
La plupart des métropoles occidentales, de Paris à Berlin, de New York à Stockholm en passant par Londres, sont confrontées à la flambée des prix des logements, qui chasse les classes moyennes vers les périphéries. Pire, dans la plupart des grandes villes européennes, le nombre de sans-abri explose et sature les centres d’hébergement. « Il y a une crise du logement à l’échelle mondiale. C’est la crise sociale la plus importante du moment, aussi urgente que la crise climatique », a alerté Leilani Farha, rapporteuse de l’ONU pour le logement abordable, dès l’ouverture du Festival international du logement social que Lyon accueille, du 4 au 8 juin. (Continua)

2019-06-20

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Emergência nacional


Deu na BBC Three
15-04-2019, por Vicky Spratt / Tales from the frontline

Inside the housing crisis: Why I live in a cupboard
What does the housing crisis mean to you? Unaffordable rents? A rise in rough sleeping? Letting agency fees so high they make you flinch? People in desperate need unable to access social housing?
While the government is taking steps to further safeguard tenants' rights, with the April 2019 announcement of plans to revoke Section 21 - legislation which allows landlords to serve tenants with 'no-fault' eviction notices - the problems show little sign of abating. Housing charity Shelter previously said it was no longer right to talk about a housing crisis in Britain but, in their opinion, “a national emergency”. 
The stats paint a pretty bleak picture tbh. According to Shelter’s research, 1.2 million people across the UK are currently on the waiting list for social housing but only 6,463 social homes were built from 2017-2018. And, every night, according to charity Homeless Link, almost 5,000 people sleep rough in England alone. (Continua)

2019-04-18


domingo, 14 de abril de 2019

Habitação de mercado para iniciantes

Valor econômico 05-04-2019, por Adriana Cotias

Hectare estreia com foco em ativos imobiliários

Montagem: à beira do urbanismo
Imagens: free Family Clip Art 
Fruto de uma cisão com o escritório de gestão de fortunas RTSC, a Hectare Capital ampliou a lista de gestoras com foco exclusivo em investimentos no mercado imobiliário. (..)

No forno está outro FIP multipropriedade, que já mapeou cinco investimentos e terá R$ 100 milhões, além de um fundo de recebíveis (FIDC) para dar funding na modalidade "home equity" - em que o mutuário usa o imóvel como garantia para levantar recursos numa operação de crédito pessoal. (..)

"A garantia é avaliada com a visão de 'projetc finance', ele tem que se pagar sozinho", diz Castro. Os imóveis são integralizados numa sociedade de propósito específico, com uma garantia de 130% a 150% do valor financiado, dada pela combinação do imóvel com a carteira de recebíveis do empreendimento. (..) 

2019-04-14

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Buraco sem fundo

Deu no UOL Economia
07-01-2019, por Douglas Gavras
Déficit habitacional é recorde no país
A redução do crédito para financiamento de imóveis, o desemprego em alta a partir dos anos de crise e a queda na renda das famílias tornaram o sonho da casa própria ainda mais distante para milhares de brasileiros. O déficit habitacional do país, que já era elevado, aumentou em mais de 220 mil imóveis entre 2015 e 2017, batendo recorde. Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que o déficit de moradias cresceu 7% em apenas dez anos, de 2007 a 2017, tendo atingido 7,78 milhões de unidades habitacionais em 2017. "Chegamos ao recorde da série histórica de déficit habitacional. Hoje, ele ocorre, sobretudo, pela inadequação da moradia -famílias que dividem a mesma casa, moram em cortiços, favelas - e pelo peso excessivo que o aluguel passou a ter no orçamento das famílias nos últimos anos", afirma Robson Gonçalves, da FGV.
Ele explica que a maior parte do déficit é formada por famílias que ganham até três salários mínimos por mês, mas a demanda por moradias também atinge consumidores de rendas intermediárias, que viram o mercado de trabalho ficar instável nos últimos anos e o crédito imobiliário mais escasso. (Continua)
Acesse a matéria completa pelo link
https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2019/01/07/deficit-habitacional-e-recorde-no-pais.htm  



2019-01-08

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Porto do Rio sem habitação: “revitalização” para inglês ver? – por Sonia Rabello


Publicado em 28 | Outubro | 2013
http://www.soniarabello.com.br/


Em 2009, por proposta do então e ainda atual prefeito do Rio foi aprovada a lei para realizar uma operação urbana na Região Portuária do Rio, sem qualquer previsão para destinação de percentual para para habitação social (faixa de zero a seis salários mínimos).
Dois anos após, a Caixa Econômica Federal criou um fundo imobiliário especial, com recursos do Fundo de Garantia dos trabalhadores para adquirir de uma vez só, em lote único, a totalidade dos títulos de potencial construtivo (Cepacs) do Porto, por R$ 3 bilhões à vista e sem qualquer reserva ou vinculação para edificação residencial e, muito menos, para habitação social.
Como era de se esperar, segundo publicação feita no jornal JB Online, o projeto inicial de “revitalização” que deveria incluir, além das alterações em mobilidade urbana e na infraestrutura, a revitalização das moradias já existentes na região e a criação de novos complexos habitacionais, com o repovoamento da região, moradores afirmam que o local está sendo utilizado para a construção massiva de complexos empresariais, por seu caráter econômico mais vantajoso.
Em suma, o governo municipal privilegia complexos empresarias à construção de residências, tornando a Região Portuária uma extensão do Centro do Rio. E a derrubada da Perimetral, marco principal desse processo da propagada “revitalização”, mas que, segundo informa a publicação, “não livra a região do seu futuro iminente: abandono e esvaziamento”.
O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), Agostinho Guerreiro, criticou a postura da Prefeitura e não acredita em uma revitalização que desconsidera a construção de moradias.
“Não é o ideal porque quando se falou em revitalização, a ideia é revitalizar o porto e com isso, incluir a população. Qual o conceito de revitalização? É não ter uma cidade morta em nenhum momento do dia. E o que acontece com a cidade do Rio na parte da noite é que uma grande parte da cidade é morta, exatamente pela prioridade que foi se dando à parte de edificações institucionais, voltadas para serviços e comércio. São atividades que transcorrem fundamentalmente durante o dia”, explica.
A presidente da Associação dos Moradores do Morro da Conceição, Márcia Regina, afirmou que nenhum tipo de investimento foi realizado na localidade e que a chegada de empreendimentos comerciais tem sido intensa. “Aqui no Morro da Conceição nada foi feito, a Prefeitura deixou muito a desejar aqui. Fizeram uma obra ‘para gringo ver’, abriram a rua toda porque iam fazer fiação subterrânea e a obra não foi finalizada. Tem uns postes aqui no meio da calçada, e as pessoas são obrigadas a andar no meio da rua. Tem dez dias que uma criança foi atropelada”, reclama.
Em berço esplêndido -
Durante o meu mandato como vereadora, propus um projeto de lei destinando, obrigatoriamente, um percentual mínimo de 10% dos recursos públicos do potencial construtivo vendidos e a destinação de um mínimo também de 10% da área para serem aplicados em habitação social.
Após tramitar pelas várias comissões da Casa Legislativa, o projeto foi incluído na pauta de votação, mas prestes a ser votado, o líder do governo Paes e atual vice-prefeito do Rio, apresentou uma emenda ao projeto (apoiada por outros 16 vereadores) que suprimia a destinação dos 10% dos recursos do Cepacs à habitação social.
Com isso, também tirou o projeto da pauta de votação que acabou sendo arquivado. Lá dormita sem que nenhum vereador tenha pedido até o momento o seu desarquivamento.
O “medo” tardio…
Ainda este ano, por determinação judicial, ocorre um novo complemento do Estudo de Impacto de Vizinhança do Projeto do Porto “Maravilha”. A questão da moradia é levantada com veemência em Audiência Pública realizada na sede do Ministério Público. A mídia se alvoroça através de críticas em relação à falta de previsão de moradias para o projeto do Porto, como se a questão fosse descoberta agora….
O prefeito, por sua vez, disse, então, estar preocupado (?) com a questão residencial na área portuária, afirmando que não determinou um percentual de títulos reservados à habitação para não “desvalorizar” as Cepacs.
“Como eu queria vender aquele negócio, segurei, mas agora chegou o momento dessa discussão. Precisamos ter gente morando, para não virar o que virou o Centro. Este é o meu medo”. Não diga!
E a sociedade, atônita, não acredita no que vê ou no que ouve. Será preciso esperar o fim desse enredo para se lamentar, como sempre ?

Sonia Rabello é professora de direito administrativo e urbanístico 




sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Rolnik: Nosso déficit não é de casas, é de cidade

Fonte: Internet
Imperdível a entrevista de Raquel Rolnik* ao Jornal do Brasil, em 22-10-2012, em que  discute, dentre outros temas, a relação entre financeirização do negócio imobiliário, política habitacional e os programas Minha Casa Minha Vida e PAC, a democracia nas cidades, a (ausência de) uma política nacional de desenvolvimento urbano, a promessa e a realidade do Estatuto da Cidade, etc. 

O blogueiro não resiste à tentação de dizer que se sentiu perfeitamente representado e pronto para dormir o sono dos justos ao ler, na entrevista, a seguinte afirmação:
"A economia política das cidades ainda é conduzida pelos setores que têm na cidade o seu negócio. São interesses econômicos mais ligados ao setor imobiliário e ao setor das empreiteiras de obras públicas, concessionárias de serviço público. Isso aí manda nas cidades, nas câmaras municipais, e portanto nós não conseguimos romper essa lógica da hegemonia desse setor nas cidades." (Raquel Rolnik, entrevista ao JB em 22-10-2012). 
Não foi por outra razão que, às vésperas das recém-findas eleições municipais, propus a formação, em Niterói, de uma "coligação em defesa da cidade" e apoiei os candidatos do PSOL e do PT pedindo-lhes para formar "uma aliança com todos os que desejam uma administração livre da influência de bancos, empreiteiras, imobiliárias e concessionárias de serviços públicos". CQD! A proposta não vingou, mas continua valendo. 

Leia a íntegra da entrevista em
http://raquelrolnik.wordpress.com/2012/11/06/nosso-deficit-nao-e-de-casas-e-de-cidade/

2012-11--09
__________
*Raquel Rolnik é urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Eu sou você amanhã? II



Cumprindo o compromisso assumido por ocasião do comentário à postagem "Eu sou você amanhã", de Raquel Rolnik (*), ofereço aos leitores de à beira do urbanismo um link para uma relevante contribuição dos professores Adauto Cardoso, Thêmis Aragão e Flávia Araujo à discussão sobre a política habitacional brasileira. 

"HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: POLÍTICA OU MERCADO? REFLEXOS  SOBRE A CONSTRUÇÃO DO ESPAÇO METROPOLITANO",
Contribuição ao XIV ENCONTRO NACIONAL DA ANPUR, Maio de 2011, Rio de Janeiro - RJ - Brasil
por
Adauto Lucio Cardoso (IPPUR), Thêmis Amorim Aragão (IPPUR) e Flávia de Sousa Araujo (IPPUR)

Para acessar o artigo, clique em
http://www.observatoriodasmetropoles.net/download/adauto_cardoso.pdf

(*)
http://raquelrolnik.wordpress.com/2012/05/10/eu-sou-voce-amanha-a-experiencia-chilena-e-o-minha-casa-minha-vida/




domingo, 12 de fevereiro de 2012

Habitação, Emprego e Mobilidade: subsídios para o debate sobre a localização da HIS[1] na cidade do Rio de Janeiro

Antônio Augusto Veríssimo
Arquiteto Urbanista, Coordenador da Coordenadoria de Planejamento e Projetos da Secretaria Municipal de Habitação da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

O presente artigo foi escrito no início de 2010 como uma reação ao movimento de certos setores empresariais que reivindicavam, junto aos executivo e legislativo municipal, mudanças na legislação com o objetivo de integrar ao perímetro urbano áreas de ocupação restrita por se situarem em  regiões inadequadamente servidas por infraestrutura ou  utilizadas por atividades agrícola na Região Administrativa de Santa Cruz.

Na defesa de seus interesses, estes agentes argumentavam que a liberação dessas áreas para a produção de conjuntos habitacionais, a serem financiados pelo Programa Minha Casa Minha Vida,  viria suprir a necessidade de produção de milhares de unidades necessária para atender o défict habitacional existente  e aquela demanda adicional que seria criada pela atração de novos moradores provocada pela implantação de novas unidades industrias no polo de Santa Cruz.

Os dados coletados e as análises efetuadas neste estudo tiveram por objetivo demonstrar: (i) que já havia um extremo desequilíbrio na distribuição das oportunidades de emprego  e moradia na cidade, com profundos e perniciosos impactos sobre a mobilidade da população; (ii) que a região da AP 5, zona oeste do Rio, onde está inserido o bairro de Santa Cruz, já era uma “região dormitório” fornecedora de mão de obra para outras regiões da cidade e que incentivar a produção habitacional de interesse social nessa região, para além de uma certa medida, somente aprofundaria a segregação sócio espacial da cidade e a formação de mais guetos de pobreza; (iii) que o desafio efetivo a ser superado era o de aproximar as oportunidades para moradia dos trabalhadores das suas oportunidades de emprego, portanto, incentivar a produção habitacional, prioritariamente, na área central (AP 1),  zona norte e nos bairros do subúrbio imediato (AP3).

Cabe reconhecer, no entanto, que no decorrer deste tempo a administração municipal se deu conta dessa tendência de concentração e passou a estabelecer maiores restrições para a localização dos conjuntos  bem como buscar alternativas de melhor localização dos empreendimentos por meio da aquisição direta de terrenos bem localizados para a promoção dessa produção.
  

Introdução

O presente trabalho visa contribuir com o debate sobre a definição dos critérios para orientação da localização de empreendimentos habitacionais de baixa renda do município produzidas pelo Programa Minha Casa Minha Vida no Rio de Janeiro e também colaborar com a formulação do Plano Municipal de Habitação de Interesse Social.

Neste estudo pretendemos abordar de forma articulada três fatores, dentre outros, que devem ser levados em consideração na formulação de políticas, planos e programas que visem a produção de unidades habitacionais de interesse social no município.

Os três fatores em análise são: o déficit habitacional, a oferta de empregos e as condições de mobilidade da população.

Sobre o déficit habitacional

Para efeito da análise deste primeiro fator, definimos o conceito de déficit habitacional efetivo que é aquele que, para ser eliminado, depende da produção de uma nova unidade habitacional cuja realocação dos moradores não resulta na liberação de uma unidade vazia disponível para nova ocupação.

Tomamos como indicadores deste défict habitacional efetivo os componentes “habitações precárias” e “coabitação familiar”, constantes da tabela a seguir:

Tabela 1
Déficit Habitacional por suas componentes – Município do Rio de Janeiro – 2000/2006-2007.



Fontes (IPP) 2000-Fundação João Pinheiro e Ministério das Cidades. Aplicativo “Déficit Habitacional no Brasil”, com base em IBGE. Censo 2000.
2006 e 2007 Cálculos do IPP/DIC com base em IBGE – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2006 e 2007.
Notas: A metodologia de cálculo, em cada ano, segue as definições da Fundação João Pinheiro. Em função da limitação das informações disponíveis, para 2000 foi calculado apenas o déficit habitacional básico, composto pelas habitações precárias e coabitação familiar.

Habitações precárias: soma de domicílios particulares permanentes (DPP) rústicos e domicílios particulares improvisados.
Coabitação familiar: para 2000 e 2006 é o resultado da soma dos DPP do tipo cômodos e famílias secundárias conviventes; para 2007 é o resultado da soma dos DPP do tipo cômodos e famílias secundárias conviventes que pretendem se mudar.
Ônus excessivo com aluguel: famílias que ganham até três salários mínimos e comprometem mais de 30% de sua renda com aluguel.
Adensamento excessivo: mais de três pessoas por dormitórios em DPP alugados.
.... Dado numérico não disponível.

Justificativa para a escolha desses componentes:

a)      No caso das habitações precárias, considera-se que a sua desocupação implica na sua demolição sem retorno da unidade ao mercado imobiliário, ou seja, a produção de uma nova unidade viria a substituir aquela inadequada, não importando, portanto, no aumento do estoque residencial na região.

b)     No caso da coabitação familiar, há um aumento do estoque imobiliário, mais a saída de uma família do imóvel não implica na liberação para comercialização de uma nova unidade, não implicando na vinda de novos moradores para a região.

Não foram considerados os componentes “ônus excessivo com aluguel” e “adensamento excessivo” pelos seguintes motivos:

a)     No caso do ônus excessivo, com a mudança dos moradores estaria liberada uma unidade que poderia ser colocada no mercado e ocupada por moradores com maior poder aquisitivo que não se qualificariam com déficit. Por outro lado, espera-se que, com o aumento da oferta de imóveis na região pelo PMCMV, tenha-se como efeito uma redução dos valores dos alugueis reduzindo, portando, o peso deste componente no cálculo do déficit habitacional.

b)     No caso do adensamento excessivo, dá-se o mesmo, pois a mudança dos moradores implica a liberação para o mercado de uma unidade que poderá ser ocupada por uma família menor que não configure uma situação déficit habitacional.

Complementarmente, incluímos no cálculo do déficit habitacional efetivo também as unidades habitacionais dos assentamentos identificados pela Prefeitura com não urbanizáveis, pois, também nesses casos, a considera-se que a sua desocupação implica na sua demolição sem retorno da unidade ao mercado imobiliário, ou seja, a produção de uma nova unidade viria a substituir aquela inadequada, não importando, portanto, no aumento do estoque residencial na região.   Cabe destacar, no entanto, que esta decisão implica em assumir uma super estimativa deste déficit, pois, possivelmente, uma parte desses imóveis já consta como unidades computadas no componente habitação precária. Não obstante, assumimos tal risco, pois preferimos esta hipótese a trabalhar com dados subestimados.

Infelizmente os dados disponíveis sobre o déficit habitacional do município não estão regionalizados, não se contando, portanto, com informações exatas por RAs ou mesmo por AP.

Para realizar uma estimativa do déficit habitacional nas áreas em estudo, partimos dos percentuais de moradores em cada uma das APs, estimados pelo IPP para o ano de 2008, admitindo-se, hipoteticamente, que estes se distribuem na mesma proporção da população de cada AP no território do município.


Tabela 2
Estimativa do déficit habitacional efetivo para o Rio de Janeiro (2007)




Os dados apresentados na tabela anterior nos fornecem estimativas para uma análise da população que habita áreas de risco, moradias precárias, ou em coabitação em cada uma das APs, nos orientando o processo de definição dos critérios de elegibilidade.

A coluna “Déficit de novas UH” estima a quantidade mínima e distribuição percentual das unidades habitacionais que deveriam ser produzidas pelo PMCMV no, âmbito de cada AP, caso nosso interesse fosse unicamente o atendimento dos seus respectivos déficits habitacionais efetivos. Ocorre que outros fatores também devem ser levados em consideração quando se trata do planejamento da localização de empreendimentos habitacionais de interesse social, sendo um dos mais importantes da proximidade da oferta de empregos.


Oferta de empregos

Postos de trabalho formais
Para melhor compreender a distribuição dos postos formais de trabalho vis a vis o local de moradia dos trabalhadores no município do Rio de Janeiro, segue abaixo a tabela 3 elaborada pelo Instituto Pereira Passos:
2008.

Tabela 3 ( em mil pessoas)


Fontes: População total MRJ: Projeção IBGE- 2008; População das AP’s: proporção do ensaio de Kaizô et allii. (Hipótese 1, 2008)
PEA – População Economicamente Ativa: IBGE – PME – julho de 2008.
Empregos formais – assemelhados a postos de trabalho: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) – RAIS – 2008.
Nota: a diferença entre PEA e empregos formais se deve aos autônomos sem empregados + informais + não ocupados.
Tabulação dos dados: IPP.


Para melhor visualização dos dados constantes da Tabela 3 foi também elaborado o gráfico a seguir.

Gráfico  1



Conforme demonstra o gráfico acima, as APs 3 e 5 possuem um expressivo déficit de empregos formais em relação a sua População Economicamente Ativa (PEA), o que indica que a maior parte de suas respectivas PEAs deve buscar postos de trabalho em outras APs ou municípios, ou no mercado informal, seja na própria AP ou externamente.

Oferta de trabalho em geral
Considerando que os dados acima somente explicitam o desequilíbrio entre moradia e postos de trabalho formal, optamos também por examinar dados da  Matriz de Viagens por Motivo de Residência – Trabalho, da Pesquisa de Origem e Destino (POD) do Plano Diretor de Transporte Urbano da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (PDTU-RMRJ), divulgado em 2005, que abrangem todo o deslocamento para residência-trabalho, independentemente de seu grau de formalidade.

O gráfico  a seguir indica os destinos das viagens motivados pelo deslocamento Residência – Trabalho considerando apenas as intra-municipais.

Viagens intra-municipais motivadas pelo deslocamento Residência-Trabalho

Gráfico  2

Fonte: Matriz de Viagens por Motivo Residência-Trabalho. Plano Diretor de Transporte Urbano da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Relatório 9 – Concepção das Matrizes. Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria Estadual de Transporte. Versão 1, Março de 2005.
Como pode ser observado no gráfico anterior, se mantém o desequilíbrio verificado anteriormente entre o local de moradia da PEA e seus locais de trabalho independentemente condição do posto de trabalho, formal ou informal. Aqui também se verifica para as APs 3 e 5 uma diferença muito acentuada entre o número de viagens realizadas por motivo de trabalho intra APs e as que tem como destino outras APs, o que indica que a maioria da PEA dessas áreas trabalha em outras APs.

O desequilíbrio entre oferta de trabalho e moradia

Como pode ser observado na tabela e gráficos  acima, existe na AP1 uma super-oferta de postos de trabalho e um sub-oferta de trabalhadores. Em todas as demais AP’s esta relação é negativa, havendo maior oferta de mão de obra do que postos formais de trabalho. Esta situação se mostra de forma mais aguda nas AP’s 3 e 5.

Sobre trabalho e mobilidade 

A tabela 7 é resultado da compilação de dados retirados da “Matriz de  deslocamentos por motivo de residência – trabalho” do POD do PDTU e reúne informações que permitem uma análise da dinâmica dos deslocamentos  de trabalhadores inter e intra APs no município.

Na coluna número 1 (exportação) temos, para cada uma das APs, a quantidade de trabalhadores que diariamente se deslocam das suas residência para trabalhar em  outras APs  do município.

Na coluna  2 (importação) temos  para cada AP o número de trabalhadores que são recebidos oriundos de outras APs do município.

Na coluna  3 (Saldo) temos a diferença entre entrada e saída de trabalhadores em cada um das APs. Com base nesses dados construímos o gráfico abaixo que ilustra o desequilíbrio observado entre as APs com elação à distribuição dos deslocamentos residência-trabalho no município.

Gráfico  3



O gráfico acima nos indica que nas áreas de planejamentos 2 e 4 existe um certo equilíbrio entre o número de trabalhadores que entra e sai diariamente das APs. Já nas APs 3 e 5 é flagrante o desequilíbrio, o que as caracteriza como grandes exportadoras de mão de obra para outras APs. A AP1 destaca-se como a grande importadora de mão de obra.

Deslocamentos intra APs.

Na coluna 4 podemos conferir o número de trabalhadores que se desloca diariamente por motivo residência-trabalho no interior de cada AP. Quando comparados com o total da População Econômicamente Ativa residente em cada AP estes dados nos fornecer excelentes informações sobre a dinâmica interna econômica de cada uma das APs.
No caso da AP1, o número de deslocamentos diários residência-trabalho chega a superar a PEA residente naquela AP (1,13)[3]. As APs 2 e 5, com índice superiores a 0,50, demonstram a sua dinâmica econômica; as APs  3 e 5, com 0,24 e 0,32  respectivamente, demonstram sua baixa dinâmica econômica relativa.

Mobilidade

A coluna 7 nos indica os índices de mobilidade dos moradores  de cada AP. Aqui podemos observar que os moradores das APs 2 e 4 e 1, respectivamente,  são os que possuem maior mobilidade geral (considerando aí todos os meios de transportes) com mais de 2 deslocamentos por pessoa dia, superior portanto à média do município que é de 1,86. Nas piores condições de mobilidade estão, respectivamente, os moradores das AP 3 e 5, com índices inferiores  à média do município.

Disponibilidade de meios de transporte coletivo (proxy).

As colunas 9, 10 e 11 reúnem os dados que nos permitem ter uma idéia (proxy) da disponibilidade de meios de transporte coletivos em cada uma das APs em relação à população residente. Conforme pode ser observado na coluna 11, a AP1 é a que oferece maior índice de mobilidade por transportes coletivos, seguida das AP2 e 4. As APs 3 e 5 são as que oferecem respectivamente as piores condições de mobilidade para sua população residente.
Conforme pode ser constatado pela comparação dos dados relativos à mobilidade e a disponibilidade de meios de transporte, embora necessária, a oferta de meios de transporte não é suficiente para garantir uma alta mobilidade da população residente, pois esta também é fortemente condicionada pela renda dos moradores, segundo informação da tabela a seguir.

Tabela 4
  


Fonte: Relatório 9-Concepção das Matrizes. Plano Diretor de Transporte Urbano da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Março de 2005.

Uma grande concentração de população de baixa renda em uma região que não oferece empregos e serviços adequados aos seus moradores torna-se, como visto, uma grande região dormitório, produzindo deslocamentos pendulares que mobilizam meios de transporte em apenas determinados horários (picos da manha e da tarde). Não oferecendo condições de sustentabilidade para as empresas de transporte que ali atuam, pois são regiões que, a despeito do número elevado de moradores, possuem baixos índices de mobilidade[4].
 Os caminhos lógicos.
Considerando o demonstrado, parece razoável imaginar dois caminhos lógicos a percorrer não apenas em termos de uma Plano Habitacional mas, genericamente, em termos de uma política de gestão do território municipal:

a) Fomentar a criação de empregos formais e sustentáveis prioritariamente nas AP3 e 5;
b) Priorizar o fomento habitacional de interesse social na AP1.

Um terceiro caminho seria o fomento habitacional também na AP3, tendo em vista ser esta AP uma das mais bem dotada de infra-estrutura e contar com a maior malha rodo-ferroviária do município, além de boa acessibilidade à AP1, a maior ofertadora de postos de trabalho formal. Esta ação, no entanto, deveria estar associada a investimentos na melhoria do sistema ferroviário existente, dando qualidade de metrô ao mesmo.

O caminho inverso da produção oficial (MCMV)

A despeito das condições aqui expostas, o que se verifica quando se analisam os dados relativos ao licenciamento e liberação de financiamentos dos empreendimentos do Programa Minha Casa Minha Vida é um caminho inverso ao aqui apontado, com a maioria dos empreendimentos financiados pelo Programa sendo localizados na Zona Oeste (AP 5) do Rio de Janeiro . Exatamente naquelas áreas que apresentam os piores indicadores de oferta infra-estrutura, serviços, mobilidade e disponibilidade de postos de trabalho.
A tabela 6 a seguir apresenta, para julho de 2011, o total de unidades habitacionais que dos empreendimentos a serem financiados com recurso do PMCMV, em fase de licenciamento pelos órgãos competentes da Prefeitura do Rio.

Tabela 5
Programa Minha Casa Minha Vida – UHs licenciadas até 07/07/2011



Fonte: Secretaria Municipal de Habitação – julho de 2011.

Como pode ser observado, do total de unidades licenciadas,  67,23 % se destinam à bairros da AP5, área de planejamento para onde se projetam também 80,31 % de todos os empreendimentos destinados à faixa de renda de 0 a 3 salários mínimos.

Distribuição do déficit e das U.Hs do PMCMV, totais e O a 3 por AP.

Gráfico  4



O gráfico 4 acima nos auxilia a visualizar a extrema concentração de UH do PMCMV projetas para a Área de Planejamento 5.

O mapa abaixo ilustra a distribuição dos empreendimentos MCMV por AP no município.



Fonte: Secretaria Municipal de Habitação 1

Sobre a necessidade de se rever as estratégias adotadas

O desequilíbrio que se observa na tabela 3 e gráficos 1 e 2, quanto a distribuição dos empregos em relação ao número de moradores em cada uma das AP’s, representa um conjunto enorme de problemas para a cidade, sendo o maior deles as deseconomias provocadas pelo excessivo tempo e recursos gastos nos deslocamentos residência- trabalho[5].

Esta situação deve ser enfrentada por meio de ações oriundas do poder público municipal que visem: i) o estabelecimento de uma situação de maior equilíbrio entre a oferta de moradia e postos de trabalho e, ii) no curto prazo, que se redirecione os recursos do PMCMV para a produção de habitação na Zona Central, região fortemente polarizadora de emprego, mas que nas últimas nove décadas vem perdendo população de modo acelerado, conforme pode ser observado na tabela 1.

Tabela 6
Fontes: 1920,1940,1950 – Maurício Abreu.  1970,1980,1991 e 2000, 2010 – IPP.


Como pode ser observado na tabela acima, existe na AP1 a possibilidade da ampliação do parque habitacional sem a necessidade, salvo melhor juízo, de grandes investimentos para a produção de novas infra-estruturas, já que a região perdeu nos últimos noventa anos cerca de 150 mil habitantes.

Espera-se que a oportunidade que se anuncia de discussão e elaboração do Plano Municipal de Habitação de Interesse Social – PMHIS pela Prefeitura do Rio  seja uma oportunidade efetiva de reavaliação das metas atuais, com a adoção de novas estratégias que favoreçam uma melhor e mais sustentável política de localização dos empreendimentos habitacionais de interesse social no território municipal, evitando-se a amplificação dos desequilíbrios e disfuncionalidades aqui detectados.


Deslocamentos intra APs

Tabela 7


Fonte: Relatório 9-Concepção das Matrizes. Plano Diretor de Transporte Urbano da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Março de 2005.

Coluna 1: número de trabalhadores que saem da AP por motivo de trabalho para outras APs do município.
Coluna 2: número de trabalhadores que ingressam na AP por motivo de trabalho oriundos de outras APs do município.
Coluna3: diferença entre o número de trabalhadores que saem e ingressam nas APs por motivo de trabalho.
Coluna4: número de deslocamentos intra APs por motivo de trabalho.
Coluna5: População Economicamente Ativa residente em cada AP.
Coluna6: relação entre o número de deslocamentos intra APs por motivo de trabalho e sua População Economicamente Ativa.
Coluna7: Índice Médio de Mobilidade dos moradores de cada AP.
Coluna8: População estimada para 2008 para cada uma das APs.
Coluna9: Densidade residencial para cada AP em m.² residenciais construídos por hectare. (Armazém de Dados, Indicadores Urbanos, tabela 9.1.1)
Coluna10: Número de viagens no modo coletivo geral gerados por viagens intra e inter municipais (RMRJ)
Coluna 11: Indice de oferta de meios de transporte coletivo por morador na AP (proxy).


Fontes e referências bibliográficas:

Abreu, Maurício de A. Evolução Urbana do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: IPLANRIO, 1997.
Armazém de Dados. Instituto Pereira Passos. Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.
Governo do Estado do Rio de Janeiro. Secretaria de Estado e Transporte. Plano Diretor de Transporte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Relatório 9 – Concepções das Matrizes. Versão 1. Março de 2005.
Governo do Estado do Rio de Janeiro. Secretaria de Estado e Transporte. Plano Diretor de Transporte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Resultado da Pesquisa Origem / Destino.
Instituto de Desenvolvimento e Informação em Transporte - ITRANS. Mobilidade e Pobreza: Região Metropolitana do Rio de Janeiro- Relatório Final. Abril de 2004.




[1] Habitação de Interesse Social
[3] Tal situação pode ser gerada pelo fato de alguns trabalhadores habitarem no Centro durante a semana, em hotéis ou moradias temporárias, mas não terem aí o seu domicílio permanente.
[4] Sobre este tema conhecer a recente crise dos transportes na AP5 que resultou na falência de empresas de ônibus na região.
[5] Sobre este tema ver: Mobilidade e Pobreza na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Instituto de Desenvolvimento e Informações em Transporte - Itrans. Novembro de 2003.