terça-feira, 18 de junho de 2019

Espiral de ouro

Deu no Ara.cat
17-06-2019, por Laia Forès

El Banc d'Espanya avisa que una baixada del preu de l'habitatge afectaria la solvència dels bancs



Ou seja, a estabilidade do sistema financeiro está atada à elevação contínua do preço da moradia, que, nas condições de estagnação crônica da economia global, depende da concentração incessante dos rendimentos e da riqueza nos níveis mais elevados da pirâmide social e da invenção cada vez mais frenética de novas mecas do investimento imobiliário.

2019-06-18


quinta-feira, 6 de junho de 2019

Big deal!

Deu no Diário do Rio
31-05-2019, por Redação
Porto Maravilha já tem 52% dos seus imóveis ocupados
Foto: Edifício Vista Guanabara, Diário do Rio / divulgação 

Metade de quase nada é próximo de nada mesmo, um rotundo fracasso se considerarmos que estamos falando de meia dúzia de edifícios comerciais dispersos numa área de projeto de 500 hectares.

A causa primeira desse fracasso, penso, foi a oportunidade. Ao contrário de congêneres ilustres como Puerto Madero (Buenos Aires) e Canary Wharf (Londres), cujos processos de gestação, desenvolvimento, crise e maturação seguiram a cadência do boom financeiro global de fins do século XX, o Porto Maravilha foi lançado, ao som de fanfarras olímpicas, já em pleno declínio dos mercados de imóveis em geral, e de enclaves turístico-empresariais em particular, que se seguiu à implosão, em 2008, da pirâmide creditícia norte-americana. 

Mas há o agravante de duas notáveis ausências: um plano urbanístico digno desse nome, com zonas residenciais nutridas pela mescla de usos e grupos sociais e ao menos uma estação de metrô; e uma estratégia de implantação por etapas que assegure a sustentabilidade urbanística e econômica da Operação, a começar pela valorização dos CEPACs destinados a empreendimentos de mercado. 

Ainda que se possa alegar, com justa razão, que a CEF de Bolsonaro e a CEDURP de Crivella são a cruz a a caldeirinha do futuro do Porto, eu defendo que, em qualquer caso, os CEPACs sejam devolvidos ao município e a Operação Urbana recomece do zero, sob condições de total transparência e o comando de uma comissão de urbanistas de notório saber e comprovada experiência na matéria.

2019-06-06




sábado, 20 de abril de 2019

Não computáveis à moda ianque

Deu no NY Times online
20-04-2019, por Matthew Haag
How Luxury Developers Use a Loophole to Build Soaring Towers for the Ultrarich in N.Y.
Foto (Detalhe): Karsten Moran / The New York Times

(..) The building and nearby towers are able to push high into the sky because of a loophole in the city’s labyrinthine zoning laws. Floors reserved for structural and mechanical equipment, no matter how much, do not count against a building’s maximum size under the laws, so developers explicitly use them to make buildings far higher than would otherwise be permitted.
The towers benefiting the most from the zoning quirk have all sprouted during the past half-decade: enormous glass and steel buildings with lavish condominiums that sell for millions of dollars. Many line the blocks around Central Park, some of the most expensive and coveted real estate in the city, and have become second homes for Chinese billionaires, European tycoons and out-of-state hedge fund investors.
(..) Many of these towers stay vacant most of the year, so their owners are not subject to local and state income taxes because they are not city residents. As a result, the state and city have already begun a separate crackdown on them.
State lawmakers proposed a pied-à-terre tax, an annual recurring tax on second homes valued at more than $5 million, but it was derailed under intense lobbying from real estate groups(Continua)

2019-04-20




terça-feira, 16 de abril de 2019

New Brazil Realty


Deu no UOL Notícias
15-04-2019, por Marcio Dolzan /Estadão Conteúdo
Apartamentos irregulares na Muzema custam entre R$ 60 mil e R$ 200 mil
Foto: Marcos Serra Lima/G1 
Prédios erguidos em tempo recorde junto a encostas, imóveis ocupados ainda em obras e precária infraestrutura são a regra no condomínio Figueiras do Itanhangá, na Muzema, zona oeste do Rio, onde na sexta-feira dois edifícios ruíram, matando pelo menos 11 pessoas. O baixo custo dos imóveis em comparação à média no mercado imobiliário e a falsa segurança prometida por milicianos que dominam a região acabam levando pessoas de baixa renda a adquirirem apartamentos no condomínio, que não tem autorização da Prefeitura do Rio.
Os moradores mais antigos dizem que, há menos de 20 anos, apenas casas com até dois andares eram permitidas no local. Hoje, elas são poucas em meio a dezenas de prédios erguidos em poucos meses, a maioria com o mesmo padrão - entre seis e sete andares, com quatro apartamentos por andar. Os apartamentos de dois quartos, com cerca de 50 metros quadrados, são vendidos em média por R$ 60 mil. As condições de compra são convidativas: entrada de R$ 15 mil e o restante financiado em parcelas mensais de R$ 1.000, sem juros.
Foto: Renee Rocha / Agência O Globo
Os imóveis maiores, na cobertura dos edifícios, chegam a custar R$ 200 mil - e, também podem ser financiados sem juros. Os prédios são construídos em questão de meses, a maioria sem nenhum tipo de laudo técnico. O novo morador recebe o imóvel pronto apenas do lado de fora. "Cada um é responsável por fazer a parte elétrica e hidráulica dentro de casa", contou à reportagem um comprador, que pediu para não ser identificado. (Continua)

2019-04-16

domingo, 14 de abril de 2019

Habitação de mercado para iniciantes

Deu no Valor econômico
05-04-2019, por Adriana Cotias
Hectare estreia com foco em ativos imobiliários
Fruto de uma cisão com o escritório de gestão de fortunas RTSC, a Hectare Capital ampliou a lista de gestoras com foco exclusivo em investimentos no mercado imobiliário. (..)
Montagem: à beira do urbanismo
Imagens: free Family Clip Art e https://scubasanmateo.com/sales-clipart.html
No forno está outro FIP multipropriedade, que já mapeou cinco investimentos e terá R$ 100 milhões, além de um fundo de recebíveis (FIDC) para dar funding na modalidade "home equity" - em que o mutuário usa o imóvel como garantia para levantar recursos numa operação de crédito pessoal. (..)
"A garantia é avaliada com a visão de 'projetc finance', ele tem que se pagar sozinho", diz Castro. Os imóveis são integralizados numa sociedade de propósito específico, com uma garantia de 130% a 150% do valor financiado, dada pela combinação do imóvel com a carteira de recebíveis do empreendimento.
Os veículos podem ser o fundo imobiliário para o público geral, o multimercado para o profissional ou via emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) no caso de projetos já performados.  (Continua)

2019-04-14



terça-feira, 9 de abril de 2019

Porto Alegre cidade radiocêntrica (1)

Fonte: Internet (Elaborado  por  SEHNEM  (2009) a  partir  de 
imagem  de  satélite  -  Google Earth, 2008)
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A Terceira Perimetral de Porto Alegre é assunto obrigatório para o estudioso brasileiro da Transferência do Direito de Construir, tema ao qual dediquei dois ou três artigos num passado que já me parece remoto. Não tenciono retomá-lo. Ao leitor interessado, recomendo o artigo “Transferência do Direito de Construir: A Experiência de Porto Alegre, Brasil”, de Néia Uzon, arquiteta responsável por esse componente do Projeto. [1]

Interessa-me hoje a ilustre avenida pelo fato de supor a existência de outras duas, a Primeira e a Segunda, e de prenunciar o advento de uma Quarta - Perimetrais, bem entendido - que a Metroplan lançou como projeto em 2014 [2] mas segue dependendo, ao que parece, de recursos federais. Esta postagem aborda as perimetrais porto-alegrenses sob o prisma da geografia e da história urbanas.


Washington DC Capital Beltway
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A “via perimetral” está diretamente relacionada à expansão urbana baseada na íntima relação dos mercados de imóveis e automóveis, aspecto distintivo das sociedades economicamente desenvolvidas e semidesenvolvidas do século XX. De um modo geral, vias e sistemas de transporte perimetrais resultam (a) do aumento das trocas espaciais entre subcentros não colineares (corradiais), próprios das redes urbanas complexas, e (b) da otimização espontânea ou planejada do movimento periferia-centro por meio da sua redistribuição espacial segundo as capacidades dos sistemas radiais.


Metrô de Pequim
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Quase todas as grandes metrópoles do mundo são hoje servidas por grandes vias perimetrais, às vezes dispostas em anéis concêntricos mais ou menos completos. Em algumas megacidades, até o sistema de Metrô conta com a sua linha distribuidora perimetral - duas, no caso de Pequim.

As perimetrais de Porto Alegre

A particularidade das Perimetrais de Porto Alegre é o fato de não serem sistemas periféricos metropolitanos nem, em sua maior parte, vias expressas construídas sobre o tecido urbano, mas artérias intra-urbanas formadas com base em arruamentos de orientação circunferencial pré-existentes, consolidadas pari passu com os ciclos de expansão e crise da mobilidade automotiva. A construção de cada uma guarda relação particular com o estágio das regiões urbanas servidas no ciclo de valorização do solo municipal: declínio, recuperação, sustentação, promoção.

Seus perfis de projeto parecem tanto mais claramente adaptativos da rede de ruas da cidade quanto mais nos afastamos da década de 1970, época da construção do segmento norte da I Perimetral, o mais rodoviarista e urbanisticamente inepto do conjunto, não por acaso situado na franja do Centro urbano voltada ao corredor metropolitano principal e bairros proletários adjacentes, onde se misturam comércio popular, atividades portuárias, galpões, garagens e indústrias, terminais rodoferroviários e antigas zonas residenciais já em fase de acentuado declínio em seu ciclo de valorização.

Construção da I perimetral. Elevado de acesso ao Túnel da Conceição. Circa 1970
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A I perimetral é o conector dos principais pontos de acesso do centro urbano, de um lado, e, do outro, meio de acesso direto aos bairros do primeiro anel residencial pericêntrico. Seu segmento sul (Av Loureiro da Silva), no entanto, erguido em fins da década de 1970, relança sob a forma da “via-parque” o esforço iniciado ainda na década de 1930, com o prolongamento da avenida Borges de Medeiros, de construção do sistema de acesso privilegiado ao centro da cidade para as expansões urbanas de média-alta renda situadas sobre os aterros do Guaíba (Menino Deus) e seus prolongamentos (Cristal, Tristeza, Ipanema).
II Perimetral - Av Goethe

A II Perimetral é um conjunto de bulevares ajardinados e arborizados, com características de via-parque na altura do Parque Moinhos de Vento (Parcão, 1972), consolidado no terceiro quarto do último século como principal suporte interno de interligação, e fator de valorização, do anel urbano de alta densidade que vai dos bairros afluentes da beira-rio sul às tradicionais zonas altas, quanto à renda familiar inclusive, a leste do Centro urbano (Rio Branco, Bela Vista, Montserrat, Moinhos de Vento, Auxiliadora).
III Perimetral - Av Carlos Gomes

A III Perimetral foi consolidada, já nos anos 2000, com caráter de via mista provida de canaleta central exclusiva para ônibus, como sistema de ligação direta entre os bairros proletários ao norte e as expansões de média-alta renda e baixa densidade ao extremo sul do município. Em seu terço médio, serve de distribuidor de um anel residencial externo de média densidade e alto potencial de valorização residencial - Jardim Botânico, Petrópolis, Três Figueiras, Boa Vista -, propiciando o surgimento, em grandes terrenos lindeiros, de novas torres e centros de negócios destinados a usuários de automóveis.[3] Dela se diz:
“[embora a sua construção] tenha sido considerada um avanço para o trânsito da capital gaúcha, o projeto final (..) foi alvo de críticas da maneira como foi concebido, em razão do excessivo número de semáforos posicionados ao longo da avenida. A distância entre alguns deles chega a aproximadamente 100 metros ou menos, o que alegadamente dificulta o fluxo de veículos em horários de trânsito intenso.[4] 
As Perimetrais de Porto Alegre são, portanto, vias eminentemente urbanas, que estruturam e delimitam o espaço classificado pelo Plano Diretor de 1999, e ratificado pelo de 2010, como “Cidade Radiocêntrica”: 
Cidade Radiocêntrica - é a denominação dada à Macrozona 1 do PDDUA e é considerada a área de expansão natural do Centro Histórico. Nela se incentiva uma "mistura" de atividades (miscigenação). Engloba o Centro até a III Perimetral, ou seja, a cidade mais consolidada.[5]
Não se trata de capricho de planejadores: em Porto Alegre, é notável a nitidez com que a rede de ruas dessa grande região urbana apresenta a forma radiocêntrica [6] para a qual tendem, mas nem sempre assumem com clareza, as redes de ruas das cidades modernas. Na verdade, sob esse aspecto Porto Alegre está mais para exceção do que para regra.

Arranjo sócio-espacial, sistema viário, arruamento

Embora claramente referida, como seu correlato "cidade xadrez", [7] à configuração da malha viária, a "cidade radiocêntrica" de Porto Alegre é dita "área de expansão natural do Centro Histórico", o que só faz sentido, quero crer, no que tange à densidade de ocupação e à composição dos usos, vale dizer, ao arranjo sócio-espacial.
Porto Alegre 1772

Com efeito, o tecido urbano do Centro Histórico nada tem de radiocêntrico: como tantos outros núcleos coloniais brasileiros, iniciais e tardios, sua base é um tabuleiro de quadras mais ou menos regulares adaptado à topografia do sítio - no caso de Porto Alegre, as linhas paralelas da beira-rio e da crista do promontório.

Embora sujeitos aos mesmos princípios de economia espacial e por ela interrelacionados, arranjo sócio-espacial e configuração viária são construtos distintos, "camadas" de estrutura urbana relativamente independentes e muitas vezes conflitantes. Ao passo que o primeiro responde diretamente ao fenômeno da centralidade, que é o efeito generalizado da disputa dos agentes individuais pelas localizações mais acessíveis relativamente às suas prioridades, geralmente a relação espacial casa-trabalho, o segundo pode ser severamente afetado pela tendência à disposição ortogonal dos arruamentos, princípio básico da economia do aproveitamento da terra urbana.

Dito de outra forma, as leis que regem a moderna organização sócio-espacial são as mesmas, e seus efeitos análogos, na cidade radiocêntrica de Porto Alegre e nos vastos reticulados urbanos de Barcelona e Chicago. [8] [9]




O próprio sistema viário é um construto complexo. De forma análoga às redes ferroviária e metroviária, o sistema rodoviário principal da metrópole moderna tende a apresentar a disposição radiocêntrica determinada pelo princípio da menor distância ao centro urbano principal, geralmente sobreposto, por meio de obras públicas de grande envergadura, ao arruamento legado pelos ciclos de parcelamento e ocupação privada do solo que lhe precederam.

Chicago 1855
Chicago 2000


















Deixo em aberto a questão de se a Porto Alegre radiocêntrica é, do ponto de vista sócio-espacial, uma "extensão natural" do Centro Histórico. Atenho-me aqui ao componente histórico elementar da rede viária: o arruamento.

Será a continuidade física de certas ruas do Centro Histórico nas avenidas radiais modernas manifestação de uma transição "natural" da "cidade xadrez" colonial para a "cidade radiocêntrica" moderna? Ou será que a propensão radiocêntrica do arruamento moderno - explícita em Porto Alegre, oculta em Barcelona - expressa uma mudança qualitativa, uma ruptura do padrão de expansão das cidades a partir de seus núcleos pré-modernos? Quais seriam as causas dessa ruptura e onde estariam os seus vestígios na capital gaúcha ?


Porto Alegre 1928 - Transportes públicos


Os primórdios da Porto Alegre radiocêntrica

Um estudo conclusivo da gênese da configuração físico-espacial radiocêntrica na capital gaúcha demandaria não apenas um projeto de pesquisa como o acesso a fontes primárias de informação urbanística - registros de propriedade e serviços de transporte, plantas de loteamentos etc. Atenho-me aqui a um esboço de interpretação baseado em artigos acadêmicos e material de imprensa disponíveis na Internet. (Continua)

___
NOTAS

[1] https://www.lincolninst.edu/sites/default/files/pubfiles/uzon-wp14nu1po-full_0.pdf

[2] “Metroplan acelera projeto para Perimetral Metropolitana”. Metroplan 23-09-2014 http://www.metroplan.rs.gov.br/conteudo/2056/?Metroplan_acelera__projeto_para_Perimetral_Metropolitana


[3] Sehnem, M. e Campos, H. “Análise De Tipologias Arquitetônicas Ao Longo Da III Perimetral Em Porto Alegre (RS)”, Revista Jovem Pesquisador, Santa Cruz do Sul, v. 1, p. 120-127, 2010

[4] “3a. Perimetral” https://pt.wikipedia.org/wiki/3%C2%AA_Perimetral     

[5] “Conheça a terminologia utilizada no PDDUA” 
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/spm/default.php?p_secao=14

[6] O termo “radiocêntrico” parece redundante. Toda estrutura radial é, por definição, cêntrica. RadioCONcêntricas são estruturas radiais que apresentam elementos dispostos em forma de anéis, ou coroas circulares, concêntricos. Dado o caráter heterogêneo e assimétrico da expansão radial urbana, a formação de círculos e anéis concêntricos de quaisquer natureza (uso) é altamente improvável – donde a crítica generalizada, mas muitas vezes injusta, ao que ficou conhecido na história do urbanismo como o “modelo de círculos concêntricos” de Burgess, que não ignorava o caráter irregular da expansão radial das cidades. No caso de Porto Alegre, o uso do termo “radiocêntrico” parece derivar da percepção de uma quase singularidade: um tecido urbano – vias, urbanizações, ocupações, usos, densidades – de disposição radioconcêntrica, patente ciclicidade e notável homogeneidade, sobre uma grande extensão do território municipal.


[7] “(..) denominação dada à Macrozona 3 do PDDUA [situada além da “cidade radiocêntrica”] e recebe este nome porque nela serão fortalecidas ligações viárias nos sentidos norte/sul e leste/oeste, que formam justamente uma trama viária xadrez. (..)” http://www2.portoalegre.rs.gov.br/spm/default.php?reg=3&p_secao=17

[8] No capítulo introdutório de seu célebre estudo de 1939 sobre a estrutura e crescimento dos bairros residenciais nos EUA, Homer Hoyt faz uso da seguinte citação: "(..) vistas do alto, as cidades norte-americanas são uma coleção de arruamentos reticulados de vários tamanhos, formas e níveis de edificação, com pouquíssimas irregularidades [...] uma monotonia mecânica, estereotipada e desprovida de imaginação onde raramente se enxerga algo parecido com um padrão orgânico”. ["Our Cities, Their Role in the National Economy", Report of the Urbanism Committee to the National Resources Committee(Washington, D. C., June 1937), p. 5.] Isso não o impediu de postular para essas cidades o padrão de organização socioespacial urbana que veio a ser conhecido como o “modelo de setores de círculo”, cuja matriz é, obviamente, a malha radioconcêntrica. 

[9] “O plano reticular foi levado para o Oeste com os pioneiros, dado que era o método mais simples de dividir o território. Sua vantagem particular era que uma nova cidade podia ser planejada nos escritórios das imobiliárias do Leste e as terras vendidas sem que nem comprador nem vendedor tivessem nunca visto o lugar". (Britannica 1963 V 5 p 816, “City Planning”)


2019-04-09


quinta-feira, 4 de abril de 2019

Sua Casa Minha Vida (2)

Deu no Sindsep PE
02-04-2019, por Sindsep

Construtoras do Minha Casa, Minha Vida ameaçam demitir 50 mil
Montagem: à beira do urbanismo
Imagem: Internet
Sob alegação de atrasos no repasse de pagamentos devidos pelo Governo Federal, construtoras que atuam no programa Minha Casa, Minha Vida avisaram ao Palácio do Planalto que vão começar a demitir trabalhadores. Empresários falam em dispensar até 50 mil empregados nos próximos dez dias. A dívida seria de R$ 450 milhões.
Dados Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) indicam que o Minha Casa, Minha Vida representa dois terços do mercado imobiliário brasileiro.
O setor da construção chegou a empregar 3,4 milhões de pessoas, mas atualmente emprega 2 milhões. 
O porta-voz do recado dos construtores foi o presidente da CBIC, José Carlos Martins, enviou mensagens aos ministros da Casa Civil, do Desenvolvimento Regional e da Economia informando que “não consegue mais segurar o pessoal”. (Continua)

2019-04-04


domingo, 31 de março de 2019

Lei de Hertz


Deu no Café de las Ciudades
Fevereiro de 2019, por Daniel Hertz
La vivienda no puede ser a la vez “asequible” y “buena inversión”
Los dos pilares de la política de vivienda estadounidense están fundamentalmente en desacuerdo.
(..)  los dos pilares enunciados de la política de vivienda estadounidense, la propiedad de la vivienda como creación de riqueza y la asequibilidad de la vivienda, están fundamentalmente en desacuerdo. En general, la política de vivienda de Estados Unidos resuelve esta contradicción al decidir en silencio que, después de todo, no le importa mucho la asequibilidad. Si bien los fondos para viviendas subsidiadas de bajos ingresos languidecen, se reservan grandes cantidades de dinero para promover la propiedad de vivienda a través de subsidios como la deducción de intereses hipotecarios y la exención de ganancias de capital, la mayoría de los cuales se destina a hogares de clase media alta o alta.
Pero incluso los mercados con grandes cantidades de viviendas asequibles demuestran la contradicción. Desde al menos la segunda mitad del siglo XX, la gran mayoría de las viviendas realmente asequibles se han creado a través del "filtrado": es decir, la caída de los precios relativos de las viviendas a precio de mercado a medida que envejecen o que su vecindario pierde estatus social, a menudo como resultado de los cambios raciales. La asequibilidad de bajos ingresos, donde existe, se basa en que grandes porciones del mercado de la vivienda actúan como pésimas inversiones.
Y en la medida en que las personas de bajos ingresos encuentren una unidad de vivienda subsidiada y con precios fijos para vivir, eso significa que no construirán riqueza, aun cuando sí lo hagan sus vecinos más ricos que viven en viviendas de mercado, aumentando la desigualdad en la distribución de la riqueza.
Aun la confianza comunitaria en la tierra, que parece ser una forma de cuadrar el círculo de creación de riqueza / asequibilidad, finalmente fracasa en la práctica. Los fideicomisos de tierras comunitarias (community land trusts –CLT) generalmente brindan oportunidades de propiedad a precios reducidos o subsidiados a los compradores iniciales, y aseguran la asequibilidad a largo plazo al limitar el precio de reventa de la vivienda. En otras palabras, las viviendas financiadas por CLT siguen siendo asequibles solo porque restringen la cantidad de riqueza que los propietarios iniciales pueden capturar. El resultado es que las casas financiadas por CLT solo atraen a aquellos que de otra manera no podrían comprar una casa, lo que significa que las personas con menores ingresos en CLT construirán la riqueza más lentamente que las personas con mayores ingresos en las viviendas a precio de mercado, una situación básica de desigualdad cada vez mayor.
Decimos que queremos que la vivienda sea barata y que ser propietario de una casa es una gran inversión financiera. Hasta que nos demos cuenta de que estos dos objetivos se excluyen mutuamente, continuaremos frustrados por políticas de vivienda fallidas y, a menudo, contraproducentes.  (Destaques do autor)
El autor es miembro principal en City Observatory. Actualmente está completando sus estudios de posgrado en la Harris School of Public Policy de la Universidad de Chicago. 

Acesse o artigo completo pelo link
2019-03-31


sexta-feira, 29 de março de 2019

E os patrícios vão morar… nas caravelas (3)


Deu no Jornal Econômico – Portugal
24-03-2019, por Fernanda Pedro

Preços das casas vão estabilizar em Lisboa e subir nas periferias
(..) Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal, revela ao Diário Imobiliário que é nos segmentos médio e médio baixo que se concentra, atualmente, a procura. “Contudo, a oferta disponível no mercado não é suficiente nem ajustada a este perfil de procura”, admite.
(..) Apesar da subida constante do preço das casas, o CEO da Century 21 revela que os indicadores da mediadora “levam-nos a acreditar que os preços vão estabilizar em Lisboa e subir nas periferias”.  Ricardo Sousa, acrescenta que o nível de preços dos imóveis no centro da cidade já está a superar o rendimento disponível das famílias portuguesas para aquisição de casa, pelo que a procura está a deslocalizar-se agora para as periferias, para encontrar as soluções de habitação em linha com as suas expetativas e capacidades financeiras. “Esta tendência vai, consequentemente, gerar maior pressão nos preços das zonas mais periféricas da cidade”.
O responsável indica que há cada vez mais famílias e jovens portugueses a não conseguirem aceder a soluções de habitação. (Continua)

2019-03-29


quarta-feira, 27 de março de 2019

É uma bolha portuguesa com certeza

Deu no Idealista News 
18-03-2019, por Tânia Ferreira
https://www.idealista.pt/news/financas/investimentos/2019/03/14/39052-ainda-ha-edificios-em-lisboa-e-porto-com-boas-rentabilidades

"Ainda há edifícios em Lisboa e Porto com boas rentabilidades" (..)
Que tipo de ativos considera a MK Premium que são mais atrativos para investir no mercado imobiliário luso?
Imagem: Internet
Em Portugal onde há mais oportunidades de negócio, e onde se podem conseguir maiores rentabilidades, é ao comprar residencial para destinar a uso turístico, porque podem estar em causa rentabilidades anuais entre 20% ou 30%. E isso é muito, muito interessante. 
(..)
Há risco de bolha?
No Porto não, mas em Lisboa sim que pode haver um pouco de risco de bolha. Não me parecem normais os valores que se praticam, de oito mil euros o m2 num país em que o salário mínimo está em pouco mais de 500 euros por mês. É que um apartamento de 50 m2 custa mais de 300 mil euros no Bairro Alto e vende-se. E o que compramos, ainda que já seja caro, reformamos e vendemos pelo dobro. No Porto não se vê este auge tão significativo. (Continua)
  
2019-03-19


segunda-feira, 25 de março de 2019

Social, climat, même combat!

Deu na Agência Brasil online 
18-03-2019, por Heloisa Cristaldo
http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-03/falta-saneamento-basico-para-2-bilhoes-de-pessoas-no-mundo-diz-onu

Falta saneamento básico para 2 bilhões de pessoas no mundo, diz ONU
Mais de 2 bilhões de pessoas carecem de serviços básicos de saneamento básico no mundo, diz relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o desenvolvimento mundial da água,. A publicação Não Deixar Ninguém Para Trás será lançada nesta terça-feira (19) durante a 40ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.
De acordo com o relatório, apesar do progresso nos últimos 15 anos, o direito à água potável segura e limpa e ao saneamento é inacessível para grande parte da população mundial. Em 2015, três em cada 10 pessoas (2,1 bilhões) não tinham acesso a água potável e 4,5 bilhões de pessoas, ou seis em 10, não tinham instalações de saneamento com segurança.
“Se a degradação do meio ambiente e a pressão insustentável sobre os recursos hídricos globais continuarem no ritmo atual, 45% do Produto Interno Bruto global e 40% da produção global de grãos estarão em risco até 2050. Populações pobres e marginalizadas serão afetadas de forma desproporcional, agravando ainda mais as desigualdades”, ressalta o presidente da ONU-Água e presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Gilbert F. Houngbo.
Segundo Houngbo, o documento aponta a necessidade de adaptar abordagens, tanto na política quanto na prática, para abordar as causas da exclusão e da desigualdade. (Continua)


Acesse a matéria completa pelo link
http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-03/falta-saneamento-basico-para-2-bilhoes-de-pessoas-no-mundo-diz-onu


2019-03

sábado, 23 de março de 2019

SOS Holiday (2)

Deu no G1 Pernambuco 
21-03-2019, por Pedro Alves

Da inovação à degradação: Holiday representa marco arquitetônico e social para o Recife
Construído em 1956, o Edifício Holiday (..) foi um marco arquitetônico e social para a formação e ocupação da Zona Sul do Recife. Localizado no bairro de Boa Viagem, o prédio contribuiu para a mudança da paisagem da cidade, de formas que vão muito além de sua estética, então, inovadora. (..) foi projetado por Joaquim Rodrigues e segue uma tradição artística ligada ao modernismo. Com 17 andares e 476 apartamentos, o prédio, junto com o Edifício Califórnia, seu contemporâneo também localizado em Boa Viagem, é um dos primeiros arranha-céus do Recife (..).
A importância do Holiday e de sua arquitetura, nos anos 1950 e 1960, se mistura com a própria história de Boa Viagem, bairro que, atualmente, tem um dos metros quadrados mais caros da capital pernambucana.
Segundo o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU-PE), Rafael Amaral Tenório, a ocupação do bairro, tendo em vista sua distância em relação ao Centro da cidade num tempo em que vias asfaltadas ainda eram raras, tem relação direta com a instalação de seus primeiros arranha-céus. O nome de Boa Viagem se deve, inclusive, ao fato de que o bairro era utilizado principalmente para veraneio.
(..) De acordo com o arquiteto e professor do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Urbano da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Fernando Diniz, os edifícios Holiday e Califórnia trouxeram ao Recife uma proposta de habitação à classe média: edificações verticais, apartamentos pequenos e, principalmente, a mistura entre comércio e habitação no mesmo local. Os dois edifícios foram pensados para servir como segunda residência, pela proximidade da praia.
(..) Nos últimos anos, os 476 apartamentos do Holiday serviram de casa para mais de 3 mil pessoas, segundo o condomínio. Na quarta (20), último dia do prazo judicial, restavam 45 famílias que resistiam em deixar suas casas. (..) Os problemas apontados para a interdição vão desde a inundação do subsolo até a falta de componentes básicos de prevenção ao fogo, além de falhas e da sobrecarga das instalações elétricas. Outro problema é a quantidade de botijões no prédio, que tinha quase oito mil quilos de gás na edificação, sendo usados para vários fins, como comércio e produção de alimentos.
(..) De acordo com o presidente do CAU-PE, falhas na gestão do edifício fizeram com que ele chegasse à situação atual, que, segundo a Defesa Civil do Recife, apresenta um grau de risco nível 3, numa escala de 1 a 4. Rafael defende que a interdição é importante para preservar as vidas dos moradores. (..) uma alternativa aos moradores do Holiday seria utilizar o Serviço de Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social, um direito garantido por lei, para promover orientação de arquitetos e urbanistas em obras de forma gratuita. O entrave de ser um prédio privado impede a realização dessa ajuda. 
"O problema é que o Holiday precisa ser qualificado como Habitação de Interesse Social para receber auxílio público. É possível encarar o Holiday como um Minha Casa Minha Vida. Temos a oportunidade de requalificar e dar condições dignas de moradia a mais de 2 mil pessoas. É preciso encontrar um meio-termo entre deixá-los lá, em risco, e tirá-los sem pensar no impacto social", diz.
Ainda segundo Rafael, a restauração do edifício Copan, em São Paulo, é um exemplo a ser seguido pelo Holiday. (..)

Acesse a maéria complete pelo link

2019-03-23

quinta-feira, 21 de março de 2019

Money City

Deu no Isto É Dinheiro
17-03-2019, por Redação
Nasce em Nova York o maior empreendimento imobiliário da história, por US$ 25 bilhões
São 113.300m² de terreno abrigando escritórios, lojas icônicas e de luxo, múltiplos endereços de comida badalada, uma praça ao ar livre, escola, hotel e um edifício multiarte coexistindo com prédios residenciais
Nova York ganhou nesta sexta-feira um bairro. Em Manhattan. E por ser Nova York, e por ser Manhattan, o Hudson Yards já se tornou o maior empreendimento imobiliário privado da história americana. E consequentemente o maior da história da humanidade. São 113.300m² de terreno abrigando escritórios, lojas icônicas e de luxo, múltiplos endereços de comida badalada, uma praça ao ar livre, escola, hotel e um edifício multiarte coexistindo com prédios residenciais (cheque preços aqui). Related Companies e Oxford Properties Group, as corporações por trás da operação, construíram uma área de US$ 25 bilhões de dólares a partir do zero. Para o The New York Times, “são magnitudes de cair o queixo e você não vai entender até que esteja lá”. (Continua)

Leia também neste blog: "Circulo virtuoso II"
https://abeiradourbanismo.blogspot.com/2017/12/circulo-virtuoso-ii.html

23-03-2019


terça-feira, 19 de março de 2019

SOS Holiday

Deu no G1 Pernambuco
14-03-2019, por Marina Meireles
Moradores resistem a deixar Edifício Holiday após ordem judicial de desocupação
Inquilinos e proprietários não querem deixar os imóveis e alguns não consideram opção de abrigo provisório oferecida pela Prefeitura do Recife, nesta quinta-feira (14).
Marco da arquitetura moderna em Recife,
construído em 1957
(Arq. Joaquim Rodrigues).
(..) A aposentada Evanize Fernandes, que mora há 30 anos no Holiday, foi até o ônibus e conversou com os profissionais da prefeitura. Depois de conhecer a proposta apresentada, ela afirmou que está decidida a ficar em casa. Proprietária do apartamento 222, ela critica a falta de alternativas para quem vive no edifício.
"Eu tenho a escritura do meu apartamento, paguei meu IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano], paguei as contas de luz. Estão nos tratando como cachorros. Fiz esse cadastro, mas não me ofereceram casa para morar, só esse abrigo provisório. E por aí, os apartamentos de quarto e sala têm o aluguel caro. Isso aqui é meu. Eu só saio se for presa", afirma.
(..) O desempregado Rogério Inácio buscou informações com os profissionais do município e declarou que a situação é muito complicada. Considerando a saída inevitável, ele tem dúvidas sobre onde vai ficar com os pais quando a família deixar os dois imóveis. "A gente mora aqui há 41 anos. Eu não tenho dinheiro pra alugar um apartamento porque estou vivendo de bicos", declara.
Foto: Admilson Santos 24-07-2013
https://www.flickr.com/photos/sadmilson/9387108199
(..) A decisão de interditar o Holiday foi proferida pelo juiz Luiz Gomes da Rocha Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública da Capital, em caráter liminar, na terça (12), após uma tutela de emergência requerida pela prefeitura do Recife. A desocupação, segundo o documento, deve ser feita em até cinco dias úteis, contados a partir da data de intimação ao edifício.
(..) Caso o prédio não seja desocupado nesse período, a remoção à força dos moradores do loc al pode ser feita a partir do dia 21 de março, com apoio dos agentes de segurança estaduais e municipais, conforme solicitado pelo magistrado.


2019-03-16