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domingo, 17 de março de 2024

Ouro, bitcoins e… residências!

SAPO Human Resources 10-03-2024
https://hrportugal.sapo.pt/numero-de-ultramilionarios-aumentou-quase-5-a-nivel-mundial-imagina-quantos-ha-em-portugal/
“(..) Os dados são retirados do The Wealth Report, um estudo anualmente concebido pela Knight Frank que reúne as mais importantes tendências e perspectivas globais do mercado imobiliário – desde 2021 que a imobiliária com sede em Londres está associada à portuguesa Quintela e Penalva. (..) 

Para os investidores, a rentabilidade do mercado residencial foi crucial para estes resultados, com a rentabilidade no investimento do mercado residencial a crescer 3,1%. Houve ainda outros sectores a apresentar resultados positivos a nível global, como o ouro, que subiu 15%, e as Bitcoin, que subiram 155%, invertendo grande parte das perdas sofridas em 2022. (..)”

2024-03-17


quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Vitalidade dos grandes centros: o dilema

Financial Times 10-10-2023
https://www.ft.com/content/698f41af-0d88-424b-80b0-241be01dac35


O relativo esvaziamento dos escritórios centrais das grandes metrópoles segue sendo tema recorrente na imprensa de negócios 
do mundo norte-atlântico.

Embora a Covid e o trabalho remoto sejam os culpados preferenciais, a situação não seria tão aflitiva se a economia global estivesse numa trajetória de crescimento sustentado, ainda que “por baixo”, e minimamente distribuído.

Transparece mais ou menos claramente nessas matérias já não digo a apreensão dos proprietários de imóveis comerciais com a desvalorização de suas torres, mas, principalmente, o temor de que essa desvalorização provoque efeitos em cadeia na economia, com consequências imprevisíveis.

Nós, urbanistas, costumamos lamentar a “perda de vitalidade” dos Centros de nossas grandes cidades. Mas eu me permito observar que, numa economia cada vez mais tendente à concentração da riqueza e ao trabalho precário, a manutenção disso chamamos de “vitalidade dos centros urbanos” supõe taxas de crescimento econômico que expandirão ainda mais as grandes metrópoles e suas fabulosas deseconomias, aí incluídos os impactos sócio-ambientais que hoje constituem o problema crítico da civilização capitalista.


Pergunto-me todos os dias como sair desse impasse.

2023-10-18

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Financeirização da moradia ou concentração da propriedade?

NY Times 15-08-2023
https://www.nytimes.com/2023/08/15/nyregion/private-equity-apartments-nyc.html
Montagem: Àbeiradourbanismo
Clique na imagem para ampliar

Muitos, nos dias de hoje, enquadrariam o objeto dessa matéria na categoria ‘financeirização da moradia’. Eu me pergunto se é o caso.

A moradia – assim entendo - é financeirizada desde que passou a ser produzida para o mercado, pela simples razão que são poucos os que podem comprá-la sem financiamento ao menos parcial de seu preço. Tradicionalmente, os contratos de hipoteca preveem que o próprio imóvel é a garantia do empréstimo para a sua aquisição.

A propósito vale recordar um instrutivo texto, do ano 1981, em que o economista Martim Smolka descreve a operação de compra-venda de um imóvel como transferência ao adquirente, por parte da imobiliária, a um dado preço, do ‘direito de especular’ no mercado de imóveis [1] - que traduzo como o direito de vender ou alugar por uma renda maior do que a sua dívida.

A financeirização da moradia deu um salto de qualidade quando, com a desregulamentação de fins do século passado, generalizou-se nos EUA e Inglaterra a prática dos empréstimos bancários garantidos pelo valor da residência para a compra de bens de consumo, viagens, universidade etc. Famílias com rendimentos estagnados, e até decrescentes, passaram a consumir… o valor futuro de suas casas! [2] [3]

E uma vez re-hipotecados os imóveis em troca de liquidez a curto prazo, os títulos de dívida passaram a ser vendidos pelos bancos a credores de que os devedores nunca tinham ouvido falar, nos mais diversos países  – a pirâmide financeira que desmoronou em 2007, levando milhões de pequenos investidores, boa parte deles trabalhadores cooptados para a mítica “república dos pequenos proprietários’, à perda de seu capital, isto é, de suas próprias moradias que, afinal, eram o lastro de tudo! 

Aqui o que ocorre é algo diferente: a concentração da propriedade imobiliária nas mãos de um pequeno número de firmas de capital de investimento em alugueis. O senhorio deixa de ser o dono da padaria e passa a ser, digamos, George Soros. Este fenômeno parece ter-se acelerado na última década com a recessão e a baixa generalizada das taxas de juros, na Europa e EUA, subsequentes à debacle de 2007. Em tempos de investimentos produtivos de rentabilidade duvidosa, o aluguel residencial em grande escala pode ser um ótimo negócio. [4]

Poder-se-ia argumentar, é certo, que George Soros é, ele próprio, um financista. Mas isto significa que, sob o ângulo do capital proprietário, a ‘financeirização’ não é privilégio exclusivo da moradia, tampouco do parque imobiliário como um todo: é a forma ‘pura’ do capital que controla todas as grandes cadeias de negócios na economia planetária - indústria, comércio e serviços.

“Desfinanceirizar a moradia” é uma causa que tem o meu apreço; mas seria interessante, nesse caso, que começássemos a discutir do que exatamente estamos falando e, é claro, como fazê-lo.

2023-08-16

____

NOTAS

[1] “(..) al comercializar um inmueble, la inmobiliaria no sólo vende um activo fijo, sino que, además, negocia el derecho que capacita al muevo propietario a especular (..)” [SMOLKA M, “Precio de la tierra y valorización inmobiliaria urbana: esbozo para una conceptualización del problema”. Revista Interamericana de Planificación Vol XV, No 60, Dez 1981, p. 78

[2] A indústria do refinanciamento hipotecário foi uma forma de os estadunidenses "tomarem emprestado e consumir como se os seus rendimentos estivessem crescendo". STIGLITZ J, O Mundo em Queda Livre – Os Estados Unidos, o mercado livre e o naufrágio da economia mundial. Trad. José Viegas Filho. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. Cap. 1: A formação da crise

[3] “(..) no Reino Unido e nos EUA, os empréstimos pessoais garantidos pelas residências (EGR) produziram um aumento do consumo: quanto maior o valor da garantia, maior o nível de consumo. (..) Desde a desregulamentação do crédito na década de 1970, a EGR contribuiu de forma importante para a demanda do consumidor no Reino Unido, ainda que somente nos períodos de alta dos preços da moradia (..) A década anterior à crise financeira registrou níveis sem precedentes de EGR, com proprietários valendo-se do aumento dos preços das residências para tomar mais empréstimos e consumir mais. O sociólogo Colin Crouch (2009) descreveu o fenômeno como uma espécie de 'keynesianismo privatizado': ao passo que no período 1950-70 a demanda foi sustentada pelo Estado pela via da expansão fiscal, no período 1980-2007, de declínio dos salários médios, ela foi alimentada pela dívida hipotecária”. RYAN-COLLINS, LLOYD e MACFARLANE, Rethinking the Economics of Land and Housing. Zed Books 2017, edição do Kindle, p. 146.


[4] “(..) Residential demand shifts mainly with demography and is less buffeted by the business cycle. People will still need somewhere to sleep, says Lawrence Bowles of Savills, a property firm: “You can’t digitalise a bed.” And in an era of low interest rates, steady rental income becomes more attractive. (..)” THE ECONOMIST 28-08-2021 “Big British companies are entering the rental market”
https://www.economist.com/britain/2021/08/28/big-british-companies-are-entering-the-rental-market



quarta-feira, 6 de julho de 2022

Financeirização da (última) moradia

Valor Investe 14-06-2022
https://valorinveste.globo.com/produtos/fundos-imobiliarios/noticia/2022/06/14/fundo-imobiliario-de-cemiterios-tem-rentabilidade-de-68percent-de-janeiro-a-maio-de-2022.ghtml

“(..) Em maio, 47% dos fundos imobiliários tiveram um desempenho positivo, segundo o estudo da Smartbrain. Entram no estudo fundos com mais de três meses de existência e pelo menos 30 negociações no período do recorte. No mês, dois deles conseguiram um retorno superior a 20%. 

O primeiro lugar no ranking de maio ficou com o Diamante (DAMT11B), que teve uma valorização de 26,67% e tem shopping e lojas na composição. O segundo lugar ficou com o Brazilian Graveyard and Death Care (CARE11), com uma valorização de 22,25%. E em terceiro ficou o que investe em recebíveis, o Hectare CE FII (HCTR11), com alta de 8,38% no mês. (..)”


2022-07-06

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Associação da Moradia Social: urgente!

O Globo 07-06-2022
https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2022/06/projeto-que-permite-um-imovel-como-garantia-de-varias-dividas-pode-virar-pesadelo-para-familias-pobres.ghtml

A moradia é, por motivos óbvios, 'financeirizada' desde que começou a ser produzida para o mercado.

Ocorre, porém, que a faculdade que tem o solo urbano em geral, e muito especialmente o das grandes metrópoles planetárias do século XXI, de se valorizar continuamente mesmo em períodos recessivos, tornou a moradia objeto prioritário de desejo de gestores de capital de investimento, de mega-imobiliárias que operam na compra-venda e no aluguel, de bancos que emprestam a juros variáveis tendo o imóvel como garantia e de mercadores de títulos de dívidas imobiliárias. Todos operando num ambiente de negócios intrinsecamente especulativo e cada vez mais desregulamentado e internacionalizado.

A “financeirização da moradia” é, portanto, um aspecto ineludível da economia de mercado contemporânea. Creio ser impossível cogitar o seu fim à margem de um programa econômico e político de transição para uma economia planetária social e ambientalmente sustentável, essencialmente planejada.

Mas medidas defensivas imediatas são possíveis, e cada vez mais urgentes. Tudo considerado, a criação de uma Associação Internacional da Moradia Social, com seções em todos os países, seria um fato para lá de auspicioso.

2022-06-08


quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Debate necessário

Sin Permiso 02-12-2018, por Michael Roberts
https://www.sinpermiso.info/textos/financiarizacion-o-rentabilidad

¿Financiarización o rentabilidad?

L
a financiarización, como el neoliberalismo, es la palabra de moda entre los economistas heterodoxos y de izquierdas. Domina las conferencias académicas de izquierda y círcula como el tema que supuestamente explica las crisis, así como una de las causas del aumento de la desigualdad en las economías capitalistas modernas, sobre todo en los últimos 40 años. La última manifestación de esta hipótesis de la financiarización es de Gracie Blakeley, una economista de izquierda británica, que parece ser una estrella emergente en el Reino Unido. En un artículo reciente, presenta todos los argumentos de la escuela de la financiarización.

Pero, ¿qué significa el término 'financiarización' y que valor añade a nuestra comprensión de las contradicciones del capitalismo moderno? y ¿nos orienta políticamente para cambiar las cosas? No lo creo. Esto se debe a que o bien el término se utiliza tan ampliamente que proporciona muy poca información adicional; o se concreta de manera tal que es tanto teórica como empíricamente equivocado. (..) 

Acesse o texto completo pelo link
https://www.sinpermiso.info/textos/financiarizacion-o-rentabilidad

2021-12-15

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Pastel de vento

Exame 06-10-2021, por L A França, presidente da Abrainc - Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias

Valorização patrimonial dos imóveis atingiu R$ 1,5 tri em um ano

clique na imagem para ampliar
O capital do século XXI é irremediavelmente viciado - dependente, em bom português – em rendas fundiárias urbanas, das quais a imensa maior parte é extraída de imóveis residenciais.[1] 

E quanto mais crescem as grandes metrópoles e se concentram os rendimentos de seus habitantes, mais exasperada se torna a “guerra dos lugares”, vertiginosas as espirais de preços e seletivo o acesso à moradia urbanizada e bem localizada.

A moderna financeirização da moradia é apenas a forma como os títulos de direito a essas rendas de monopólio derivadas da localização relativa dos imóveis e da expectativa de sua valorização futura são transacionados no mercado global de capitais. 

Regular o mercado imobiliário - tetos de aluguel, edificabilidades, regimes de proteção - equivale, portanto, a racionar o oxigênio de um sistema econômico que sofre de asfixia histórica progressiva. Ainda assim, e ciente das reações sistêmicas que tais controles geram no mercado, sou totalmente favorável a medidas paliativas e conquistas parciais que beneficiem as populações em detrimento dos capitais privados.

Soluções estáveis exigirão um cavalo de pau na economia planetária. Aliás, já é tempo de os economistas não compromissados com o capital se debruçarem sobre o problema de em quê ele consiste e como realizá-lo – até porque, junto e misturado com a crise das cidades, precisamos enfrentar a emergência ambiental.

2021-10-21
___
[1] Segundo a consultora Savills, o segmento residencial respondeu, em 2020, por 79% de todo patrimônio imobiliário global. Mais estatísticas podem ser acessadas em “Value of global real estate rises 5% to $326.5 trillion”. Savills News 21-09-2021, por Paul Tostevan

sábado, 14 de agosto de 2021

Não tem vacina

Valor Investe online 09-08-2021, por Yasmin Tavares

Imagem: Getty Images / Valor Investe

A moradia puxa a fila e a espiral

de valorização dos apartamentos
A e B garante, na crise, a
rentabilidade média dos fundos,
mas a "financeirização" é da
cidade inteira, mais exatamente
de todos os bens e serviços 
urbanos 
que possam ser 
produzidos e explorados a 
título privado. A financeirização
não é uma excrescência do
mercado imobiliário; é sua
forma mais desenvolvida, que
habita o coração da economia
de mercado do século XXI. 
 
Fundos de papel surfam alta da Selic enquanto ativos de tijolo aguardam vacinação

"(..) “Os fundos de CRI [recebíveis imobiliários] devem continuar puxando a fila da classe, já que o residencial vem batendo recordes por fatores como o retorno de investimentos dos investidores e o comprador final estimulado por uma oferta de crédito abundante”, comenta.

Sobre os outros setores menos favorecidos em razão da pandemia, como os fundos de tijolo, Bidetti comenta que, com o avanço da vacinação em massa, esses fundos devem vislumbrar um cenário mais positivo a partir do último trimestre do ano. “São fundos que, além de estarem muito descontados no mercado secundário, ainda tiveram uma pausa nas novas emissões, já que foram os mais impactados pela crise”, avalia.

Nardo, da RBR, chama atenção para os fundos de escritórios, que apresentam, atualmente, os valores mais depreciados frente aos outros setores. “Apesar de o segmento ter enfrentado um aumento de vacância, tal movimento já começou a inflexionar e os preços ficaram estáveis”, afirma.

Em segundo lugar no ranking de fundos mais descontados, o profissional inclui os de shopping, mas destaca a imprevisibilidade destes ativos em razão do surgimento de novas variantes da covid-19. “Eles estão mais baratos do que a média porque têm um risco adicional. Agora, o investidor que puder segurar esses fundos durante quatro ou cinco anos está comprando bons imóveis com um ‘valuation’ atrativo”. (..)"

20210-08-14

sábado, 22 de maio de 2021

Dubliners' conundrum

Bloomberg CityLab 17-05-2021, por Peter Flanagan

Dublin’s Bulk Home Sales Spur Backlash Against Big-Money Buyers

Empreendimento Mullen Park, Maynooth, Irlanda
Foto (detalhe): Paulo Nunes dos Santos/Bloomberg
A private equity firm’s swoop for family-friendly homes sparks uproar over crowding out individual buyers.


The mass purchase of affordable houses — on the market for about 400,000 euros ($490,000) — set off a public firestorm and highlights the growing tension over the squeeze in urban housing and the role of large investors.
 
“These big wealthy funds can swoop in and gobble up those houses that workers and families should expect to be able to afford,” said Mary Lou McDonald, who leads Sinn Fein, Ireland’s main opposition party. “No person trying to buy a home could possibly compete with them.”  (..)

Authorities broadly welcomed their arrival for stabilizing the sector and replacing local landlords who were decimated when the fallout from 2008 financial crash dried up their funding. But in the media, investment firms have been regularly portrayed as “vultures” for buying debt and property at depressed prices and crowding out private buyers.

Even so, there are few alternative sources for that kind of capital, according to Ronan Lyons, an economist at Trinity College in Dublin who compiles the Daft.ie report on the Irish rental market.

“The presence of these investors is more part of the solution than the problem,” he said. “When we had small mom and pop landlords we didn’t want them, now we have large institutions we don’t want them either. What do we want?””

2021-05-22

sexta-feira, 14 de maio de 2021

República do Instagram

Infomoney 25-04-2021, por Mariana Fonseca

“República do século XXI”: por que a Yuca aumentou sua aposta na moradia compartilhada
Imagem: Internet / Web Quarto [1]
Matéria emblemática da corrida pela renda da terra e seu corolário, a financeirização imobiliária na metrópole contemporânea.

Chamam a atenção a franqueza com que o editor qualifica a “moradia compartilhada” de “República do século XXI” e a clareza com que o empreendedor entrevistado exibe o seu próprio negócio como simbiose de capital de empréstimo de curto prazo para a produção de unidades com capital de investimento em rendas de localização:

“(..) Temos de gerar yield, então não podemos entrar em projetos de longo prazo. Optamos pelo financiamento de construção e já recebemos juros durante esse prazo. Depois, recebemos por unidades locadas a um preço anteriormente acordado. Vai de recebimento de juros para recebimento de aluguel. (..)”

A Yuca, que tem por objetivo se tornar “a maior gestora residencial da capital paulista”, está “firmando parcerias com incorporadoras e fundos para gerir as unidades que funcionam como flats”. 

Não é por acaso que os urbanistas paulistanos estão preocupados com o vertiginoso crescimento, de “quase 500% na comparação do período 2014-2018 com os quatro anos anteriores”, de unidades habitacionais de até 35 m² nos eixos de transporte preconizados pelo Plano Diretor. [2]

E a cereja do bolo, como de praxe, é a profissão de fé num mítico "equilíbrio entre oferta e demanda":

“Temos visto que esse é um produto que realmente atende os anseios de jovens profissionais em grandes cidades, onde existe uma assimetria entre oferta e demanda por apartamentos nas melhores regiões”, explica Steinbruch. “A oferta é de imóveis com três ou quatro dormitórios em bairros como Jardins, mas a procura costuma ser por um imóvel de um ou dois dormitórios. Buscamos reequilibrar essa equação.”

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Financeirização da moradia e das Casas Bahia

UOL Economia 09-02-2021, por João José OliveiraVocê pode ganhar aluguel de supermercados e bancos com fundo imobiliário

(..) De maneira geral, o investidor que busca fundos imobiliários pode escolher carteiras de três categorias: as que compram participações em imóveis, os chamados fundos imobiliários de tijolos; as que investem em títulos de renda fixa que financiam projetos imobiliários, os fundos imobiliários de papel; e os fundos imobiliários que investem em outros fundos, os chamados fundos de fundos.

Mas dentro de cada um desses tipos de fundos imobiliários existem as diferentes carteiras que buscam aplicar em segmentos de negócios. E um desses segmentos é o do varejo. (..)

2021-02-20  

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Redenção

O Estado de S Paulo 17-12-2020, Editorial 

Montagem: À beira do urbanismo
Venda de imóveis impulsiona a economia

O papel que o mercado imobiliário vem desempenhando em boa parte do mundo para a superação da atual crise é completamente diferente do que teve em 2008, quando provocou um desastre de proporções até então desconhecidas no sistema financeiro. 

Há pouco mais de uma década, a rápida valorização estimulou negócios com imóveis e sua utilização como garantia para empréstimos bancários, o que acelerava a alta dos preços. Até que o aumento da inadimplência fez a bolha estourar, levando à garra grandes instituições financeiras e gerando instabilidade na economia mundial. Hoje, ao contrário, é o setor que puxa a recuperação da atividade econômica em muitos países (..) [sobre] bases mais sólidas do que a valorização observada nos anos que antecederam a crise de 2008. (..)

2020-12-30

sábado, 31 de outubro de 2020

Geração inquilina

G1/Campo Grande – especial publicitário 05-10-2020, por Vista Empreendimentos Imob  
Aluguel como fonte de receita vem ganhando maior valor entre o investidor


Trago ao leitor este “especial publicitário” do G1/Campo Grande com um propósito assumidamente didático.

Ali se diz que “todas as análises mostram uma mudança global de comportamento do consumidor, principalmente para as novas gerações, mais interessadas em ter acesso ao imóvel e menos em propriedade”.

É um modo panglossiano de dizer que as novas gerações não têm acesso a empregos e salários que lhes permitam comprar residências, como tiveram seus pais.

Na dúvida, recomendo a leitura de algumas matérias jornalísticas recentes, de onde extraí as seguintes passagens:

“(..) young hospitality workers have moved back in with mum and dad as their income dried up.” (News.com.au: Sydney, Melbourne, Brisbane rent prices plummeted amid pandemic, RBA reveals) [1]

“Las dificultades económicas de estos colectivos [jóvenes, inmigrantes y trabajadores temporales] para incrementar sus ingresos y después aceder a uma hipoteca ha incidido en el aumento de la demanda de vivienda en alquiler.” (El País: El mercado del alquiler, ¿cómo ha cambiado con la pandemia?) [2]

“(..) nearly two-thirds of childless single adults aged 20-34 in the UK have either never left or have moved back into the family home because of a combination of a precarious job market and low wages, sky-high private sector rents and life shocks such as relationship breakups”. (The Guardian: 'Boomerang' trend of young adults living with parents is rising – study) [3]

U
ma análise sistêmica desse fenômeno pode ser encontrada em Ryan-Collins, Lloyd and Macfarlane 2017, Rethinking the Economics of Land and Housing, Zed Books, Edição do Kindle, 6.4 “The role of land and economic rent in increasing inequality”, especialmente a seção “Intergenerational dynamics”.

2020-10-31
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[1] https://www.news.com.au/finance/economy/australian-economy/sydney-melbourne-brisbane-rent-prices-plummeted-amid-pandemic-rba-reveals/news-story/4218976ed9a53481c82cd7ee85b16786#.okqwu

[2]https://elpais.com/economia/estar-donde-estes/2020-10-29/el-mercado-del-alquiler-como-ha-cambiado-con-la-pandemia.html

[3] https://www.theguardian.com/society/2020/oct/18/boomerang-trend-of-young-adults-living-with-parents-is-rising-study

domingo, 6 de setembro de 2020

O nome do jogo

Portal VGV 27-08-2020, por Ana Carolina Diniz 
https://www.portalvgv.com.br/emprestimo-com-imovel-como-garantia-tem-alta-de-45
 
Empréstimo com imóvel como garantia tem alta de 45%

Home equity é o nome do jogo. Em O Mundo em Queda Livre, lançado por pouco depois da debacle financeira de 2008, Stiglitz explicou em termos bastante claros o papel desse mecanismo, que permitia aos estadunidenses "consumir como se seus rendimentos estivessem aumentando", quando na verdade já vinham em consistente declínio. Segundo ele, "o mercado de imóveis residenciais manteve a economia fora da recessão durante os anos turbulentos dessa década". Quase dez anos depois, Ryan-Colins et alii explicaram, em Rethinking the Economics of Land and Housing, que também no Reino Unido o consumo foi incentivado, durante décadas, mediante o uso da propriedade imobiliária como garantia financeira, deixando famílias altamente endividadas à mercê dos solavancos do mercado imobiliário e sua prole excluída desse mesmo mercado.

A ascensão, por essa e outras vias, de milhões de trabalhadores qualificados, em todo o mundo desenvolvido e mais além, à classe social dos pequenos proprietários de terras, capitais e todo tipo de direitos pecuniários tem um papel crucial na construção e manutenção da estabilidade política do II pós-guerra; e, por isso mesmo, também na crise social e política planetária que passamos a viver com o declínio, a partir dos anos 1980, e a derrocada, em 2007-8, das bases materiais do Estado do bem-estar. Resumindo: a renda da terra tem um papel capital nas glórias e nas tragédias do século XXI. 

2020-09-06

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Covid acelera o capitalismo de rendas

Informe ADEMI Rio 09-06-2020

Imagem: Washington Post 2020-06-10 
Santander reforça linha de ‘home equity’ na crise
Diante de uma reformulação da área de negócios imobiliários, o Santander colocou entre as prioridades avançar na oferta do “home equity”, o crédito com garantia em imóveis, tendo em vista o contexto de crise econômica e a necessidade de liquidez de pessoas físicas e jurídicas. (..)

Em meio à crise causada pela pandemia de covid-19, o Santander reduziu a burocracia do produto chamado Use Casa, tornou o processo mais digital, para evitar o deslocamento do cliente, e está fazendo ofertas on-line e pelo aplicativo. (..) 

2020-06-12


terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Parasita doméstico

Informe Diário ADEMI 27-01-2020

Home equity em alta
A fintech Bcredi viu a oferta de crédito pessoal com garantia de imóvel, o famoso home equity no jargão do mercado, dar um pulo de mais de seis vezes em dezembro último frente um ano antes. O motor vem, principalmente, dos juros menores no País e o maior conhecimento dos brasileiros em torno do produto, que mira aqueles com imóveis quitados. 

Com o salto no home equity, a novata viu sua carteira de empréstimos quase dobrar em 2019, encostando nos R$ 700 milhões, ante R$ 400 milhões em 2018. As razões para o desempenho foram parcerias com empresas como Loft, Stone, Nexoos, FinanZero, além da presença em meios digitais. (..)



Para uma análise da financeirização da moradia na Inglaterra e do papel da renda do solo na economia contemporânea, examine a ilustração abaixo e leia Ryan-Collins, Lloyd & Macfarlane,  Rethinking the Economics of Land and Housing, 2017, Zed Books.
The house price-credit feedback cycle
Ryan-Collins, Josh. Rethinking the Economics of Land and Housing (p. 122). Zed Books. Edição do Kindle.
Clique na imagem para ampliar

2020-02-11

Leia também neste blog
"Circulo virtuoso II", À beira do urbanismo

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Efeito bumelangue

UOL Economia / Bloomberg 10-01-2020, por Deirdre Hipwell e Jack Sidders

Mansão à venda por US$ 262 mi em Londres pode superar recorde
Imagem: Internet

Um magnata chinês do setor imobiliário está perto de quebrar o recorde de Londres com a compra de uma mansão de 45 quartos em Knightsbridge por mais de 200 milhões de libras (US$ 262 milhões).

O family office privado de Cheung Chung Kiu fechou um acordo para comprar o palácio localizado na 2-8a Rutland Gate, com vista para o Hyde Park, disse um porta-voz em comunicado por e-mail. O acordo poderia dar impulso ao moribundo mercado imobiliário de luxo da capital e sinalizar que abastados estrangeiros estão sendo atraídos pela libra desvalorizada diante da iminente saída do Reino Unido da União Europeia (..) Nenhuma decisão foi tomada sobre se a propriedade continuará sendo uma única casa ou se será convertida em apartamentos de luxo. (..)

2020-01-27

Leia também

“Bilionário do pôquer aumenta coleção de imóveis em Londres”, Uol Economia 23-01-2020, por Venus Feng e Jack Sidders


quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Unidas para sempre

UOL Economia 10-12-2019, por Laura Benitez, Jack Sidders e Irene Garcia Perez

Emissão de dívida alimenta expansão imobiliária na Alemanha
Imagem: Internet

É a maior economia da Europa e conhecida pela aversão à emissão de dívida, o que a protege dos altos e baixos enfrentados repetidamente pelos países vizinhos.

Agora, a Alemanha está no centro de uma expansão imobiliária alimentada por dívida que, segundo analistas, parece frágil com o potencial de afetar o patrimônio de investidores em todo o mundo.

Empresas imobiliárias alemãs estão emitindo dívida no ritmo mais rápido de todos os tempos: só este ano as ofertas de títulos somam US$ 19 bilhões, quase metade do total emitido pelo setor na Europa. A maior parte dessa dívida foi comprada por gestoras de recursos estrangeiras, incluindo BlackRock e Allianz, repassando bilhões para as empresas imobiliárias que investiram os recursos em uma onda de construções e compras num mercado imobiliário aquecido.

(..) Além dos proprietários comerciais, as empresas que investem em apartamentos alemães também recorreram ao mercado de títulos e enfrentam dores de cabeça devido a um possível congelamento do aluguel determinado pelo governo em Berlim. A capital do país é central para as carteiras da Deutsche Wohnen e ADO Properties, dois dos maiores emissores de títulos nos últimos três anos. (..) 

2019-12-18