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terça-feira, 27 de agosto de 2019

Arapuca à vista, fritura a prazo

Metrojornal /BandNews 26-08-2019 

Caixa já oferece novo crédito imobiliário com linha de financiamento corrigida pela inflação
Imagem:Internet 

Marcos Silvestre, economista e colunista da BandNews FM, fez uma simulação com um imóvel no valor de R$ 360 mil, pelo prazo máximo, de 30 anos.
Pelo sistema corrigido pela TR, com juro mínimo na Caixa de 8,5% ao ano, ou 0,68% ao mês, cada parcela sairia pelo valor de R$ 3.450, somando amortização e os juros. Já no sistema novo, a taxa cai para pelo menos 2,95%, e 0,24% ao mês, e a primeira parcela fica em R$ 1.860. Mas, cuidado! É preciso levar em conta a correção monetária.

Silvestre explica que a TR tem em seu cálculo um redutor muito forte. Isso faz com que taxa zere quando a inflação está de 4,5% ao ano para baixo. “É a nossa situação atual, a TR em 2019 vai ficar totalmente zerada. TR zerada, na modalidade anterior, no financiamento do sistema financeiro de habitação, significa que as parcelas não têm correção, elas ficam sempre com o mesmo valor”, afirma.
Já no sistema novo, as correções monetárias podem subir e muito! Na nova modalidade, afirma o economista, a Caixa oferece uma taxa mais baixa, mas as prestações serão corrigidas por um índice de inflação, o IPCA, que deve fechar este ano em 3,80%. “Daí você fala: essa é uma correção pequena. Mas estou falando de um financiamento de muitos anos, de 3,80% sobre 3,80% sobre 3,80%….”, diz Silvestre.

Pelos cálculos do economista, em 14 anos, a prestação do novo sistema iguala a da atual. Por isso, o novo modelo é vantajoso se a pessoa pretende quitar a compra do imóvel antes da metade do prazo e para quem acha que a inflação não vai disparar, ficando abaixo dos 4,5% ao ano ao longo do financiamento.

“Vai quitar antes? O novo sistema pode te beneficiar. Agora, tem um risco no novo sistema. É o risco da inflação disparar”, afirma.
Se a inflação superar 4,5% ao ano, explica, o novo sistema passa a ser desvantajoso porque as parcelas serão corrigidas pelo que der a inflação. Silvestre lembra que em 2015, por exemplo, a inflação superou os 10%. “E no sistema anterior, a TR continuaria zerada? Não, mas ela daria uns 3%, não daria nem 4%”, conclui o economista.

2019-08-27

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Indústria de créditos podres

UOL Notícias 21-08-2019, por Circe Bonatelli e Aline Bronzati
https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2019/08/21/credito-imobiliario-com-ipca-reduz-parcela-e-ajuda-bancos-mas-divida-sobe.htm

Crédito imobiliário com IPCA reduz parcela e ajuda bancos, mas dívida sobe
O uso do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPCA) para corrigir os contratos de financiamento imobiliário reduzirá o valor da parcela na largada, mas custará ao mutuário uma dívida maior no final quando comparado com os contratos corrigidos pela Taxa Referencial (TR). Por outro lado, a modalidade deve facilitar a venda desses créditos no mercado financeiro, desenvolvendo a chamada securitização, e, de quebra, adicionar mais recursos para a compra da casa própria no país. Estudo realizado pela equipe de análise de mercado imobiliário do JPMorgan mostra que a dívida total do mutuário pode subir, o que serve como contraponto à propaganda do governo federal de que o crédito ficará mais barato. (..) 

2019-08-23

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Explora, mas não abusa

Le Monde 02-07-2019, por Isabelle Rey-Lefebvre
https://www.lemonde.fr/societe/article/2019/07/02/les-proprietaires-attaquent-deja-l-encadrement-des-loyers_5484221_3224.html

Les propriétaires attaquent déjà l’encadrement des loyers à Paris

Limitador de aluguéis vigente em 01-08-2017
Clique na imagem para ampliar
 
L’Union nationale de la propriété immobilière a saisi, dès le 12 juin, le Conseil d’Etat pour annuler le décret du 12 avril qui institue l’encadrement à Paris.

Après avoir été interrompu en 2017, l’encadrement des loyers parisiens est ressuscité. Depuis le 1er juillet, les bailleurs parisiens ne peuvent plus, lorsqu’ils signent un nouveau bail, pratiquer un loyer supérieur de 20 % à un loyer de référence calculé par l’Observatoire des loyers de l’agglomération parisienne. Le prix, exprimé par mètre carré, tient compte de quatre critères : le quartier – la ville a été divisée en 80 quartiers regroupés en 14 secteurs –, la date de construction de l’immeuble, la taille de l’appartement et son caractère meublé ou pas.

« Ce mécanisme ne fait pas vraiment baisser les loyers mais écrête les abus, selon Ian Brossat, adjoint à la maire de Paris, chargé du logement. La mesure est populaire, approuvée par 71 % des Français, si l’on en croit les sondages [IFOP-Fiducial, réalisé en mars 2018 auprès de 973 électeurs parisiens], et elle se met en place dans un climat plus apaisé que lors de sa première application, d’août 2015 à novembre 2017. » (..) 

2019-07-04

domingo, 31 de março de 2019

Lei de Hertz

Café de las Ciudades Fev 2019, por Daniel Hertz

La vivienda no puede ser a la vez “asequible” y “buena inversión”


Fonte: Internet
Los dos pilares de la política de vivienda estadounidense están fundamentalmente en desacuerdo.

(..) los dos pilares enunciados de la política de vivienda estadounidense, la propiedad de la vivienda como creación de riqueza y la asequibilidad de la vivienda, están fundamentalmente en desacuerdo. En general, la política de vivienda de Estados Unidos resuelve esta contradicción al decidir en silencio que, después de todo, no le importa mucho la asequibilidad. Si bien los fondos para viviendas subsidiadas de bajos ingresos languidecen, se reservan grandes cantidades de dinero para promover la propiedad de vivienda a través de subsidios como la deducción de intereses hipotecarios y la exención de ganancias de capital, la mayoría de los cuales se destina a hogares de clase media alta o alta. 

Pero incluso los mercados con grandes cantidades de viviendas asequibles demuestran la contradicción. Desde al menos la segunda mitad del siglo XX, la gran mayoría de las viviendas realmente asequibles se han creado a través del "filtrado": es decir, la caída de los precios relativos de las viviendas a precio de mercado a medida que envejecen o que su vecindario pierde estatus social, a menudo como resultado de los cambios raciales. La asequibilidad de bajos ingresos, donde existe, se basa en que grandes porciones del mercado de la vivienda actúan como pésimas inversiones.

Y en la medida en que las personas de bajos ingresos encuentren una unidad de vivienda subsidiada y con precios fijos para vivir, eso significa que no construirán riqueza, aun cuando sí lo hagan sus vecinos más ricos que viven en viviendas de mercado, aumentando la desigualdad en la distribución de la riqueza.

Aun la confianza comunitaria en la tierra, que parece ser una forma de cuadrar el círculo de creación de riqueza / asequibilidad, finalmente fracasa en la práctica. Los fideicomisos de tierras comunitarias (community land trusts –CLT) generalmente brindan oportunidades de propiedad a precios reducidos o subsidiados a los compradores iniciales, y aseguran la asequibilidad a largo plazo al limitar el precio de reventa de la vivienda. En otras palabras, las viviendas financiadas por CLT siguen siendo asequibles solo porque restringen la cantidad de riqueza que los propietarios iniciales pueden capturar. El resultado es que las casas financiadas por CLT solo atraen a aquellos que de otra manera no podrían comprar una casa, lo que significa que las personas con menores ingresos en CLT construirán la riqueza más lentamente que las personas con mayores ingresos en las viviendas a precio de mercado, una situación básica de desigualdad cada vez mayor.

Decimos que queremos que la vivienda sea barata y que ser propietario de una casa es una gran inversión financiera. Hasta que nos demos cuenta de que estos dos objetivos se excluyen mutuamente, continuaremos frustrados por políticas de vivienda fallidas y, a menudo, contraproducentes.  (Destaques do autor)
El autor es miembro principal en City Observatory. Actualmente está completando sus estudios de posgrado en la Harris School of Public Policy de la Universidad de Chicago. 
2019-03-31

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

AirbnBarcelona

Ara.cat (Catalunha) 14-02-2019, por Pablo Feu – Advogado 
https://www.ara.cat/opinio/Pablo-Feu-Contra-canibalisme-habitacional_0_2180182171.html

La deriva cap al canibalisme habitacional
Hi ha ciutadans que es veuen obligats a retroalimentar un model depredador en el seu propi perjudici

Imagem: Theodor de Bry 1593 
Domínio Público
(..) Si contraposo aquestes dades amb la realitat del que avui està passant a la ciutat en matèria d’habitatge, constato que (..) aquest nínxol de mercat és creixent perquè el turisme de negocis i d’oci a la ciutat també ho és, i això està fent que els immobles d’habitatges de la ciutat que Airbnb podrà gestionar els estiguin adquirint inversors immobiliaris per treure’n tota la rendibilitat possible. Que aquesta rendibilitat supera àmpliament el que pot pagar pel lloguer d’un pis una unitat familiar convencional que vulgui implantar la seva residència habitual a la ciutat, perquè els seus ingressos no s’incrementen. Que l’augment dels preus de lloguer està forçant els habitants habituals de la ciutat a canviar de barri o, fins i tot, a marxar-ne cada cop que expira el termini del seu contracte de lloguer. I que aquesta situació aboca al canibalisme habitacional, que apareix quan qui no pot afrontar els preus de lloguer imposats pel mercat claudica, lloga un habitatge i en relloga les habitacions amb Airbnb, de manera que retroalimenta un model depredador en el seu propi perjudici i en benefici de qui l’està imposant, i que aprofita aquesta desesperació per dir que col·labora.

2019-02-15

sábado, 5 de maio de 2018

Ocupar é dar uso, habitar é preciso

Marco Zero 28-03-2018, por Luiz Carlos Pinto et al. 

Centro em Disputa

Dívidas de R$ 346 milhões de IPTU expõem abandono e cobiça no Centro do Recife

A ocupação Marielle Franco, do Movimento de Trabalhadores Sem Teto, colocou o dedo na ferida: há uma acirrada disputa pelo centrão do Recife. Cerca de 200 famílias ocuparam o edifício SulAmerica, de propriedade da Empresa Nacional de Hotéis LTDA na segunda-feira, 19. Localizado na Praça da Independência, 91, o edifício tem seis pavimentos e faz uma curva suave na direção da Avenida Dantas Barreto, bairro de Santo Antônio.
Mapa dos imóveis com dívidas do
 IPTU acima de R$ 500 mil na RPA1
Fonte: Marco Zero


A escolha de um imóvel desocupado no centro não foi aleatória. O edifício tem dívidas acumuladas no valor preciso de R$ 1.507.771,03, dos quais R$ 1.416.641,17 inscritos na dívida ativa do município. Está entre as 30 maiores dívidas de um total de 3.740 imóveis devendo o imposto na Região Político Administrativa 1 (RPA1) – que compreende Santo Antônio e mais 10 bairros. O edifício estava desocupado há mais de 10 anos, portanto sem cumprir a função social exigido pela Constituição brasileira.

Tornou-se lugar comum afirmar que o centro da cidade do Recife está abandonado. Na verdade ele tem partes abandonadas – lugares fora das ideias que conduzem o planejamento urbano da cidade –, e partes que têm sido cobiçadas pelo mercado e apoiadas pelo poder público, com investimentos e incentivos. Para esses lugares há ideias, mobilização, planos, projetos, maquetes e negociações.
(..)

O valor da dívida na RPA 1 é comparável ao que a atual gestão municipal estima angariar em 2018 em toda a cidade – cerca de R$ 382 milhões. É também equivalente ao custo de construir mais de 4 mil unidades habitacionais no padrão do Programa Minha Casa, Minha Vida. Imagine um investimento desse montante no centrão da capital pernambucana – praças, esgotamento, habitação, boulevards, escolas. (..) 

2018-05-05

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

No déficit, com teto

Arch Daily 01-02-2018, por Romullo Baratto
https://www.archdaily.com.br/br/887962/sao-paulo-destinara-edificios-desocupados-do-centro-para-moradores-de-rua
São Paulo destinará edifícios desocupados do centro para moradores de rua
Edifício Prestes Maia
A prefeitura de São Paulo pretende dar início a um programa de locação social para abrigar moradores de rua em edifícios desocupados do centro da cidade, em troca de benefícios aos proprietários dos imóveis, que poderão ter suas dívidas de IPTU abatidas e deixarão de pagar o IPTU Progressivo para imóveis vazios.


O sistema de locação social existe, na realidade, desde 2004, e atende atualmente 903 famílias em seis edifícios, que pagam valores até 15% de suas rendas em troca de moradia permanente, sem, contudo, obterem a propriedade dos imóveis - que permanece com a prefeitura. O novo programa já tem em vista 370 imóveis elegíveis e pretende disponibilizar mil novas unidades.

Uma das principais questões com esse tipo de programa é a manutenção e administração dos conjuntos. A iniciativa da prefeitura testará diferentes modelos de administração predial: em um dos edifícios haverá gestão direta da própria Cohab, outro será gerido por uma Organização Social, outro ficará sob responsabilidade de uma empresa privada e uma outra unidade será autogerida pelos próprios moradores.

Para fazer parte do programa, os edifícios deverão passar por reformas e adequações custeadas pelos proprietários, valor que poderá posteriormente ser abatido das dívidas de IPTU.

Embora seja um iniciativa necessária e muito bem-vinda na cidade, não basta, já que a demanda é muito superior às metas da prefeitura, alcançando, segundo estimativas, vinte mil pessoas que atualmente vivem nas ruas da capital paulista.

2018-02-02

sábado, 24 de junho de 2017

Apontamentos: Sturtevant 2016 - cota de habitação social nos EUA

Estes apontamentos são parte de um processo de estudo compartilhado. À beira do urbanismo está à disposição dos autores cujo trabalho aqui se comenta para suas considerações.

STURTEVANT L, “Separating Fact from Fiction in Research on Inclusionary Housing Programs”. National Housing Conference May 2016.
https://www.nhc.org/wp-content/uploads/2017/10/Separating-Fact-from-Fiction-to-Design.pdf

Interior do National Building Museum
Washington D.C.
Um feliz acaso me encontrou em Washington DC por ocasião da palestra “Separating Fact from Fiction to Design Effective Inclusionary Housing Programs”[1], proferida no National Building Museum pela pesquisadora norte-americana Lisa Sturtevant. Seu conteúdo pode ser acessado pelo leitor em artigo recém-publicado pela autora sob o mesmo título.[2]

O marco mais geral da exposição, objeto das palavras de abertura, foi um revelador apanhado estatístico da relação cada vez mais crítica entre a renda das famílias e os gastos de aluguel nas grandes cidades norte-americanas - um inequívoco efeito, creio, do aumento consistente da pobreza relativa e absoluta no país, catapultado pelo estouro da bolha imobiliário-financeira em 2007-8.

"Cota de habitação social" e "cota de solidariedade” são termos brasileiros para o instituto norte-americano do Inclusionary Housing (IH), um instrumento de política habitacional que consiste na imposição legal ao incorporador imobiliário, ou incentivo mediante compensações normativas e fiscais, de que certa porcentagem do total de unidades residenciais construídas em um empreendimento corresponda a produtos mais baratos - e menos rentáveis - do que aqueles que a demanda estaria propensa a adquirir naquela localização. Ele atua pelo duplo viés da oferta privada de unidades de habitação social e da integração sócio-espacial das famílias adquirentes.

A aplicação e o desenho dos programas de IH são prerrogativas dos governos locais, portanto bastante variados. Em algumas localidades, a exigência de unidades IH depende do tamanho do empreendimento; em outras, os empreendedores têm a opção de recolher valor correspondente ao custo do IH a um fundo de financiamento de habitação social; outras mais o aplicam em troca de compensações, como acréscimos de densidade (edificabilidade), flexibilização de parâmetros edilícios e isenção de taxas.

Apesar de inexistirem estatísticas seguras do total de unidades produzidas pelo sistema IH, as melhores estimativas apontam para um número entre 129 e 140 mil desde 2010, envolvendo mais de 500 unidades administrativas locais, 27 estados e o Distrito de Columbia, com destaque para a Califórnia e a Região Metropolitana de Washington DC.

Avaliando a questão crítica de se os programas de IH causam a redução da produção total de habitações e/ou a elevação dos preços dos imóveis, Sturtevant alerta para a baixa confiabilidade das pesquisas que concluíram que sim. Em suas próprias palavras, “as pesquisas mais rigorosas sobre os programas de IH não registraram qualquer impacto sobre a produção habitacional e efeitos apenas modestos, se não irrelevantes, sobre os preços.

A parte mais importante da exposição trata dos fatores que contribuem para o sucesso, ou fracasso, de programas de IH, deduzidos pela autora de sua próprias pesquisas e relatos de outras experiências.
. O primeiro e principal fator é o ímpeto do próprio mercado de incorporações. Programas de IH são estruturalmente dependentes desse mercado, portanto de sua situação local ou conjuntural. Muitas iniciativas locais foram negativamente afetadas pela crise de 2007-8, ao passo que programas aplicados em regiões de forte demanda de mercado, como a RM de Washington DC, têm sido bastante bem sucedidos.
. Programas de IH de aplicação compulsória (83% do total) são em geral mais bem-sucedidos que os de aplicação voluntária, cujo sucesso depende, como se pode imaginar, de incentivos como o aumento da edificabilidade e outros tipos de compensação. Em março de 2016, a Câmara Municipal de Nova York aprovou a conversão de seu programa de IH voluntário em compulsório, “criando o mais ambicioso programa de IH do país”.
. Programas de IH, voluntários ou compulsórios, são mais bem-sucedidos, ou enfrentam menos resistência, quando associados a bônus compensatórios como aumentos da edificabilidade (os preferidos), aceleração de licenças, redução de exigências construtivas (e.g. vagas de estacionamento) e isenção de taxas.
. A previsibilidade do programa de IH, isto é, a clareza e estabilidade de suas regras, são fundamentais para o cálculo de rentabilidade dos empreendimentos, portanto o sucesso do programa.
. Embora à custa do objetivo de integração socioespacial, a flexibilidade no cumprimento da obrigação de IH mediante construção de unidades de em outros terrenos ou recolhimento do valor correspondente a um fundo de habitação pode contribuir significativamente para o sucesso dos programas em face de situações adversas como o alto custo da terra na localidade, a resistência comunitária ao aumento de densidade e a insuficiente capacidade administrativa do governo local.
Sturtevant conclui sua exposição asseverando que programas de IH podem ser componentes eficazes de políticas habitacionais locais em uma conjuntura de escassez de recursos federais para a habitação social. A integração socioespacial das famílias beneficiárias é vista como vantagem comparativa desse tipo de programa em face de alternativas quantitativamente mais relevantes.

Ela resume:
"Em geral, os programas de IH mais eficazes tendem a ser os de caráter compulsório, aplicados a mercados habitacionais dinâmicos e desenhados com regras claras, compensações econômicas adequadas e um leque de alternativas para o cumprimento da obrigação."
*
Aos interessados em formar uma visão mais completa do tema, recomendo a leitura do Policy Focus Report (2016) do Lincoln Institute of Land Policy, a cargo de Rick Jacobus, intitulado “Inclusionary Housing: Creating and Maintaining Equitable Communities [3] e da contribuição de Costa, Albuquerque e Rampazio, “Cota de solidariedade: comparando políticas entre cidades norte americanas e São Paulo”, de 2015. [4]

2017-06-24
___
NOTAS

[1] “Separando fatos e ficção: como construir programas eficazes de inclusão habitacional”.

[2] Sturtevant, Lisa. “Separating Fact from Fiction in Research on Inclusionary Housing Programs”. National Housing Conference maio 2016.
https://www.nhc.org/wp-content/uploads/2017/10/Separating-Fact-from-Fiction-to-Design.pdf

[3] Jacobus, Rick. “Inclusionary Housing: Creating and Maintaining Equitable Communities". Policy Focus Report, Lincoln Institute of Land Policy, Cambridge 2015

https://www.lincolninst.edu/sites/default/files/pubfiles/inclusionary-housing-full_0.pdf

[4] Albuquerque G H B, Pereira da Costa A B P e Rampazio L F.  “Cota de solidariedade: comparando políticas entre cidades Norte Americanas e São Paulo”. PARC v. 6, n. 1, UNICAMP 2015.





sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Rolnik: Nosso déficit não é de casas, é de cidade

Fonte: Internet
Imperdível a entrevista de Raquel Rolnik* ao Jornal do Brasil, em 22-10-2012, em que  discute, dentre outros temas, a relação entre financeirização do negócio imobiliário, política habitacional e os programas Minha Casa Minha Vida e PAC, a democracia nas cidades, a (ausência de) uma política nacional de desenvolvimento urbano, a promessa e a realidade do Estatuto da Cidade, etc. 

O blogueiro não resiste à tentação de dizer que se sentiu perfeitamente representado e pronto para dormir o sono dos justos ao ler, na entrevista, a seguinte afirmação:
"A economia política das cidades ainda é conduzida pelos setores que têm na cidade o seu negócio. São interesses econômicos mais ligados ao setor imobiliário e ao setor das empreiteiras de obras públicas, concessionárias de serviço público. Isso aí manda nas cidades, nas câmaras municipais, e portanto nós não conseguimos romper essa lógica da hegemonia desse setor nas cidades." (Raquel Rolnik, entrevista ao JB em 22-10-2012). 
Não foi por outra razão que, às vésperas das recém-findas eleições municipais, propus a formação, em Niterói, de uma "coligação em defesa da cidade" e apoiei os candidatos do PSOL e do PT pedindo-lhes para formar "uma aliança com todos os que desejam uma administração livre da influência de bancos, empreiteiras, imobiliárias e concessionárias de serviços públicos". CQD! A proposta não vingou, mas continua valendo. 

Leia a íntegra da entrevista em
http://raquelrolnik.wordpress.com/2012/11/06/nosso-deficit-nao-e-de-casas-e-de-cidade/

2012-11--09

__________
*Raquel Rolnik é urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Eu sou você amanhã? (2)



Cumprindo o compromisso assumido por ocasião do comentário à postagem "Eu sou você amanhã", de Raquel Rolnik (*), ofereço aos leitores de à beira do urbanismo um link para uma relevante contribuição dos professores Adauto Cardoso, Thêmis Aragão e Flávia Araujo à discussão sobre a política habitacional brasileira. 
"HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL: POLÍTICA OU MERCADO? REFLEXOS  SOBRE A CONSTRUÇÃO DO ESPAÇO METROPOLITANO",
Contribuição ao XIV ENCONTRO NACIONAL DA ANPUR, Maio de 2011, Rio de Janeiro - RJ - Brasil
por Adauto Lucio Cardoso (IPPUR), Thêmis Amorim Aragão (IPPUR) e Flávia de Sousa Araujo (IPPUR)
Para acessar o artigo, clique em
http://www.observatoriodasmetropoles.net/download/adauto_cardoso.pdf

2012-07-13

sábado, 12 de maio de 2012

Eu sou você amanhã?

Blog da Raquel Rolnik 10-05-2012, por Raquel Rolnik

Eu sou você amanhã: a experiência chilena e o ‘Minha Casa, Minha Vida’
“Implementado sistematicamente durante mais de três décadas, inclusive durante os governos da Concertación (coalizão de centro-esquerda), o modelo de política habitacional adotado pelo Chile é quase igual à fórmula do programa “Minha Casa, Minha Vida”: subsídios públicos individuais permitem às famílias de menor renda comprar no mercado produtos ofertados por construtoras privadas. O modelo se completa com disponibilidade de crédito: quanto menor é a renda, maior é o subsídio e menor é a parcela de crédito que entra para viabilizar a compra. 
(..)
As centenas de milhares de casas e apartamentos da supostamente exitosa política habitacional chilena produziram um território marcado por uma segregação profunda, onde o “lugar dos pobres” é uma periferia homogênea, de péssima qualidade urbanística e, muitas vezes, também, de péssima qualidade de construção, marcada ainda por sérios problemas sociais, como tráfico de drogas, violência doméstica, entre outros. (..)


Trata-se de um comentário breve e, creio eu, inconclusivo, mas absolutamente oportuno. Colocado em forma de indagação: "Eu sou você amanhã?", o tema merece um exame atento por parte dos estudiosos e executivos da habitação social no Brasil - com base na experiência prática, que a essa altura não há de faltar.

Uma importante contribuição é o artigo “Habitação, Emprego e Mobilidade: subsídios para o debate sobre a localização da HIS na cidade do Rio de Janeiro”, de Antônio Augusto Veríssimo, à disposição neste blog no link 

http://abeiradourbanismo.blogspot.com.br/2012/02/habitacao-emprego-e-mobilidade.html.  

O  blogueiro promete aos leitores olhos e ouvidos atentos para novos aportes disponíveis na rede e fora dela. Dicas serão bem-vindas.

2012-05-12