quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Sopa no mel

Caos Planejado 09-01-2026, Curso "Do Planejamento ao Caos"
https://caosplanejado.com/curso-do-planejamento-ao-caos/

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Um texto da Caos Planejado tão urbanisticamente correto só pode ter alguma pegadinha. E tem, camuflada numa ordem causal invertida e atenuada por um “enquanto isso”:

Ao longo da nossa história urbana, milhões de pessoas foram empurradas para a informalidade porque o acesso ao solo bem localizado se tornou caro, restrito e excludente. Enquanto isso, políticas públicas e legislações limitaram o potencial construtivo de áreas com boa infraestrutura.

Na ordem devida e sem a etiqueta, o que a peça acima nos diz é que milhões de pessoas foram empurradas para a formalidade e segregadas em conjuntos habitacionais distantes porque o planejamento urbano e suas legislações limitadoras do potencial construtivo tornaram caro, restrito e excludente o acesso ao solo bem localizado.

Pergunto: caso não houvesse as “políticas públicas e legislações [que] limitaram o potencial construtivo de áreas com boa infraestrutura”, teriam “milhões pessoas [deixado de ser] “empurradas para a informalidade”? Teria o planejamento logrado, a contrapelo da indústria da incorporação, destinar “áreas [centrais e pericentrais] com boa infraestrutura” em quantidade suficiente para alojar “milhões de pessoas [que] foram empurradas (..) para conjuntos habitacionais distantes”?

Não surpreende que a tese, hoje em voga nos círculos progressistas, de que a desigualdade urba
na é produto das leis urbanísticas, não das leis do mercado imobiliário, venha ganhando adeptos do 'adensamento' urbano - vale dizer da liberação do potencial construtivo nos nichos locacionais de interesse da incorporação, onde os preços relativos, e com eles a rentabilidade dos empreendimentos, só aumentam!

Na página do curso se lê:

Esse caos que você vê na sua cidade não é um acidente.
Ele foi planejado assim.
Com regras que segregam.
Com leis que afastam moradia, trabalho e serviços.

2026-01-14