Mostrando postagens com marcador Bonduki N. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bonduki N. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Nabil fiscal da moradia social 2

Facebook 14-04-2026, por Nabil Bonduki
https://www.facebook.com/photo/?fbid=10163991035519663

Vou continuar denunciando. Chega de desvios na política de habitação social da cidade. Cada um na sua esfera, incorporadoras, plataformas, compradores e a própria Prefeitura, deve ser responsabilizado. Vou seguir cobrando e investigando por meio da CPI e do meu gabinete até mudar essa situação.

2026-04-22

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Nabil fiscal da moradia social

Facebook 13-03-2026, por Nabil Bonduki
https://www.facebook.com/reel/2159673584871147

Acesse o video pelo link
https://www.facebook.com/reel/2159673584871147
Mais um absurdo envolvendo habitação popular na nossa cidade. Agora descobrimos um hotel inteiro que foi construído com incentivos destinados a proporcionar moradia digna a famílias que necessitam de imóveis com faixas de preço mais acessíveis.

Não bastassem todas as denúncias que temos feito na CPI das fraudes da HIS, desta vez o problema envolve a Habitação de Mercado Popular (HMP), um programa criado para atender famílias com renda um pouco acima das faixas da HIS.

Fui pessoalmente a um edifício que consta na Prefeitura como HMP e, para a minha indignação, o prédio funciona como um hotel. Claro que tínhamos checado as informações antes, mas confirmar a situação de perto foi estarrecedor.

São 91 apartamentos, distribuídos em 14 andares — todos operando como unidades hoteleiras. Há placa na fachada, site, recepção. Basta entrar e fazer uma reserva, presencialmente ou online.

E foi exatamente isso que eu fiz: acessei o site, simulei uma reserva e, se concluísse, pagaria uma tarifa padrão de R$ 733 pela hospedagem no fim de semana.

Isso é um absurdo.

É jogar no lixo uma política pública que deveria garantir moradia digna. Vale lembrar: a construtora ou incorporadora recebeu incentivos fiscais, como descontos e isenções, para produzir esse tipo de habitação.

E esse não é um caso isolado. É apenas mais um entre vários exemplos na cidade de São Paulo: empreendimentos que se beneficiam da legislação de HIS ou HMP, mas acabam sendo usados pelo mercado para outras finalidades.

Já vimos investidores comprando unidades de HIS para lucrar com aluguel de curta temporada. Agora, vemos um edifício inteiro de HMP funcionando como hotel.

Não podemos aceitar que a Prefeitura siga sem fiscalizar.

Essa é uma das questões que queremos enfrentar na CPI das fraudes da HIS. Estamos investigando para responsabilizar e corrigir essas distorções. Só assim teremos uma política pública que funcione para quem realmente precisa de moradia.


2026-04-15


quarta-feira, 18 de março de 2026

O mercado abandona e o governo detona

Nabil Bonduki 14-03-2026
https://www.facebook.com/reel/1614300806153879/

Novo Centro Administrativo de Tarcisio deverá degradar o Centro Histórico

Acesse o vídeo pelo link

https://www.facebook.com/reel/1614300806153879/ 

Talvez
o governador Tarcísio tenha se esquecido ou talvez nem saiba, pois não é paulista, que grande parte das secretarias do Governo do Estado já estão instaladas no Centro Histórico de São Paulo. Há secretarias como as da Fazenda, da Justiça, da Segurança, da Educação, do Esporte e vários outros órgãos e empresas que ocupam o CIDADE, Centro Integrado de Gestão do Estado.
Alguns são prédios tombados pelo patrimônio. É isso que ainda mantém alguns trechos do Centro Histórico movimentados, com gente trabalhando e com comércio ativo. Por isso, as outras secretarias deveriam ser transferidas para a mesma região, ocupando vários outros edifícios de escritório que estão hoje desocupados e poderiam ser modernizados em um processo de retrofit que valorizaria toda a região.
Mas o governador pretende fazer o contrário. Por que criar um novo Centro Administrativo nos Campos Elíseos ao custo de mais de R$ 3,2 bilhões ao Estado imediatamente e R$ 25 bilhões ao longo de 30 anos, incluindo ai a manutenção? A quem interessa esse projeto faraônico com gasto absurdo?
Basta caminhar pela Rua São Bento próximo ao Edifício Martinelli, onde funcionam várias secretarias municipais, para perceber que ali o movimento é mais intenso. Em outros quarteirões da mesma rua em que há prédios vazios, com placas de alugar, as lojas estão fechadas, criando um ambiente desolador e decadente. E se as secretarias estaduais que ainda estão ali forem retiradas, a situação tende a piorar.
Os Campos Elíseos precisam de um plano de reabilitação, mas voltado para novas habitações e reabilitação urbana, feita com estímulos a moradias sociais e de mercado popular, serviços e comércios. É assim que se recupera uma região da cidade.
Faço aqui um pedido ao governador, em nome de muita gente que pensa assim: não leve a sede do governo para os Campos Elíseos e não retire as secretarias que já estão no Centro Histórico. Isso não faz sentido e irá prejudicar ainda mais iuma região vital para a cidade que se encontra ociosa. O Centro Histórico, especialmente o Triângulo, precisa de mais presença dos órgãos do governo estadual, com retrofit e qualificação urbana, e não de menos.

2026-03-18

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Bonduki 2024: verticalização e adensamento

BONDUKI N, "O adensamento populacional é necessário, mas verticalização precisa ter limites e respeitar a memória e o ambiente de São Paulo"Estudos Avançados 38 (111), 2024


Montagem: À beira do urbanismo
(..) O debate entre cidades compactas e cidades dispersas é clássico no urbanismo. O senso comum, o mercado imobiliário e até mesmo alguns especialistas relacionam cidades compactas a aglomerações mais verticais e cidades dispersas a aglomerações mais horizontais. Análises de situações concretas, no entanto, mostram que essa relação não é, necessariamente, assim tão direta. 

Para muitos, o adensamento, a verticalização e a concepção de uma cidade mais compacta são sinônimos de especulação imobiliária. Para outros, os opositores da verticalização são pessoas ou organizações egoístas, chamados do NIMBY “not in my backyard” (“não em meu quintal”) e defendem a máxima verticalização possível, argumentando que seria a única forma de adensar a cidade. 

O fato é que uma cidade mais compacta, menos dispersa e mais densa pode ser obtida sem, necessariamente, aceitar uma verticalização sem limites, em qualquer lugar, a qualquer custo. Cidades como Paris e Barcelona são densas e compactas sem serem verticais. Já São Paulo, apesar do intenso processo de verticalização, em especial nos bairros mais bem estruturados do quadrante sul e sudoeste, a área urbana do município (excluindo a zona rural) tem uma baixa densidade demográfica, em torno de 110 habitantes por hectare. Se considerarmos apenas o chamado centro expandido, podemos dizer que São Paulo é um exemplo de verticalização sem adensamento.

O censo de 2022 (IBGE, 2024) confirmou uma situação que se observa desde os aos 1980, mostrando que distritos muito bem localizados em termos de infraestrutura, serviços e empregos e que têm bairros fortemente verticalizados, com empreendimentos voltados a média e alta rendas, têm baixa densidade demográfica. Esses distritos, situados no centro expandido (ou na Macroárea de Urbanização Consolidada, de acordo com a divisão estabelecida no Plano Diretor Estratégico), têm densidade populacional inferior à média da cidade, como Lapa (73,5 hab./ha), Pinheiros (77,8 hab./ha), Moema (89,9 hab./ha), Itaim Bibi (101,1 hab./ha) e Mooca (101,9 hab./ha). 

Por outro lado, vários distritos não verticalizados com o padrão convencional do mercado imobiliário formal paulistano têm alta densidade demográfica. 

São distritos que apresentam grande concentração de favelas e loteamentos irregulares e estão localizados nas periferias, ou na Macroárea de Redução da Vulnerabilidade Urbana e Social. Distritos como Cidade Ademar (203,7 hab./ha), Capão Redondo (196,3 hab./ha), Sapopemba (195,8 hab./ha), Campo Limpo (187,7 hab./ha) e Lageado (184,6 hab./ha) têm densidade populacional muito superior à média da cidade e mais que o dobro dos distritos com maior verticalização, nos bairros de alta e média renda. 

Ambos os padrões são inadequados. O alto adensamento nos distritos periféricos, em geral resultante do autoempreendimento das moradias, sem assistência técnica, em favelas e loteamentos irregulares, é indesejável, porque ele se caracteriza por uma péssima qualidade urbanística e edilícia.

O sistema viário é insuficiente, caracterizado por ruas e vielas estreitas, ausência de calçadas; inexistência de praças e áreas livres; falta de recuos entre as construções, gerando moradias inacabadas e insalubres, sem iluminação e ventilação; e adensamento construtivo precário de média altura (de três a cinco pavimentos), com a sobreposição de lajes sem projeto estrutural. A casa própria se mistura com moradias alugadas e/ou cedidas, em muitos casos cômodos com banheiros coletivos. Cada vez mais os loteamentos irregulares, as favelas e os cortiços se assemelham e estão mesclados nos territórios periféricos.

Já nos distritos do centro expandido, que concentram 70% dos empregos formais da cidade, um conjunto de fatores gera um adensamento construtivo com baixo adensamento populacional. Ocupado por uma população de alta e média alta rendas, mais idosa e majoritariamente branca, as famílias são menores e ocupam moradias de maior dimensão. 

Por isso, os empreendimentos imobiliários voltados para esse segmento têm alto adensamento construtivo, mas baixo adensamento populacional, com extensas áreas condominiais privadas e, em geral, no modelo decorrente da Lei de Zonemaneto de 1972, só alterada no Plano Diretor de 2014, uso exclusivamente residencial, o que torna necessário que outros imóveis sejam destinados aos usos não residenciais.

Ademais, em vários desses distritos, coexistem Zonas Exclusivamente Residenciais (ZER), de ocupação unifamiliar horizontal, com lotes grandes e famílias cada vez menores, o que as caracteriza como verdadeiros vazios demográficos em regiões de alto padrão urbanístico. Distritos como Morumbi (38,1 hab./ha) e Alto de Pinheiros (49,8 Hab./ha), onde esse modelo predomina, têm as menores densidades demográficas da zona urbana da cidade e estão decrescentes.

Entre 2010 e 2022, a perda de população no Alto de Pinheiros foi de 13,7%, e no Morumbi, 7,0%. Reverter a perda de população em ZER é urgente. A análise da dinâmica demográfica da cidade em um largo prazo mostra que nem sempre verticalização gera adensamento populacional. Em 1980 e 2000, quando estava em vigor o zoneamento de 1972, todos os distritos do centro expandido de São Paulo sofreram um forte esvaziamento. Na década de 1990, 55 dos 96 distritos da cidade tiveram redução da população, e em seis o decréscimo alcançou de 2,5% a 4,0% ao ano. Por outro lado, todos os distritos periféricos, assim como maioria dos municípios da região metropolitana que ficam no entorno de São Paulo sofreram grande crescimento demográfico que chegou a alcançar no máximo 13% ao ano.

Nesse período, a redução da população ocorreu nos dez distritos do centro histórico e bairros centrais, onde o processo imobiliário estava estagnado, mas também em todos os distritos onde o mercado imobiliário foi dinâmico e provocou verticalização. Prédios mais altos não garantiram adensamento populacional no centro expandido, que concentra 69% dos empregos do município. (..)

2026-02-01