quarta-feira, 29 de julho de 2026

Benevolo 1975: sobre a centralidade moderna

BENEVOLO L (1975), História da Cidade. São Paulo: Perspectiva, 2001
https://archive.org/details/historia-da-cidade/Historia-da-Cidade%20versao%202/

(..) O crescimento rapidíssimo das cidades na época industrial produz a transformação do núcleo anterior (que se torna o centro do novo organismo), e a formação, ao redor deste núcleo, de uma nova faixa construída: a periferia.

O núcleo tem uma estrutura já formada, na Idade Média ou na Idade Moderna; contém os principais monumentos — igrejas, palácios — que muitas vezes dominam ainda o panorama da cidade. Mas não pode sem mais tornar-se o centro de um aglomerado humano muito maior: as ruas são demasiado estreitas para conter o trânsito em aumento, as casas são demasiado diminutas e compactas para hospedar sem inconvenientes uma população mais densa. Assim, as classes abastadas abandonam gradualmente o centro e se estabelecem na periferia: As velhas casas se tornam casebres, onde se amontoam os pobres e os recém-imigrados.

Entrementes, muitos edifícios monumentais da cidade histórica – palácios nobiliários, conventos, etc. – são abandonados por causa das revoluções sociais, e são divididos em pequenas moradias improvisadas. As zonas verdes compreendidas no organismo antigo – os jardins por trás das casas em fieira, os jardins maiores dos palácios, os hortos – são ocupadas por novas construções, casas e barracões industriais.

Os efeitos dessas transformações se somam e se tornam mais graves por volta de meados do século XIX. (..) (p. 565)


2026-07-29