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Área ocupada por favelas quase triplicou em 40 anos no Brasil
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| Tânia Rêgo/Agência Brasil |
O estudo revelou ainda que a dinâmica de crescimento das favelas foi mais intensa nas regiões metropolitanas do país, que em 2024, abrigavam 82% das áreas urbanizadas em favelas. O geógrafo e coordenador do Mapiomas, Júlio Pedrassoli, considera que o crescimento mais acelerado das áreas de favelas em comparação com a média nacional e sua forte concentração em regiões metropolitanas sugerem uma tendência conhecida e preocupante. "As metrópoles concentram muita riqueza, mas também intensificam problemas estruturais. (..)
Apesar da surpreendente dificuldade de se obterem, na Internet, dados atualizados e consistentes da evolução da distribuição de rendimentos familiares no Brasil, alguma pesquisa que acabo de fazer indica que as chamadas classes D e E - grosso modo as faixas 1 e '1,5' do programa Minha Casa Minha Vida - constituem há 10 anos uma proporção aproximada de 50% das famílias brasileiras, vale dizer, um número crescente a despeito da redução da pobreza absoluta.
No que se refere à moradia, a imensa maioria dessas famílias só tem, portanto, duas opções: conseguir uma vaga na faixa 1 do MCMV, que regra geral quer dizer uma residência de qualidade duvidosa em algum conjunto habitacional distante de quaisquer facilidades urbanas, ou comprar / alugar uma casa numa favela dos morros e periferias metropolitanas. À parte a (in)capacidade do MCMV de ofertar apartamentos em quantidade suficiente nessa faixa, quero crer que, nas favelas, a despeito da moradia e da urbanização precárias, as famílias se beneficiam não apenas das redes sociais de apoio comunitário, mas também de uma economia às vezes fervilhante [1] [2] - o “circuito inferior” de Milton Santos: comércio, indústria e prestação de serviços, embora informais e às vezes ilegais - o que não é, como todos sabem, exclusividade da cidade informal.
Ao contrário da maioria dos conjuntos habitacionais da Faixa 1 do MCMV, a favela também é, à sua maneira, cidade, locus de produção e circulação de riqueza na economia de mercado, com todas as suas virtudes e aleijões, razão pela qual a redução da pobreza não é, em minha opinião, condição suficiente para o fim, ou mesmo a redução substancial, da informalidade.
Isto que nós, urbanistas, chamamos de “o direito à cidade”, vale dizer à cidade formal, tem um preço em dinheiro: a capacidade que tenha a família de ofertar renda por um imóvel numa boa localização urbana e de arcar com as demais despesas dessa opção. Embora totalmente favorável a programas de urbanização e regularização fundiária nas favelas, sou de opinião que a solução da moradia informal não está na ‘redução da desigualdade’: está na elevação radical e sustentada - isto é, não sujeita aos retrocessos das crises econômicas recorrentes - do padrão de vida da imensa maioria trabalhadora da nação, com tudo que isso possa implicar no plano da organização econômica da sociedade. Um problema, claro está, que transcende em muito o âmbito do urbanismo, ainda que necessariamente o inclua.
2026-03-15
______[1] Segundo o Instituto Data Favela, a renda das favelas brasileiras somou cerca de R$300 bilhões em 2025, maior que a de 22 estados da federação e que o PIB do Uruguai e do Peru. Ver "Pesquisa revela que favelas têm renda de R$ 300 bilhões ao ano". EBC Radioagência 27-07-2025, por Madson Euler.
https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/economia/audio/2025-07/pesquisa-aponta-que-favelas-tem-renda-de-r-300-bilhoes-ao-ano
[2] Ver também: “Favelas têm renda total de R$ 300 bi por ano e 90% dos moradores estão otimistas com o futuro, diz pesquisa”. O Globo 18-07-2025, por Guilherme Queiroz
https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/07/18/favelas-tem-renda-total-de-r-300-bi-por-ano-e-90percent-dos-moradores-estao-otimistas-com-o-futuro-diz-pesquisa.ghtml
[2] Ver também: “Favelas têm renda total de R$ 300 bi por ano e 90% dos moradores estão otimistas com o futuro, diz pesquisa”. O Globo 18-07-2025, por Guilherme Queiroz
https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/07/18/favelas-tem-renda-total-de-r-300-bi-por-ano-e-90percent-dos-moradores-estao-otimistas-com-o-futuro-diz-pesquisa.ghtml
