UOL Notícias 15-04-2019, por Marcio Dolzan /Estadão Conteúdo
Apartamentos irregulares na Muzema custam entre R$ 60 mil e
R$ 200 mil
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Foto: Marcos Serra Lima/G1
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Prédios erguidos em tempo recorde junto a encostas, imóveis
ocupados ainda em obras e precária infraestrutura são a regra no condomínio
Figueiras do Itanhangá, na Muzema, zona oeste do Rio, onde na sexta-feira dois
edifícios ruíram, matando pelo menos 11 pessoas. O baixo custo dos imóveis em
comparação à média no mercado imobiliário e a falsa segurança prometida por
milicianos que dominam a região acabam levando pessoas de baixa renda a
adquirirem apartamentos no condomínio, que não tem autorização da Prefeitura do
Rio.
Os moradores mais antigos dizem que, há menos de 20 anos,
apenas casas com até dois andares eram permitidas no local. Hoje, elas são
poucas em meio a dezenas de prédios erguidos em poucos meses, a maioria com o
mesmo padrão - entre seis e sete andares, com quatro apartamentos por andar. Os
apartamentos de dois quartos, com cerca de 50 metros quadrados, são vendidos em
média por R$ 60 mil. As condições de compra são convidativas: entrada de R$ 15
mil e o restante financiado em parcelas mensais de R$ 1.000, sem juros.
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Foto: Renee Rocha / Agência O Globo |
Os imóveis maiores, na cobertura dos edifícios, chegam a
custar R$ 200 mil - e, também podem ser financiados sem juros. Os prédios são
construídos em questão de meses, a maioria sem nenhum tipo de laudo técnico. O
novo morador recebe o imóvel pronto apenas do lado de fora. "Cada um é
responsável por fazer a parte elétrica e hidráulica dentro de casa",
contou à reportagem um comprador, que pediu para não ser identificado. (..)
2019-04-16