domingo, 10 de abril de 2022

Hoyt 1964: os modelos clássicos e a expansão urbana

HOYT H (1964), “Distorções recentes dos modelos clássicos de estrutura urbana”. PLURAL, Revista do Programa de Pós‑Graduação em Sociologia da USP, São Paulo, v.15, 2008, pp.129‑147
https://revistas.usp.br/plural/pt_BR/article/view/75232/78997

Distorções recentes dos modelos clássicos de estrutura urbana

Hoyt c. 1964
Desde que os padrões gerais da estrutura das grandes cidades foram descritas por Burgess em 19251 e 19292 e por mim mesmo em 19393, tem havido um tremendo crescimento da população urbana, não somente nos Estados Unidos, mas pelo mundo inteiro. Em que grau esse fator de crescimento mudou a forma das comunidades urbanas?

Enquanto a teoria dos círculos concêntricos de Burgess se baseava num estudo de Chicago – uma cidade situada numa pradaria muito plana cortada a leste pelo Lago Michigan – e os padrões de crescimento de outras cidades seriam influenciados por sua topografia única, sua formulação teve uma aplicação muito difundida às cidades americanas de 1929. Burgess trouxe uma contribuição brilhante e vívida para a sociologia e geografia urbanas, que inspirou o presente autor assim como os sociólogos e geógrafos que fizeram estudos subsequentes dos padrões das cidades.

Na época das cidades gregas no século V a.C., uma cidade era considerada uma criação artística que deveria manter sua forma estática sem alteração. Para dar conta do crescimento da população, os gregos mandavam sair colônias, como enxames de abelhas, para fundar novas cidades com base no modelo ideal. Platão dizia que a cidade ideal não deveria conter mais de 5 mil habitantes, embora ele próprio fosse produto de uma Atenas com uma população de 250 mil habitantes. Na Idade Média, a maioria das cidades do continente europeu eram circundadas por muralhas e muitas, como Milão, na Itália, preservaram uma forma inalterada por centenas de anos.

Nos Estados Unidos, todavia, tem havido um enorme crescimento das áreas urbanas desde 1930. O número de grandes concentrações urbanas com população de um milhão de pessoas ou mais cresceu de dez para 22. A população nos 140 distritos metropolitanos era de 57.602.865 pessoas em 1930, das quais 40.343.442 viviam nas cidades centrais e 17.259.423 viviam fora dessas cidades. (..)

2022-04-10