quarta-feira, 29 de abril de 2026

Mercado e plano, para variar

Sul21 15-04-2026
https://sul21.com.br/noticias/geral/2026/04/santiago-cirugeda-o-mercado-e-sempre-mais-agil-do-que-as-leis-de-planejamento-urbano/


Santiago Cirugeda: ‘O mercado é sempre mais ágil do que as leis de planejamento urbano’

Sul21 conversou com o arquiteto espanhol que palestra hoje (15) no encerramento do seminário Arquitetura, Cidade e Política

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Santiago Cirugeda.
Foto: Belén González/Divulgação/Sul21
Sul21: É possível, atualmente, estabelecer um padrão de gestão para orientar o planejamento urbano nas principais cidades do mundo? Existem tendências globais no planejamento urbano?

Santiago Cirugeda: É impossível generalizar sobre os padrões ideais para o planejamento urbano em cidades com suas próprias culturas, geografias e identidades socioeconômicas únicas. O que é evidente, no entanto, é que, além das melhores práticas necessárias para cada desenvolvimento urbano, existem tendências globais consolidadas em que o lucro e a especulação econômica têm precedência sobre o direito ao espaço público, à moradia, à infraestrutura e, sobretudo, à participação cidadã, deixando as decisões que moldam o crescimento urbano nas mãos de poucos. O mercado é sempre mais ágil e rápido do que as leis ou os regulamentos de planejamento urbano, e ainda mais do que os mecanismos de participação cidadã que temos.

Sul21: Quais são os limites da legislação para expandir a participação cidadã e conter os avanços neoliberais no planejamento urbano? Até que ponto a lei pode garantir isso?

Santiago Cirugeda: Muito poucas leis de participação cidadã incluem dotações orçamentárias em seus regulamentos, deixando o processo de debate, projeto e tomada de decisão para propor melhorias ou desenvolvimento urbano como um mero exercício consultivo. Conheço e compreendo o orçamento participativo, que também está profundamente enraizado em Porto Alegre e em outros países; existe até mesmo na Espanha. No entanto, sua capacidade real e o montante alocado a ele, em comparação com outros investimentos urbanos, precisariam ser avaliados para determinar seu alcance — se é meramente um complemento decorativo a grandes projetos de desenvolvimento urbano ou pequenas iniciativas que já possuem valor comunitário suficiente para operar de forma independente. Seria necessário considerar tanto o panorama geral dos projetos financiados pela cidade quanto os projetos individuais.
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Acesse a entrevista completa pelo link
https://sul21.com.br/noticias/geral/2026/04/santiago-cirugeda-o-mercado-e-sempre-mais-agil-do-que-as-leis-de-planejamento-urbano/

2026-04-29