sábado, 9 de março de 2019

Real estate bullying

Impala News (Portugal) 06-03-2019
https://www.impala.pt/noticias/atualidade/senhorios-capangas-intimidar-inquilinos/
Montagem àbeiradourbanismo

Senhorios contratam «capangas» para intimidar inquilinos 

A especulação imobiliária tem atingido níveis históricos no nosso País. Este disparo dos preços no mercado imobiliário começou em Lisboa e já chegou ao Porto. De acordo com o Jornal de Notícias á senhorios no Porto que contratam «capangas» para intimidar inquilinos e conseguir que estes saiam das casas à força.

As associações de moradores queixam-se de «bullying imobiliário» e retratam o contexto atual como um cenário de «terror». A população que mais tem sofrido com estas «ações de guerrilha» são os idosos, acrescentam as associações. (..) 

2019-03-09



sexta-feira, 8 de março de 2019

Apontamentos: Andrade & Cordovil 2008 - Maringá entre o projeto e a vida

Estes apontamentos são parte de um processo de estudo compartilhado. À beira do urbanismo está à disposição dos autores cujo trabalho aqui se comenta para suas considerações.

ANDRADE C R M e CORDOVIL F C S, "A Cidade de Maringá, PR. O Plano Inicial e as 'Requalificações Urbanas'". X Coloquio Internacional de Geocrítica, Barcelona, maio de 2008




O anúncio do início das obras do novo Eixo Monumental de Maringá, nos termos da proposta vencedora do Concurso Nacional para Requalificação do Espaço Público [*], é ocasião propícia para o resgate da contribuição "A Cidade de Maringá, PR. O Plano Inicial e as 'Requalificações Urbanas'", de Carlos Roberto Monteiro de Andrade (USP) e Fabíola Castelo de Souza Cordovil (UEM), apresentada ao X Colóquio Internacional de Geocrítica - Barcelona, maio de 2008.

Construída ex novo na década de 1940 pela Companhia de Terras Norte do Paraná, a cidade de Maringá foi projetada pelo engenheiro paulistano Jorge de Macedo Vieira sob influência das ideias urbanísticas sintetizadas pelo engenheiro-arquiteto inglês Raymond Unwin em sua obra Town planning in practice: an introduction of the art of designing cities and suburbs, de 1909. 

Habilmente sobreposta à arte dos traçados geométricos, a cuidadosa adaptação ao ambiente natural expressa no plano geral de implantação e na organicidade dos arruamentos residenciais é aqui mesclada ao rigor formal do conjunto cívico central axiforme, tendendo ao monumental. 

Porção norte da cidade de Maringá com 
parte do plano inicial ao sul, mostrando o
Novo Centro, a Universidade Estadual de 
Maringá – UEM e o Jardim Alvorada 
(expansão para o norte).

Fonte: Andrade e Cordovil
Clique na imagem para ampliar
É este "conjunto cívico central" do projeto de Macedo Vieira, que se estende da Praça da Catedral à Vila Olímpica, o objeto do concurso recém realizado.

E são as escolhas urbanísticas resultantes do conflito entre a expansão da cidade para o Norte e o traçado da estrada de ferro, elemento chave do plano original que secciona o eixo cívico central marcando-o com a estação ferroviária e sua generosa retro-área em cruz, o objeto principal do texto aqui apresentado. 

Maringá em fins da década de 1960
O trabalho de Andrade e Cordovil discute as vicissitudes do plano urbano original em face da voracidade da indústria da incorporação e das idas e vindas do Projeto Ágora, contratado pela municipalidade na década de 1980 ao escritório Oscar Niemeyer para redefinir o uso e o desenho da Praça da Estação liberada pelo enterramento da linha férrea - uma iniciativa não apenas ambiciosa para o tamanho da cidade como extremamente desafiadora do ponto de vista do valor técnico e cultural da criação de Macedo Vieira, autêntico núcleo histórico da Maringá metropolitana. 

Deixo a pergunta: estará a cidade de Maringá sendo bem sucedida na tarefa de proteger e valorizar o seu mais precioso ativo urbanístico? 

Imagem do Projeto Ágora lançado em 1985, alterado em 1991 e 1993,
 quando passou a denominar-se Novo Centro
Fonte: Revista Tradição, ano XI, número 118, agosto de 1991 / Andrade e Cordovil

Av Advogado Horácio Raccanello Filho (Novo Centro),
 construída sobre o rebaixamento da linha férrea
Fonte: Google Maps 
2019-03-08

____
NOTA
* (Natureza Urbana, São Paulo – SP, Arqs. Pedro Paes Lira / Manoela Muniz Machado e colaboradores) 


quinta-feira, 7 de março de 2019

Maringá: patrimônio urbanístico nacional

O Diario.com / Maringá 03-03-2019, por Redação

Sai ordem de serviço para obras do Eixo Monumental
Plano de Maringá (1943) por Jorge de Macedo Vieira
Em destaque o "Eixo Monumental"
A Prefeitura de Maringá enviou na última semana para a empresa paulista Natureza Urbana Planejamento Integrado a ordem de serviço para elaboração do projeto legal, executivo, detalhamento, memorial descritivo, orçamento completo, cronograma físico-financeiro, compatibilização e projetos complementares que definirão o conjunto de obras a serem executadas no Eixo Monumental da cidade.

Com sede em São Paulo, a empresa foi a vencedora do concurso público nacional realizado no ano passado pela Prefeitura de Maringá para a escolha do estudo preliminar mais adequado para realização das obras de requalificação do espaço público central compreendido entre a Praça da Catedral e o complexo esportivo da Vila Olímpica. (..)

2019-03-07

terça-feira, 5 de março de 2019

Barcelona més que mai

20 minutos (Catalunha) 04-03-2019, por EFE 

Barcelona multa con 2,8 millones a dos fondos buitre por tener pisos vacíos

Imagem: Europa Press / 20 minutos
El Ayuntamiento de Barcelona cerrará esta semana con sanciones que suman 2,8 millones de euros dos expedientes a dos sociedades (fondos buitres) por tener desde hace más de dos años dos edificios enteros con un total de 24 pisos vacíos, en aplicación de la ley catalana de vivienda.

La alcaldesa de la ciudad, Ada Colau, ha anunciado estas multas, las más altas impuestas para penalizar el mal uso de la vivienda desde que en 2007 se aprobó la ley catalana, en declaraciones a la cadena Ser.

Colau ha subrayado que estas multas no responden a una voluntad recaudatoria, sino que quieren que los propietarios "entiendan el cambio de lógica y pongan en alquiler asequible estas viviendas", ya que la ley no permite su expropiación forzosa en estos casos, de la que se ha manifestado partidária. (..) 

2019-03-05

domingo, 3 de março de 2019

Muvuca em Floripa

ND Florianópolis 02-03-2019, por Redação 

Plano Diretor do Centro Histórico de Florianópolis prevê moradias e diversidade cultural
Imagem: ND Florianópolis


Presença de bares reativou ocupação urbana da região, mas reclamações de barulho transformam local em palco de intervenções policiais violentas

Segundo o arquiteto e urbanista Michel Mittmann, que está à frente dos estudos do projeto no IPUF, a proposta prevê a multiplicidade de uso daquela região da cidade, que por anos foi alvo de críticas por conta do abandono por parte do poder público. “O lado leste do Centro só será rico se tiver diversidade de usos, de públicos e classes sociais”, aponta.

Em longo prazo, a ideia é revitalizar as fachadas dos casarões históricos, integrar o local com a rede de BRTs e integrar a área nobre com as regiões mais carentes que rodeiam o centro. Para os próximos meses, a proposta é a criação de corredores exclusivos para pedestres, a redução de carros nas vias da região e a ordenação de mesas e cadeiras na via pública.
“Urbanismo é um processo. Por isso, antes de apresentarmos os projetos para a região, nós vamos criar um plano, que vai tratar da questão de mobilidade, economia, preservação do patrimônio, entre outros”, explicou.

A proposta, que vai alterar zoneamento e uso do solo, está inserida dentro de um triângulo imaginário que vai desde o Instituto Estadual de Educação até o IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), sendo os dois pontos ligados a Praça 15 de Novembro. 

A repaginação do lado leste vai integrar o Centro Histórico aos inúmeros conjuntos e bens tombados que circundam a região, como o Mercado Público, o Monumento a Fernando Machado, o Memorial Meyer Filho, a Praça XV de Novembro, o Palácio Cruz e Sousa, o Largo da Alfândega, a Catedral Metropolitana, o Museu da Escola Catarinense e o Teatro Álvaro de Carvalho. (..)

2019-03-03

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Aluguel social é uma necessidade. Mas não boto a mão no fogo pelo modelo de negócio

Folha de  Paulo 25-02-2019, por Cláudia Collucci e Thiago Amâncio

Projetos pioneiros testam aluguel social em São Paulo e Porto Alegre
Famílias em prédio paulistano pagam 10% da renda e deixam a rua; plano gaúcho subsidia R$ 500 ao locador

Prédio no centro de São Paulo restaurado 
pela prefeitura teve 34 apartamentos destinados 
a aluguel social para ex-moradores de rua 
já em fase de autonomia.
Legenda: Folha de S Paulo. Foto: Adriano Vizoni / Folhapress
(..) Iniciativas como essa, de oferecer moradia à população de rua em alternativa aos albergues, têm crescido no país. Porto Alegre lançou um programa parecido há um ano. Curitiba já iniciou um projeto piloto, enquanto Foz do Iguaçu e Brasília estão com projetos em fase de elaboração.Em São Paulo, um prédio na Sé vai receber 71 pessoas de 34 famílias que até a última semana não tinham um CEP. Eles vão pagar um aluguel para a prefeitura de 10% a 15% de sua renda, condomínio de até R$ 40 e as contas de casa. Móveis e eletrodomésticos foram doados. 

A seleção de um número tão reduzido em um universo de mais de 20 mil pessoas que vivem nas ruas obedeceu a critérios de vulnerabilidade social e, principalmente, autonomia. "É uma porta de saída para as pessoas que estão retomando a sua organização social e reconquistando a sua autonomia", diz o secretário municipal de Assistência Social de São Paulo, José Castro.

Obrigatoriamente, os beneficiados têm que ter renda fixa (a menor é de R$ 755, e a maior, dois salários mínimos), já que a ideia é que arquem com uma parte dos gastos. Há um contrato de aluguel comum que vale por quatro anos. Se deixarem de pagar por três meses podem ser despejados. Para evitar que a situação chegue a esse ponto, haverá um acompanhamento de assistência social e de saúde mais intenso no começo.

O prédio foi desapropriado pela prefeitura em 2011, por R$ 1,8 milhões, e passou por uma reforma de R$ 4,1 milhões (bancada pela prefeitura e pelo governo federal).A prefeitura promete lançar mais dez prédios com 470 apartamentos até o ano que vem. (..)

2019-02-28

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Minhocão paulistano: solução curitibana

Agência Brasil 24-02-2019, por Fernanda Cruz

Prefeitura de SP quer transformar o Minhocão em Parque Linear
Projeções Lerner Arquitetos Associados/Divulgação
Fonte: Veja S

A Prefeitura de São Paulo anunciou que o Elevado João Goulart, mais conhecido como Minhocão, deixará de servir exclusivamente como local de passagem de veículos para dar lugar a um Parque Linear. O projeto estrutural, que contempla iluminação, acessos, sistema viário e transporte público, deve começar a ser executado ainda este mês.

Concebido na década de 70 para ligar as zonas leste e oeste da cidade, a desativação do Minhocão vem sendo debatida há décadas. O elevado prejudica moradores das redondezas, que convivem com poluição sonora, atmosférica e visual provocada pela constante circulação de veículos. A via, no entanto, tem importância na fluidez do trânsito, sobretudo no centro da capital paulista. (..) 

2019-02-25

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Cidade inteligente, enclave privado

Yahoo Finance 15-02-2019, por Jessy Bains 
https://ca.finance.yahoo.com/news/google-sister-company-wants-cut-torontos-property-taxes-developing-smart-city-164129521.html

Google sister company wants a cut of Toronto's property taxes for developing smart city

Alphabet’s Sidewalk Labs wants a cut of Toronto’s revenue to build out its vision of a futuristic data-driven smart city.

Sidewalk Toronto’s vision for urban development (Sidewalk Toronto)
Fonte: Yahoo Finance
Clique na imagem para ampliar
The project has been controversial from the start. Critics have been calling out the Google (GOOG) sister company and its partner Waterfront Toronto for lack of clarity around data collection and intellectual property. 

Sidewalk Toronto is offering to help finance transit projects through the neighbouring Portlands area to speed up the process. Sidewalk Toronto says it should get a portion of developer fees and property taxes in exchange for developing the currently rundown area which is 30 times larger than the Quayside neighbourhood where Sidewalk Toronto plans to build its smart city.

Sidewalk Toronto also says it could build a new Canadian headquarters on Villiers Island and a timber factory in Ontario to build help build the smart city — creating 4,000 jobs in the process. (..) 

2019-02-20


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

AirbnBarcelona

Ara.cat (Catalunha) 14-02-2019, por Pablo Feu – Advogado 
https://www.ara.cat/opinio/Pablo-Feu-Contra-canibalisme-habitacional_0_2180182171.html

La deriva cap al canibalisme habitacional
Hi ha ciutadans que es veuen obligats a retroalimentar un model depredador en el seu propi perjudici

Imagem: Theodor de Bry 1593 
Domínio Público
(..) Si contraposo aquestes dades amb la realitat del que avui està passant a la ciutat en matèria d’habitatge, constato que (..) aquest nínxol de mercat és creixent perquè el turisme de negocis i d’oci a la ciutat també ho és, i això està fent que els immobles d’habitatges de la ciutat que Airbnb podrà gestionar els estiguin adquirint inversors immobiliaris per treure’n tota la rendibilitat possible. Que aquesta rendibilitat supera àmpliament el que pot pagar pel lloguer d’un pis una unitat familiar convencional que vulgui implantar la seva residència habitual a la ciutat, perquè els seus ingressos no s’incrementen. Que l’augment dels preus de lloguer està forçant els habitants habituals de la ciutat a canviar de barri o, fins i tot, a marxar-ne cada cop que expira el termini del seu contracte de lloguer. I que aquesta situació aboca al canibalisme habitacional, que apareix quan qui no pot afrontar els preus de lloguer imposats pel mercat claudica, lloga un habitatge i en relloga les habitacions amb Airbnb, de manera que retroalimenta un model depredador en el seu propi perjudici i en benefici de qui l’està imposant, i que aprofita aquesta desesperació per dir que col·labora.

2019-02-15

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Mecenato urbanístico

Jornal Econômico 07-02-2019, por Rodolfo Alexandre Reis 

MK Premium vai investir 15 milhões de euros em ativos imobiliários em Portugal




““O mercado imobiliário português adapta-se perfeitamente ao nosso modelo de negócio. Edifícios históricos, localizados em áreas centrais e que são uma grande oportunidade de negócio, com o objetivo de dar resposta à crescente procura, especialmente nas duas cidades mais importantes do país. Portugal tornou-se um destino muito procurado, o número de turistas aumentou e, para empresas como a Casasnossa, cujo objetivo passa pela recuperação arquitetónica de prédios, é uma importante oportunidade de negócio. Estamos muito satisfeitos com os resultados obtidos no nosso primeiro ano em Portugal e em 2019 os nossos objetivos serão muito mais ambiciosos”, refere Daniel Leiva, sócio fundador da MK Premium."

O financiamento da conservação do patrimônio arquitetônico, um dos maiores quebra-cabeças do urbanismo contemporâneo, parece ter sido resolvido de uma só tacada, em Portugal, pela especulação imobiliária globalizada.

Ao custo, porém, da sua exclusão do mercado habitacional: o parque de bens imóveis será usado e apreciado por turistas, ocasionais e sazonais.

Muito se tem falado, e não é de hoje, dos efeitos sociais devastadores da alta dos preços imobiliários internacionalizados nas duas grandes cidades portuguesas. Segundo o JN*, até a Comissão Europeia - insuspeita, eu imagino, de "marxismo cultural" -, reconhece em seu mais recente relatório sobre Portugal que "o aumento nos preços das casas está em grande medida concentrado nas principais cidades de Lisboa e Porto, onde as atividades do turismo se estão a expandir para as áreas residenciais, com um impacto negativo na habitação a preços acessíveis para os grupos socialmente vulneráveis".

Retornando ao patrimônio arquitetônico, ali onde a especulação imobiliária globalizada não chega a sua proteção seguirá dependendo, como na maior parte do mundo, de capitais locais combalidos e Estados - federais, estaduais e municipais - cronicamente quebrados.

2018-02-10

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Rule of thumb down

UOL Economia 18-02-2019, por Douglas Gavras / Estadão conteúdo

Crise aposentou ‘regra de ouro’ para aluguel

A crise do mercado imobiliário nos últimos anos, a dificuldade na venda de unidades e a grande oferta de imóveis para locação fizeram a "regra de ouro" usada para calcular o preço do aluguel ficar ultrapassada. Hoje, o valor a ser cobrado pelo aluguel de um imóvel é motivo de preocupação para muitos proprietários --é preciso achar um ponto de equilíbrio entre quanto o dono gostaria de cobrar pelo aluguel e quanto o futuro inquilino está disposto a pagar. 

Esse cálculo sempre envolve comparação de preços de imóveis semelhantes, consulta a corretores e jogo de cintura na hora de negociar com o novo locatário. O mercado costumava usar como regra uma conta simples: a referência era cobrar pelo aluguel cerca de 0,5% do valor de venda do imóvel. Por essa conta, um apartamento avaliado em R$ 500 mil poderia ser alugado por cerca de R$ 2,5 mil.

Durante os anos de crise, que afetaram duramente o setor, os preços de venda pararam de subir e o mercado de locação foi inundado por imóveis que não foram vendidos, fazendo com que os reajustes de aluguel variassem bem abaixo da inflação. (..) 

2019-02-03

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Barato muito caro


Mobilize – Mobilidade Urbana Sustentável 18-01-2019, por Marcos de Sousa 

Transporte público é mais caro para o brasileiro
Comparação entre tarifa e renda média explica porque o brasileiro está deixando ônibus e trens e migrando para motos, bikes e apps de carros
Gráfico: Marilia Hildebrand / Mobilize Brasil
Clique na imagem para ampliar
Novas tarifas de transportes públicos marcaram o início do ano de 2019 em todo o Brasil. E em muitas cidades os reajustes superaram - de longe - a inflação dos últimos doze meses. É o caso de São Paulo, onde o aumento passou de 7% e corresponde ao dobro da inflação. Ou Aracaju, onde a prefeitura elevou a tarifa de R$ 3,50 para R$ 4, um aumento de 14,2%.

Na capital sergipana, que agora tem a mais alta tarifa do Nordeste, uma pessoa que use o transporte duas vezes por dia durante o mês gastará cerca de R$ 240, quase 1/4 da renda média mensal de R$ 1.022,00, segundo a pesquisa anual do IBGE. Como se trata de renda média, o impacto desse valor é muito maior para as famílias de baixa renda, que ficam quase impedidas de utilizar o transporte "público".

A constatação, em maior ou menor grau, vale para a maioria da cidades do país, como Curitiba e Londrina (R$ 4,25), Florianópolis  e Recife (R$ 4,40), Belo Horizonte (R$ 4,05), Uberaba (R$ 3,80), Manaus (R$ 3,80) e São José dos Campos (R$ 4,30).
 
Os valores parecem modestos quando comparados com os preços de transportes públicos na Europa e Estados Unidos, que chegam até a cinco vezes mais do que as tarifas do Brasil. Mas, não é o que parece. (..) 

2019-01-28

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Barato que sai caro

O Estado (Ceará) 22-01-2019, por FolhaPress

Estudo avalia erros de concepção do Minha Casa Minha Vida
Projeto tem recordes de novas moradias, mas repete erros como construir longe de centros

Empreendimento Pau d'Alho, Guararema SP
46 mil m2, 408 unidades

Imagem: http://www.enplan.com.br/pau-d%27alho
(..) Os resultados sugerem que o MCMV tem contribuído para provocar saltos urbanos (“leapfrog”), a ocupação de espaços além da margem da mancha urbana, locais em geral carentes de provisão de serviços e de infraestrutura, afirmam os autores. 

“Na melhor das hipóteses, o programa manteve as famílias de classe baixa na mesma localização relativa que tinham anteriormente”, diz o estudo, realizado por uma equipe de pesquisadores liderada por Ciro Biderman, professor da Fundação Getúlio Vargas que foi chefe de gabinete da SPTrans e diretor de Inovação da Prefeitura de São Paulo na gestão de Fernando Haddad (2013-2016).

Para os autores, é provável que a maior parte dos beneficiários tenha piorado sua localização nas metrópoles e o acesso à infraestrutura. O impacto sobre a geração de emprego foi marginal e limitado ao período de construção. 

O relatório faz um estudo de caso para comparação dos custos entre conjuntos próximos e distantes dos grandes centros urbanos. Para tanto, foram escolhidos dois projetos da Grande São Paulo: o Gema, em Diadema (região do ABCD), e o Pau D’alho, em Guararema, na região metropolitana (79 km a leste de São Paulo). 

Em Guararema, o metro quadrado de terreno custou R$ 11,44, e cada apartamento, R$ 1.665/m2; em Diadema, esses valores saltaram respectivamente para R$ 110/m2 e R$ 2.225/m2. Nos dois casos, o custo de construção foi praticamente igual, em torno de R$ 1.500/m2 de área construída. Ou seja, o custo mais baixo no conjunto de Guararema se devia ao preço menor da terra, por ser longe do centro metropolitano. 

Dois fatores explicam a semelhança do custo da obra em si nos diferentes locais: as concorrências para escolha dos projetos tinham exigências “frouxas” quanto à localização e à oferta de infraestrutura urbana e, ao mesmo tempo, descrições minuciosas sobre as características da construção. 

“A vencedora será sempre a que tiver o menor preço. A maneira de reduzir esse preço é a localização periférica em solo sem serviços. Então, o arranjo institucional em certa medida permite que não se avance na superação de duas variáveis cruciais na precariedade: a localização na cidade e a oferta de serviços públicos”, afirma o relatório.

(..) A economia que o poder público faz no curto prazo, ao construir habitação popular em áreas distantes e sem infraestrutura, acaba por provocar custos maiores. Como sabem os urbanistas, no longo prazo é mais barato construir casas populares no centro da cidade do que na periferia. (..)

2019-01-25

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Alerta de temporal?

UOL Notícias 16-01-2019, por Patrick Clark/ Bloomberg

Imagem: Internet
Acaba imunidade das metrópoles à queda do mercado imobiliário

(..) Para alguns, trata-se de um recuo bem organizado. Para outros, há motivos para preocupação. Um estudo divulgado em novembro pelo Fundo Monetário Internacional alertou que a sincronia dos preços dos imóveis residenciais nas cidades globais significa que choques locais podem abalar mercados no mundo todo.
Várias cidades globais afetam "o sentimento sobre a percepção de risco", disse Albert Saiz, professor de economia urbana do Massachusetts Institute of Technology (MIT). "Se Nova York ou Londres escorregam, sua importância talvez seja suficiente para ter impacto sobre o mercado inteiro."

Na busca por maior rendimento, investidores internacionais despejaram dinheiro em propriedades nas cidades mais caras do mundo, elevando ainda mais os preços. As autoridades reagiram com restrições aos fluxos de capital externo. Ainda neste mês, parlamentares britânicos publicarão detalhes sobre o imposto sobre a compra de imóveis por estrangeiros em Londres, após o aumento das taxas sobre casas compradas por empresas e sobre imóveis comprados por quem já tinha a casa própria. O governo também eliminou isenções tributárias para quem financia a compra de imóveis para aluguel. Nos bairros mais caros de Londres, os preços das casas caíram 19 por cento desde o pico atingido em 2014, segundo dados da Savills, mas os esforços para restringir as compras para fins de investimento ainda estão em curso. 
Em outras partes do mundo, observa-se uma dinâmica parecida. (..)
 

2019-01-21

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Petróleo e estatais no Centro do Rio: uma nota

IBRAFi Notícias / O Globo  07-01-2019, por Ramona Ordoñez e Bruno Rosa

Retomada do petróleo anima mercado imobiliário do Rio

Edifício sede da Petrobrás na Avenida Chile, 

Centro do Rio de Janeiro


“(..) Um levantamento da Regus, empresa especializada no aluguel de salas comerciais, mostra que mais de 450 empresas relacionadas ao setor de petróleo e gás, entre operadores e prestadores de serviços, abriram ou ampliaram escritórios no Estado do Rio, principal zona produtora do Brasil, no ano passado. A previsão da empresa é que este ano haja um aumento de 30% no número de companhias do setor em busca de espaços flexíveis, virtuais, ou em coworking, além de obter endereços fiscais no Rio para iniciar atividades no país.

O mercado carioca ganhou ainda um impulso extra no fim de dezembro, quando a Petrobras abriu uma licitação para alugar espaços de trabalho para até 4.500 posições (pessoas) ao longo de três anos em regime de coworking. Ou seja, a estatal quer investir em um novo modelo que possibilite o trabalho em conjunto com outras empresas perto de sua sede, no Centro do Rio. (..
)

*
O papel da indústria do petróleo na recuperação do dinamismo imobiliário do Centro do Rio na primeira década do século XXI está competentemente analisado, e profusamente documentado, na dissertação da arquiteta e urbanista Alice Belém intitulada Novos Rumos para o Centro do Rio de Janeiro - os significados da prosperidade do petróleo (Especialização em Engenharia Urbana UFRJ 2013), que o leitor pode acessar pelo link [1].

Segundo Belém, “48% das empresas de petróleo e gás do município estão instaladas no Centro do Rio de Janeiro (..) com atividades relacionadas a Serviços, Produtos, Organização e Exploração & Produção”.

Ampliando o escopo da análise, Belém observa que, apesar das privatizações, as empresas estatais remanescentes com sede no Centro do Rio representam "vultosas massas de capital e expressivos contingentes de empregos, diretos e indiretos."

Em 2008, só a Petrobrás contava 31 mil postos de trabalho no Centro, incluindo Praça da Bandeira, sendo 8,9 mil no edifício-sede (Edise) da Avenida Chile e outro tanto distribuído em edificações novas e retrofitadas, próprias e alugadas, no corredor urbano Castelo-Cruz Vermelha-Estácio.


Fonte: Belém, A. Novos Rumos para o Centro do Rio de Janeiro - os significados da prosperidade do petróleo

Tendo em conta os fluxos financeiros associados a essas "massas de capital" e o nível salarial médio desses empregos, pode-se supor a importância decisiva das estatais herdadas dos ciclos desenvolvimentistas do século XX e, mais recentemente, da renovada economia do petróleo, como contraponto aos efeitos negativos (a) da mudança da capital para Brasília em 1960, (b) das crises econômicas recorrentes e (c) da concorrência inexorável dos subcentros sobre a dinâmica imobiliária e a conservação e uso do estoque de bens públicos do Centro do Rio.

Assunto para um livro inteiro ou uma tese doutoral; no meu caso, quem sabe dois ou três artigos para este mesmo blog. Um deles, com certeza, seria dedicado a debater a hipótese de Villaça, enunciada em sua obra magna Espaço Intra-Urbano no Brasil (1998), de que “a única explicação possível para o fato de partes significativas das elites cariocas ainda usarem o centro do Rio”, fazendo dele o menos afetado dentre os centros metropolitanos brasileiros pelo abandono dos grupos sociais afluentes, “é uma só: a força da tradição e das monumentalidades herdadas do passado”. [2]

Não seria o caso - pergunto - de incluir como fator explicativo da resiliência econômica no Centro do Rio, ao lado da indiscutível “força da tradição” materializada em um tesouro de bens legados pela capital da Colônia, do Império e da República, a condição de sede do parque de empresas estatais nacionais e a circunstância de capital da indústria (cada vez menos) brasileira do pré-sal?

Não por acaso considero, faz tempo, a expansão da "indústria da administração petroleira" sobre o vetor Castelo-Cruz Vermelha-Estácio um aspecto ineludível do debate sobre os parcos sucessos e muitos desacertos da Operação Urbana Porto Maravilha, bem como das decisões relativas ao Metrô, portanto de toda a política oficial voltada à "revitalização do Centro" nos últimos 20 anos.

2019-01-14

______
NOTAS
[1] http://abeiradourbanismo.blogspot.com/2013/12/novos-rumos-para-o-centro-do-rio-de.html
[2] VILLAÇA, Flavio. Espaço Intra-Urbano no Brasil (1998), São Paulo: Studio Nobel; FAPESP; Lincoln Institute, 2001, p.292



terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Buraco sem fundo

UOL Economia 07-01-2019, por Douglas Gavras

Déficit habitacional é recorde no país

A redução do crédito para financiamento de imóveis, o desemprego em alta a partir dos anos de crise e a queda na renda das famílias tornaram o sonho da casa própria ainda mais distante para milhares de brasileiros. O déficit habitacional do país, que já era elevado, aumentou em mais de 220 mil imóveis entre 2015 e 2017, batendo recorde. Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que o déficit de moradias cresceu 7% em apenas dez anos, de 2007 a 2017, tendo atingido 7,78 milhões de unidades habitacionais em 2017. "Chegamos ao recorde da série histórica de déficit habitacional. Hoje, ele ocorre, sobretudo, pela inadequação da moradia -famílias que dividem a mesma casa, moram em cortiços, favelas - e pelo peso excessivo que o aluguel passou a ter no orçamento das famílias nos últimos anos", afirma Robson Gonçalves, da FGV.

Ele explica que a maior parte do déficit é formada por famílias que ganham até três salários mínimos por mês, mas a demanda por moradias também atinge consumidores de rendas intermediárias, que viram o mercado de trabalho ficar instável nos últimos anos e o crédito imobiliário mais escasso. (..) 
2019-01-08

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Ajuda mútua

Arch Daily 02-01-2019, por Eric Baldwin
 
Montagem: Àbeira do urbanismo
Imagens originais: Arch Daily/1Internet
Esqueletos robóticos podem ajudar os trabalhadores da construção civil a partir de 2020
A empresa norte-americana de robótica Sarcos divulgou um novo exoesqueleto de corpo inteiro para trabalhadores da construção civil que estará disponível comercialmente em 2020. Especializada em dispositivos militares e de segurança pública, a empresa anuncia agora este dispositivo robótico que permite que os trabalhadores carreguem até 90 kg por longos períodos de tempo. Chamado de The Guardian XO, o projeto está em desenvolvimento há quase duas décadas e tem como objetivo ajudar a reduzir o estresse físico dos trabalhadores da construção civil.

(..) Capaz de amplificar a força humana na proporção de 20 para 1, um saco de cimento de 50 kg pesará muito pouco para quem estiver operando o dispositivo.
2019-01-04

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Tudo ou nada imobiliário: avanço mundial

Jornal Opção 27-12-2018, por Nathan Sampaio 

Projeto de lei sobre distratos é sancionado por Michel Temer 

Montagem: à beira do urbanismo
(..) Em tese, o presidente da comissão na OAB de Goiás ainda diz que, na legislação, a medida pode até parecer mais favorável ao mercado empresarial, e que a princípio pode dar impressão que isso prejudica o consumidor, mas ele esclarece a situação, refutando a ideia.

“Eu tenho entendimento que isso prejudica, na verdade, o mau consumidor. Até porque, em qualquer lugar do mundo os contratos, principalmente os imobiliários são feitos para serem cumpridos, no Brasil é que existem essas variações de interpretações do poder judiciário. Nos Estados Unidos, por exemplo, se algum comprador desiste da compra do imóvel ele perde tudo que já pagou”, justifica Diego, concluindo que se trata de um “avanço mundial”.

2018-12-28