segunda-feira, 27 de abril de 2015

Desregular é solução?

The Economist 04-04-2015

The paradox of soil 
Land, the centre of the pre-industrial economy, has returned as a constraint on growth.

(..) If regulatory limits on building heights and density were relaxed, fewer plots of land would be needed to satisfy a given level of demand. That would reduce the rents collected by landowners, since any uptick in demand could quickly be met by new development. Just as soaring agricultural productivity led to a decline in the relative economic power of rural landowners in the 19th and 20th centuries, the relaxation of strict limits on development would lead to a decline in property wealth relative to the economy as a whole. More of the gains of economic activity would flow to workers and investors. (..) (Destaque do blog)

2015-04-27

sábado, 25 de abril de 2015

American ghetto

The Guardian / Cities / A history of cities in 50 buildings 22-04-2015, por Colin Marshall

Pruitt-Igoe: the troubled high-rise that came to define urban America

Pruitt-Igoe, St Louis, 1956. 
Foto: Bettmann/Corbis/The Guardian
If you propose a high-rise public housing project in America, your opponents will almost certainly use Pruitt-Igoe as a rhetorical weapon against you – and defeat you with it. The Captain WO Pruitt Homes and William L Igoe Apartments, a racially segregated, middle-class complex of 33 11-storey towers, opened to great fanfare on the north side of St Louis between 1954 and 1956. But within a decade, it would become a decrepit warehouse exclusively inhabited by poor, black residents. Within two decades, it would undergo complete demolition.

Whether you call Pruitt-Igoe’s short, troubled existence a failure of architecture, a failure of policy, or a failure of society, its fate remains bound up with, and reflective of, the fate of many American cities in the mid-20th century.

Even before the dust settled from the infamous, widely televised 1972 implosion of one of Pruitt-Igoe’s buildings (the last of which wouldn’t fall until 1976), the argument that the design had doomed it gained serious traction. Architectural historian Charles Jencks cites that much-seen dynamiting as the moment “modern architecture died”. (..)

2015-04-25

terça-feira, 21 de abril de 2015

Oferta competitiva?

Veja economia 30-03-2015, por Naiara Bertão

Top 5: bairros com maiores e menores 
variações de preços
Acumulado 12 meses até fev 2015
Fonte: Veja economia
A crise chegou para o mercado imobiliário. É a hora de comprar? 
Em algumas capitais, os preços estão estagnados ou crescem abaixo da inflação; paradeira no setor beneficia consumidores dispostos a negociar
(..) A situação vivida por Bichuetti deve se repetir à exaustão enquanto perdurar a crise econômica, na avaliação de Igor Freire, diretor de Vendas da Lello Imóveis, corretora que atua em São Paulo. "Num passado não muito distante, quem ditava as regras (preços e condições de pagamento) era o vendedor do imóvel. Agora o mercado ganhou concorrência, pois as construtoras estão competindo diretamente com os imóveis usados. E quem passou a dar as cartas é o cliente final", diz. Freire conta que os negócios vêm sendo fechados a valores, no mínimo, 10% abaixo dos estipulados pelos vendedores. "Agora, quem vende tende a aceitar melhor os financiamentos e até a ​receber outros imóveis como parte do pagamento, o que não se via antes", diz. (..) (Destaque do blog) 
2015-04-21

quinta-feira, 16 de abril de 2015

A mão visível do interesse cidadão

El País Cataluña 13-04-2015, por Laia Raventós 
http://ccaa.elpais.com/ccaa/2015/04/12/catalunya/1428854224_556755.html

La PAHC ocupa un cuarto bloque en Sabadell
El edificio, que pertenece a una constructora, llevaba más de cuatro años vacío

Foto: El País 
Cidadãos comuns mostram que são muito mais aptos à alocação eficiente de recursos do que o livre mercado de financiamento imobiliário


2015-04-16

domingo, 12 de abril de 2015

Il y a des murs à abattre et des Murales à protéger

 Les Murales de Diego Rivera, à Detroit (USA) doivent être inscrites au Patrimoine mondial de l'UNESCO.
UNESCO must register The Murals of Diego Rivera in Detroit on the list of World Heritage Sites   
       ATUALIZAÇÃO DO ABAIXO-ASSINADO
Nous continuons d'avancer. 
Paris, França11 de abr de 2015 —
Cher-e-s Ami-e-s,
Notre action continue de se faire connaître auprès d'un public qui s'élargit et ne cesse de s'internationaliser.
Chaque jour, plusieurs personnes déclarent, sur notre page Facebook, aimer notre action.
Dans le même temps, nos contacts avec les représentants des USA auprès de l'UNESCO se renforcent.
Hier, 8 avril 2015, j'ai eu la confirmation que notre demande était suivie, à Washington, par Jonathan Putnam (US National Park Service Office of International Affairs) et, à Paris, par Scott Turner (Premier Secrétaire de la Délégation permanente des USA auprès de l'UNESCO).
Il a été convenu que je reprendrai contact avec Scott Turner après le 23 avril prochain, à l'issue de la 196ème Conférence plénière du Conseil exécutif de l'UNESCO qui débute aujourd'hui.
Je lui renouvellerai alors notre demande de RDV. Notre délégation sera composée de trois membres (Mexique, USA et France).
Je ne manquerai pas de vous tenir informé-e-s de l'évolution de notre action.
D'ici là, je sais que je peux compter sur vous pour continuer de nous soutenir et faire connaître notre initiative.
Amicalement.
Dominique F. Dionisi
Porte-parole de l'Appel international "Préservons les Murales de Diego Rivera à Detroit-USA"
2015-04-12

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Conforme reza a teoria

El País IAHORRO 10-04-2015
http://economia.elpais.com/economia/2015/03/25/actualidad/1427297770_864317.html
Alquiler, más barato hoy que hace un año 
El 49% de los arrendadores se vio obligado a bajar el precio inicial de la vivienda 
El acceso a la vivienda en propiedad ha sido y sigue siendo uno de los grandes problemas de España. Con la crisis, los criterios para poder comprar  un inmueble se endurecieron, por lo que muchas personas se vieron obligados a optar por un alquiler. 

(..) Del otro lado de la moneda se encuentran los propietarios que buscan convertirse en arrendadores y poder sacar así beneficio de una vivienda que poseen. Para ello, y según informa em portal Fotocasa a través de su encuesta Experiencia de alquiler de vivienda de los españoles en 2014, el 49% de los arrendadores tuvieron que bajar el precio inicial de alquiler de la vivienda, al ser la única manera para conseguir que su vivienda se alquilara. 

Esta rebaja fue del 9,8% en relación con el precio inicial, lo que equivale a un descenso medio de 81 euros mensuales. Peor para los arrendadores fue el 2013, cuando el 56% de ellos tuvo que disminuir el alquiler del 10,5%, es decir de 86 euros al mes. 

Según esta encuesta, el 90% de los arrendadores ha tardado de cero a seis meses en conseguir alquilar la vivienda. El promedio se situó, según Fotocasa, en 4,4 meses. Internet en este caso se convierte en una herramienta con la que llegar a más gente. (..)

2015-04-10


quarta-feira, 1 de abril de 2015

"Llevar el territorio a la agenda política"

El País TRIBUNA 03-03-2015, por Blanca Martín Cortés*

*Geógrafa, experta en planificación y desarrollo territorial.

El planeamiento urbanístico ha perdido su función social al identificar urbanismo con desarrollo económico, legitimando lo que debería combatir

Blanca Cortés
(..) la realidad territorial que conocemos, muestra una serie de abusos sobre el territorio e incongruencias urbanísticas, todos ellos auspiciados por un soporte legal, pero cuya causa y resolución parece estar bastante alejada del debate político y ciudadano. Todo lo relativo a la transformación del territorio, a la construcción de la ciudad, como escenario en el que debe concretarse en buena medida la calidad de vida de las generaciones actuales y futuras, queda en un segundo plano, y siempre supeditado al interés económico a corto plazo. (..) 

2015-04-01

terça-feira, 31 de março de 2015

Canary Wharf: enclave privado com ajudinha do governo

CN Construction News 30-03-2015, por Robyn Wilson
https://www.constructionnews.co.uk/markets/sectors/housing/canary-wharf-receives-crucial-200m-government-loan-for-new-development/8680647.article

Docklands housing scheme to start after Canary Wharf Group secures government loan

Work on a major housing development in London’s Docklands can now get under way after developer Canary Wharf Group received a £200m loan from the government.

2015-03-31

quinta-feira, 19 de março de 2015

O impacto da intervenção de urbanização e regularização do PAC no mercado imobiliário do Morro do Preventório - Niterói (extrato)

Por Antônio Augusto Veríssimo, Pedro Jorgensen Jr, Luís Fernando Valverde Salandia e Rubens Alves Dantas

Relatório de Pesquisa financiada pelo Lincoln Institute of Land Policy – LILP, 2009

Acesse pelo link
https://drive.google.com/file/d/0B2g7hqWHFxtsMlN6NmV3cjV5NEk/edit?usp=sharing

 (…)
7.1 - Análise de preços 

Como explicar (1) que os preços unitários dos bens imobiliários do Cavalão sejam historicamente mais baixos que os do Preventório e (2) que experimentem uma alta mais importante no período abrangido pela base de dados?
A consolidação da comunidade do Cavalão está associada ao boom de ocupação/verticalização de Icaraí nos anos 1950-1980. Assim como nas áreas formais, a ocupação das favelas se dá em ciclos de expansão, consolidação e decadência. O processo de levantamento dos dados já havia sugerido que o mercado do Cavalão é muito menos dinâmico que o do Preventório: menos transações, menos aluguéis, menos construções, menos verticalização.
O Cavalão tem um estigma de criminalidade solidamente arraigado junto à classe média que habita o seu entorno. Tome-se como exemplo a variação dos preços do mercado formal vizinho em função da distância a um ponto central da comunidade, medida durante a pesquisa. A regressão dos preços coletados de imóveis nesses bairros demonstrou que o preço por m² do imóvel formal cai 0.55% para cada metro linear que se aproxima do ponto de referência da comunidade (praça central), percentual bem superior, como se verá a adiante, ao do morro do Preventório.
Além disso, a oferta de novas moradias no Cavalão encontra-se restringida por um Termo de Ajuste e Conduta – TAC iniciado em 2006 e assinado em 2007, envolvendo o executivo municipal e a Associação de Moradores, resultado de um inquérito instaurado contra a Prefeitura Municipal por não coibir a expansão da comunidade e não dota-la de infraestrura. A instalação de um GEPAE28 na comunidade a partir de 2000, foi um fator importante na implementação do TAC.
O Preventório é uma comunidade de origem quase tão antiga quanto o Cavalão, mas de consolidação muito mais recente, associada ao boom de verticalização do bairro de Charitas (Lei 1967 de 2002); ao início de operação dos aerobarcos para o Rio de Janeiro (2004); à consolidação do conjunto São Francisco-Charitas como pólo de entretenimento (praia, calçadão, bares, restaurantes); e, finalmente, à perspectiva de construção do túnel Piratininga-Charitas, que tende a reforçar os mercados de serviços na região. 
O Preventório não tem estigma de criminalidade. Ao contrário, sua fama é de comunidade sem tráfico de drogas29,ainda muito marcada por sua relação original com a colônia de pescadores local. A visão mais positiva dos bairros vizinhos em relação ao Preventório se reflete na variação dos preços do mercado formal do entorno em função da distância a um ponto central da mesma, medido durante a pesquisa. A regressão dos preços dos bairros formais no entorno do Preventório registrou que o preço por m² do imóvel formal cai 0.05% para cada metro linear que se aproxima do ponto de referência da comunidade (ponto de ônibus junto ao acesso principal da favela), bem inferior aos 0,55% verificados no Cavalão. No Preventório, inexistem restrições e controles à expansão horizontal e vertical: é um mercado informal inteiramente “livre” até, pelo menos, o início das obras do PAC e, aparentemente, mesmo após o início das obras.
O exame da variação dos preços nas comunidades estudadas em função da distância do imóvel a pontos de amenidades e serviços mostra que, no  morro do Preventório, o preço/m² aumenta 0,01% para cada metro linear que se aproxima do ponto 01 (ponto de ônibus próximo à rua Dr. Leitão) e 0.06% para cada metro linear que se aproxima do ponto 02 (ponto de ônibus próximo à rua 14 de Abril), sendo portanto um fator positivo estar localizado mais próximo aos pontos de ônibus que atendem à comunidade. No morro do Cavalão, o preço/m² cai 0,06 para cada metro linear que se aproxima da praça central da comunidade e sobe 0,02% pra cada metro linear que se aproxima do ponto de ônibus. Constata-se, portanto, que estar próximo ao ponto de ônibus é considerado uma vantagem locacional e que o mesmo não vale para a proximidade da praça central da comunidade (onde está localizado o GEPAE).
Transações pesquisadas
É razoável supor que os preços mais elevados por m2 construído encontrados no Cavalão resultem da “escassez normativa” de moradias imposta pelo TAC e reforçada pela presença do GEPAE, impelindo a demanda residual (descendentes e agregados das famílias residentes) a aumentar a oferta de renda pelas localizações das poucas unidades disponíveis. Parece também razoável supor que o boom de oferta de serviços no entorno do Preventório, combinado à “liberdade urbanística” vigente na comunidade e ao início efetivo das obras do PAC, tenha contribuído para o aumento da oferta de novas unidades, sobretudo de aluguel, responsável pela relativa estabilização (a partir de um patamar mais elevado) dos preços do m2 construído.
7.2 Aluguéis: rentabilidade e verticalização 
7.2.1 Rentabilidade 

O  tratamento estatístico realizado constatou maior rentabilidade dos aluguéis na comunidade do Cavalão (2,75%) em comparação ao Preventório (1,75%). Os valores encontrados nas áreas informais representam percentuais bem superiores aos do mercado formal. Pesquisa de preços de compra e venda e de alugueis nos bairros limítrofes às comunidades em estudo demonstraram que o valor dos alugueis residenciais nesses locais varia de 0,5% a 0,7% do preço de venda dos imóveis, podendo-se concluir que, em termos relativos, é bem mais caro morar de aluguel nas áreas informais do que nas áreas formais. A maior rentabilidade do aluguel informal explica-se pela incorporação ao preço de custos típicos do mercado formal que não incidem no informal, como condomínio, IPTU, tarifas de serviços, etc.
A maior rentabilidade dos aluguéis no Cavalão em relação ao Preventório poderia ser explicada pelo mesmo fator “escassez normativa” que sugerimos para a diferença de preços de compra-venda do m2 construído.
7.2.2 Verticalização
A verticalização acelerada sobre a base dos bens de uso previamente existentes é uma característica marcante do desenvolvimento atual das favelas no Rio de Janeiro e sua Região Metropolitana. Uma série de reportagens recentemente publicadas em O Globo registra a existência de construções irregulares de 4, 7 e até 10 pavimentos em várias favelas da cidade30, que já não respondem meramente às necessidades de aumento de renda da família ou o seu crescimento, por reprodução ou agregação, mas representam a emergência de uma verdadeira indústria de bens imobiliários à margem da regulação estatal.
Na comunidade do Cavalão predominam casas de um pavimento, ao passo que no Preventório esta proporção não chega à metade. O número de edificações com dois pavimentos no Preventório é o dobro do Cavalão; no Preventório ainda encontramos 23% de edificações com três pavimentos, situação inexistente entre os imóveis pesquisados no Cavalão, mostrando claramente a tendência de verticalização do Preventório, o que explica o gráfico abaixo, que mostra que nesta comunidade 37,8% das unidades comercializadas pesquisadas foram apartamentos. 
Gráfico 2 - Ocorrências por número de pavimentos por comunidade

A verticalização do Preventório se reflete também no gráfico abaixo, que mostra que nesta comunidade o número de apartamentos da amostragem é 4 vezes maior do que no Cavalão . Se analisarmos os números absolutos, esta proporção é de 11 vezes, confirmando os dados demográficos que apontam um crescimento maior no bairro de Charitas, em especial na comunidade do Preventório. A pressão pelo adensamento pode aumentar em função dos investimentos do PAC, que colocará a comunidade num estágio de desenvolvimento urbano superior a outras áreas de ocupação informal.
Gráfico 3 – Ocorrências por tipo de unidades por comunidade
  
7.3 Área construída, densidades e preços do solo  

Nas favelas em geral, a terra não tem um “preço de mercado”. Ao contrário do que ocorre nos assentamentos informais periféricos, no mercado imobiliário das favelas não se transacionam terrenos em quantidade suficiente para caracterizar a existência de um mercado de solo.
São duas as razões: primeiro, as favelas se caracterizam como ocupações intensivas, para autoconstrução e uso imediato. Mesmo quando a ocupação de uma área é progressiva no tempo, por se tratar de terra invadida, o mais das vezes pública, não se configura a reserva de solo em mãos privadas; segundo, o caráter precário da posse da terra constitui um sério obstáculo a que o mercado de produtos imobiliários gere um mercado derivado de terras, que tem como um de seus fundamentos a segurança jurídica a longo prazo.
O mercado de solo nas favelas permanece, portanto, latente. As transações com terrenos são excepcionais, assim como a aquisição de construções para fins de demolição e renovação, mesmo em um ambiente de verticalização acelerada.  O preço da terra na favela é um preço implícito, que corresponde ao valor de localização dos bens de uso transacionados.
Teoricamente, seria possível calcular, com base em um estudo meticuloso dos preços e atributos dos bens de uso transacionados, e com recurso ao método residual dedutivo de avaliação, os preços (implícitos) dos respectivos terrenos. Tal procedimento, no entanto, apresenta no caso da favela tantas dificuldades que se pode ser considerado tema para outra investigação, com foco nas técnicas de avaliação; foge, portanto, do propósito desta pesquisa.
Na ausência de um mercado de terras nas favelas pesquisadas que pudesse fornecer dados de preço para este tipo de mercadoria, utilizaremos um recurso indireto – o exame da densidade de ocupação do solo - para abordar o problema das diferenças de preços do solo entre as duas comunidades e sua progressão.
O exame da área construída dos imóveis pesquisados nos mostra, no Morro do Cavalão, uma maior incidência na faixa de 20 a 40m² (27,3%), com uma proporção bastante  equilibrada nas faixas de menos de 20, 40 a 60 e 60 a 80 (as três entre 16,4 e 18,2%). Chama a atenção o alto percentual de imóveis com menos de 20m² (18,2%). No Morro do Preventório, a maior incidência se dá na faixa entre 100 e 200m² (20,99%), com uma distribuição uniforme nas faixas de 20 a 40, 40 a 60, 80 a 100 e mais de 200 (variando entre 14,2% e 16,2%). O percentual de imóveis transacionados com menos de 20m² é pequeno (4,6%), quatro vezes menor do que no  Morro do Cavalão.
Os imóveis com menos de 40m² são 45,5% no Cavalão contra 18,3% no Preventório. No outro extremo, os imóveis com mais de 80m² são 20% no Cavalão contra 55,3% no Preventório. Podemos concluir que os imóveis transacionados, seja para aluguel ou para compra e venda, são maiores no Preventório do que no Cavalão.
Gráfico 4 – Ocorrências por área construída por comunidade

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A densidade construtiva nas duas comunidades foi estudada por meio do Índice de Aproveitamento do Terreno – IAT, definido pela divisão da área total construída pelo tamanho do respectivo terreno.
O gráfico abaixo mostra claramente que IATs acima de 1,0 ocorrem quase que exclusivamente no Preventório.   
Gráfico 5 – Ocorrências por índice de aproveitamento do terreno – IAT – por comunidade

O exame da progressão do IAT no tempo pelo método da regressão simples mostra que o crescimento previsto desse índice no período de estudo é de 2,53% a.a. no Cavalão contra 8,78% a.a. no Preventório, o que demonstra uma forte tendência de adensamento construtivo, consequentemente um mercado mais dinâmico, nesta comunidade. Utilizando-se o método das médias anuais fica mais explicita a intensificação do aumento de densidade no Preventório, especialmente no ano de 2008, o que poderia ser associado ao início efetivo das obras do PAC.
Associado ao preço unitário, o IAT expressa a densidade de valor, ou o rendimento econômico do m² do terreno. Com base na análise desses índices calculados para cada uma das comunidades em estudo pode-se concluir que os terrenos do Preventório têm maior densidade de valor que os do Cavalão. (Continua)
Leia o relatório completo clicando em 


2015-03-19

sábado, 7 de março de 2015

Minha senzala minha vida

O Globo 20-02-2015

Em Nova York, se você ganha pouco, entre pela porta dos fundos 
Edifício de 33 andares que segrega entrada de moradores ricos e pobres causa furor nos Estados Unidos
 
"Trata-se de uma decisão dos administradores do edifício de luxo 40 Riversidena Riverside Drive, em Manhattan. O prédio ultramoderno de 33 andares tem 219 unidades de luxo, onde o apartamento mais barato é de três quartos, vendido a módicos US$ 3,6 milhões. Mas o complexo tem, ainda, 55 apartamentos disponíveis para a locação de “inquilinos de baixa renda”, dispostos a pagar mensalmente US$ 833 por um conjugado — contanto que sua renda familiar não ultrapasse os US$ 50.304 por ano numa família de quatro pessoas." (..)

2015-03-07

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O transporte integrado europeu sobreviverá?

El País 31-05-2014, por Elisa Silió
http://ccaa.elpais.com/ccaa/2014/06/01/madrid/1401645374_244056.html

El transporte público pierde 257 millones de viajeros anuales desde la crisis

El País
Até quando os sistemas integrados de transporte europeus resistirão à pressão privatista das políticas de austeridade? Em Madri, ela até agora só chegou aos naming rights da estação Puerta de Sol, batizada 'Vodafone' (Arghhhh!!). 

Mas não me espantaria se, na esteira da crise, viesse a notícia da concessão da próxima linha a ser construída - de metrô ou ônibus integrado (EMT) - à exploração privada. 

O efeito descrito na matéria acima é análogo ao ocorrido no Brasil durante a 'década perdida', da qual emergimos, no Rio de Janeiro, para a privatização, por concessão, de todo o sistema de subúrbios e o Metrô.

2015-02-22

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Nó em pingo d'água

NYTimes 20-02-2015, por Natalie Shutlerfeb
http://www.nytimes.com/2015/02/22/realestate/micro-apartments-tiny-homes-prefabricated-in-brooklyn.html
Home Shrunken Home
New York’s First Micro-Apartments, Prefabricated in Brooklyn 
(..) Enter My Micro NY, the city’s first micro-apartment complex, at 335 East 27th Street, with 55 units ranging from 260 to 360 square feet. The building will begin leasing studios this summer for around $2,000 to $3,000 a month. 
My Micro NY rendering by MIR
My Micro NY, made of prefabricated modular units built at the Brooklyn Navy Yard, will be stacked into place this spring. The apartments will come with kitchenettes, wheelchair-accessible bathrooms, ceilings over nine feet high and big windows. And to help make living in a small space more palatable, tenants will have access to storage units and common spaces scattered throughout the building. 

To allow this building to come to be, the city had to waive current zoning and density rules that limit apartments to no less than 400 square feet. 

The project is being watched with interest by both housing advocates and developers, and not just because of its modular construction. Housing advocates say the creation of more micro-apartments could open up many more reasonably priced living options. More units dedicated to singles could eventually bring down rent prices across the city, as more two- to four-bedroom apartments would then open up to families. Singles looking for larger apartments to share with others may have artificially inflated the rental market, as the combined incomes of roommates can be greater than those of families. (..) 

2015-02-19

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Miles de viviendas en "el quinto carajo" II

Fonte: Sociedad de Tasación/Wikipedia
Segundo o historiador Tony Judt, 500 mil é o número estimado de moradias destruídas na França somente em 1944-45, durante a Segunda Guerra Mundial. 

A associação é inevitável: a bolha imobiliária malbaratou, na santa paz espanhola da primeira década do século XXI, uma quantidade de capital equivalente ao que foi empregado para reconstruir o parque residencial francês na década de 1950. 

E não só: devido às políticas europeias de resgates bancários, boa parte dessa esbórnia imobiliária privada foi convertida em dívida pública. 

Ou seja, os trabalhadores espanhóis perderam seus empregos, milhares de idosos perderam suas casas e a juventude desempregada do país terá de pagar, quando arranjar serviço, por um fabuloso estoque de residências onde nunca ninguém poderá morar. 

2015-02-12

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Teleférico da Providência: pedagogia de resultados ou armadilha midiática?

Por Antônio Augusto Veríssimo, Arquiteto e Urbanista

Teleférico da Favela de Santo Domingo, Medellín.
Foto do autor
Em outubro de 2009 chegou ao Rio de Janeiro um grupo de professores e estudantes de um curso de pós-graduação da universidade norte americana de Colúmbia [1]. Este grupo [2] era formado por arquitetos de diversas partes do mundo e tinha por objetivo conhecer uma favela típica do Rio e para esta propor soluções arquitetônicas e urbanísticas que pudessem ser aplicadas efetivamente. A favela escolhida foi o Morro da Providência, para onde a Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio de sua Secretaria Municipal de Habitação, já desenvolvia um projeto de urbanização a cargo de um escritório de arquitetura contratado. Outro motivo para a escolha foi o fato de a favela estar localizada na área de intervenção do Porto [3],  embora fora da operação consorciada em termos financeiros. Cabe salientar que deste grupo faziam parte também representantes [4] da empresa austríaca Doppelmayer, a maior fabricante de teleféricos do planeta.

Como era de se esperar, a “proposta urbanística” apresentada ao Secretário de Habitação em 20 de outubro de 2009 pelo grupo de professores e estudantes daquela universidade previa a implantação de um teleférico ligando a Central do Brasil à favela e desta a área portuária, junto à Cidade do Samba.

No dia 22 de outubro a proposta elaborada pelos estudantes foi publicada no Jornal O Globo (ver imagem abaixo) [5], que destacou uma simulação gráfica do teleférico planando sobre o Morro da Providência. Por esta ocasião, como já citado, estava em curso um projeto de urbanização que visava à complementação das intervenções já realizadas anteriormente pelo Programa Favela Bairro e por outra ação do município denominada “Museu Aberto da Providência". Cabe ressaltar que, em nenhuma das propostas desenvolvidas ou em desenvolvimento para o local, era aventada a hipótese de construção de um teleférico, embora a ideia de um plano inclinado interligando a Praça Américo Brun ao Largo da Capela, no interior da comunidade, já integrasse os planos da Prefeitura. 

Fonte: Jornal O Globo
A imagem publicada do teleférico ganhou a adesão imediata do Prefeito, que determinou que a implantação do teleférico fosse incorporada ao projeto de urbanização em execução para o local. Imediatamente, sob a consultoria dos representantes locais da empresa Doppelmayr, iniciaram-se os estudos técnicos para a construção do teleférico no Morro da Providência.

Não obstante a inexistência de estudo técnico que comprovasse a necessidade, viabilidade ou sustentabilidade da implantação desse equipamento, foram iniciados de forma acelerada os projetos e outras providências para sua construção, tendo sido definido o prazo limite para sua entrada em operação o mês de setembro de 2012. Para a viabilização dessa empreitada, foram realizadas reuniões com representantes da empresa austríaca que culminaram com a vinda, ao Rio de Janeiro e à Secretaria Municipal de Habitação, do seu presidente, o Sr. Michael Doppelmayr. Representantes daquela empresa passaram a assessorar o escritório responsável pelo projeto de urbanização e a equipe técnica da SMH, especialmente na elaboração dos termos de referência e orçamento para a licitação e aquisição dos equipamentos.

Cumpridas as etapas de projeto e elaboração dos demais documentos, procedeu-se à licitação das obras. Apresentou-se à licitação o Consórcio Rio Faz, formado pelas empresas Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia, que são também as detentoras do contrato para urbanização de toda a área portuária, polígono onde está inserido o Morro da Providência. Como este consórcio foi o único concorrente a ser apresentar ao pleito, ganhou a obra pelo maior preço possível. (A obra estava orçada em R$ 119 milhões e o Consórcio a levou por R$ 131 milhões.) 

Logo após ganhar a licitação, em janeiro de 2011, o consórcio anunciou que executaria a implantação do teleférico adquirindo equipamentos fabricados pela empresa francesa POMA, a maior concorrente da austríaca Dopplemayr. O argumento utilizado pelo consórcio para essa decisão era o de que a empresa francesa já possuía uma obra executada na cidade, o teleférico do Morro do Alemão, obra sob a responsabilidade do mesmo consórcio. Outro argumento era o de que, assim como no Morro do Alemão, a empresa concessionária do transporte ferroviário, SUPERVIA, acabaria também assumindo a operação do teleférico do Morro da Providência e não se justificava ter aquela operadora que lidar com duas tecnologias e fornecedores distintos, o que oneraria a operação e manutenção do sistema. Cabe lembrar que, na ocasião, a Odebrecht, uma das integrantes do consórcio construtor das obras de urbanização do Alemão e Providência, havia também assumido o controle acionário da SUPERVIA.

Logo chegaram os consultores da POMA para assumir a orientação da elaboração dos projetos executivos do teleférico. Após já estarem praticamente definidos os projetos e especificações dos equipamentos para início da aquisição, uma nova reviravolta ocorre com a divulgação, em matéria jornalística publicada no Jornal O Dia, em 07/12/2011, da informação de que no mês de janeiro de 2012 deveriam chegar ao porto do Rio os primeiros equipamentos para a montagem do teleférico do Morro da Providência produzido - não se espantem - pela Doppelmayer. Esta notícia tomou de surpresa os técnicos da Secretaria de Habitação, do escritório de projetos e, sobretudo, os engenheiros e funcionários de campo do próprio consórcio construtor.

A construção do teleférico, assim como toda a obra de urbanização do Morro da Providência, foi objeto de muitas polêmicas e conflitos com os moradores e com o próprio consórcio construtor, o que resultou em grande atraso nas obras, tendo sido o teleférico entregue ao público somente no mês de junho de 2014.

Em função de não ter sido possível o ajuste prévio da concessão da operação do teleférico com a Supervia, coube à CEDURP, instituição administradora da Operação Urbana do Porto assumir provisoriamente a operação do equipamento, o que lhe custa, estimativamente,  cerca de R$ 12 milhões anuais. 


Teleférico: equipamento de transporte ou peça publicitária eleitoral?

Não obstante o grande impacto midiático e na paisagem das obras do teleférico, estes não parecem ser a melhor alternativa para o transporte de massa, especialmente para o atendimento de comunidades com as características das favelas do Rio de Janeiro, pois trata-se de equipamento dedicado unicamente ao transporte de pessoas, com evidentes limitações para o cumprimento de outras funções de transporte e mobilidade, tais como o transporte de mercadorias, mudanças, materiais de construção, bicicletas, pessoas com dificuldades de locomoção, lixo, etc. Neste sentido, parecem muito mais adequados equipamentos do tipo plano inclinado, tal como utilizado no morro de Santa Marta. 

Fonte: Fabio Gonçalves / Agência O DIA. 
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/07/teleferico-da-
providencia-sera-interligado-ao-brt-transbrasil-rio.html

Dois estudos recentemente realizados sobre sistemas de teleféricos colocam em dúvida a adequação deste tipo de meio de transporte de massa em favelas. O primeiro, realizado pelo Prof. Werner Kraus da Universidade Federal de Santa Catarina conclui que: 
“O problema da irrelevância do teleférico para a mobilidade dos moradores é verificada na instalação mais conhecida do Brasil, qual seja, o Morro do Alemão na cidade do Rio de Janeiro. Com um volume diário em cerca de 12 mil viagens [6], representa solução de transporte para menos de 10% dos (..) moradores do local”. 
O segundo estudo, desenvolvido pelos Professores Peter Brand e Júlio Dávila, [7] da Escola de Planejamento Urbano-Regional da Faculdade de Arquitetura da Universidade Nacional da Colômbia, Sede Medellin, concluiu que, tendo em vista essas limitações, a maioria dos usuários regulares do teleférico implantado pioneiramente em favela daquela cidade são trabalhadores do mercado formal, que os utilizam basicamente em seu deslocamento de ida e retorno do trabalho (movimento pendular), continuando os demais habitantes a utilizar os meios tradicionais (micro-ônibus, motocicletas, ou caminhar) para seus afazeres diários. Concluem estes pesquisadores que os teleféricos têm mais êxito no sentido simbólico do que no uso prático, tendo em vista seu alto impacto visual e atratividade política. 

O impacto simbólico dos teleféricos, associados os interesses políticos e comerciais envolvidos, todos suportados por eficientes lobbies e intensas ações midiáticas, tem tornado quase hegemônica a ideia de que os teleféricos são uma solução eficiente para a questão do transporte e mobilidade nas favelas. Mas, salvo melhor juízo, no caso carioca ainda faltam estudos consistentes que possam comprovar esta hipótese. Por enquanto, fica a sensação de que a cidade (e por consequência o bolso do contribuinte carioca), foi pego em uma armadilha midiática suportada por uma eficaz ação pedagógica de resultados.

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NOTAS

[1]Columbia University
[2]O grupo era liderado pelos Professores Alfredo Brillenbourg integrante. do Urban Think Thank, e pelo austríaco Hubert Klumpner, (Adjunct Professor / Director SLUM-Lab _The Graduate School of
Architecture, Planning and Preservation.
[3]Operação Urbana do Porto Maravilha.
[4] Mag. Andreas Rudolf, Deput Sales Director, International Markets. Doppelmayr Seilbahnne GmbH e Severino Soares da Silva, Diretor da ESSE Engenharia e Consultoria.
[5]http://revista.zap.com.br/imoveis/americanos-propoem-teleferico-na-providencia/
[6] O sistema do Alemão foi projetado para 30.000  passageiros/dia.
[7]To cite this article: Peter Brand & Julio D. Dávila (2011): Mobility innovation at the urban margins, City, 15:6, 647-661; To link to this article: http://dx.doi.org/10.1080/13604813.2011.609007


2015-02-10