sábado, 25 de março de 2017

Lixo olímpico

El Confidencial 20-03-2017, por Valeria Saccone, Rio de Janeiro

La absurda ciudad fantasma que hoy son las instalaciones olímpicas de Río: "¡Vergüenza!"

(..) Tan solo seis meses después del cierre de los Juegos Paralímpicos más concurridos de la historia, el Parque Olímpico está sumido en el olvido y la decadencia. La fachada del Estadio Acuático, que debe ser desmontado a lo largo de este año, se cae a pedazos.


(..) En muchos puntos del Parque Olímpico reina el caos. Hay basura y material de construcción acumulados en el suelo. Algunas calles ya presentan agujeros e incluso se han registrado robos de cables eléctricos y de ordenadores. Es la crónica de un desastre anunciado, y eso a pesar de que el exalcalde de Río de Janeiro, Eduardo Paes, uno de los máximos impulsores del proyecto olímpico , aseguró en varias entrevistas antes de la celebración de los Juegos que el ayuntamiento lucharía para evitar esta situación. “No tiene sentido que instalaciones tan grandes, que costaron mucho dinero, que hemos pagado de nuestro bolsillo, se pudran mientras los deportistas no tienen dónde entrenar. Es absurdo”, afirma Marta, profesora de Educación Física.

Desde el pasado mes de diciembre, el Gobierno federal de Brasil es responsable del futuro de este parque deportivo. La transferencia de competencias fue realizada después de que el Ayuntamiento de Río de Janeiro fracasase en la búsqueda de un inversor privado que pudiese ocuparse de administrar ese espacio. El coste anual de mantenimiento ronda los 17 millones de reales (unos 5 millones de euros). (..) 

2017-03-25

sexta-feira, 3 de março de 2017

A favela também é desigual

CARVALHO Camila L S, “Escalas da Desigualdade Urbana: a Cidade do Rio de Janeiro e as Favelas”. Cadernos do Desenvolvimento Fluminense No. 11 (2016)
https://www.e-publicacoes.uerj.br/.../view/35870/25569

clique na imagem para ampliar
RESUMO DA AUTORA

No Brasil, o senso comum aponta as favelas como o lugar urbano da pobreza, da violência e marginalidade, por excelência. O objetivo deste trabalho é mostrar que essa descrição das favelas como bolsões de pobreza só é pertinente numa determinada estratégia de agregação espacial dos dados censitários – ou seja, uma certa escala geográfica. Quando a análise é feita considerando os limites de uma favela individual, o que emerge é um mosaico de faixas de renda, a exemplo do observado na escala da cidade. A hipótese deste trabalho é de que as favelas possuem uma estrutura socioespacial análoga à da cidade, caracterizando-as como uma espécie de “cidades dentro da cidade”. Utilizando dados do Censo, agregados ao nível do setor censitário, calculamos o Índice de Moran para a variável renda e, uma vez identificados os clusters de alta e baixa renda, analisamos os dados socioeconômicos e de infraestrutura, relativos a 2010. Estudamos os três maiores agrupamentos de favelas no Rio de Janeiro: Rocinha, Complexo do Alemão e Fazenda Coqueiro. Os resultados indicaram que as favelas têm reproduzido a desigualdade observada na escala da cidade. Articuladas à estrutura urbana mais ampla, as favelas se comportam como fractais, na medida em que também reproduzem esta estrutura.

2027-03-03

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Precariápolis em foco

O Globo 11-02-2017, por Luiz Fernando Janot 

O crescimento vertical das favelas

Foto: Custódio Coimbra /
O Globo 06-11-2016
(..) Agora, um novo desafio se apresenta para os governos municipais. Uma medida provisória editada recentemente pelo governo federal, facilitando a emissão de títulos de propriedade em habitações de interesse social construídas em terrenos informalmente ocupados ou — pasmem — em lajes nos pavimentos superiores das moradias existentes, representará, sem dúvida, um estímulo a mais para verticalização edilícia nessas comunidades. Certamente, a especulação imobiliária informal agradecerá penhorada essa iniciativa.

Tal decreto não faz qualquer referência às condições de estabilidade das edificações e aos aspectos geomorfológicos do terreno. Muito menos às precárias condições ambientais nas comunidades onde o esgoto circula in natura em valas negras ou em canais que deságuam nos rios, nas lagoas, nas baías e no mar. Não basta legalizar a habitação. É preciso que a cidade chegue a essas populações.

Ao que parece, o legislador tem o seu olhar voltado exclusivamente para as soluções de curto prazo, pouco se importando com os interesses futuros da sociedade e da própria cidade.”

Luiz Fernando Janot, arquiteto e urbanista

Acesse a íntegra do artigo pelo link
Foto: Custódio Coimbra / O Globo/06-11-201
2017-02-15

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Desencalhando a incorporação olímpica

Boletim ADEMI  03-02-2017 / O Globo 01-02-2017, por G Valente e L E Magalhães 

Prefeitura negocia venda de imóveis na Vila dos Atletas para servidores

Vila Olímpica Rio 2016,
também conhecida como Ilha Pura
Seis meses após a Olimpíada, o município começa a desenhar um destino para os 3.604 apartamentos da Vila dos Atletas, na Barra. Atento ao que pode arrecadar com o IPTU desses imóveis, o prefeito Marcelo Crivella costura um acordo com a Caixa Econômica Federal (CEF) para que as unidades sejam vendidas em condições especiais a funcionários públicos.

(..) Um fundo da Marinha - com dinheiro orçamentário - seria usado para financiar os imóveis com juros abaixo dos cobrados no mercado. 

(..) Para fazer com que outros órgãos da administração pública criem programas de venda parecidos, a Caixa estuda criar financiamentos, com taxas diferenciadas, voltados a funcionários da Petrobras, da Vale, da Eletrobras, de Furnas, do Exército, do Banco do Brasil, da própria CEF, do BNDES e da Justiça.

(..) “Todo mundo tem pressa: o investidor quer recuperar o investimento, a Caixa quer receber pelo financiamento e a prefeitura quer arrecadar”, disse uma fonte.

(..) A Caixa pretende recuperar os R$ 2,3 bilhões que colocou na construção da Vila. E, talvez, até lucrar um pouco. A estimativa é que a instituição financeira poderá levantar até R$ 3 bilhões com a operação. 

O diretor executivo de Marketing da Carvalho Hosken (,.) disse que cerca de 260 apartamentos foram vendidos até ontem. (..) a empresa tem pressa. A partir do mês que vem, o grupo terá que arcar com R$ 20 milhões de juros por mês do empréstimo para a construção do condomínio. Desde março de 2016, essa despesa é bancada pelo Comitê Organizador Rio 2016. No ano que vem, a empresa passará a pagar parcelas da dívida. (..)

2017-02-03

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Indenizações e aquisições de benfeitorias por necessidade de obras públicas em áreas informais do Rio de Janeiro: análise das metodologias de cálculo

por Antônio Augusto Veríssimo
Arquiteto Urbanista, Mestre em Planejamento Urbano e Regional

Foto Fabio Costa
Uma das tarefas mais delicadas para quem lida com projeto e gestão de intervenção urbana em áreas informais é a de tomar decisões com relação à relocação de moradores e comerciantes em função da necessidade da desocupação de áreas para a execução de obras públicas. 
A prefeitura do Rio de Janeiro, desde o ano de 2001, vem editando decretos para disciplinar a atividade de avaliação de imóveis para a determinação dos valores pertinentes à indenização das edificações a serem demolidas ou à aquisição, no mercado, de unidades prontas para a sua substituição. 
O objetivo deste texto foi examinar as diretrizes e os métodos de cálculo estabelecidos por cada um dos decretos para verificar se conduziam a valores que efetivamente atendessem as expectativas e necessidades dos moradores atingidos. 
Ao final do trabalho concluímos que, em 2013, houve uma autêntica mudança de paradigma no método de cálculo. Pela primeira vez, a Administração municipal admitiu a incorporação do valor do solo ao cálculo das indenizações e aquisições de unidades.

Acesse o artigo pelo link 
https://drive.google.com/file/d/0B2g7hqWHFxtsbHprSTE3TWtMVUE/view?usp=sharing


2017-01-26


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

E os patrícios vão morar... nas caravelas!

Economia ao Minuto 21-01-2017, por Lusa
Associação antecipa crescimento de 30% no mercado imobiliário em 2017 

Imagem
http://europadescobertas-caravela.blogspot.com.br/ 

O presidente da (..) APEMIP antecipa um crescimento de 30% no mercado imobiliário para 2017, à boleia de um bom ano no turismo. 

"(..) Prevejo [um crescimento de] 30%. Se o Estado não fizer asneiras, se deixar o mercado funcionar, vamos crescer, porque Portugal está com um potencial enorme. Vai ser um bom ano para o turismo, pelo que vai ser bom para nós", indicou Luís Lima, em entrevista à Lusa, recordando que o turista em Portugal "gosta de se fidelizar e adquire imobiliário". (..) 

2017-01-23

sábado, 21 de janeiro de 2017

CEPACs e CEPOCs

Imagem: Divulgação/Internet
Ao passo que o mercado financeiro promove a apropriação privada, supostamente pulverizada, da renda da terra urbana (mais-valia imobiliária) pelo sistema de investimento em títulos vinculados ao preço de venda de produtos imobiliários específicos [1] (poderíamos chamá-los CEPOCs - Certificados de Potencial Construtivo vinculados ao preço de venda médio do m2 privativo do empreendimento), nós, gestores públicos brasileiros, continuamos patinando na recuperação social da renda da terra urbana a cargo desse peixe liso, difícil de agarrar, chamado Outorga Onerosa do Direito de Construir (aplicado nas Operações Urbanas Consorciadas sob a forma de CEPACs - Certificados de Potencial Construtivo Adicional), vinculado a uma abstração quantitativamente arbitrária e destituída de valor de mercado, qual seja, o "m2 bruto de construção excedente ao Coeficiente Básico de aproveitamento do terreno"... na prática, meros CEPOCs com descontos generosos, difíceis de entender e complicados de manejar.

À beira do urbanismo
Para esclarecimentos sobre este ponto de vista indico a leitura do artigo "CEPAC e Outorga: primo rico, prima pobre", postado neste blog em 17-07-2015 [2] - mas atenção: você pode poupar o seu precioso tempo começando pelo último parágrafo!


Ao leitor não iniciado no tema da gestão da renda da terra urbana sugiro a leitura, neste blog, da postagem "A repartição da renda da terra na indústria da incorporação imobiliária” [3]

Abaixo, um esquema de como se poderia interpretar a "cota, ou título, de participação" no sistema de "crowdfunding imobiliário" à luz do conceito de valor residual da terra.

abeiradourbanismo.blogspot.com.br
Clique na imagem para ampliar

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Pulverização da mais-valia imobiliária?

DINO – Divulgador de Notícias 18-01-2017

Parceria entre Fintechs permite investir no mercado imobiliário usando Bitcoin

Imagem: Divulgação/Internet
O URBE.ME, primeiro site de crowdfunding imobiliário do Brasil, permite que qualquer pessoa seja um investidor em um dos segmentos mais sólidos e rentáveis do Brasil, a construção civil. Através do conceito de investimento coletivo (crowdfunding), a plataforma web possibilita investimentos em empreendimentos imobiliários a partir de R$ 1 mil, aproximando as pessoas de um mercado que, até então, ficava restrito a grandes investidores.

(..) O investimento é realizado através de um contrato de mútuo que é vinculado ao valor de venda das unidades.

(..) A partir do momento em que forem iniciadas as vendas das unidades, os resultados serão apurados a cada três meses. A participação de cada investidor é depositada diretamente na sua conta bancária, periodicamente, conforme indicado no prospecto de cada empreendimento. O investimento possui duração de 24 a 60 meses, dependendo do projeto, mas poderá ser finalizado antes deste prazo, caso todas as unidades já tenham sido vendidas. O Libres, um dos empreendimentos que já captaram via URBE.ME, está com uma projeção de rentabilidade acima de 25% ao ano! (..)

2017-01-18

sábado, 14 de janeiro de 2017

Bens públicos, negócios privados

O Globo 14-01-2017, por Glauce Cavalcanti

Empresas de saneamento de oito estados serão privatizadas

O programa de concessões em saneamento do governo federal, capitaneado pelo BNDES, ganha fôlego neste início de 2017 com o anúncio de uma primeira onda de licitações. Pelo menos oito estados que aderiram ao programa — ao todo são 18 — vão dar partida à contratação dos estudos técnicos que definirão a modelagem para conceder companhias públicas de saneamento à iniciativa privada.
Fonte: Internet
O banco de fomento já publicou aviso de licitação em sua página na internet para os primeiros seis editais, referentes a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa), Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) e Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal). O edital sai até o fim de março. (..)

2017-01-14


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Se não há recurso público, por que interessaria aos privados?

O Globo 06-01-2017, por Celia Costa

Projeto une estado e prefeitura para recuperar áreas degradadas 
Montagem: àbeiradourbanismo
Imagem original: Internet
O prefeito Marcelo Crivella e o governador Luiz Fernando Pezão fizeram nesta quinta-feira sua primeira reunião de trabalho. Na mesa de discussão, estava uma proposta do arquiteto Sérgio Dias, que já foi secretário municipal de Urbanismo. Ele sugere a criação de operações urbanas consorciadas, que preveem a participação da iniciativa privada em projetos para a cidade. Um deles seria a transformação de áreas degradadas, com a criação de parques, além de um melhor aproveitamento do potencial imobiliário dessas regiões. Isso seria feito por meio da emissão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), a exemplo do que aconteceu na Zona Portuária.(..)

- O mais importante de tudo é que nós vamos ser criativos e não haverá recurso público nessa parceria [disse Crivella]. (..) 

2017-01-12

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Isenção globalizada

Boletim ADEMI 05-01-2016, por L. Lima, L. E. Magalhães e R. Galdo/O Globo

Prefeitura deixou de arrecadar R$ 681 milhões com isenções de IPTU em 2015
Porto Atlântico Oeste
Imagem: Divulgação/Internet

(..) O especialista em direito tributário Felipe Renault ressalta que, em momentos de crise como o atual, a muitas das isenções são importantes para o desenvolvimento de alguns setores da economia:

- Se pegamos uma área abandonada, como era a Zona Portuária, é preciso que se dê algum tipo de benefício para estimular a revitalização. Nesses casos, os benefícios no IPTU são não só bem-vindos, como necessários.

Foi o estabelecido em 2009, para incentivar a ocupação do Porto Maravilha, com isenções para áreas em que fossem erguidas novas construções, desde que as obras estivessem prontas, com habite-se. (..) 


2017-01-10

sábado, 7 de janeiro de 2017

Efficient real estate market

UOl/Economia 03-01-2017, por Prashant Gopal

Para maximizar lucros, Wall Sreet lidera ordens de despejo

Imagem: Internet
(..) Hedge funds, grandes firmas de investimento e empresas de private equity ajudaram na recuperação do mercado imobiliário americano depois da crise de 2008, alugando residências desocupadas depois dos despejos por inadimplência no pagamento de hipotecas.

Agora entre os maiores proprietários de imóveis dos EUA, algumas dessas empresas estão deixando muitos inquilinos no sereno. Em um negócio há muito tempo dominado por pequenos proprietários, investidores de grande escala estão deslocando as conversas de cobrança dos centros de atendimento para as salas dos tribunais, em uma tentativa de maximizar os lucros.

(..) Já a Colony Starwood Homes entrou com pedidos de despejo para um terço de suas propriedades, a maior taxa entre as grandes imobiliárias do país. Tom Barrack, presidente do conselho do Comitê da Posse Presidencial de Donald Trump, e a empresa fundada por ele, a Colony Capital, são os maiores acionistas da Colony Starwood, que também não comentaram o assunto.

2017-01-07

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Arquiteto de classe

The Guardian 24-11-1016, por Oliver Wainright

Zaha Hadid's successor: scrap art schools, privatise cities and bin social housing
(..) The late Hadid’s work might have long been a source of astonishment, for its sci-fi forms and gravity-defying structural feats, but now she’s gone, her practice is prompting incredulity for a very different reason. The queen of the curve has been supplanted by the king of free-market libertarianism. And he’s not holding back.

(..) Raging against the “social engineering” of housing design guides and the “intellectually bankrupt” idea of land use plans, he [Patrik Schumacher] set out his Urban Policy Manifesto, which rambled from scrapping housing space standards to abolishing all forms of rent control and tenancy regulation. He welcomed London’s influx of overseas investors and defended the “buy to  leave” culture, arguing that “even if these global entrepreneurs are only here for a few weeks, they throw some key parties and these are amazing multiplying events”. (..) 

2017-01-04

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Apontamentos: Rezende & Furtado 2016 - o financiamento da Presidente Vargas

REZENDE Vera* e FURTADO Fernanda**, “O financiamento da abertura da Avenida Presidente Vargas: estratégias institucionais e legais”. Revista do Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro No. 10, 2016

Estes apontamentos são parte de um processo de estudo compartilhado. À beira do urbanismo está à disposição dos autores cujo trabalho aqui se comenta para suas considerações.


Avenida Presidente Vargas 1942
Imagem Internet
À beira do urbanismo convida à leitura - no caso dos urbanistas ao estudo atento - do artigo das professoras Fernanda Furtado e Vera Rezende intitulado "O financiamento da abertura da Avenida Presidente Vargas: estratégias institucionais e legais", recém-publicado na Revista do Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro.

Trata-se de um ótimo trabalho de pesquisa documental e análise, sob o ângulo do financiamento público, de uma das intervenções mais importantes - por sua extensão, radicalidade, simbolismo e arquitetura - da história da cidade do Rio de Janeiro e de seu urbanismo.

Já no início da leitura nos damos conta que o modelo arquitetônico rua-corredor com grandes planos de fachada e passeios em galeria não é o único elo de ligação entre os planos Agache, de 1930, e Dodsworth, de 1940: ambos adotam o princípio da cobertura dos custos dos projetos urbanos com a captura da valorização do solo reurbanizado. Nas palavras de Agache:

Quase sempre após os trabalhos de urbanismo, o valor da parte conservada pelo proprietário aumenta de tal maneira que é de toda justiça obrigá-lo a ceder, à cidade, a metade da valorização obtida (AGACHE, 1930, p. IX).

Partindo daí, o texto oferece ao leitor uma ampla gama de antecedentes administrativos e legais dessa prática nos âmbitos municipal e federal.

Em seguida, tendo por fio condutor considerações do próprio ex-prefeito-interventor Henrique Dodsworth datadas de 1955, Rezende e Furtado descrevem e analisam o instrumento adotado para o financiamento do projeto, destacando três momentos cruciais de sua trajetória: 

(1) criação das Obrigações Urbanísticas, em 1940, como instrumento de antecipação das receitas esperadas da valorização dos terrenos servidos pelas melhorias; 

(2) sua centralização, por Decreto de 1941, em mãos do Banco do Brasil como garantia de empréstimos destinados à execução do projeto (uma intrigante analogia com a recente monopolização dos CEPACs do Porto Maravilha pela Caixa Econômica Federal!); 

(3) o impacto da nova Lei de Desapropriações de 1941 sobre a viabilidade da programação financeira original, baseada em legislação de 1903.

Além de preencher, com sobras, uma séria lacuna historiográfica no urbanismo carioca e brasileiro, o artigo das professoras Furtado e Rezende projeta um longo feixe de luz sobre a questão pouco pesquisada, e menos ainda discutida, do balanço econômico-financeiro dos Grandes Projetos Urbanos teoricamente financiáveis, no todo ou em parte, com a valorização do solo que têm por corolário.
__

*  Vera F. Rezende é Arquiteta, Doutora em Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP), Professora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF) 

** Fernanda Furtado é Arquiteta, Doutora em Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP) e Professora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF)

Acesse postagens sobre o tema neste blog pelos links

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Amanhã canicular

O Globo 26-12-2016, por Ludmilla de Lima e Isabella Cardoso

“Sensação térmica chega a 44,9 graus nesta segunda no Rio”
Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Não posso julgar o Museu do Amanhã como museu nem como arquitetura, no primeiro caso porque ignoro por completo o que ele contém, no segundo porque da edificação só conheço a estrutura aparente, o invólucro.

Superadas essas lacunas, a maior dificuldade será livrar-me da rejeição apriorística: o museu porque não há chance de vir a simpatizar com o método da Fundação Roberto Marinho para a sondagem do Amanhã, a arquitetura por acreditar que o foco no Espetáculo tende a produzir edificações destinadas ao culto midiático, carentes de flexibilidade e condenadas à obsolescência precoce.

Estou convencido, no entanto, desde já, de que a opção de urbanismo adscrita ao seu partido arquitetônico é um equívoco consumado, com claros prejuízos para o esforço (involuntariamente) aplicado pela coletividade ao resgate, para desfrute público, do trecho da orla marítima da Baía de Guanabara compreendido entre a Praça XV e o futuro Aquário - muito apropriadamente batizado Orla Conde. 

Tal conclusão não foi sacada do olho clínico do urbanista, que já vai turvado pela catarata da inatividade. Ela nasceu de uma prosaica experiência cidadã compartilhada com milhares de transguanabarinos que decidiram aproveitar os feriados olímpicos para conhecer as novidades urbanísticas do nosso Centro Histórico Metropolitano: a Praça XV livre do Elevado, a nova esplanada da Candelária, o passeio do Arsenal de Marinha, as novas vistas do Morro de São Bento e da Ilha das Cobras, o VLT, os armazéns portuários convertidos em equipamentos culturais, o eletrizante Mural das Etnias e, por fim, a nova Praça Mauá com suas várias atrações: o Terminal Marítimo, o Píer, o MAR, A Noite e o Amanhã. 

Vejamos. 

A caminhada da Praça XV à Praça Mauá se faz, mesmo num dia de sol de inverno, sob um calor escaldante. Não me deixam mentir as futebolistas brasileiras e suecas que, naquele meio-dia em especial, disputavam a poucos metros dali a semifinal do torneio olímpico feminino. Ao passo que elas se arrastavam no gramado do Maracanã à espera do intervalo para se abrigar na penumbra dos vestiários, eu, extasiado com as vistas nunca vistas, me arrastava na Orla Conde ansiando chegar à Praça Mauá para uma parada estratégica que servisse à contemplação do reencontro da cidade com o mar e à recarga das baterias para a segunda parte do passeio. 

Ocorre que a nova Praça Mauá, como tantas praças do urbanismo cívico contemporâneo, é um deserto, e o Píer um banco de pedra e cimento onde jaz, encalhado, o Nautilus do Capitão Calatrava. Ali chegando, a única decisão sensata ao alcance do esfalfado caminhante é seguir caminho, contornando pela beira do cais o despótico objeto - um inexpugnável casco de ferro encimado por grupos de barbatanas móveis e parcialmente orlado, num recuo ao nível do chão, por um avarandado inútil, espremido entre um longo espelho d’água à guisa de fosso e uma cortina de portas de vidro permanentemente fechadas e protegidas por guardas de segurança. 

O que deveria ser para os visitantes ocasionais da Orla um oásis amigo destinado ao refrigério, e para os não ocasionais um lugar de convergência cidadã, revela-se o mais inóspito dos lugares, uma causticante passarela de inspeção do portento arquitetônico-tecnológico presenteado pelas potências do capital monopolista ao cidadão mesmerizado. 

Nunca, como naquele fatídico domingo olímpico, ansiei tanto por uma sombra generosa, culturalmente significativa e carregada de possibilidades lúdicas. Nunca dei tanto valor ao rés-do-chão suavemente abobadado do MAM, ao vão livre brutalista do MASP, à marquise amebiforme do Ibirapuera, ao sóbrio e elegante pilotis do MEC!

Concluí que a engenhoca dos Irmãos  Marinho não foi, definitivamente, a melhor opção arquitetônica para aquele parte da cidade, mas ficou bem a propósito em tempos de desequilíbrio climático: o Amanhã que ela se dedica a sondar será, pelo andar da carruagem, tórrido como um meio-dia de sol na nova Praça Mauá. 

2016-12-27

sábado, 24 de dezembro de 2016

Bens públicos, negócios privados

NY Times 24-12-2016, por Danielle Ivory, Ben Protess e Griff Palmer

In American Towns, Private Profits From Public Works

Imagem: Sabesp
http://site.sabesp.com.br/site/interna/Default.aspx?secaoId=47
 
(..) Water rates in Bayonne have risen nearly 28 percent since Kohlberg Kravis Roberts — one of Wall Street’s most storied private equity firms — teamed up with another company to manage the city’s water system, the Times analysis shows. City officials also promised residents a four-year rate freeze that never materialized.

In one measure of residents’ distress, people are falling so far behind on their bills that the city is placing more liens against their homes, which can eventually lead to foreclosures. 

In the typical private equity water deal, higher rates help the firms earn returns of anywhere from 8 to 18 percent, more than what a regular for-profit water company may expect. And to accelerate their returns, two of the firms have applied a common strategy from the private equity playbook: quickly flipping their investment to another firm. This includes K.K.R., which is said to be shopping its 90 percent stake in the Bayonne venture, a partnership with the water company Suez. 

(..) President-elect Donald J. Trump has made the privatization of public works a centerpiece of his strategy to rebuild America’s airports, bridges, tunnels and roads. Members of his inner circle have sketched out a vision, including billions of dollars of tax credits for private investors willing to tackle big infrastructure projects. And Mr. Trump himself promised in his victory speech “to rebuild our infrastructure, which will become, by the way, second to none.” (..) 

2016-12-24

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Banho de mar à sombra dos arranha-céus

Téchne Dez 2016, por Giovanny Gerolla

Balneário Camboriú, SC. 
O edifício mais alto é o 
Epic Tower, com 188m
Montagem: à beira do urbanismo
Foto original: Divulgação/Téchne

Superedifícios residenciais vêm mudando o skyline de algumas cidades do País
 
(..) Em Balneário Camboriú (SC) estão pelo menos sete dos dez edifícios mais altos do Brasil e possivelmente da América do Sul. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil daquela cidade (Sinduscon-BC), engenheiro Carlos Haacke, umas das justificativas para a expansão desse tipo de empreendimento é o reduzido espaço físico do município. 'Nosso território tem aproximadamente 54 km², dos quais mais de 80% estão em áreas de Mata Atlântica e praias agrestes; temos apenas 7 km de praia urbana', calcula. Desta perspectiva, a verticalização é uma necessidade para a vida na curta faixa litorânea.

A legislação da cidade também não é uma barreira. 'O plano diretor tem gabarito livre. É o tamanho dos terrenos o que nos permite subir prédios mais ou menos altos', diz Haacke. (..)  

2016-12-21

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Esticando a corda

DN (Portugal) 11-12-2016, por Filipe Paiva Cardoso

FMI alerta: imóveis estão a voltar a preços pré-crise
(..) O estudo põe Portugal na segunda categoria, a que chamam bust and boom, já que depois de uma queda acentuada os preços voltaram a ter subidas significativas a partir de 2013. Segundo os dados avançados, os imóveis em Portugal valorizaram 6,4% no último ano, o 15.º registo mais elevado dos países analisados (ao lado).

Esta evolução surge apesar da contração do crédito em Portugal e do quase congelamento dos ganhos médios no país, salientam.

Mas a falta de crédito em países como Portugal é outra razão para os responsáveis do FMI recomendarem "vigilância". "Muitos dos booms no imobiliário foram alimentados pelo excesso de crescimento do crédito." Desta vez, o detonador é outro, a falta de oferta. "As licenças para novas habitações cresceram só modestamente (...) e o impacto das limitações da oferta é evidente em várias cidades", dizem. Isto não é melhor, nem pior, é diferente: "Mesmo que os preços subam só devido à oferta, o impacto no endividamento das famílias pode ser adverso para a estabilidade financeira." 

É que a subida de preços não encontra correspondente nos rendimentos das famílias, que, com a entrada de investidores estrangeiros a puxar preços, acabam por ser obrigadas a um maior esforço (risco) para comprar ou arrendar uma habitação - vários investidores estão a refugiar-se no imobiliário numa fase de rentabilidade reduzida em vários ativos. (..) (Destaques do blog) 

2016-12-13

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Eterno retorno

O Globo 05-12-2016, por Domingos Peixoto/Agência O Globo

Prefeitura faz inventário de imóveis sem uso em áreas do Centro
Objetivo é traçar estratégias para ocupação de vazios urbanos

Casas geminadas/Pça Tiradentes
Foto: Marco Antonio Cavalcanti/UOL
Fonte: Internet
Basta andar pelo Centro do Rio com o olhar mais atento para notar que a região, apesar de valorizada — a área abriga o coração de negócios da cidade —, tem vários endereços fechados. São muitos sobrados abandonados, sem nenhum tipo de uso, principalmente em ruas mais internas. A real dimensão destes vazios urbanos, porém, nem mesmo a prefeitura conhece. 

Para tentar traçar um mapa atualizado das propriedades vazias no Centro Histórico, equipes do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), com apoio do Instituto Pereira Passos (IPP) e da Procuradoria Geral do Município (PGM), começaram a sair às ruas na última segunda-feira.
(..) A expectativa é que sejam levantados 4.700 endereços nos próximos três meses. O censo faz parte do projeto Centro para Todos, parceria da Prefeitura do Rio com a Bloomberg Associates.

— Sabemos que há muitos imóveis sem uso, fechados ou abandonados, mas a prefeitura não tem uma base de dados atualizada. Temos informações da Secretaria municipal de Habitação, da Defesa Civil e de outros órgãos, mas os dados estão separados, nunca foram unificados. Este mapeamento será um censo com a identificação e a caracterização de imóveis vazios e subutilizados. Com esta coleta de dados, será possível identificar áreas de interesse e traçar estratégias para aproveitar as edificações e terrenos abandonados ou subutilizados — diz o presidente do IRPH, o arquiteto Washington Fajardo.

2016-12-05