segunda-feira, 22 de julho de 2019

Porto Maravilha: sinal de vida?

Diário do Rio 15-07-2019, por Felipe Lucena

Grupo paulista compra Fábrica do Moinho Fluminense

A Fábrica do Moinho Fluminense foi vendida ao grupo paulista Autonomy Investimentos & Affiliates. Os valores ainda são desconhecidos. O imóvel, uma autentica fábrica inglesa, é tombado e teve seu alvará dado pela princesa Isabel. São 27 mil m² e fica na Rua Sacadura Cabral, Centro do Rio.

A Fábrica pertencia à Bunge Alimentos e em 2014 chegou a ter negociações com a Vinci Partners, que faria lá um dos maiores complexos de escritórios e lojas do Porto. O objetivo era ter shopping e até um hotel em um dos silos. Até hoje era um dos imóveis mais cobiçados do Centro do Rio.
(..) A Moinho Fluminense foi a primeira fábrica de moagem de trigo do Brasil. Inaugurado em 1887, o prédio faz parte da história da nossa cidade e do nosso país. Além de ser fundamental para o comércio nacional, a Fábrica tem suas memórias marcadas por importantes fatos históricos.

O imóvel, em 1893, serviu de esconderijo para Ruy Barbosa – então ministro da Fazenda. O episódio se deu por conta da ira de alguns marinheiros que aderiram à Revolta da Armada, contra o governo do presidente Floriano Peixoto.

2019-07-22

sábado, 20 de julho de 2019

Cobertor curto

UOL Notícias 17-07-2019, por Circe Bonatelli / Estadão Conteúdo
Secovi-SP critica saques do FGTS e cobra regras claras para empreendedores 
A decisão do governo federal de liberar o saque de parte das contas ativas do FGTS, o que deverá movimentar R$ 42 bilhões, foi criticada pelo presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), que vê uma quebra na segurança para investimento.

(..) O temor do presidente do Secovi-SP diz respeito a uma possível falta de liquidez do FGTS, que é a principal fonte de recursos para financiar a compra e a construção de imóveis dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV). O programa tem sido o motor do mercado imobiliário nos últimos anos.

Jafet observa que os recursos do FGTS também são amplamente usados para se dar a entrada na compra da casa própria, em todos os segmentos de mercado, incluindo pessoas de média e alta renda. Portanto, há receio de que possa haver uma redução da liquidez do mercado imobiliário como um todo. (..) 

2019-07-20

sexta-feira, 19 de julho de 2019

A classe média vislumbra o precariado

El País 18-07-2019, por María Sosa Troya

Los menores de 30 deben pagar más del 90% de su sueldo para poder alquilar una vivienda solos

Imagem: Internet
La vida de los jóvenes españoles está en pausa. Pasan las crisis pero sus proyectos emancipatorios no remontan porque sus salarios no dan para ello. Pero esta pescadilla que se muerde la cola, el círculo vicioso entre la precariedad y el elevado precio de las viviendas, mantiene en casa al 81% de los jóvenes entre 16 y 29 años. Solo el 19% restante se pueda independizar, y esta es la cifra más baja desde 2002, según el Observatorio de Emancipación correspondiente al segundo semestre de 2018, presentado este jueves por el Consejo de la Juventud, un espacio de participación juvenil que agrupa a medio millón de jóvenes. Hace 10 años, en plena tormenta económica, la cifra llegó a ser del 26%.

Considerando el sueldo medio de este grupo de edad (unos 940 euros al mes), en el informe se estima que para afrontar el coste de una vivienda en solitario, incluyendo el alquiler y los gastos, los jóvenes que quieran mudarse a vivir solos deberían aportar el 91,2% de su sueldo. Hace 10 años, el porcentaje era del 57,4%. Lo equilibrado es el 30%.
Eso es lo que le gustaría pagar a Ismael González, administrativo en una empresa en Madrid. "Vivo con mis padres porque no puedo permitirme hacerlo solo. Tengo un contrato temporal por el que cobro 1.100 euros y por menos de 700 no veo nada decente", explica este chico, de 21 años. (..)
 
2019-07-19

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Financeland

The Guardian 08-07-2019, por Oliver Wainwright

'The next era of human progress': what lies behind the global new cities epidemic? 
Fonte: à beira do urbanismo set 2014
(..) The escapist urge to build cities from scratch is nothing new. At the turn of the 19th century, the Garden City Movement saw a generation of bucolic communities planned in reaction to the grime and overcrowding of rapidly industrialising cities, driven by a powerful campaign for social reform. Half a century later, the New Town movement developed these ideas, promising a brave new world of modern, self-sufficient municipalities rising from the ruins of the second world war, and focused on building an inclusive, democratic society. 
Now, in the first decades of a new millennium, a surge in global population growth and a sense of impending environmental armageddon have spurred an epidemic of planned cities of a very different kind. This time they are being conceived by private multinational corporations as gilt-edged gated communities and tax-exempt free-trade hubs, each branded as the ultimate techno-eco-utopia. (..) 

2019-07-17

sábado, 13 de julho de 2019

Onde moram os donos do mundo

The Savills Blog 12-07-2019, por Sean Hyett 
https://www.savills.co.uk/blog/article/283491/residential-property/global-billionaires--a-world-city-love-affair.aspx

Global billionaires: a world city love affair

Billionaires play an active role in global property markets, either through investments or the search for their own private, ultra-prime residences.
But who are these wealthiest of buyers? Where do they come from, what are they looking for and where do they most want to live?Using data from Forbes, we take a look at the average profile of a global billionaire in order to better understand their property needs.

(..) As the predominant financial and business hub in the US, it is unsurprising that New York is the city home to the most billionaires globally, with 85 in total. This is followed by Hong Kong (79), Moscow (71), Beijing (61) and London (55).

(..) According to Forbes, this year the combined worth of billionaires was US$8.7 trillion, down from $9.1 trillion in 2018. Over half (52 per cent) who made the list last year saw their individual wealth decline, compared with 34 per cent who saw an increase and 14 per cent whose wealth did not change.
The fall reflects the current economic uncertainty and volatile financial markets around the world which have also slowed ultra-prime residential price growth.

In the year to December 2018, the 17 cities in Savills World Cities Prime Residential Index saw combined growth of just 2.5 per cent for ultra-prime property, the lowest since the global financial crisis.

2019-07-13

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Subsidiado e integrado - como tem de ser

The Guardian / Cities 09-07-2019, por Philip Oltermann
https://www.theguardian.com/world/2019/jul/09/vienna-euro-a-day-public-transport-berlin-365-annual-ticket

Vienna’s euro-a-day public transport model could waltz into Berlin

Berliners could pay as little as €1 a day to use public transport for a year under plans to wean the German capital off its cars and reduce air pollution, its mayor has announced.

“Step by step I want to follow the goal of introducing an annual public transport ticket for €365,” Michael Müller told Neue Zürcher Zeitung. An annual ticket normally costs €761.

Such a move would make Berlin the latest German city to emulate what has come to be known as the “Vienna model”: public transport use in the Austrian capital has shot up since the operator Wiener Linien lowered the price of an annual season ticket from €449 to €365 in May 2012.

In Vienna, 822,000 people, almost half the city’s population, have an annual ticket, and the percentage of journeys made by underground, tram or bus has increased to 38% – compared with 27% in Berlin, 23% in Munich and 18% in Hamburg.

Several German cities are investigating season-ticket models along Viennese lines, as city authorities across Europe examine ways to meet EU pollution targets. (..) 

2019-07-10

domingo, 7 de julho de 2019

Onde foi que eu errei?

O Dia 06-07-2019 
https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2019/07/5661016-crivella-diz-que-prefere-pagar-multa-a-arcar-com-baixa-demanda-do-vlt.html
Crivella diz que prefere pagar multa a arcar com baixa demanda do VLT

O prefeito do Rio voltou a falar, nesta sexta-feira, sobre um novo processo de licitação para o funcionamento do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Segundo Crivella, o município não pode arcar com as despesas do transporte público, que atualmente tem menos passageiros do que comporta.

"Ainda que a gente tenha que pagar multa, será mais vantajoso para o município. Só não podemos pagar 220 mil passagens por dia, porque não temos esta demanda", comenta, o prefeito Crivella. (..) Também na sexta-feira, a Prefeitura do Rio mencionou um possível interesse da gestão CCR em adquirir a gestão do modal, que hoje tem um déficit médio de passageiros de 180 mil usuários.

 
E assim ficamos sabendo, embora não seja novidade desde 2015*, que o governo Eduardo Paes, acobertado pelos Jogos Olímpicos, o Porto Maravilha e seus respectivos patrocinadores, instalou no Centro da cidade, sob regime de concessão, um meio de transporte em que a municipalidade garante receita mínima correspondente a 200 mil passageiros/dia - mas não alcança hoje 20% desse total. E não se computam aqui o custo de implantação e o gasto com os batedores que a Prefeitura é obrigada a mandar à rua para evitar atropelamentos e colisões.

Pergunta-se: o que é que 200 mil passageiros/dia vão fazer em VLTs que vão da Rodoviária ao Santos Dumont e da Praça XV à Central, mas não têm integração tarifária com o metrô, o trem e as barcas e mal se comunicam fisicamente com esses e com os próprios ônibus interurbanos e aviões?

2019-07-07
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quinta-feira, 4 de julho de 2019

Explora, mas não abusa

Le Monde 02-07-2019, por Isabelle Rey-Lefebvre
https://www.lemonde.fr/societe/article/2019/07/02/les-proprietaires-attaquent-deja-l-encadrement-des-loyers_5484221_3224.html

Les propriétaires attaquent déjà l’encadrement des loyers à Paris

Limitador de aluguéis vigente em 01-08-2017
Clique na imagem para ampliar
 
L’Union nationale de la propriété immobilière a saisi, dès le 12 juin, le Conseil d’Etat pour annuler le décret du 12 avril qui institue l’encadrement à Paris.

Après avoir été interrompu en 2017, l’encadrement des loyers parisiens est ressuscité. Depuis le 1er juillet, les bailleurs parisiens ne peuvent plus, lorsqu’ils signent un nouveau bail, pratiquer un loyer supérieur de 20 % à un loyer de référence calculé par l’Observatoire des loyers de l’agglomération parisienne. Le prix, exprimé par mètre carré, tient compte de quatre critères : le quartier – la ville a été divisée en 80 quartiers regroupés en 14 secteurs –, la date de construction de l’immeuble, la taille de l’appartement et son caractère meublé ou pas.

« Ce mécanisme ne fait pas vraiment baisser les loyers mais écrête les abus, selon Ian Brossat, adjoint à la maire de Paris, chargé du logement. La mesure est populaire, approuvée par 71 % des Français, si l’on en croit les sondages [IFOP-Fiducial, réalisé en mars 2018 auprès de 973 électeurs parisiens], et elle se met en place dans un climat plus apaisé que lors de sa première application, d’août 2015 à novembre 2017. » (..) 

2019-07-04

domingo, 30 de junho de 2019

E como se não bastasse, fraudulento

G1Rio 29-06-2019, por Felipe Grandin e Gabriel Barreira

Empresa que fará autódromo no Rio tem 0,14% do capital exigido; presidente é sócio de consultoria que ajudou a fazer licitação

Divulgação / consórcio rio motorsports
Fonte: Metrópoles online
Criada 11 dias antes do lançamento da concorrência, Rio Motorpark tem capital social de R$ 100 mil; edital exigia mínimo de R$ 69,7 milhões. Presidente da empresa, José Antonio Soares Pereira Júnior, é sócio da Crown Assessoria, que ajudou a prefeitura a montar o edital da licitação. Empresa e prefeitura negam irregularidades; MPF vê indícios de irregularidade.
(..) A única concorrente da licitação foi a Rio Motorpark Holding S.A. O capital social da empresa é de R$ 100 mil, conforme registro na Junta Comercial do RJ. Esse montante equivale a 0,14% dos R$ 69 milhões (item 26.10 do edital) de capital social mínimo exigido pelo edital – 10% do valor total do contrato, estimado em R$ 697 milhões. A empresa vencedora tinha cinco dias úteis após a licitação para abrir uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com esse capital, o que não foi feito. (..) 

2019-06-30

domingo, 23 de junho de 2019

Google Realty

Exame 21-06-2019, por Gerrit De Vynck e Noah Buhayar / Bloomberg

Google promete US$1 bi para construção de casas em São Francisco
O Google vai ajudar a aliviar a crise de moradias na baía de São Francisco.

Como? Investindo no setor. Nos próximos 10 anos, 750 milhões de dólares de seus próprios terrenos serão redirecionados para a construção de pelo menos 15 mil moradias a valor de mercado. 

Explica a matéria:
O sucesso do Google e de outras empresas de tecnologia do Vale do Silício contribuiu para a disparada dos preços de moradias na Baía de São Francisco. O setor emprega dezenas de milhares de pessoas de alta renda que compraram ou alugaram imóveis (...) Ao mesmo tempo, a oferta de novas casas e apartamentos não acompanhou a demanda.
O mundo mudou muito, mas nem tanto. Há 150 anos, as novas empresas de transporte urbano multiplicavam seus capitais associando-se a quem vendia as terras a que seus trens, bondes e ônibus davam acesso. No Rio de Janeiro, o Barão de Drummond, gênio dos negócios que inventou o Jogo do Bicho para custear o antigo Jardim Zoológico, de sua propriedade, tornou-se concessionário da Companhia de Ferro-Carril de Vila Isabel em 1872 e criou o bairro do mesmo nome loteando o remanescente de suas terras.

Ah, sim. O Google anuncia que destinará outros 250 milhões de dólares a "incentivos para que incorporadoras construam pelo menos 5 mil casas de preço acessível". Uma colher de chá para o inclusionary housing.

2019-06-23

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Logement, climat, même combat

Le Monde / Logement 07-06-2018, por Isabelle Rey-Lefebvre
https://www.lemonde.fr/societe/article/2019/06/07/quand-la-finance-fait-main-basse-sur-le-logement-social_5473003_3224.html 
Quand la finance fait main basse sur le logement social

Foto: Laurent Paillier / Le Pictorium /Francinter
La plupart des métropoles occidentales, de Paris à Berlin, de New York à Stockholm en passant par Londres, sont confrontées à la flambée des prix des logements, qui chasse les classes moyennes vers les périphéries. Pire, dans la plupart des grandes villes européennes, le nombre de sans-abri explose et sature les centres d’hébergement. « Il y a une crise du logement à l’échelle mondiale. C’est la crise sociale la plus importante du moment, aussi urgente que la crise climatique », a alerté Leilani Farha, rapporteuse de l’ONU pour le logement abordable, dès l’ouverture du Festival international du logement social que Lyon accueille, du 4 au 8 juin. (..) 

2019-06-20

terça-feira, 18 de junho de 2019

Espiral de ouro

Ara.cat 17-06-2019, por Laia Forès
El Banc d'Espanya avisa que una baixada del preu de l'habitatge afectaria la solvència dels bancs

Ou seja, a estabilidade do sistema financeiro do século XXI está atada à elevação contínua do preço da moradia, que, nas condições de estagnação crônica da economia global, depende da concentração incessante dos rendimentos e da riqueza nos níveis mais elevados da pirâmide social e da invenção cada vez mais frenética de novas modalidades de extração desse excedente como renda da terra - de forma extensiva, pela via da hiperconcentração do capital investido na propriedade imobiliária urbana e na indústria de meios de hospedagem, ou intensiva, como são as novas mecas do investimento imobiliário.

2019-06-18

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Paris é pra quem pode

Le Monde / Cities 11-06-2019, por Soazig Le Nevé

A Paris, des classes moyennes en voie de disparition

Gustave Eiffel by Edward L Sambourne 1889
Fonte: Internet
(..) Avec ses 105 km², Paris intra-muros attire des populations aux profils de plus en plus contrastés, les très riches s’établissant dans « l’ancien » et les très pauvres dans des logements sociaux. L’Institut d’aménagement et d’urbanisme (IAU) de la région Ile-de-France note un accroissement significatif des ménages les plus aisés dans les 7e et 8e arrondissements.

L’enrichissement touche également des quartiers proches, «par un effet de diffusion et de consolidation des territoires de la richesse», observe-t-il dans une étude [*] parue début juin consacrée à la gentrification et à la paupérisation en Ile-de-France.

(..) «Paris est en train de devenir un repaire pour super-riches, corrobore Emmanuel Trouillard, géographe chargé d’études sur le logement à l’IAU. Des familles s’en vont, des écoles ferment dans les arrondissements du centre de la capitale… Le problème de Paris, c’est de maintenir l’accès des classes moyennes au logement intermédiaire et au logement social.»

(..) Une nouvelle catégorie de population tire son épingle de ce jeu immobilier : les touristes. A la faveur du succès des plates-formes comme Airbnb ou Abritel, un marché parallèle s’est créé, venant assécher un peu plus l’offre locative privée. « Airbnb tue beaucoup de quartiers. En quatre ans, le marché locatif traditionnel a perdu 20 000 logements », dénonce Ian Brossat, adjoint à la maire de Paris chargé du logement. 
(..)

2019-06-13
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[*] O estudo Gentrification et paupérisation au cœur de l’Île-de-France - évolutions 2001-2015 (pdf 84 pp) pode ser acessado pelo link

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Outorga Onerosa: chegando a BH?

Observatório das Metrópoles 30-05-2019, por João Tonucci¹ e Thiago Canettieri²

A Outorga Onerosa no Novo Plano Diretor de Belo Horizonte: entrave ao setor imobiliário ou oportunidade para o desenvolvimento da cidade?
Vista aérea do bairro Belvedere (primeiro plano),
um dos mais Valorizados de Belo Horizonte e
possivelmente o de maior rentabilidade para a
indústria da incorporação. Vila da Serra
(segundo plano), é a extensão da urbanização do
Belvedere no município limítrofe de Nova Lima.
Seria útil aos estudiosos da Outorga Onerosa
apurar os efeitos de uma eventual discrepância
normativa (ausência ou diferentes preços de
Outorga Onerosa) sobre o comportamento
do mercado nessa região. (PJ)
A aprovação do novo Plano Diretor de Belo Horizonte se arrasta há quase quatro anos, com idas e vindas do Projeto de Lei 1749/2015 entre o Executivo e o Legislativo. Sua origem remonta à realização da  IV Conferência Municipal de Política Urbana, ocorrida ao longo de mais de oito meses do ano de 2014, envolvendo mais de seis mil pessoas dos mais diferentes setores da sociedade. A pauta principal daquela Conferência foi exatamente a revisão do Plano Diretor e do zoneamento da capital, e mais especificamente a regulamentação e previsão de aplicação dos instrumentos de política urbana do Estatuto da Cidade (Lei Federal 10.257/2001) no território.

O Plano Diretor, exigência do Estatuto da Cidade, é um importante instrumento para que, de maneira coletiva e democrática, se possa definir os rumos da cidade. Com esta revisão realizada na Conferência, depois de muita discussão em outras instâncias, além da participação cidadã e de técnicos, foi sugerida uma transformação para Belo Horizonte, visando reverter as históricas desigualdades sócio-espaciais da capital, que reverberam para a sua Região Metropolitana. O município de Belo Horizonte é marcadamente macrocéfalo, com uma concentração muito grande na sua região central de oportunidades de trabalho, serviços, infraestruturas e lazer, deixando as periferias rarefeitas e precárias (UFMG, 2011). Mais ainda, Belo Horizonte carrega uma história marcada por um imenso déficit habitacional: milhares de pessoas sem onde morar ou vivendo com suas famílias em condições precárias. 

Foi a partir deste diagnóstico, tão evidente na vida cotidiana dos grandes centros urbanos brasileiros, que coletivamente foi discutido e encaminhado uma proposta de uma cidade mais igualitária, com acesso e oportunidades para todos. Por isso, o novo Plano propõe uma estrutura urbana mais policêntrica via o reforço de outras centralidades além do hipercentro, visando aproximar residência, trabalho, lazer e serviços. Isso significa desafogar o centro da capital, diminuir os tempos de deslocamento das pessoas, além de promover um acesso mais igualitário à serviços, infraestruturas e oportunidades. Para promover esse desenvolvimento, o novo Plano se vale de vários instrumentos de planejamento, dentre eles a Outorga Onerosa do Direito de Construir (OODC), previsto no Estatuto da Cidade desde 2001. 

A aplicação da OODC tem se mostrado como o maior entrave político à aprovação do Plano Diretor. Desde o primeiro envio do projeto de lei da Prefeitura para a casa legislativa, o setor imobiliário organizado tem realizado uma pesada campanha – por meio de artigos em jornais e blogs, divulgação de vídeos na internet, lobby junto a vereadores – contra a adoção do instrumento, alegando que o mesmo trará encarecimento dos imóveis, desaquecimento da construção civil e desemprego. Alegam ainda que se trata de um novo imposto criado pela PBH. Queremos aqui rebater essa visão enviesada e desinformada sobre o instrumento. 
(..)
__
¹ Economista; Professor do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/FACE/UFMG). Pesquisador do Observatório das Metrópoles.
² Doutor em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais (IGC/UFMG);  Pesquisador do Observatório das Metrópoles.
2019-06-10

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Big deal!

Diário do Rio 31-05-2019
https://diariodorio.com/porto-maravilha-ja-tem-52-dos-seus-imoveis-ocupados
Porto Maravilha já tem 52% dos seus imóveis ocupados
Foto: Edifício Vista Guanabara, Diário do Rio / divulgação 

Metade de quase nada é próximo de nada mesmo, um rotundo fracasso se considerarmos que estamos falando de meia dúzia de edifícios comerciais dispersos numa área de projeto de 500 hectares.

A causa primeira desse fracasso, penso, foi a oportunidade. Ao contrário de congêneres ilustres como Puerto Madero (Buenos Aires) e Canary Wharf (Londres), cujos processos de gestação, desenvolvimento, crise e maturação seguiram a cadência do boom financeiro global da virada do século, o Porto Maravilha foi lançado, ao som de fanfarras olímpicas, já em pleno declínio dos mercados de imóveis em geral, e de enclaves turístico-empresariais em particular, que se seguiu à implosão da pirâmide creditícia norte-americana em 2008. 

Mas há o agravante de duas notáveis ausências: um plano urbanístico digno desse nome, com zonas residenciais nutridas pela mescla de usos e grupos sociais e ao menos uma estação de metrô; e uma estratégia de implantação por etapas que assegurasse a sustentabilidade urbanística e econômica da Operação, a começar pela valorização dos próprios CEPACs. 

Ainda que se possa alegar, com justa razão, que a CEF de Bolsonaro e a CEDURP de Crivella são a cruz a a caldeirinha do futuro do Porto, eu defendo que, em qualquer caso, os CEPACs sejam devolvidos ao município e a Operação Urbana recomece do zero, sob condições de total transparência e o comando de uma comissão de urbanistas de notório saber e comprovada experiência na matéria.

2019-06-06

terça-feira, 4 de junho de 2019

A desigualdade espacial na Região Parisiense

Le Monde / Logement 03-06-2019, por Denis Cosnard
 https://www.lemonde.fr/societe/article/2019/06/03/ghettos-de-riches-ghettos-de-pauvres-les-inegalites-se-creusent-en-region-parisienne_5470646_3224.html

Região Parisiense (Île-de-France)
Tipologia das comunidades segundo
a renda das famílias 2015
Clique na imagem para ampliar
Ghettos de riches, ghettos de pauvres : les inégalités se creusent en Ile-de-France

Tandis que les quartiers bourgeois s’enrichissent encore, une « paupérisation absolue » frappe des « secteurs urbains entiers », selon une étude.

(..) C’est ce que montre une édifiante étude publiée lundi 3 juin par l’Institut d’aménagement et d’urbanisme (IAU), un organisme qui dépend de la région Ile-de-France. En partant de statistiques sur les revenus, les logements, les types de ménages, etc., elle souligne combien les inégalités se sont creusées depuis une quinzaine d’années dans la région parisienne. 

Inégalités entre individus, mais aussi entre départements, communes et quartiers : malgré tous les efforts, toutes les « politiques de la ville », la mixité sociale recule. Avec des « ghettos de riches » de plus en plus clos sur eux-mêmes, et des « ghettos de pauvres » qui s’enfoncent dans les difficultés. D’un côté, les beaux quartiers de l’Ouest parisien comme le 8e arrondissement, Neuilly-sur-Seine (Hauts-de-Seine) ou Le Vésinet (Yvelines). De l’autre, les cités des Misérables.
L’Ile-de-France est de longue date « la région où les inégalités sont les plus marquées, du fait de la concentration de populations très aisées », rappelle l’étude. (..)
2019-06-04

terça-feira, 28 de maio de 2019

Ressaca olímpica

O Globo / Rio 27-05-2019, por Rafael Galdo

Despesas com obras de infraestrutura do estado do Rio recuam a níveis da década passada

Imagem: Internet
Em tempos de um Rio que não consegue conservar estradas, túneis e nem hospitais, que dirá realizar novas obras.

A desaceleração nos investimentos públicos — que atinge todas as esferas de governo — está refletida nas contas do estado, com um recuo a patamares da década passada. Em 2018, as despesas liquidadas com atividades e projetos relacionados à infraestrutura (como construções, reformas e ampliações) fecharam perto de R$ 1,8 bilhão, pouco abaixo dos R$ 2 bilhões de dez anos antes, em valores corrigidos pela inflação.

Há sinais da asfixia vindos também da prefeitura da capital. Ano passado, os investimentos em geral (em todos os setores) representaram apenas 2,63% (ou R$ 760 milhões) das despesas totais do município, frente aos 18,98% (R$ 5,1 bilhões) de 2015. Nessa marcha lenta, sua principal intervenção em andamento, o BRT Transbrasil, se arrasta desde 2015. (..) 

2019-05-28

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Apps: otimização ou desperdício?

Gaúchazh / Mundo 20-05-2019, por Rafael Balago / Folhapress

Transporte público perde usuários em metrópoles ao redor do mundo

(..) Nos EUA, o total de usuários transportados nas cidades caiu 2% em 2018, na comparação com 2017, segundo dados da APTA (Associação do Transporte Público Americano). Em Los Angeles, houve 37 mil viagens diárias a menos, em média.
Chicago (31 mil) e Washington (29 mil) também tiveram baixas. 

Entre os diferentes modais, o ônibus é o mais afetado. "Nos últimos anos, muitas cidades tiveram aumento nos congestionamentos, o que atrasa as viagens e torna o ônibus menos atrativo", disse à reportagem Matthew Dickens, analista sênior da APTA. (..) Outras razões apontadas por Dickens para a queda nos EUA são a prática de home office, que reduz a necessidade de deslocamento, e a disputa com aplicativos de transporte, como Uber. "Esses novos meios são subsidiados pelas empresas para que tenham um preço competitivo em relação ao transporte público."

Um estudo da Universidade de Kentucky publicado em agosto aponta que a chegada dos apps levou a uma queda de 1,3% no uso de trens e metrô e de 1,8% no de ônibus, a cada ano. A pesquisa levou em conta dados de 25 cidades. "Esse efeito aumenta com o tempo, conforme cresce o uso desses aplicativos", conclui o estudo. "Após oito anos, isso pode ser associado à queda de 12,7% no uso dos ônibus." 

(..) A falta de público coloca as empresas de transporte em uma espiral de queda. Com menos usuários, há menos dinheiro em caixa. Para cortar gastos, a saída costuma ser eliminar linhas, diminuir a frequência dos coletivos e investir menos em renovação da frota. Isso torna o serviço ruim e afasta ainda mais passageiros, realimentando o problema. (..)

2019-05-22

domingo, 19 de maio de 2019

Cidade inteligente, enclave privado (2)

BBC News 18-05-2019, por Jane Wakefield 
https://www.bbc.com/news/technology-47815344

The Google city that has angered Toronto
That would include autonomous cars, innovative ways to collect rubbish and shared spaces for communities to come together in new ways.

Sidewalk Toronto’s vision for urban development (Sidewalk Toronto)
Fonte: Yahoo Finance
Clique na imagem para ampliar

Sidewalk Labs, a sister company to Google, had earmarked disused land in Toronto, Canada for this bold urban experiment, which it hoped would become a model for other cities around the world.
The fact that it would be collecting a lot of data from sensors placed all around the harbourside development unsettled some.Now many are asking whether a private firm should take charge of urban improvement at all. (..)

This group [Block Sidewalk] was formed because leaked documents in the Toronto Star suggested Sidewalk Labs had a far grander vision than the 12-acre (48,500-sq m) site it had talked about. We were concerned that we were not getting transparency," Ms Wylie told the BBC.

The article she refers to alleged that the Google-affiliate wanted to build a much bigger neighbourhood at Quayside and provide new transport for it.

In return for its investment it wanted a share of property taxes, development fees and increased value of city land that would normally go to the city.

This has not been disputed by Sidewalk Labs. (..) 

2019-05-19

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Bens públicos, negócios privados

UOL Economia 07-03-2019, por Juliana Elias

Reestatização cresce porque empresa privada tem serviço ruim, diz instituto
"A nossa base de dados mostra que as reestatizações são uma tendência e estão crescendo", disse a geógrafa Lavinia Steinfort, coordenadora de projetos do TNI (Transnational Institute), centro de estudos em democracia e sustentabilidade baseado na Holanda. O TNI mapeou serviços privatizados que foram devolvidos ao controle público em todo o mundo entre os anos de 2000 e 2017. São casos de concessões não renovadas, contratos rompidos ou empresas compradas de volta, em sua grande maioria de serviços essenciais como distribuição de água, energia, transporte público e coleta de lixo. 

Nas contas da entidade, foram ao menos 835 remunicipalizações (quando os serviços são originalmente da prefeitura) e 49 nacionalizações (ligadas ao governo central), em um total de 884 processos, movidas geralmente por reclamações de preços altos e serviços ruins. E a tendência é acelerada: mais de 80% dos casos aconteceram de 2009 em diante. O movimento é especialmente forte na Europa, onde só Alemanha e França já desfizeram 500 concessões e privatizações do gênero. Os episódios, porém, se repetem por todo o mundo e estão espalhados por países tão diversos quanto Canadá, Índia, Estados Unidos, Argentina, Moçambique e Japão.
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P: Quais são as principais reclamações e problemas que surgiram nessas privatizações que acabaram desfeitas?
R: Quando um serviço público é vendido ou concedido para o setor privado, a empresa prioriza o lucro de curto prazo. O resultado são aumentos expressivos, que tornam os serviços inacessíveis para as famílias mais pobres, além de falta de investimentos em infraestrutura, deterioração das condições de trabalho e custos mais altos para as autoridades locais, que, muitas vezes, têm que complementar os gastos quando a companhia privada falha na entrega. (..)

P: Reestatizar não é um processo que pode gerar conflitos, já que em muitos casos mexe, por exemplo, com quebra de contrato?
R: Muitos casos acabam em processos e em custos pesados para as cidades. Ao menos 20 das remunicipalizações que rastreamos acabaram em um processo de arbitragem internacional. 
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“Privatizar é ideal? 884 serviços caros e ruins foram reestatizados no mundo”. UOL Economia 07-03-2019, por Juliana Elias
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/03/07/tni-884-reestatizacoes-mundo.htm 

2019-05-02