terça-feira, 24 de abril de 2018

Gente pra morar que é bom...

Extra online 18-04-2018, por Pedro Zuazo
Imagem: Internet
Porto Maravilha vai ganhar roda-gigante inspirada na London Eye
 

A empresa Gramado Parks, que venceu licitação para explorar um terreno no Porto Maravilha, pretende construir uma roda-gigante na Zona Portuária do Rio. A atração será uma réplica reduzida da London Eye, tradicional atração turística da Inglaterra, que tem 135 metros de altura — a versão carioca terá 88 metros. O equipamento será instalado em um espaço com 2.459,26m² de área, situado ao lado do AquaRio.
O certame ocorreu no último dia 9 e teve apenas duas empresas participantes. (..)

2018-04-24

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Cidades ex novo vs. Grandes Projetos Urbanos

Plano Aarão Reis para 
Belo Horizonte 1895

Diria o senso comum que a construção de uma nova capital nacional ou estadual / provincial é, por definição, um grande projeto urbano. Mas pode não sê-lo na acepção que o urbanismo contemporâneo dá ao termo, grafado o mais das vezes com iniciais maiúsculas ou referido pela sigla GPU/GUP.

Em geral, os modernos GPUs são intervenções - como prefere Garay [*] - de grande escala e elevada complexidade nas cidades existentes. Grandes Projetos Urbanos constroem, ou reconstroem, pedaços de cidade dentro da grande cidade, quase sempre incorporando acréscimos de valor do solo gerados pela própria intervenção à equação de seu financiamento.

Não se trata de filigrana conceitual: os Grandes Projetos Urbanos contemporâneos são importantes condutores do circuito financeiro global, precipuamente destinados, na maioria dos casos, a gerar oportunidades de negócios imobiliários e seus acessórios por meio da urbanização e comercialização de solo público com potencial de valorização derivado das qualidades intangíveis da própria metrópole. A reivindicação da urbanização autofinanciada com recursos da renda do solo, mesmo quando mais publicitária que real, é um sinal inequívoco de que as motivações estratégicas geralmente associadas, inclusive a de “estimular a economia” regional ou nacional, não lhes bastam como fonte de legitimação e enraizamento no ideário coletivo.

Cidades ex novo , embora relativamente comuns à escala dos séculos, são excepcionalidades no campo do urbanismo, resultantes de processos de colonização de natureza diversa, de políticas estatais de desenvolvimento territorial, do enfrentamento de catástrofes naturais e sociais e do que poderíamos chamar de "repaginação" do poder político em situações, reais e imaginárias, de clivagem histórica. Ou de combinações dessas circunstâncias.

Cidades ex novo também podem, com certeza, surgir como empreendimentos explicitamente comerciais, como no caso da rede urbana do Noroeste paranaense. E não está excluído, muito ao contrário, que a construção de uma nova capital, ainda que por sólidas “razões de Estado”, seja terreno fértil para a proliferação de operações especulativas. 

Contudo, e apesar de que pode ser às vezes difícil distinguir, na governança da classe proprietária dominante, o interesse geral das ambições particulares, não há que duvidar que  a construção de uma cidade é, em qualquer caso, um evento muito mais complexo, historicamente significativo e carregado de contradições do que a renovação de um perímetro urbano. Ao passo que aqui predomina o binômio engenharia financeira / arquitetura urbana, com eventuais elementos de preservacionismo edilício e proteção social, lá se impõe uma matriz infinitamente mais ampla de aspectos envolvidos e problemas por resolver, como são a justificação histórica, econômica e política da proposta, o processo de decisão, a disputa pelo lugar, a seleção do plano urbanístico, a mobilização de recursos financeiros, materiais e humanos, o soerguimento de uma nova economia urbana, a construção da estrutura de administração e governo etc, culminando no nó górdio do próprio assentamento: um novo bairro internacional no Centro da metrópole pode não ter uma única residência submercado, ou mesmo residência alguma; uma nova capital jamais, ainda que o projeto não a tenha previsto e a construção não a tenha realizado. 

Na cidade estarão todos, inclusive os “sem cidade”. 

2018-04-18

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[*] GARAY Alfredo, “El Montaje de una gran intervención urbana”, em LUNGO Mario (comp), Grandes Proyectos Urbanos, San Salvador: UCA Editores, 2004, p. 76

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Bens públicos, negócios privados

Valor Econômico 10-04-2018, por Rodrigo Carro

Galeão dá início a investimento imobiliário 
Montagem: à beira do urbanismo
Imagens originais: Internet
Num momento de sobreoferta de espaços comerciais no Rio de Janeiro, a concessionária RIOgaleão deu início a um projeto de desenvolvimento imobiliário para aproveitar uma área superior a 900 mil m2 no entorno dos terminais do Aeroporto Internacional Tom Jobim e ao longo da sua principal avenida de acesso.
Um primeiro contrato foi assinado para a instalação de dois novos hotéis da rede Accor no prédio que já abrigou a sede da Infraero no Rio. Com base em dois estudos sobre o potencial imobiliário da área, a concessionária privada espera atrair até R$ 1,3 bilhão em investimentos, incluindo um shopping center e um hospital.

O projeto se tornou viável a partir da publicação da portaria de número 143 pelo Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, em abril do ano passado. Ajustada posteriormente por outra portaria (nº 323), a 143 permite aos aeroportos concedidos estabelecer contratos comerciais com prazo maior que a duração da concessão. (..) 

2018-04-12