terça-feira, 19 de junho de 2018

Legado olímpico LXVII

Deu n’O Dia online
19-06-2018, por Cassio Bruno

Estádio Célio de Barros vira parque de diversões
Federação de Atletismo encerrou projetos sociais e está sem patrocínio
Foto: Severino Silva / O Dia

Nada contra os parques de diversões, que hão de ter o seu lugar em nossa aldeia urbana; só não posso deixar de registrar, uma vez mais, a convicção de que o legado olímpico alardeado pelas autoridades federais, estaduais e municipais organizadoras do evento e prazerosamente repercutido pelos potentados empresariais beneficiários era de fato, no fim das contas, pura e simples empulhação da cidadania.

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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Holocausto carioca


Poluição visual ameaça Paisagem Cultural Mundial do Rio no Morro/Mirante do Pasmado
É possível fazer, hoje em dia, uma construção de 22 metros de altura em cima de um morro carioca, à beira da Baía da Guanabara, e que compõe a Paisagem Cultural Mundial do Rio? Claro que não!

Mas, a polêmica da construção de um monumento em memória ao holocausto dos judeus, na Europa, na 2ª Guerra Mundial, no Morro do Pasmado, chegou finalmente à grande mídia. Ainda bem que chegou, porque, até o momento, o assunto vinha sendo empurrado nos gabinetes da Prefeitura e nos corredores da Câmara Municipal sem que a sociedade civil tivesse sido consultada ou ouvida.

A sociedade civil, que tomou conhecimento do assunto por notícias esparsas, vem se manifestando, no mínimo, estarrecida. Vê-se isto nas páginas do Facebook do movimento SOS Patrimônio, na página da Associação de Moradores de Botafogo (AMAB), e nos comentários de sítios como a UrbeCArioca. Porém, nada oficial.

O assunto também foi trazido à pauta geral, pela representante da FAM-Rio*, na última reunião do Comitê Gestor do Rio Patrimônio Cultural, no dia 20 de março de 2018. Isto porque o Morro do Pasmado, local da pretendida construção, integra a zona de entorno (ou ambiência/amortecimento) do sítio reconhecido como monumento mundial de preservação da paisagem cultural no Rio! E, face a relevância do assunto, este foi levado à reunião geral do ICOMOS Brasil*

Moção aprovada – O ICOMOS BRASIL debateu a questão em sua reunião anual realizada em Belo Horizonte em abril de 2018 e, face a gravidade, aprovou moção que recomendou à Prefeitura e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) maior cuidado no encaminhamento do que poderia ser uma ameaça à Paisagem Cultural Mundial. (confira aqui a moção do ICOMOS BRASIL).

Com tudo isso, o que mais nos choca é o quanto estamos anestesiados em relação a estas violências decisórias que cada prefeito da Cidade do Rio se outorga o direito de praticar, com a dócil complacência dos vereadores da Cidade. 
(Continua)

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2018-06-15


terça-feira, 12 de junho de 2018

La economía del siglo XXI: rentadicción

Deu no DN Opinião
11-06-2018, por Anselmo Crespo
A bolha
(..) O dinheiro, na altura, chegava para tudo. Para comprar casa, mobilá-la e ainda para umas férias no Algarve. "O banco empresta e isto são só mais 50 euros por mês, não custa nada." Claro que correu mal. Muito mal. Com a crise veio o desemprego, com o desemprego começaram a chegar aos bancos molhos de chaves de casas que as pessoas já não conseguiam pagar e para as quais os bancos não tinham destino. São os tais NPL (non performing loans), ou créditos incobráveis, para os quais o Banco de Portugal vem, ainda agora, alertar: "O stock de NPL ainda é significativo e a elevada exposição à dívida pública e ao imobiliário tornam o setor particularmente sensível a evoluções desfavoráveis nos preços destes ativos". Ou seja, os bancos ainda não se curaram da loucura anterior e já estão a meter-se noutra.
Senão vejamos: contava-me um amigo no outro dia que lhe ligaram do banco. "Para me dizerem que eu tinha um crédito pré-aprovado de 300 mil euros para comprar casa e se não queria aproveitar." O espanto na cara do meu amigo, que ainda está a pagar um empréstimo, foi equivalente ao meu quando li no Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal que "os bancos portugueses não são os principais dinamizadores do mercado imobiliário". Se isto não é dinamizar o mercado, não sei o que seja.
Ainda assim, o Banco de Portugal avisa que podemos estar à beira de uma bolha imobiliária. Carlos Costa não tem bem a certeza, mas suspeita que isso possa vir a acontecer. Talvez porque ainda não lhe pediram dez mil euros por metro quadrado, ou 150 mil euros por um apartamento do tamanho de um quarto. Talvez nunca ninguém tenha pedido a Carlos Costa 1200 euros por um T1 nas Laranjeiras, ou 600 euros por um quarto de estudante. Mas, se o governador do Banco de Portugal lesse as notícias, ficava a saber que não estamos apenas à beira de uma bolha. Já estamos dentro dela. (Continua)


2018-06-12