quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Meu Túnel Minha Vida


Deu n’O Globo Rio / Bairros
03-11-2019, por Ana Claudia Guimarães
A nova cara do setor imobiliário em Niterói
(..) Agora, falando em números, Bruno diz que o setor vem ganhando fôlego: só a Spin registrou crescimento de 59% em unidades vendidas de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2018. 

Túnel Charitas-Cafubá

— Influem a queda da taxa de juros, os baixos rendimentos das aplicações financeiras e a oportunidade de compra num cenário ainda de baixa de preços — diz ele, citando São Francisco, Charitas e Piratininga como os mais novos queridinhos do mercado. Neste último, haverá lançamentos no verão.

Leia também neste blog

“Vem aí: Jardim Cafubá” (22-05-2017)

“Vem aí o Jardim Cafubá II” (10-06-2017)

“O planejamento olímpico e a revolução dos transportes II” (31-10-2017)

2019-11-14

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Não é mito: as águas vão subir

Deu no NY Times Climate 
29-10-2019, por Denise Lu e Christopher Flavelle
https://www.nytimes.com/interactive/2019/10/29/climate/coastal-cities-underwater.html
Rising Seas Will Erase More Cities by 2050, New Research Shows
Mumbai, Índia, 2050. Previsões inicial e e atualizadaClique na imagem para ampliar

Rising seas could affect three times more people by 2050 than previously thought, according to new research, threatening to all but erase some of the world’s great coastal cities.
The authors of a paper published Tuesday developed a more accurate way of calculating land elevation based on satellite readings, a standard way of estimating the effects of sea level rise over large areas, and found that the previous numbers were far too optimistic. The new research shows that some 150 million people are now living on land that will be below the high-tide line by midcentury. (Continua)

2019-11-05


domingo, 10 de novembro de 2019

Falando francamente

Deu no Radio Alto Minho
31-10-2019, por Radio Alto Minho
Proprietários de Lisboa podem comemorar com o aumento dos preços dos imóveis: 24% desde 2012
Montagem,: à beira do urbanismo 
O mercado imobiliário português recuperou bastante após a recessão de 2008, com os proprietários em Lisboa entre os maiores beneficiários. O mercado tem tido um fluxo de capitais proveniente de vários ângulos, à medida que os portugueses retornam ao seu país e uma onda de investimentos estrangeiros ajuda a manter o gradiente numa ótica ascendente. Esta combinação de proprietários locais e estrangeiros fez reviver em grande parte o mercado, que se encontrava no seu ponto mais baixo desde há apenas 11 anos.
Com a implementação de múltiplos esquemas pelo governo português para incentivar o investimento estrangeiro, a residência e a propriedade registaram enormes retornos económicos. Em particular, o sistema Golden Visa (Vistos Dourados), que foi um enorme sucesso para indivíduos de elevado património provenientes da Rússia, China e de toda a África, pois oferecia a oportunidade de prolongar permanentemente sua estadia em Portugal, uma vez que possibilitavam a solicitação de um visto permanente após 5 anos de residência no país (com a condição de ter realizado a compra de um imóvel por mais de € 500.000). 
Paralelamente ao esquema dos vistos dourados, está o esquema dos residentes não habituais em Portugal, promovendo o fascínio de compradores estrangeiros para que se estabeleçam no país. A iniciativa do governo, voltada para os reformados e pessoas com elevado património, oferece taxas de imposto tentadoramente baixas para a renda local e isenção de valores provenientes do exterior. Inspirando-se nos programas governamentais de Londres, Portugal procurou reforçar o crescimento constante e a segurança do seu mercado imobiliário por meio de investimentos estrangeiros, o que parece estar a levar, de fato, a um sucesso retumbante. (Continua)

2019-11-10

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Sua Casa Minha Vida (3)

Deu no UOL Economia
01-11-2019, por Filipe Andretta
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/11/01/minha-casa-minha-vida-mcmv-projeto-senado-imposto-parcela.htm
Senado corta imposto de casa popular, mas preço de imóvel pode não cair

O Senado aprovou na terça-feira (29)
a redução de impostos sobre 
imóveis que custam até R$ 124 mil.
Isso engloba as duas faixas de 
menor renda do programa Minha Casa 
Minha Vida (MCMV). A medida 
valeria a partir de 2020 e ainda 
depende de aprovação do 
presidente Jair Bolsonaro. 
O imposto cai de 7% para 4%. Esse 
corte vai diminuir na prática o 
valor que a pessoa pagará pela casa?

Segundo estimativas do mercado, 
a medida beneficia as empresas que 
investem no MCMV, mas não deve ter 
impacto significativo no bolso de 
quem comprar os imóveis.

(..) O advogado Almeida afirma que a 
redução do imposto é uma medida que 
vai estimular o mercado imobiliário a 
investir em moradia popular, o que é 
positivo. Mas, como a alíquota era 
ainda menor até o ano passado, 
ele acredita que a medida não deve 
alterar o preço final das parcelas 
pagas nas faixas 1 e 1,5 do MCMV. 
"Acho que a diferença no imposto
fica como margem [de lucro] para 
empresa." (Continua)



Se estivéssemos falando de imóveis de mercado, aconteceria exatamente o que afirma o doutor Almeida: a redução do imposto ficaria como lucro para a empresa. Vale para o IPTU (a redução iria para o bolso do senhorio), para o instituto do foro (a redução iria para os bolsos de vendedores e cartórios) e para a Outorga Onerosa do Direito de Construir (a redução seria repartida entre o incoporador e o proprietário do terreno).

Isto decorre da escassez constitutiva do estoque de bens imobiliários disponíveis nas distintas áreas da cidade, relativamente à capacidade de arrendamento ou aquisição, conforme o caso, dos segmentos sociais que os demandam.

São as máximas ofertas de renda dos demandantes que formam o que chamamos de gradientes de preços e aluguéis dos imóveis-localização, razão pela qual aumentos de IPTU e ônus incidentes não lhes podem ser repassados. (Reduções serão embolsadas pelos proprietários-vendedores porque os inquilinos-compradores continuarão disputando as localizações pelo máximo que estão aptos e dispostos a ofertar). Todo proprietário sabe perfeitamente que aumentos de IPTU e taxas condominiais acarretam redução no valor dos novos aluguéis.

Sendo, porém, o Minha Casa Minha Vida um programa de subsídios governamentais à aquisição financiada de imóveis, caberia a quem subsidia (o governo/Caixa Econômica) estabelecer a quem beneficiará a redução do ônus fiscal. Se não o faz em favor dos adquirentes - cuja capacidade de pagamento é essencialmente inelástica - impondo a redução do preço final dos bens, é porque deliberou fazê-lo em favor dos construtores/incorporadores. Em suma, mais um caso de transferência líquida de recursos estatais para o setor privado.

Faz de conta que é um "efeito de mercado".

2019-11-12


quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Enfrentando o déficit habitacional

Deu no Terra 
31-10-2019, por DINO
Mercado de Alto Padrão e luxo em São Paulo dispara em 2019
Montagem: à beira do urbanismo
Em agosto as vendas de imóveis novos na cidade de São Paulo cresceram 34,1% sobre o mês anterior e 70,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Nesse período foram vendidas 4.405 unidades residenciais novas, ante 3.284 unidades em julho e 2.581 unidades em agosto de 2018.
Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também apresentam dados bastante representativos. A entidade registrou avanço de 9,7% nas vendas e de 4% nos lançamentos residenciais. Sendo as moradias de médio e alto padrões apontadas como as principais responsáveis por esse aumento.
(..) O mercado de alto padrão é menos suscetível a crises, então continuou crescendo nos últimos anos.
"O mercado imobiliário residencial está se recuperando devido ao efeito das baixas taxas de juros", ressaltou Sergio Langer, especialista em mercado imobiliário. (Continua)
2019-11-01


segunda-feira, 4 de novembro de 2019

De joia ferroviária a sucata imobiliária

Deu no Globo Rio
31-10-2019, por Mariana Teixeira
Estado refaz projeto de revitalização para a Estação Leopoldina orçado inicialmente em R$ 7 milhões
Sem receber passageiros desde 2002, a Estação Leopoldina, construída em 1926, poderá ganhar vida nova. O secretário estadual de Cultura, Ruan Lira, promete revitalizar o espaço, que também deverá abrigar um Museu do Trem e atividades culturais abertas ao público. A imponente construção, tombada pelo Iphan e pelo Inepac, ainda se destaca na Avenida Francisco Bicalho, uma das principais vias do Centro, mas sua beleza está ofuscada pelo abandono.
(..) O edifício principal pertence à Superintendência de Patrimônio da União (SPU) e ao governo do estado. Já as estações de trem, na parte de trás, são da SuperVia, empresa responsável pelos trens urbanos do Rio. 
Devido à negligência do poder público, o Ministério Público Federal entrou com uma ação em 2010 para obrigar os responsáveis a restaurarem a estação já que o imóvel corre riscos de desabamento e até de incêndio. Nove anos depois, nada foi feito. (Continua)


2019-11-07


sábado, 2 de novembro de 2019

A vingança do desenvolvimento desigual e combinado

Deu no La Vanguardia 
01-11-2019, por Eusebio Val
https://www.lavanguardia.com/internacional/20191101/471308432941/paris-departamento-sena-saint-denis-pobreza-francia-ayudas.html
Miseria a las puertas de Paris
Foto (detalhe): Miguel Medina AFP
Lo de ayer parecía un desembarco, el rescate humanitario de un Estado fallido. El jefe del Gobierno francés, Édouard Philippe, y cinco de sus ministros no tuvieron que viajar muy lejos para su misión, apenas una decena de kilómetros desde sus despachos. En la periferia noreste de París, lindante con la capital, se halla el departamento de Sena-Saint-Denis, el más pobre de la Francia metropolitana: 1,6 millones de personas con problemas sociales endémicos muy graves.

Quienes aterrizan en el aeropuerto Roissy-Charles de Gaulle y se dirigen al centro de París en los trenes de cercanías pueden hacerse ya una idea del entorno arquitectónico y humano de los barrios populares que atraviesa. Tiene muy poco que ver con el mítico glamur asociado a París, y peor todavía en una jornada gris y lluviosa de otoño. La pobreza se ve y hasta se huele en los vetustos vagones de la línea RER-B y en las estaciones. 
(Continua)

2019-11-04


sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Rego 2015: Ebenezer Howard nos trópicos

“A integração cidade-campo como esquema de colonização e criação de cidades novas: do Norte Paranaense à Amazônia Legal”

Renato Leão Rego, Universidade Estadual de Maringá, Departamento de Arquitetura e Urbanismo, Maringá, PR, Brasil. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais V.17, N.1, p.89-103, Abr 2015

Acesse o texto pelo link
https://rbeur.anpur.org.br/rbeur/article/view/4978/4673

Uma breve pesquisa de textos disponíveis na Internet sobre o planejamento regional no Brasil deixa a impressão de que, para a maioria dos autores, ele nasceu na década de 1950 como instrumento de política econômica do governo federal destinado a alavancar o desenvolvimento pela via do equilíbrio inter-regional. Suas mais conspícuas realizações seriam a criação da SUDENE, em 1959, e da SUDAM, em 1966. As raízes do planejamento regional em nosso país estariam, pois, fincadas no Estado desenvolvimentista do terceiro quarto do século XX.

Por analogia, é como se disséssemos que a história das cidades novas em nosso país se resume à construção de cidades-capitais - Teresina (1852), Aracaju (1855), Belo Horizonte (1897), Goiânia (1933), Brasília (1960) -, por iniciativa exclusivamente estatal. 

Em ambos os casos, fica a pergunta: e o Noroeste paranaense? 

Não é meu propósito enveredar pela história do planejamento regional: a do urbanismo já me apresenta dificuldade suficiente. Ocorre, porém, que o fio da meada das cidades novas do noroeste paranaense nos conduz à política provincial de ocupação da região iniciada em fins do século XIX e, muito especialmente, ao Plano de Colonização da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP 1925) - subsidiária brasileira da colonizadora britânica Paraná Plantations -, depois Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP 1944) [1], em cujo âmbito foram criadas nessa parte do país, entre os anos 1929 e 1960, uma bem-sucedida economia agrícola fundada na pequena propriedade e uma densa rede de 111 pequenas e médias cidades, duas delas (Londrina e Maringá) hoje com características de “pequena metrópole”.

Não por acaso, esse vasto processo de ocupação e assentamento planejados é tema permanente de estudo por parte de uma importante rede de pesquisadores, urbanistas e geógrafos principalmente, oriundos em sua maioria das Universidades de Londrina e Maringá, cujos produtos constituem em si mesmos uma consistente refutação da origem desenvolvimentista do planejamento regional em nosso país. 

Um desses produtos, que aqui introduzo, é o artigo “A integração cidade-campo como esquema de colonização e criação de cidades novas: do Norte Paranaense à Amazônia Legal” (2015), de autoria do professor Renato Leão Rego, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Maringá [2]

Partindo de uma sugestão do geógrafo norte-americano Martin Katzman [3], Rego propõe o Plano de Colonização da CTNP, de inícios da década de 1940, como referência para os projetos de ocupação da Amazônia e de colonização da Gleba Celeste, no norte do Mato Grosso, ambos da década de 1970, o primeiro por iniciativa direta do INCRA, o segundo a cargo da Colonizadora SINOP (Sociedade Imobiliária Noroeste do Paraná). 

Quero crer que , desse modo, embora não reivindique o Plano de Colonização da CTNP como “marco zero” do planejamento regional brasileiro, Rego ao menos implicitamente o coloca como um referente primordial. 

Será, nesse caso, o olhar do geógrafo, ou do urbanista-historiador, mais abrangente e perspicaz que o do economista?

O leitor interessado na história do urbanismo brasileiro encontrará na contribuição de Rego um relevante trabalho de recuperação das propostas e desenhos do arquiteto José Camargo, ligado desde 1955 ao antigo Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC) – órgão público federal antecessor do INCRA -, para a “ocupação planejada da bacia amazônica” (Urbanismo Rural). Verá, também, um conjunto de indicações para o projeto da Gleba Celeste, proposto pela Colonizadora SINOP a partir de projeto elaborado pelo engenheiro civil Roberto Brandão, egresso da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Paraná, em 1954.


Clique na imagem para ampliar 

Abstenho-me de comentá-los para me deter um momento no meu tema - a proposição central do artigo, apresentada no Resumo:
Ao analisar o Urbanismo Rural, este trabalho mostra que os elementos comuns entre o projeto do INCRA e o esquema da colonização norte-paranaense são precisamente  aqueles derivados do ideário garden city. Notando a adaptação ao empreendimento privado de colonização e à política governamental, este trabalho constata como a ideia original de Ebenezer Howard contribuiu para a ocupação planejada do interior do país[meus destaques]
Na primeira postagem da série “As Sete Vidas da Cidade Jardim”, em construção neste blog, [4] defendi a proposição do professor Renato Rego de que o desenho urbano de Maringá foi influenciado não pela cidade-jardim howardiana, mas pela sua variante parker-unwiniana, nascida, com indiquei mais tarde, das exigências da indústria da suburbanização na Inglaterra de fins do século XIX e por isso esvaziada de sua abrangência regional e seu conteúdo socialmente reformador. Desde então, formei a opinião de que a o programa de Howard é muito mais claramente um pioneiro do regional planning do que do urban design

Explico. 

Embora enriquecido com conceitos e esquemas de desenho urbano que lhe renderam fama duradoura e prestígio mundial, o construto de Howard é essencialmente uma resposta programática à irrefreável migração de trabalhadores do campo para as grandes cidades inglesas. Seu propósito é a ocupação do espaço rural do país por uma rede de pequenas e médias cidades limitadas em população e densidade, funcionalmente autossuficientes e ambientalmente atrativas para o migrante rural, separadas entre si por cinturões agrícolas (green belts), interconectadas por ferrovias e, muito importante, autogeridas e financiadas pela valorização do solo. Essa rede de cidades foi por ele mesmo batizada “social city” na edição de 1898 de seu livro To-morrow: a Peaceful Path to Real Reform - uma dimensão crítica do programa da cidade-jardim quase sempre omitida por seus adeptos. Por essa razão, Howard é por muitos considerado, creio que com certa justiça, o precursor do ambicioso programa de cidades novas britânicas do pós-II Guerra Mundial - não mais destinado a atrair levas migratórias rurais em busca das áreas centrais das grandes cidades, mas a absorver excedentes de população urbana demandantes dos subúrbios em acelerada expansão.

Concluí, nessa ocasião, que as perguntas mais idôneas a propósito da influência de Howard no noroeste paranaense não dizem respeito ao desenho urbano de suas cidades, mas a se (1) o Plano de Colonização da CTNP tem raízes na tradição britânica do planning, (2) em que aspectos estaria materializada essa influência e, finalmente, (3) se ele guarda alguma relação com a social city howardiana. 

O artigo de Rego aqui apresentado responde, enfaticamente, sim ao terceiro quesito, passando ao largo do primeiro e resolvendo o segundo, a meu ver, com base em elementos circunstanciais e analogias conceituais.[5] 

Será de fato o Plano de Colonização da CTNP, de 1939, uma “adaptação do ideário da garden city”? Será válido dizer, que “propagando-se, o diagrama de Howard permitiu a conformação urbana do norte do Paraná” e que, “nos anos 1940, esse esquema inicial [howardiano] de cidade social foi adaptado à nova situação do empreendimento norte-paranaense e ao contexto nacional contemporâneo”? Será razoável afirmar que “enquanto o esquema de cidade social  viu nascer uma dezena de cidades novas planejadas no norte do Paraná, o esquema de cidades satélites, impulsionado pela cultura cafeeira, deu margem a quase uma centena de novos núcleos urbanos”? [meus destaques] [6]

Não estaria o professor Leão Rego transportando do plano do desenho urbano para o do planejamento regional, à maneira de Hall [7], o poder demiúrgico de Ebenezer Howard de moldar o desenvolvimento futuro dos assentamentos urbanos ocidentais? [8]

Inquestionavelmente, as concepções de organização espacial e urbanismo de Camargo para a Amazônia dos anos 1970 são um capítulo obrigatório da história do planejamento urbano e regional no Brasil e sua árvore genealógica matéria de relevante interesse teórico. Esta é, por si só, um notável qualidade da contribuição de Rego. Nessa investigação, a influência howardiana é uma hipótese de trabalho perfeitamente válida. 

São patentes as conexões do Urbanismo Rural de Camargo com as tradições do saber urbanístico moderno - a rede urbana hierarquizada de Howard, o regionalismo de Geddes, o urbanismo ambiental de Radburn, o racional-funcionalismo da Carta de Atenas. O plano de ocupação da Gleba Celeste promovido pela SINOP, por sua vez, remete claramente às diretrizes do Plano de Colonização da CTNP, baseado no fracionamento da gleba em pequenas propriedades rurais dispostas entre as águas dos fundos de vale e as estradas vicinais nos espigões, cabendo à ferrovia, instalada na linha de cumeada, conectar entre si os núcleos urbanos e escoar a produção. 

Juntar tudo isso numa "matriz howardiana" é que não me parece tarefa das mais simples. Por quê? 

Porque julgo problemático estabelecer-se tal conexão sem uma apreciação rigorosa das imensas diferenças de contexto histórico, de conteúdo programático e, principalmente, de objetivos e expectativas dos agentes promotores dos respectivos empreendimentos, aos quais estão inapelavelmente vinculados os autores dos projetos. 

A remissão a um modelo especulativo de um passado a essa altura remoto é um procedimento de projeto muito mais provável, e inteligível, em um programa estatal de forte viés político-administrativo, sob a égide do regime militar-burocrático de 1964-85, do que em um empreendimento privado regulado pela expectativa de retorno econômico a médio prazo – por mais ilustrado e presciente que seja o empreendedor.

No que tange ao Plano de Colonização da CTNP, não vejo como indício suficiente de sua gênese howardiana o fato de que 
“o esquema de colonização pode ser verificado nos poucos planos remanescentes, na proposta do traçado da ferrovia e nos projetos urbanos elaborados por engenheiros e agrimensores – a maioria imigrantes –, mas submetidos à aprovação do escritório londrino da empresa”. (REGO, pág. 95)
E me pergunto: como poderia um modelo de descentralização urbana, com fama de utópico, para o país mais industrializado do mundo de fins do século XIX, tornar-se, 40 anos depois, sem deixar disso qualquer rastro documental, a matriz de um projeto privado de colonização rural num país sul-americano ainda escassamente urbanizado e mal desperto para o processo de industrialização?

Embora não tenha meios de demonstrar o contrário, tampouco previsão de tornar ao assunto a curto prazo, devo admitir que encaro com ceticismo a proposição central de Rego. Primeiro, pela falta de registros documentais da conexão entre a social city howardiana e o Plano de Colonização da CTNP. Segundo, porque em várias contribuições sobre o tema, incluindo este mesmo artigo, abundam exemplos de diferenças entre o Plano de Colonização e o programa howardiano - quanto ao crescimento limitado das cidades, quanto ao design, quanto à base industrial, quanto à existência e função dos green belts e quanto à destinação - rigorosamente oposta - da renda do solo: ao passo que o modelo howardiano propõe recuperar todo o excedente da cobertura de custos de construção e financiamento para a gestão, manutenção e melhorias das cidades-jardim, o esquema da CTNP tem como finalidade precípua a apropriação da totalidade da mais-valia fundiária rural e urbana como lucro privado. Terceiro, porque eu apostaria muito mais fichas nos vínculos do Plano da CTNP com as experiências britânicas de expansão da fronteira agrícola em suas coloniais asiáticas e africanas do que com uma especulação espacial temporã voltada à descentralização urbana da Grã-Bretanha. 

A propósito desse último aspecto, a melhor pista nos é fornecida pelo próprio Rego em seu livro de 2009 As cidades plantadas: os britânicos e a construção da paisagem do norte do Paraná. Simon Fraser, 14o. Lorde Lovat, sócio principal da colonizadora britânica Parana Plantations, era também, nessa mesma época, proprietário promotor do empreendimento algodoeiro sudanês conhecido como Projeto Gezira, baseado no arrendamento de uma grande área de concessão estatal na bacia do Nilo a pequenos e médios lavradores. Não por acaso, seus planos iniciais para o nororeste paranaense tinham a ver com a cultura do algodão, não do café. [9] [10]

A social city howardiana é, em sua concepção, um modelo para a reestruturação do espaço nacional inglês sobre a base da urbanização e da indústria, impraticável senão pela iniciativa do Estado central a despeito das simpatias cooperativistas de seu criador, ao passo que a colonização do noroeste paranaense nasceu como empreendimento privado rural de alcance regional, um grande projeto agrícola apoiado por uma rede de núcleos urbanos - sendo esta a razão da ausência de autênticos green belts -, ainda que a relação campo-cidade possa ter se invertido com o passar dos anos, mais ou menos inexoravelmente como pareça ao observador de hoje. 

De todo modo, ressalvados a necessidade de uma crítica retrospectiva do plano da CTNP segundo um viés histórico-ambiental e as limitações inerentes ao planejamento urbano e regional em âmbito privado, estou totalmente de acordo com Rego em que “a estratégia de ocupação planejada do norte paranaense foi prontamente reconhecida pelos seus modos modernos de colonização” e que, do ponto de vista técnico, (..) ela é “uma bem-sucedida experiência de colonização e planejamento regional coordenados”. 

Temos aqui, talvez, o primeiro e único caso brasileiro de construção deliberada de uma rede de cidades, iniciada, por necessidade do plano de negócios, como estrutura linear: entre 1929 e 1947 foram fundados, ao longo de uma mesma estrada de ferro e em uma sequência temporal quase perfeita, os núcleos urbanos de Londrina, Cambé, Rolândia, Arapongas, Apucarana, Jandaia do Sul, Mandaguari, Sarandi e Maringá. 

Ouso dizer, a despeito de minha ignorância da matéria, que todas as demais redes de cidades estudadas na geografia brasileira são produto “natural” de ciclos econômicos bem determinados. Ocorrem-me a rede urbana do ciclo do ouro mineiro no século XVIII, as cidades cafeeiras do Vale do Paraíba no século XIX, a rede de centros agro-industriais do interior paulista no século XX e a rede urbana do agronegócio de grande escala do Centro-Oeste no Brasil na virada do século XXI.

Sou tentado a concluir que o Planejamento Regional brasileiro começou no Noroeste paranaense e, para bem ou para mal, por iniciativa estrangeira e mediante a concessão de um considerável pedaço do território nacional a um mega-empreendimento urbano-rural privado. 

Eventuais analogias com certa classe de Grandes Projetos Urbanos contemporâneos talvez não sejam fortuitas, mas manifestação da recorrência, em condições sempre renovadas, dos grandes ciclos econômicos. 

___
NOTAS


[1] Por intermédio da CTNP, sua subsidiária brasileira, a empresa britânica Parana Plantations adquiriu diretamente do governo do Paraná 415.000 alqueires em outubro de 1925, ao preço de 8.712 contos de réis; entre 1925 e 1927 comprou 90 mil alqueires de fazendeiros e empresas de capital menor, somando cerca de 515 mil alqueires de terra roxa, em terreno praticamente plano, situadas entre os rios Paranapanema, Tibagi e Ivaí. No início da década de 1950, a CMNP adquiriu também a Gleba Umuarama situada a oeste da gleba inicial, com 30 mil alqueires. (NUNES 2017 [11])

[2] REGO R L, “A integração cidade-campo como esquema de colonização e criação de cidades novas: do Norte Paranaense à Amazônia Legal”. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais V.17, N.1, p.89-103, Abr 2015.

[3] KATZMAN, M. T., Cities and frontiers in Brazil: regional dimensions of economic developmentCambridge: Harvard University Press, 1977.

[4] JORGENSEN P, "As sete vidas da cidade-jardim". À beira do urbanismo (blog), 03-08-2017 
https://abeiradourbanismo.blogspot.com/2017/08/a-sete-vidas-da-cidade-jardim.html

[5] “Ainda que a Companhia de Terras e a Parana Plantations pouco ou nada divulgassem de seu plano de colonização no tocante ao aspecto da urbanização da região, a sua prática parece atestar a afinidade com as ideias britânicas do town planning.” REGO, R L, As cidades plantadas : os britânicos e a construção da paisagem do norte do Paraná. Maringá : Edições Humanidades, 2009. https://www.passeidireto.com/arquivo/26626459/as-cidades-plantadas-os-britanicos-e-a-construcao-da-paisagem-do-norte-do-parana

[6] Seção “Howard nos Trópicos: o esquema de colonização norte-paranaense”

[7] HALL P, Cities of Tomorrow [1988], edição atualizada Blackwell, Londres 1996, Capítulo 1: "Cidades da Imaginação”

[8] Demiurgo. Rubrica: filosofia. Segundo o filósofo grego Platão (428-348 a.C.), o artesão divino ou o princípio organizador do universo que, sem criar de fato a realidade, modela e organiza a matéria caótica preexistente através da imitação de modelos eternos e perfeitos (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa). Tornarei ao tema no quarto artigo da série "As sete vidas da cidade-jardim", dedicado à suburbanização das grandes cidades norte-atlânticas de fins do século XIX e sua relação com a cidade-jardim howardiana.

[9] REGO R L, “A integração cidade-campo como esquema de colonização e criação de cidades novas: do Norte Paranaense à Amazônia Legal”. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais V.17, N.1, p.89-103, Abr 2015.

[10] NUNES Layane, “Os investimentos na colonização do norte do Paraná direcionados pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, e a comercialização das terras”, II Congresso Internacional de Política Social e Serviço Social: desafios contemporâneos, Julho de 2017, Londrina PR.

[11] NUNES, Layane (UEM), "A Companhia de Terras Norte do Paraná e a não obediência ao seu plano geral de colonização”. Anais do III SUUB, Recife Set 2017, pp 214-230. 

2019-11-01


quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Percalços do rentismo socialista (2)

Deu no Público
21-10-2019, por Luísa Pinto
Rendas levam metade do rendimento das famílias na Grande Lisboa
A explosão de preços nas grandes cidades significa que o rendimento das famílias é inundado pelo esforço com o custo da habitação, que chega a taxas de 58% para comprar e de 67% para arrendar, na cidade de Lisboa. Ou de 46% na Área Metropolitana. Uma tendência que agrava os riscos de segregação habitacional.
O patamar dos 35% que é recomendado internacionalmente como limite máximo da taxa de esforço a que devem ser submetidas as famílias para pagarem a sua habitação é largamente ultrapassado, no caso do mercado de arrendamento, em 11 dos 18 concelhos que compõem a Área Metropolitana de Lisboa (AML). (Continua)
2019-10-30


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

VIDEO: "O que vai acontecer aqui?"

Deu no Público
23-10-2019, por Mariana Durães
https://www.publico.pt/2019/10/23/p3/noticia/o-bullying-da-especulacao-imobiliaria-ocupou-lisboa-mas-ha-quem-o-queira-despejar-1890933
O “bullying imobiliário” ocupou Lisboa, mas há quem o queira despejar 
https://player.vimeo.com/video/357310878Clique no link para assistir ao documentário

Pelo direito a habitar Lisboa e contra os despejos, o colectivo Left Hand Rotation realizou um documentário que quer chamar os lisboetas para a luta. O que vai acontecer aqui? mostra como o “bullying da especulação imobiliária” está por toda a cidade. Mas este é o “momento-chave” para o despejar. E já há quem o esteja a fazer.

Eduardo Nicola recebeu uma carta a dizer “que o prédio Santos Lima ia ser vendido a duas imobiliárias”. Pouco tempo depois, encontrou um anúncio que dizia que esse mesmo prédio — onde morava — estava à venda por sete milhões de euros. Desde então, as 17 famílias que vivem neste edifício de Marvila dizem estar a ser “pressionadas” para sair: as portas dos apartamentos desocupados foram arrombadas, as paredes e o chão esburacados. “O prolongamento da Expo 98 está a chegar aqui e o metro quadrado tem muito valor”, explica o residente.
Esta é uma das realidades que o documentário O que vai acontecer aqui?, feito pelo colectivo espanhol Left Hand Rotation, em conjunto com as associações portuguesas Habita e Stop Despejos, mostra. (Continua)

2019-10-26


sábado, 26 de outubro de 2019

Linha da vida

Deu no The Economist 
10-10-2019, por The Economist
https://www.economist.com/united-states/2019/10/10/a-ride-along-chicagos-red-line
A ride along Chicago’s red line
Clique na imagem para ampliar
Life expectancy varies by 30 years from one end to the other
Several passengers in one carriage of an “L” train, rattling south on the underground line to Chicago metro station, are unmistakably bourgeois. A grey-haired woman squints at a book of 501 French verbs. Opposite, a bespectacled man reads a study of Arctic peoples. Some seats on, an artist doodles on his pad.
Many well-heeled occupants get off the Red line—a rail service running north-south for 23 miles—at Streeterville, a district where signs of prosperity abound. As an advertising gimmick, a luxury car adorns the L-station roof. At a farmers’ market, installed beside a contemporary art museum, shoppers browse for micro-greens, organic beef and gluten-free tamales. A violinist there explains she busks to save for college. Dollar bills fill her case.
Streeterville has another distinction. Public-health researchers suggest that a baby born here can expect to live for an average of 90 years, the highest life expectancy in Chicago. That is 30 years longer than an infant born in the most blighted parts of Englewood, farther south along the Red line. No city in America has a bigger gap.
Return to the train and much changes the farther south you ride. Passengers are younger, less ostentatiously set on self-improvement. A guard in a stab-vest, his hand on a canister of pepper spray, steps in. He confides that he is tracking a suspect. Reports of crime on the L system doubled from 2015 to last year; violent cases rose by 89%, to 447. This year is worse, he says, and “you can’t ask why any more.” (Continua)

2019-10-24


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Não tem urbanismo que dê jeito

Deu no Jornal do Brasil online
16-10-2019, por Fernando Canzian / FolhaPress
https://www.jb.com.br/pais/2019/10/1018492-diferenca-de-rendimentos-entre-pobres-e-ricos-e-recorde--aponta-ibge.html
Diferença de rendimentos entre pobres e ricos é recorde, aponta IBGE
O rendimento médio mensal do 1% mais rico da população brasileira atingiu, em 2018, o equivalente a 33,8 vezes o ganho obtido pelos 50% mais pobres. No topo, o rendimento médio foi de R$ 27.744; na metade mais pobre, de R$ 820.
A diferença entre os rendimentos obtidos pelo 1% mais rico e dos 50% mais pobres no ano passado é recorde na série histórica da PNADC (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua) do IBGE, iniciada em 2012.
Paraisópolis, São Paulo
Foto: Tuca Vieira 
(..) os 10% da população com os maiores ganhos detinham, no ano passado, 43,1% da massa de rendimentos (R$ 119,6 bilhões). Na outra ponta, os 10% mais pobres ficavam com apenas 0,8% da massa (R$ 2,2 bilhões).
(..) Apesar da extrema concentração de renda mostrada na pesquisa, ela não revela outros aspectos da questão.
Como se trata de uma pesquisa domiciliar, a partir de um questionário, as pessoas mais ricas e com outras fontes de renda -sobretudo de aplicações financeiras e aluguéis- tendem a não mencionar esses ganhos quando abordadas.
Já o Relatório da Desigualdade Global, da Escola de Economia de Paris e que agrega pesquisas domiciliares, contas nacionais (onde constam subsídios e incetivos a grupos) e declarações de imposto de renda, sustenta que a concentração de renda no Brasil é ainda maior: o 1% mais rico se apropria de 28,3% dos rendimentos brutos totais.
Na outra ponta, os 50% mais pobres ficam com apenas 13,9% do conjunto de todos os rendimentos. (Continua)
2019-10-22


domingo, 20 de outubro de 2019

A celebração do Centenário

Deu no diário do Rio.com
18-10-2019, por Felipe Lucena
Engenheiros recomendam implosão do Hotel Glória
O histórico Hotel Glória passou por uma vistoria feita por engenheiros convidados pela Prefeitura do Rio e a constatação é que seria melhor implodir o imóvel a fazer uma reforma.(..)
Hotel Glória, inaugurado em agosto de 1920
Há mais de 10 anos, em 2008, após 86 anos de atividade e 50 anos como propriedade da família de Eduardo Tapajós, o hotel foi vendido ao empresário Eike Batista por R$ 80 milhões. Eike declarou, à época, que traria de volta o “charme dos anos 1920” e transformaria o estabelecimento em um 6 estrelas.
Em agosto de 2010, o BNDES anunciou um financiamento de R$ 146,5 milhões para a reforma do hotel, dentro da linha “ProCopa Turismo”, visando a Copa do Mundo de 2014. Em 2013, contudo, veio a bancarrota do Grupo EBX, de Eike Batista, e as obras foram paralisadas.
Todavia, logo após desfeito o primeiro negócio, o empresário cedeu o Hotel, para pagar dívidas, ao fundo soberano de Abu Dhabi, o Mubadala. O valor da transação não foi divulgado. Os novos donos do Hotel ainda não começaram as obras e o prédio segue em estado de abandono. (Continua) 
2019-10-19


sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Escócia ao relento

Deu no The Guardian 
02-10-2019, por Libby Brooks
https://www.theguardian.com/society/2019/oct/02/glasgow-council-facing-court-action-over-lack-of-housing-for-homeless-people 
Glasgow council facing court action over lack of housing for homeless people
Shelter Scotland is to launch a significant court action against Glasgow city council, with the charity claiming it has illegally denied temporary accommodation to homeless applicants thousands of times over the past two years.
In a legal action that could have consequences for local authorities across Scotland, the housing and homelessness charity is on Wednesday seeking a judicial review of the council’s actions after its own figures revealed that 3,365 applications for temporary accommodation had not been fulfilled in the year up to March 2019, compared with 3,055 over the previous 12 months.
In 2001 the Scottish parliament passed legislation that was considered groundbreaking at the time, requiring councils to provide a minimum of temporary accommodation, advice and assistance to all applicants assessed as being homeless. (Continua)

2019-10-10




quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Projeto urbano ou negócio imobiliário?

Deu no El País Economía
26-09-2019, por Iñigo de Barrón
https://elpais.com/economia/2019/09/25/actualidad/1569446751_080261.html
El BBVA negocia ceder el control de la Operación Chamartín a Merlin Properties
Operação Chamartín, Madrid
El BBVA ultima los detalles de la cesión de los derechos de propiedad de Distrito Castellana Norte (DCN) a la inmobiliaria Merlin Properties en la mayor operación inmobiliaria de España y que también puede serlo de Europa, según fuentes cercanas a la operación y tal como adelanta Cinco Días.
Las dos partes llevan semanas negociando los detalles del acuerdo sobre este proyecto, conocido como la Operación Chamartín, entre los que se encuentra que el BBVA pasará a tener un porcentaje muy pequeño del capital de la empresa resultante, alrededor del 2%. No obstante, el banco ha impuesto los detalles del desarrollo del proyecto, según fuentes cercanas a la operación. Hasta ahora, el BBVA controla el 75% del capital de DCN y la constructora San José el 25% restante. El proyecto, del que tres cuartas partes se destinarán a usos públicos, tendrá viviendas, oficinas, locales comerciales, equipamientos y zonas verdes. Está desarrollado en 45.000 folios y 1.200 planos, lo que da una idea de la magnitud del proyecto.
Según las fuentes consultadas, el BBVA supervisará el desarrollo de la operación hasta el final, que puede llegar dentro de 25 años por la complejidad del proyecto. En el desarrollo previsto no pasa por realizar operaciones especulativas, siguiendo el modelo de Canary Wharf de Londres, el gran complejo de negocios. (Continua)

2019-10-12