sexta-feira, 15 de junho de 2018

Holocausto da paisagem carioca


Poluição visual ameaça Paisagem Cultural Mundial do Rio no Morro/Mirante do Pasmado
É possível fazer, hoje em dia, uma construção de 22 metros de altura em cima de um morro carioca, à beira da Baía da Guanabara, e que compõe a Paisagem Cultural Mundial do Rio? Claro que não!

Mas, a polêmica da construção de um monumento em memória ao holocausto dos judeus, na Europa, na 2ª Guerra Mundial, no Morro do Pasmado, chegou finalmente à grande mídia. Ainda bem que chegou, porque, até o momento, o assunto vinha sendo empurrado nos gabinetes da Prefeitura e nos corredores da Câmara Municipal sem que a sociedade civil tivesse sido consultada ou ouvida.

A sociedade civil, que tomou conhecimento do assunto por notícias esparsas, vem se manifestando, no mínimo, estarrecida. Vê-se isto nas páginas do Facebook do movimento SOS Patrimônio, na página da Associação de Moradores de Botafogo (AMAB), e nos comentários de sítios como a UrbeCArioca. Porém, nada oficial.

O assunto também foi trazido à pauta geral, pela representante da FAM-Rio*, na última reunião do Comitê Gestor do Rio Patrimônio Cultural, no dia 20 de março de 2018. Isto porque o Morro do Pasmado, local da pretendida construção, integra a zona de entorno (ou ambiência/amortecimento) do sítio reconhecido como monumento mundial de preservação da paisagem cultural no Rio! E, face a relevância do assunto, este foi levado à reunião geral do ICOMOS Brasil*

Moção aprovada – O ICOMOS BRASIL debateu a questão em sua reunião anual realizada em Belo Horizonte em abril de 2018 e, face a gravidade, aprovou moção que recomendou à Prefeitura e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) maior cuidado no encaminhamento do que poderia ser uma ameaça à Paisagem Cultural Mundial. (confira aqui a moção do ICOMOS BRASIL).

Com tudo isso, o que mais nos choca é o quanto estamos anestesiados em relação a estas violências decisórias que cada prefeito da Cidade do Rio se outorga o direito de praticar, com a dócil complacência dos vereadores da Cidade. 
(Continua)

Leia o artigo completo clicando


2018-06-15


terça-feira, 12 de junho de 2018

La economía del siglo XXI: rentadicción

Deu no DN Opinião
11-06-2018, por Anselmo Crespo
A bolha
(..) O dinheiro, na altura, chegava para tudo. Para comprar casa, mobilá-la e ainda para umas férias no Algarve. "O banco empresta e isto são só mais 50 euros por mês, não custa nada." Claro que correu mal. Muito mal. Com a crise veio o desemprego, com o desemprego começaram a chegar aos bancos molhos de chaves de casas que as pessoas já não conseguiam pagar e para as quais os bancos não tinham destino. São os tais NPL (non performing loans), ou créditos incobráveis, para os quais o Banco de Portugal vem, ainda agora, alertar: "O stock de NPL ainda é significativo e a elevada exposição à dívida pública e ao imobiliário tornam o setor particularmente sensível a evoluções desfavoráveis nos preços destes ativos". Ou seja, os bancos ainda não se curaram da loucura anterior e já estão a meter-se noutra.
Senão vejamos: contava-me um amigo no outro dia que lhe ligaram do banco. "Para me dizerem que eu tinha um crédito pré-aprovado de 300 mil euros para comprar casa e se não queria aproveitar." O espanto na cara do meu amigo, que ainda está a pagar um empréstimo, foi equivalente ao meu quando li no Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal que "os bancos portugueses não são os principais dinamizadores do mercado imobiliário". Se isto não é dinamizar o mercado, não sei o que seja.
Ainda assim, o Banco de Portugal avisa que podemos estar à beira de uma bolha imobiliária. Carlos Costa não tem bem a certeza, mas suspeita que isso possa vir a acontecer. Talvez porque ainda não lhe pediram dez mil euros por metro quadrado, ou 150 mil euros por um apartamento do tamanho de um quarto. Talvez nunca ninguém tenha pedido a Carlos Costa 1200 euros por um T1 nas Laranjeiras, ou 600 euros por um quarto de estudante. Mas, se o governador do Banco de Portugal lesse as notícias, ficava a saber que não estamos apenas à beira de uma bolha. Já estamos dentro dela. (Continua)


2018-06-12


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Em se plantando tudo dá


Deu no segs 17-05-2018, por Deivid Souza

Impulsionando retomada, agropecuária influencia positivamente mercado imobiliário
 
Montagem: à beira do urbanismo
Imagens originais: Internet
Se ao longo de três anos de crise o agronegócio foi o responsável para que o PIB brasileiro não alcançasse resultados ainda piores, com um crescimento de 13% em 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), este setor da economia é também o grande propulsor da atual retomada do crescimento do País. E isso traz influência positiva em outros setores, um deles é o mercado de imóveis.
Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) apontam que os estados ligados ao agronegócio, entre eles Goiás, estão puxando a recuperação do mercado imobiliário no Brasil desde 2017. Em virtude dessa influência do agrobusiness, segundo a Abecip, a Grande Goiânia registrou um crescimento no número de lançamentos de 12,5%, enquanto que nacionalmente a queda foi de 13%. E tem mais: [segundo] dados da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), as vendas de imóveis no estado de Goiás cresceram 127% em 2017 quando comparadas ao ano anterior. O volume de negócios chegou a R$ 2,5 bilhões.
 
2018-05-**

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Compromisso com a sustentabilidade

Deu no G1 Goiás 17-05-2018, por Vanessa Martins
Roberto Carlos diz que empreendimento de luxo em Goiânia do qual é sócio será 'o melhor possível'
Família goiana entrevistada
 pelos incorporadores garante
 que o Horizonte Flamboyant
 é um produto que atende à sua
 demanda de sustentabilidade:
mamãe vai trabalhar de cozinheira
 e papai de zelador, enquanto os
pequenos ficam em casa,
amarrados ao pé da mesa,
 ouvindo o Rei Roberto cantar
 "Vou  chegar mais cedo em casa"
free Family Clip Art
O projeto é o primeiro, perto do Parque Flamboyant, em seis anos e já vendeu mais de 40 das 152 unidades antes do lançamento. O empreendimento de luxo fica em uma área de cerca de 4 mil metros quadrados e tem apartamentos de 177 e 204 metros quadrados, localizado na região nobre do Jardim Goiás, na Avenida H.
"Sou muito detalhista em tudo que eu faço, olho tudo pessoalmente. Digo que se não fosse cantor e compositor seria engenheiro ou arquiteto. Tenho um paixão pela área", declarou.

(..) Um dos sócios do empreendimento, Guilherme Pinheiro destacou que um dos principais chamativos da obra é exatamente a série de novidades sustentáveis. “O Horizonte é um produto que, mesmo sendo de alto padrão, atende à demanda da sustentabilidade. (..)”
(..) “Pensamos o tamanho dos apartamentos baseado em entrevistas com a família goiana. Além disso é um projeto novo, versátil, temos o maior lobby de entrada da cidade, elevadores exclusivos para todas as torres. É um empreendimento criado para o alto padrão goiano”, detalhou.

2018-05-24


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Belgrado Waterfront II

Deu no Estado de S Paulo
03-05-2018, por Barbara Surk / NY Times
http://internacional.estadao.com.br/noticias/nytiw,plano-para-construir-a-dubai-dos-balcas-irrita-moradores-de-belgrado,70002291828

Plano para construir a Dubai dos Balcãs irrita moradores de Belgrado
“Queremos restaurar a antiga glória de Belgrado, fazer dela uma cidade grande e respeitável novamente, depois dos anos de vergonha que vieram com os conflitos e guerras”, disse o prefeito de Belgrado, Sinisa Mali.
Antes do começo da construção, há dois anos, 231 famílias foram realocadas por causa do projeto, mas algumas se recusaram a sair. Certa noite, cerca de 30 homens mascarados com tacos de beisebol e ferramentas pesadas apareceram no local. Ao amanhecer, vários prédios residenciais e comerciais tinham sido demolidos para permitir o início das obras.
O ataque de 2016 chocou os sérvios, que levaram sua raiva às ruas, denunciando o que afirmavam ser práticas corruptas da elite. Os protestos se transformaram nas maiores manifestações contra o governo desde que uma revolta popular derrubou o poderoso Slobodan Milosevic, em 2000.
(..) Os primeiros proprietários dos prédios residenciais a serem concluídos em breve deverão pagar até 7 mil euros por metro quadrado, em um país com um salário médio mensal de 375 euros. Ao todo, 5.700 residências e oito hotéis serão construídos no empreendimento, na área entre o rio e as ferrovias.
Placas de cimento foram colocadas ao longo do rio para formar um calçadão repleto de escorregadores para crianças, um ancoradouro, um restaurante, uma ciclovia e uma fileira de cartazes gigantes que mostram os prédios a serem construídos nos próximos 30 anos. Entre estes, o maior shopping center dos Balcãs.
“Estamos tentando fazer tudo novo, sem romper os laços da cidade com o passado”, disse Mali.
Mas Bojan Kovacevic, presidente da Academia de Arquitetos da Sérvia, chamou o empreendimento de “crime contra o planejamento urbano”.

2018-05-21

Leia também

“To Build Dubai of the Balkans, Serbia Deploys Bulldozers and Baseball Bats”. NY Times 29-04-2018, por Barbara Surks

“Controversy surrounds Belgrade Waterfront development”. BBC online 21-06-2016, por Guy Delauney

“Belgrade's 'top-down' gentrification is far worse than any cereal café”, The Guardian 10-12-2015, por Alex Eror

“Belgrade Waterfront - the dark side of 'urban renewal'. Open Democracy 26-11-2015, por Marko Aksentijevic


quarta-feira, 16 de maio de 2018

Navascués: “La Ciudad Lineal de Arturo Soria”

Ao contrário do que se costuma encontrar nas fontes não especializadas, e por vezes até nas acadêmicas, Navascués situa, neste texto de 1969, a Ciudad Linea de Soria y Mata no contexto da acelerada e problemática expansão geográfica, populacional e edilícia da Madri de fins do século XIX: ao iniciarem-se, em 1857, os trâmites de seu ensanche, a cidade ainda convivia com o cinturão de muros e portas erguido na década de 1800 com a fútil pretensão de deter os exércitos de Napoleão.

O estudo de Navacués nos permite apreciar a realização de Soria "dos pés para a cabeça", isto é, como projeto de urbanização antes que como utopia urbanística, ambiguidade que a define, quem sabe ao lado da cidade-jardim howardiana, como híbrido histórico: pode-se discutir se é o programa de reforma social que para poder sair à luz se adapta às exigências da nascente indústria da suburbanização ou se é esta que, ainda debutante, se apresenta aqui e ali em trajes de colônia semi-rural destinada ao aperfeiçoamento físico e moral das classes laboriosas. 

Com o devido registro da primazia atribuída por Soria ao problema da locomoção, “do qual derivam todos os demais problemas da urbanização”, Navascués nos remete a um programa urbanístico supreendentemente complexo envolvendo elementos de economia espacial, de sociologia urbana, de planejamento urbano, de gestão de serviços públicos, de financiamento e empreendedorismo privado, de desenho urbano, de arquitetura residencial.

O artigo finaliza com uma discussão sobre o “estatuto” de Ciudad Lineal na Madri do último quarto do século XX e as opções de planejamento e projeto ao alcance da Administração: o fato de que “infelizmente, à parte o traçado pouca coisa resta da primitiva Ciudad Lineal” não a torna menos digna de um tratamento à altura da fama que ostentam o seu modelo e o seu projeto na história do urbanismo moderno. 

*
La Ciudad Lineal de Arturo Soria
por Pedro Navascués Palacio, 1969
Arquivo Digital UPM: Villa de Madrid (n. 28); pp. 49-58
http://oa.upm.es/7682/1/Villa_28.pdf
Clique na imagem para ampliar
(..) Para Soria, «hacer una ciudad nueva es mucho mejor y más barato que remendar una vieja. La Gran Vía proyectada y las grandes mejoras del interior de Madrid tardarán en ser ejecutadas, dado el caso de que se hagan.. ,», y propone a cambio la construcción de una Ciudad Lineal, uniendo dos ciudades puntos, en la que no se permitiría «ocupar con edificación más de la quinta parte del terreno a fin de que el resto sea ocupado por los árboles, huertas y jardines, convirtiendo los áridos alrededores de Madrid en sitios amenos y saludables». Asimismo sus edificaciones no podrían tener más de tres plantas, y las casas serían independientes, con cuatro fachadas, accesibles todas al aire y a la luz. No se podría construir a menos de cinco metros de la linea de fachada sobre la vía principal o transversal, por lo que «cada casa estará dentro de un jardín», El planteamiento lineal de la ciudad impossibilitaría, a su vez, la especulación del terreno, pues, lejos de tener éste un valor relativo según sus proximidad con el centro de la ciudad de desarrollo radial, todos los solares tendrían un valor igual, puesto que estarían en relación con una línea que puede prolongarse indefinidamente y no con un punto. La única variación en el precio de los lotes estaba en el número de metros cuadrados que éstos tuvieran. De ahí la generosidad de su planteamiento en cuanto al aislamiento de la edificación y la importancia concedida a la zona verde.
(..) El punto de partida de todo el pensamiento urbanístico de Soria radica en la «locomoción»: «Del problema de la locomoción se derivan todos los demás de la urbanización. En toda agrupación consciente o inconsciente de viviendas, cualquiera que sea el número e importancia de éstas, el primer problema, el fundamental, de la urbanización, del cual se derivan todos los demás, es el de la locomoción, el de la comunicación de unas casas con otras.» Por ello su primer proyecto consiste en la creación de un «ferrocarril- tranvía» de circunvalación, aprobado por las Cortes en 1892, que uniera entre sí las po· blaciones inmedia tas a Madrid (Fuencarral, Hortaleza, Canillas, Vicálvaro, Vallecas, Villaverde, Carabanchel y Pozuelo de Alarcón), y, a su vez, éstas con la capital. El paso siguiente sería la fundación en 1894 de la Compañía Ma· drileña de Urbanización (C. M. U.), que tendría por objeto la «compraventa de terrenos, construcción y explotación de tranvías que pongan en comunicación los pueblos de los alrededores de Madrid... , servicio de aguas y edificación, alquiler y venta de casas al contado o a plazos», así como la construcción de una ciudad lineal de cincuenta kilómetros de longitud, para treinta mil almas, en un plazo aproximado de seis a ocho años. Esta ciudad lineal se vertebraría sobre el citado tranvía de circunvalación. (..)
Acesse o artigo completo pelo link


sexta-feira, 11 de maio de 2018

Pergunte ao Dr Mercado

Deu na BBC Brasil 10-05-2018, por Letícia Mori

Por que existem tantos prédios abandonados em São Paulo?
(..) "O centro de SP está em piores condições que os de todas as grandes cidades da América Latina", diz o arquiteto e urbanista Álvaro Luis Puntoni, professor da Faculdade de Arquitetura da USP e da Escola da Cidade. "A região é um retrato da degradação."
(..) Para a arquiteta Nadia Somekh, professora emérita da Faculdade de Arquitetura do Mackenzie e ex-diretora do DPH (Departamento de Patrimônio Histórico), o problema é que "não há priorização para questão da habitação" por parte do poder público. 
"Não há recursos, não há gestão adequada. Tem que mudar o foco. Há muito investimento em asfaltamento, que dá voto com a classe média, e em limpeza urbana, porque as pessoas não têm educação ambiental." 
Puntoni também acredita que é preciso dar mais atenção à questão da função social. "A lei deveria ser aplicada. Em Portugal, se um edifício fica 5 anos abandonado, ele automaticamente passa para o governo", exemplifica. 
Ele também diz que a solução para o déficit habitacional passa, necessariamente, pelo reaproveitmento dos prédios abandonados. (Continua)

*


A foto ilustrativa da matéria mostra um edifício que, embora decrépito e em precárias condições de habitabilidade, está claramente ocupado.

O problema, por outro lado, não é que haja muitos edifícios abandonados, mas que existam nas grandes cidades populações inteiras para as quais os edifícios abandonados aparecem como solução de moradia – algo que não tem, a meu ver, solução no âmbito do urbanismo ou das
políticas urbanas, ainda que estas possam e devam intervir para dar o indispensável suporte às famílias ocupantes como para salvaguardar, na medida do possível, o interesse coletivo em face das prerrogativas dos proprietários dos imóveis.

Em São Paulo mesmo, conforme artigo veiculado no Arch Daily de 01-0-2018 (*) a prefeitura anuncia “um programa de locação social para abrigar moradores de rua em edifícios desocupados do centro da cidade em troca de benefícios aos proprietários dos imóveis, que poderão ter suas dívidas de IPTU abatidas e deixarão de pagar o IPTU Progressivo para imóveis vazios”.

Não me parece claro que ajudar proprietários a conservar a titularidade de frações de solo que ancoram benfeitorias economicamente irrecuperáveis é melhor política do que ajudar a municipalidade a adquiri-las, ainda que progressivamente, pela via da execução fiscal. Até porque a ocupação de edifícios abandonados não atende mais do que precária e provisoriamente à necessidade habitacional de ninguém. 

O processo de deterioração física e funcional que leva edifícios, quadras, às vezes regiões urbanas inteiras – como em Detroit –, ao status real ou aparente de "abandonado” é por vezes referido como “espiral de desvalorização”, um tema de economia e sociologia urbana de grande relevância e não menor complexidade com o qual este blog contribuirá reunindo, na página Arquivos de Política Urbana, material disponível na internet.

___

sábado, 5 de maio de 2018

Ocupar é dar uso; mas é preciso habitar

Deu no Marco Zero,
28-03-2018, por Luiz Carlos Pinto, com C Monteiro, I Campelo, S M Buarque
Centro em Disputa
Dívidas de R$ 346 milhões de IPTU expõem abandono e cobiça no Centro do Recife
ocupação Marielle Franco, do Movimento de Trabalhadores Sem Teto, colocou o dedo na ferida: há uma acirrada disputa pelo centrão do Recife. Cerca de 200 famílias ocuparam o edifício SulAmerica, de propriedade da Empresa Nacional de Hotéis LTDA na segunda-feira, 19. Localizado na Praça da Independência, 91, o edifício tem seis pavimentos e faz uma curva suave na direção da Avenida Dantas Barreto, bairro de Santo Antônio.
Mapa dos imóveis com dívidas do
 IPTU acima de R$ 500 mil na RPA1
Fonte: Marco Zero
A escolha de um imóvel desocupado no centro não foi aleatória. O edifício tem dívidas acumuladas no valor preciso de R$ 1.507.771,03, dos quais R$ 1.416.641,17 inscritos na dívida ativa do município. Está entre as 30 maiores dívidas de um total de 3.740 imóveis devendo o imposto na Região Político Administrativa 1 (RPA1) – que compreende Santo Antônio e mais 10 bairros. O edifício estava desocupado há mais de 10 anos, portanto sem cumprir a função social exigido pela Constituição brasileira.
Tornou-se lugar comum afirmar que o centro da cidade do Recife está abandonado. Na verdade ele tem partes abandonadas – lugares fora das ideias que conduzem o planejamento urbano da cidade –, e partes que têm sido cobiçadas pelo mercado e apoiadas pelo poder público, com investimentos e incentivos. Para esses lugares há ideias, mobilização, planos, projetos, maquetes e negociações.
(..) O valor da dívida na RPA 1 é comparável ao que a atual gestão municipal estima angariar em 2018 em toda a cidade – cerca de R$ 382 milhões. É também equivalente ao custo de construir mais de 4 mil unidades habitacionais no padrão do Programa Minha Casa, Minha Vida. Imagine um investimento desse montante no centrão da capital pernambucana – praças, esgotamento, habitação, boulevards, escolas… (Continua)
Acesse a matéria completa pelo link


2018-05-05


quarta-feira, 2 de maio de 2018

Missão: Tudo é possível

Deu no The Guardian online 
29-04-2018, por Robert Booth e Frankie Crossley

Nearly 100 London councillors have links to property industry
Almost one in 10 councillors work for consultancies involved in planning or construction firms 
Some of the councils with the highest levels of hospitality or declared interests in property companies are producing levels of affordable housing that fall short of the London Mayor’s 35% target in the capital. In Wandsworth, where 17 councillors declared interests or entertainment with property companies, 19% of new homes built between 2013 and 2016 were affordable. In the City of London, where 12 councillors declared interests, only 3% were affordable.
Ravi Govindia, Wandsworth Council
Elected by the Conservative Council Group in 2011
Councillor since 1982
Montagem: à beira do urbanismo
Ravi Govindia, the leader of Wandsworth, strongly denied any link, stating that 1,700 affordable homes will be completed in the next three years and that “to suggest that we are not playing our part in delivering the low-cost housing London needs is complete and utter fallacy”.
Govindia, who is director of a gorilla safari business, was entertained by property companies 11 times in 2016 and the first half of 2017 including at Simpsons in the Strand and the Ned. He said: “It is important that we engage with property companies, housing associations and senior government officials so that they better understand our housing needs and priorities.” Govindia said he was “wholly open and transparent in my dealings”. (Continua)

Acesse a matéria completa pelo link

Acesse o Relatório Anual de Monitoramento do Plano de Londres 2015-16 pelo link


2018-05-02

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Monopólios urbanos: o negócio do século (3)

Deu no Valor Econômico online
10-04-2018, por Rodrigo Carro

Galeão dá início a investimento imobiliário 
Montagem: à beira do urbanismo
Imagens originais: Internet
Num momento de sobreoferta de espaços comerciais no Rio de Janeiro, a concessionária RIOgaleão deu início a um projeto de desenvolvimento imobiliário para aproveitar uma área superior a 900 mil m2 no entorno dos terminais do Aeroporto Internacional Tom Jobim e ao longo da sua principal avenida de acesso. Um primeiro contrato foi assinado para a instalação de dois novos hotéis da rede Accor no prédio que já abrigou a sede da Infraero no Rio. Com base em dois estudos sobre o potencial imobiliário da área, a concessionária privada espera atrair até R$ 1,3 bilhão em investimentos, incluindo um shopping center e um hospital.
O projeto se tornou viável a partir da publicação da portaria de número 143 pelo Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, em abril do ano passado. Ajustada posteriormente por outra portaria (nº 323), a 143 permite aos aeroportos concedidos estabelecer contratos comerciais com prazo maior que a duração da concessão. (Continua)


Acesse a matéria completa pelo link



2018-04-10


quinta-feira, 22 de março de 2018

Gosto não se discute

Deu no G1 
09-03-2018, por Em Movimento (Informe Publicitário)
https://g1.globo.com/especial-publicitario/em-movimento/noticia/arquitetura-se-adapta-as-novas-formas-de-morar-com-apartamentos-compactos-e-funcionais.ghtml


Arquitetura se adapta às novas formas de morar com apartamentos compactos e funcionais

Saiba por que espaços menores tornaram-se atrativos

Montagem: àbeiradourbanismo
Imagens originais: Internet
“A gente percebeu que o prédio é uma continuação da casa da pessoa. Em vez do jeito antigo, que projetava prédios desconexos, com salões de festas ociosos e espaços que ninguém usava, enxergamos o prédio como algo que faz parte da casa da pessoa”, explica Alexandre Frankel, CEO da Vitacon, incorporadora que no ano passado anunciou em São Paulo o lançamento dos menores apartamentos da América Latina, com 10m².

(..) A arquitetura interna das unidades é funcional, com espaços prontos para receber móveis práticos e com utilidades diversas: sofá-cama, paredes que viram mesas, portas de correr e todo tipo de estrutura para otimizar o espaço, como degraus para armazenar sapatos. A única divisória entre cômodos é a separação do banheiro.

“Quando as pessoas compram um apartamento assim, o que elas esperam é ganhar tempo. Ela vai passar menos horas no trânsito, por ser em regiões centrais, e então sobra mais tempo para fazer o que importa. Ela não gasta com manutenção, ela economiza tempo na limpeza. A vida fica mais prática e funcional, e bem mais interessante”, afirma Frankel.


Leia neste blog

"O Coeficiente de Aproveitamento e a valorização do solo",

"A braços com as peculiaridades da mercadoria terra urbana"


2018-03-22


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Renda da terra pra que te quero

Deu no GauchaZH 28-02-2018, por Dagmara Spautz

Avança projeto de alargamento da praia em Balneário Camboriú
Obra deve custar R$ 105 milhões  
Clique na imagem para amplia


Salvador? Recife? Fortaleza? Belém?



Não. Balneário Camboriú,
município da região catarinense
do Vale do Itajaí com população de
135 mil (!) habitantes em 2017,
47o. PIB municipal do país em 2014
e 145o. em rendimento médio per
capita em 2010; recém-afamado
como lugar dos edifícios mais altos
e do m2 mais caro do país.

Precisa ir a Brasília esmolar 100
milhões para alargar a praia arruinada
pela sombra dos arranha-céus?
A serem pagos com aluguel
de quiosques?

Para que serve a Outorga Onerosa do
Direito de Construir vigente na cidade?

Ou considerando, como admitem os
cobiçosos corretores, que “os imóveis
da cidade tenham uma valorização de
até 15% com o alargamento da faixa
de areia”, porque não financiá-lo
com o tradicionalíssimo instituto
da Contribuição de Melhoria?

Início das obras ainda depende de licenças ambientais e da captação de recursos para financiar o investimento.
(..) Nos últimos meses, o prefeito buscou apoio junto ao governo do Estado e levou o projeto ao presidente Michel Temer (PMDB). A mais recente aproximação foi com o BNDES, que é uma das opções de financiamento. A prefeitura pretende quitar o possível empréstimo com a arrecadação vinda da outorga de espaços públicos na Praia Central, como quiosques. Desde o ano passado o município possui a gestão plena das praias, mas ainda não regulamentou a forma como será feita a cobrança.
A justificativa da prefeitura para viabilizar o projeto é a perda de espaço na faixa de areia. Imagens de satélite mostram que houve um avanço significativo do mar nos últimos anos. A falta de sol por causa das sombras dos edifícios da orla na faixa de areia foi destaque nacional recentemente.
O Instituto +BC, entidade que financiou o projeto executivo do alargamento da faixa de areia, é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) formada por 15 empresários de Balneário Camboriú. (..)
O projeto executivo custou R$ 660 mil, bancados pelo instituto. Há interesse do empresariado local em garantir que a obra saia do papel, e que seja executada com qualidade para evitar problemas como a mudança no perfil da praia – torná-la mais perigosa, como ocorreu em Copacabana, pode ser fatal para o turismo em Balneário Camboriú.
Se tudo correr bem, a expectativa é positiva: corretores estimam que os imóveis da cidade tenham uma valorização de até 15% com o alargamento da faixa de areia.


 2018-28-02


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Devagar quase parando


Deu na Exame 27-02-2018, por Adriana Belisário, da Agência Pública

Porto Maravilha corre o risco de parar em 2018
Prefeitura diz que serviços na região podem ser suspensos por falta de dinheiro
A crise econômica atracou nos últimos anos no cais do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro (RJ). Às vésperas de completar nove de seus 30 anos de vida, a operação ficou refém do seu gigantismo e enfrenta dificuldades para pagar o consórcio formado pela Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia, que faz obras e serviços como limpeza de ruas e coleta de lixo na região.
Projetos licenciados no Porto Maravilha
Clique na imagem para ampliar
Bruno Fonseca/Agência Pública
Em entrevista exclusiva, Antônio Carlos Mendes Barbosa, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (CDURP), admite a possibilidade do projeto ficar sem caixa este ano.
(..) Para Mendes Barbosa, tudo vai depender do Fundo de Investimento Imobiliário do Porto Maravilha, controlado pela Caixa Econômica Federal (CEF). “Quem comprou os terrenos e/ou Cepacs têm o compromisso de dar liquidez”, diz ele, referindo-se à obrigação de a CEF garantir recursos. “Tenho conversado tanto com gestores quanto com cotistas do fundo sobre isso”, completa.
O combustível para mover as engrenagens do Porto Maravilha é a venda dos Certificados do Potencial Adicional de Construção (Cepacs) pelo fundo da CEF, que comprou todos os títulos da prefeitura, em lote único, em 2011 por R$ 3,5 bilhões. A compra usou recursos dos trabalhadores (FGTS), com a expectativa de revendê-los mais caros no mercado para empreendedores interessados em aumentar a quantidade de andares de seus imóveis na região.
Segundo o fluxo planejado, os Cepacs pagariam as empreiteiras, que se tornaram responsáveis não só por obras como também por serviços que no resto da cidade são realizados pela prefeitura, como a coleta de lixo. O problema é que foram poucos os compradores, e os Cepacs estão encalhados.
Não há novos projetos licenciados com consumo de Cepacs no Porto Maravilha desde meados de 2015. (Continua)


Acesse a materia completa clicando


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

No déficit, com teto

Deu no Arch Daily 01-02-2018, por Romullo Baratto
https://www.archdaily.com.br/br/887962/sao-paulo-destinara-edificios-desocupados-do-centro-para-moradores-de-rua

Edifício Prestes Maia
São Paulo destinará edifícios desocupados do centro para moradores de rua
A prefeitura de São Paulo pretende dar início a um programa de locação social para abrigar moradores de rua em edifícios desocupados do centro da cidade, em troca de benefícios aos proprietários dos imóveis, que poderão ter suas dívidas de IPTU abatidas e deixarão de pagar o IPTU Progressivo para imóveis vazios.

O sistema de locação social existe, na realidade, desde 2004, e atende atualmente 903 famílias em seis edifícios, que pagam valores até 15% de suas rendas em troca de moradia permanente, sem, contudo, obterem a propriedade dos imóveis - que permanece com a prefeitura. O novo programa já tem em vista 370 imóveis elegíveis e pretende disponibilizar mil novas unidades.

Uma das principais questões com esse tipo de programa é a manutenção e administração dos conjuntos. A iniciativa da prefeitura testará diferentes modelos de administração predial: em um dos edifícios haverá gestão direta da própria Cohab, outro será gerido por uma Organização Social, outro ficará sob responsabilidade de uma empresa privada e uma outra unidade será autogerida pelos próprios moradores.

Para fazer parte do programa, os edifícios deverão passar por reformas e adequações custeadas pelos proprietários, valor que poderá posteriormente ser abatido das dívidas de IPTU.

Embora seja um iniciativa necessária e muito bem-vinda na cidade, não basta, já que a demanda é muito superior às metas da prefeitura, alcançando, segundo estimativas, vinte mil pessoas que atualmente vivem nas ruas da capital paulista.

2018-02-02




quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Solo fértil II - adubar é preciso

Deu no NY Times online
03-01-2018, por Jonathan Mahler
https://www.nytimes.com/2018/01/03/magazine/subway-new-york-city-public-transportation-wealth-inequality.html

The Case for the Subway
It built the city. Now, no matter the cost — at least $100 billion — the city must rebuild it to survive


Waiting on the platform at Chambers Street. 
CreditDamon Winter/The New York Times
Clique na imagem para ampliar
(..) The subway’s importance to the city begins with a single, durable economic principle: Cities create density, and density creates growth. Economists call the phenomenon agglomeration. Not only does geographical proximity reduce costs, but it also facilitates the exchange of knowledge and spurs innovation. It’s a principle that holds true for better and worse and regardless of the industry. 
(..) If the story of the subway is the story of density, it is also the story of land — and more to the point, the story of land value. Before the first tracks had even been laid, real estate speculators were gobbling up farmland and empty lots along the proposed route and then quickly flipping their parcels at huge premiums to builders. When the subway recovered from its last major crisis, it again began throwing off enormous returns for the owners of the land above it. From 1993 to 2013, the average price for a co-op or condo in TriBeCa rose from $182 per square foot to $1,569. In the process, prime real estate in Manhattan was transformed from a place where people lived and built businesses into a high-yield investment in which absentee owners parked their money and watched it grow.
(..) In Hong Kong, the company that runs the subway also controls the property around it, earning huge amounts that it can then reinvest in service enhancements. The M.T.A., by contrast, is largely cut out of the land profiteering that it enables: Of the authority’s roughly $16 billion budget in 2017, about $460 million came from a tax on residential real estate transactions. An additional $520 million came from a tax on commercial sales. To put those numbers in perspective, several years ago, a group of economists calculated that the land in New York City — just the land, not the buildings on it — was worth about $2.5 trillion. One thing New York City has plenty of is money, and much of it is bound up in real estate, a kind of blank canvas with unlimited economic promise. (Continua)



Acesse a matéria completa pelo link

2017-01-03


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Solo fértil

Deu no Mail online
05-12-2017, por Ruairi Casey

As UK land value hits 5 trillion pounds, calls for new tax rise
(..) Land is worth 5 trillion pounds ($7 trillion) and makes up more than half of Britain's value, the Office for National Statistics (ONS) said.
Montagem: à beira do urbanismo
Imagens originais: creative commons
"Pretty much all of the problems in our housing system can be tracked back to the land market and the fact that land prices are outrageously high," Toby Lloyd, head of policy at the housing charity Shelter, told the Thomson Reuters Foundation.
"It's making housing absolutely, appallingly unaffordable."
Average British house prices have more than doubled in the past two decades, and more than quadrupled in London. But average wages have risen by only a fraction of that amount.
By separating the value of buildings and land for the first time, the ONS showed that land value grew much faster than other assets, such as houses and machinery.
As the stock of land is fixed and housing is in short supply, continued growth in land value is not surprising, said Julian Jessop, chief economist at the Institute of Economic Affairs, a free-market think tank.
The latest data sharpened calls to tackle Britain's housing crisis by introducing a tax on the value of underlying land, rather than property, a proposal made by the opposition Labour Party in its 2017 manifesto. (Continua)

Acesse a matéria completa pelo link
http://www.dailymail.co.uk/wires/reuters/article-5148939/As-UK-land-value-hits-5-trillion-pounds-calls-new-tax-rise.html#ixzz50rs48cZ6 


2017-12-13