quarta-feira, 12 de agosto de 2020

IAU 2019: gentrificação e pauperização na região de Paris

IAU île-de-France, “Gentrification et paupérisation au cœur de l’Île-de-France Evolutions 2001-2015 Mai 2019”. Institut d’Amenagement et d’Urbanisme, Mai 2019

Região Parisiense (Île-de-France)
Tipologia das comunidades segundo
a renda das famílias 2015

Clique na imagem para ampliar
Sou deliberadamente cauteloso, para dizer o mínimo, com a redução da estrutura sócio-espacial das grandes metrópoles contemporâneas ao contraste centro/periferia, ricos/pobres, alta renda/baixa renda, regularmente destacado em um grande número de estudos urbanos contemporâneos. 

Contudo, é inegável que a implosão, em 2008, da retaguarda econômica do Estado do bem-estar vai recriando em todo o mundo, ainda que em ritmos muito distintos, condições urbanas análogas às da primeira metade do século XIX - como disse há poucos dias, com todas as letras, o economista francês Thomas Piketty a propósito da desigualdade no Brasil. 

O estudo acima, produzido e publicado pelo Institut d’Amenagement et d’Urbanisme da região de île-de-France, é a prova inequívoca de que nenhum país está a salvo:

“(..) A análise dos dados do período 2001-2015 atesta, em primeiro lugar, num contexto de crescente desigualdade entre municípios e distritos, o reforço dos contrastes entre setores extremos, com uma polarização cada vez mais acentuada entre setores ricos e setores pobres no coração da aglomeração. As disparidades de renda continuam a aumentar no coração da cidade. Estamos testemunhando, por um lado, a consolidação de áreas ricas pelo enriquecimento e disseminação de riqueza para áreas vizinhas um pouco menos ricas e, por outro lado, a pauperização absoluta de setores urbanos inteiros. Em 44 dos municípios mais pobres da região, onde vivem 15% dos residentes da Île-de-France, a renda média em euros constantes caiu entre 2001 e 2015. Ainda faltam poucos executivos para se estabelecer lá. Eles continuam a canalizar o crescimento de famílias imigrantes em Ile-de-France. A concentração de trabalhadores pouco qualificados, muitos deles imigrantes, mais expostos ao aumento do desemprego e a empregos precários, e o aumento de famílias monoparentais (em conexão com o tamanho do estoque social) contribuem para a estigmatização e deterioração da situaççao financeira dos residentes. (..) "

2020-08-05


domingo, 9 de agosto de 2020

Nada de novo no front (2)

Deu no UOL / Cotidiano
O3-08-2020, por Agência Brasil
Quantidade de remoções e despejos dobra em SP na pandemia
Levantamento do Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade (Labcidade), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP), mostra que o número de reintegrações de posse e remoções, na Região Metropolitana de São Paulo, dobrou durante a pandemia de covid-19. A pesquisa compara os meses de abril, maio e junho, após o início da pandemia, com o trimestre anterior: janeiro, fevereiro e março.
De acordo com o levantamento, nos meses de abril, maio e junho foram realizadas seis remoções na Região Metropolitana, afetando 1,3 mil famílias. O número de casos, no período, é o dobro do registrado no trimestre anterior, janeiro, fevereiro e março, em que ocorreram três.
Segundo o Labcidade, a maior parte dessas remoções foi feita sob ordens do Poder Judiciário. Em uma delas, em meados de junho, na Vila Roseira 2, no distrito de Guaianases, zona leste de São Paulo, a decisão da Justiça foi dada em caráter de urgência, em um plantão judicial, autorizada com o uso da força policial.
"Cerca de 900 famílias perderam suas casas. Mesmo neste atual cenário de pandemia imposto pela covid-19, as famílias receberam apenas um comunicado para desocuparem o local, sem nenhuma proposta de atendimento habitacional", dizem os pesquisadores da FAU na pesquisa. "Fica nítido que a ação de remoção forçada ocorrida deixou as famílias ainda mais vulneráveis ao novo coronavírus, expondo-as a condições precárias de saneamento e prejudicando o distanciamento social, sendo estas recomendações básicas de prevenção à covid-19”. (Continua)
2020-08-09

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Nada de novo no front

Deu no UOL / A cidade é nossa
30-06-2020, por A Marino, D Klintowitz, G Brito, R Rolnik, P Santoro, P Mendonça.

https://raquelrolnik.blogosfera.uol.com.br/2020/06/30/circulacao-para-trabalho-explica-concentracao-de-casos-de-covid-19/ 

Circulação para trabalho explica concentração de casos de Covid-19
Clique na imagem para ampliar

(..) Com base neste estudo, pode-se dizer que, em síntese, quem está sendo mais atingido pela Covid-19 são as pessoas que tiveram que sair para trabalhar. Embora tenhamos mapeado os locais que concentram os maiores números de origens ou destinos dos fluxos de circulação por transporte coletivo, não é possível ainda afirmar se o contágio ocorreu no percurso do transporte, no local de trabalho ou no local de moradia, o que vai exigir análises futuras, que serão realizadas no âmbito desta pesquisa. Mas o que está evidente é que quem saiu para trabalhar e realizou percursos longos de transporte coletivo é quem foi mais impactado pelos óbitos ocorridos. (Continua)

2020-08-06


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Covid nas favelas

Deu no  O Tempo
30-07-2020, por Jessica Almeida
https://www.otempo.com.br/podcasts/tempo-habil/filme-mostra-como-a-pandemia-piorou-uma-situacao-que-ja-era-grave-nas-periferias-1.2365995

Filme mostra como a pandemia piorou uma situação que já era grave nas periferias
“Muito tem sido dito sobre como os impactos da pandemia se tornam mais graves entre as populações mais pobres, mas nem sempre essas pessoas têm espaço para falar. No documentário ‘Pandemia do Sistema: O retrato da desigualdade na capital mais rica do Brasil’, que estreia na semana que vem, moradores da periferia de São Paulo falam sobre como uma situação que já era difícil antes se tornou insustentável com a chegada do novo coronavírus.
Segundo média-metragem da Zalika Produções, o trabalho foi realizado com recursos próprios e a colaboração de profissionais voluntários. Neste episódio, a produtora audiovisual e fotógrafa Naná Prudêncio, diretora do filme, fala das motivações, expectativas e do processo de realização do trabalho. A estreia de ‘Pandemia do Sistema’ acontece na próxima terça (4), com exibição online às 19h na página de Facebook da agência de notícias Alma Preta.
Após a exibição, haverá um debate com participação da diretora, de Douglas Belchior, da Uneafro Brasil, de Luana Vieira, gestora executiva do projeto sociocultural Comunidade Pagode na Disciplina Jardim Miriam, e de Raimunda Boaventura, entrevistada no filme.”

2020-08-03

sábado, 1 de agosto de 2020

Noite carioca

Deu no Informe diário Sinduscon-Rio / Seconci-Rio / ADEMI-RJ
07-07-2020 por Admin
https://informediario.com.br/2020/07/07/edificio-a-noite-sera-leiloado-neste-semestre/
Ed. A Noite será leiloado neste semestre
Edifício A Noite na concepção o blogueiro
Inaugurado em 1929, o edifício, de 22 andares e 102 metros de altura, tem projeto do arquiteto francês Joseph Gire, também criador do Hotel Copacabana Palace, e do brasileiro Elisário Bahiana. Foi o primeiro arranha-céu da América Latina e primeiro mirante do Rio de Janeiro.
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) ocupava quatro dos 22 andares e foi o último órgão público a deixar as instalações, em 2012. O prédio abrigou a pioneira Rádio Nacional desde a sua criação, em 1936. O nome A Noite é uma referência ao jornal homônimo que teve sede no local.
Durante a Era do Rádio, nos anos 1940 e 1950, a Rádio Nacional transmitia para todo o país notícias, músicas e novelas. Celebridades da época, como Dolores Duran, Cauby Peixoto, Emilinha Borba e Marlene Alves, atraíam multidões para os shows de auditório.
Os demais andares do prédio eram ocupados pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e também já abrigou consulados. Para o Ministério da Economia, o prédio, que tem vista panorâmica da Baía de Guanabara, tem potencial para diversas utilizações, como um grande hotel ou até a adaptação para uso residencial. A fachada e a escadaria em caracol deverão ser preservadas em razão de seu tombamento.

Comentário

O edifício A Noite me inspira juízos contraditórios: entendo o seu tombamento como bem do patrimônio histórico, arquitetônico e cultural, mas o considero um estrupício urbanístico.

Nos dias de hoje, mais exatamente de ontem, sua construção seria muito provavelmente repudiada pela cidadania por bloquear catastroficamente a linha de visão entre o Morro da Conceição e a Praça Mauá e fazer da Travessa do Liceu, de onde parte a escada de acesso à Ladeira do João Homem, a sua área de serviço - para não dizer de despejos. Sem falar que, com o alargamento da ligação entre as avenidas Rio Branco e Venezuela para a passagem do intenso tráfego de ônibus, a calçada da Praça Mauá tornou-se mera formalidade.

Cheguei a suspeitar da origem do lote que ocupa, mas um pouco de pesquisa esclareceu a questão: seu antecessor foi o Liceu Literário Português, escola de ensino noturno fundada em 1868 e transferida em 1883 para um palacete na Rua da Saúde, no Largo da Prainha (hoje Travessa do Liceu e Praça Mauá), onde havia funcionado a Academia de Marinha. 


Largo da Prainha 1885
Fonte: ImagineRio.Org

Como a demolição do A Noite está, por vários motivos, fora de questão, eu contorno o dilema e concluo dizendo que a melhor solução é um enxerto arquitetônico: transformá-lo, na medida do estruturalmente possível, num edifício decô com galerias agacheanas, ou até mesmo um pilotis pseudo-modernista, de grande altura, que permita a ampla circulação de pessoas e perspectivas urbanas entre o venerando Morro da Conceição e o futurológico Pier Mauá. Com uma pequena exposição permanente sobre o projeto original e o histórico do lugar.

Quanto ao uso, creio que um grande albergue de turismo econômico ficaria bem a caráter. Mas isso caberá ao Doutor Mercado decidir. 

Com a palavra os especialistas.





2020-08-01



quarta-feira, 29 de julho de 2020

Privatizem-se as responsabilidades!

Deu no Informe diário Sinduscon-Rio / Seconci-Rio / ADEMI-RJ
06-07-2020 por Admin
Marco do Saneamento: Sozinho não vai
Ainda não há cadáver, mas
o Estadão já está cuidando do
álibi. Se fracassar a meta da
privatização do saneamento
- 90%  de cobertura até 2033 -,
a responsabilidade terá sido
uma vez mais do próprio Estado,
que não planejou as cidades tão
sábia e eficientemente como
fazem os empresários com seus
negócios.

Por que, então, não entregar de
uma vez os próprios governos à
iniciativa privada, mediante
licitações insuspeitas a cargo
de consultorias de arbitragem?

De duas uma: ou daria certo, e
ingressaríamos numa nova
Golden Era de prosperidade
privatista, ou daria errado e
teríamos de concluir que já não
há álibi possível: os robôs 
teriam, de acordo com as
Leis de Asimov, de demitir o
patronato e instaurar o governo
planetário dos computadores
quânticos.

 Para bem da civilização.
(..) O planejamento urbano e territorial é uma tarefa de Estado que precisamos construir tanto para rompermos o ciclo de pibinhos pífios que nos assolam há tempos como para reduzir a desigualdade intraurbana, que a pandemia escancarou.
Até aqui os governos têm ouvidos moucos para o tema urbano. Ignoram o enorme potencial que o investimento em cidades significa para a economia e para o desenvolvimento social.
Talvez as novas empresas de saneamento possam compreender que o sucesso de seu desempenho depende da inserção do setor no âmbito da cidade complexa, a ser planejada e ser tratada. E possam ajudar na mudança de rumo. Sem coordenação de políticas, o esforço será frustrado. Sozinho, não vai.
O Brasil não precisa de outras décadas de abandono da cidade. Precisa qualificá-las para alcançar o desenvolvimento. (O Estado de S Paulo / coluna Opinião)











2020-08-02

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Maracutaia antiecológica e antissocial

Deu no GloboEsporte
23-07-2020, por GloboEsporte


Audiência pública virtual sobre novo autódromo do Rio é marcada para 7 de agosto
Reunião serve para apresentação de um estudo de impacto ambiental que a obra pode causar no local e havia sido suspensa em função da pandemia de coronavírus


Montagem: à beira do urbanismo

Estrategicamente situada da tripla fronteira da antiga Zona Suburbana com a Zona Oeste e a Baixada Fluminense, a Floresta do Camboatá segue na mira dos caçadores de oportunidades de ganho fácil e rápido, bandoleiros bolsonaristas que lá pretendem construir um novo autódromo.

Que estranhas facilidades essa gente encontrou para propor a construção de um autódromo de padrão internacional no meio da zona urbana metropolitana do Rio de Janeiro? 

Por que não fazê-lo, por exemplo, em algum lugar do ainda desértico Anel Viário e transformar o Camboatá num Parque Ecológico Metropolitano com acesso rodoviário pela Av Brasil e ferroviário pela Linha Tronco da Supervia?

2020-07-24


terça-feira, 21 de julho de 2020

Baluarte da habitação social

Deu no UOL Economia
17-07-2020, por Feargus O'Sullivan / Bloomberg
Barcelona tem nova arma para desapropriar apartamentos vazios 
 
clique na imagem para ampliar

 
Barcelona recorreu a uma nova arma na tentativa de aumentar moradias disponíveis para aluguel na cidade: o poder de obrigar a venda de propriedades vazias. Nesta semana, o departamento de habitação de Barcelona escreveu para 14 empresas que coletivamente são proprietárias de 194 apartamentos vazios avisando que, se não encontrarem um inquilino no próximo mês, a cidade poderá tomar posse desses imóveis, com remuneração pela metade do valor de mercado. Essas unidades seriam alugadas pela cidade como moradia pública para inquilinos de baixa renda, enquanto as empresas em questão também estariam sujeitas a multas entre 90 mil e 900 mil euros (US$ 103 mil e US$ 1 milhão), de acordo com a mídia espanhola. O plano tem como base medidas anteriores adotadas pela cidade para ocupar apartamentos vazios. Desde 2016, municípios da região da Catalunha, que inclui Barcelona, têm poder legal para assumir o controle de propriedades que estão sem inquilinos por mais de dois anos. As cidades podem alugá-las como moradias populares por um período de quatro a dez anos antes de devolvê-las ao controle dos proprietários. (Continua)

2020-07-21

sábado, 18 de julho de 2020

Estação Leblon

Deu na BBC News Brasil
11-07-2020, por Luiza Franco
Alvo de polêmica na quarentena, bairro chique do Rio tem passado abolicionista e já foi considerado 'subúrbio'
"Subúrbio" e "periferia" não são palavras
associadas ao Leblon, bairro nacionalmente
conhecido como sendo um dos caros do
Brasil. Mas é o que ele foi por boa parte
da história de sua ocupação, desde a
chegada dos europeus ao Rio de Janeiro
no século 16, dizem especialistas que
estudam a história da cidade. (Continua)

Com efeito. O que é "subúrbio" depende do que, em dado momento, tomamos como "úrbio".

No Rio de Janeiro, a maior parte do que hoje chamamos subúrbios - Méier, Madureira, Vicente de Carvalho, Olaria, Penha etc, - já deixou de sê-lo há muito tempo, restando, para fazer jus ao conceito, o serviço de trens, suas estações de origem, o rendimento médio relativamente modesto das famílias e suas tradições culturais.

De modo análogo, o que hoje chamamos "centro", porque passou a ser centro com a expansão radial da urbe, foi, até muito depois do advento da indústria da (sub) urbanização, apenas "cidade", palavra com que o designamos até pelo menos os anos 1960.

A urbe, a percepção coletiva de sua ordem espacial e o vocabulário que cristaliza essa percepção na cultura urbana acadêmica e não acadêmica mudam em velocidades muito diferentes – o que demonstra, aliás, que são entidades diferentes.

Distinguir os objetos, seus conceitos e seus nomes, reconhecendo que cada um tem sua própria história, é sempre uma operação delicada, mas essencial.


2020-07-17


quarta-feira, 15 de julho de 2020

Correndo para não chegar

Deu no Guardian
07-07-2020, por Peter Beumont
'We squandered a decade': world losing fight against poverty, says UN academic
Goal to eradicate poverty by 2030 ‘completely off track’, says outgoing special rapporteur, with Covid-19 likely to impoverish millions more

A child in Kabul, Afghanistan, which is among the poorest countries in the world.
Foto e texto: Altaf Qadri / AP / The Guardian


Sou incondicionalmente favorável a iniciativas e programas governamentais compensatórios e redistributivos, em todos os campos a começar do meu - a gestão urbana -, incluindo aqueles cujos resultados são modestos, como a Outorga Onerosa do Direito de Construir e seus congêneres, aos quais dediquei bastante reflexão e certa quantidade de artigos neste blog.  

Muito especialmente, defendo a renda mínima universal.

Como, porém, as políticas redistributivas, compensatórias elas próprias da concentração persistente da renda, são ciclicamente revertidas pela crises (como deixa claro a América Latina dos anos 2000 e 2010), resulta que esses pacotes, praticados ad infinitum, acabam por normalizar a pobreza e a desigualdade numa época em que a ciência e a técnica, muito especialmente o cálculo e o planejamento econômico, permitem prover a humanidade de tudo o que é necessário e muito mais - sem sacrifício do meio ambiente planetário.    

Há muito que a pobreza e a desigualdade não provêm da escassez, mas da inércia reprodutiva de um regime social incapaz de absorver, que dirá distribuir, a abundância por ele mesmo criada; um regime para o qual é um imperativo econômico - não uma opção ideológica, como quer Piketty - a destruição preventiva ou catastrófica de toda riqueza socialmente produzida que não conduza à valorização dos capitais privados concorrentes.

Esperar que o capital erradique a pobreza e a desigualdade e reverta a degradação do meio ambiente planetário é um exercício de auto-engano, tendente, eu temo, ao negacionismo científico. Muito mais provável é ele acabar com o que entendemos como civilização

Este deve ser o quadragésimo fracasso em 40 anos das metas da ONU para a erradicação da pobreza. Precisamos passar à próxima fase. Resta saber como

2020-07-14


terça-feira, 14 de julho de 2020

Tempo técnico

Deu no G1
13-06-2020, por Ana Flor
Governo vai sancionar na quarta-feira o marco legal do saneamento
Patronato de oposição pede tempo técnico para confraternizar com a devastação bolsonarista
Montagem: À beira do urbanismo. Imagem original Internet

2020-07-13


segunda-feira, 13 de julho de 2020

A concorrência pelo monopólio

Deu no G1
13-06-2020, por Ana Flor
Governo vai sancionar na quarta-feira o marco legal do saneamento



O governo marcou para quarta-feira (15) a sanção do novo marco do saneamento que irá permitir maior concorrência no setor, atualmente dominado por empresas públicas.
Após mais de dois anos de debates e medidas provisórias que caducaram (perderam validade), o Congresso aprovou o texto no dia 24 de junho. A Casa Civil e a Secretaria-Geral da Presidência ainda avaliam se haverá algum veto. A possibilidade de vetos foi negociada com o Senado para acelerar a tramitação do texto. Se os senadores tivessem feito mudanças, a matéria teria que voltar para a Câmara.
A ideia do governo era realizar um evento no Palácio do Planalto para celebrar a sanção. A nova lei é vista pela equipe econômica como um dos principais pilares para atrair investimentos privados nos próximos anos. Mas o isolamento social do presidente Jair Bolsonaro, que contraiu covid-19, deve mudar os planos sobre o evento. (Continua)

2020-07-13

sábado, 11 de julho de 2020

Legado viral

Deu no Guardian 
03-07-2020, por Amelia Hill 
https://www.theguardian.com/world/2020/jul/03/covid-19-exposes-stark-generational-uk-housing-divide-report-says
Covid-19 exposes stark generational housing divide, UK report says 
The coronavirus pandemic has exposed a generational divide in living conditions across Britain, with young people more likely to be locked down in smaller, overcrowded homes with no access to garden than older age groups, a report has found. (..)
https://www.independent.co.uk/independentpremium/
coronavirus-schools-close-benefits-sick-pay-nhs-a9409936.html
Caroline Abrahams, the charity director at Age UK, said: “Poor housing is a problem affecting people of all ages. Two million older households, including 530,000 long-term sick and disabled older individuals, live in homes classed as ‘non-decent’.”
Polly Neate, the chief executive of Shelter, added: “A toxic combination of expensive private rents, successive cuts to housing benefit, and a dire shortage of social housing have left us in a total mess. (Continua)

2020-07-11

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Da terra eu vim, à terra retornei

Deu no NSC Total / Idosos
30-06-2020, por Joshua Brockman / NY Times
Planos de previdência para quem é corajoso
Imagem: Internet
Audrey Smith sabe como é plantar uma semente e esperar pelos frutos. Nascida em uma família de onze irmãos, ela cuidava da fazenda dos pais, em Texarkana, no Arkansas, e comia os vegetais que plantava.
Mas Smith não queria viver da terra. (..) Por isso, fez faculdade e se mudou para a Califórnia. (..)
Ao longo do caminho formou família, tornou-se agente imobiliária e começou a planejar a aposentadoria quando tinha 30 e poucos anos, investindo principalmente em imóveis. (..)
Nas últimas quatro décadas, criou portfólios de aposentadoria que incluem sete prédios com 15 apartamentos cada. (..)
A força do mercado imobiliário em Los Angeles ajudou a proteger o ganha-pão de Smith. (..)
Segundo Smith, historicamente o valor de suas propriedades de aluguel se manteve, devido à escassez de imóveis disponíveis para locação. (Continua)

2020-07-08


domingo, 5 de julho de 2020

Entre a ruína industrial e a especulação global


Publicado em Places / History of the Present: Cities in Transition
2020-07, por Richard J. Williams, Professor de Culturas Visuais Contemporâneas na Universidade de Edimburgo.
Manchester After Engels
Beetham Tower, viewed from 
Castlefield Urban Heritage Park, 
November 2019. [Richard Williams]
(..) Manchester, whose collapse in the mid 20th century rivaled that of Detroit, is busily, loudly rebounding; the city is now constructing a cluster of skyscrapers on the edge of its downtown core, the scale of which dwarfs all existing buildings. Not all that long ago, a big building here could perhaps boast 100,000 square feet; today “big” means half a million. The new South Tower of Deansgate Square, a collection of mostly residential towers, rises priapically to more than 600 feet, and it might soon be overtaken by the 700-foot-tall Trinity Islands. There were at the end of last year an unprecedented 80 construction sites in the city center, including 14,000 future apartments, many of which are underwritten by international investment. (Continua)

2020-07-05


quinta-feira, 2 de julho de 2020

Poor households matter

Deu no Guardian online
02-07-2020, por Nina Lakhani
The scandal of millions of Americans deprived of running water
A Pickett. Foto (detalhe): Ross Mantle / The Guardian
Guardian US environmental justice reporter Nina Lakhani tels Anushka  Asthana about her water crisis investigation, which looked into why running water is becoming unaffordable for millions of Americans across the US. Water bills weigh heavily on many Americans as utilities hike prices to pay for environmental clean-ups, infrastructure upgrades and climate emergency defences to deal with floods and droughts. Federal funding for America’s ageing water system has plummeted, and as a result a growing number of households are unable to afford to pay their bills.
Albert Pickett inherited water debts from his mother after she died. Pickett applied to get on to a repayment plan, but the water department refused as he didn’t have the money, several hundred dollars, required as a deposit. Cleveland Water didn’t inform Pickett, who survives on disability benefits, about his right to appeal – instead, they turned off the taps in 2013. “Without water you can’t do anything. I lost my family, my wellbeing, my self-esteem. It was humiliating, like I was less than human,” he says.

Acesse o podcast pelo link

2020-07-02





terça-feira, 30 de junho de 2020

Alugam-se conjugados para nerds que residam fora

Deu no Informe Diário Sinduscon-Rio / Seconci-Rio / ADEMI-RJ
25-06-2020, por Admin 
https://informediario.com.br/2020/06/25/fundo-da-housi-faz-primeiras-aquisicoes/

Fundo da Housi faz primeiras aquisições
Imagem:netclipart free
O fundo de investimento imobiliário (FFI) captado no início de maio pela Housi – plataforma digital de aluguel de unidades residenciais da Vitacon -, fechou suas primeiras aquisições. Trata-se da compra de dois projetos aprovados de edifícios residenciais na cidade de São Paulo por R$ 50 milhões. (..)
No entendimento do fundador e presidente da Vitacon, Alexandre Frankel, o mercado residencial passará por forte transformação, em que os consumidores terão relação com o imóvel muito mais como serviço do que como um bem a ser adquirido. (..)
No cenário projetado, a compra das unidades será feita por investidores interessados na renda por meio da locação, de acordo com o fundador da Vitacon.
Frankel estima que a locação de cada uma das 300 unidades que passam a fazer parte da carteira do fundo ficará de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil. Os apartamentos terão tamanho de 20 metros quadrados a 35 metros quadrados. Um projeto será desenvolvido no Itaim Bibi e o outro, na Avenida Paulista. (Continua)

30-06-2020

domingo, 28 de junho de 2020

A espiral especulativa e seu culto

Deu no Viva Balneário / Facebook
04-09-2019


Excursões, visitas guiadas e atividades em Benidorm - Civitatis
Balneário espanhol de Benidorm, Comunidade Valenciana. À esquerda, as Torres InTempo. Qualquer semelhança de contexto não é mera coincidência. O eventual compartilhamento de suas atribulações também não será.


“Dos torres doradas de 193 metros que se recortan sobre el horizonte de la playa de Poniente de Benidorm: el Intempo, el edificio exclusivamente residencial más alto de España y uno de los primeros de Europa, se ha convertido en un símbolo de la capital turística de la Costa Blanca sin haber abierto al público aún ni una sola de sus 256 viviendas. 

Proyectada en el año 2006, el sueño de 47 plantas del empresario vasco José Ignacio de la Serna (Olga Urbana SL) encalló en la crisis del ladrillo y fue adquirido primero por la Sociedad de Gestión de Activos procedentes de la Reestructuración Bancaria (conocido como la Sareb), quien heredó en 2012 la deuda de 108 millones de Novacaixagalicia, la entidad que financió su construcción. En 2018 el fondo de inversión Strategic Value Partners (SVPGlobal) se hizo con el control del inmueble. (Continua)

(“La segunda vida del Intempo, el mayor rascacielos de España”, El Mundo 21-07-2019, por Sergio Sampedro)
2020-06-30

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Agora vai!

Deu no Senado Notícias
24-06-2020, por Augusto Castro / Agência Senado
https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2020/06/24/para-a-maioria-dos-senadores-o-novo-marco-legal-vai-melhorar-o-saneamento-basico-no-pais

Para a maioria dos senadores, o novo marco legal vai melhorar o saneamento básico no país

Entusiasmado com o sucesso 
da gestão da pandemia de 
Covid pelo governo Bolsonaro, 
senador Jereissati (esq.), que 
desde criancinha pensa que a 
crise crônica do saneamento 
básico no Brasil se deve à 
ausência de capitalistas como ele
próprio e o ministro Guedes 
(dir.) no setor, está seguro de que, 
com o novo marco regulatório
proposto pelo governo, os
monopólios privados vão poder
garantir água e esgoto para todos,
de forma análoga a como a recente
Reforma da Previdência, baseada
em princípio similar, o da 
financeirização, resolveu o
problema do desemprego e da falta
de oportunidades em nosso país.
Hoje qualquer indivíduo
minimamente instruído pode se
tornar um próspero motorista de
aplicativo ou entregador de 
comida; amanhã todas as 
crianças terão direito a um banho 
diário com água da bica 
comunitária, à temperatura
ambiente, mas sem geosmina.
Em sessão remota nesta quarta-feira (24), o Senado aprovou o novo marco legal do saneamento básico (PL 4.162/2019). O projeto é de iniciativa do governo, foi aprovado em dezembro do ano passado na Câmara dos Deputados e agora segue para a sanção presidencial. A matéria baseia-se na Medida Provisória (MP) 868/2018, que perdeu a validade sem ter sua apreciação completada no Congresso Nacional em 2019. Assim, o governo enviou ao Legislativo um projeto com o mesmo tema.
(..) O relator do projeto, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), afirmou que a modernização do sistema de saneamento básico brasileiro “é absolutamente necessária e urgente”. Ele ressaltou que, atualmente, cerca de 35 milhões de cidadãos não têm acesso a água tratada e mais de 100 milhões não são atendidos por coleta de esgoto.

— Metade da população brasileira! Essa precariedade de saneamento básico prejudica, fundamentalmente, os índices de desenvolvimento humano e resulta em imensos prejuízos, sociais — principalmente sociais – e econômicos. A Organização Mundial da Saúde estima que 15 mil pessoas morrem e 350 mil são internadas no Brasil todos os anos devido a doenças ligadas à precariedade do saneamento básico, situação agravada pela pandemia da covid-19 — disse Tasso. (Continua)




Imagem: Investivida


2020-06-25