quinta-feira, 24 de maio de 2018

Compromisso com a sustentabilidade

Deu no G1 Goiás 17-05-2018, por Vanessa Martins
Roberto Carlos diz que empreendimento de luxo em Goiânia do qual é sócio será 'o melhor possível'
Família goiana entrevistada
 pelos incorporadores garante
 que o Horizonte Flamboyant
 é um produto que atende à sua
 demanda de sustentabilidade:
mamãe vai trabalhar de cozinheira
 e papai de zelador, enquanto os
pequenos ficam em casa,
amarrados ao pé da mesa,
 ouvindo o Rei Roberto cantar
 "Vou  chegar mais cedo em casa"
free Family Clip Art
O projeto é o primeiro, perto do Parque Flamboyant, em seis anos e já vendeu mais de 40 das 152 unidades antes do lançamento. O empreendimento de luxo fica em uma área de cerca de 4 mil metros quadrados e tem apartamentos de 177 e 204 metros quadrados, localizado na região nobre do Jardim Goiás, na Avenida H.
"Sou muito detalhista em tudo que eu faço, olho tudo pessoalmente. Digo que se não fosse cantor e compositor seria engenheiro ou arquiteto. Tenho um paixão pela área", declarou.

(..) Um dos sócios do empreendimento, Guilherme Pinheiro destacou que um dos principais chamativos da obra é exatamente a série de novidades sustentáveis. “O Horizonte é um produto que, mesmo sendo de alto padrão, atende à demanda da sustentabilidade. (..)”
(..) “Pensamos o tamanho dos apartamentos baseado em entrevistas com a família goiana. Além disso é um projeto novo, versátil, temos o maior lobby de entrada da cidade, elevadores exclusivos para todas as torres. É um empreendimento criado para o alto padrão goiano”, detalhou.

2018-05-24


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Belgrado Waterfront II

Deu no Estado de S Paulo
03-05-2018, por Barbara Surk / NY Times
http://internacional.estadao.com.br/noticias/nytiw,plano-para-construir-a-dubai-dos-balcas-irrita-moradores-de-belgrado,70002291828

Plano para construir a Dubai dos Balcãs irrita moradores de Belgrado
“Queremos restaurar a antiga glória de Belgrado, fazer dela uma cidade grande e respeitável novamente, depois dos anos de vergonha que vieram com os conflitos e guerras”, disse o prefeito de Belgrado, Sinisa Mali.
Antes do começo da construção, há dois anos, 231 famílias foram realocadas por causa do projeto, mas algumas se recusaram a sair. Certa noite, cerca de 30 homens mascarados com tacos de beisebol e ferramentas pesadas apareceram no local. Ao amanhecer, vários prédios residenciais e comerciais tinham sido demolidos para permitir o início das obras.
O ataque de 2016 chocou os sérvios, que levaram sua raiva às ruas, denunciando o que afirmavam ser práticas corruptas da elite. Os protestos se transformaram nas maiores manifestações contra o governo desde que uma revolta popular derrubou o poderoso Slobodan Milosevic, em 2000.
(..) Os primeiros proprietários dos prédios residenciais a serem concluídos em breve deverão pagar até 7 mil euros por metro quadrado, em um país com um salário médio mensal de 375 euros. Ao todo, 5.700 residências e oito hotéis serão construídos no empreendimento, na área entre o rio e as ferrovias.
Placas de cimento foram colocadas ao longo do rio para formar um calçadão repleto de escorregadores para crianças, um ancoradouro, um restaurante, uma ciclovia e uma fileira de cartazes gigantes que mostram os prédios a serem construídos nos próximos 30 anos. Entre estes, o maior shopping center dos Balcãs.
“Estamos tentando fazer tudo novo, sem romper os laços da cidade com o passado”, disse Mali.
Mas Bojan Kovacevic, presidente da Academia de Arquitetos da Sérvia, chamou o empreendimento de “crime contra o planejamento urbano”.

2018-05-21

Leia também

“To Build Dubai of the Balkans, Serbia Deploys Bulldozers and Baseball Bats”. NY Times 29-04-2018, por Barbara Surks

“Controversy surrounds Belgrade Waterfront development”. BBC online 21-06-2016, por Guy Delauney

“Belgrade's 'top-down' gentrification is far worse than any cereal café”, The Guardian 10-12-2015, por Alex Eror

“Belgrade Waterfront - the dark side of 'urban renewal'. Open Democracy 26-11-2015, por Marko Aksentijevic


quarta-feira, 16 de maio de 2018

Arquivos de HU: “La Ciudad Lineal de Arturo Soria”

por Pedro Navascués Palacio, 1969
Arquivo Digital UPM: Villa de Madrid (n. 28); pp. 49-58
http://oa.upm.es/7682/1/Villa_28.pdf


Ao contrário do que se costuma encontrar nas fontes não especializadas, e por vezes até nas acadêmicas, Navascués situa, neste texto de 1969, a Ciudad Linea de Soria y Mata no contexto da acelerada e problemática expansão geográfica, populacional e edilícia da Madri de fins do século XIX: ao iniciarem-se, em 1857, os trâmites de seu ensanche, a cidade ainda convivia com o cinturão de muros e portas erguido na década de 1800 com a fútil pretensão de deter os exércitos de Napoleão.

O estudo de Navacués nos permite apreciar a realização de Soria "dos pés para a cabeça", isto é, como projeto de urbanização antes que como utopia urbanística, ambiguidade que a define, quem sabe ao lado da cidade-jardim howardiana, como híbrido histórico: pode-se discutir se é o programa de reforma social que para poder sair à luz se adapta às exigências da nascente indústria da suburbanização ou se é esta que, ainda debutante, não teve tempo de trocar o traje de colônia semi-rural destinada ao aperfeiçoamento físico e moral das classes laboriosas. 

Com o devido registro da primazia atribuída por Soria ao problema da locomoção, “do qual derivam todos os demais problemas da urbanização”, Navascués nos remete a um programa urbanístico supreendentemente complexo envolvendo elementos de economia espacial, de sociologia urbana, de planejamento urbano, de gestão de serviços públicos, de financiamento e empreendedorismo privado, de desenho urbano, de arquitetura residencial.

O artigo finaliza com uma discussão sobre o “estatuto” de Ciudad Lineal na Madri do último quarto do século XX e as opções de planejamento e projeto ao alcance da Administração: o fato de que “infelizmente, à parte o traçado pouca coisa resta da primitiva Ciudad Lineal” não a torna menos digna de um tratamento à altura da fama que ostentam o seu modelo e o seu projeto na história do urbanismo moderno. 

*
La Ciudad Lineal de Arturo Soria
Clique na imagem para ampliar
(..) Para Soria, «hacer una ciudad nueva es mucho mejor y más barato que remendar una vieja. La Gran Vía proyectada y las grandes mejoras del interior de Madrid tardarán en ser ejecutadas, dado el caso de que se hagan.. ,», y propone a cambio la construcción de una Ciudad Lineal, uniendo dos ciudades puntos, en la que no se permitiría «ocupar con edificación más de la quinta parte del terreno a fin de que el resto sea ocupado por los árboles, huertas y jardines, convirtiendo los áridos alrededores de Madrid en sitios amenos y saludables». Asimismo sus edificaciones no podrían tener más de tres plantas, y las casas serían independientes, con cuatro fachadas, accesibles todas al aire y a la luz. No se podría construir a menos de cinco metros de la linea de fachada sobre la vía principal o transversal, por lo que «cada casa estará dentro de un jardín», El planteamiento lineal de la ciudad impossibilitaría, a su vez, la especulación del terreno, pues, lejos de tener éste un valor relativo según sus proximidad con el centro de la ciudad de desarrollo radial, todos los solares tendrían un valor igual, puesto que estarían en relación con una línea que puede prolongarse indefinidamente y no con un punto. La única variación en el precio de los lotes estaba en el número de metros cuadrados que éstos tuvieran. De ahí la generosidad de su planteamiento en cuanto al aislamiento de la edificación y la importancia concedida a la zona verde.
(..) El punto de partida de todo el pensamiento urbanístico de Soria radica en la «locomoción»: «Del problema de la locomoción se derivan todos los demás de la urbanización. En toda agrupación consciente o inconsciente de viviendas, cualquiera que sea el número e importancia de éstas, el primer problema, el fundamental, de la urbanización, del cual se derivan todos los demás, es el de la locomoción, el de la comunicación de unas casas con otras.» Por ello su primer proyecto consiste en la creación de un «ferrocarril- tranvía» de circunvalación, aprobado por las Cortes en 1892, que uniera entre sí las po· blaciones inmedia tas a Madrid (Fuencarral, Hortaleza, Canillas, Vicálvaro, Vallecas, Villaverde, Carabanchel y Pozuelo de Alarcón), y, a su vez, éstas con la capital. El paso siguiente sería la fundación en 1894 de la Compañía Ma· drileña de Urbanización (C. M. U.), que tendría por objeto la «compraventa de terrenos, construcción y explotación de tranvías que pongan en comunicación los pueblos de los alrededores de Madrid... , servicio de aguas y edificación, alquiler y venta de casas al contado o a plazos», así como la construcción de una ciudad lineal de cincuenta kilómetros de longitud, para treinta mil almas, en un plazo aproximado de seis a ocho años. Esta ciudad lineal se vertebraría sobre el citado tranvía de circunvalación. (..)
Acesse o artigo completo pelo link


sexta-feira, 11 de maio de 2018

Pergunte ao Dr Mercado

Deu na BBC Brasil 10-05-2018, por Letícia Mori

Por que existem tantos prédios abandonados em São Paulo?
(..) "O centro de SP está em piores condições que os de todas as grandes cidades da América Latina", diz o arquiteto e urbanista Álvaro Luis Puntoni, professor da Faculdade de Arquitetura da USP e da Escola da Cidade. "A região é um retrato da degradação."
(..) Para a arquiteta Nadia Somekh, professora emérita da Faculdade de Arquitetura do Mackenzie e ex-diretora do DPH (Departamento de Patrimônio Histórico), o problema é que "não há priorização para questão da habitação" por parte do poder público. 
"Não há recursos, não há gestão adequada. Tem que mudar o foco. Há muito investimento em asfaltamento, que dá voto com a classe média, e em limpeza urbana, porque as pessoas não têm educação ambiental." 
Puntoni também acredita que é preciso dar mais atenção à questão da função social. "A lei deveria ser aplicada. Em Portugal, se um edifício fica 5 anos abandonado, ele automaticamente passa para o governo", exemplifica. 
Ele também diz que a solução para o déficit habitacional passa, necessariamente, pelo reaproveitmento dos prédios abandonados. (Continua)

*


A foto ilustrativa da matéria mostra um edifício que, embora decrépito e em precárias condições de habitabilidade, está claramente ocupado.

O problema, por outro lado, não é que haja muitos edifícios abandonados, mas que existam nas grandes cidades populações inteiras para as quais os edifícios abandonados aparecem como solução de moradia – algo que não tem, a meu ver, solução no âmbito do urbanismo ou das
políticas urbanas, ainda que estas possam e devam intervir para dar o indispensável suporte às famílias ocupantes como para salvaguardar, na medida do possível, o interesse coletivo em face das prerrogativas dos proprietários dos imóveis.

Em São Paulo mesmo, conforme artigo veiculado no Arch Daily de 01-0-2018 (*) a prefeitura anuncia “um programa de locação social para abrigar moradores de rua em edifícios desocupados do centro da cidade em troca de benefícios aos proprietários dos imóveis, que poderão ter suas dívidas de IPTU abatidas e deixarão de pagar o IPTU Progressivo para imóveis vazios”.

Não me parece claro que ajudar proprietários a conservar a titularidade de frações de solo que ancoram benfeitorias economicamente irrecuperáveis é melhor política do que ajudar a municipalidade a adquiri-las, ainda que progressivamente, pela via da execução fiscal. Até porque a ocupação de edifícios abandonados não atende mais do que precária e provisoriamente à necessidade habitacional de ninguém. 

O processo de deterioração física e funcional que leva edifícios, quadras, às vezes regiões urbanas inteiras – como em Detroit –, ao status real ou aparente de "abandonado” é por vezes referido como “espiral de desvalorização”, um tema de economia e sociologia urbana de grande relevância e não menor complexidade com o qual este blog contribuirá reunindo, na página Arquivos de Política Urbana, material disponível na internet.

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sábado, 5 de maio de 2018

Ocupar é dar uso; mas é preciso habitar

Deu no Marco Zero,
28-03-2018, por Luiz Carlos Pinto, com C Monteiro, I Campelo, S M Buarque
Centro em Disputa
Dívidas de R$ 346 milhões de IPTU expõem abandono e cobiça no Centro do Recife
ocupação Marielle Franco, do Movimento de Trabalhadores Sem Teto, colocou o dedo na ferida: há uma acirrada disputa pelo centrão do Recife. Cerca de 200 famílias ocuparam o edifício SulAmerica, de propriedade da Empresa Nacional de Hotéis LTDA na segunda-feira, 19. Localizado na Praça da Independência, 91, o edifício tem seis pavimentos e faz uma curva suave na direção da Avenida Dantas Barreto, bairro de Santo Antônio.
Mapa dos imóveis com dívidas do
 IPTU acima de R$ 500 mil na RPA1
Fonte: Marco Zero
A escolha de um imóvel desocupado no centro não foi aleatória. O edifício tem dívidas acumuladas no valor preciso de R$ 1.507.771,03, dos quais R$ 1.416.641,17 inscritos na dívida ativa do município. Está entre as 30 maiores dívidas de um total de 3.740 imóveis devendo o imposto na Região Político Administrativa 1 (RPA1) – que compreende Santo Antônio e mais 10 bairros. O edifício estava desocupado há mais de 10 anos, portanto sem cumprir a função social exigido pela Constituição brasileira.
Tornou-se lugar comum afirmar que o centro da cidade do Recife está abandonado. Na verdade ele tem partes abandonadas – lugares fora das ideias que conduzem o planejamento urbano da cidade –, e partes que têm sido cobiçadas pelo mercado e apoiadas pelo poder público, com investimentos e incentivos. Para esses lugares há ideias, mobilização, planos, projetos, maquetes e negociações.
(..) O valor da dívida na RPA 1 é comparável ao que a atual gestão municipal estima angariar em 2018 em toda a cidade – cerca de R$ 382 milhões. É também equivalente ao custo de construir mais de 4 mil unidades habitacionais no padrão do Programa Minha Casa, Minha Vida. Imagine um investimento desse montante no centrão da capital pernambucana – praças, esgotamento, habitação, boulevards, escolas… (Continua)
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2018-05-05


quarta-feira, 2 de maio de 2018

Missão: Tudo é possível

Deu no The Guardian online 
29-04-2018, por Robert Booth e Frankie Crossley

Nearly 100 London councillors have links to property industry
Almost one in 10 councillors work for consultancies involved in planning or construction firms 
Some of the councils with the highest levels of hospitality or declared interests in property companies are producing levels of affordable housing that fall short of the London Mayor’s 35% target in the capital. In Wandsworth, where 17 councillors declared interests or entertainment with property companies, 19% of new homes built between 2013 and 2016 were affordable. In the City of London, where 12 councillors declared interests, only 3% were affordable.
Ravi Govindia, Wandsworth Council
Elected by the Conservative Council Group in 2011
Councillor since 1982
Montagem: à beira do urbanismo
Ravi Govindia, the leader of Wandsworth, strongly denied any link, stating that 1,700 affordable homes will be completed in the next three years and that “to suggest that we are not playing our part in delivering the low-cost housing London needs is complete and utter fallacy”.
Govindia, who is director of a gorilla safari business, was entertained by property companies 11 times in 2016 and the first half of 2017 including at Simpsons in the Strand and the Ned. He said: “It is important that we engage with property companies, housing associations and senior government officials so that they better understand our housing needs and priorities.” Govindia said he was “wholly open and transparent in my dealings”. (Continua)

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Acesse o Relatório Anual de Monitoramento do Plano de Londres 2015-16 pelo link


2018-05-02

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Monopólios urbanos: o negócio do século (3)

Deu no Valor Econômico online
10-04-2018, por Rodrigo Carro

Galeão dá início a investimento imobiliário 
Montagem: à beira do urbanismo
Imagens originais: Internet
Num momento de sobreoferta de espaços comerciais no Rio de Janeiro, a concessionária RIOgaleão deu início a um projeto de desenvolvimento imobiliário para aproveitar uma área superior a 900 mil m2 no entorno dos terminais do Aeroporto Internacional Tom Jobim e ao longo da sua principal avenida de acesso. Um primeiro contrato foi assinado para a instalação de dois novos hotéis da rede Accor no prédio que já abrigou a sede da Infraero no Rio. Com base em dois estudos sobre o potencial imobiliário da área, a concessionária privada espera atrair até R$ 1,3 bilhão em investimentos, incluindo um shopping center e um hospital.
O projeto se tornou viável a partir da publicação da portaria de número 143 pelo Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, em abril do ano passado. Ajustada posteriormente por outra portaria (nº 323), a 143 permite aos aeroportos concedidos estabelecer contratos comerciais com prazo maior que a duração da concessão. (Continua)


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2018-04-10


quinta-feira, 22 de março de 2018

Gosto não se discute

Deu no G1 
09-03-2018, por Em Movimento (Informe Publicitário)
https://g1.globo.com/especial-publicitario/em-movimento/noticia/arquitetura-se-adapta-as-novas-formas-de-morar-com-apartamentos-compactos-e-funcionais.ghtml


Arquitetura se adapta às novas formas de morar com apartamentos compactos e funcionais

Saiba por que espaços menores tornaram-se atrativos

Montagem: àbeiradourbanismo
Imagens originais: Internet
“A gente percebeu que o prédio é uma continuação da casa da pessoa. Em vez do jeito antigo, que projetava prédios desconexos, com salões de festas ociosos e espaços que ninguém usava, enxergamos o prédio como algo que faz parte da casa da pessoa”, explica Alexandre Frankel, CEO da Vitacon, incorporadora que no ano passado anunciou em São Paulo o lançamento dos menores apartamentos da América Latina, com 10m².

(..) A arquitetura interna das unidades é funcional, com espaços prontos para receber móveis práticos e com utilidades diversas: sofá-cama, paredes que viram mesas, portas de correr e todo tipo de estrutura para otimizar o espaço, como degraus para armazenar sapatos. A única divisória entre cômodos é a separação do banheiro.

“Quando as pessoas compram um apartamento assim, o que elas esperam é ganhar tempo. Ela vai passar menos horas no trânsito, por ser em regiões centrais, e então sobra mais tempo para fazer o que importa. Ela não gasta com manutenção, ela economiza tempo na limpeza. A vida fica mais prática e funcional, e bem mais interessante”, afirma Frankel.


Leia neste blog

"O Coeficiente de Aproveitamento e a valorização do solo",

"A braços com as peculiaridades da mercadoria terra urbana"


2018-03-22


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Renda da terra pra que te quero

Deu no GauchaZH 28-02-2018, por Dagmara Spautz

Avança projeto de alargamento da praia em Balneário Camboriú
Obra deve custar R$ 105 milhões  
Clique na imagem para amplia


Salvador? Recife? Fortaleza? Belém?



Não. Balneário Camboriú,
município da região catarinense
do Vale do Itajaí com população de
135 mil (!) habitantes em 2017,
47o. PIB municipal do país em 2014
e 145o. em rendimento médio per
capita em 2010; recém-afamado
como lugar dos edifícios mais altos
e do m2 mais caro do país.

Precisa ir a Brasília esmolar 100
milhões para alargar a praia arruinada
pela sombra dos arranha-céus?
A serem pagos com aluguel
de quiosques?

Para que serve a Outorga Onerosa do
Direito de Construir vigente na cidade?

Ou considerando, como admitem os
cobiçosos corretores, que “os imóveis
da cidade tenham uma valorização de
até 15% com o alargamento da faixa
de areia”, porque não financiá-lo
com o tradicionalíssimo instituto
da Contribuição de Melhoria?

Início das obras ainda depende de licenças ambientais e da captação de recursos para financiar o investimento.
(..) Nos últimos meses, o prefeito buscou apoio junto ao governo do Estado e levou o projeto ao presidente Michel Temer (PMDB). A mais recente aproximação foi com o BNDES, que é uma das opções de financiamento. A prefeitura pretende quitar o possível empréstimo com a arrecadação vinda da outorga de espaços públicos na Praia Central, como quiosques. Desde o ano passado o município possui a gestão plena das praias, mas ainda não regulamentou a forma como será feita a cobrança.
A justificativa da prefeitura para viabilizar o projeto é a perda de espaço na faixa de areia. Imagens de satélite mostram que houve um avanço significativo do mar nos últimos anos. A falta de sol por causa das sombras dos edifícios da orla na faixa de areia foi destaque nacional recentemente.
O Instituto +BC, entidade que financiou o projeto executivo do alargamento da faixa de areia, é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) formada por 15 empresários de Balneário Camboriú. (..)
O projeto executivo custou R$ 660 mil, bancados pelo instituto. Há interesse do empresariado local em garantir que a obra saia do papel, e que seja executada com qualidade para evitar problemas como a mudança no perfil da praia – torná-la mais perigosa, como ocorreu em Copacabana, pode ser fatal para o turismo em Balneário Camboriú.
Se tudo correr bem, a expectativa é positiva: corretores estimam que os imóveis da cidade tenham uma valorização de até 15% com o alargamento da faixa de areia.


 2018-28-02


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Devagar quase parando


Deu na Exame 27-02-2018, por Adriana Belisário, da Agência Pública

Porto Maravilha corre o risco de parar em 2018
Prefeitura diz que serviços na região podem ser suspensos por falta de dinheiro
A crise econômica atracou nos últimos anos no cais do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro (RJ). Às vésperas de completar nove de seus 30 anos de vida, a operação ficou refém do seu gigantismo e enfrenta dificuldades para pagar o consórcio formado pela Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia, que faz obras e serviços como limpeza de ruas e coleta de lixo na região.
Projetos licenciados no Porto Maravilha
Clique na imagem para ampliar
Bruno Fonseca/Agência Pública
Em entrevista exclusiva, Antônio Carlos Mendes Barbosa, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (CDURP), admite a possibilidade do projeto ficar sem caixa este ano.
(..) Para Mendes Barbosa, tudo vai depender do Fundo de Investimento Imobiliário do Porto Maravilha, controlado pela Caixa Econômica Federal (CEF). “Quem comprou os terrenos e/ou Cepacs têm o compromisso de dar liquidez”, diz ele, referindo-se à obrigação de a CEF garantir recursos. “Tenho conversado tanto com gestores quanto com cotistas do fundo sobre isso”, completa.
O combustível para mover as engrenagens do Porto Maravilha é a venda dos Certificados do Potencial Adicional de Construção (Cepacs) pelo fundo da CEF, que comprou todos os títulos da prefeitura, em lote único, em 2011 por R$ 3,5 bilhões. A compra usou recursos dos trabalhadores (FGTS), com a expectativa de revendê-los mais caros no mercado para empreendedores interessados em aumentar a quantidade de andares de seus imóveis na região.
Segundo o fluxo planejado, os Cepacs pagariam as empreiteiras, que se tornaram responsáveis não só por obras como também por serviços que no resto da cidade são realizados pela prefeitura, como a coleta de lixo. O problema é que foram poucos os compradores, e os Cepacs estão encalhados.
Não há novos projetos licenciados com consumo de Cepacs no Porto Maravilha desde meados de 2015. (Continua)


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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

No déficit, com teto

Deu no Arch Daily 01-02-2018, por Romullo Baratto
https://www.archdaily.com.br/br/887962/sao-paulo-destinara-edificios-desocupados-do-centro-para-moradores-de-rua

Edifício Prestes Maia
São Paulo destinará edifícios desocupados do centro para moradores de rua
A prefeitura de São Paulo pretende dar início a um programa de locação social para abrigar moradores de rua em edifícios desocupados do centro da cidade, em troca de benefícios aos proprietários dos imóveis, que poderão ter suas dívidas de IPTU abatidas e deixarão de pagar o IPTU Progressivo para imóveis vazios.

O sistema de locação social existe, na realidade, desde 2004, e atende atualmente 903 famílias em seis edifícios, que pagam valores até 15% de suas rendas em troca de moradia permanente, sem, contudo, obterem a propriedade dos imóveis - que permanece com a prefeitura. O novo programa já tem em vista 370 imóveis elegíveis e pretende disponibilizar mil novas unidades.

Uma das principais questões com esse tipo de programa é a manutenção e administração dos conjuntos. A iniciativa da prefeitura testará diferentes modelos de administração predial: em um dos edifícios haverá gestão direta da própria Cohab, outro será gerido por uma Organização Social, outro ficará sob responsabilidade de uma empresa privada e uma outra unidade será autogerida pelos próprios moradores.

Para fazer parte do programa, os edifícios deverão passar por reformas e adequações custeadas pelos proprietários, valor que poderá posteriormente ser abatido das dívidas de IPTU.

Embora seja um iniciativa necessária e muito bem-vinda na cidade, não basta, já que a demanda é muito superior às metas da prefeitura, alcançando, segundo estimativas, vinte mil pessoas que atualmente vivem nas ruas da capital paulista.

2018-02-02




quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Solo fértil II - adubar é preciso

Deu no NY Times online
03-01-2018, por Jonathan Mahler
https://www.nytimes.com/2018/01/03/magazine/subway-new-york-city-public-transportation-wealth-inequality.html

The Case for the Subway
It built the city. Now, no matter the cost — at least $100 billion — the city must rebuild it to survive


Waiting on the platform at Chambers Street. 
CreditDamon Winter/The New York Times
Clique na imagem para ampliar
(..) The subway’s importance to the city begins with a single, durable economic principle: Cities create density, and density creates growth. Economists call the phenomenon agglomeration. Not only does geographical proximity reduce costs, but it also facilitates the exchange of knowledge and spurs innovation. It’s a principle that holds true for better and worse and regardless of the industry. 
(..) If the story of the subway is the story of density, it is also the story of land — and more to the point, the story of land value. Before the first tracks had even been laid, real estate speculators were gobbling up farmland and empty lots along the proposed route and then quickly flipping their parcels at huge premiums to builders. When the subway recovered from its last major crisis, it again began throwing off enormous returns for the owners of the land above it. From 1993 to 2013, the average price for a co-op or condo in TriBeCa rose from $182 per square foot to $1,569. In the process, prime real estate in Manhattan was transformed from a place where people lived and built businesses into a high-yield investment in which absentee owners parked their money and watched it grow.
(..) In Hong Kong, the company that runs the subway also controls the property around it, earning huge amounts that it can then reinvest in service enhancements. The M.T.A., by contrast, is largely cut out of the land profiteering that it enables: Of the authority’s roughly $16 billion budget in 2017, about $460 million came from a tax on residential real estate transactions. An additional $520 million came from a tax on commercial sales. To put those numbers in perspective, several years ago, a group of economists calculated that the land in New York City — just the land, not the buildings on it — was worth about $2.5 trillion. One thing New York City has plenty of is money, and much of it is bound up in real estate, a kind of blank canvas with unlimited economic promise. (Continua)



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2017-01-03


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Solo fértil

Deu no Mail online
05-12-2017, por Ruairi Casey

As UK land value hits 5 trillion pounds, calls for new tax rise
(..) Land is worth 5 trillion pounds ($7 trillion) and makes up more than half of Britain's value, the Office for National Statistics (ONS) said.
Montagem: à beira do urbanismo
Imagens originais: creative commons
"Pretty much all of the problems in our housing system can be tracked back to the land market and the fact that land prices are outrageously high," Toby Lloyd, head of policy at the housing charity Shelter, told the Thomson Reuters Foundation.
"It's making housing absolutely, appallingly unaffordable."
Average British house prices have more than doubled in the past two decades, and more than quadrupled in London. But average wages have risen by only a fraction of that amount.
By separating the value of buildings and land for the first time, the ONS showed that land value grew much faster than other assets, such as houses and machinery.
As the stock of land is fixed and housing is in short supply, continued growth in land value is not surprising, said Julian Jessop, chief economist at the Institute of Economic Affairs, a free-market think tank.
The latest data sharpened calls to tackle Britain's housing crisis by introducing a tax on the value of underlying land, rather than property, a proposal made by the opposition Labour Party in its 2017 manifesto. (Continua)

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http://www.dailymail.co.uk/wires/reuters/article-5148939/As-UK-land-value-hits-5-trillion-pounds-calls-new-tax-rise.html#ixzz50rs48cZ6 


2017-12-13



domingo, 10 de dezembro de 2017

Círculo virtuoso II

Deu no Terra Brasil
06-12-2017, por DINO
Imóvel de alto padrão pode ser boa opção de investimento
Apesar da crise econômica que afeta o Brasil, o mercado ainda é considerado seguro 


Notícias publicadas todos os dias na imprensa comum e especializada dão conta de que o imóvel de alto padrão é uma ótima - senão a melhor - opção de investimento. E não só no Brasil. Por que?

Porque a irrefreável concentração de riqueza que marca a economia do século XXI tem o dom de retroalimentar a espiral de valorização dos imóveis mais luxuosos e bem localizados mesmo em um cenário global de baixo crescimento, estagnação dos salários e precarização do trabalho.

Velhos e novos, verdadeiros e falsos, físicos e jurídicos, quanto mais renda concentram os endinheirados do mundo inteiro, mais se dispõem a pagar por imóveis de alto padrão em Nova York, Los Angeles, Miami, Londres, Paris, Hong Kong, Dubai, Vancouver, Sydney, Lisboa, São Paulo e Rio de Janeiro, na expectativa razoável de que não faltará quem lhes cubra a parada a qualquer momento em que queiram vendê-los. 

Imóveis de alto padrão são o melhor veículo de investimento na concentração mundial da riqueza.

Meu palpite é que os cortes fiscais previstos na nova Lei de Impostos de Trump, que beneficiam principalmente os americanos verdes, maduros e podres de ricos, servirão de combustível extra para acelerar a espiral de preços imobiliários e a gentrificação dos grandes centros urbanos globais


2017-12-10


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

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Deu no Jornal de Negócios
06-12-2017, por Diogo Cavaleiro

Banco de Portugal não vê bolha no imobiliário
Montagem à beira do urbanismo
Imagens originais: Internet
A probabilidade de que os preços da habitação continuem a aumentar no futuro é bastante elevada´, sublinha o regulador.
Não há sobrevalorização das habitações no país, para já. Mas não é claro se não estará a acontecer em centros urbanos.
O mercado imobiliário tem vindo a crescer e o caminho deverá continuar a ser ascendente. Mas, para já, o Banco de Portugal não vê nenhuma bolha, segundo conclui no seu relatório de estabilidade financeira.



2017-12-07


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

As sete vidas da cidade-jardim III

Lewis Mumford (1895-1990)
A história do urbanismo ocidental - um empreendimento científico e cultural marcadamente anglo-americano abrigado, não por acaso, sob a rubrica do planning (town planning, city planning, urban planning, spatial planning, regional planning [1][2]) - é saturada de referências a Ebenezer Howard, à cidade-jardim, ao Garden City Movement e às inúmeras denominações das associações fundadas por Howard em 1899 e 1913, cujas existências se prolongam até os dias de hoje sob os nomes Town and Country Planning Association e International Federation of Housing and Planning.

Contudo, é do polímata norte-americano Lewis Mumford, um dos papas da matéria no século passado e maior patrocinador intelectual do legado de Howard, a afirmação, contida num artigo de 1965 para o New York Times [3], de que, muito contrário do que disse Jane Jacobs em Life and Death of the Great American Cities (1961), a influência howardiana no planejamento urbano norte-americano foi “praticamente nenhuma, limitada à ínfima exceção de Radburn e das [três] Greenbelt Towns iniciadas por Rexford Tugwell no segundo mandato de Roosevelt”, e, no britânico, algo como um “rastilho de ação lenta que levou meio século para detonar a explosão de cidades novas atualmente em curso” [Mumford, 1965].

Admitindo-se que ele tenha razão, resultaria que boa parte daquilo que se lê em artigos acadêmicos e livros de história urbana a respeito de Howard e da cidade-jardim howardiana não diz respeito, pelo menos até 1946, quando o Reino Unido sanciona o New Towns Act, a desenvolvimentos relevantes - por oposição a exemplos tão ilustres quanto excepcionais - que transcendam o plano das ideias.

Vejamos, a propósito, o que nos trazem dois importantes historiadores urbanos, Peter Hall [4] e Spiro Kostoff [5], o primeiro com foco no urbanismo, o segundo na cidade.

Inglaterra

É fora de questão que as cidades-jardim construídas no país de origem de seu criador são duas: Letchworth, fundada em 1903, e Welwyn, em 1920. É aqui mesmo, portanto, e desde muito cedo, que se estabelece a polêmica a respeito da propriedade de associar-se o termo “cidade-jardim” a um significativo número de novas urbanizações surgidas na Inglaterra das primeiras décadas do século XX - a mais famosa dentre elas Hampstead (1907), na então periferia de Londres, assinada por ninguém menos do que Raymond Unwin e Barry Parker, projetistas de Letchworth.


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Segundo Hall, “Hampstead foi um ponto de inflexão para o Garden City Movement na Inglaterra e para Unwin em particular, pois não se tratava, confessadamente, de uma cidade-jardim, mas de um subúrbio-jardim; não tinha indústria e dependia da acessibilidade proporcionada pela recém-inaugurada estação metroviária adjacente”. [Hall, p. 101]

Patrick Abercrombie admite num texto de 1910 que a Garden City Association tinha por objetivos a promoção não apenas de novas cidades em distritos rurais, mas também de subúrbios-jardim “para o alívio imediato das cidades existentes” e bairros-jardim “para a moradia de trabalhadores próxima aos seus locais de trabalho” [Hall, p 105]. O próprio Unwin, numa conferência ministrada na Universidade de Manchester em 1918, teria abjurado para sempre o credo howardiano ao "recomendar a construção de cidades-satélites próximas às cidades existentes, que seriam as suas fontes de emprego" [Hall, p. 108].

Em contraste, Ewart Culpin, futuro presidente do Royal Town Planning Institute, já em 1913 observava que “inúmeros empreendimentos assumem o qualificativo ‘cidade-jardim’ promiscuamente, sem nenhum direito, tendo em vista a sua natureza absolutamente estranha às concepções dos fundadores do movimento” [Hall, p. 105]. Oito anos mais tarde, em 1921, C. B. Purdon, editor da revista da Associação, escreveu: “Não existe um único distrito cujo conselho não reclame ter construído uma [cidade-jardim]; por toda parte construtores inescrupulosos exibem a marca em suas peças publicitárias (..) cidades-jardim propriamente ditas só existem, até hoje, duas: Letchworth e Welwyn” [Hall, p. 107].


O substrato material dessa polêmica é, evidentemente, o florescimento do negócio dos assentamentos suburbanos na Inglaterra da aurora do século XX. Ealing Tenants Limited, a primeira cooperativa habitacional londrina fora fundada em 1901, adquirira 12 hectares de terreno no extremo da The Mount Avenue em 1902, “antes ainda de Letchworth”, e contratara Unwin e Parker para projetar um “bairro-jardim modelo” em 1906 [Hall, p. 101]. Desde o comitê executivo da Co-Partnership Tenants Housing Company, "Unwin desenvolveu, em parceria com Parker, subúrbios-jardim na periferia de Leicester, Cardiff e Stoke-on-Trent". O Housing and Town Planning Act de 1909 permitiu que tais “‘Sociedades de Utilidade Pública’ tomassem dinheiro a juros baixos, daí resultando que, em 1918, mais de 100 delas existiam na Inglaterra” [Hall p. 102].



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Em 1919, o Addison Act consagrou as novas ideias de Unwin - agora membro insigne do poderoso Tudor Walters Committee - no programa de habitação social do pós-I Guerra britânico, daí resultando que, “das cerca de 1 milhão de moradias subsidiadas construídas por autoridades locais no entre-guerras, nenhuma - à exceção de um punhado em Letchworth e Welwyn - estava inserida em uma autêntica cidade-jardim” [Hall, 108].


O veredicto da polêmica envolvendo a natureza dos subúrbios-jardim e cidades-satélites periféricas às grandes cidades da Inglaterra parece ter sido proferido pelo próprio Howard. Em 1920, aos 69 anos de idade, “descrente da capacidade do governo para empreender a tarefa” de dar à luz a sua acalentada social-city, Howard, “sem consultar ninguém e sem ter dinheiro suficiente“, adquiriu uma grande propriedade em Welwyn obrigando a Garden Cities and Town Planning Association a sair em seu socorro. Assim nasceu, “por métodos não-convencionais”, 15 anos depois de Letchworth, a segunda e última cidade-jardim howardiana [Hall, p. 108].


Estados Unidos
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Kostoff resume a influência da cidade-jardim howardiana nos Estados Unidos às já citadas Radburn, em Nova Jersey, de 1928, assinada pelos “Parker & Unwin estadunidenses Clarence Stein & Henry Wright” - em que “os princípios howardianos do greenbelt  e da propriedade pública da terra foram deixados de lado, mas não o componente industrial, que sobreviveu até 1986” - e às Greenbelt Towns, de 1935, já em pleno New Deal, a cargo da United States Resettlement Administration - “o mais próximo que estiveram os Estados Unidos do modelo de Howard” [Kostoff p. 80].

Kostoff atribui a rejeição norte-americana das cidades-jardim - que seus proponentes e defensores insistiam não serem “subúrbios de cidades pré-existentes, mas comunidades autossuficientes com suas próprias oportunidades de emprego e aparatos de administração, cultura e serviços” - pelo fato de ser “quase impossível ao sistema norte-americano tolerar a propriedade comunal e os controles sobre  o uso da propriedade”, coisas que “recendem a socialismo e comunismo” [Kostoff p.78].

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Contudo, como “princípio de projeto de grande popularidade, extremamente flexível e facilmente adaptável a qualquer ideologia” -, o “paradigma da cidade-jardim” teria tido um apelo permanente em subúrbios norte-americanos de alta renda, com base, porém, em referências vernáculas como Glendale, Ohio (1855), e Riverside, Illinois (1869) - esta última assinada por Calvert Vaux e pelo arquiteto paisagista Frederick Law Olmsted, criador do Central Park de Nova York -, ambos bastante anteriores às cidades-jardim howardianas [Kostoff pp. 77, 79] [Itálicos meus].

Os subúrbios-jardim de Country Club District, em Kansas City, e Forest Hills Gardens, em Nova York, de 1915, são citados como exemplos excepcionais de urbanizações sujeitas a controles de uso do solo (étnicos e raciais inclusive). Forest Hills, com desenho nitidamente hampsteadiano e patrocínio da fundação filantrópica Russell Sage, comportava “famílias modestas” que poderiam “obter residências de modo similar ao das cidades-jardim inglesas’” [Kostoff p. 79].

Outros subúrbios-jardim mencionados por Kostoff são as comunidades-modelo produzidas, durante a Primeira Guerra Mundial, pelo “relutante” programa federal de habitação popular Emergency Fleet Corporation (Yorkship Village, em Camden, Union Park Gardens, em Delaware e Buchman Village, na Pensilvânia) e as vilas operárias de Goodyear Akron, Ohio e Billerica Garden Suburb, Massachusetts, ambas de iniciativa mista [Kostoff p. 79].

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A versão de Peter Hall sobre a trajetória da cidade-jardim em território norte-americano é, não por acaso, tão pródiga em ideias quanto pobre em exemplos. Para além das já mencionadas Radburn, Forest Hills Gardens e Greenbelt Towns, Hall destaca a criação de Sunnyside Gardens, um subúrbio-jardim de Nova York construído por Alexander Bing e que teve Mumford como um de seus primeiros residentes, e “duas outras Radburns” que tiveram o próprio Stein como consultor - Chatham Village (1932), na periferia de Pittsburgh e Baldwin Hills Village (1941), em Los Angeles. As três “Stein-Wright Radburns” são, para Hall, “as mais importantes contribuições norte-americanas à tradição da cidade-jardim”, embora “tenham há muito submergido na expansão dos subúrbios” [Hall p.128-29]

A indiscutível estrela da seção de Cities of Tomorrow dedicada à trajetória da cidade-jardim em solo norte-americano é a Associação Estadunidense de Planejamento Regional (RPAA), um clube de adeptos da cidade-jardim howardiana como instrumento e objeto da descentralização urbana, de enorme lastro profissional e intelectual, cuja maior façanha foi, no entanto, ter lançado uma ponte entre a social-city de Howard - a rede de cidades-jardim a serem criadas como alternativa à atratividade das velhas metrópoles - e o New Deal rooseveltiano pela via do planejamento regional preconizado por Patrick Geddes. Tal é, inequivocamente, o vetor do “programa de cinco pontos” adotado pela RPAA em 1923, por ocasião de uma visita de Geddes aos Estados Unidos:


(1) desenvolvimento de  relações com os planejadores britânicos
(2) criação de cidades-jardins no âmbito de um plano regional
(3) desenvolvimento de planos e projetos regionais para promover a Appalachian Trail
(4) colaboração com a comissão de Planejamento de Comunidades do Instituto Estadunidense de Arquitetos para propagar o regionalismo
(5) realização de estudos de áreas críticas, notadamente o Vale do Tennessee


Ao final da seção dedicada à RPAA, Hall conclui que “de tudo isso, muito pouco virou política pública nos EUA dos anos 1920. (..) Por intermédio de Alexander Bing, a Associação trouxe à luz duas comunidades experimentais: Sunnyside Gardens, em New York City, e Radburn, em New Jersey. No mais, o que conseguiu foi vender sonhos de longo prazo” [Hall p. 156] ]

Para Hall, como para Mumford, a cidade-jardim howardiana é, na melhor das hipóteses, uma gota no oceano da expansão suburbana estadunidense.

Europa Continental


A seção de Cities of Tomorrow dedicada à trajetória da cidade-jardim na Europa Continental é uma pérola de anglocentrismo - um tema que deixaremos para comentar em texto mais propício. Por ora, basta dizer que, na opinião de Hall, o conceito foi “completamente diluído” na transposição da Mancha por advogados que reclamavam, eventualmente até com justiça, ter formulado por si mesmos conceitos de cidade-jardim “sutil, mas significativamente distintos do de Howard” [Hall p. 112].

Na Espanha, Hall não encontra material suficiente para mais que um breve comentário, bastante despectivo aliás, sobre a Cidade Linear do espanhol Arturo Soria y Mata, cuja formulação antecede em seis anos a publicação de To-Morrow e cujas obras antecedem em uma década a fundação de Letchworth. A cidade linear - mais exatamente uma “cidade-jardim planejada linear” oferecida ao público sob o slogan “A Cada Família Uma Casa, em Cada Casa uma Horta e um Jardim” -, que teve construídos apenas cinco dos 48 quilômetros previstos ao redor de Madri, “não passava de um subúrbio dormitório de caráter meramente comercial” logo "engolido pelo formidável crescimento da metrópole”  [Hall p. 113].


Quanto à França, um parágrafo é dedicado à Cidade Industrial do francês Tony Garnier -  o “Howard francês” que a postulou no mesmo ano de 1898, mas só trouxe à luz 20 anos depois -, uma urbanização hipotética “economicamente dependente de uma única grande siderúrgica (..) baseada na propriedade comum, desprovida de instituições repressivas como delegacias, tribunais e igrejas” e, quanto ao traçado, “marcada por bairros residenciais em malha ortogonal ao longo de grandes avenidas axiais” [Hall p. 113].

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Howard teria, porém, influenciado diretamente o jurista e jornalista Georges Benoit-Levy, criador da Association des Cités-Jardins de France e promotor de uma confusão elementar entre a cidade-jardim e o subúrbio-jardim” da qual os “franceses, incuravelmente urbanos, nunca se livraram”. Daí resultou a implantação, entre 1916 e 1939, de 16 cités-jardins na periferia de Paris sob responsabilidade do já citado Henri Sellier, que “não apenas sabia que sua interpretação não era puro Howard, mas a variante unwiniana produzida em Hampstead”, como “mandou seus arquitetos visitarem Unwin em 1919 e usou seu livro-texto como guia para os projetos” [Hall p. 114].

Kostoff registra a adesão de Benoît-Levy à cidade-jardim howardiana, na primeira década do século XX, como “alternativa à expansão especulativa dos loteamentos periféricos” na França. No quadro de um “colapso do mercado habitacional privado que se seguiu à Primeira Guerra Mundial, Sellier “adotou a cidade-jardim como modelo para seu trabalho à frente do Departamento de Moradia Popular de La Seine”, cujos primeiros projetos foram elaborados “à maneira inglesa”, “no espírito de Letchworth”. Mais tarde, na década de 1930, os projetos ganharam maior densidade e as residências unifamiliares acabaram substituídas por blocos de apartamentos de 4 pavimentos [Kostoff p. 77].


O prototípico “Howard alemão” foi, para Hall, Theodor Fritsch, um “raivoso propagandista do racismo” que trouxe a público a sua Cidade do Futuro dois anos antes (1896) do modelo howardiano e “era obcecado pela certeza de que Howard havia roubado a sua ideia” - um “esquema urbano circular com propriedade comum do solo, separação de usos, centro destinado a jardins públicos, greenbelt, moradias unifamiliares e periferia industrial, mas de dimensões muito maiores que a cidade howardiana e não destinada à descentralização urbana que está no centro de sua concepção” [Hall p. 114].


Foi o negociante Heinrich Krebs quem “trouxe da Inglaterra o livro de Howard, mandou traduzi-lo, organizou uma conferência e fundou o equivalente alemão da Garden City Association”, tornando-se assim o pioneiro de uma coorte de seguidores não exatamente de Howard, mas de Unwin, na criação de colônias operárias e subúrbios-jardim espalhados pela Alemanha [Hall, p. 115].


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Margarethenhöhe, na periferia de Essen, “bairro-jardim promovido pela família Krupp em 1912 como a última de uma longa série de colônias industriais iniciada em 1863”, é uma “New Earswick transplantada” por Georg Metzendorf, arquiteto alemão que teria aqui logrado ser “mais uniwiano do que o próprio Unwin” [Hall p. 115].

Hellerau, uma “jóia sem igual” na periferia de Dresden, era “essencialmente um subúrbio-jardim no final de uma linha de bondes”, com “casas geminadas na tradição Unwin-Parker e um layout de caminhos para pedestres que antecipa Radburn em duas décadas” [Hall p. 115].

As pequenas cidades-satélites de Nidda, Praunheim e Römerstadt, na periferia de Frankfurt, faziam parte de um programa estatal de construção de 15.000 residências em áreas rurais adquiridas a baixo preço pela municipalidade. Criadas entre 1925 e 1933 pelo arquiteto-planejador Ernst May, “que trabalhara com Unwin em 1910, em Letchworth como em Hampstead e mantinha com ele estreito contato”, conservaram o padrão unwiniano de densidade (casas unifamiliares), mas não de arquitetura, “intransigentemente moderna”. Apesar de isoladas por modernas rodovias e “inteiramente absorvidas em uma grande e amorfa cidade-satélite chamada Nordweststadt”, encontram-se hoje “totalmente gentrificadas, com somente 11 por cento dos trabalhadores blue-collars para os quais foram projetadas” [Hall pp. 117-18].


Siemestadt
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Martin Wagner, planejador que “não acreditava em cidades-satélites”, foi o mentor de Siemenstadt, complexo residencial criado entre 1929 e 1931 pelo gigante do setor elétrico nas proximidades da estação metroviária de Siemensdamn, na periferia de Berlim, composto por blocos de apartamentos de quatro e cinco pavimentos projetados por grandes nomes da arquitetura alemã. Foi também o criador de Onkel-Toms-Hutte (1926) e Britz (1931), “puros subúrbios-jardins” desenvolvidos pela Gehag - agência de habitação subsidiada criada em 1924 - sobre extensões do Metrô de Berlim. “Ambos esplêndidos, mas, ironicamente, antíteses da ideia de cidade-jardim” [Hall p. 119].

Finalmente, uma breve menção é feita por Kostoff ao uso dos diagramas de Howard pelo russo Vladimir Semionov para ilustrar o projeto da comunidade de trabalhadores ferroviários de Prozorovska, de 1912, e ao papel da cidade-jardim na polêmica pós-revolucionária a respeito da descentralização urbana, descartada em 1932 como antagônica aos interesses do Estado [Kostoff p.78].


Conclusão


A influência da cidade-jardim howardiana - trazida a público em To-morrow [6] e à vida em Letchworth e Welwyn - no desenvolvimento urbano do Ocidente é um objeto fugidio a oscilar no pêndulo de uma patente contradição: seus maiores apóstolos, ao mesmo tempo que lhe atribuem foros de fato indisputável, dedicam-se a acumular evidências de que ela jamais, ou quando muito raramente e de maneira pontual e insatisfatória, se materializou, pelo menos até o momento em que, na Grã-Bretanha do imediato segundo pós-guerra, o New Towns Act dá início a um extenso programa de construção de cidades novas no marco do esforço nacional de reconstrução urbana e reposição-expansão acelerada de seus estoques habitacionais.

Mumford não apenas atribui a Howard a paternidade, antecipada em meio século, do programa britânico das New Towns - “um rastilho de ação lenta que levou meio século para detonar (“causar” é o termo original) a explosão de cidades novas atualmente em curso” - , como fornece a Hall, que o replica 23 anos depois, o mote da vindicação mundial da cidade-jardim - “ao longo da última década as cidades-jardim, agora chamadas New Towns, se multiplicam por todo o mundo”, uma provável referência a programas congêneres espalhados por toda a Europa sob os auspícios do Plano Marshall.

Não há, pois, melhor época e lugar do que a Europa do pós-Segunda Guerra Mundial para continuar a busca da real - e imaginária - influência da obra de Ebenezer Howard na construção da cidade ocidental.


Deixo, também, para uma próxima contribuição a tarefa de esmiuçar o fascinante artigo de Mumford, incluindo o conteúdo e o método de sua diatribe com Jane Jacobs. O método, em especial, deverá servir para trazer à baila a abordagem de Françoise Choay, um dos grandes expoentes da historiografia do urbanismo no século XX.

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NOTAS

[1] Raymond Unwin publicou em 1909 o seu clássico estudo de desenho urbano sob o título Town planning in practice: an introduction of the art of designing cities and suburbs.


[2] A mais festejada instituição histórica do urbanismo nos Estados Unidos, povoada de nomes ilustres como Lewis Mumford, Clarence Stein, Benton MacKaye, Alexander Bing e Henry Wright, embora expressamente dedicada a estudos e projetos urbanos, autodenominou-se Regional Planning Association of America por influência de Patrick Geddes, que a visitou em junho de 1923, logo após a sua fundação.


[3] Mumford, Lewis. “Revaluations I: Howard’s Garden City”, em New York Times 08-04-1965,
ttp://www.nybooks.com/articles/1965/04/08/revaluations-i-howards-garden-city/

[4] Hall, Peter. Cities of Tomorrow [1988], Blackwell, Londres 1996


[5] Kostoff, Spiro. The City Shaped [1991], Thames and Hudson, Londres 1999


[6[ Howard, Ebenezer. To-morrow: A Peaceful Path to Real Reform, Londres 1898



2017-11-10