quarta-feira, 20 de junho de 2012

O Que É: Bolha Imobiliária

Deu em Uma estranha e gigantesca ave sobre Barcelona
http://www.avebarna.com/ 

Glossário de Sociologia e Política Contemporâneas

Bolha imobiliária: Eufemismo que faz passar por secundário o papel da indústria do financiamento imobiliário e seus derivativos na economia de mercado contemporânea e por conjunturais os seus espasmos cada vez mais frequentes e devastadores. Sabe-se, no entanto, que o prestígio cada vez maior da mencionada indústria junto aos banqueiros e investidores - vale dizer, os proprietários privados de terabytes de capital sedento de valorização - provém da miraculosa capacidade que tem o solo urbanizado e bem localizado, ao contrário de quase todas as demais mercadorias (que inundam esse mundo de Deus sem ter, muitas vezes, quem as queira comprar), de tornar-se a cada dia mais essencial, mais escasso e, por conseguinte, mais valorizado e lucrativo – e o que é melhor: sem demandar um único centavo de investimento privado! O problema é que, por mais que os agiotas, digo, os banqueiros e investidores, se aproveitem da contínua valorização da terra urbana para fabricar dinheiro refinanciando os imóveis e vendendo os papagaios a outros agiotas, no fim das contas - no início da fila, para ser exato -, é indispensável que os pobres dos mutuários honrem seus compromissos. E é aí que a porca torce o rabo.

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sábado, 16 de junho de 2012

Prodígios do urbanismo olímpico: autódromo em... Deodoro!

(A propósito de manifestação da vereadora Sônia Rabello contra a apropriação da área militar de Deodoro para a construção do novo autódromo.)

A decisão de construir o novo autódromo nesse terreno, o mais obviamente adequado, por seu tamanho, forma, massa arbórea e localização/ acessibilidade por transporte público*, à instalação de um autêntico Parque Metropolitano de acesso controlado e povoado de instituições de pesquisa, parece-me uma estupidez digna do "urbanismo olímpico". Por que não fazer o novo autódromo fora da zona urbana, por exemplo na região plana e vazia situada entre a Rodovia Presidente Dutra e a Rodovia de Seropédica (BR 465) - contígua ao futuro anel rodoviário?


*Avenida Brasil com o ramal ferroviário de Japeri (Nova Iguaçu), em meio a um oceano urbano de alta taxa de ocupação do solo, baixa renda e pouquíssima oferta de serviços públicos e amenidades, no centro de gravidade da cidade metropolitana a 0este da Baía de Guanabara.


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PS: O Autódromo de Seropédica teria a vantagem adicional de obrigar a uma ação pública ao menos defensável como "legado  olímpico", qual seja a duplicação e/ou redesenho da rodovia BR-465, conhecida como "Antiga Rio-São Paulo", com urbanização dos bairros lindeiros, hoje uma "verrrgonha nacionallll", como diriam os avoengos. As comunidades do Baixo Guandu e a Universidade Federal Rural agradeceriam penhoradamente.


2012-06-16


quarta-feira, 13 de junho de 2012

O Que É: Falta de Planejamento

Deu em Uma estranha e gigantesca ave sobre Barcelona
http://www.avebarna.com/

Glossário de Sociologia e Política Contemporâneas 
Falta de planejamento: Argumento de que lançam mão os jornalistas da grande imprensa, em geral adversários dos impostos, dos gastos públicos e do planejamento econômico, quando constrangidos a comentar os efeitos das turbulências naturais sobre as casas das pessoas que não têm acesso à terra urbanizada e adequadamente localizada quer pela via do mercado formal de imóveis quer por meio de programas do governo.

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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Incontornável indiferença?

Deu n’O Fluminense
18/05/2012, por Ciro Cavalcante
http://jornal.ofluminense.com.br/editorias/cidades/desapropriacao-da-contorno-deixa-moradores-inseguros
Desapropriação da Contorno deixa moradores inseguros
Conforme anunciado pela Autopista Fluminense, concessionária responsável pela duplicação da Avenida do Contorno, 103 famílias de um trecho da Avenida do Contorno, no Barreto, podem sofrer desapropriação para realização das obras de duplicação da via.
(...) “Há cerca de dois meses apareceram pessoas que se apresentaram e informaram que talvez seja necessário que abandonemos nossas residências para dar espaço para as obras. Eles percorreram cerca de dez casas aqui da Travessa e em todas foi realizada o mesmo procedimento: o cadastramento dos moradores, recolhendo os respectivos documentos pessoais e dos imóveis, fazendo medição das casas e do terreno, além de documentar tudo através de fotografias. Eles declararam que um engenheiro viria nos informar sobre os próximos passos, dizendo quais casas efetivamente vão ser desapropriadas e tratariam conosco toda a questão de indenização”, disse a aposentada Laureci de Jesus, de 63 anos.


Há quanto tempo os responsáveis pela duplicação Avenida do Contorno – cujo atraso tem pelo menos 1/4 de século – já não sabiam que seria necessária a realocação de mais de 100 famílias afetadas pelas obras?

Será possível que até hoje as autoridades fluminenses ainda não entenderam que a mera “desapropriação” de moradores informais, ou de poucos recursos, é um injustificável ato de violência e que a sua realocação em novas residências, o mais próximas possível do local onde moram, tem de fazer  parte do planejamento, projeto e execução de qualquer obra viária?

Faz sentido gastarmos centenas de milhões com ações de urbanização de favelas  e subsídios do Minha Casa Minha Vida e ao mesmo tempo condenar, nas mesmíssimas cidades, moradores afetados por uma obra viária à política do "tomem o dinheiro e se virem” - num mercado imobiliário poderosamente inflacionado? 

De que serve, neste caso, a experiência acumulada em 50 anos de projetos de reurbanização de favelas e loteamentos populares no Brasil? Até na Linha Amarela, Rio de Janeiro, via expressa que está longe de poder ser chamada de "projeto urbanizador", construíram-se novas moradias para os desalojados das obras - por iniciativa da Secretaria Municipal de Habitação! 

Como podem as autoridades fluminenses, numa época em que o governo da cidade do Rio de Janeiro se propõe a gastar milhões na demolição de infraestruturas viárias anti-urbanas construídas na onda desenvolvimentista dos anos 1950-70,  não terem ainda percebido que toda obra viária em meio urbano tem de ser concebida como uma ação urbanizadora?

Será a onda desenvolvimentista dos anos 2005-2015 tão cega, surda e muda em relação ao ambiente urbano e seus usuários quanto a sua antecessora? 

Olhem a foto aérea, leitores,  e digam se lhes parece particularmente difícil combinar-se a duplicação da Av. do Contorno com uma ação de reurbanização e reassentamento das famílias desalojadas no mesmíssimo bairro onde residem, com recursos do PAC e do programa Minha Casa Minha Vida! 

De que se trata? Mera incapacidade de aprender ou incontornável indiferença burocrática?



2012-06-04


sábado, 2 de junho de 2012

Salve, Tocha!

Deu n’O Globo online
11-05-2012, por O Globo
http://oglobo.globo.com/olimpiadas2012/tocha-olimpica-acesa-na-grecia-comeca-peregrinacao-ate-londres-4860066

Tocha olímpica é acesa na Grécia e começa peregrinação até Londres


Acho que essa manchete saiu com erro de edição. O certo deve ser:

Grécia leva tocha olímpica acesa e sai em peregrinação até Bruxelas   

Falando nisso, e Caio Martins, o escoteiro-padrão do Brasil: será, afinal, colocado a serviço do esporte ou só vai mesmo levar a tocha olímpica?


2012-06-02