sexta-feira, 18 de julho de 2014

"Sonho, pesadelo, delírio ou alucinação? Acorde, BH, caia na real!"

Por Edésio Fernandes, divulgado pelo autor via Facebook em 03-11-2013
  
Edésio Fernandes é jurista e urbanista brasileiro radicado na Inglaterra, membro da DPU Associates, professor associado de diversas universidades e consultor jurídico internacional.

Os jornais locais de Belo Horizonte têm publicado uma série de reportagens sobre as muitas mudanças propostas para a cidade pela Prefeitura Municipal e pelo Governo do Estado, envolvendo complexas operações urbanas e compreensivos projetos de revitalização do chamado “Hipercentro”, além de diversos planos específicos para o desenvolvimento urbano de áreas na região do Aeroporto de Confins e da Lagoa dos Ingleses. Fala-se de “Cidade-Aeroporto”, fala-se em reservar o Aeroporto da Pampulha para receber preferencialmente os aviões dos inúmeros executivos estrangeiros que vão querer se localizar nessa cidade renovada e plenamente integrada no contexto internacional, uma verdadeira cidade global. Fala-se da cidade como o novo paraíso dos “start-ups”. Fala-se na construção da “Torre mais alta da América Latina”. Fala-se na venda em leilão público em breve dos direitos de construção e desenvolvimento correspondentes a milhões de metros quadrados, para recriação de um enorme percentual da cidade hoje existente – a “Nova Belo Horizonte” recentemente promovida pelos editores da Revista Veja. 
Todos esses planos e projetos são acompanhados por belas e sofisticadas representações visuais indicando os resultados finais dessas intervenções do Poder Público, diretamente ou em parceria com o setor privado. São imagens preparadas pela equipe técnica da própria PBH ou por escritórios de arquitetos e urbanistas locais, nacionais e cada vez mais internacionais (da Inglaterra e da Cingapura, dentre outros) contratados pela PBH e pelo Governo do Estado, ou mesmo contratados diretamente pelo setor privado, promotores imobiliários e proprietários de terras. Usando das infinitas possibilidades da tecnologia contemporânea, tais representações visuais dos resultados dos planos e projetos uma vez completados são inegavelmente atraentes, sugerindo que Belo Horizonte estaria se transformando uma cidade afluente, ordeira, moderna. Prédios maravilhosos, torres altíssimas, construções sofisticadas, bosques a perder de conta, equipamentos públicos abundantes e áreas de lazer por todo lado: parece que Belo Horizonte estaria se transformando em uma cidade realmente internacional, com uma forte ênfase na preservação ambiental, e que poderia sem problemas ser comparada com outras cidades globais.  

Mas, essas imagens têm me incomodado... e eu tenho me perguntado se tais representações visuais correspondem a realidade, ou se são meras fantasias de arquitetos e urbanistas? Mais ainda, reais ou fantasiosas, tais imagens são desejáveis? 

Tentando responder a primeira pergunta – se tais representações são reais -, busco referências na minha própria experiência, a experiência de quem nasceu em BH, viveu lá por mais de metade de sua vida e, em que pese a distancia, ainda conhece bem a cidade, mantém laços de diversos tipos com a cidade, vai até lá regularmente, acompanha as muitas mudanças e, sobretudo, ainda gosta da cidade apesar do tempo vivido fora dela.

(Continua)

Para a íntegra do texto, clique no link 



2014-07-18

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