segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

O mapa da mina

Deu no NY Times
02-02-2021, por Alice Park, Charlie Smart, Rumsey Taylor e Miles Watkins

An Extremely Detailed Map of the 2020 Election
 


Este precioso mapa mostra em detalhes um aspecto bastante comentado a respeito da eleição de Biden nos EUA: num ambiente de acirrada polarização, ela fez valer o peso das multidões urbanas, inclusive em estados tradicionalmente arquiconservadores.

Faz-me pensar num aspecto crítico da grande metrópole no mundo contemporâneo. O marxismo cultural não existe, mas o socialismo cultural, num sentido muito preciso, sim: não como ideologia, mas como força material. É nas grandes metrópoles que o caráter social da (re)produção capitalista - fundamento de todos os “socialismos” modernos, que, nascidos em distintas classes e segmentos da sociedade, são de conteúdo variado e até conflitantes entre si - torna-se visceralmente perceptível e faz emergir os direitos coletivos como saúde pública, educação gratuita, moradia e transporte subsidiados e toda sorte de prerrogativas democráticas e reivindicações igualitaristas como aspectos “naturais”, imprescindíveis, da vida dos cidadãos-trabalhadores. 

Eis aí a contradição essencial da grande metrópole contemporânea, essa armadilha civilizacional concentradora, diria quase monopolizadora, de crescimento econômico, inovação e acumulação de riqueza, portanto também de empregos, meios de vida, precariedade e pobreza.

Como livrar aquela força material das muralhas que a contêm é, já faz quase dois séculos, a “questão de um milhão de dólares”. Mas essa é outra história, que transcende em muito o escopo deste blog.   

2021-02-08