quarta-feira, 2 de outubro de 2019

O Buraco do Lume, o Terminal Garagem e o sumiço do solo público no coração do Rio

Praça Mário Lago
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Decidido a não ficar para trás na disputa com seus pares pelo título de governante mais infame do Brasil, o prefeito Crivella, que recém assombrou o mundo com o envio de uma equipe de fiscais à Bienal do Livro para recolher um gibi que trazia na capa um beijo gay, acaba de mandar à Câmara Municipal do Rio de Janeiro um Projeto de Lei Complementar que concede ao pretenso proprietário de um pedaço da Praça Mário Lago, núcleo geográfico e simbólico do Centro da cidade, o direito de lá erguer um arranha-céu comercial.

Que coincidência! O terreno em questão, imortalizado na crônica carioca como Buraco do Lume, acaba de ser arrematado em leilão por um “investidor anônimo”, pela quantia nada módica de 8,4 milhões de reais, [1] a uma empresa associada à Bradesco Seguros, que por sua vez o adquiriu como parte da massa falida do extinto Banco do Estado do Rio de Janeiro - BANERJ.

Como ninguém gasta tanto dinheiro na compra de um terreno sem a expectativa de recuperá-lo com um ótimo retorno, [2] é óbvio que o “investidor anônimo” deve estar seguro de que conseguirá a aprovação do projeto legislativo do prefeito para viabilizar a construção. Ou quem sabe, considerando o péssimo estado da economia e a superoferta de espaço comercial no Centro da cidade, especule com a desapropriação do terreno por interesse público - avaliada não com base na lei vigente desde 1986, que só permite o uso da área para a instalação de equipamentos culturais, mas pela nova lei, que restabelece os generosos parâmetros de edificabilidade e uso vigentes 30 anos atrás! Em tempos de vale-tudo, tudo vale. 

Para um histórico amplamente documentado e ilustrado desse imbróglio jurídico- administrativo, recomendo ao leitor os artigos “Buraco do Lume”, do geógrafo Brasiliano Vito Fico, e a resenha “Mais sobre o buraco do lume – antecedentes importantes”, publicados no blog Urbe Carioca nos dias 11 e 20 de setembro [3]. Eu o resumiria da seguinte maneira:

  • Em junho de 1970 a área pública delimitada pelas ruas São José, Quitanda e Av Nilo Peçanha é desafetada do uso comum e incorporada como bem dominical ao patrimônio do Banco do Estado da Guanabara – BEG.
    Detalhe do "PA 8903",
    de agosto de 1970,
    que prevê a criação
    do Lote 1 da Quadra A
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  • Em agosto de 1970 o parcelamento e a edificabilidade da área são regulados pelo instrumento normativo (incorretamente batizado) “Projeto de Alinhamento 8903” [4]: é previsto um lote de 2.500m2, com 70.000m2 edificáveis e frentes para as ruas São José, Quitanda e Av Nilo Peçanha; e um triângulo remanescente “a ser doado ao Estado para implantação de praça pública”.
  • Em fins de 1970 o terreno correspondente ao Lote 1 da Quadra A do “PA 8903” é vendido pelo BEG ao Grupo Empresarial Lume. Associado ao grupo Halles, o LUME começa a construir aí o seu edifício-sede.
  • Em 1974 a nova praça é urbanizada, com lago e passarelas, com o nome de Melvin Jones, fundador do Lions Club International. 
  • Em 1975 o Halles sofre intervenção federal e é comprado pelo próprio BEG. Em 1976 o Grupo Lume, em situação falimentar, também é alvo de intervenção do Banco Central. Abre-se uma longa e obscura questão judicial. O terreno, escavado para a construção das fundações e garagens do edifício, converte-se numa pocilga batizada pela população como “Buraco do Lume”.
  • Em abril de 1979 o Buraco é aterrado pelo prefeito “biônico” Israel Klabin, sem desapropriação, e passa a ser usado pelo povo como extensão da Praça Melvin Jones. 
  • Em 1986, por decreto do prefeito Saturnino Braga, o uso e edificabilidade do terreno são radicalmente alterados, permitindo-se somente usos culturais (cinema, teatro, biblioteca e livraria) e edificação com altura máxima de 17,00m, sobre pilotis. 
  • Em fins da década de 1990 a praça Melvin Jones é rebatizada Mário Lago, em homenagem ao advogado, poeta, radialista, compositor e ator carioca.
  • Em 2009 a praça Mario Lago é reurbanizada, adquirindo as características atuais.
  • Em 2013, com a compra dos ativos do BANERJ (ex-BEG), o terreno passa ao controle do Bradesco.
  • Em setembro 2019 o terreno é arrematado por R$ 8,4 milhões, em leilão ocorrido na capital paulista.

No entender de Sonia Rabello, especialista em Direito Urbanístico, o registro do “Buraco do Lume” como propriedade privada é um anacronismo cartorial, uma formalidade
“ab-rogada pela usucapião pública da praça lá localizada na integralidade do terreno desde o seu aterramento nos anos 80 pelo prefeito Klabin, em função do abandono e desídia do antigo proprietário; praça esta, desde então, de uso comum do povo, e oficialmente designada como logradouro público”.[5]
Sou da mesma opinião. E peço a atenção do leitor para duas ou três observações sobre este que é, para mim, um capítulo dramático da história do espaço público no Centro do Rio.


Morro do Castelo, início do século. A
linha vermelha indica a posição aproximada 
da área pública legada ao centro 
moderno pelo desmonte.
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O terreno em questão é a penúltima fração ainda disponível para uso comum de uma generosa área pública legada pelo desmonte do Morro do Castelo, em 1922, ali onde a vertente norte confrontava o velho centro comercial, mais exatamente a Rua S. José.

O espaço se estendia do Largo da Carioca à Igreja de S. José, (diríamos hoje entre o Metrô da Carioca e Praça XV), tendo de um lado o velho centro comercial ao norte da rua São José e de outro o novo setor de escritórios ao sul da Erasmo Braga / Nilo Peçanha, nascido do desmonte do Morro e batizado Esplanada do Castelo. Em si mesmo um movimentado corredor de passagem de pedestres, sobretudo devido à Estação das Barcas da Baía de Guanabara, servia como um vazio de transição, ou charneira, entre o entramado colonial/imperial das ruas da Assembléia, Ouvidor, Rosário e Alfandega e a urbe proto-moderna do Castelo, implantada segundo as regras do Plano Agache.

Centro do Rio. As áreas claras mostram o espaço público legado pela demolição do Morro do Castelo. O triângulo corresponde à atual Praça Mário Lago, incluindo o Buraco do Lume, e o retângulo a área atualmente ocupada pelo Terminal Garagem Menezes Cortes - antigo Terminal Erasmo Braga (Praça Presidente Antonio José de Almeida) 
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Vista aérea da área pública ocupada pelo Terminal Erasmo Braga em 1964. O espaço é delimitado lateralmente pelas ruas São José (esq) e Erasmo Braga (dir). Ao fundo, o Edifício Estácio de Sá (1954-6) a Igreja de São José e a Assembléia Legislativa. Mais além, a Estação das Barcas e a Baía de Guanabara.
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Indícios razoavelmente claros da situação fundiária desse "common" estendido estão dados no documento municipal de 1956 intitulado “Projeto de Ampliação da Estação Central de Ônibus (Terminal Erasmo Braga) - PA 6739". Nele, a área já ocupada pelo terminal aparece como logradouro público, não superposto a nenhum lote privado. Cabe mencionar que, numa imagem da década de 1950 disponível na Internet, o terminal aparece referido como "Praça Presidente Antonio José de Almeida". Já o prolongamento do terminal sobre a área da atual Praça Mario Lago, afunilando em direção à Avenida Rio Branco, mostra o atingimento de alguns móveis remanescentes no lado ímpar da Rua São José, a serem, neste caso, desapropriados.


Projeto de Ampliação da Estação Central de Ônibus” ("PA 6739")
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Este dado parece corroborar a opinião de Decourt, expressa no saite Foi um RIO que passou: 
“Com a demolição do morro e os planos urbanísticos para a Esplanada do Castelo, a pequena área atrás do lado ímpar da Rua de São José entre a Rua da Quitanda e Ajuda, renomeada à época de Rua Chile, foi confusa, principalmente pois os terrenos de alguns sobrados avançavam sobre as fraldas do morro. Essa indecisão provocou uma curiosa situação, enquanto novas avenidas eram abertas como a Erasmo Braga, Graça Aranha, Nilo Peçanha, o trecho da São José permanecia ali, inclusive com grandes pedaços do Morro do Castelo (..) em plenos anos 50.” [6]
Detalhe do PAA 8264, de 08-65, que
"modifica o 7817 quanto ao estacionamento
na confluência da Av Nilo Peçanha
com a Rua São José".

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O status de logradouro público dessa área aparece inalterado no PAA/PAL 7817/23522, de novembro de 1961, referido a lotes no Largo da Carioca. O mesmo vale para o PAA 8264, de agosto de 1965, assinado pelo governador Carlos Lacerda e pelo Secretário de Viação e Obras Marcos Tamoio, que não mais destina o largo definido pelas ruas S José, Quitanda e Av. Nilo Peçanha à "ampliação do terminal de ônibus", mas à implantação de uma "praça ajardinada com estacionamento subterrâneo". Pela primeira vez não figuram lotes remanescentes no lado ímpar da Rua São José, permitindo supor que já haviam sido desapropriados. Na prática, até a sua desafetação do uso comum e incorporação ao patrimônio do BEG, em 1970, o largo foi utilizado para o estacionamento de veículos. 
Imagens aéreas do corredor Carioca-1o. de Março
antes e depois da construção
do Terminal-Garagem Menezes Cortes.

Em fins da década de 1960, porém, num desvario crucial para a história do urbanismo no Centro do Rio, o governo da cidade-estado decide erguer, no lugar do velho terminal urbano, o Edifício Menezes Cortes. Híbrido de terminal metropolitano, galeria comercial e edifício-garagem, o nefando caixote de concreto e alvenaria inaugurado em 1973 deveria absorver os "frescões" com destino ao Centro do Rio e o caótico estacionamento de automóveis incentivado e permitido nas ruas circundantes pelas mesmas autoridades que o mandaram construir. [6]  

Era o auge do rodoviarismo burocrático-militar que legou à cidade o recém-demolido Elevado da Perimetral e seus congêneres das ruas Paulo de Frontin (Rio Comprido) e Bela (São Cristóvão), ainda hoje plenamente operacionais por estarem os respectivos bairros fora da órbita dos Grandes Projetos Urbanos da virada do século XXI.

Não bastasse a agressão urbanística, a gestão do Terminal Garagem seguiu uma estranha trajetória. Segundo o saite Mobilidade Fluminense, a TGMC S.A., criada em 1998,
"deixou de ser propriedade do Estado após um leilão de privatização realizado no mesmo ano. (..) O único ativo da TGMC S.A. é também o prédio onde funciona a empresa, no Centro do Rio de Janeiro. O complexo, distribuído em 16 andares, possui cerca de 100.000 m² e abrange a operação de 235 lojas comerciais, no térreo e na sobreloja, além de cerca de 3.500 vagas de estacionamento. A base do prédio, onde funciona o Terminal Rodoviário, é alugada à CODERTE, estatal vinculada à Secretaria de Transportes do Governo do Rio de Janeiro.” [7]
Foi assim que, salvo alguma ressalva ainda não divulgada nos termos da privatização, uma imensa praça pública situada no coração da cidade, adjudicada ao uso da Companhia de Desenvolvimento Rodoviário e Terminais, se converteu em propriedade privada a cujo titular a própria CODERTE deve pagar aluguel. 

Dando um salto no tempo, não foi fortuita a aprovação pelo prefeito Saturnino Braga, em setembro de 1986, da norma urbanística que até hoje regula o uso do Lote 1 da Quadra A do PAA/PAL  9369/31660 - Buraco do Lume: o Rio voltara a ser município [8] e as liberdades civis recém-conquistadas à ditadura militar, dentre as quais a escolha do prefeito pelo voto direto, abriam amplo espaço ao movimento de preservação do patrimônio histórico, arquitetônico e cultural, que no Rio de Janeiro gerou, dentre os outras iniciativas, o Corredor Cultural e as APACs da Saúde, Gamboa e Santo Cristo (projeto SAGAS) e da Cruz Vermelha, todos na região central da cidade.

Praça Melvin Jones, 1974
Por sua localização estratégica, a Praça Mário Lago ganhou, ao longo dos anos, status de espaço público insubstituível. Tornou-se palco de manifestações políticas e culturais, reconhecido e consolidado pela arquitetura de sua mais recente urbanização: em lugar das passarelas sobre espelho d’água da praça Melvin Jones, onde “seguir circulando” era o uso implicitamente determinado, temos hoje um singelo anfiteatro público, símbolo e cenário das liberdades cidadãs. 
Praça Mário Lago, atualmente

A reincorporação ao uso comum - tráfego intenso de pedestres, feiras de produtos artesanais e comércio ambulante, descanso e contemplação dos trabalhadores do Centro da cidade - da parte da praça que lhe foi tomada pelo governo da Guanabara e vendida a um notório especulador, que a abandonou, acabou, curiosamente, convertendo o epíteto “buraco do Lume” em codinome popular e afetivo de todo o conjunto.

A alteração da legislação urbanística para dar ao pretenso proprietário do Buraco do Lume o direito de ali erguer um arranha-céu pode ser vista como o capítulo mais recente do processo de privatização do espaço público legado pelo desmonte do Morro do Castelo.

Não há de ser casual a apresentação do Projeto de Lei Complementar 128/2019 pelo executivo municipal quase que simultaneamente à compra do terreno em leilão por
um “investidor anônimo”, uma combinação de eventos aliás perfeitamente ajustada a um ambiente político conducente, nos planos federal, estadual e municipal, sob a conveniente cobertura da "liberdade econômica", à guerra de rapina por oportunidades de ganho rápido, fácil e de legitimidade duvidosa à custa do patrimônio coletivo.

Diz a Constituição que o uso da propriedade urbana se sujeita à sua função social, conforme estabeleça o Plano Diretor. O Plano Diretor do Rio de Janeiro não dispõe, que eu saiba, sobre o uso do Buraco do Lume. Na dúvida, diz o prefeito Crivella que o terreno cumprirá sua função social se foram restabelecidos os parâmetros vigentes entre 1970 e 1986, não por acaso quando governavam os militares e seus prepostos.

Eu, como a professora Rabello e, com toda certeza, uma legião de urbanistas cariocas, penso que a função social do Buraco do Lume está dada, há mais de 30 anos, pelo uso comum do povo. Resta saber se a Câmara Municipal confirmará tal opinião e se é essa a visão dos magistrados que vierem a julgar o caso se ele for parar na esfera judicial. 

Veremos.

2019-10-02

______
NOTAS
[*] “Buraco do Lume, no Centro, por virar novo espigão”. O Globo 10-09-2019, por Luiz Ernesto Magalhães
https://oglobo.globo.com/rio/buraco-do-lume-no-centro-pode-virar-um-novo-espigao-23937138

[2] Segundo O Globo de 11-09/ L E Magalhães, “o mercado imobiliário estima que o terreno tem potencial para gerar cerca de R$ 800 milhões com a venda de lajes comerciais”. Vale dizer, o “anônimo” teria arrematado o Buraco do Lume por valor equivalente a 10% do VGV.

[3] “Buraco do Lume”. Urbe Carioca (blog) 11-09-2019, por Brasiliano Vito Fico

“Mais sobre o buraco do lume – antecedentes importantes”. Urbe Carioca (blog), por Urbe Carioca http://urbecarioca.com.br/2019/09/mais-sobre-o-buraco-do-lume-antecedentes-importantes.html

[4] O documento, na tradição da “legislação desenhada” praticada durante muitos anos no Rio de Janeiro, deveria ser chamado “Projeto de Urbanização” e ter um número específico associado à sigla "PAL" (Projeto Aprovado de Loteamento). Projetos de Alinhamento somente afetam terras privadas ao uso comum do povo (logradouro público), criando “servidões de recuo” não edificáveis, passíveis de desapropriação futura ou permuta pelo potencial construtivo; não podem regular o parcelamento, o uso e a edificabilidade do solo. O erro foi corrigido na edição de seu substituto, o PAA/PAL 9.369/31.660, chamado “Projeto de Urbanização da Quadra Compreendida (..)”. Por outro lado, este mesmo PAA/PAL 9.369/31.660 exibe uma contradição nunca esclarecida com seu antecessor, relativa à área do Lote 1 da Quadra A (o “Buraco do Lume”), agora substancialmente ampliado com a incorporação das áreas de esquina da Rua da Quitanda com a Rua S José e a Av Nilo Peçanha. 

[5] “Buraco do Lume: qual o seu negócio? Para quem?”. Blog Sonia Rabello 13-09-2019, por Sonia Rabello

[8] Em 1975 o governo militar do general Ernesto Geisel promoveu a fusão da cidade-estado da Guanabara com o estado do Rio de Janeiro, que tinha Niterói por capital. A Guanabara tornou-se Município do Rio de Janeiro, capital do novo estado do Rio de Janeiro. Até 1986 os prefeitos da capital foram nomeados pelo governador e por isso chamados popularmente de “biônicos”. Saturnino Braga foi o primeiro prefeito eleito da redemocratização.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Pobreza americana

The Economist / Special Report Poverty in America 26-09-2019 

American poverty is moving from the cities to the suburbs

Fonte: The Economist 26-09-2019
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(..) To see the changing geography of American poverty, go instead to Harvey, a small suburban town of 26,000 just 20 miles (32 km) south of Chicago. Despite its proximity to a large city, median household income is an abysmal $24,343. After mismanagement and missed bond payments, the city’s finances are in freefall. One in four flats now sits vacant. Nearly 36% of its residents are classified as poor, higher than in many of the poorest counties in eastern Kentucky and the rest of Appalachia. Though Harvey was never rich, that is a drastic increase from the 22% poverty rate in 2000. And as politicians, journalists and sociologists continue to focus attention on the well-known urban ghettos on the city’s south and west sides, few are taking note of the worsening plight of places like Harvey or nearby Dolton, where concentrated poverty is now just as bad.

After the demographic changes over the past decade, there are now more poor people in Chicago’s southern suburbs than in the city itself. The same is true for the rest of America: a poor person is now much likelier to be found in the suburbs than in the big cities. According to the census taken in 2000, 10.5m, or 31%, of all poor people lived in the suburbs of America’s largest cities. The most recent estimates from the Census Bureau show that the number of poor people living in those suburbs has exploded to 16.3m, an increase of 56%. Unlike urban poverty, which has long been associated with destitute blacks, suburban poverty is more pronounced among poor whites and Hispanics. (..)

2019-09-30

sábado, 28 de setembro de 2019

Especula, Brasil

Terra 23-09-2019 

Balneário Camboriú: os novos projetos imobiliários da cidade mais ousada do Brasil

O município de Balneário Camboriú
tem 140 mil habitantes 
Molhe Barra Norte, Roda Gigante de frente para o mar, edifício de mais de 100 andares, prédio da Embraed assinado pela Lamborghini, e por aí vai. São tantos projetos que vão desenvolver Balneário Camboriú nos próximos 10 anos, que deixa claro que a cidade se tornou um dos maiores polos de investimentos imobiliários do Sul do Brasil, do Brasil e da América Latina.

Os números em 2019 já esclareceram uma coisa: o mercado está em alta! Para quem deseja investir no mercado imobiliário em 2020, Balneário Camboriú - Santa Catarina é uma das melhores opções do Brasil. As projeções mercadológicas são gigantes, com projetos internacionais abraçando a cidade e assinaturas de marcas tradicionais de design de carros inovando na arquitetura com exclusividade em BC. (..)

2019-09-28

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Financeirização da moradia, lado B

BBC News 23-09-2019

Housing crisis affects estimated 8.4 million in England – research
Foto: Frantzesco Kangaris / The Guardian
An estimated 8.4 million people in England are living in an unaffordable, insecure or unsuitable home, according to the National Housing Federation.

The federation said analysis suggests the housing crisis was impacting all ages across every part of the country.

It includes people facing issues such as overcrowded housing or being unable to afford their rent or mortgage.

(..) The research estimated:
3.6 million people are living in an overcrowded home
2.5 million are unable to afford their rent or mortgage
2.5 million are in "hidden households" they cannot afford to move out of, including house shares, adults living with their parents, or people living with an ex-partner
1.7 million are in unsuitable housing such as older people stuck in homes they cannot get around and families in properties which have no outside space
1.4 million are in poor quality homes
400,000 are homeless or at risk of homelessness - including people sleeping rough, living in homeless shelters, temporary accommodation or sofa-surfing
Some people may have more than one of these housing problems, the federation said. (..)  

2019-09-26

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Devagar e nunca? (2)

Valor Econômico 20-09-2019, por Estevão Taiar

Ritmo atual requer 29 anos para debelar déficit habitacional

Colocar fim ao déficit habitacional com o ritmo atual de financiamento e o crescimento da população demorará 29 anos, estima o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antonio França. 


“Portanto, é necessário um funding [para a habitação] muito acima do atual”, disse ontem em audiência pública no Senado, promovida pela comissão mista que debate a Medida Provisória (MP) 889/19. A MP trata das regras para os saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS) e do PIS/Pasep.

O déficit habitacional é de 7,8 milhões de moradias, de acordo com França. Para zerá-lo, seriam necessários 14 anos.

Na próxima década, entretanto, esse déficit terá um crescimento adicional de 9 milhões de moradias, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) citado por ele.
Neste caso, o período necessário para colocar fim ao déficit chegaria a 29 anos. (..) 

2019-09-24

Veja também, neste blog: "Devagar e nunca?" https://abeiradourbanismo.blogspot.com/2019/04/devagar-e-nunca.html


domingo, 22 de setembro de 2019

Percalços do rentismo socialista

UOL Economia / Bloomberg 19-09-2019, por Henrique Almeida
 
Mercado imobiliário português está "muito aquecido" para alguns

Imagem: Internet 
Portugal é o mercado imobiliário mais dinâmico da Europa Ocidental, graças a incentivos fiscais para estrangeiros e ao chamado programa Golden Visa, que oferece permissão de residência em troca de um investimento mínimo de 500 mil euros (US$ 550 mil). 

O outro lado da história para pessoas como Guerreiro: os imóveis mais caros se tornaram um efeito colateral sem perspectiva de que os preços caiam tão cedo. Investidores estrangeiros injetaram 4,3 bilhões de euros em imóveis em Portugal por meio do programa de residência desde o início dos incentivos em 2012.

O primeiro-ministro António Costa, favorito para um segundo mandato nas eleições do próximo mês, sinalizou que o país precisa de incentivos para continuar a trazer recursos. O ministro das Relações Exteriores, Augusto Santos Silva, chegou a classificar os programas de "direito soberano".

Lisboa tornou-se um ímã para turistas na Europa, pois muitos investidores renovam propriedades e as transformam em aluguéis de curta temporada através de sites como o Airbnb. Os aluguéis de curta temporada são responsabilizados pelo aumento dos preços, porque procuram atrair turistas que podem pagar mais do que os residentes. (..)

2019-09-22

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Bens públicos, negócios privados: Pacaembu

ArchDaily 18-09-2019, por Romullo Baratto

Prefeitura de São Paulo assina concessão do Pacaembu a consórcio privado

A Prefeitura de São Paulo assinou nesta segunda-feira, 16 de setembro, a concessão do estádio do Pacaembu ao consórcio Patrimônio SP, formado pelas empresas Progen, de engenharia, e Savona, fundo de investimentos. O estádio passará por reformas e deverá permanecer fechado ao público pelos próximos dois anos.

As obras terão início no primeiro semestre do próximo ano e compreenderão a demolição do "tobogã" - setor onde habitualmente ficam os torcedores que adquirem os ingressos mais baratos - e a construção de um edifício de nove pavimentos no lugar da estrutura, que receberá lojas, espaços de coworking, restaurantes, escritórios e áreas para eventos, além de uma passarela peatonal conectando as ruas Desembargador Paulo Passaláqua e Itápolis.

(..) O consórcio argumenta que a diminuição da capacidade não afetará a receita do equipamento, já que o futebol deixará de ser a atividade prioritária do Pacaembu. "Com a construção de uma nova edificação, vamos atrair para o complexo inúmeras outras receitas. Aluguel de espaço, estacionamento, venda de alimentos. O futebol vai corresponder a 15% da receita total", afirma Eduardo Barella, presidente do consórcio. (..) 

2019-09-20

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Nord Shopping na berlinda

The Guardian 04-09-2019, por Angelique Chrisafis
https://www.theguardian.com/world/2019/sep/04/gare-du-nord-revamp-indecent-say-leading-french-architects

Gare du Nord revamp ‘indecent’, say leading French architects

Open letter attacks €600m plan to create vast shopping space in Paris railway station

(..) “This project is unacceptable and we demand a rethink from floor to rafters,” the protesting architects wrote in Le Monde, adding that it was indecent to send travellers up and down a mess of walkways, lifts and escalators, forcing them past shops to reach their platforms. They said that the vast volumes of the “beautiful” train hall would be “denatured” by adding high walkways. They warned of committing a “serious urban error” in the form of a giant shopping centre that risked killing smaller local trade in the Paris region.

(..) Green politicians in Paris have also complained about the plans and one local oversight body recently ruled against planning permission. But the Gare du Nord development team saw this as a minor hiccup. They will appeal and fully intend the work to go ahead.
 
(..) The station in the north of Paris is Europe’s biggest rail hub, with 700,000 passengers a day – including those arriving from London on the Eurostar and 500,000 local passengers who use trains connecting the Paris suburbs. (..) 

2019-09-18


Leia também:

“Is the plan to revamp Paris' Gare du Nord station really 'indecent'?” The local fr 04-09-2019, por Emma Pearson


segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Até na Califórnia

NY Times 11-09-2019, por Conor Dougherty e Luis Ferré-Sadurní

California Approves Statewide Rent Control to Ease Housing Crisis
Foto: Richard Vogel, AP / USA Today


California lawmakers approved a statewide rent cap on Wednesday covering millions of tenants, the biggest step yet in a surge of initiatives to address an affordable-housing crunch nationwide.

The bill limits annual rent increases to 5 percent after inflation and offers new barriers to eviction, providing a bit of housing security in a state with the nation’s highest housing prices and a swelling homeless population.

(..) The measure, affecting an estimated eight million residents of rental homes and apartments, was heavily pushed by tenants’ groups. In an indication of how dire housing problems have become, it also garnered the support of the California Business Roundtable, representing leading employers, and was unopposed by the state’s biggest landlords’ group. (..) 

2019-09-16


sábado, 14 de setembro de 2019

Espanha: concentração da propriedade imobiliária urbana

El País / Vivienda 02-09-2019, por José Luis Aranda
https://elpais.com/economia/2019/09/01/actualidad/1567338637_542150.html

Las empresas cotizadas que alquilan vivienda tienen más de 42.000 pisos

Las socimis han incrementado sus activos un 57% en tan solo un año

Fonte: Belén Trincado / Cinco Días / El País
https://cincodias.elpais.com/cincodias/2019/08/28/companias/1567012097_761629.html
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Las sociedades cotizadas de inversión inmobiliaria (socimis) que se dedican al alquiler de vivienda controlan una parte cada vez mayor del mercado. Según el último informe sobre el sector, presentado a principios de verano por la consultora JLL y Bolsas y Mercados Españoles (BME), las cotizadas del ladrillo incrementaron el año pasado un 57% sus activos. Así, acumularon casas por valor de 7.284 millones de euros. Entre todas suman más de 42.000 pisos, sin contar con el patrimonio de las socimis mixtas, es decir, las que además de viviendas arriendan también otro tipo de inmuebles como hoteles u oficinas. (..) 

El dominio mayoritario de pequeños propietarios en el mercado inmobiliario es fuente de controversia sobre las causas que han encarecido el alquiler en los últimos años. Los grandes dueños de viviendas lo atribuyen al efecto rebote, tras una abrupta caída de precios con la crisis. También recuerdan que, según los cálculos del sector, sus viviendas solo suponen entre un 3% o un 4% del parque. “La capacidad de influir en el mercado es muy pequeña”, señala Alberto Segurado, de la consultora JLL.Sin embargo, un reciente informe del Banco de España cuestionó la base de ese planteamiento al asegurar que el parque de viviendas a nombre de empresas ronda el 10% y “su presencia en las grandes ciudades es más relevante”. (..)

2019-09-14

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O Buraco é do povo

O Globo  11-09-2019
https://oglobo.globo.com/fotogalerias/um-espigao-no-lugar-do-buraco-do-lume-23938726

Um espigão no lugar do Buraco do Lume
Praça Mario Lago, vulgo Buraco do Lume 
"Crivella tomou a iniciativa um mês depois de o terreno de 2.500 metros quadrados, que pertencia a uma empresa associada à Bradesco Seguros, ser vendido durante um leilão em São Paulo. O negócio foi fechado por R$ 8,4 milhões e teve um único candidato. Tanto o leiloeiro quanto o banco não revelam o nome do comprador, alegando sigilo. No 7º Registro Geral de Imóveis no Rio, a área permanece em nome da Trenton Empreendimentos e Participações, que tem a Bradesco como sócia. Procuradas, as empresas não quiseram se pronunciar. Por falta de áreas livres no Centro, o mercado imobiliário estima que o terreno tem potencial para gerar cerca de R$ 800 milhões coma venda de lajes comerciais, caso as regras mudem. Na mensagem enviada à Câmara, Crivella defende que o terreno cumprirá sua função social se for derrubada a restrição que "vincula sua utilização unicamente para a implantação de equipamentos destinados a atividades culturais" (..). A limitação foi imposta por decreto do ex-prefeito Saturnino Braga."
*
O anônimo (!) que pagou 8,4 milhões pelo terreno deve estar seguro de que consegue a mudança da lei para viabilizar a construção. Ou quem sabe, considerando o estado da economia e a superoferta de espaço comercial no centro da cidade, especule com a desapropriação por interesse público - avaliada com base na legislação de 30 anos atrás. Na época do vale-tudo, tudo vale. Façam suas apostas. 

Em todo caso, a função social do Buraco do Lume, ao contrário do que pretende o inacreditável prefeito Crivella, está dada pelo uso já consagrado pelo povo: praça pública. Negá-lo é (mais um) crime contra a cidadania.


2019-09-12

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Mama África


A arquitetura africana em 10 belos exemplos 

Centro de Interpretação Mapungubwe - Parque Nacional Mapungubwe, África do Sul. Projeto do sul-africano Peter Rich. Localizado na confluência dos rios Shashe e Limpopo, o Centro marca a tríplice fronteira da África do Sul, Botsuana e Zimbábue.
(Fonte: Iwan Baan/Reprodução)

2019-09-11

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Na Espanha, morar de aluguel é uma tourada

El País 04-09-2019, por Pilar Calleja

Alquiler, ¿nueva burbuja inmobiliaria?

Buscar un piso se ha convertido en una ardua tarea en los últimos años, sobre todo, en las grandes ciudades. Pero, ¿por qué?

(..) Según el mencionado informe del Banco de España, muchas han sido las razones que han desembocado en un aumento de la demanda de pisos en alquiler y por ende en la subida de los precios. Entre ellos, destacan motivos económicos como la precariedad laboral, la dificultad para la concesión de hipotecas o la concentración de la actividad económica en determinadas zonas de España (sobre todo en las grandes ciudades), donde el mercado del alquiler es escaso.

Para Toribio se suman otras razones como "los salarios bajos de los más jóvenes que les impide acceder a la compra de una vivienda y la falta de alquiler social". Un aspecto, este último, que registró una bajada de 3,5% en 2005 a 2,7% en 2018, según Eurostat. (..) 
Fonte:  Preço da Habitação na Espanha 1T2017-2T2018 Mitula Group/Magnet.

2019-09-10

Leia também
“Dos mapas para entender la indignación de los españoles con el precio del alquiler”. 
Magnet 18-12-2018 por Esther Miguel Trula
https://magnet.xataka.com/preguntas-no-tan-frecuentes/dos-mapas-para-entender-indignacion-espanoles-precio-alquiler





domingo, 8 de setembro de 2019

Quanto mais caro melhor?

Diário do Nordeste  04-09-2018 
https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/negocios/online/fortaleza-tem-segundo-metro-quadrado-mais-caro-do-nordeste-para-compra-de-imoveis-1.2145407

Fortaleza tem segundo metro quadrado mais caro do Nordeste para compra de imóveis

Capital ficou atrás apenas de Recife
Fortaleza CE
Bairros mais e menos valorizados
segundo o Fipe-Zap
Montagem: À beira do urbanismo

O preço médio do metro quadrado em Fortaleza foi apontado em R$ 5.774 em agosto. Com o resultado, a capital cearense é a segunda mais cara do Nordeste, atrás apenas de Recife (R$ 5.792), de acordo com o índice FipeZap, que monitora o valor médio de apartamentos prontos em 50 cidades brasileiras. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (4).

(..) Entre os bairros com os maiores preços por metro quadrado estão Meireles (R$ 7.470), Praia de Iracema (R$ 7.227), Mucuripe (R$ 6.961), Guararapes (R$ 6.519), Engenheiro Luciano Cavalcante (R$ 6.473).

Na ponta oposta, os bairros com menores preços por metro quadrado são Vila União (R$ 2.688), Jangurussu (R$ 2.594), Farias Brito (2.547), Bela Vista (R$ 2.403) e Pedras (R$ 2.110).

(..) O Rio de Janeiro teve o preço médio mais caro do País, custando R$ 9.364, seguido de São Paulo (R$ 8.978), Brasília (R$ 7.268), Balneário Camboriú (R$ 7.237), Florianópolis (R$ 6.875) e Niterói (R$ 6.743).

Em contrapartida, as cidades Betim (R$ 3.076), São José dos Pinhais (R$ 3.402), Contagem (R$ 3.516), Pelotas (R$ 3.742) e Novo Hamburgo (R$ 3.878) tiveram os menores preços do metro quadrado no Brasil. (..)

2019-09-08

Leia também
“Moradores do Meireles recebem 14 vezes mais que os do Conj. Palmeiras”, G1 CE 16-05-2015, por G1 CE

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

República do vale-tudo

G1 SP 03-09-2019, por Mariana Aldano

Após demolição, vila no Tatuapé da década de 50 é tombada

Sem autorização da prefeitura, maior parte das casas foi demolida nesta segunda-feira (2).
Imagem: Internet
O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental (Conpresp) decidiu nesta segunda-feira (2) tombar a Vila Operária João Migiari, no Tatuapé, na Zona Leste da cidade de São Paulo um dia depois da maior parte das casas ser demolida. O tombamento acontece quatro meses depois da solicitação.

A Prefeitura de São Paulo embargou no sábado (31) a demolição por falta de tapumes no local. Mesmo sem a autorização, a empresa fez a demolição e foi multada em R$ 40 mil por ter realizado o serviço sem tapumes. Além disso, por ter desrespeitado o embargo, recebeu outra multa, de R$ 4 mil.

Em fevereiro, 20 dessas casas foram demolidas por uma empresa. Isso fez com que vizinhos e arquitetos se mobilizassem por assinaturas para um abaixo-assinado, pedindo que a construção fosse protegida pelo patrimônio público. A reunião estava marcada para esta segunda-feira (2). (..) 

Foto Eduardo Anizelli / Folha press
2019-09-06

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Senzala pós-moderna

The Guardian / Cities 03-09-2019, por Will Coldwell

'Co-living': the end of urban loneliness – or cynical corporate dormitories?
Imagem: Web Urbanist
(..) Each company presents its accommodation as a solution to the urban housing crisis. Here, at last, is a way to provide affordable homes for younger people cut out of the market, while at the same time pooling resources, fostering community and catering for an increasingly mobile generation. With 4.8 million Britons now self-employed, co-living is pitched as a utopian response to a rapidly changing society.

But what from one angle looks like a revolutionary proposition can just as easily be seen from another as a cynical ploy by property developers to cash in on a generation living in the “age of loneliness”, locked in a perpetual struggle to find a place they can call home.

(..)“Co-living is purely a new way for developers to squeeze profit from an already broken housing market,” says Hannah Wheatley, researcher on housing and land at the New Economics Foundation. (..) 

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Muito mais do mesmo

Folha de S Paulo 03-09-2019, por Artur Rodrigues

Pelos lados e para o alto, S Paulo cresce 60% em área construída em 25 anos

Levantamento feito a partir de IPTU indica gentrificação no centro e 'cidades' sem estrutura na periferia

Conjunto Habitacional Barro Branco
Cidade Tiradentes - S Paulo

Imagem: Internet
Do alto, Cidade Tiradentes é composta de grandes fileiras de conjuntos habitacionais que lembram peças de dominó. Ao redor dos prédios, pequenas casas se espalham, avançando sobre montanhas ainda verdes.

Casas e prédios não param de ser construídos no bairro no extremo leste da cidade de São Paulo, onde, proporcionalmente, deu-se a maior expansão de área construída dos últimos 25 anos: 1.617%.

Levantamento realizado pela Folha a partir de bases de dados da Secretaria Municipal de Urbanismo e do cadastro do IPTU municipal mostra que São Paulo avança pelas bordas e para cima, de forma desenfreada e desigual.

No último quarto de século, a área construída regularizada (e frise-se o regularizada) na capital paulista aumentou 60%, de 330 milhões de metros quadrados para 531 milhões. É o dobro do avanço registrado pela população da cidade, de 30% no período.
Município de S Paulo
Localização dos bairros citados:
Cid Tiradentes, Barra Funda (azul)
e Centro (vermelho)
Os dados indicam que o boom imobiliário na cidade empurrou pessoas de baixa renda para os extremos antes de o transporte e serviços chegarem, enquanto bairros nobres se verticalizaram radicalmente e ficaram ainda mais caros.
 
(..) Em bairros centrais, com ampla infraestrutura, residências horizontais consideradas de baixo padrão foram demolidas para dar lugar a prédios de classes média e alta — o fenômeno conhecido como gentrificação.
 
Com duas estações de metrô, equipamentos culturais e unidades médicas, a Barra Funda, por exemplo, reduziu em 46% o número de lotes residenciais horizontais simples, enquanto apartamentos de alto padrão cresceram acima de 1.000%, e os de baixo, 25%.

Esses apartamentos menores e mais baratos foram empurrados para dez distritos da periferia, onde a área que ocupam chegou a aumentar mais de 1.000% na esteira do programa Minha Casa Minha Vida. (..)

2019-09-04


segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Interessante …

Money Times 02-09-2019, por Avelino Andrade

Imagem: Internet
Economia estagnada não barra crescimento do mercado imobiliário brasileiro


(..) Diante de previsões de baixo crescimento do PIB para 2019, balança comercial estagnada, inadimplência em alta, crédito curto e taxas de desemprego que não dão sinais de distensão, investir com sabedoria é uma prerrogativa mais do que necessária.

O número de investidores em fundos imobiliários, por sua vez, mais que dobrou nos últimos 12 meses, segundo a B3, superando a marca de 317 mil pessoas em abril, em um crescimento de 10,6% em relação ao mês anterior. 

(..) Mas, o mercado imobiliário não está em baixa? Ao contrário, ele dá todos os sinais de que é o fim definitivo do biênio negro do setor (2016/2017). Um levantamento feito pela Cbic – Câmara Brasileira da Indústria da Construção – revela aumento de quase 10% na venda de imóveis residenciais entre janeiro e março deste ano, em comparação ao mesmo período de 2018. (..) 

2019-09-02