domingo, 13 de março de 2022

Urbanismo, planejamento, ciência: notas


São Paulo: Paraisópolis e Morumbi
O urbanismo é a arte e a técnica do projeto, construção e renovação de assentamentos urbanos, e até de cidades inteiras, com raízes que alcançam um passado milenar.

Apesar de reconhecido, na aurora do século XX, como atividade profissional legalmente exercida com base em um tipo particular de capacitação técnico-científica, o urbanismo não se desdobrou em 'ciência pura': a ciência de como as cidades se formam, conformam e transformam para além dos desígnios, planos, especulações e mesmo realizações de filósofos, governantes, urbanistas, planejadores, legisladores e formuladores de políticas urbanas, subordinados todos, a cada época e lugar, às exigências, possibilidades e contradições que lhes são impostas pelas forças motrizes de suas respectivas formações sociais. 

Tampouco o planejamento urbano, avatar tecnocrático do urbanismo alçado ao primeiro plano da governança pública na segunda metade do XX, aventurou-se a construir uma urbanologia que lhe desse suporte, balizas e - muito importante - consciência de seus limites. 

Por não se ter generalizado e constituído formalmente, salvo honrosas exceções [1], como disciplina básica e obrigatória dos cursos de urbanismo, o estudo da estrutura e da organização espacial urbana se apoia em uma coleção mais ou menos fragmentária de modelos / especulações teóricas e sínteses de pesquisa empírica dispersas em trabalhos acadêmicos de sociologia, antropologia, geografia e economia urbanas. Seus exemplos mais notórios são os chamados modelos de estrutura urbana - “círculos concêntricos”, Burgess 1925 [2]; “setores circulares”, Hoyt 1939 [3]; “núcleos múltiplos”, Harris & Ullman 1944 [4] - e o modelo da distribuição espacial dos usos do solo urbano segundo a capacidade de oferta de renda de indivíduos e firmas demandantes de solo-localização (Alonso 1964) [5]. 

Muito menos conhecidos, mas de grande utilidade para a compreensão dos processos de organização do espaço urbano, são os modelos explicativos parciais, de caráter empírico, como os efeitos 'comunicante',  'tensão viária entre focos' e 'cordilheira', do economista-avaliador Borrero 2003 [6], e os 'cones de alta renda' do sociólogo Sabatini 2003. [7]

Pode-se dizer que a tríade de modelos sintéticos Burgess-Hoyt-Harris/Ullman, tal como compilada e interpretada por estes últimos em 1944, constitui até hoje o paradigma científico da estrutura geográfica da metrópole contemporânea; e que o paradigma da distribuição dos usos do solo dentro dessa estrutura é o modelo de William Alonso (1964), adaptação do modelo espacial da renda agrícola de von Thunen (1826) aos pressupostos da teoria econômica neoclássica do consumidor.

Proponho considerar o estudo da estrutura e da organização espacial urbana como síntese transdisciplinar e dimensão científica do urbanismo, abrangendo uma vasta coleção de fenômenos sócio-espaciais constitutivos do processo urbanizador: gênese, expansão, centralidade, mercado imobiliário,  suburbanização, conurbação, metropolização, densificação, obsolescência, renovação edilícia, verticalização, gentrificação, favelização, segregação residencial, informalidade, localização, distribuição de infraestrutura e serviços públicos, mobilidade etc.

Dado que que as leis [8] da economia espacial e da sociologia urbana [9] [9a] regulam um sem-número de fenômenos urbanos observáveis em campos diversos do conhecimento, da técnica e da arte urbana, cujo entendimento exige também, como condição sine qua non, uma perspectiva e um consistente domínio dos métodos de pesquisa e interpretação histórica, parece-me razoável considerar o estudo da organização espacial urbana como objeto de uma vertente científica do urbanismo que compartilha o território epistemológico da geografia histórica aplicada ao ambiente urbano.

Produto do engenho humano, mas não de seu designio
A construção das cidades é uma instância particular, porém crucial em nossa época, da reprodução da vida social à escala planetária.

As incessantes transformações das estruturas sócio-espaciais urbanas são impelidas, para bem e para mal, pela ação das forças motrizes do processo reprodutivo das cidades, que, embora criadas pelo engenho humano, operam como forças naturais cujos efeitos a sociedade busca, pela via do planejamento governamental, ora mitigar ora canalizar, mas não tem, ou acredita que não tem, nem deve ter, o poder de comandar. [10]

Ou seja, nós construímos as cidades, mas não segundo nosso arbítrio; não as construímos sob circunstâncias de nossa escolha, mas sob aquelas com que nos defrontamos diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. [11] Para além das iniciativas localizadas, geralmente projetos privados, cujas variáveis temos sob controle, a construção das cidades resulta da iniciativa de inumeráveis vontades individuais e forças sociais conflitantes que, juntas, atuam como uma única força desprovida de consciência e de vontade, produzindo um efeito que ninguém previu. [12]

Por isso é necessário estabelecer uma clara distinção entre o estudo dos processos sócio-históricos de formação e transformação da cidade, que chamo tentativamente de "estrutura e organização espacial urbana”, e dos meios e práticas de supervisão, controle e interferência estatal em tais processos, enfeixados sob a rubrica “planejamento urbano”. 
O estudo sistemático dos processos de organização espacial urbana e das estruturas mais ou menos permanentes que eles cristalizam é uma premissa lógica e prática do planejamento urbano, suas possibilidades, limites, efeitos, sucessos e fracassos.  [13

Organização espacial, urbanização de mercado e planejamento
Por mais que nos esforcemos para planejá-las, as cidades têm a capacidade de se transformar, para bem ou para mal, pela ação de forças motrizes que não controlamos, mas precisamos, na medida do possível, compreender.  A cidade contemporânea é um híbrido de herança, mercado e plano em proporções que variam enormemente caso a caso.

A interação entre a força fundamental da construção da cidade contemporânea, que costumamos chamar eufemisticamente de “o mercado”, e o conjunto de práticas estatais de controle, regulação e intervenção abrigadas sob a rubrica “planejamento”, é um aspecto crítico da organização espacial urbana, portanto de seu estudo. 

A relação entre mercado e plano não constitui, com efeito, um "casamento entre iguais". A teoria e a experiência indicam que o planejamento tem um papel subordinado relativamente às leis históricas que regem a moderna organização espacial urbana, sejam da alçada da economia, da sociologia ou da geografia urbanas, mesmo em países onde ele tem um papel de grande relevo na configuração do espaço construído e, em todos os demais, também nos ciclos e conjunturas em que a ação regulatória, fiscal e interventiva do Estado adquire maior protagonismo.

Em cada época e lugar, a mediação estatal nos processos de transformação das cidades está inevitavelmente sujeita às leis, exigências, possibilidades e contradições próprias do regime social vigente.

O postulado de que existe uma ciência da organização sócio-espacial urbana, isto é, uma ciência da configuração, reconfiguração e transfiguração das cidades para além dos desígnios, planos e realizações de filósofos, urbanistas, planejadores, legisladores e formuladores de políticas urbanas, supõe o papel subordinado do planejamento urbano relativamente aos processos fundamentais descritos nos estudos de economia, sociologia e geografia urbanas.

E dado que a construção das cidades contemporâneas é uma instância particular, porém crucial em nossa época, da reprodução da riqueza à escala planetária, não há razão para supor que, em um ambiente de mercado, o planejamento urbano possa ir mais longe, ou ser mais bem-sucedido, em seu esforço de discipliná-las, que dirá dirigi-las, do que o planejamento governamental em seu empenho de ordenar a economia como um todo.

Historicidade do planejamento urbano
A cidade contemporânea, vale dizer a cidade da formação social capitalista, é produzida por um consórcio mais ou menos explícito, mas nem por isso isento de tremendas contradições, entre os proprietários de capital, que constroem a maior parte das edificações, operam boa parte dos serviços públicos e exploram a renda da terra que eles valorizam, e o Estado, que de modo geral provê a infraestrutura e, eventualmente, solo público para os grandes projetos de expansão da fronteira de negócios imobiliários.

É nesse marco que nasce, em meados do século XIX, a técnica do urbanismo, herdeira da arte urbana pré-moderna, e mais tarde generalizada, a contrapelo do princípio - muito mais retórico que prático - da liberdade de mercado, como ciência aplicada do planejamento urbano.

O planejamento urbano nasce, em fins do século XIX, e se desenvolve e  afirma no transcurso do século XX como recurso do Estado de classe dos proprietários de capital para a mitigação dos efeitos deletérios da indústria da urbanização - construção civil, instalação e operação de serviços urbanos e exploração da renda do solo -, que afetam diretamente as próprias camadas sociais dela beneficiárias e constituem, num plano mais geral, um potente fator de instabilidade social e política. [14] O planejamento contemporâneo é, ele próprio, uma das dimensões da construção da metrópole capitalista pelo consórcio histórico entre a classe proprietária e seu Estado, contemporaneamente dito "consórcio Estado-mercado".

O planejamento urbano é a liça permanente, teórico-crítica e/ou político-administrativa, dos profissionais do século XX pelo governo da potência autorreprodutiva da urbanização de mercado. Limitado em seu alcance pela natureza de classe do Estado que o patrocina e aplica, o planejamento urbano moderno é, a um só tempo e contraditoriamente, (a)  empenho forçado da classe proprietária dominante em administrar a anarquia urbana derivada da concorrência entre capitais pela via de seu disciplinamento e (b) esforço mais ou menos consciente da cidadania em geral, e do trabalhadorado em particular, em prol da 
explicitação política e reconhecimento prático do caráter social do processo de construção e reconstrução da cidade.

Por essa razão, o planejamento urbano é uma atividade profissional essencialmente pública, quase invariavelmente exercida em condições de grande incerteza e considerável turbulência. [15] [15a] 
A subordinação de seus efeitos às leis históricas da economia e sociologia urbanas é tanto mais clara quanto menos potente é o arsenal de recursos de intervenção estatal no meio urbano.

A relação entre o mercado de bens imóveis (benfeitorias, terrenos, projetos, administração etc.) e serviços urbanos e a prática do planejamento urbano em nível estatal constitui um capítulo à parte, de grande interesse na história do urbanismo e de suas disciplinas constitutivas. [16] Ela é assinalada por uma ampla gama de autores de distintas épocas, nacionalidades e áreas técnico-científicas, com nuances que, em parte, se poderiam atribuir à já assinalada duplicidade inerente à interveniência estatal na construção da cidade - ora a serviço dos capitais de investimento, ora a serviço do "interesse geral". [17]

A construção das cidades é uma dimensão inseparável da economia de mercado, tanto mais crucial quanto mais dependente esta se torna dos sobrelucros proporcionados pela extração da renda do solo e da venda, aos segmentos urbanos de altos rendimentos, de todo tipo de bens e serviços não competitivos.

As contradições, sucessos e fracassos do planejamento governamental vis à vis a força associada do capital e do Estado na construção da cidade moderna é um capítulo à parte, na verdade um livro inteiro, do estudo da organização espacial urbana.

Hipótese histórico-epistemológica 
O desenvolvimento da ciência da organização sócio-espacial urbana, no âmbito da Geografia como do Urbanismo, teria sido obstaculizado pela tendência, própria do arranjo sócio-político alcançado no pós-II Guerra, especialmente nos países 'centrais', à superestimação dos poderes estabilizadores do planejamento econômico e seus derivados em face dos desequilíbrios inerentes à economia de mercado. [18] [19]

No contexto da pax americana e do compromisso histórico entre as classes sociais no pós-II Guerra Mundial, as expectativas despertadas pelas ações reguladoras do Estado do bem-estar obscureceram o fato de que tais ações reguladoras não têm o poder de neutralizar, muito menos reverter, as leis gerais da construção/ expansão/ reconstrução da cidade em um regime de mercado, vale dizer de competição entre capitais individuais, tornando aparentemente supérflua aquela linha de pesquisa.

Consoante ao espírito da época e à formidável expansão econômica subjacente, congelou-se o paradigma geográfico dos três modelos de Harris & Ullman 1944 e passaram ao primeiro plano as investigações da economia espacial neoclássica, cujo ápice é o modelo alonso-thuneniano de distribuição dos usos do solo e respectivas densidades ao redor de um centro axiomaticamente estabelecido, com base nas expectativas de satisfação locacional de firmas e famílias individualmente consideradas e suas correspondentes ofertas de renda [20].

Inequivocamente eficaz na análise de fenômenos relacionados à oferta-demanda de produtos imobiliários e do solo urbanizado que os ancora, esse novo paradigma é, no entanto, prisioneiro da perspectiva e dos preconceitos do homo economicus setecentista: livre escolha, mercado concorrencial, mão invisível. Por seu intermédio, a metrópole capitalista é totalmente esvaziada de seu conteúdo sócio-espacial, sua inequidade constitutiva e sua transitoriedade histórica: a metrópole capitalista tal como considerada pela ciência econômica não teve começo e nunca terá fim.

O modelo de Alonso e a estrutura espacial urbana

Como árbitro da competição espacial urbana, a renda da terra é, por definição, o melhor descritor de seus próprios resultados. Do ponto de vista estritamente epistemológico, não é de admirar que, na ausência de uma teoria da estrutura urbana capitalista, o modelo construído por Alonso para sintetizar sua teoria da renda da terra 
tenha se tornado, por uma espécie de 'derivação de sentido', o paradigma científico da própria estrutura urbana contemporânea e a renda da terra adquirido o status de fundamento dessa ordem espacial.

Ora, assim como nenhum economista aceitaria a ideia de que os impostos sobre a produção e o comércio de mercadorias são o fundamento da ordem econômica capitalista, também o urbanista se pergunta como pode um ônus monetário privado sobre a vantagem de localização, cobrado por uma categoria  de agentes econômicos sem quaisquer vínculos de dependência espacial com os usuários do solo - não por acaso referidos na literatura como "proprietários ausentes" - ser o fundamento da ordem espacial urbana? A pergunta obrigatória é: de onde vem, e em que consiste, a 'vantagem de localização'?

Com apurado senso crítico, o hoje professor Correia da Silva, da Universidade do Porto, apontou num texto formativo do ano de 2004 o calcanhar de aquiles do modelo de Alonso: assumir como dado aquilo que, do ponto de vista da estrutura da cidade, é necessário explicar: a existência mesma do centro comercial urbano. [21]

Com efeito, no modelo de Alonso o centro urbano é um objeto apriorístico, representado por um ponto sem dimensão que contém todos os empregos da cidade e comanda a maior oferta de renda por m2 de solo, parâmetro para todas as demais. [22] Curiosamente, nos termos do próprio modelo, famílias e firmas competem individualmente pela máxima proximidade do centro, as famílias para estar perto das fontes de empregos e as firmas para estar perto... de si mesmas (!) - dado que o centro não é outra coisa que o aglomerado das próprias firmas. 
  
A noção auto-evidente de que as firmas buscam a máxima proximidade do centro 'para maximizar os lucros' [23] contém dentro de si, discretamente escamoteado, o fato geográfico capital de que o centro é, para as firmas, o lugar da rede urbana que minimiza o custo-tempo agregado de deslocamento da população residente para encontrar meios de vida (mercadorias, serviços e empregos), assim maximizando o poder de compra da coletividade urbana, consequentemente as vendas e os lucros.

Como esboçou o economista-avaliador Richard Hurd em seu livro pioneiro da organização espacial urbana (1903) [24], cada família urbana precisa, para economizar tempo e dinheiro, estar o mais perto possível dos fornecedores de bens e serviços (que são também demandantes de força de trabalho), e cada firma precisa, para maximizar suas vendas, estar à menor distância agregada possível do conjunto das famílias residentes. 

O fundamento da espacialidade urbana capitalista não seria, portanto, a distribuição, com base na oferta de renda, de consumidores individuais de solo-localização em busca da 'máxima satisfação' representada pelas vantagens da proximidade do centro, mas a compra-venda generalizada de bens, serviços e força de trabalho com o mínimo desperdício de recursos, isto é, com compradores e vendedores situados à menor distância-custo uns dos outros. Da competição espacial resultante, regulada pela interdependência econômico-espacial dos usos e arbitrada pela renda do solo, teriam surgido o aglomerado de negócios e, ao seu redor, o aglomerado das famílias residentes - modernamente ditos centro e periferia
 
2022-03-13

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NOTAS

[1]  Universidade Nacional Autônoma do México, Faculdade de Arquitetura, curso de graduação em Urbanismo – plano de estudos 

[2] BURGESS E W (1925, “The Growth of the City: An Introduction to a Research Project", em BURGESS, E W e PARK R E, The City:Suggestions for Investigation of Human Behavior in the Urban Environment, The University of Chicago Press, 1984: Chicago e Londres
http://shora.tabriz.ir/Uploads/83/cms/user/File/657/E_Book/Urban%20Studies/park%20burgess%20the%20city.pdf

[3] HOYT H, The Structure and Growth of Residential Neighborhoods in American Cities. Federal Housing Admnistration, Washington D.C. 1939.
https://ia800503.us.archive.org/30/items/structuregrowtho00unitrich/structuregrowtho00unitrich.pdf

[4] HARRIS C D e ULLMAN E L (1945), "The Nature of Cities". The Annals of the American Academy of Political and Social Science. 242: 7–17.

[5] ALONSO W (1964), Location and Land Use: Toward a General Theory of Land Rent. Cambridge: Harvard University Press 1965
https://archive.org/details/locationlanduset0000alon/page/n7/mode/2up

[6] "“Algunas ciudades presentan un Centro o Distrito Central de Negocios (D.C.N) aún muy importante respecto de las demás áreas de concentración del comercio y servicios, haciendo que sea una ciudad marcadamente monocéntrica. Por el contrario, otras ciudades son eminentemente pluricéntricas y con tendencia cada vez mayor a demeritar el centro tradicional. En Bogotá el esquema del cono invertido representado en el gráfico B se cumplió hasta finalizar la década del 60. Hoy los efectos "comunicante" y de "tensión vial entre focos" han hecho que el esquema más adaptable a Bogotá sea el de una "cordillera" o cadena sucesiva de cumbres.” BORRERO O (2003), “Formación de los precios del suelo urbano”. Lincoln Institute of Land Policy, EAD.
https://flacso.edu.ec/cite/media/2016/02/Borrero-O_ND_Formacion-de-los-precios-del-suelo-urbano.pdf

[7] “Las ciudades decaen social y físicamente hacia la periferia, con la sola excepción de la dirección geográfica en que se fue formando una suerte de cono de ciudad “moderna” durante el siglo XX. Barrios residenciales y comerciales ocupados por las capas altas y medias ascendentes fueron formando dicha área de mayor categoría. En esto la ciudad latinoamericana no difiere de la europea continental mediterránea.” SABATINI F, “La segregación social del espacio en las ciudades de América Latina”. Documentos del Instituto de Estudios Urbanos y Territoriales, Serie Azul Nº 35 Julio, 2003, p. 5.
https://drive.google.com/file/d/1gTHtHRwtxMpzSCvdPcVt19IhGv8WqqxS/view?usp=share_link

[8] “Mas, dir-se-á, as leis gerais da vida econômica são sempre as mesmas, sejam elas aplicadas no presente ou no passado. Segundo [Marx], essas leis abstratas não existem. (...) pelo contrário, cada período histórico possui suas próprias leis. Assim que a vida já esgotou determinado período de desenvolvimento, tendo passado de determinado estágio a outro, começa a ser dirigida por outras leis.” CORREIO EUROPEU (Petersburgo), maio 1872, p. 427-436. Em MARX K (873), O Capital / Posfácio à 2a edição. São Paulo: Editora Nova Cultura 1996, p. 138

[9] "If cities grew at random the problem of the creation, distribution and shifting of land values would be insoluble. A cursory glance reveals similarities among cities, and further investigation demonstrates that their structural movements, complex and apparently irregular as they are, respond to definite principles." HURD R M, Principles of City Land Values. New York, Record and Guide 1903
https://archive.org/.../principlesofcity.../page/n4/mode/1up

[9a] "the basis of residence values is social and not economic - even though the land goes to the highest bidder - the rich selecting the locations which please them, those of moderate means living as near by as possible, and so on down the scale of wealth, the poorest workmen taking the final leavings, either adjacent to such nuisances as factories, railroads, docks, etc., or far out of the city.  (..) The main consideration in the individual selection of a residence location is the desire to live among one's friends or among those whom one desires to have for friends; for which reason there will be as many residence neighborhoods in a city as there are social strata." HURD R M, Principles of City Land Values. New York, Record and Guide 1903

[10] "The premise upon which the current studies are being made is that the city is, after all, a natural phenomenon. As such, it is obedient to natural laws. Its growth is a natural growth, and the changes wrought by growth by careful observation can be classified and the natural laws governing them discovered. [MCMICHAEL Stanley e BINGHAM Robert F. City Growth Essentials. Cleveland: Stanley McMichael Publishing Organization, 1928, 5-6.
https://babel.hathitrust.org/cgi/pt?id=uc1.$b91228&view=1up&seq=1

[11] "Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado." MARX K, O 18 Brumário de Luiz Bonaparte. Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1969.
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000007.pdf

[12] “(..) a história faz-se de tal modo que o resultado final provém sempre de conflitos de muitas vontades individuais, em que cada uma delas, por sua vez, é feita aquilo que é por um conjunto de condições de vida particulares; (..) há, portanto, inúmeras forças que se entrecruzam, um número infinito de paralelogramas de forças, de que provém uma resultante — o resultado [Ergebnis] histórico —, que pode ele próprio, por sua vez, ser encarado como o produto de um poder que, como todo, actua sem consciência e sem vontade. Pois, aquilo que cada indivíduo quer é impedido por aquele outro e aquilo que daí sai é algo que ninguém quis.”. ENGELS F, “Carta a Josepf Bloch” 21.09.1890. 

[13] "Urban geography is not about planning. It is concerned with certain aspects of the inherent spatial or geographical structure of society on which planning must be based". DICKINSON Robert E, City region and Regionalism: a geographical contribution to human ecology, Londres 1947)

[14] "O urbanismo moderno não nasceu junto com o processo técnico e econômico que gerou e modelou a cidade industrial. Veio mais tarde, quando se evidenciou que os efeitos quantitativos dessas transformações se tornaram conflitantes a ponto de tornar inevitável a necessidade de remediá-los. De modo geral, a técnica urbanística aparece com atraso relativamente aos acontecimentos que tem por missão controlar e guarda um caráter curativo. BENEVOLO Leonardo, Le Origini dell’Urbanistica Moderna, 1963 [Tradução PJ]

[15] "Physical planning of urban developments is extremely complex due to conflicting pressures on land use, contradictory socio-economic dynamics, uncertain prognoses and outcomes, multi-level governance structures, and limited public planning capacities. (..) socio-economic turbulence, shifting political priorities, and bureaucratic resistance may undermine stated planning objectives and preferred strategies for how to attain them.” SØRENSEN E e TORFING J, “The Copenhagen Metropolitan ‘Finger Plan’”. Em HART P e COMPTON M, Great Policy Successes, Oxford Scholarship Online: October 2019 https://oxford.universitypressscholarship.com/.../oso...

[15a] "(..) urban planners’ main job is to contain these two contradictions; neither can be resolved, but both can be managed. It’s a complicated bind. They are supposed to make certain land use interventions, but are prevented from making more sweeping changes. Their process must be open to the public, while simultaneously guaranteeing that ultimate power resides in the hands of propertied elites. It can be a pretty shitty job. (..)" STEIN S, “Gentrification Is a Feature, Not a Bug, of Capitalist Urban Planning”. Jacobin 2019-03-12.
https://www.jacobinmag.com/2019/03/gentrification-is-a-feature-not-a-bug-of-capitalist-urban-planning

[16] “So long as the market, circumscribed as it may be by public policy, is the principle machinery allocating urban space among competitive use, this interaction will be the dominant city shaping force in our society." WINGO L, Transportation and Urban Land. Washington, DC: Resources for the Future, 1961. p.93

[17] “El conocimiento e identificación de la fase de desarrollo en que se encuentra cada sector de una ciudad es igualmente importante para los organismos de planeación de esa ciudad para saber en qué momento conviene adoptar una determinada política para estimular un proceso de rehabilitación, de renovación o de desarrollo de un sector. (..) Cuando la planeación urbana va en contra de las necesidades sociales y las leyes del mercado, genera un mayor caos urbano. La planeación debe ir delante de la demanda encauzando las necesidades." BORRERO O (2003), “Formación de los precios del suelo urbano”. Lincoln Institute of Land Policy, EAD.
https://flacso.edu.ec/cite/media/2016/02/Borrero-O_ND_Formacion-de-los-precios-del-suelo-urbano.pdf

[18] "Corporatist negotiations combined with a stable political alliance between social democrats and social liberals have played a key role in the expansion of the universalistic welfare state before and especially after the Second World War. (..). They knew that investments in housing development and transport infrastructure would please the building and construction sector, including the strong trade unions." (Jensen 1990). [2] SØRENSEN E e TORFING J 2019, pp. 228-229
 
[19] "The imminent end of the German occupation generated a huge enthusiasm for planning in the new era of peace and prosperity which seemed to be just around the corner. The negative, oppressive irrationality of the Second World War was to be replaced by a positive, rational, and potentially liberating planning future." SØRENSEN E e TORFING J 2019, pp. 234-235

[20] "La economía urbana neoclásica, nacida en los años sessenta, tenía como objetivo presentar el equilibrio de Von Thünen de acuerdo con un programa de maximización microeconómica." ABRAMO P, Mercado y Orden Urbano - del caos a la teoría de la localización residencial. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil 2001 (material de uso exclusivo para fines académicos)
https://urbanitasite.files.wordpress.com/2020/05/abramo-mercado-y-orden-urbano.-del-caos-a-la-teorc3ada-de-la-localizacic3b3n-residencial.pdf

[21] "A relevância contemporânea do modelo de Von Thunen reside na sua adaptação à economia urbana, que permitiu o estudo da renda urbana e suburbana e da localização das famílias e atividades econômicas nas cidades. (..) A característica fundamental da economia urbana refletida no modelo é a necessidade que têm as famílias de ir ao centro para trabalhar usando um sistema radial de transportes. (..) Um defeito [fault] dessa abordagem é pressupor [it assumes] algo que está por ser explicado [we want to explain]: a existência do centro comercial urbano [urban central market]." CORREIA da SILVA J (2004), "Space in Economics — A Historical Perspective".
https://www.fep.up.pt/docentes/joao/material/space.pdf

[22] "(..) Very briefly, the method consists of assuming a price of land in the center of the city, and determining the prices at all other locations by the competitive bidding of the potential users of land in relation to this price." ALONSO W (1960), “A Theory of the Urban Land Market”, em Papers and Proceedings of the Regional Science Association, Vol 6, 1960

[23] Cf. ABRAMO P, "1.5 O equilíbrio dos três mercados de Alonso: a ordem espacial de Von Thunen ampliada", em Mercado e Ordem Urbana - Do Caos à Teoria da Localização Residencial. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil 2001, pp. 65-82. 

[24] HURD R M, Principles of City Land Values. New York: Record and Guide, 1903
https://archive.org/.../principlesofcity.../page/n4/mode/1up


quarta-feira, 9 de março de 2022

Cinema São Luís

Cinema São Luís, Largo do Machado - Rio de Janeiro
Demolido em 1980
Fonte: Marcelo Mariz – Facebook Art Deco 24-10-2021

2022-03-09

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Morada dos Dinossauros

Folha de S Paulo 18-02-2022, por Mercado Imobiliáro
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/02/disney-lanca-condominios-residenciais-tematicos-nos-eua.shtml

Montagem: Àbeiradourbanismo
"Enquanto nos preparamos para entrar no segundo século de nossa história, estamos desenvolvendo maneiras novas e empolgantes de levar a magia da Disney para as pessoas onde quer que estejam, passando do storytelling para o storyliving", disse Josh D’Amaro, presidente da Disney Parks, Experiences and Products.

2022-02-25

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Linha Amarela, Galeão, BRT: caoscessões

O Globo 14-02-2022, Redação
https://oglobo.globo.com/rio/prefeitura-do-rio-vai-decretar-caducidade-do-brt-foi-tudo-abandonado-diz-paes-25394700

Prefeitura do Rio vai decretar caducidade do BRT nos próximos dias, diz Paes em entrevista

— Nós fizemos uma intervenção, hoje quem administra somos nós. (..) Estamos acabando com a concessão do BRT — respondeu o prefeito.
Foto Domingos Peixoto/Agência O Globo

Ele disse ainda que os primeiros sinais de melhora no modal devem ser observados apenas em 2023, devido a entraves no processo licitatório para o novo modelo de operação do sistema elaborado pela prefeitura. Uma das razões da demora, segundo Paes, seria a negociação sobre a devolução dos investimentos do município no BRT, que totalizaram cerca de R$ 80 milhões e ainda não aconteceu.

— Depois, com o tempo, você vai ter, sim, um ajuste de contas. Os empresários vão provavelmente dizer que o reajuste das passagens não acontece desde 2017, 2018. A prefeitura vai dizer que gastou R$ 80 milhões aqui, isso provavelmente vai gerar um debate que vai demorar muito tempo. (..)

2022-02-21


domingo, 13 de fevereiro de 2022

El capital en el siglo XXI: rentadicción

The Guardian 27-01-2022, por Daniel Boffey
https://www.theguardian.com/world/2022/jan/27/large-investors-drive-up-house-prices-in-europes-cities-study-finds

Large investors drive up house prices in Europe’s cities, study finds

The rate at which institutional investors, such as private equity and pension funds, are buying up housing is accelerating in major European cities, driving up house prices, research suggests.

The volume of purchases in Europe hit €64bn (£53bn) in 2020, with about €150bn worth of housing stock conservatively estimated to be in the hands of such large investors.

Fonte: (*)

Berlin, with €40bn worth of housing assets in institutional portfolios, double the value found anywhere else in Europe, is at the top of the league table, followed by London, Amsterdam, Paris and Vienna, according to analysis of the Preqin private database of investors, funds and large transactions. (..)

European central bank data shows that real estate funds in the Eurozone reached €1tn in 2021, the size of Spain’s GDP, from about €350bn in 2010. Within that, residential assets are said to be an increasingly important part. (..)

The private equity company Blackstone, the world’s largest institutional landlord, manages about $730bn in funds globally, of which $230bn was allocated to real estate in September 2021. Blackstone, which posted record profits in October 2021, owns 65,000 residential units across five European countries. (..)”

According to Preqin data, more than 4,000 institutional investors, directed about $3.6tn of their $136tn assets to European real estate in August 2021. Of these, 1,325 investors held residential assets in their portfolios. The value of real estate portfolios that include housing was said to be about $2tn.

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(*) “House prices: 'Wall of money' hits European real estate”. DW 03-06-2021
https://www.dw.com/en/house-prices-wall-of-money-hits-european-real-estate/a-57765308

2022-02-13

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Alavancagem socialista

O Globo 26-01-2022, por Bloomberg News
https://oglobo.globo.com/economia/investimentos/cidades-chinesas-vendem-terras-para-si-mesmas-na-crise-do-mercado-imobiliario-25368234

Cidades chinesas vendem terras para si mesmas na crise do mercado imobiliário

Cascata (1961), por M.C. Escher 


(..) Em nove das 21 maiores cidades chinesas que registraram vendas de terrenos nos últimos dois meses do ano passado, ao menos metade deles foi comprada pelos chamados veículos de financiamento local do governo, segundo a consultoria China Index Holdings. Eles funcionam normalmente como uma empresa de investimento que vende títulos para financiar o desenvolvimento imobiliário e projetos de infraestrutura locais.

Embora isso possa ajudar a deter a queda na venda de terrenos e a fornecer uma receita necessária aos governos locais, as compras ameaçam exacerbar os riscos para estes veículos de financiamento.

"Comprar terras vai geralmente levar estes veículos de financiamento a acumular empréstimos e aumentar a alavancagem", afirmou Yuqing Fu, gerente de portfólio do fundo de títulos de renda estável HSBC Jintrust. (..)

2022-02-09

sábado, 5 de fevereiro de 2022

"A pretty shitty job"

Jacobin 2019-03-12, por Samuel Stein 
https://www.jacobinmag.com/2019/03/gentrification-is-a-feature-not-a-bug-of-capitalist-urban-planning

Gentrification Is a Feature, Not a Bug, of Capitalist Urban Planning

(..) urban planners’ main job is to contain these two contradictions; neither can be resolved, but both can be managed. It’s a complicated bind. They are supposed to make certain land use interventions, but are prevented from making more sweeping changes. Their process must be open to the public, while simultaneously guaranteeing that ultimate power resides in the hands of propertied elites. It can be a pretty shitty job. (..)"
A view of the Hudson Yards development zone is seen from the street 
on August 31, 2018 in New York City.
Stephanie Keith / Getty / Jacobin

2022-02-05

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Apontamentos: Rolnik 2022 e a urbe desigual

Estes apontamentos são parte de um processo de estudo compartilhado. À beira do urbanismo está à disposição dos autores cujo trabalho aqui se comenta para suas considerações.

CBN Estudio 24-01-2022, entrevista com Raquel Rolnik
https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/364829/em-sao-paulo-todas-caracteristicas-da-cidade-sao-f.htm
 
Imagem e texto: CBN Estudio
Montagem: À beira do urbamnismo
A afirmação "vários fatores determinantes para os paulistanos, como a divisão entre centro e periferias, não surgiram espontaneamente, mas foram resultado de decisões de política urbana" me surpreende e intriga. A menos que tenha sido indevidamente tirada do contexto pela reportagem, ou que seja um exagero retórico de sua autora, não consigo alcançar o seu sentido. 

A proposição dá a entender que a urbanização de mercado não tem leis próprias nem iniquidades inerentes e que o planejamento socialmente orientado tudo poderia se não fosse  desvirtuado por decisões políticas, digamos, antidemocráticas. Ora, se as decisões políticas, executivas ou legislativas, não têm em nenhuma parte do mundo o condão de governar o processo de produção da riqueza - do contrário não haveria crises -, como podem tê-lo de governar a construção da cidade, processo 100% relacionado, direta ou indiretamente, à produção, circulação e consumo de mercadorias e serviços?

A propósito, recém escreveu o urbanista catalão Herce Vallejo: 

"La cuidad moderna (..) es distinta de cualquier tipo de ciudad anterior. Lo es porque es el espacio de concentración de los factores de producción, sobre todo del capital y la mano de obra y, por tanto, es el espacio de la reproducción de la fuerza de trabajo, por lo que favorece el incremento de productividad del trabajo y la rentabilidad del capital. Pero lo es también porque ha concentrado en ella los factores de producción sobre la base de un nuevo sistema económico basado en el capital. Y en ese sentido, la ciudad es también un producto en sí misma, una sumatoria de mercancías inmobiliarias que añaden valor a la propiedad. Si la propia construcción de ciudad se convierte en negocio, en motor de desarrollo económico a través de la multiplicación del capital, es obvio que se ha tendido progresivamente a ampliar el campo de la producción inmobiliaria, del territorio de generación de plusvalía por su proximidad a los factores de producción. (..) [1] 

Na cidade capitalista,“centro” e “periferia” são categorias inter-relacionadas, inerentes à economia do espaço, que contêm em si mesmas o fenômeno da segregação sócio-espacial, tanto mais intenso e perverso quanto mais desigual é a sociedade nacional e - agora sim - politicamente desarticulada a cidadania em geral e a classe trabalhadora em particular.

Cabe perguntar, então, se e como a sociedade teria modificado a relação essencialmente assimétrica, mais exatamente subordinada, que se estabelece, na cidade capitalista, entre urbanização de mercado e políticas públicas, assim descrita por Benevolo no já longínquo ano de 1963:

O urbanismo moderno não nasceu junto com o processo técnico e econômico que gerou e modelou a cidade industrial. Veio mais tarde, quando se evidenciou que os efeitos quantitativos dessas transformações se tornaram conflitantes a ponto de tornar inevitável a necessidade de remediá-los. De modo geral, a técnica urbanística aparece com atraso relativamente aos acontecimentos que tem por missão controlar e guarda um caráter curativo. [2] 

Impelidas pela potência autorreprodutiva do mercado, vale dizer da concorrência capitalista, e ainda que em ciclos tão distintos quanto aqueles que a academia chama de "fordista" e "neoliberal", as grandes metrópoles planetárias não param de crescer, portanto de se expandir e gerar periferias mais ou menos sub-urbanizadas ao redor de seus centros históricos, comerciais e financeiros,  independentemente da opinião que possam ter sobre isso os urbanistas, planejadores, formuladores e executores de políticas públicas. 

Nenhum conjunto de decisões de política urbana, tampouco a sua ausência, podem explicar por si mesmos, por exemplo, o fato de o PIB do estado de São Paulo, inequivocamente capitaneado pela megalópole paulistana, ter crescido cinco vezes mais do que o PIB brasileiro nos últimos três anos. [3] As respostas dos planejadores a esse processo avassalador de concentração econômica e expansão / agregação urbana podem ser mais ou menos progressistas e eficazes, mas hão de ter, necessariamente, caráter reativo e adaptativo. Como dito em 1947 pela Comissão do Plano de Copenhagen, mundialmente conhecido como Finger Plan:

"O Finger Plan partiu da premissa de que a expansão do parque comercial e habitacional era inevitável e impossível de deter". [4]  

Realismo técnico similar, temperado com pragmatismo filosófico e uma pitada de ambiguidade, sustenta a visão do economista e avaliador colombiano Oscar Borrero, adepto das políticas de recuperação e mobilização de mais-valias imobiliárias para fins de financiamento urbano, sobre a contribuição das políticas urbanas no processo de estruturação da cidade contemporânea:   

El conocimiento e identificación de la fase de desarrollo en que se encuentra cada sector de una ciudad es igualmente importante para los organismos de planeación de esa ciudad para saber en qué momento conviene adoptar una determinada política para estimular un proceso de rehabilitación, de renovación o de desarrollo de un sector. (..) Cuando la planeación urbana va en contra de las necesidades sociales y las leyes del mercado, genera un mayor caos urbano. La planeación debe ir delante de la demanda encauzando las necesidades. [5] [Itálico meu]

Não duvido nem por um momento que políticas urbanas inadequadas venham contribuindo, há décadas, para ampliar as desigualdades espaciais e gerar na metrópole paulistana “um maior caos urbano”. Mas não concebo nenhum conjunto de decisões governamentais capaz de anular os efeitos perversos, para não dizer caóticos no caso dos países ditos 'emergentes', da operação das leis do mercado no processo de urbanização. 

Devemos supor que a urbanização de mercado é capaz de produzir cidades sustentáveis e socialmente equilibradas desde que balizada por políticas corretas? A segregação sócio-espacial pela via do mercado de localizações deixou de ser o modo normal de estruturação da cidade capitalista? Serão as políticas urbanas pró-mercado o fundamento dessa segregação, como sugere Rolnik, ou apenas sua agravante nos ciclos históricos desfavoráveis às lutas populares e às ambições das organizações estatais de planejamento?

Para ilustrar a divergência e corroborar minha crítica, trago uma passagem de São Paulo: o planejamento da desigualdade:

“(..) Afastada do núcleo urbanizado, a avenida Paulista contava com rede de água e esgoto, iluminação e piso macadamizado com pedregulhos brancos antes de ser ocupada. Em 1894, Joaquim Eugênio de Lima, incorporador da Paulista, conseguiu aprovar uma lei na Câmara Municipal exclusivamente para a avenida, obrigando as futuras construções a obedecer a um afastamento de dez metros em relação à rua, bem como dois metros de cada lado, a serem ocupados por, de acordo com a lei, “jardins e arvoredos”. Dessa forma, por meio de leis que definem um modo de construir que corresponde clara e exclusivamente a um segmento social, garantiu-se ao longo da história da cidade que os espaços com melhor qualidade urbanística fossem destinados a esses grupos, apesar da imensa pressão representada permanentemente pelo crescimento populacional das massas imigrantes. Nesse episódio se esboça o fundamento de uma geografia social da cidade, da qual até hoje não se conseguiu escapar. (..)” [6] [destaque meu]

A propósito do "fundamento da geografia social" da cidade capitalista, já em 1903 o economista-avaliador estadunidense Richard Hurd, pioneiro dos estudos de organização espacial urbana, era tão taxativo quanto esclarecedor:
 

“A terra é de quem paga mais - os ricos escolhem as localizações que lhes agradam, as classes médias ficam o mais perto deles que conseguem e assim por diante na escala da riqueza, restando aos trabalhadores pobres as áreas fabris, ferroviárias, portuárias etc., ou a periferia distante.” [7]

Os limites do planejamento urbano em face da urbanização de mercado é assunto fascinante, e da maior importância. Vou escutar com atenção a entrevista completa da profa. Rolnik e continuar refletindo.
  
2022-02-01

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[1] HERCE VALLEJO Manuel, “Las infraestructuras en la construcción de la ciudad capitalista”. Café de las Ciudades, Abril 2021 

[2]  BENEVOLO Leonardo, Le Origini dell’Urbanistica Moderna, 1963. Tradução livre PJ.

[3] ‘PIB de SP cresce 5 vezes mais que o do Brasil em 3 anos, aponta Seade”. Portal do Governo 26-01-2022
https://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/pib-de-sp-cresce-5-vezes-mais-que-o-do-brasil-em-3-anos-aponta-seade-2/

[4] SØRENSEN E e TORFING J, “The Copenhagen Metropolitan ‘Finger Plan’”. Em HART P e COMPTON M, Great Policy Successes, Oxford Scholarship Online: October 2019. Tradução livre PJ.
https://oxford.universitypressscholarship.com/view/10.1093/oso/9780198843719.001.0001/oso-9780198843719-chapter-12

[5] BORRERO Oscar, “Formación de los precios del suelo urbano”. Lincoln Institute of Land Policy, EAD, 2005.
https://drive.google.com/file/d/12719bJhO6ztK8uQ2cj6MhJzEwVuiH6Vv/view?usp=sharing

[6] ROLNIK Raquel. São Paulo: o planejamento da desigualdade. Fósforo. Edição do Kindle, p. 29.

[7] “(..) the land goes to the highest bidder - the rich selecting the locations which please them, those of moderate means living as near by as possible, and so on down the scale of wealth, the poorest workmen taking the final leavings, either adjacent to such nuisances as factories, railroads, docks, etc., or far out of the city.” [HURD R M, “Cap VI, “Distribution of Utilities”, em Principles of City Land Values. New York: Record and Guide, 1903]
https://docs.google.com/document/d/1DpC1cKyp8bHu_MAyegpfnGOYmlcZoYR18urRW1w_BUQ/edit?usp=sharing
 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Outorga onerosa, para que te quero

O Globo 24-01-2022, por Rennan Setti
https://blogs.oglobo.globo.com/capital/post/o-que-incomoda-construtoras-do-rio-no-plano-diretor-proposto-por-paes.html


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Imagem e texto: O Globo
Observação #1. "(..) outorga onerosa, que prevê o pagamento de contrapartidas ao poder público para quem construir em um terreno acima de um limite estabelecido na lei" é uma definição equivocada. A Outorga Onerosa permite construir acima dos coeficientes básicos de aproveitamento dos terrenos, mediante pagamento de contrapartida, até os coeficientes máximos estabelecidos pela lei.

Observação #2. A ADEMI Rio é o suprassumo da cupidez empresarial no Brasil. Transição de 10 anos a essa altura do campeonato é o mesmo que Dia de São Nunca.

Observação #3. A outorga onerosa "vai desacelerar lançamentos na cidade" é a ameaça-padrão. Dentro de certos limites e proporcional ao preço de venda do m2 privativo, a outorga onerosa de potencial construtivo apenas recupera, para fins de financiamento urbano, parte da renda de localização de que o incorporador se apropria como sobrelucro do empreendimento.

Observação #4. A outorga onerosa de potencial construtivo deve ser vista como modalidade da obrigação de urbanizar. Da mesma forma como o loteador (negociante de lotes) tem a obrigação de custear a urbanização da gleba e ceder terrenos para equipamentos públicos, o incorporador (negociante de frações ideais) tem a obrigação de custear serviços públicos e equipamentos compatíveis com o adensamento urbano (circulação e transportes, por exemplo) ou compensatórios da distribuição desigual dos benefícios da urbanização.

2022-01-28

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

TCM-SP breca xepa de CEPACs!

O Estado de S Paulo 13-01-2022, por Circe Bonatelli
https://economia.estadao.com.br/blogs/coluna-do-broad/leilao-de-titulos-da-construcao-na-zona-sul-de-sp-pode-movimentar-r-348-mi/

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Imagem e texto: O Estado de S Paulo
Leilão de títulos da construção na Zona Sul de SP pode movimentar R$ 348 mi

Observação #1. “Cepacs são títulos que permitem às construtoras erguerem prédios acima dos limites estabelecidos por lei em cada bairro” é uma definição recorrente, mas totalmente equivocada. Os Cepacs não permitem construir “acima dos limites estabelecidos por lei”, mas acima dos coeficientes básicos de aproveitamento dos terrenos, até os limites máximos permitidos pela lei.

Observação #2. Ofertar hoje a R$ 1.450,00 Cepacs que foram vendidos 10 anos atrás por R$ 1.282,00 é no mínimo estranho, para não dizer altamente suspeito. Uma rápida pesquisa de preços imobiliários na área urbana dessa OUC revela uma ordem de grandeza de R$ 10.000,00 / m2 privativo. Se estimarmos o componente terra em 40-45% nessa faixa de preço, temos R$ 4.250,00/m2, 50% do qual, proporção adequada para Cepacs, atinge um valor de R$ 2.150,00, quase igual aos R$ 2.175,00 exigidos pelo Tribunal de Contas do Município. Ponto para o TCM!

Observaçao #3. “Os leilões também atraem investidores, que depois podem vender os Cepacs no mercado secundário, em Bolsa” é uma verdade, cuja relevância costuma ser, no entanto, bastante exagerada. Os CEPACs circulam muito menos do que se imagina no mercado financeiro. Cito a mim mesmo:

“O fato de os CEPACs poderem ser transacionados na bolsa de valores lhes confere certa flexibilidade como ativos, mas não os transforma em ações, ou títulos de dívida pública de longo prazo, que podem valorizar-se e circular indefinidamente no mercado financeiro; não modifica a sua natureza essencial de certificados de direito sobre a renda da terra a ser extraída de empreendimentos imobiliários apenas possíveis no espaço e no tempo da Operação Urbana Consorciada que os emitiu para financiar-se. Nem o ímpeto da economia em geral nem a saúde de tal ou qual empresa: o preço dos CEPACs no mercado de títulos reflete, pura e simplesmente, a expectativa de valorização dos produtos imobiliários que poderão ser construídos no perímetro da OUC. Em outras palavras, o CEPAC é servo da terra, condenado a transformar-se em empreendimento imobiliário nos termos e prazos estipulados pela OUC. Além deles, perde todo o seu valor.” [*]

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"CEPACs, ainda  uma vez". À beira do urbanismo 05-12-2020 

2022-01-24

domingo, 16 de janeiro de 2022

Competição impossível: famílias vs. empresas

Jacobin 06-01-2022, por John Clark
https://jacobinmag.com/2022/01/canada-housing-market-real-estate

When Canada’s Housing Bubble Pops, It Will Cause Misery and Ruin

As recently as ten years ago property speculators were a minority amongst Ontario’s home buyers. Investors now surpass first-time buyers as well as the total number of people moving between homes. According to a recent report, between January and August of last year investors were responsible for a quarter of house purchases in the province.
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Fonte: https://www.cbc.ca/news/canada/toronto/investors-in-ontario-real-estate-market-1.6258199

These speculative investments are, of course, driving up prices. They are also creating major problems for the economy as a whole because the rising cost of housing has increased the amount of private debt held by individuals. (..)
In the last two decades, home prices have gone up by 375 percent in Canada.

These increases have been especially marked in in Toronto and Vancouver, where prices have swelled by 450 and 490 percent respectively. This rise far outstrips any other developed markets in the world. In recent years, an incredible gulf has opened between house prices and real income. (..)

2022-01-16

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

UK Railways: quem vai pagar a conta?

The Guardian 10-01-2022
https://www.theguardian.com/commentisfree/2022/jan/10/uk-railways-nationalise



Railways have always been a catalyst of economic growth and prosperity, but politicians throughout history have often failed to recognise this. Some are commercially successful, some aren’t. So what? No one ever asks why the B-road to Nether Hopping should be kept open even though few cars use it on a daily basis.

A properly funded, properly configured railway would cost a lot of money over the next few years until passenger numbers recovered, but railways are more than trains and tracks: they are an essential part of the fabric of the country.


Leia neste blog
“Transmilenio: quem vai pagar a conta?”, À beira do urbanismo 08-01-2022
https://abeiradourbanismo.blogspot.com/2022/01/transmilenio-quem-vai-pagar-conta.html

 2022-01-12


sábado, 8 de janeiro de 2022

Transmilenio: quem vai pagar a conta?

O Globo 03-01-2022, por Ivan Martínez-Vargas
https://oglobo.globo.com/mundo/exemplo-internacional-sistema-de-transporte-de-bogota-baseado-em-brt-enfrenta-crise-25339198

Exemplo internacional, sistema de transporte de Bogotá baseado em BRT enfrenta crise


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O Transmilenio de Bogotá, conquista histórica da cidadania colombiana, pode até estar maduro para ser parcialmente substituído por uma ou duas linhas de Metrô. Contudo, em se tratando de serviço público, temos de ficar de pé atrás com a imprensa em geral: interesses privados (operadoras, empreiteiras) costumam ser a força motriz de seus critérios editoriais. 

A crítica do déficit do Transmilênio tal como veiculada não tem valor algum: sistemas de transporte urbano em grandes cidades são inapelavelmente deficitários pela simples razão de que a tarifa que cobre seus custos de implantação e operação já não cabe, faz tempo, no bolso da imensa maioria dos usuários. A circulação é a mãe de todas as deseconomias metropolitanas e o subsídio coletivo à mobilização - e ao custo! - da força de trabalho a primeira lei do transporte urbano. 

Significa dizer que a eficiência econômica de um sistema integrado de transporte urbano metropolitano não se pode medir pela razão custo/tarifa, mas pela relação entre o custo total e algum indicador do benefício econômico geral, digamos, o PIB. Mesmo aumentando exponencialmente o déficit, a substituição de partes do Transmilenio por Metrô pode se mostrar uma exigência da economia municipal bogotana e até da economia nacional colombiana! 

A ideia recorrente de que a privatização dos transportes de  grande capacidade reduz o déficit é um embuste: os privados não arcam com os custos de implantação e aquisição de material rodante e a fragmentação do sistema gera desarranjos em cadeia que o tornarão ainda mais caro a longo prazo. As concessões são meras oportunidades de gestão monopolista de pedaços da rede e seus componentes - a operação, de preferência - às expensas do conjunto. 

O problema do financiamento do déficit do sistema integrado de transportes é que as possíveis rubricas, ou fontes de recursos - impostos municipais, exploração de terrenos e publicidade, impostos estaduais sobre a propriedade e a circulação automotiva, tesouros municipal, estadual e federal etc., - afetam desigualmente os distintos segmentos da população e da própria administração pública, gerando inevitáveis disputas. No fundo, trata-se de um debate de tipo tributário: qual parcela do custo de mobilização da força de trabalho será paga pelos próprios trabalhadores, qual será paga, e como, pelos demais “atores sociais”.

A escolha dos candidatos preferenciais ao financiamento dos transportes nas grandes metrópoles não deveria ser difícil. As agências de desenvolvimento econômico nos garantem que as metropoles são as usinas geradoras da riqueza planetária [1],  o Índice Bilionários da Bloomberg estima que a fortuna dos superricos cresceu 1 trilhão de dólares em 2021 [2] e a própria mídia impressa e virtual vem oferecendo aos embasbacados cidadãos o espetáculo dos biliardários gastando o seu suado dinheirinho em passeios turísticos pelo espaço sideral.[3] Basta ligar os pontos. 

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2022-01-08

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NOTAS

[1] UN-HABITAT, The Economic Role of Cities. The Global Urban Economic Dialogue Series, United Nations Human Settlements Programme. Nairobi 2011
https://unhabitat.org/economic-role-of-cities

[2] “Um ano bom para os superricos: fortuna do clube de Musk cresceu US$ 1 tri em 2021”, Valor Empresas 01-01-2022, por Devon Pendleton e Jack Witzig, Bloomberg
https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/01/01/um-ano-bom-para-os-superricos-fortuna-do-clube-de-musk-cresceu-us-1-tri-em-2021.ghtml

[3] “Voo de Branson abre corrida de bilionários no turismo espacial”. Nexo 11-07-2021, por Redação.
https://www.nexojornal.com.br/extra/2021/07/11/Voo-de-Branson-abre-corrida-de-bilion%C3%A1rios-no-turismo-espacial

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Pedra cantada

InfoMoney 27-12-2021, por Giovanna Sutto
https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/demanda-por-compra-de-imoveis-no-interior-esfria-mas-precos-seguem-em-alta/


Demanda por compra de imóveis no interior esfria, mas preços seguem em alta

(..) Ano passado muito se discutiu o fenômeno do êxodo urbano, com famílias procurando casas no interior para terem mais espaço e qualidade de vida. Porém, é unanimidade entre os especialistas que esse processo foi pontual.
Imagem: Internet

Segundo Alberto Ajzental, coordenador do curso em Desenvolvimento de Negócios Imobiliário da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a demanda é sinal claro disso. “É um fenômeno que acontece com uma fatia pequena da população, entre outros pontos porque é caro e também porque não são todas as profissões que permitem o trabalho remoto”, avalia.

“Nunca foi um processo universal. Além disso, muita gente comprou terreno e ainda não construiu porque está na dúvida do que faz agora: vai conseguir passar mais tempo na casa? será apenas para veraneio? vale o investimento? Fica fácil ir e voltar? Quanto mais longe de São Paulo, mais difícil adotar o trabalho híbrido e mais provável reverter a decisão e voltar para a cidade com centro urbano, deixando o imóvel no interior para feriados e fim de ano”, diz o professor. (..)

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Sobre o tema, leia neste blog

[1] “Revoada seletiva”, À beira do urbanismo 01-05-2021 https://abeiradourbanismo.blogspot.com/2021/03/interiorizacao-metropolitana.html

[2] “Interiorização metropolitana”, À beira do urbanismo 12-05-2021
https://abeiradourbanismo.blogspot.com/2021/02/revoada-seletiva.html

[3] “15 minutos de prudência”, À beira do urbanismo 18-05-2021.
https://abeiradourbanismo.blogspot.com/2021/05/15-minutos-de-circunspeccao.html

[4] “Interiorização à francesa”, À beira do urbanismo 19-06-2021 https://abeiradourbanismo.blogspot.com/2021/06/interiorizacao-metropolitana-francesa.html

2022-01-04