domingo, 18 de agosto de 2019

Chicago, século XIX: em busca do Grid (1)

Chicago em 1857 
Litogravura C. Inger, c/ base 
em desenho de I.T. Palmatary 
Encyclopedia of Chicago / Historical Society 
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Uma incursão pela Encyclopedia of Chicago à procura das origens do Grid, trama urbana reticulada que é um dos aspectos característicos da cidade, levou-me a uma cadeia de fatos e desenvolvimentos urbanos bastante anteriores à entrada em cena do urbanismo e do planejamento tal como geralmente os referimos, de seus colaterais no âmbito da sociologia e da geografia [1] e da fama que eles, com justificada razão, agregaram à grande metrópole estadunidense. 

As três postagens previstas para este título são um breve resumo dessa peregrinação pelas fontes de informação, não acadêmicas em sua maior parte e todas disponíveis na Internet. Para obter o texto compacto que exigem as postagens, optei por colocar os muitos adendos explicativos, quase todos livremente redigidos com base nas fontes citadas, como notas de rodapé - culpa, por certo, da minha síntese pouco competente, mas em alguma medida também da própria Chicago, cuja vertiginosa história não se deixa resumir em poucos parágrafos sem um boa quantidade de atalhos, ramificações e... loops

O leitor poderá optar pelo sistema expresso ou pelo parador. Se tiver tempo, será interessante experimentar os dois.

Uma excepcional combinação de circunstâncias


De town de 350 almas reconhecida em 1933 a city de 4.170 habitantes instituída em 1937, Chicago emergiu à beira do Lago Michigan como uma bolha urbana em meio ao tropel colonizador do Meio-Oeste norte-americano. 

Segundo a maior parte dos relatos, o motor dessa transformação foi o início da construção, em 1836, do Canal Illinois & Michigan, ponta de linha do complexo hidroviário que serviu, até o amadurecimento da rede ferroviária norte-americana na década de 1880, de principal rota de transporte de mercadorias entre as férteis terras agrícolas virtualmente inexploradas do médio-alto Mississippi e a Nova Inglaterra já em acelerado processo de urbanização e industrialização.[2]

Contudo, uma grande obra de infraestrutura regional e um novo fluxo de riquezas não criam por si sós, em seu caminho, uma nova metrópole, e em nenhuma hipótese como o que se deu aqui [3a]: em pouco mais de 70 anos, um pequeno povoado lacustre de 350 habitantes [3] se transformou em metrópole nacional de mais de 2 milhões. Uma combinação excepcional de circunstâncias há de estar envolvida. 

Duas dessas circunstâncias foram, sem dúvida, a venda massiva de terras federais recém tomadas aos nativos - parte delas cedidas ao novo estado de Illinois a cargo da Comissão do Canal I&M para o financiamento da obra [4] - e a vigorosa onda migratória Leste-Oeste que incluiu, a partir de 1840, grandes contingentes de trabalhadores e colonos europeus em busca de oportunidades no Novo Mundo. [5][6]  O resultado foi a transformação da região, quase que da noite para o dia, em um paraíso especulativo. 

Abundante oferta de terras férteis para cultivo e criação em pequenas e médias propriedades com escoamento assegurado; um sólido mercado de consumo estabelecido na Nova Inglaterra; legiões de migrantes [7] com níveis de qualificação convenientemente distribuídos; fortunas meteóricas, portanto capital de investimento ávido por oportunidades de valorização, nascidas da especulação em larga escala dos preços do solo [8]; uma extraordinária massa crítica de progressos tecnológicos; enorme demanda de  gastos públicos na construção da infraestrutura regional e urbana [9]; e, muito importante apesar de pouco citada, a localização estratégica de Chicago para o esforço ianque na Guerra de Secessão (1961-65) [10] - foram os ingredientes dessa mistura explosiva.

Projetado pelo arquiteto-engenheiro 
William Le Baron Jenney, o 
Home Insurance Building, 
inaugurado em 1885, é tido 
como um dos primeiros arranha-céus, 
com 42m de altura e 10 pavimentos, 
mais 2 acrescidos em 1891.  Foi o 
primeiro de seu gênero a utilizar 
elementos estruturais em aço, embora
a maior parte da estrutura fosse em 
ferro fundido e forjado. Pesava um 
terço do que teria um equivalente em 
alvenaria. As autoridades ficaram tão 
apreensivas que fizeram suspender a 
obra para investigar a sua segurança. 
Foi demolido em 1931.
O turbilhão econômico foi de tal ordem que, em retrospecto, as crises recessivas de 1837-43 e 1873-78 [11] são lembradas como meros contratempos e o devastador incêndio de 1871 [12] um acidente de percurso, aliás muito bem aproveitado, no building boom que o sucedeu, como oportunidade de inversão de capitais na construção do mais moderno centro de negócios do planeta.[13] 

Em 1893, sessenta anos depois de sua instituição como um "povoado pobre e mal-ajambrado, de futuro duvidoso", Chicago exibiu-se ao mundo na Exposição Internacional que ela mesma organizou [14], se não na função de quartel-general, que cabia com exclusividade a Nova York, seguramente como casa de força da imparável expansão do capitalismo norte-americano.

Urbanismo antes do urbanismo

Como qualquer grande cidade na época moderna, Chicago foi obrigada a enfrentar uma série de problemas que hoje dizemos “urbanos” desde muito antes da consolidação, nas primeiras décadas do século XX, do urbanismo e do planejamento como disciplinas técnicas, profissões reconhecidas e áreas especializadas da administração pública.

E o fez, como era de se esperar, no ritmo das urgências e necessidades de uma agressiva classe proprietária dominante em meteórica ascensão - com todas as consequencias sociais e políticas daí derivadas. Não por acaso, deu-se em Chicago em 1886 o acontecimento que os trabalhadores do mundo inteiro até hoje rememoram a Primeiro de Maio: a morte, sob a fuzilaria da polícia, de manifestantes em luta pela jornada de 8 horas no dia da Greve Geral convocada pela Federação dos Trabalhadores dos EUA e Canadá.

Os agudos conflitos de classe se estenderam, como não podia deixar de ser, ao plano da habitação e dos serviços urbanos. A reconstrução subsequente ao grande incêndio de 1871 foi ela própria um ponto de inflexão no processo de segregação espacial. Boa parte dos mais de 100 mil desabrigados, um terço da população total, se viu forçada a sair de seus lugares de residência na região central para cortiços no setor pericêntrico sudoeste, onde se concentravam instalações industriais altamente poluentes, juntando-se aí às levas de migrantes de baixa qualificação que afluíam sem cessar. Reforçada e estendida na direção sul pela Migração Afro-Americana a partir de 1916, essa distribuição sócio-espacial perduraria até os dias atuais.

Foi somente a partir da década de 1890 que, tal como no restante do mundo norte-atlântico, as lutas proletárias e as ações de higienistas e moralistas burgueses, grandes e pequenos, confluíram e se amalgamaram, de maneira mais ou menos pacífica, em uma etapa de reformas sociais e urbanas conhecida nos Estados Unidos como Progressive Era - marco temporal e cultural do que um autor estadunidense chama de “nascimento do planejamento urbano organizado” em seu país.[15]

De todo modo, ainda que muito limitadas relativamente ao maquinário institucional construído ao longo do século XX, as manifestações da esfera pública na vida da cidade entre a instituição da Vila, em 1833, e a apresentação do Plano Burham, em 1909, quando já contava mais de 2 milhões de habitantes, foram significativas e produziram efeitos duradouros, quer no plano das obras, equipamentos e serviços, quer no da regulação dos usos do solo. Ela será resumidamente descrita na segunda parte desta série em quatro vertentes principais: saneamento, edificações, transportes e parques. 

A todas essas manifestações subjaz, onipresente, o Grid, vasto arruamento em tabuleiro guiado pela malha topográfica [16] que definiu, desde os primórdios da cidade, o parcelamento do solo. Ele é a origem, o objeto principal e o arremate dessa contribuição. (Continua)

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NOTAS

[1]
Refiro-me, em ordem cronológica, ao Plano Burnham-Bennet, de 1909, às realizações escola de sociologia urbana de Chicago, muito especialmente o estudo de Burgess/1924 sobre o impacto dos processos de desterritorialização resultantes do crescimento urbano, e aos estudos de geografia urbana sintetizados nos modelos de organização espacial de Hoyt/1939 e Harris-Ullman/ 1945.

[2] “À beira do Lago Michigan, no coração do Meio-Oeste, Chicago tinha um enorme potencial de localização estratégica. Era a porta de entrada da melhor rota para o Vale do Mississippi, local de escoamento de sua produção agrícola e de desembarque de pessoas e mercadorias oriundas do Leste.” [ROBERTS I] "O Canal Illinois & Michigan tornou rentável uma agricultura que, até meados do século XIX, se limitava à subsistência". [WIKIPEDIA]


[3] "Por ocasião de sua instituição, em 1833, Chicago não passava de um pobre e mal-ajambrado povoado de 350 habitantes, de futuro duvidoso - 'umas poucas cabanas e barracos perdidos num caos de lama, lixo e confusão'. O lugar, poucos metros acima do nível do Lago Michigan, era quase todo cercado de pântanos e pradarias que ficavam quase intransitáveis após o degelo da primavera e nos períodos de chuvas fortes." [ROBERTS I]

[3a] Começar pequena e se multiplicar várias vezes em poucas décadas não era raro no século XIX: Detroit se expandiu 13 vezes, de 9.000 para 116.000, entre 1840 e 1880; e St. Louis, 22 vezes, de 16.000 a 351.000. Mas Chicago, passando de 4.000 para 503.000 nos mesmos 40 anos, multiplicou-se 126 vezes. [NUGENT]

[4] A Comissão do Canal recebeu 115 mil hectares de terras, colocadas à venda por $1.25/acre para financiar sua construção. Foram necessários, não obstante, empréstimos de investidores privados da Nova Inglaterra e da Grã-Bretanha para a conclusão das obras, ocorrida em 1848. A venda de terras e o sistema de pedágio permitiram à Comissão quitar todos os débitos do Canal em 1871. Com a concorrência das ferrovias, o serviço comercial de passageiros foi extinto em 1853; o de mercadorias teve seu ápice em 1882 e foi encerrado em 1933. [LAMB]

[5] O canal foi construído por imigrantes irlandeses que viviam e trabalhavam em acampamentos provisórios ao longo do percurso. [LAMB]

[6] Em 1850, dos 850 mil habitantes de Illinois, 60% eram norte-americanos oriundos de outros estados, principalmente Nova York, e 19% estrangeiros, principalmente alemães e irlandeses. Em 1860, da população total de 1,7 milhões, 60% eram migrantes nacionais e 32% alemães e irlandeses; em Chicago, mais da metade da população era nascida no estrangeiro. Em 1910, cerca de 40% dos 5,6 milhões de habitantes eram migrantes, sendo mais de 20% estrangeiros, com grande incidência de suecos. [GREGORY / FRAZER / MEYER] 


[7] Não confundir com a “Grande Migração”, ou “Migração Afro-Americana”, de quase 7 milhões de afro-americanos do sul e sudeste rurais para os centros urbanos do nordeste, centro-oeste e oeste, entre 1916 e 1970, dos quais cerca de 500 mil para a a cidade de Chicago. Até então, somente 2% da população de Chicago era negra. [GROSSMAN]

[8]  Na década de 1830, a especulação imobiliária eclipsou o comércio de peles como a principal atividade econômica na região de Chicago. (..) Especuladores da Europa e do nordeste dos Estados Unidos enviaram seus representantes, que se uniram a residentes antigos e migrantes recentes na busca dos imóveis comercialmente mais promissores [KEATING/MARCUS].
A milha quadrada limitada pelas ruas Madison, State, 12a (hoje Roosevelt Road) e Halsted, adquirida em 1830 por $1.25/acre, foi vendida em outubro de 1833 por $60/acre - uma valorização de 4.700% em 3 anos! [MARTIN] Segundo o historiador Donald Miller, em 1832 uma pequena parcela em Clark Street custava 100 dólares. Dois anos depois, a mesma propriedade valia 3 mil. No ano seguinte, era vendida por 15 mil. Um jornalista escreveu: “Quem tinha um pedaço de terra ficava de cabeça virada, se achando um milionário” [BAER]

[9] O estado de Illinois aplicou milhões oriundos da venda de solo para abrir o Canal I&M nas décadas de 1830 e 1840 e outros 3 milhões no fim da década de 1860 para aprofundá-lo. Chicago já havia gasto cerca de 11 milhões de dólares em saneamento até 1890, quando Illinois iniciou o Chicago Sanitary and Ship Canal, obra de 60 milhões de dólares que chegou a empregar 8.500 homens ao mesmo tempo. “As encomendas do governo foram, desde muito cedo, a principal área de negócios das empreiteiras de Chicago”. [WILSON]

[10] A guerra civil (1861-65) afastou dos mais importantes rivais urbanos de Chicago o fluxo de produtos alimentares vitais. Demasiado próximas das linhas de frente, St. Louis perdeu o status de centro nacional de distribuição de grãos e Cincinnati o de capital do processamento de carne. Chicago emergiu como novo centro logístico, comercial e industrial, fornecendo à União o material ferroviário indispensável ao transporte de tropas e suprimentos e à expansão para o Oeste. Em 1870, o número de fábricas em Chicago era o triplo do início da guerra. E como era de esperar, vieram também os bancos: em 1863 foi fundado o First National Bank of Chicago; no fim da guerra, a cidade sediava 13 bancos nacionais, mais do que qualquer outra no país. [KARAMANSKI]

[11] 
A construção do canal começou em 1836. O “Pânico de 1837”, uma “devastadora recessão econômica nacional que durou sete anos e levou o estado de Illinois à beira da insolvência, acarretou a suspensão das obras em 1841. Com a reestruturação administrativa e financeira de 1845, as obras foram concluídas em 1848. O “Pânico de 1873” foi a crise financeira que desatou a depressão econômica de 1873-1877 no mundo norte-atlântico. Na Grã-Bretanha, em especial, foram duas décadas de estagnação que enfraqueceram a liderança econômica do país. Nos Estados Unidos, o episódio foi chamado de "Grande Depressão" até a crise dos anos 1930. [WIKIPEDIA]

[12] O incêndio matou cerca de 300 pessoas e destruiu cerca de 17.450 edificações numa área de quase 9 km2, com danos materiais estimados em 200 milhões de dólares. Cerca de um terço da cidade foi destruída, deixando desabrigada igual proporção da população urbana - quase 100.000 pessoas. A devastação atingiu as áreas centro e norte da cidade, deixando intactos os currais e depósitos de madeira ao sul e oeste. A reconstrução foi rápida. Em 1880, a população atingiu meio milhão de habitantes. [BRITANNICA I]

[13] “Na Chicago do fim do século (..) afirma-se outro exemplo de tipo edilício (..). O arranha-céu fornece uma função espetacular ao edifício para escritórios, novo protagonista do cenário urbano, tornando-se sede de bancos, seguros, sociedades comerciais e financeiras. O processo é alimentado por um incremento decisivo das atividades terciárias, muitas vezes unidas ao propósito de associar o nome da companhia a sedes e localizações de prestígio.” [ZUCCONI, p. 151]

[14] A Exposição Internacional de 1893 foi organizada pela cidade de Chicago, superando a concorrência de Nova York, Washington D.C. e St. Louis, por ocasião do 400º aniversário da chegada de Colombo ao Novo Mundo. Foi um evento social e cultural de grande impacto, autêntica celebração do otimismo industrial americano, com enorme repercussão nas áreas da arquitetura, engenharia e artes em geral. Com representação de 46 países, ocupou uma área de 2,8 km2, com cerca de 200 edifícios novos, temporários, de arquitetura predominantemente neoclássica. O projeto, que incluía canais e espelhos d’água, seguiu os princípios da arquitetura neoclássica francesa: simetria, equilíbrio e esplendor. A cor do material usado nas fachadas dos edifícios rendeu ao conjunto o epíteto que o imortalizou: Cidade Branca. [WIKIPEDIA]

[15] PETERSON J A. “The Birth of Organized City Planning in the United States, 1909–1910” (2009), Journal of the American Planning Association, 75:2, 123-133,
http://fliphtml5.com/wgak/uihy

[16] A Land Ordinance (Lei do Solo) de 1785 estabeleceu um sistema [de divisão padronizada do solo] por meio do qual colonos podiam comprar, à distância, títulos de terras agrícolas no oeste subdesenvolvido. Como o Congresso, na época, não tinha poder de tributação direta, a venda de terras proporcionou um importante fluxo de receita. O sistema veio a abranger mais de 3/4 da área continental dos Estados Unidos. [WIKI LO1875]

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REFERÊNCIAS


BAER G. “The History of the Chicago River”, WTTW / The Chicago River Tour

BRITANNICA. “Chicago Fire of 1871”. Encyclopedia Britannica
https://www.britannica.com/event/Chicago-fire-of-1871

GREGORY, James. “Illinois Migration History 1850-2010”, America’s Great Migrations Project

GROSSMAN James. “Great Migration”. Encyclopedia of Chicago.

ILLINOIS DEPARTMENT OF NATURAL RESOURCES [IDNR]. “Exploring the History of the Illinois and Michigan Canal”. Acquatic Illinois 2016

KARAMANSKI T. “Civil War”. Encyclopedia of Chicago

KEATING A D e MARCUS S S. “Global Capitalism and Chicago Real Estate”, Encyclopedia of Chicago

LAMB John. “Illinois and Michigan Canal”. ENCYCLOPEDIA OF CHICAGO 2004

MARTIN L. “The Grid”. Encyclopedia of Chicago

MEYER D K. “Foreign Immigrants Illinois 1850”. Immigrants

MILLS E S e SIMMONS C S. “Evolution of the Chicago Landscape: Population Dynamics, Economic Development, and Land Use Change”, em Growing Popuations, Changing Landscapes: Studies from India, China and the United States (2001), The National Academies Press
https://www.nap.edu/read/10144/chapter/20

NUGENT Walter. “Chicago as a Modern City”. Encyclopedia of Chicago 2004

ROBERTS, M. “Early Cook County Roads -- Part One”. Nature Bulletin No. 738 January 11, 1964, Forest Preserve District of Cook County

ROBERTS, M. “Early Cook County Roads -- Part Two: The Plank Road Era”. Nature Bulletin No. 739 January 18, 1964, Forest Preserve District of Cook County

THE EDITORS. “Illinois and Michigan Canal”. Wikipedia

THE EDITORS. “World’s Columbian Exposition”. Wikipedia.

WILSON M R. “Construction”. Encyclopedia of Chicago.

ZUCCONI, Guido. A Cidade do Século XIX [2001]. São Paulo: Perspectiva 2009.


2019-08-15