quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Apontamentos: IAU 2019 - gentrificação e pauperização na região de Paris

IAU île-de-France, “Gentrification et paupérisation au cœur de l’Île-de-France Evolutions 2001-2015 Mai 2019”. Institut d’Amenagement et d’Urbanisme, Mai 2019

Região Parisiense (Île-de-France)
Tipologia das comunidades segundo
a renda das famílias 2015

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Sou deliberadamente cauteloso, para dizer o mínimo, com a redução da estrutura sócio-espacial das grandes metrópoles contemporâneas ao contraste centro/periferia, ricos/pobres, alta renda/baixa renda, regularmente destacado em um grande número de estudos urbanos contemporâneos. 

Contudo, é inegável que a implosão, em 2008, da retaguarda econômica do Estado do bem-estar vai recriando em todo o mundo, ainda que em ritmos muito distintos, condições urbanas análogas às da primeira metade do século XIX - como disse há poucos dias, com todas as letras, o economista francês Thomas Piketty a propósito da desigualdade no Brasil. 

O estudo acima, produzido e publicado pelo Institut d’Amenagement et d’Urbanisme da região de île-de-France, é a prova inequívoca de que nenhum país está a salvo:

“(..) A análise dos dados do período 2001-2015 atesta, em primeiro lugar, num contexto de crescente desigualdade entre municípios e distritos, o reforço dos contrastes entre setores extremos, com uma polarização cada vez mais acentuada entre setores ricos e setores pobres no coração da aglomeração. As disparidades de renda continuam a aumentar no coração da cidade. Estamos testemunhando, por um lado, a consolidação de áreas ricas pelo enriquecimento e disseminação de riqueza para áreas vizinhas um pouco menos ricas e, por outro lado, a pauperização absoluta de setores urbanos inteiros. Em 44 dos municípios mais pobres da região, onde vivem 15% dos residentes da Île-de-France, a renda média em euros constantes caiu entre 2001 e 2015. Ainda faltam poucos executivos para se estabelecer lá. Eles continuam a canalizar o crescimento de famílias imigrantes em Ile-de-France. A concentração de trabalhadores pouco qualificados, muitos deles imigrantes, mais expostos ao aumento do desemprego e a empregos precários, e o aumento de famílias monoparentais (em conexão com o tamanho do estoque social) contribuem para a estigmatização e deterioração da situaççao financeira dos residentes. (..) "

2020-08-05