quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Concessões cariocas: buracos sem fundo

O Globo 30-11-2019, por Aline Macedo

Justiça permite que o estado volte a investir na conclusão da estação de metrô da Gávea

Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
Depois de quase cinco anos de paralisação, as obras para concluir a estação do metrô da Gávea, que integra a Linha 4, podem ser retomadas pelo estado. Na sexta-feira, uma decisão da 16ª Vara de Fazenda Pública revogou a liminar que impedia o governo de investir recursos próprios na construção. A proibição era um pedido do Ministério Público do Rio, que calcula um superfaturamento de mais R$ 3 bilhões no projeto: alegando a defesa do patrimônio público, o órgão quer que todos os custos adicionais para a conclusão da estrutura sejam arcados exclusivamente pela concessionária que iniciou a obra.

A nova decisão judicial levou em consideração um relatório da PUC-Rio que apontou risco iminente à segurança não apenas dos trabalhadores, como também dos moradores do entorno da estação, que deveria ter ficado pronta para a Olimpíada de 2016. Segundo o laudo, a água ácida do poço que, desde 2018, mantém a estabilidade do buraco já escavado, ataca tanto o aço como o concreto da estrutura. Para piorar, a vida útil dos tirantes provisórios instalados na estação em 2015 é de dois anos. (..)  

2019-12-12

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Euforia imobiliária

Informe Diário ADEMI / Estação Economia 02-12-2019 

Incorporador paulistano
eufórico com a perspectiva
de um fabuloso encalhe * 
‘Aprovaram o dobro de unidades em relação ao que foi vendido’


O empresário Mauro Teixeira Pinto, sócio da construtora TPA, especializada em erguer edifícios residenciais no centro de São Paulo, está cauteloso, apesar da melhora que houve no mercado imobiliário este ano. Nos últimos 12 meses até setembro, foram vendidas na capital paulista 42 mil unidades, aponta pesquisa do Secovi-SP. 

Teixeira diz que, além destas, foram aprovadas na capital paulista 80 mil unidades que ainda serão lançadas. 

“Aprovaram o dobro de unidades em relação ao que está vendendo, é um exagero”, afirma. Ele se diz assustado com a euforia que há hoje no setor, mas mantém os planos de lançar três empreendimentos no centro em 2020. A seguir, trechos da entrevista. (..) 
 
2019-12-10

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* Imagem: https://br.freepik.com/fotos-gratis/euforico-entusiastico-homem-de-negocios-senior-gesticular_999267.htm

domingo, 8 de dezembro de 2019

O silêncio sorridente da FIESP

G1 02-12-2019 

Mortes em Paraisópolis: o que se sabe e o que falta esclarecer

Foto: Tuca Vieira 2004
Há duas versões sobre o que aconteceu em um baile funk de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, na madrugada de domingo (1º), quando nove pessoas morreram pisoteadas e outras 12 ficaram feridas. A polícia diz que a confusão foi provocada por criminosos, que atiraram contra militares e usaram frequentadores da festa como "escudo humano". Parentes de vítimas contestaram e falaram em uma "emboscada" da PM. (..)



Não é concebível, nos dias de hoje, a remoção de um bairro popular de 100 mil habitantes e 8 mil estabelecimentos comerciais numa área de 10 quilômetros quadrados, dito a 2a. maior favela de São Paulo e 5a maior do Brasil, ainda que precariamente urbanizado e majoritariamente constituído de contruções informais.

Mas não custa lembrar que Paraisópolis, mundialmente conhecido pela foto histórica de Tuca Vieira (2004) como símbolo da desigualdade urbana no Brasil, ocupa o coração da região urbana para onde se expande o mercado paulistano de imóveis de alto padrão, menina dos olhos do espasmo econômico que se quer fazer passar, à toda custa, por indício da 'retomada do crescimento' e justificativa para a extinção de todos os direitos que não o de propriedade.

*
"Não cabia mais ninguém no auditório da Fiesp. Numa noite fria de junho, o presidente cantou o Hino Nacional, posou para fotos e ganhou uma medalha dos capitães da indústria. Depois caminhou até a tribuna e passou a elogiar o ministro do Meio Ambiente. “O Ricardo Salles é um homem que está no lugar certo”, exaltou. “Os produtores rurais, cada vez mais, têm menos medo do Ibama. Eu paguei uma missão para ele: ‘Mete a foice em todo mundo’. Não quero xiita ocupando esses cargos”, prosseguiu. A plateia interrompeu o discurso com aplausos. (..)"

"O atestado do desastre", por Bernardo Melo Franco / O Globo 19-11-2019

                                                                                *
"E ouvir o silêncio sorridente de São Paulo diante da chacina"
("Haiti", Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1993)

2019-12-08

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Espiral de preços: o negócio da desigualdade 2

Valor 29-11-2019, por Mônica Magnavita 

Na segunda residência, surfe na piscina e pista de pouso 

Imóveis de alto padrão são o melhor
veículo de investimento na
concentração mundial da riqueza [*]
O mercado de condomínios de luxo com opções de lazer trouxe um conceito que vai além de conforto, beleza, segurança e comodidade. O consumidor de alta renda espera mais. Morar, ou passar fins de semana, em casas com acesso a campos de golfe, piscinas com ondas, hípicas para equitação, trilhas para caminhada pela natureza, pista para pouso aeronaves e marina para barcos é uma realidade desejada, e disponível, para quem pode dispor de, no mínimo, R$ 2,5 milhões para viver uma experiência que ultrapassa o simples ato de comprar um bom imóvel. É para quem almeja uma casa que traga, também, um estilo de vida.


Empreendimentos como o Fasano Cidade Jardim, Village Boa Vista, ambos em São Paulo e Aretê Búzios, no Rio de Janeiro, com pista de pouso para jato particular e marina para barcos, são alguns exemplos. Também no Rio, dois condomínios na Barra da Tijuca, bairro carioca a beira mar, Golden Green e Reserva Uno contam com campos de golfe. Os apartamentos têm plantas a partir de 500 metros quadrados, com valores superiores a R$ 7 milhões, de acordo com Alexandre Frickmann, diretor comercial da BAP Administradora de Bens. Segundo ele, o diferencial em áreas urbanas fica por conta do lazer sofisticado, como spa, piscina térmica, pistas de corrida e quadra de tênis.

O Fasano Cidade Jardim, em fase em de lançamento na capital paulista, tem como um de seus atrativos conexão com o hotel Fasano e com o sofisticado shopping Cidade Jardim, que reúne marcas como Gucci, Prada, Hermes, Valentino, Louis Vuitton, Dior e Cartier. Resultado de projeto em conjunto da incorporadora JHSF e do grupo Fasano, o condomínio, em uma área de seis mil metros quadrados, terá apartamentos de 156 m2 e 420 m2, com valor de R$ 35 mil o metro quadrado. Os moradores também terão acesso ao Fasano Club e à piscina aquecida com raia de 25 metros. “Procuramos investir para que o entretenimento associado ao imobiliário fosse diferenciado”, disse Thiago Alonso, CEO da JHSF, com o charme dos serviços prestados pela marca Fasano.

Quanto ao retorno, o metro quadrado, há dez anos, foi vendido em empreendimento semelhante, o Parque Cidade Jardim, a R$ 5 mil. Hoje, está em R$ 35 mil. Em breve, o mesmo grupo lançará o Village Boa Vista, condomínio de apartamentos de 150 m2 a 400 m2, contíguo à Fazenda Boa Vista, no município de Porto Feliz, com o conceito de segunda residência. Ou seja, casa para fins de semana e férias. Além de contar com todo o complexo de lazer da fazenda (cavalos, trilhas, dois campos de golfe, de polo, quadra de tênis, espaço para triatlo, ciclismo e lago voltado para natação), a novidade ficará por conta de uma piscina com ondas de até 2,70 metros de altura. Um achado para os surfistas do campo.

“O projeto veio a partir de um estudo realizado no mundo voltado para segunda residência que concluiu que o lazer era uma das coisas importantes nesse mercado. As pessoas querem ter um lugar prático onde possam reunir amigos e família”, diz Alonso.

Em comum, esses clientes têm hábitos e culturas similares. Os proprietários da Fazenda Boa Vista são, em geral, famílias com sobrenomes tradicionais e profissionais liberais de destaque. Muitas famílias reúnem várias gerações em casa, avós, pais e netos. Já o novo Village, com apartamentos, será voltado para famílias interessadas em serviços de qualidade com padrão de hotel cinco estrelas. “Hoje tanto a mulher quanto o marido têm atividade intensa durante a semana. No fim de semana, os dois querem descansar, por isso a oferta maior de serviços agregados”, disse Alonso.

No Rio de Janeiro, houve, nos últimos anos, mudança no perfil dos clientes muito ricos que buscam lazer acima de tudo. “Há menos de uma década, eram pessoas entre 45 e 60 anos. Agora, vemos um número maior de jovens milionários”, disse AlexandreFrickmann, referindo-se à geração dos millennials, que enriqueceu rapidamente, muitos deles com negócios em startups, fintechs, inteligência artificial.

O segmento de luxo passou ao largo da crise. “Esse é um mercado que tem comportamento descolado de outro segmentos imobiliários”, diz Claudio Hermolin, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário, Ademi- RJ.

Um dos motivos, além da queda de juros, foi o crescimento de 8,4% do rendimento médio do grupo 1% mais rico, segundo o IBGE. No ano passado, 14 mil brasileiros entraram para o grupo dos que possuem patrimônio superior a US$ 1 milhão, conforme a consultoria Capgemini. Hoje, há 186 mil milionários no Brasil. Ou seja, as perspectivas são promissoras.

2019-12-06

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[*] "Espiral de preços: o negócio da desigualdade", À beira do urbanismo 10-12-2017, por Pedro Jorgensen

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Sua Casa Minha Vida (4)

Cidadeverde / Folhapress 26-11-2019 

Mercado imobiliário retoma lançamentos, mas crédito para os mais pobres preocupa

Montagem: À beira do urbanismo
Os indicadores imobiliários divulgados pela Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) nesta segunda-feira (25) mostram um aumento de 23,9% no volume de lançamentos no país no terceiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Nos primeiros nove meses deste ano, o número de lançamentos ficou em 82.044 unidades. Em 2018, entre janeiro e setembro foram registrados 70.059 lançamentos. Para o presidente da Cbic, José Carlos Martins, os números demonstram consistência na recuperação do setor, que aposta em resultados ainda melhores no trimestre final deste ano.

(..) Os números vão bem, mas o financiamento da habitação popular preocupa. O Minha Casa Minha Vida ainda responde a 56,9% dos lançamentos no terceiro trimestre deste ano. A participação é relevante também em São Paulo, onde representa 44% dos lançamentos e 46% das vendas. Crítico da liberação de recursos do FGTS para o estímulo ao consumo, o presidente da Cbic diz que a habitação de médio e alta padrão encontrará outros caminhos para o crédito, mas que o crédito para os mais pobres ainda precisa de soluções. "Todas as projeções são de otimismo, mas a fonte de financiamento é uma preocupação.  Temos certeza de que o mercado de classe média vai embora, vai em frente, mas nos preocupa o orçamento cada vez menor justamente onde se concentra o déficit", diz. (..) 
2019-12-04

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Civilização brasileira

Yahoo Notícias 30-11-2019, por Gian Amato / O Globo

Imóveis ganham suítes e chuveirinho no banheiro em Portugal para atrair ricos brasileiros 
Brasileiro recém-chegado a Portugal
ensina aos patrícios o uso da
ducha higiênica

Imagem: https://www.mdig.com.br/index.php?itemid=45690
O fluxo crescente de endinheirados entre Brasil e Portugal atrai bancos internacionais para Lisboa e provocam mudanças no mercado imobiliário do país para atender às preferências dos brasileiros. 

Nos primeiros nove meses deste ano, 176 investidores do Brasil transferiram € 132,6 milhões, o equivalente a R$ 617 milhões para Portugal, 46,5% mais que no mesmo período de 2018, como forma de obter os chamados vistos gold, que dão direito à residência em contrapartida à compra de imóveis de alto padrão, a partir de € 500 mil (R$ 2,3 milhões). 

A chegada dos brasileiros ricos obrigou as construtoras e imobiliárias de luxo a adaptarem os imóveis para atender aos pedidos bem característicos desses clientes, como dependências de empregados domésticos, suítes em todos os quartos, com instalação de duchas higiênicas, e áreas de serviço com tanques. (..) 

2019-12-02

sábado, 30 de novembro de 2019

Sua Cama Minha Vida

A Tarde 30-11-2019, por Fábio Bittencourt
 
Vida sustentável é a ideia central das futuras moradias

À beira do urbanismo
Já parou para pensar como serão as casas, a vida em condomínio (comunidade), o dia a dia nas grandes cidades daqui a dez anos? Que papéis terão a tecnologia, a inovação e o conceito de desenvolvimento sustentável no futuro? Quais as tendências e apostas do mercado imobiliário?

Segundo os especialistas, as respostas para as perguntas acima estão mais relacionadas às necessidades mais básicas do usuário e remetem à ideia de economia e otimização de espaços e recursos, compartilhamento, segurança, comodidade, iniciativas ecologicamente corretas.

(..) Para o CEO da startup Noknox, Joaquim Venancio, as tendências para o futuro próximo, coisa de uma década, nem estarão tão voltadas para a realidade da automação, do uso de drones e robôs; mas sim para pilares como o da sustentabilidade, lógica da economia compartilhada e redução de custos.

“Lavanderias compartilhadas, por exemplo, estão chegando com força aos novos prédios. Espaços de lazer (segmentados), o compartilhamento de vagas e veículos autônomos também serão opções procuradas daqui para a frente. Estamos falando de compartilharmos espaços para reduzir custos”, diz. (..) 

2019-11-30


quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Bens públicos, negócios privados: UFRJ

O Globo 25-11-2019, por Luiz Ernesto Magalhães


Projeto prevê construções de até 20 andares no campus Praia Vermelha da UFRJ
A prefeitura está às voltas com mais uma polêmica. Agora, a Secretaria municipal de Urbanismo (SMU) quer autorizar a construção de prédios que podem chegar a até 20 andares em alguns trechos do campus Praia Vermelha da UFRJ, em Botafogo. Se o plano aproveitar integralmente os espaços livres, o entorno da Avenida Venceslau Brás (principal eixo de ligação entre Copacabana e o Aterro), onde se encontra o esqueleto do que foi o tradicional Canecão, poderia ganhar até mil novos apartamentos. A proposta do município atendeu a um pedido da UFRJ, que alega a necessidade de aproveitar o patrimônio imobiliário para melhorar a infraestrutura oferecida aos alunos da universidade.
*

"Em tempos de economia estagnada e rápida concentração da renda familiar, a sina de toda e qualquer terra urbana bem localizada é se tornar alvo de empreendimentos cujos produtos e serviços apelem aos que consintam em pagar, por aquela vantagem, uma parte de seu cobiçado excedente orçamentário.

O fato de um imóvel bem situado estar construído sobre, ou ser ele próprio, terra pública é quase irrelevante: caçadores de oportunidades especulativas sempre podem justificar a iniciativa como 'parceria público-privada visando a manutenção e melhoria do equipamento'. Dependendo do tamanho do negócio, a parceria pode implicar um simples 'patrocínio' ou reivindicar um prospecto socialmente grandioso, como 'legado olímpico'". [*] 

2019-11-28
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[*] "Bens públicos, negócios privados: Jd de Alah”, À beira do urbanismo 10-08-2019
http://abeiradourbanismo.blogspot.com/2019/08/animal-sensivel.html


domingo, 24 de novembro de 2019

Laranja agradecida

FolhaNit 23-11-2019

Integração Entre Ônibus e Barca Terá Desconto de R$ 4 a Partir de Dezembro

A partir de dezembro, o passageiro que pegar um ônibus municipal (R$ 4,05) e depois a barca (R$ 6,30) poderá pagar R$ 6,35 pela viagem nos dois modais, ao invés dos R$ 10,35 atuais, um desconto de R$ 4.

(..) O projeto faz parte do Plano Municipal de Mobilidade Urbana Sustentável, que será apresentado no próximo dia 26, e tem o objetivo de incentivar o uso do transporte público. Rodrigo Neves explicou que enviará à Câmara nas próximas semanas o pedido de autorização legislativa para implantar um projeto que pretende subsidiar o desconto nas tarifas e que a integração com o Estado é para que o benefício funcione no mesmo sistema do Bilhete Único.


Moradores de outras cidades que têm o Bilhete Único metropolitano estadual e fizerem a integração de ônibus municipal em Niterói com as barcas também serão beneficiados. Witzel enfatizou a importância de mais uma parceria com a Prefeitura e comemorou a iniciativa do Município. “Estamos trabalhando pelo bem da população.” (..)


A medida, indiscutivelmente, é ótima para os usuários afetados. O subsídio é inevitável porque não há como compensar os custos crescentes dos transportes de metrópoles globalizadas com tarifas pagas por salários latino-americanos.

Mas convenhamos.

Primeiro retalha-se o sistema metropolitano de transportes para entregar cada pedaço a uma concessionária em prejuízo da racionalidade do sistema, com aumento geral de custos a serem repassados às tarifas. Em seguida, põem-se os municípios a competir pela concessão de subsídios!

Será absurdo pensar que estamos assim transferindo recursos dos royalties do petróleo às concessionárias, ficando a população na posição de laranja agradecida aos papais-noéis de plantão? Ou devemos nos limitar a aplaudir o prefeito de Niterói por saber tirar partido da nossa riqueza relativa para melhorar ainda mais a nossa posição?

Imaginemos a situação do morador de São Gonçalo, onde a renda per capita 2010 era R$ 669,30, pagando 4 reais a mais pelo seu deslocamento ao Centro do Rio de Janeiro que o morador de Niterói, onde a renda média 2010 era R$ 2009,29. Caberá a Niterói, a São Gonçalo ou ao Estado do Rio arcar com a ineficiência de criar-se uma nova gambiarra no sistema para compensar tamanha iniquidade?

2019-11-24 

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Localização: a dança dos preços

Informe Diário ADEMI / Estadão Economia 17-11-2019
https://informediario.com.br/2019/11/18/shopping-valoriza-imoveis-mais-que-parque-em-sp/

Shopping valoriza imóveis mais do que parque e metrô em São Paulo

Comprar um lançamento imobiliário perto de um shopping em São Paulo custa até 75% mais do que perto de um centro comercial no Rio. Em contrapartida, morar a alguns passos de uma área verde na capital fluminense pode sair até 62% mais caro do que na capital paulista.


Levantamento do Grupo ZAP a pedido do Estado comparou o preço do metro quadrado em empreendimentos a 300 metros de distância de metrôs, parques e shoppings nas duas maiores capitais do País. A pesquisa considerou o valor atual de unidades lançadas a partir de 2014.

Conforme a amostragem, enquanto em São Paulo o valor médio do metro quadrado de um apartamento novo próximo a um shopping é R$ 13 mil, no Rio é R$ 7.398. No restante da cidade, fora do raio de 300 metros a partir de um shopping, o valor cai para R$ 9.047 em São Paulo, e fica em R$ 7.627 no Rio.

Quando a escolha é ter uma paisagem natural à vista do apartamento, os preços no Rio se sobressaem. Enquanto na capital paulista a média do metro quadrado circunvizinho a parques custa R$ 8.039, para os cariocas o preço vai a R$ 13.073.

Para a economista do Grupo ZAP responsável pela pesquisa, Deborah Seabra, o impacto de shoppings na valorização de imóveis na maior capital doPaís pode estar ligado, além da preferência do consumidor, à falta de terreno e à alta procura no mercado. “O preço é um equilíbrio de oferta e demanda. Existem dois fatores que podem estar impulsionando o preço próximo de shopping. Primeiro, a escassez de terreno. Quando tenho pouco terreno, fica mais caro construir. O segundo é a alta demanda. A gente sabe que São Paulo é um centro comercial e as pessoas valorizam esse tipo de ambiente. Se valorizam muito, vai haver reflexo no mercado”, diz Seabra. 

O professor Eduardo Nobre, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), destaca que existe também um fator cultural na valorização de shoppings na capital paulista. “Tem muito a ver com essa opção de lazer e de consumo que foi criada aqui a partir dos anos 1970. A população de São Paulo gosta de ir ao shopping. Usa-o como espaço de lazer”, diz Nobre.

Já no Rio, a valorização de imóveis próximos a áreas verdes está ligada, em partes, ao perfil carioca de “vida ao ar livre”, explica Ethel Pinheiro, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU/UFRJ). Outro fator de destaque, diz ela, é a segurança de espaços públicos, como parques. “A localização de imóveis perto de locais considerados seguros, que são mais vigiados, acaba pesando. Os parques públicos, hoje, são lugares muito vigiados. Os shoppings não pesam tanto porque a gente gosta da vida na rua. Então, onde a rua estiver policiada e segura, isso vai pesar um pouco mais (no preço).”

A mobilidade é outra amenidade que influencia no momento de se atribuir valor a um imóvel. Na comparação com shoppings e áreas verdes, a proximidade com o transporte público ficou em segundo lugar como fator de valorização tanto no Rio quanto em São Paulo.

Perfil econômico

Para o publicitário Alexandre Tagawa, que atua nos estudos de inteligência de mercado da incorporadora EZTec, a preferência de imóveis pela proximidade com algumas amenidades varia de acordo com o perfil socioeconômico do comprador. “Quando vamos desenvolver uma campanha, esses são motes que agregam valor ao produto: poder acessar um shopping, um parque ou uma estação de metrô a poucos passos. Como a EZTec atua em todas as faixas de consumo, desde o Minha Casa Minha Vida até o altíssimo padrão, cada um desses itens importa mais para um determinado público.” 

Segundo Tagawa, para um imóvel de padrão acessível num bairro como o Brás, no centro de São Paulo, o acesso a metrô tem prioridade. Nas faixas de médio padrão no Tatuapé, zona leste, o transporte divide a preferência com o shopping. Já na linha de alto padrão, em bairros como Moema, os parques são o foco dos clientes.

2019-11-22

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

E os patrícios vão morar... nas caravelas (4)

O Jornal Económico 08-11-2019, por Laura León 
 
Os números do airbnb já não são desprezáveis, destaca CEO da KW Portugal

O CEO da KW Portugal, Eduardo Garcia Costa, destacou que os números do airbnb “já não são desprezáveis”, acrescentando que constam dos dados do turismo que em 2018 o airbnb alojou 3,4 milhões de turistas, dos cerca 21 milhões que passaram por Portugal.

O CEO da KW Portugal frisou que é importante perceber que fenómenos é que estão a acontecer no turismo, dado que estes também estão intrinsecamente relacionados com as novas dinâmicas no mercado imobiliário, nomeadamente o crescimento do turismo residencial, que têm como consequência o aumento de preços no mercado imobiliário. (..) 
Clique na imagem para ampliar
2019-11-20

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

De benefício geral a malefício local

El País / Ciencia 09-11-2019, por Nuño Domínguez

“Las nuevas zonas verdes de nuestras ciudades acaban beneficiando solo a los más ricos”

Isabelle Anguelovski, estudiosa de la gentrificación  
Novo Parque de  las Glories, Barcelona
inaugurado em 06-04-2019

Foto (detalhe) Barcelona al día

(..) Su equipo, de 20 investigadores, ha estudiado el impacto que ha tenido la construcción de zonas verdes en 40 ciudades de EE UU, Canadá y Europa con una población de entre 500.000 y 1,5 millones de habitantes. En España se han analizado Barcelona y Valencia. Aunque los resultados completos del trabajo aún tardarán unos meses en estar listos, la principal conclusión ya está clara: existe una “gentrificación verde” en la mayoría de estas urbes de forma que las mejoras ambientales y urbanísticas acaban echando de sus barrios a los vecinos más pobres, que son reemplazados por gente con mayores ingresos y que, a la postre, son los que se benefician de la operación. 

En el caso de Barcelona, este fenómeno ya está teniendo impactos incluso en la salud de las clases más pobres, asegura Anguelovski (París, 1978), profesora de investigación ICREA que trabaja en el Instituto de Ciencia y Tecnología Ambientales (UAB). Su proyecto se llama Green Lulus, siglas en inglés de “uso local del suelo verde no deseado”, pues en algunas de las poblaciones estudiadas, los nuevos parques o incluso las nuevas paradas de metro en el caso de EE UU han sido recibidas con una fuerte oposición y movilización vecinal porque hacen subir el precio de la vivienda y les acaban echando de su barrio. (..) 

2019-11-18


sábado, 16 de novembro de 2019

Não é pra qualquer um!

NSC Total 04-11-2019, por Ronaldo Fontana

Cidades inteligentes precisam de pessoas educadas, afirmam especialistas
Montagem: À beira do urbanismo
Imagem original Pixabay 

(..) Entre os mais diversos temas abordados no Futurecom, as novas tecnologias, inovações, produtos de tecnologias e telecomunicações formam o futuro próximo e distante para melhorar a qualidade de vida da população. Para a evolução das cidades é necessário uma conexão entre diversos meios, como comenta o associado do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), professor Paulo Miyagi, doutor em Engenharia de Controles pela Tokyo Institute of Technology.


— Muito se discute que, principalmente na segurança, algumas tecnologias não seriam necessárias caso a população tivesse uma melhor educação. É melhor reforçar a segurança para diminuir os crimes, ou reforçar a educação para que diminua o número de bandidos? A conexão não é só na tecnologia, ela também se faz com a educação da população. (..) 

2019-11-16

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Meu Túnel Minha Vida

O Globo Rio / Bairros 03-11-2019, por Ana Claudia Guimarães

A nova cara do setor imobiliário em Niterói

Luxo é ser simples, compartilhável e sustentável. Com esse conceito, o empresário Burno Serpa Pinto, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi) de Niterói, vem pedalando (literalmente) atrás de bons resultados para o setor na cidade. (..)

Agora, falando em números, Bruno diz que o setor vem ganhando fôlego: só a Spin registrou crescimento de 59% em unidades vendidas de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2018.

— Influem a queda da taxa de juros, os baixos rendimentos das aplicações financeiras e a oportunidade de compra num cenário ainda de baixa de preços — diz ele, citando São Francisco, Charitas e Piratininga como os mais novos queridinhos do mercado. Neste último, haverá lançamentos no verã
o.


Túnel Charitas-Cafubá

Leia também neste blog

“Vem aí: Jardim Cafubá” (22-05-2017)

“Vem aí o Jardim Cafubá II” (10-06-2017)

“O planejamento olímpico e a revolução dos transportes II” (31-10-2017)

2019-11-14


terça-feira, 12 de novembro de 2019

Não é mito: as águas vão subir

NY Times Climate 29-10-2019, por Denise Lu e Christopher Flavelle
https://www.nytimes.com/interactive/2019/10/29/climate/coastal-cities-underwater.html

Rising Seas Will Erase More Cities by 2050, New Research Shows

Rising seas could affect three times more people by 2050 than previously thought, according to new research, threatening to all but erase some of the world’s great coastal cities.
The authors of a paper published Tuesday developed a more accurate way of calculating land elevation based on satellite readings, a standard way of estimating the effects of sea level rise over large areas, and found that the previous numbers were far too optimistic. The new research shows that some 150 million people are now living on land that will be below the high-tide line by midcentury. (..) 
Mumbai, Índia, 2050. Previsões inicial e e atualizada
Clique na imagem para ampliar
2019-11-12

domingo, 10 de novembro de 2019

Falando francamente

Radio Alto Minho 31-10-2019 

Proprietários de Lisboa podem comemorar com o aumento dos preços dos imóveis: 24% desde 2012
Montagem,: à beira do urbanismo 

O mercado imobiliário português recuperou bastante após a recessão de 2008, com os proprietários em Lisboa entre os maiores beneficiários. O mercado tem tido um fluxo de capitais proveniente de vários ângulos, à medida que os portugueses retornam ao seu país e uma onda de investimentos estrangeiros ajuda a manter o gradiente numa ótica ascendente. Esta combinação de proprietários locais e estrangeiros fez reviver em grande parte o mercado, que se encontrava no seu ponto mais baixo desde há apenas 11 anos.

Com a implementação de múltiplos esquemas pelo governo português para incentivar o investimento estrangeiro, a residência e a propriedade registaram enormes retornos económicos. Em particular, o sistema Golden Visa (Vistos Dourados), que foi um enorme sucesso para indivíduos de elevado património provenientes da Rússia, China e de toda a África, pois oferecia a oportunidade de prolongar permanentemente sua estadia em Portugal, uma vez que possibilitavam a solicitação de um visto permanente após 5 anos de residência no país (com a condição de ter realizado a compra de um imóvel por mais de € 500.000). 

Paralelamente ao esquema dos vistos dourados, está o esquema dos residentes não habituais em Portugal, promovendo o fascínio de compradores estrangeiros para que se estabeleçam no país. A iniciativa do governo, voltada para os reformados e pessoas com elevado património, oferece taxas de imposto tentadoramente baixas para a renda local e isenção de valores provenientes do exterior. Inspirando-se nos programas governamentais de Londres, Portugal procurou reforçar o crescimento constante e a segurança do seu mercado imobiliário por meio de investimentos estrangeiros, o que parece estar a levar, de fato, a um sucesso retumbante. (..) 

2019-11-10

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Sua Casa Minha Vida (3)

UOL Economia 01-11-2019, por Filipe Andretta
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/11/01/minha-casa-minha-vida-mcmv-projeto-senado-imposto-parcela.htm

Senado corta imposto de casa popular, mas preço de imóvel pode não cair

O Senado aprovou na terça-feira (29) a redução de impostos sobre imóveis que custam até R$ 124 mil.Isso engloba as duas faixas de menor renda do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). A medida valeria a partir de 2020 e ainda depende de aprovação do presidente Jair Bolsonaro. O imposto cai de 7% para 4%. Esse corte vai diminuir na prática o valor que a pessoa pagará pela casa?


Segundo estimativas do mercado, a medida beneficia as empresas que investem no MCMV, mas não deve ter impacto significativo no bolso de quem comprar os imóveis.

(..) O advogado Almeida afirma que a redução do imposto é uma medida que vai estimular o mercado imobiliário a investir em moradia popular, o que é positivo. Mas, como a alíquota era ainda menor até o ano passado, ele acredita que a medida não deve alterar o preço final das parcelas pagas nas faixas 1 e 1,5 do MCMV. "Acho que a diferença no imposto fica como margem [de lucro] para a empresa." (..)

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Se estivéssemos falando de imóveis de mercado, aconteceria exatamente o que afirma o doutor Almeida: a redução do imposto ficaria como lucro para a empresa. Vale para o IPTU (a redução iria para o bolso do senhorio), para o instituto do foro (a redução iria para os bolsos de vendedores e cartórios) e para a Outorga Onerosa do Direito de Construir (a redução seria repartida entre o incoporador e o proprietário do terreno).

Isto decorre da escassez constitutiva do estoque de bens imobiliários disponíveis nas distintas áreas da cidade, relativamente à capacidade de arrendamento ou aquisição, conforme o caso, dos segmentos sociais que os demandam.

São as máximas ofertas de renda dos demandantes que formam o que chamamos de gradientes de preços e aluguéis dos imóveis-localização, razão pela qual aumentos de IPTU e ônus incidentes não lhes podem ser repassados. (Reduções serão embolsadas pelos proprietários-vendedores porque os inquilinos-compradores continuarão disputando as localizações pelo máximo que estão aptos e dispostos a ofertar). Todo proprietário sabe perfeitamente que aumentos de IPTU e taxas condominiais acarretam redução no valor dos novos aluguéis.

Sendo, porém, o Minha Casa Minha Vida um programa de subsídios governamentais à aquisição financiada de imóveis, caberia a quem subsidia (o governo/Caixa Econômica) estabelecer a quem beneficiará a redução do ônus fiscal. Se não o faz em favor dos adquirentes - cuja capacidade de pagamento é essencialmente inelástica - impondo a redução do preço final dos bens, é porque deliberou fazê-lo em favor dos construtores/incorporadores. Em suma, mais um caso de transferência líquida de recursos estatais para o setor privado.

Faz de conta que é um "efeito de mercado".

2019-11-08


quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Enfrentando o déficit habitacional

Terra 31-10-2019, por DINO

Mercado de Alto Padrão e luxo em São Paulo dispara em 2019

Montagem: à beira do urbanismo
Em agosto as vendas de imóveis novos na cidade de São Paulo cresceram 34,1% sobre o mês anterior e 70,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados do Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Nesse período foram vendidas 4.405 unidades residenciais novas, ante 3.284 unidades em julho e 2.581 unidades em agosto de 2018.

Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também apresentam dados bastante representativos. A entidade registrou avanço de 9,7% nas vendas e de 4% nos lançamentos residenciais. Sendo as moradias de médio e alto padrões apontadas como as principais responsáveis por esse aumento.

(..) O mercado de alto padrão é menos suscetível a crises, então continuou crescendo nos últimos anos.

"O mercado imobiliário residencial está se recuperando devido ao efeito das baixas taxas de juros", ressaltou Sergio Langer, especialista em mercado imobiliário. (..)
 
2019-11-06

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

De joia ferroviária a sucata imobiliária

Globo Rio 31-10-2019, por Mariana Teixeira

Estado refaz projeto de revitalização para a Estação Leopoldina orçado inicialmente em R$ 7 milhões

Sem receber passageiros desde 2002, a Estação Leopoldina, construída em 1926, poderá ganhar vida nova.
O secretário estadual de Cultura, Ruan Lira, promete revitalizar o espaço, que também deverá abrigar um Museu do Trem e atividades culturais abertas ao público. A imponente construção, tombada pelo Iphan e pelo Inepac, ainda se destaca na Avenida Francisco Bicalho, uma das principais vias do Centro, mas sua beleza está ofuscada pelo abandono.


(..) O edifício principal pertence à Superintendência de Patrimônio da União (SPU) e ao governo do estado. Já as estações de trem, na parte de trás, são da SuperVia, empresa responsável pelos trens urbanos do Rio. 

Devido à negligência do poder público, o Ministério Público Federal entrou com uma ação em 2010 para obrigar os responsáveis a restaurarem a estação já que o imóvel corre riscos de desabamento e até de incêndio. Nove anos depois, nada foi feito. (..) 
2019-11-04

sábado, 2 de novembro de 2019

Efeito bumerangue

La Vanguardia 01-11-2019, por Eusebio Val

Miseria a las puertas de Paris

Foto (detalhe): Miguel Medina AFP


Lo de ayer parecía un desembarco, el rescate humanitario de un Estado fallido. El jefe del Gobierno francés, Édouard Philippe, y cinco de sus ministros no tuvieron que viajar muy lejos para su misión, apenas una decena de kilómetros desde sus despachos. En la periferia noreste de París, lindante con la capital, se halla el departamento de Sena-Saint-Denis, el más pobre de la Francia metropolitana: 1,6 millones de personas con problemas sociales endémicos muy graves.

Quienes aterrizan en el aeropuerto Roissy-Charles de Gaulle y se dirigen al centro de París en los trenes de cercanías pueden hacerse ya una idea del entorno arquitectónico y humano de los barrios populares que atraviesa. Tiene muy poco que ver con el mítico glamur asociado a París, y peor todavía en una jornada gris y lluviosa de otoño. La pobreza se ve y hasta se huele en los vetustos vagones de la línea RER-B y en las estaciones. (..) 

2019-11-02